A CONEXÃO DARWIN-HITLER

maio 30, 2008 às 11:16 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

DARWIN E HITLER: EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS.

Por Benjamin Wiker, 05/05/2008.

Como notado recentemente por David Berlinski, “a tese de que há uma conexão entre Darwin e Hitler é amplamente considerada como uma profanação”. E fazer pose de indignação – com todas as penas eriçadas – não é uma resposta para uma acusação tão séria, especialmente quando as palavras tanto de Hitler quanto de Darwin dizem o contrário.

Os que defendem Darwin não devem ter lido seu livro Descent of Man [A Descendência do Homem], onde ele aplica os princípios da seleção natural aos seres humanos – tema que ele prudentemente evitou em seu livro anterior, A Origem das Espécies. No Descent, as deduções raciais e eugênicas são, clara e assustadoramente, feitas pelo próprio Darwin.

Darwin entendia as implicações eugênicas de sua própria teoria, e alertou seus leitores contra a degeneração evolucionária iminente. “É surpreendente como um desejo de cuidado, ou cuidado mal direcionado, leva à degeneração de uma raça doméstica; porém, exceto no caso do homem, dificilmente alguém é tão ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzam”. Insira alguns termos como “Ariano” ou “Judeu”, e isso poderia fazer parte de qualquer discurso nazista.

Se … vários controles … não prevenirem os incautos, os cruéis e outros membros inferiores da sociedade de crescerem a uma taxa maior do que a melhor classe de homens, a nação irá retroceder, como têm ocorrido freqüentemente na história do mundo. Devemos nos lembrar de que o progresso não é uma regra invariável”.

Apesar de Darwin ter tentado amaciar as duras implicações (ao sugerir que nós não matássemos os elementos nocivos; mas sim os impedíssemos de se reproduzir), o edifício da eugenia foi seu.

E sobre as raças? A evolução é direcionada pela competição, e a competição traz extinções. Darwin nota sem rodeios em Descent que a extinção de uma tribo por outra é o motor absoluto da evolução humana. Em suas palavras, “a extinção resulta principalmente da competição de tribo contra tribo, raça contra raça”, permitindo à tribo ou raça vitoriosa passar adiante seus dotes superiores.

Isso não é uma queixa moral; é uma descrição científica objetiva expressa por Darwin inteiramente sem receios. Como o motor da evolução nunca pára, essa descrição também é uma profecia. Novamente, de acordo com ele:

Em algum período futuro, daqui a poucos séculos, as raças de homens civilizados irão, quase certamente, exterminar e substituir as raças de selvagens por todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos [i.e., que mais se parecem com os homens] … irão, sem dúvidas, ser exterminados. A distância então será ampliada, pois irá separar o homem em um estado mais civilizado, esperamos, que o dos caucasianos, e algum macaco inferior como um babuíno, ao invés de ser como a distância no presente, entre o negro ou o australiano e os gorilas.

Entendeu? Classificando as raças humanas, encontramos o caucasiano no topo, e lá no fundo, no limite do que é humano, “o negro ou o australiano”, que estariam a uma distância evolutiva ínfima dos gorilas. Ao progredir em direção aos super-caucasianos, a evolução também exterminaria todas as “espécies intermediárias”, de forma que a seleção natural iria eliminar os negros, os aborígines australianos e os gorilas.

Quer você queira ou não, as idéias raciais e eugênicas de Darwin se espalharam dele e infectaram a Europa e a América.

Agora Adolf. Eu suspeito que várias pessoas se sintam livres para entrar no debate mesmo sem terem lido o Mein Kampf [Minha Luta] de Hitler, da mesma forma que também não leram o execrável Descent of Man de Darwin.

É incorreto culpar por completo a maldade de Hitler só no que diz respeito ao anti-Semitismo, precisamente pelo fato de que seu anti-Semitismo era parte de uma visão biológica mais ampla. Como dito pelo vice-líder do Partido Nazista, Rudolf Hess: “O Nacional-Socialismo é nada mais do que biologia aplicada”.

Como Hitler deixou claro em Mein Kampf, a categoria política fundamental é biológica. Conseqüentemente, “o maior objetivo da existência humana não é a manutenção de um Estado ou Governo, mas sim a conservação da raça”. Esse objetivo está de acordo com a visão Darwiniana que Hitler adotava, onde a “lei fundamental da necessidade” reinando “por todo o reino da Natureza” é a de que “a existência é sujeita à eterna lei da competição … onde os mais fortes são sempre os mestres dos mais fracos e onde aqueles sujeitos a tais leis devem obedecer-lhas ou serem destruídos”. É a sobrevivência do mais apto.

Daí Hitler ter criado um tipo de religião “folclórica”, ou seja, uma religião de uma nação (Völk) definida racialmente. A adoração era direcionada à raça germânica como a única capaz de eliminar os fracos e trazer os Übermensch – Super-homens – à existência de acordo com as crueldades da Natureza. As palavras de Hitler anunciam muito claramente as atrocidades que se seguiriam quando os Nazistas conquistassem o poder:

O conceito de mundo völkiano reconhece que os elementos raciais primordiais são da maior importância para a humanidade. Em princípio, o Estado é considerado somente como um meio para atingir um fim, e esse fim é a conservação das características raciais da humanidade. Portanto, de acordo com o princípio völkiano nós não podemos admitir que uma raça seja igual à outra. Ao reconhecer que elas são diferentes, o conceito völkiano separa a humanidade em raças de qualidade inferior e superior. Com base nesse reconhecimento, sentimo-nos obrigados, de acordo com a Vontade eterna que domina o Universo, a postular a vitória dos melhores e mais fortes e a subordinação dos fracos e inferiores … Pois em um mundo composto de mestiços e negróides todos os ideais de beleza e nobreza humana e todas as esperanças de um futuro idealizado para nossa humanidade seriam perdidos para sempre.

Daí o conceito “völkiano” do mundo estar em profunda concordância com a vontade da Natureza; porque ele restaura o jogo livre de forças que irá levar a raça através de estágios de educação recíproca em direção a um novo tipo, até que finalmente a melhor porção da humanidade possuirá a Terra e será livre para trabalhar em todos os domínios por todo o mundo e até mesmo alcançar reinos situados fora da Terra.

De acordo com Hitler, os Judeus ameaçavam a raça superior com a degradação, e assim como eles, também o faziam os “mestiços e negróides”, os eslavos, os ciganos, os deficientes físicos, os retardados e todos os outros desajustados biologicamente inferiores.

Isso tudo não significa que o Darwinismo tenha sido a única causa do barbarismo de Hitler. Mas deixa claro que o Darwinismo deve carregar nos ombros sua parte do fardo moral, pois a conexão é incontestável.

______________________________________________________________________

Benjamin Wiker, PhD, é autor do livro 10 Books That Screwed Up the World [10 Livros que Bagunçaram com o Mundo], e um membro sênior do Discovery Institute.

Tradução e adaptação: Maximiliano Mendes.

O artigo original pode ser encontrado aqui:

http://www.humanevents.com/article.php?id=26346

______________________________________________________________________

DARWIN, NIETZCHE E HITLER: A EVOLUÇÃO DO ÜBERMENSCH

Por Benjamin Wiker, 13/05/2008.

A julgar pelo número de postagens, minha coluna recente, “Darwin e Hitler: Em suas Próprias Palavras” arrancou cabelos. Muitas pessoas não gostam quando você liga um ícone científico reverenciado a um ícone do mal, e não é para menos. Pena que seja verdade.

Não é querendo jogar muito sal na ferida, mas o Darwinismo é responsável por muito mais destruição do que as fantasias eugênicas do Terceiro Reich. A ele também pode ser atribuída uma parcela substancial dos devaneios do filósofo Friedrich Nietzsche, que semelhantemente, inspirou os intelectuais que apoiavam o plano de Hitler.

Nietzsche é famoso por declarar que “Deus está morto”, e por afirmar em seu deplorável Beyond Good and Evil [Além do Bem e do Mal] que a simples moralidade, assim como a religião, é para os covardes escravos. O futuro deve pertencer aos verdadeiros mestres, proclamou Nietzsche logo antes dos horrores do século XX, àqueles que são indiferentes quanto aos limites morais, ignoram as distinções entre o bem e o mal, e sendo caridosos com a crueldade, impõem sua vontade aos outros pelo bem da sua própria glória terrena.

Ah, o Übermensch, o Super-Homem, o novo homem, o mestre. De onde ele veio?

Pelo menos parcialmente, do pedigree de Darwin. A evolução diz que a natureza humana é maleável. A luta pela sobrevivência a produziu, e essa mesma luta pode impulsioná-la em direção a algo maior. Como Darwin deixa claro em seu Descent of Man, é a sua rejeição da crença de que a natureza humana é definida por Deus que torna possível a criação de um super-homem a partir de um homem, pelo “fato de que [ele] surgiu” e chegou aqui pela evolução, “ao invés de ter sido aboriginalmente colocado aqui” por Deus, “é possível lhe dar esperanças de um destino mais alto no futuro distante”.

Então como você sobe na escada evolucionária? Pelo mesmo caminho que te levou até onde você está – pelo conflito, onde aqueles com características superiores extinguem os inferiores. Como Darwin deixou claro, a evolução humana acontece via conflito e conquista, e até mesmo a evolução das características morais como a fidelidade e a coragem também acontecem assim:

Quando duas tribos de homens primitivos, vivendo na mesma terra, entram em competição, se uma das tribos tem … um número maior de homens corajosos, simpáticos e membros fiéis, que sempre estão prontos para avisar uns aos outros do perigo, para ajudar e defender um ao outro, esta tribo iria, sem dúvidas, ter sucesso e conquistar a outra. Que se tenha em mente quão importantes são a fidelidade e a coragem nas incessantes guerras dos selvagens”.

Agora vamos ouvir de Nietzsche, cujas palavras parecem muito com as de Darwin, apesar de terem uma lâmina retórica mais afiada:

Vamos admitir para nós mesmos … como todas as culturas superiores da Terra começaram. Os seres humanos cuja natureza ainda era natural, bárbaros em todos os piores sentidos da palavra, homens saqueadores que ainda estavam em possessão da força da vontade não quebrada e da sede pelo poder, arremessaram-se sobre as raças mais civilizadas, mais pacíficas e mais fracas…

A sede de poder. Uma forma mais selvagem, mas também mais espiritualizada de Darwinismo. Mais selvagem porque Nietzsche escolheu enfatizar onde Darwin se recusa a falar, ou seja, a destruição selvagem de uma tribo pela outra, assim com a destruição de uma espécie pela outra, que elimina a fraca e expõe os recém descobertos poderes dos fortes.

“A característica essencial de uma aristocracia boa e saudável”, argumenta Nietzsche, é que ela “aceite de boa consciência o sacrifício de inúmeros seres humanos que, pelo seu bem, devem ser reduzidos e rebaixados a humanos incompletos, a escravos, a instrumentos”. Então, a “fé fundamental” da aristocracia é que a “sociedade” existe para eles, para o bem deles, de forma que todos os tipos inferiores que os servem existem “apenas como os fundamentos nos quais um tipo escolhido de criatura é capaz de se erguer até o seu mais alto ofício e para um estado mais elevado do ser…

Um estado mais elevado do ser, o Übermensch, que não se importa com aqueles sobre os quais ele pisa para avançar na escala evolutiva – este é o objetivo de Nietzsche. O que quer que Darwin tenha pensado sobre a evolução da sua visão sobre a evolução humana, Nietzsche eleva ao entendimento máximo.

Para Nietzsche, essas não eram meras ruminações filosóficas, como alguns estudiosos gostam de alegar. Ele pensava que nós estávamos escorregando para baixo na ladeira evolucionária até o “último homem”, algo pouco acima dos bovinos, e a única coisa que poderia nos impulsionar para cima seria um grande conflito. Escrevendo antes da Primeira Grande Guerra, como um tipo de profeta e pregador, ele cria que o “problema da Europa” poderia ser resolvido pelo “cultivo de uma nova casta que iria governá-la”. Nietzsche pensou que para reviver o continente, um grande perigo deveria surgir, algo que fizesse surgir novamente o desejo de lutar e conquistar:

Quero dizer, um aumento tal da ameaça Russa [por exemplo] que a Europa deveria ter de decidir se tornar ameaçadora também, em outras palavras, adquirir um desejo a partir de uma nova casta que governaria a Europa, um desejo longo, terrível que seria capaz de propagar seus objetivos por milênios a partir daí – de forma que a extensa comédia de seus muitos Estados estilhaçados como também seus estilhaços de vontades democráticas e dinásticas chegassem ao fim. O tempo de políticas triviais acabou: o próximo século irá trazer uma luta pelo domínio da Terra – a compulsão pela política de grande-escala”.

Não dá para pensar em outra coisa que não o som das botas do Terceiro Reich marchando, uma inferência óbvia que alguns propagandistas liberais de Nietzsche negam veementemente. Mas não é o bastante encontrar pronunciamentos anti-Cristãos e anti-Judaicos dispersos em Nietzsche para limpá-lo de tais acusações. Enquanto ele pode não ter aprovado as particularidades de como Hitler respondeu ao chamado, ele recebe a culpa justamente, por ter emitido o chamado que Hitler, à sua maneira, respondeu. O mesmo para Darwin. Embora Nietzsche tenha adicionado interpretações à Darwin, Este também deve responder por fazer com que tais interpretações fossem tão fáceis e convidativas.

______________________________________________________________________

Benjamin Wiker, PhD, é autor do livro 10 Books That Screwed Up the World [10 Livros que Bagunçaram com o Mundo], e um membro sênior do Discovery Institute.

Tradução e adaptação: Maximiliano Mendes.

O artigo original pode ser encontrado aqui:

http://www.discovery.org/a/5341

TrackBack URI

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: