O SANGUE

outubro 13, 2009 às 4:13 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O SANGUE

MAXIMILIANO MENDES – 2011

Características gerais

Podemos considerar o sangue como um tipo de tecido conjuntivo cujas células são produzidas por outro, o reticular ou hemocitopoético (ou ainda hemocitopoiético), localizado nas medulas ósseas vermelhas e em alguns órgãos linfáticos como o baço e o timo. A figura a seguir ilustra uma medula óssea vermelha presente na extremidade de um osso longo.

Talvez a característica que melhor distingue o sangue dos outros tecidos conjuntivos é o fato de ele possuir uma matriz extracelular abundante, o plasma, também chamado de parte líquida, que compõe cerca de 55 % do volume, ao passo que o restante, referente às células e partes de células, e por isso chamada de elementos figurados (de figures: conta, números), constitui cerca de 45 % do sangue:

Componentes e funções do sangue

Como se pode perceber observando a figura acima, o sangue possui dois componentes:

  • Plasma: a parte líquida, correspondente à matriz extracelular do tecido, onde as células estão imersas. É uma solução contendo 90 % de água, proteínas e diversas substâncias transportadas pelo sangue, como nutrientes, excretas e gases respiratórios.
  • Elementos figurados: é a parte sólida, constituída de células e plaquetas.
    • Eritrócitos ou hemácias: são as células vermelhas do sangue, cuja função principal é o transporte de oxigênio ligado à hemoglobina, proteína contendo Ferro, que ao ser oxidado, quando o O2 se liga a ele para ser transportado, adquire coloração avermelhada (procure uma barra de ferro velha pela rua e você verá que as porções oxidadas, “enferrujadas” também têm coloração alaranjada/avermelhada). Em mamíferos, durante o processo de diferenciação, essas células perdem o núcleo, de forma a adquirir um formato bicôncavo, mais delgado, e aumentar a área de superfície em relação ao volume, facilitando as trocas gasosas. Normalmente encontram-se na proporção de 4-6×106/mm3 de sangue. Denomina-se anemia a condição na qual o indivíduo têm um número reduzido de eritrócitos e/ou apresenta dificuldades em transportar o O2.
    • Leucócitos: são as células brancas do sangue, com função de defesa imunitária. Normalmente encontram-se na proporção de 5-6×103/mm3 de sangue. Pessoas cujo sistema imunitário não é capaz de combater microrganismos patogênicos adequadamente são ditas imunodeficientes. Isso pode ser devido a defeitos genéticos nas células ou insuficiência de células. Um exemplo é a AIDS, na qual o vírus HIV ataca e destrói os linfócitos T CD4+, comprometendo grandemente a eficiência das respostas imunes.
    • Plaquetas: são fragmentos de células chamadas megacariócitos, e têm como função principal promover a coagulação (solidificação) do sangue (a fim de evitar hemorragias, por exemplo). Normalmente encontram-se na proporção de 2,5-4×105/mm3 de sangue. Pessoas que apresentam o processo de coagulação deficiente são ditas hemofílicas. Essa é uma condição genética e comumente se deve à incapacidade de produzir uma das proteínas envolvidas no processo de coagulação, o chamado fator VIII. Como o gene que codifica o fator VIII está localizado no cromossomo X e os homens só têm um X, a proporção de hemofílicos é muito maior nas pessoas do sexo masculino (menos pior, imagine uma mulher hemofílica menstruando…).

A tabela a seguir apresenta alguns dos elementos figurados e suas funções (modificada a partir de Junqueira & Carneiro, 2004 e 2005):

Célula/Elemento

Principais produtos

Funções principais

Eritrócitos

Hemoglobina, proteína cuja função primordial é o transporte de O2.

Transporte dos gases respiratórios: O2 e CO2.

Neutrófilos

Grânulos específicos e lisossomos.

Fagocitose de bactérias

Eosinófilos

Grânulos específicos e substâncias farmacologicamente ativas.

Defesa contra vermes parasitas e modulação dos processos inflamatórios.

Basófilo

Grânulos específicos contendo histamina e heparina.

Liberação de histamina e outros mediadores dos processos inflamatórios.

Monócito

Grânulos contendo enzimas lisossômicas.

Geração de macrófagos nos tecidos conjuntivos, que por sua vez fagocitam e digerem bactérias, vírus, protozoários e células velhas.

Linfócito B

Anticorpos ou imunoglobulinas.

Diferenciam-se em plasmócitos, as células produtoras de anticorpos.

Linfócito T

Substâncias que matam células e substâncias que controlam a atividade de outros leucócitos (chamadas interleucinas).

Eliminam células infectadas por vírus e regulam as respostas imunes.

Linfócito NK (Natural Killer)

Ver ao lado.

Elimina células infectadas por vírus e células cancerosas sem necessidade de estímulo prévio.

Plaquetas

Fatores de coagulação sangüínea.

Coagulação do sangue.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

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TECIDOS CONJUNTIVOS

outubro 12, 2009 às 2:17 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | 1 Comentário

TECIDOS CONJUNTIVOS

Maximiliano Mendes – 2009

Características gerais:

Tecido caracterizado por possuir diversos tipos de células, pouco justapostas, e matriz extracelular abundante. Características distintas em relação aos tecidos epiteliais. A matriz extracelular pode ser subdividida em dois componentes:

  • Substância fundamental amorfa: constituída de água e diversas macromoléculas (glicosaminas, proteoglicanos, glicoproteínas…).
  • Fibras: estruturas alongadas e de constituição protéica, como as de elastina, colágeno e reticulares (que por sua vez também são constituídas de colágeno).
    • Colágenas: fibras bastante resistentes à tensão. Dentre outras funções, contribuem para a manutenção da firmeza da pele. O colágeno é o tipo de proteína mais abundante do corpo.

    • Elastina: capazes de recuperar sua forma original após serem submetidas a forças de tensão.

    • Reticulares: também são constituídas de colágeno. Ligam o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos. Também são capazes de criar redes em órgãos que podem mudar de forma ou volume, como vasos sangüíneos e o intestino. (Reticulado é aquilo que, como o nome indica, tem aspecto de rede).

Ao contrário dos tecidos epiteliais, que podem ser originados a partir dos três folhetos germinativos, os tecidos conjuntivos têm origem mesodérmica. Apesar disso, existem diversos tipos de tecidos conjuntivos como veremos posteriormente.

Dentre os tipos celulares que podem ser encontrados nesses diversos tecidos conjuntivos, podemos citar os fibroblastos, macrófagos, condrócitos, osteócitos, adipócitos e células do sangue.

Funções:

Dentre as diversas funções estão:

  • Preenchimento de espaços. Por exemplo: entre órgãos e entre tecidos. Daí o nome: conjuntivo ou conectivo.
  • Sustentação: função que pode ser exercida pelos ossos e as cartilagens, como exemplos, as cartilagens do pavilhão auditivo externo, nariz e sistema respiratório (anéis na traquéia).
  • Defesa: pois possui e origina leucócitos, as células responsáveis pela defesa imune.
  • Proteção: os ossos da caixa craniana, caixa torácica e coluna vertebral envolvem e protegem órgãos e estruturas importantes. Ademais, o tecido adiposo presente nas solas dos pés os protegem contra impactos.
  • Nutrição: pois possuem vasos sangüíneos e o próprio sangue é um tipo de tecido conjuntivo. A derme, um tecido conjuntivo propriamente dito é responsável pela nutrição da epiderme, um tecido epitelial, e, portanto, desprovido de vasos sangüíneos. Além disso, podem constituir reserva energética, como no caso do tecido adiposo.
  • Cicatrização, graças à multiplicação dos fibroblastos e sua produção de matriz extracelular, que, de certa forma, ocupam o espaço lesionado.
  • De forma geral, podemos dizer também que, em associação ao tecido muscular, os tecidos conjuntivos estão envolvidos no estabelecimento e manutenção da forma do corpo.

TIPOS:

Os tecidos conjuntivos são caracterizados de acordo com o tipo de célula e a quantidade de matriz extracelular que possuem:

1. Tecido conjuntivo propriamente dito:

Frouxo: É o tipo de tecido conjuntivo mais comum, encontrado por todo o corpo. Possui diversas funções, como preenchimento, apoiar órgãos e epitélios, nutrição e cicatrização de feridas.  Há a presença de fibras elásticas, reticulares e colágenas.

Denso: em comparação com o frouxo, possui muitas fibras colágenas. Pode-se subdividir os tecidos conjuntivos propriamente ditos densos em:

  • Modelado: as fibras de colágeno se apresentam orientadas de forma paralela. É o tipo de tecido que constitui os tendões (unem os músculos aos ossos) e ligamentos (unem os ossos entre si).
  • Não-modelado: as fibras de colágeno não se apresentam orientadas. Um bom exemplo é a porção mais interna da derme (da pele).

Dentre os tipos celulares que podemos destacar, presentes nos tecidos conjuntivos propriamente ditos, estão os fibroblastos e os macrófagos. Os fibroblastos são as células responsáveis pela produção da matriz extracelular com suas fibras e pela cicatrização, ao passo que os macrófagos são células fagocitárias do sistema imunitário.

2. Adiposo: tecido cujas células, os adipócitos, armazenam lipídios, sendo assim, tem as funções de reserva energética, isolante térmico e proteção contra choques mecânicos (como vimos acerca do tecido presente nas solas dos pés).

3. Cartilaginoso: tecido cujas células são os condrócitos. É um tecido firme, que não apresenta vasos sangüíneos, sendo assim, sua nutrição é feita por difusão de nutrientes a partir de outros tecidos adjacentes. Tem as funções de sustentação (nariz, pavilhão auditivo externo e trato respiratório, nesse último caso, graças à presença de anéis cartilaginosos que mantêm as vias respiratórias abertas, para facilitar a passagem do ar) e proteção de superfícies articulares.

4. Ósseo: suas células são os osteócitos. É um tecido rígido, pois sua matriz extracelular apresenta sais de Cálcio, cujas funções principais são a sustentação, movimentação (em associação com os músculos) e proteção de estruturas internas. A figura a seguir ilustra a estrutura de um osso.

É importante destacar que os ossos são rígidos por terem matriz calcificada, porém, também apresentam certa maleabilidade, o que aumenta bastante sua resistência. Essa maleabilidade é conferida pela presença das fibras de colágeno. No link a seguir é sugerido um experimento simples e interessante sobre isso: http://www.casadecurioso.com.br/experimentoDetalhado.php?cod=17 (acesso em 18/10/2011).

5. Reticular ou hemocitopoiético: origina células do sangue, constitui a medula óssea vermelha. Veremos o sangue em separado.

Doenças e aspectos relacionados:

(OBS: infelizmente eu não consegui encontrar muitas fontes confiáveis sobre  estrias e celulite 😦 Quaisquer correções são bem vindas).

  • Escorbuto: doença causada pela deficiência de vitamina C, cofator enzimático importante para que haja a síntese do colágeno. A falta de colágeno promove a degeneração do tecido conjuntivo, como a derme, hemorragias na gengiva e pode causar a perda de dentes.
  • Estrias: lesões na pele causadas pelo estiramento e rompimento de porções da derme e fibras elásticas. Normalmente ocorrem em associação ao fato de o indivíduo engordar rapidamente e/ou mudanças hormonais, de forma que a multiplicação celular não consegue acompanhar o aumento rápido da área superficial do corpo. As linhas que aparecem na pele são devido ao fato de que suas porções mais internas se tornam mais visíveis deixando-a com listras inicialmente avermelhadas e posteriormente esbranquiçadas.
  • Celulite: condição na qual a pele apresenta o aspecto de vários “furinhos”, semelhante à aparência das cascas das laranjas e tangerinas. Existem fibras protéicas que unem a pele aos músculos, passando pelo tecido adiposo entre os dois (tela subcutânea). Essas fibras têm a função de conferir firmeza à pele. Uma das causas da celulite pode se dever ao acúmulo de lipídios na tela subcutânea, camada de tecido adiposo localizada abaixo da derme, que empurra a pele para cima, exceto nos locais onde as fibras protéicas citadas se ancoram, gerando os tais furinhos.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

http://www.stretchmarks.org/

http://www.diariodaserra.com.br/img-paginas/44872.pdf

http://www.bancodesaude.com.br/book/export/html/196

TECIDOS EPITELIAIS

outubro 5, 2009 às 9:39 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

RESUMO DE HISTOLOGIA

Maximiliano Mendes – 2009

Histologia: disciplina que estuda os tecidos dos organismos multicelulares. É importante, pois, por exemplo, é bastante útil saber como é o aspecto de um tecido sadio e o de um tecido afligido por algum tipo de doença, com fins de diagnóstico. Outro exemplo é o campo da engenharia de tecidos, no qual se busca desenvolvê-los de forma artificial.

Tecidos: conjunto de células que, em geral, são semelhantes na forma e função. Constituem os órgãos.

Nesse resumo veremos apenas os tecidos dos animais, mais especificamente da espécie humana, originados a partir dos folhetos germinativos (endoderma, ectoderma e mesoderma), os tecidos embrionários que dão origem aos tecidos adultos:

Tecido

Aspecto das Células

Matriz Extracelular

Principais Funções

Nervoso

Longos prolongamentos

Nenhuma

Transmissão de impulsos nervosos

Epitelial

Células justapostas

Pouca

Revestimento da superfície ou de cavidades do corpo, secreção.

Muscular

Células alongadas e contráteis

Quantidade moderada

Movimento

Conjuntivo

Vários tipos de células fixas e migratórias

Abundante

Apoio e proteção (imunitária).

Modificada a partir de Junqueira & Carneiro (2004).

TECIDOS EPITELIAIS

Funções:

  • Revestir superfícies corporais, como a epiderme, que recobre a pele.
  • Absorção, como o epitélio de revestimento interno do aparelho digestório.
  • Secreção, como as glândulas (sudoríparas, sebáceas e etc).
  • Proteção. A epiderme funciona como uma barreira que impede a entrada de microrganismos patogênicos no organismo.
  • Movimentação de partículas, como os epitélios ciliados do aparelho respiratório, que elimina partículas de sujeira e o epitélio ciliado das tubas uterinas, que movimenta o ovócito II\zigoto\embrião no sentido do útero.

De forma geral, os epitélios possuem células firmemente unidas umas às outras e pouca “substância” intercelular (entre as células ou extracelular), a chamada matriz extracelular, produzida pelas próprias células do tecido e que consiste em uma rede de macromoléculas (como proteínas e polissacarídios). Também é importante destacar que logo abaixo de um epitélio, normalmente há uma camada de fibras de proteínas, a lâmina basal (integrante da matriz extracelular), e abaixo desta, um tecido conjuntivo.

Tipos:

  • Epitélios de revestimento: revestem superfícies e podem exercer outras funções.
  • Epitélios glandulares: são originados a partir dos epitélios de revestimento e secretam substâncias.

A maior parte do que será visto nesse resumo se refere aos epitélios de revestimento, que podem ser classificados da seguinte forma:

Quanto à forma das células:

  • Pavimentoso: células achatadas.
  • Cúbico: células com formato de cubo.
  • Prismático: células alongadas com formato semelhante ao de um prisma.

Quanto ao número de camadas celulares:

  • Simples ou uniestratificados: possuem apenas um estrato ou camada celular.
  • Estratificados: possuem várias camadas celulares.
  • Pseudo-estratificados: possuem apenas uma camada de células, mas os núcleos dessas células podem ser encontrados em diferentes alturas, dando a falsa impressão de que se trata de um epitélio estratificado.

Exemplos de tecidos epiteliais:

  • Simples pavimentoso: uma camada de células pavimentosas. Ocorrem em locais que não necessitam de proteção mecânica (estão submetidos a pouco atrito) e onde há troca de substâncias (capilares sangüíneos e alvéolos pulmonares).
  • Simples cúbico: uma camada de células cúbicas, com invaginações da membrana plasmática na face superior, cuja função é aumentar a área superficial destinada à absorção de substâncias. Ocorre nos túbulos renais, onde há absorção de substâncias úteis presentes na urina (sais, glicose, água e etc.).
  • Simples prismático (ou colunar): uma camada de células prismáticas. Reveste o interior dos órgãos do aparelho digestório, onde há células secretoras de muco e células responsáveis pela absorção de nutrientes. No intestino delgado as células apresentam microvilosidades, prolongamentos da membrana plasmática cujo objetivo é aumentar a área de absorção.
  • Pseudo-estratificado colunar: uma única camada de células com núcleos em alturas diferentes. Presente no aparelho respiratório, no qual algumas de suas células produzem muco, onde se aderem partículas de sujeira, e células ciliadas, cuja função é, graças ao movimento ciliar, transportar as partículas para fora do aparelho respiratório.
  • Epitélio estratificado pavimentoso: formado por várias camadas de células, sendo as mais superficiais achatadas. Ocorre em superfícies sujeitas ao atrito, como a pele e mucosas oral e vaginal. Nesse tipo de epitélio há uma camada inferior, de células que se multiplicam bastante, e uma camada superior de células com baixa capacidade de multiplicação. Na epiderme, esta é chamada camada córnea, constituída de células mortas e impregnadas de queratina, proteína que tem como função principal impedir a perda de água.

Epitélios glandulares

As glândulas são formadas a partir dos epitélios de revestimento, como ilustrado a seguir:

Os epitélios glandulares são aqueles responsáveis por constituir as glândulas, estruturas cuja função principal é a de produzir e eliminar uma mistura de substâncias característica de cada glândula, chamada secreção.

As glândulas podem ser classificadas em três tipos:

  • Exócrinas: caso haja um duto que comunica a glândula com o epitélio que a originou. Graças à presença do duto, as secreções são lançadas na superfície desse epitélio. Ex: sudoríparas, salivares, lacrimais, sebáceas e etc.
  • Endócrinas: não apresentam um duto que as comunicam aos epitélios que as produziu, sendo assim, suas secreções são lançadas em vasos sangüíneos associados. Ex: tireóide, adrenais, hipófise e etc.
  • Mistas ou anfícrinas: apresentam uma porção exócrina e uma porção endócrina. Ex: pâncreas, cuja porção exócrina produz uma secreção contendo enzimas digestórias, o suco pancreático, ao passo que a porção endócrina produz os hormônios insulina e glucagon.

Especializações das membranas das células epiteliais:

Utilizarei como exemplo uma célula prismática do epitélio simples prismático do intestino delgado:

  • Microvilosidades: proeminências da membrana celular cuja função é aumentar a área superficial da célula (aumentar a área da superfície de absorção). Outra especialização que também se destina a aumentar a área superficial de absorção são as invaginações da membrana (seriam algo como reentrâncias na membrana), encontradas em células dos túbulos renais.
  • Zônula de oclusão: junção situada nas porções superiores das células cuja função é a de unir firmemente células vizinhas de forma que os nutrientes não venham a se difundir por entre elas. Logo fazem com que esses nutrientes sejam absorvidos pelas células, a fim de permitir um melhor controle daquilo que é absorvido, e também a modificação dos nutrientes.
  • Zônula de adesão: cinturão localizado logo abaixo da zônula de oclusão. Tem a função de aderir uma célula à outra firmemente e é constituído de filamentos protéicos como actina e miosina.
  • Junção comunicante: são canais constituídos de proteínas denominadas conexinas. Comunicam o citoplasma de duas células adjacentes.
  • Desmossomos: estruturas que consistem em dois discos ou botões protéicos, um em cada célula, com a função de ligá-las. Entre uma célula e a lâmina basal, há os chamados hemidesmossomos, consistindo de apenas um disco do qual partem filamentos protéicos que se associam às proteínas da lâmina basal.

*A PELE

A pele não é um epitélio, é um órgão que possui um epitélio (epiderme), mas também possui um tecido conjuntivo logo abaixo (a derme). No que diz respeito à sua estrutura, ela possui:

Figura retirada de: http://belezaonline.com/

  • Epiderme: o epitélio é a camada superficial da pele, constitui uma barreira que impede a entrada de microrganismos. Possui uma camada mais interna de células que se multiplicam (germinativa ou basal) e sua camada mais externa apresenta células mortas e queratinizadas (córnea). A epiderme produz glândulas, como as sudoríparas e a sebáceas. É na epiderme que se encontram os melanócitos, células especializadas na produção de melanina, pigmento que protege contra a radiação UV (veja a figura adiante). Um detalhe importante acerca dessas células é o de que, independente da cor da pele, o número de melanócitos tende a ser igual na espécie humana, sendo as tonalidades de pele definidas pela quantidade de melanina produzida. As unhas são anexos consistindo de restos de células mortas e queratina, cuja função principal é a de proteger as pontas dos dedos e facilitar o manuseio de objetos.
  • Derme: tecido conjuntivo denso e não-modelado que garante suporte e nutrição à epiderme e onde se localizam receptores sensoriais diversos, folículos pilosos (originados pela epiderme) e vasos sangüíneos. Os pêlos são anexos da pele que consistem de queratina e células epidérmicas mortas, têm a função de atuarem como isolantes térmicos, dentre outras. Originam-se dos folículos pilosos, que por sua vez se desenvolvem a partir da invaginação de células epidérmicas.
  • Abaixo da derme há a chamada tela subcutânea, um tecido adiposo (conjuntivo) que atua como isolante térmico e reserva de energia. Não faz parte da pele!

Melanócito. Os pontos pretos representam grânulos de melanina.

As principais funções da pele são:

  • Proteção: como barreira mecânica e devido ao fato de que as secreções das glândulas sebáceas e sudoríparas contêm substâncias capazes de eliminar microrganismos.
  • Regulação da temperatura corporal: graças ao suor e à capacidade de controlar o calibre dos vasos sanguíneos da derme. Quando a temperatura corporal sobe, os vasos sanguíneos se dilatam de forma a irradiar mais calor para o meio. Em contrapartida, quando a temperatura esfria os vasos se contraem de forma a minimizar esse processo.
  • Função sensorial: devido à presença dos diversos receptores sensoriais. Esses são constituídos de células nervosas especializadas, capazes de perceber diversos estímulos táteis.

No que diz respeito aos cuidados que devemos ter com a pele, devemos buscar mantê-la:

  • Limpa, de forma a evitar a proliferação de microrganismos, remover substâncias tóxicas e etc.
  • Hidratada, para evitar que o ressecamento provoque rachaduras por onde os microrganismos patogênicos podem penetrar.
  • Evitar a exposição excessiva ao sol, para que a radiação UV não venha a queimar a pele e promover o surgimento de tumores. Todavia também é bom lembrar que a exposição moderada ao sol nos períodos do dia nos quais ele está mais distante no horizonte (início da manhã e final da tarde) é importante para que haja a produção da vitamina D, fundamental para que haja a absorção do íon cálcio no intestino!

No link a seguir há um vídeo curto resumindo algumas informações sobre a pele:

http://www.youtube.com/watch?v=j8roh7wr6As

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.


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