AS VITAMINAS

março 9, 2009 às 7:22 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em AS VITAMINAS

As Vitaminas

Vitaminas são substâncias orgânicas não pertencentes a uma classe de compostos em particular, envolvidas em diversos processos metabólicos, inclusive atuando como cofatores (vitaminas hidrossolúveis) de diversas enzimas. Acredita-se que os organismos superiores (como nós humanos) perderam a capacidade de sintetizar várias dessas substâncias ao longo do processo evolutivo, sendo assim, as vitaminas são parte essencial das nossas dietas. Por exemplo, primatas como os chimpanzés e humanos não conseguem sintetizar a vitamina C.

Podemos dividir as vitaminas em dois grupos principais de acordo com sua estrutura química:

  • Vitaminas lipossolúveis: substâncias apolares, insolúveis em água, podem ser armazenadas no tecido adiposo, então não precisam ser ingeridas em grandes quantidades diárias. São as vitaminas K, A, D e E.

  • Vitaminas hidrossolúveis: substâncias polares, solúveis em água. Devem ser ingeridas em maior freqüência que as lipossolúveis, pois não são armazenadas e por serem solúveis em água também são mais facilmente excretadas. São as vitaminas C e B.

Vejamos a seguir um resumo sobre as vitaminas, suas funções e possíveis doenças relacionadas:

Hidrossolúveis:

  • B1 (tiamina): envolvida no metabolismo de glicídios, mantém o tônus muscular e o funcionamento do sistema nervoso. Sua deficiência pode resultar em beribéri e disfunções neurológicas. Pode ser obtida das carnes, ovos e cereais integrais.

  • B2 (riboflavina): envolvida em reações de óxido-redução, no metabolismo energético e mantém a pele saudável. Sua deficiência pode resultar em rachaduras nos cantos da boca (não é escorbuto!). Pode ser obtida das carnes, ovos e leite.

  • B3 (niacina): mantém o tônus muscular e o funcionamento do sistema nervoso. Sua deficiência pode resultar em pelagra, a doença dos três “Ds”, pois tem como sintomas: dermatite, diarréia e demência. Pode ser obtida das carnes, ovos e laticínios.

  • B5 (ácido pantotênico): componente da coenzima A, envolvida no metabolismo energético. Sua deficiência pode resultar em hipertensão, anemia e formigamento nas mãos e pés. Pode ser obtida das carnes, leite e cereais integrais.

  • B6 (piridoxina): envolvida na oxidação dos alimentos e mantém a pele saudável. Sua deficiência pode resultar em doenças de pele, depressão e até convulsões. Pode ser obtida das carnes, leite e cereais integrais.

  • B8 (biotina): envolvida no metabolismo energético e na síntese de ácidos graxos e purinas (bases nitrogenadas componentes dos nucleotídios). Sua deficiência pode promover dores musculares e inflamações na pele. Pode ser obtida das carnes, legumes e verduras.

  • B9 (ácido fólico): envolvido na síntese das bases nitrogenadas dos nucleotídios. Sua deficiência pode promover anemia, esterilidade e espinha bífida (má-formação congênita). Pode ser obtida dos cereais integrais e alimentos de origem vegetal. É importante notar que a radiação UV pode destruir essa substância, portanto, cuidado com o tal do “pegar um solzinho”.

  • B12 (cianocobalamina): envolvida na síntese de nucleotídios e maturação dos eritrócitos. Sua deficiência pode promover a anemia perniciosa e distúrbios nervosos. Pode ser obtida das carnes, ovos e leite.

  • C (ácido ascórbico): é um antioxidante, mantém a integridade dos vasos sangüíneos e dos dentes, envolvida na síntese do colágeno. Sua deficiência pode promover hemorragias na derme e o escorbuto (condição que envolve a degeneração do tecido conjuntivo, hemorragias na gengiva e perdas de dentes). É a doença dos piratas yarrr!

Hidrossolúveis:

  • A (retinol): envolvida no processo da visão (captação de luz), crescimento do organismo e previne infecções. Sua deficiência pode promover problemas de visão. Pode ser obtida dos vegetais vermelho-amarelados como a cenoura, ovos e carne de fígado. Consumir vitamina A em excesso pode causar a chamada hipervitaminose A, condição caracterizada por diversos sintomas, dentre os quais, perda de cabelos, rachaduras nos cantos da boca, dores nos ossos, tonteiras e etc.

  • D (calciferol): envolvida na regulação do metabolismo do cálcio e fósforo. Promove a absorção de cálcio. Sua deficiência pode promover deformidades esqueléticas como o raquitismo (enfraquecimento e deformação dos ossos em crianças, nos adultos só enfraquecimento) e a osteomalácia (enfraquecimento e desmineralização dos ossos). A vitamina D é obtida a partir da conversão de um precursor, graças à atividade de uma enzima fotossensível. Mas lembre-se: se por um lado pegar um solzinho pode promover a síntese de vitamina D, por outro lado, pode destruir a vitamina B9! O consumo de vitamina D em excesso pode elevar demais os níveis de cálcio no sangue e causar hipervitaminose D, cuja lista de sintomas inclui anorexia, fatiga e vômitos.

  • E (tocoferol): também é um antioxidante. Atua promovendo a fertilidade, nos músculos lisos e esqueléticos e previne o aborto. Sua deficiência pode promover a inibição da produção do esperma, e lesões musculares. Os espinafres e os pimentões são boas fontes de vitamina E. O excesso no consumo dessa vitamina pode causar a hipervitaminose E, na qual a vitamina irá atuar como anticoagulante, podendo promover hemorragias.

  • K (filoquinona): envolvida no processo de coagulação sangüínea (solidificação do sangue). Sua deficiência pode promover hemorragias. Pode ser obtida dos tomates e castanhas.

O CASAMENTO GAY: ATÉ OS LIBERAIS SABEM QUE É ALGO RUIM.

março 7, 2009 às 4:38 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

O CASAMENTO GAY:

ATÉ OS LIBERAIS SABEM QUE É ALGO RUIM.

Por: Frank Turek – 26/05/2008.

O artigo original pode ser encontrado aqui:

http://townhall.com/Columnists/FrankTurek/2008/05/26/gay_marriage_even_liberals_know_its_bad?page=full

Traduzido e adaptado por: Maximiliano Mendes.

Porque não legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Quem poderia se machucar com isso? As crianças e o resto da sociedade. Essa é a conclusão de David Blankenhorn, que definitivamente não é um fundamentalista anti-gay. Por toda a vida ele tem sido um democrata liberal pró-gay que discorda das proibições Bíblicas contra o comportamento homossexual. Apesar disso, Blankenhorn apresenta um argumento poderoso contra o casamento gay em seu livro The Future of Marriage [O Futuro do Casamento].

Ele escreve: por toda a história e culturas … a idéia mais fundamental do casamento é que toda criança precisa de uma mãe e um pai. Modificar o casamento para acomodar casais do mesmo sexo iria anular esse princípio na cultura e nas leis.

Como?

A lei é um grande professor, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo irá ensinar as gerações futuras que o foco do casamento não são as crianças, mas sim a união. Quando o casamento se torna nada mais do que a união, cada vez menos pessoas irão se casar para ter filhos.

E daí?

As pessoas ainda terão filhos, é claro, mas muito mais deles fora do casamento. Isso é um desastre para todo mundo. As crianças serão lesadas, pois os pais ilegítimos (não existem crianças ilegítimas) quase nunca formam famílias, e aqueles “juntados” terminam a relação em uma taxa de duas a três vezes maior que aquela dos pais casados. A sociedade será lesada porque a ilegitimidade inicia uma cadeia de efeitos negativos que cai como peças de dominós: a ilegitimidade leva à pobreza, crime e maiores custos com pensões, que por sua vez levam a um “governo maior”, maiores impostos e economia desacelerada.

Seriam esses os gritos de um alarmista histérico? Não. Podemos ver a conexão entre casais do mesmo sexo e a ilegitimidade em países da Escandinávia. Na Noruega, por exemplo, já existem casamentos entre pessoas do mesmo sexo desde o início da década de 1990. No condado mais liberal da Noruega, a Norlândia, onde se penduram bandeiras com arco-íris gays em cima das igrejas, os nascimentos fora do casamento decolaram: mais de 80 % das mulheres dando a luz pela primeira vez, e aproximadamente 70 % de todas as crianças são nascidas fora do casamento! Em toda a Noruega a ilegitimidade subiu de 39 % para 50 % na primeira década de casamentos gays.

O antropólogo Stanley Kurtz escreve: Quando observamos a Norlândia e a Trondeláguia do Norte – Os equivalentes noruegueses de Vermont e Massachusetts – estamos observando o quão longe podemos ir no futuro do casamento em um mundo onde o casamento gay é quase totalmente aceito. O que vemos é um lugar onde o casamento em si já quase desapareceu por completo.

Ele assegura que: o casamento gay escandinavo trouxe a mensagem de que o casamento em si está ultrapassado, e que virtualmente qualquer forma de família, incluindo a paternidade fora do casamento é aceitável.

Mas não é só na Noruega. Blankenhorn relata essa mesma tendência em outros países. Pesquisas internacionais mostram que o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a erosão do casamento tradicional tendem a andar de mãos dadas. O casamento tradicional é mais fraco e a ilegitimidade é mais forte onde quer que o casamento gay seja legal.

Você pode dizer: correlação nem sempre indica causa! Sim, mas freqüentemente é o que ocorre. Há alguma dúvida de que as leis que liberalizam o casamento causam impactos negativos à sociedade? Você não precisa procurar além dos últimos 40 anos nos EUA, onde a lei de divórcio passou a não requerer a comprovação de que uma das partes fez algo errado [no-fault divorce law]. A desintegração das famílias destrói vidas e agora custa aos contribuintes 112 bilhões de dólares por ano!

Essa lei do divórcio começou em um estado, a Califórnia, e então se espalhou pelo resto do país. Essas leis liberalizadas ajudaram a mudar nossas atitudes e comportamentos sobre a continuidade do casamento. Não há dúvidas de que as leis do casamento irão mudar nossas atitudes e comportamentos sobre o propósito do casamento. A lei é um grande professor, e se os defensores do casamento gay puderem fazer as coisas do jeito deles, as crianças serão retiradas das lições sobre o casamento.

Isso leva Blankenhorn a assegurar que: Pode se acreditar em casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Pode se acreditar que todas as crianças merecem uma mãe e um pai. Mas não se pode acreditar em ambos.

Blankenhorn fica surpreso sobre quão indiferentes os ativistas homossexuais são sobre os efeitos negativos do casamento entre pessoas do mesmo sexo nas crianças. Ele registra que muitos deles dizem que o foco do casamento não são as crianças.

Bem, se o casamento não tem como foco as crianças, qual seria a instituição que focaria nelas? E se vamos redefinir o casamento para simplesmente união, então porque o Estado deveria promover o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Ao contrário do que os ativistas homossexuais assumem, o Estado não promove o casamento devido aos sentimentos das pessoas umas pelas outras, mas sim, primariamente pelo que o casamento faz pelas crianças e pela sociedade. A sociedade não se beneficia com a redefinição de casamento para incluir relações homossexuais, somente se prejudica, como mostrado pela conexão com a ilegitimidade. Mas o futuro das crianças e o de uma sociedade civilizada depende de casamentos estáveis entre homens e mulheres. Esse é o motivo pelo qual, independente da sua opinião sobre a homossexualidade, os dois tipos de relacionamentos nunca deveriam ser considerados iguais legalmente.

Essa conclusão não tem nada a ver com intolerância e tudo a ver com o que é melhor para as crianças e para a sociedade. É só perguntar ao democrata liberal e pró-gay David Blankenhorn.

OS SAIS MINERAIS

março 7, 2009 às 3:23 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em OS SAIS MINERAIS

Os sais minerais

Para manter o funcionamento adequado de nossos corpos e células, necessitamos de diversos elementos químicos que podemos ingerir na forma de íons constituintes dos sais minerais.

Os sais minerais são substâncias inorgânicas formadas por íons, e importantes na alimentação justamente devido ao fato de que vários desses íons que os constituem executam funções metabólicas importantes. Alguns dos sais podem exercer outras funções, por exemplo, o fosfato de cálcio, componente estrutural da matriz óssea.

Como exemplo de sal típico temos o sal de cozinha, NaCl, que em água se dissocia em:

  • Na+: cátion importante na manutenção do equilíbrio hídrico do organismo e no processo de condução de impulsos elétricos.

  • Cl: também envolvido na manutenção do equilíbrio hídrico.

No que diz respeito às quantidades que devem ser ingeridas de cada elemento, podemos classificá-los em:

  • Macronutrientes: É necessário ingeri-los em grandes quantidades, superiores a 100 mg/dia. Exemplos: cálcio, fósforo, enxofre, potássio, sódio, cloro e magnésio.

  • Micronutrientes: são necessários em pequenas quantidades, que não excedem 20 mg/dia. Exemplos: ferro e zinco.

Vejamos a seguir um resumo sobre os principais elementos obtidos a partir dos sais minerais, suas funções, fontes e doenças que podem estar relacionados:

  • Cálcio: componente estrutural dos ossos e dentes, também faz parte de processos que envolvem movimentos celulares, como a própria contração muscular. Pode ser obtido em vegetais verde-escuros e no leite/laticínios. A deficiência de cálcio pode levar à osteoporose e ao raquitismo. E ao contrário, o consumo excessivo e a deficiência em eliminar o cálcio pela urina podem ocasionar pedras nos rins.

  • Cloro: envolvido na manutenção do equilíbrio hídrico do organismo. Pode ser obtido do sal de cozinha.

  • Cobalto: componente da vitamina B12, envolvida no processo de produção das hemácias. Presente em carnes e laticínios.

  • Cobre: cofator de algumas enzimas, como a citocromo c oxidase, envolvida no processo de respiração celular. Pode ser obtido na carne de fígado, peixes, ovos e cereais como o trigo.

  • Cromo: envolvido no metabolismo energético. Encontrado nas carnes, cereais integrais e levedo de cerveja.

  • Enxofre: componente estrutural de alguns aminoácidos como a cisteína. Presente em carnes e legumes.

  • Ferro: componente de proteínas carreadoras de oxigênio como a hemoglobina. Pode ser obtido nas carnes, ovos, feijão e vegetais verde-escuros. A deficiência de ferro pode originar anemias.

  • Flúor: componente estrutural dos ossos e do esmalte dos dentes. É adicionado à água e aos cremes dentais, pois pode proteger contra as cáries.

  • Fósforo: componente estrutural dos nucleotídios, como o ATP. Sendo assim, está envolvido em processos que envolvem transferência de energia. Também é componente estrutural dos ossos e dentes. Pode ser obtido nas carnes, laticínios e cereais.

  • Iodo: componente dos hormônios triiodotironina e tiroxina, produzidos na tireóide e que atuam estimulando os processos metabólicos. Presente no sal de cozinha iodado, frutos do mar e laticínios. A deficiência de iodo pode causar hipotireidismo e bócio.

  • Magnésio: componente de muitas coenzimas. E necessário para o funcionamento normal de células musculares e neurônios. Encontrado em cereais integrais e vegetais verdes.

  • Manganês: cofator de diversas enzimas, estando inclusive envolvido no metabolismo da glicose. Pode ser obtido em cereais integrais e nos ovos.

  • Molibdênio: cofator de diversas enzimas. Presente nos laticínios e cereais integrais.

  • Potássio: envolvido nos processos de contração muscular, condução de impulsos elétricos pelos neurônios e manutenção do equilíbrio hídrico. Encontrado em Carnes, laticínios e frutas. A deficiência de potássio pode levar a um quadro de depressão, e também retenção de sal.

  • Selênio: atua associado à vitamina E, prevenindo a anemia e esterilidade. Pode ser obtido em carnes, incluindo a de fígado, cereais e leguminosas.

  • Sódio: envolvido no controle hídrico do organismo e na condução de impulsos elétricos pelos neurônios. Presente no sal de cozinha.

  • Zinco: componente de enzimas que participam do processo digestório, dentre outras. Também atua no processo de cicatrização. Encontrado em carnes, ovos e cereais. A deficiência de zinco pode retardar o crescimento.

AS ENZIMAS

março 6, 2009 às 4:58 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em AS ENZIMAS

As Enzimas

Apesar de nem todas as proteínas serem enzimas (alguns RNAs também podem atuar como enzimas, chamadas ribozimas, mas aqui nós trataremos apenas das enzimas protéicas), uma das funções principais das proteínas é a de atuarem como enzimas e aumentarem bastante a velocidade das reações biológicas ao catalisarem-nas. De forma geral, para manter a vida, as reações biológicas devem ocorrer numa velocidade bastante superior àquela na qual ocorreriam caso não fossem catalisadas pelas enzimas, sendo que a diferença pode ser de milissegundos com a enzima, e bilhões de anos sem! Inclusive, todas as reações biológicas são catalisadas por enzimas!

As enzimas são capazes de catalisar as reações biológicas, pois graças à sua estrutura tridimensional, possuem locais chamados centros ativos, ou sítios catalíticos, que consistem basicamente em “encaixes”, onde se ligarão sustâncias específicas chamadas substratos que são os reagentes em uma reação biológica. Note que o centro ativo das enzimas geralmente é específico para somente um tipo de substrato, liga-se somente a ele, e não a várias outras moléculas distintas!

Ligação de um substrato ao sítio ativo de uma enzima, devido à complementaridade entre ambos. STRYER, et al., 2002.

Como exemplo de reação catalisada por uma enzima, pode-se citar a quebra do substrato sacarose em seus dois monossacarídios constituintes, uma molécula de glicose e uma de frutose. A enzima que catalisa essa reação é a sacarase:

Sacarose à Glicose + Frutose

Observe na figura abaixo que o sítio ativo da sacarase apresenta formato complementar ao da sacarose. Sendo assim, o substrato se liga a enzima e a reação procede em uma velocidade muito maior se comparada à mesma reação não catalisada pela enzima.

Retirada de CAMPBELL & REECE. 2004.

Várias enzimas consistem apenas da cadeia polipeptídica, todavia, outras requerem a ligação dos chamados co-fatores para que possam funcionar (tornarem-se ativas) exercendo seu papel de catalisadoras biológicas. O co-fator é então a porção não protéica da enzima. Nos casos em que há a necessidade de co-fatores, a parte protéica da enzima, inativa, é chamada apoenzima, e ao conjunto apoenzima mais o co-fator, sendo este conjunto ativo, dá-se o nome holoenzima.

De forma geral, os co-fatores mais comum são:

  • Íons metálicos, como o Cu+2, Mg+2, Zn+2, Fe+2, Fe+3 e etc.
  • Vitaminas. Neste caso, quando o co-fator é outra molécula orgânica, dá-se a ele o nome de coenzima.

Além dos co-fatores e substratos, outras substâncias podem se ligar às enzimas e inativá-las, ou seja, impedi-las de realizar suas funções. Essas substâncias são chamadas de inibidores, e podem se ligar ou ao sítio catalítico da enzima, ou em alguma outra localização, de forma que altera a conformação espacial do sítio ativo, fazendo com que ele perca a complementaridade que deve ter com o formato do substrato:

Retirada de: STRYER, et al. 2002.

Os inibidores podem inativar as enzimas de forma reversível ou irreversível:

  • Inibição reversível: a enzima pode voltar a funcionar, pois o inibidor pode se desligar dela.
  • Inibição irreversível: admite-se que a enzima não pode mais voltar a funcionar, pois a ligação do inibidor a ela é muito forte, então ele não mais se dissocia dela.

Várias drogas e venenos são inibidores irreversíveis de enzimas, alguns exemplos:

  • Os íons cianeto – CN, ligam-se de forma irreversível à enzima citocromo oxidase, que faz parte da cadeia de transporte de elétrons, uma das etapas do processo de respiração celular. O resultado é que a célula pode perder a capacidade de executar o processo de respiração celular e acaba morrendo.
  • O antibiótico penicilina se liga de forma irreversível à transpeptidase bacteriana. Com essa enzima inativada, as bactérias perdem a capacidade de sintetizar suas paredes celulares e acabam lisando e morrendo.
  • O medicamento aspirina se liga à ciclooxigenase, impedindo a síntese de prostaglandinas. O resultado é a inibição do processo inflamatório.

Além dos inibidores, outros fatores podem afetar a atividade das enzimas, dentre eles:

  • Temperatura: o aumento da temperatura pode elevar a velocidade da reação catalisada até certo ponto, chamado de temperatura ótima para a ação da enzima, graças ao fato de que aumenta o grau de agitação das moléculas, e com isso, o número de colisões eficazes entre elas, resultando em reações químicas. A partir desse ponto, o aumento da temperatura começa a desnaturar a enzima, sendo que a perda da estrutura tridimensional faz com que ela perca sua capacidade catalítica.

  • pH: meios muito ácidos ou muito alcalinos também podem afetar a atividade enzimática ao desnaturá-la. De forma geral, as enzimas atuam em faixas de pH, o chamado pH ótimo, de acordo com a localização celular ou o órgão. Fora da faixa de pH ótimo, a atividade da enzima decai drasticamente. Por exemplo, enzimas como a pepsina, presente no suco gástrico, atuam em meios ácidos, ao passo que as enzimas dos sucos pancreático e entérico atuam em meios alcalinos.

Pode acontecer de o organismo ser incapaz de produzir uma enzima funcional, ou então nem mesmo ser capaz de produzi-la. Tendo em vista o fato de serem tão importantes para o organismo, é de se esperar que o mau funcionamento de uma enzima, ou mesmo sua ausência, possam acarretar em doenças graves. Dois exemplos:

  • Fenilcetonúria: doença causada pela incapacidade do organismo em produzir a enzima fenilananina-4-monoxigenase, que converte o aminoácido fenilalanina em tirosina (outro aminoácido). Como resultado da falta da enzima, ocorre o acúmulo da fenilalanina, que inclusive pode causar danos aos neurônios. Esse é um dos motivos pelos quais os portadores da doença, os fenilcetonúricos, devem ingerir quantidades mínimas do aminoácido. A doença pode ser detectada ainda cedo com a realização do conhecido teste do pezinho, que consiste em coletar gotas de sangue do pé do recém-nascido para análises.
  • Doença de Fabry: causada pela deficiência (ou ausência) da enzima alfa-galactosidase-A, importante no metabolismo de lipídios. A falta da enzima faz com que um glicolipídio chamado globotriaosilceramida se acumule no organismo, inclusive nos vasos sangüíneos, o que por sua vez pode acarretar em dano ao coração, rins e cérebro.

AS PROTEÍNAS

março 6, 2009 às 4:44 pm | Publicado em Uncategorized | Comentários desativados em AS PROTEÍNAS

As Proteínas

As proteínas são moléculas biológicas constituídas de uma cadeia linear de aminoácidos unidos por ligações peptídicas, responsáveis por executar funções diversas dentro das células, mais notadamente atuando como enzimas, substâncias que catalisam reações biológicas aumentando grandemente suas velocidades.

As proteínas podem ser formadas por 20 tipos distintos de aminoácidos, e cada um deles é uma molécula consistindo da seguinte estrutura: Um carbono chamado α ao qual se ligam um átomo de hidrogênio, um grupo amina, um grupo ácido carboxílico (daí o nome aminoácido), e também uma cadeia lateral ou radical (R), que varia de aminoácido para aminoácido.

Retirada de: STRYER. Biochemistry. 2002.

Além de serem componentes das proteínas, os aminoácidos também podem exercer outras funções, como as de neurotransmissores ou então serem precursores na síntese de outras moléculas biológicas importantes.

Os aminoácidos são unidos entre si por ligações peptídicas, nas quais o grupo amina de um deles se liga ao grupo carboxila do próximo (sendo ambos os grupos ligados ao C-α!) havendo a perda da água, ou seja, a formação de uma ligação peptídica é uma síntese por desidratação. Moléculas consistindo de aminoácidos unidos por ligações peptídicas são denominadas peptídios, as proteínas, devido ao fato de que geralmente consistem de vários aminoácidos são também chamadas de polipeptídios.

De forma geral, as duas formas básicas de se obter aminoácidos são através da ingestão via alimentação ou a síntese dentro das próprias células. É importante destacar que geralmente os organismos não são capazes de sintetizar todos os 20 tipos de aminoácidos que constituem as proteínas, sendo assim, podemos classificar os aminoácidos em dois tipos para uma determinada espécie:

  • Aminoácidos não-essenciais: são os que podem ser sintetizados pelas próprias células do organismo, sendo assim, não precisam ser obtidos via alimentação.
  • Aminoácidos essenciais: são aqueles que o organismo não é capaz de sintetizar, sendo assim, tem de ser obtidos via alimentação.

Também é importante lembrar que um aminoácido essencial para uma espécie não necessariamente o é para outra que é capaz de sintetizá-lo e vice-versa.

*Uma dieta de arroz com feijão pode fornecer todos os aminoácidos essenciais:

Retirada de: AMABIS & MARTHO. Biologia das Células. 2004.

No que diz respeito à arquitetura das proteínas, podemos identificar as seguintes estruturas:

  • Estrutura primária: é a seqüência de aminoácidos que constituem a proteína.
  • Estrutura secundária: consiste em um primeiro nível de enrolamento helicoidal da proteína, graças às interações geralmente do tipo ligações de hidrogênio entre seus aminoácidos, formando estruturas conhecidas como α-hélices (nada a ver com o C- α!) e folhas-β.
  • Estrutura terciária: forma tridimensional que a molécula de proteína adquire ao dobrar-se sobre si mesma graças às interações entre seus aminoácidos. Esta estrutura é determinada pela seqüência de aminoácidos. A estrutura tridimensional determina a função da proteína.
  • Estrutura quaternária: consiste de duas ou mais cadeias polipeptídicas (proteínas) unidas por ligações não covalentes.

Retirada de: LEHINGER, 2004.

Desnaturação é o nome que se dá à perda da estrutura terciária das proteínas. Pode se dar graças ao aquecimento, pois rompe as interações entre os aminoácidos, como as ligações de hidrogênio, ou também devido ao aumento da acidez ou alcalinidade no meio onde a proteína está, neste caso devido ao rompimento de atrações elétricas entre os aminoácidos. Uma proteína desnaturada perde a função.

Retirada de CAMPBEL & REECE. Biology. 2005.

O aquecimento de um ovo desnatura a albumina, proteína presente na clara. A desnaturação promove o entrelaçamento entre as moléculas de albumina, que por sua vez é o que promove o endurecimento da clara. O aumento da acidez no leite, que pode ser devido à atuação de microrganismos, também promove a desnaturação e emaranhamento de proteínas do leite, fazendo com que ele coalhe.

As principais funções das proteínas são atuarem como:

  • Enzimas, catalisando as reações biológicas para que ocorram em velocidades rápidas o suficiente para sustentar a vida. Nem todas as enzimas são proteínas!
  • Anticorpos ou imunoglobulinas, proteínas envolvidas na defesa imune do organismo.
  • Proteínas contráteis, responsáveis pelos movimentos celulares, como a contração das células musculares.
  • Hormônios, substâncias mensageiras que atuam no controle do funcionamento do organismo. Nem todos os hormônios são proteínas.
  • Proteínas de reserva energética, como a albumina da clara dos ovos.
  • Proteínas de transporte, como a hemoglobina, que transporta o O2.

FORMIGAS SEM CHEFES OU HIERARQUIAS? SERÁ QUE DEUS NÃO CONHECE SUA PRÓPRIA CRIAÇÃO? (PARTE 2).

março 6, 2009 às 4:32 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Formigas sem chefes ou hierarquias? Será que Deus não conhece sua própria Criação? (Parte 2).


Observação! De antemão já aviso que não pretendo discutir aqui a biologia básica das formigas, mas caso você tenha interesse, pode visitar o link a seguir (que inclusive concorda com o que vou dizer neste artigo) e aprender mais sobre esses insetos:


http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT803829-3434,00.html

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT803829-3434-2,00.html

Como já vimos anteriormente, um dos erros mais freqüentes dos críticos da Bíblia é o anacronismo, que, basicamente, consiste em atribuir coisas de uma época a outra. No caso a ser tratado aqui, o anacronismo consiste em exigir que o texto Bíblico apresente as classificações biológicas e convenções lingüísticas atuais.


É mais do que óbvio que a Bíblia não foi escrita única e exclusivamente para nós, e, portanto, não apresenta as nossas classificações e convenções. Não obstante, os críticos da Bíblia afirmam que ela contém erros porque não está escrita da forma que ele queria que estivesse. Imagine uma pessoa do mundo antigo lendo um texto de acordo com os nossos padrões… Os críticos antigos poderiam dizer que a Bíblia não é de Deus porque não refletiria a realidade deles.


Além do anacronismo, outro erro comum é achar que o povo dos tempos antigos era idiota! Como assim? Eles acham que o povo não tinha dois olhos pra ver as coisas, que os antigos não sabiam contar, ou mesmo que não soubessem corrigir coisas erradas quando escrevessem. Ainda não entendeu? Nem se preocupe, adiante neste artigo irei esclarecer o que quero dizer agora. Aliás, já adianto minha opinião: de que nem mesmo esses garotos ateus de fóruns da internet são tão ineptos para crer na validade das críticas que fazem. Eu acho muito mais provável que eles lancem esses ataques pífios pela pura necessidade de mentir, tanto para si quanto para os outros, pois a realidade os fere exatamente da mesma forma que a luz desintegra os vampiros.


Sendo assim, vejamos o que acontece em Provérbios 6:6-11.


AS FORMIGAS E OS PREGUIÇOSOS


Basicamente, a reclamação é a seguinte: “A Bíblia está errada, pois diz que as formigas não têm chefe, mas hoje em dia todo mundo sabe que elas têm rainhas e também existem algumas formigas que policiam e escravizam outras! Ou seja: apresentam hierarquias de comando!


Vejamos o trecho Bíblico de interesse em Provérbios 6:6-11:


· Preguiçoso, aprenda uma lição com as formigas! Elas não têm líder, nem chefe, nem governador, mas guardam comida no verão, preparando-se para o inverno. Preguiçoso, até quando você vai ficar deitado? Quando vai se levantar? Então o preguiçoso diz: “Eu vou dormir somente um pouquinho, vou cruzar os braços e descansar mais um pouco.” Mas, enquanto ele dorme, a pobreza o atacará como um ladrão armado. (NTLH).

O sentido do texto é bastante óbvio, nem é preciso explicar, e, além disso, dificilmente alguém normal iria inventar que aí existe uma contradição, erro ou algo do tipo. Francamente: somente uma mente atribulada necessitada de uma desculpa esfarrapada para achar que descrê consegue inserir um problema nesse trecho.

De qualquer forma, a alegação de erro é facilmente refutada, pois as formigas não apresentam hierarquias de chefes e capatazes, mas sim, no máximo castas e hierarquias no que diz respeito à reprodução. Vejamos algumas definições:

· Hierarquia:

o De acordo com o Dicionário Michaelis: ordem baseada na divisão em níveis de poder ou importância, de forma que um nível inferior é sempre subordinado a um nível superior.

o De acordo com o Dicionário Aurélio: graduação da autoridade, correspondente às várias categorias de funcionários públicos; classe.

· Casta:

o De acordo com o Concise Oxford English Dictionary: em entomologia, para alguns insetos sociais, a casta corresponde a um tipo distinto de indivíduo com uma função particular.

A definição de castas acima é aceitável, mas deve-se ter em mente que as formigas podem trocar de funções em determinadas situações. Por exemplo: quando são mal-sucedidas na execução de uma determinada tarefa (GORDON, 2002).


Bem, não basta só definir as coisas, eu tenho de mostrar que as formigas não têm hierarquias de trabalho mesmo. Para isso eu vou me referir principalmente aos estudos de Deborah Gordon (2002). Vejamos o que ela diz:


· p. 7: O mistério básico que cerca as colônias de formigas é que nelas não há administração. Uma organização ativa sem que haja alguém no comando é algo tão diverso do modo como os seres humanos operam que chega a ser quase inconcebível. Não há nenhum controle central. Nenhum inseto dá ordens a outro ou o instrui a fazer coisas de determinada maneira. Nenhum indivíduo tem conhecimento de determinada maneira. Nenhum indivíduo tem conhecimento do que deve ser feito para levar a cabo qualquer tarefa da colônia. Cada formiga abre seu caminho arranhando e picando através do minúsculo mundo de sua vizinhança imediata. As formigas se encontram, se separam, vão cuidar de seus afazeres. De certa maneira, esses pequenos eventos criam um padrão que engendra o comportamento coordenado das colônias.

· p. 9: Histórias sobre sociedades totalitárias, exércitos implacáveis e monstros vorazes são freqüentemente contadas acerca de formigas. Mas elas não têm nenhum ditador, nenhum general, nenhum mentor perverso. De fato, não há entre elas líderes de qualquer espécie.

· p. 20: A rainha de uma colônia de formigas tem um nome enganoso. Afinal, ela nada tem de régio. Seu trabalho é pôr ovos, e ela é importante para a colônia como os ovários são importantes para uma mulher, mas não tem nenhuma autoridade ou privilégio especiais. Não há reis nesse mundo.

· p. 110: A rainha é a única que persiste durante toda a vida da colônia, mas ela, apesar de seu título imponente, apenas põe ovos e não dirige as operárias de nenhuma maneira.

A mesma opinião pode ser encontrada em um artigo mais recente da mesma autora (GORDON, 2007).


O que se aprende com isso? Que realmente, pelo menos de forma geral, as formigas não apresentam hierarquias, e assim o trecho Bíblico é corroborado. Elas fazem o que tem de fazer em resposta aos estímulos químicos e táteis que captam com suas antenas, e não porque uma ou outra formiga, com as vozes de Woody Allen e Sylvester Stallone resolvem iniciar uma revolução em um formigueiro. Em resumo, pelo menos de forma geral, elas não precisam de chefes hierárquicos, ao contrário dos preguiçosos.



Sem hierarquias ou chefes, cada formiga faz aquilo que deve fazer baseada nos estímulos do meio e nas interações entre si. Retirada de GORDON (2007).


Todavia, como é típico dos ateus militantes, ainda é possível insistir em algumas bobagens:


E AS EXCEÇÕES?


“Mas como praticamente tudo em biologia, deve haver exceções, então a Bíblia está errada!”


Como eu havia dito, os críticos gostam de insistir em anacronismo e exigir que a Bíblia tivesse sido escrita de acordo com padrões atuais. Sendo assim, para o crítico, Salomão deveria ter escrito umas dezenas de páginas em acréscimo ao texto, indicando as espécies de formigas sobre as quais ele estava se referindo, especificar as condições nas quais o exemplo é válido, as exceções e etc. Algo que, repito: uma mente saudável nunca insistiria.


É óbvio que Salomão não era um mirmecologista, sendo assim, é claro que não estudou todas as formigas do mundo daquele tempo e nem as que porventura tenham surgido depois. Neste caso, uma conclusão óbvia que se pode tirar de imediato é a de que a Bíblia está apresentando uma generalização, de forma a facilitar o entendimento da comparação entre o comportamento do preguiçoso, que muitas vezes só trabalha quando obrigado, com as formigas, que, ao que tudo indica, não precisam de chefes ou capatazes.


Dizer que uma generalização óbvia dessas consiste em erro implica em dizer que Deborah Gordon também escreveu um livro cheio de afirmações errôneas por ter generalizado, tendo em vista que não estudou todas as espécies de formigas da história do planeta Terra. Ou então que quando Deus diz coisas do tipo “Israel me abandonou”, também generalizando, pois nem todos os israelitas o abandonaram, está fazendo uma afirmação falsa.


Nem é preciso alongar mais tempo explicando que quando um crítico implica com Provérbios 6:6-11, está querendo arrumar qualquer desculpa esfarrapada para descrer.


Eu poderia encerrar por aqui, mas vejamos outros pontos.


Algumas formigas realmente apresentam hierarquias, todavia, vejamos a seguir se esses exemplos realmente discordam da Bíblia ao ponto de entrarem em contradição com ela.


Formigas policiais


Existem formigas que policiam as outras, para que elas voltem a trabalhar, sendo assim, a Bíblia está errada!


As formigas podem competir e estabelecer relações de dominância hierárquica não em relação ao trabalho, mas sim em relação à reprodução (MONNIN & PEETERS, 1999; CUVILLIER-HOT, V. et al., 2004; PEIXOTO, et al., 2008):


Em algumas espécies de formigas, o trabalho reprodutivo não é desempenhado por uma rainha, mas sim por uma ou mais obreiras chamadas gamergates, com ovários desenvolvidos e espermateca funcional. As gamergates podem se acasalar e produzir indivíduos machos haplóides e obreiras diplóides.


Nas espécies que possuem rainhas, as obreiras ou são estéreis, ou esterilizadas, ou estão restritas a depositar ovos não fertilizados (resultando em machos) em situações particulares, estimuladas por feromônios, como quando a rainha da colônia se encontra ausente. Em contrapartida, algumas espécies de formigas perderam a casta rainha, então a função reprodutiva da colônia é executada por uma ou mais gamergates: elas podem se acasalar e produzir indivíduos machos haplóides e obreiras diplóides. De forma geral, nesses casos, as obreiras competem entre si pela função reprodutiva e estabelecem hierarquias de dominância por meio de interações agonísticas (comportamentos que envolvem conflito).


É comum que só uma ou poucas obreiras da colônia se tornem gamergates, e como todas as obreiras, pelo menos em princípio, poderiam desempenhar esse trabalho, surgem conflitos entre elas, com o estabelecimento de hierarquias de dominância reprodutiva (e não de preguiçosas vs. trabalhadoras!). A gamergate pode atingir essa posição de várias formas: pela idade ou através de interações agonísticas diversas: impedindo que a rival possa interagir com outros indivíduos, boxe antenal, canibalismo de ovos, mutilação de apêndices torácicos (o que impede a mutilada de atrair os machos) e etc. É importante notar que mesmo em algumas espécies nas quais as colônias possuem rainhas, pode haver competições entre obreiras capazes de se reproduzir.


É importante destacar que algumas formigas “policiam” outras, no sentido de não permitir que elas venham a se tornar a gamergate da colônia. As obreiras reconhecem uma candidata a gamergate via sinais olfatórios que sinalizam fertilidade, captados pelas antenas, e a imobilizam, impedindo-a de se reproduzir, sendo assim ela volta a executar seu trabalho original sem ter de ter as policiais na cola mandando. É mais algo como impedir uma mudança de emprego do que impedir alguém de ser preguiçoso.



Alguns exemplos de interações agonísticas entre as formigas. As formigas sendo submetidas estão destacadas em azul. Bloqueio (A), imobilização (B) e esfregar a antena da submissa no último segmento abdominal (o gáster) (C) (Kiss my ass das formigas?). Modificada a partir de MONNIN & PEETERS, 1999.


Um dos motivos pelos quais as formigas policiam as outras no sentido de impedirem sua reprodução pode ser o fato de que as obreiras que estão depositando ovos trabalham menos como obreiras (por estarem tentado fazer duas coisas) e isso pode perturbar a eficiência da colônia. Entretanto note que ela não é policiada por estar com preguiça de trabalhar, mas sim por estar “almejando” uma posição superior na hierarquia reprodutiva. Como o texto Bíblico fala de preguiça, aqui não há contradição.


Formigas que parasitam outras


Algumas formigas escravizam as outras, ou seja, as escravas são forçadas a trabalhar então a Bíblia está errada!


Se por um lado algumas espécies de formigas perderam a casta rainha, outras perderam ou estão em processo de perda das obreiras! Sendo assim, têm de parasitar outras espécies, “escravizando” as obreiras delas.


Na verdade, as parasitas possuem obreiras cujo único serviço que parecem fazer bem feito é a invasão de colônias das espécies a serem parasitadas. Entretanto, são menos eficazes na execução das tarefas mais típicas das obreiras (forrageio, limpeza e etc.) (SUMNER, et al., 2003).


Vejamos um exemplo (GRASSO, et al., 2002): formigas da espécie Polyergus rufescens não são capazes de se alimentar por conta própria devido ao tamanho de suas mandíbulas, sendo assim, para viver, precisam ser alimentadas por outras formigas, que no caso, fazem de “escravas”.


Para conseguir essas escravas, as P. rufescens atacam as colônias das formigas a serem parasitadas nos verões, em busca de roubar trabalhadoras ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento para suas próprias colônias. Além disso, o processo de estabelecimento de uma colônia de P. rufescens envolve a invasão e assassinato da rainha da espécie parasitada. Essas formigas escravagistas são capazes de realizar esses atos devido ao fato de que possuem uma glândula de Dufour, secretora de feromônios capazes de diminuir o comportamento agressivo das formigas cuja colônia será invadida.


Mais informações sobre essas formigas escravagistas também podem ser obtidas nos links a seguir:


http://www.aformiganocarreiro.com/HTML/hmtl_asformigas/html_comportamento/esclavagismo.htm

http://cienciahoje.uol.com.br/121804 (apesar de que nesse, a figura não corresponde à realidade).


Bem, e isso está em desacordo com a Bíblia? Novamente não, pois as “escravas” trabalham da mesma forma como trabalhariam em suas colônias originais e as parasitas também trabalham, o próprio ato de invadir é o trabalho delas. Algum chefe ou capataz aqui? Também não.


Formigas inativas


De acordo com GORDON (2002), o formigueiro tem bem mais formigas do que o necessário, sendo assim, várias estão inativas no formigueiro, ou seja, a Bíblia está errada!”


Realmente, ela diz ser muito provável que dentro do formigueiro haja muitas formigas inativas, sem fazer nada, pois já há um número suficiente delas executando as tarefas necessárias. Ela diz que pode ser que alguns eventos que requerem umas 1000 formigas a mais para executar alguma função podem ter ocorrido no passado, selecionando as espécies que produzem mais formigas que o necessário, mas deixa claro que nunca viu algo assim acontecer.


Minha opinião é a de que nem é preciso ir muito longe para imaginar um evento como esses, apesar de ela não tê-lo feito. Já ouviu falar em tamanduás? De acordo com dados do zoológico de San Diego, um tamanduá mirim pode comer 9000 formigas por dia, e um tamanduá bandeira pode comer até 30000!


http://www.sandiegozoo.org/animalbytes/t-tamandua.html

http://www.sandiegozoo.org/animalbytes/t-anteater.html


Por isso ou por motivo semelhante é preciso que haja um contingente de formigas bem maior que o normalmente necessário para manter a colônia em casos emergenciais.

Ademais, dizer que as formigas estão inativas é uma coisa, que são preguiçosas é outra. Ela mesma (GORDON, 2002) afirma que as formigas podem passar da atividade para a inatividade dependendo das necessidades da colônia, sendo assim, não são formigas preguiçosas precisando de capatazes, e isso também não entra em contradição com a Bíblia.


E os corvos em Lucas 12:24?


Vejam os corvos: não semeiam, não colhem, não têm despensas nem depósitos, mas Deus dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os pássaros?


O trecho de Provérbios nos exorta a trabalharmos, não sermos preguiçosos e termos provisões para os tempos difíceis. Algumas pessoas podem achar que o versículo acima entra em contradição com Provérbios, mas essa dificuldade é resolvida caso analisemos o contexto no qual Jesus diz as coisas em Lucas 12. Caso você comece a ler a partir de Lucas 12:13 e vá até o versículo 34, perceberá que Jesus admoesta os ouvintes a não buscarem acumular riquezas em excesso, ou seja, darem prioridade exagerada às coisas materiais em detrimento das coisas espirituais, de Deus. E aos discípulos, para que não fiquem ansiosos com as possíveis dificuldades que haveriam de enfrentar como conseguir alimentos e roupas.


Por acaso Jesus manda alguém fazer corpo mole? Não. Só nos exorta a evitar os excessos. Além disso, é válido lembrar que o corvo não é um animal que vive em colônias como as formigas, sendo que o trabalho das formigas, o que elas juntam, tem como foco a colônia.


CONCLUSÃO

Vimos aqui que as alegações dos críticos sobre Provérbios 6:6-11 não passam de implicância recheada de anacronismo. Como o crítico parte do pressuposto de que a Bíblia está toda errada, nem pára para pensar que uma pessoa com dois olhos na cara e um pouco de curiosidade poderia ter observado algumas formigas e notado as diferenças entre algumas. Tente você mesmo e veja se é tão difícil distinguir uma obreira de uma soldado… Não é incomum achar que as formigas apresentem chefes, governadores e líderes caso observemos só os formatos dos corpos, todavia, as pesquisas mostram que não, corroborando o autor inspirado do texto Bíblico.

Infelizmente os críticos são pessoas que escolheram um estilo de vida no qual precisam fabricar desculpas esfarrapadas o tempo todo com o intuito de achar que não devem crer na Palavra de Deus, a qual tentam desqualificar e falham constantemente. De qualquer forma, os fatos da realidade acerca da estrutura social das formigas corroboram o texto Bíblico, sinto muito pra quem odeia isso.


REFERÊNCIAS


CUVILLIER-HOT, V. et al., Reproductive monopoly enforced by sterile police workers in a queenless ant. Behavioral Ecology. v. 15(6). 2004. pp:970-975.

GORDON, DM. Control Without Hierarchy. Nature. v. 446. 2007. p. 143.

GORDON, DM. Formigas em Ação: Como se Organiza uma Sociedade de Insetos. Jorge Zahar Editor. 2002.

GRASSO, DA. et al., Dufour’s Gland of Polyergus rufescens Gynes: Age-Dependent Structural and Functional Changes. Ins. Soc. Life. v. 4. 2002. pp:13-16.

HEINZE, J. Hierarchy length in orphaned colonies of the ant Temnothorax nylanderi. Naturwissenschaften. v. 95. 2008. pp:757–760.

MONNIN, T. & PEETERS, C. Dominance Hierarchy and Reproductive Conflicts Among Subordinates in a Monogynous Queenless Ant. Behavioral Ecology. v. 10(3). 1999. pp: 323-332.

PEIXOTO, AV. et al., Comportamento e estrutura reprodutiva da formiga Dinoponera lúcida Emery (Hymenoptera, Formicidae). Revista Brasileira de Entomologia. v. 52(1). 2008. pp:88-94.

SUMNER, S. et al., The adaptive significance of inquiline parasite workers. Proc. R. Soc. Lond. B. v. 270. 2003. pp:1315–1322.


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