A CONEXÃO DARWIN-HITLER

maio 30, 2008 às 11:16 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

DARWIN E HITLER: EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS.

Por Benjamin Wiker, 05/05/2008.

Como notado recentemente por David Berlinski, “a tese de que há uma conexão entre Darwin e Hitler é amplamente considerada como uma profanação”. E fazer pose de indignação – com todas as penas eriçadas – não é uma resposta para uma acusação tão séria, especialmente quando as palavras tanto de Hitler quanto de Darwin dizem o contrário.

Os que defendem Darwin não devem ter lido seu livro Descent of Man [A Descendência do Homem], onde ele aplica os princípios da seleção natural aos seres humanos – tema que ele prudentemente evitou em seu livro anterior, A Origem das Espécies. No Descent, as deduções raciais e eugênicas são, clara e assustadoramente, feitas pelo próprio Darwin.

Darwin entendia as implicações eugênicas de sua própria teoria, e alertou seus leitores contra a degeneração evolucionária iminente. “É surpreendente como um desejo de cuidado, ou cuidado mal direcionado, leva à degeneração de uma raça doméstica; porém, exceto no caso do homem, dificilmente alguém é tão ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzam”. Insira alguns termos como “Ariano” ou “Judeu”, e isso poderia fazer parte de qualquer discurso nazista.

Se … vários controles … não prevenirem os incautos, os cruéis e outros membros inferiores da sociedade de crescerem a uma taxa maior do que a melhor classe de homens, a nação irá retroceder, como têm ocorrido freqüentemente na história do mundo. Devemos nos lembrar de que o progresso não é uma regra invariável”.

Apesar de Darwin ter tentado amaciar as duras implicações (ao sugerir que nós não matássemos os elementos nocivos; mas sim os impedíssemos de se reproduzir), o edifício da eugenia foi seu.

E sobre as raças? A evolução é direcionada pela competição, e a competição traz extinções. Darwin nota sem rodeios em Descent que a extinção de uma tribo por outra é o motor absoluto da evolução humana. Em suas palavras, “a extinção resulta principalmente da competição de tribo contra tribo, raça contra raça”, permitindo à tribo ou raça vitoriosa passar adiante seus dotes superiores.

Isso não é uma queixa moral; é uma descrição científica objetiva expressa por Darwin inteiramente sem receios. Como o motor da evolução nunca pára, essa descrição também é uma profecia. Novamente, de acordo com ele:

Em algum período futuro, daqui a poucos séculos, as raças de homens civilizados irão, quase certamente, exterminar e substituir as raças de selvagens por todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos [i.e., que mais se parecem com os homens] … irão, sem dúvidas, ser exterminados. A distância então será ampliada, pois irá separar o homem em um estado mais civilizado, esperamos, que o dos caucasianos, e algum macaco inferior como um babuíno, ao invés de ser como a distância no presente, entre o negro ou o australiano e os gorilas.

Entendeu? Classificando as raças humanas, encontramos o caucasiano no topo, e lá no fundo, no limite do que é humano, “o negro ou o australiano”, que estariam a uma distância evolutiva ínfima dos gorilas. Ao progredir em direção aos super-caucasianos, a evolução também exterminaria todas as “espécies intermediárias”, de forma que a seleção natural iria eliminar os negros, os aborígines australianos e os gorilas.

Quer você queira ou não, as idéias raciais e eugênicas de Darwin se espalharam dele e infectaram a Europa e a América.

Agora Adolf. Eu suspeito que várias pessoas se sintam livres para entrar no debate mesmo sem terem lido o Mein Kampf [Minha Luta] de Hitler, da mesma forma que também não leram o execrável Descent of Man de Darwin.

É incorreto culpar por completo a maldade de Hitler só no que diz respeito ao anti-Semitismo, precisamente pelo fato de que seu anti-Semitismo era parte de uma visão biológica mais ampla. Como dito pelo vice-líder do Partido Nazista, Rudolf Hess: “O Nacional-Socialismo é nada mais do que biologia aplicada”.

Como Hitler deixou claro em Mein Kampf, a categoria política fundamental é biológica. Conseqüentemente, “o maior objetivo da existência humana não é a manutenção de um Estado ou Governo, mas sim a conservação da raça”. Esse objetivo está de acordo com a visão Darwiniana que Hitler adotava, onde a “lei fundamental da necessidade” reinando “por todo o reino da Natureza” é a de que “a existência é sujeita à eterna lei da competição … onde os mais fortes são sempre os mestres dos mais fracos e onde aqueles sujeitos a tais leis devem obedecer-lhas ou serem destruídos”. É a sobrevivência do mais apto.

Daí Hitler ter criado um tipo de religião “folclórica”, ou seja, uma religião de uma nação (Völk) definida racialmente. A adoração era direcionada à raça germânica como a única capaz de eliminar os fracos e trazer os Übermensch – Super-homens – à existência de acordo com as crueldades da Natureza. As palavras de Hitler anunciam muito claramente as atrocidades que se seguiriam quando os Nazistas conquistassem o poder:

O conceito de mundo völkiano reconhece que os elementos raciais primordiais são da maior importância para a humanidade. Em princípio, o Estado é considerado somente como um meio para atingir um fim, e esse fim é a conservação das características raciais da humanidade. Portanto, de acordo com o princípio völkiano nós não podemos admitir que uma raça seja igual à outra. Ao reconhecer que elas são diferentes, o conceito völkiano separa a humanidade em raças de qualidade inferior e superior. Com base nesse reconhecimento, sentimo-nos obrigados, de acordo com a Vontade eterna que domina o Universo, a postular a vitória dos melhores e mais fortes e a subordinação dos fracos e inferiores … Pois em um mundo composto de mestiços e negróides todos os ideais de beleza e nobreza humana e todas as esperanças de um futuro idealizado para nossa humanidade seriam perdidos para sempre.

Daí o conceito “völkiano” do mundo estar em profunda concordância com a vontade da Natureza; porque ele restaura o jogo livre de forças que irá levar a raça através de estágios de educação recíproca em direção a um novo tipo, até que finalmente a melhor porção da humanidade possuirá a Terra e será livre para trabalhar em todos os domínios por todo o mundo e até mesmo alcançar reinos situados fora da Terra.

De acordo com Hitler, os Judeus ameaçavam a raça superior com a degradação, e assim como eles, também o faziam os “mestiços e negróides”, os eslavos, os ciganos, os deficientes físicos, os retardados e todos os outros desajustados biologicamente inferiores.

Isso tudo não significa que o Darwinismo tenha sido a única causa do barbarismo de Hitler. Mas deixa claro que o Darwinismo deve carregar nos ombros sua parte do fardo moral, pois a conexão é incontestável.

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Benjamin Wiker, PhD, é autor do livro 10 Books That Screwed Up the World [10 Livros que Bagunçaram com o Mundo], e um membro sênior do Discovery Institute.

Tradução e adaptação: Maximiliano Mendes.

O artigo original pode ser encontrado aqui:

http://www.humanevents.com/article.php?id=26346

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DARWIN, NIETZCHE E HITLER: A EVOLUÇÃO DO ÜBERMENSCH

Por Benjamin Wiker, 13/05/2008.

A julgar pelo número de postagens, minha coluna recente, “Darwin e Hitler: Em suas Próprias Palavras” arrancou cabelos. Muitas pessoas não gostam quando você liga um ícone científico reverenciado a um ícone do mal, e não é para menos. Pena que seja verdade.

Não é querendo jogar muito sal na ferida, mas o Darwinismo é responsável por muito mais destruição do que as fantasias eugênicas do Terceiro Reich. A ele também pode ser atribuída uma parcela substancial dos devaneios do filósofo Friedrich Nietzsche, que semelhantemente, inspirou os intelectuais que apoiavam o plano de Hitler.

Nietzsche é famoso por declarar que “Deus está morto”, e por afirmar em seu deplorável Beyond Good and Evil [Além do Bem e do Mal] que a simples moralidade, assim como a religião, é para os covardes escravos. O futuro deve pertencer aos verdadeiros mestres, proclamou Nietzsche logo antes dos horrores do século XX, àqueles que são indiferentes quanto aos limites morais, ignoram as distinções entre o bem e o mal, e sendo caridosos com a crueldade, impõem sua vontade aos outros pelo bem da sua própria glória terrena.

Ah, o Übermensch, o Super-Homem, o novo homem, o mestre. De onde ele veio?

Pelo menos parcialmente, do pedigree de Darwin. A evolução diz que a natureza humana é maleável. A luta pela sobrevivência a produziu, e essa mesma luta pode impulsioná-la em direção a algo maior. Como Darwin deixa claro em seu Descent of Man, é a sua rejeição da crença de que a natureza humana é definida por Deus que torna possível a criação de um super-homem a partir de um homem, pelo “fato de que [ele] surgiu” e chegou aqui pela evolução, “ao invés de ter sido aboriginalmente colocado aqui” por Deus, “é possível lhe dar esperanças de um destino mais alto no futuro distante”.

Então como você sobe na escada evolucionária? Pelo mesmo caminho que te levou até onde você está – pelo conflito, onde aqueles com características superiores extinguem os inferiores. Como Darwin deixou claro, a evolução humana acontece via conflito e conquista, e até mesmo a evolução das características morais como a fidelidade e a coragem também acontecem assim:

Quando duas tribos de homens primitivos, vivendo na mesma terra, entram em competição, se uma das tribos tem … um número maior de homens corajosos, simpáticos e membros fiéis, que sempre estão prontos para avisar uns aos outros do perigo, para ajudar e defender um ao outro, esta tribo iria, sem dúvidas, ter sucesso e conquistar a outra. Que se tenha em mente quão importantes são a fidelidade e a coragem nas incessantes guerras dos selvagens”.

Agora vamos ouvir de Nietzsche, cujas palavras parecem muito com as de Darwin, apesar de terem uma lâmina retórica mais afiada:

Vamos admitir para nós mesmos … como todas as culturas superiores da Terra começaram. Os seres humanos cuja natureza ainda era natural, bárbaros em todos os piores sentidos da palavra, homens saqueadores que ainda estavam em possessão da força da vontade não quebrada e da sede pelo poder, arremessaram-se sobre as raças mais civilizadas, mais pacíficas e mais fracas…

A sede de poder. Uma forma mais selvagem, mas também mais espiritualizada de Darwinismo. Mais selvagem porque Nietzsche escolheu enfatizar onde Darwin se recusa a falar, ou seja, a destruição selvagem de uma tribo pela outra, assim com a destruição de uma espécie pela outra, que elimina a fraca e expõe os recém descobertos poderes dos fortes.

“A característica essencial de uma aristocracia boa e saudável”, argumenta Nietzsche, é que ela “aceite de boa consciência o sacrifício de inúmeros seres humanos que, pelo seu bem, devem ser reduzidos e rebaixados a humanos incompletos, a escravos, a instrumentos”. Então, a “fé fundamental” da aristocracia é que a “sociedade” existe para eles, para o bem deles, de forma que todos os tipos inferiores que os servem existem “apenas como os fundamentos nos quais um tipo escolhido de criatura é capaz de se erguer até o seu mais alto ofício e para um estado mais elevado do ser…

Um estado mais elevado do ser, o Übermensch, que não se importa com aqueles sobre os quais ele pisa para avançar na escala evolutiva – este é o objetivo de Nietzsche. O que quer que Darwin tenha pensado sobre a evolução da sua visão sobre a evolução humana, Nietzsche eleva ao entendimento máximo.

Para Nietzsche, essas não eram meras ruminações filosóficas, como alguns estudiosos gostam de alegar. Ele pensava que nós estávamos escorregando para baixo na ladeira evolucionária até o “último homem”, algo pouco acima dos bovinos, e a única coisa que poderia nos impulsionar para cima seria um grande conflito. Escrevendo antes da Primeira Grande Guerra, como um tipo de profeta e pregador, ele cria que o “problema da Europa” poderia ser resolvido pelo “cultivo de uma nova casta que iria governá-la”. Nietzsche pensou que para reviver o continente, um grande perigo deveria surgir, algo que fizesse surgir novamente o desejo de lutar e conquistar:

Quero dizer, um aumento tal da ameaça Russa [por exemplo] que a Europa deveria ter de decidir se tornar ameaçadora também, em outras palavras, adquirir um desejo a partir de uma nova casta que governaria a Europa, um desejo longo, terrível que seria capaz de propagar seus objetivos por milênios a partir daí – de forma que a extensa comédia de seus muitos Estados estilhaçados como também seus estilhaços de vontades democráticas e dinásticas chegassem ao fim. O tempo de políticas triviais acabou: o próximo século irá trazer uma luta pelo domínio da Terra – a compulsão pela política de grande-escala”.

Não dá para pensar em outra coisa que não o som das botas do Terceiro Reich marchando, uma inferência óbvia que alguns propagandistas liberais de Nietzsche negam veementemente. Mas não é o bastante encontrar pronunciamentos anti-Cristãos e anti-Judaicos dispersos em Nietzsche para limpá-lo de tais acusações. Enquanto ele pode não ter aprovado as particularidades de como Hitler respondeu ao chamado, ele recebe a culpa justamente, por ter emitido o chamado que Hitler, à sua maneira, respondeu. O mesmo para Darwin. Embora Nietzsche tenha adicionado interpretações à Darwin, Este também deve responder por fazer com que tais interpretações fossem tão fáceis e convidativas.

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Benjamin Wiker, PhD, é autor do livro 10 Books That Screwed Up the World [10 Livros que Bagunçaram com o Mundo], e um membro sênior do Discovery Institute.

Tradução e adaptação: Maximiliano Mendes.

O artigo original pode ser encontrado aqui:

http://www.discovery.org/a/5341

Vídeo sobre a explosão cambriana

maio 29, 2008 às 9:59 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em Vídeo sobre a explosão cambriana

Observações importantes:

  1. As carambolas do mar pertencem ao filo Ctenophora.
  2. Os Cnidários não possuem músculos, mas sim células mioepiteliais.
  3. Pikaia era um Cefalocordado (assim como o anfioxo).
  4. Sobre quem eram os animais mais antigos, ver mais aqui.
  5. Sobre aspectos controversos, ver mais aqui.

FISIOLOGIA VEGETAL

maio 20, 2008 às 3:44 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em FISIOLOGIA VEGETAL

FISIOLOGIA VEGETAL (só Angiospermas praticamente)

NUTRIÇÃO

É o processo pelo qual um organismo obtém as substâncias e elementos necessários à sua sobrevivência e que lhes servem de alimento. No caso das plantas, a nutrição é autótrofa fotossintetizante, mas ainda assim, elas devem absorver do solo as substâncias (sais minerais) contendo elementos químicos indispensáveis.

A nutrição pode então ser:

  • Orgânica: Produção de substâncias orgânicas via fotossíntese.
  • Mineral: Absorção de sais minerais do solo, pela raiz.

No que diz respeito às quantidades requeridas, os elementos podem ser classificados em:

  • Macroelementos: Necessários em grandes quantidades, geralmente são os componentes das moléculas orgânicas e biomoléculas. Obtidos a partir da absorção dos macronutrientes (sais que fornecem os macroelementos). Exemplo: KNO3, que fornece K, N e O.
  • Microelementos: Necessários apenas em pequenas quantidades, geralmente são co-fatores de enzimas. Obtidos a partir da absorção de micronutrientes. Exemplo: H3BO3, fonte do elemento Boro.

A tabela a seguir mostra os principais micro e macro elementos:

Macroelementos

Microelementos

C

Fe

H

B

O

Mn

N

Cu

P

Mb

S

Cl

K

(Regulador da pressão osmótica)

Zn

Ca

(Componente das lamelas médias, camada intercelular que une células vizinhas.)

Mg

(Co-fator de enzimas, componente da clorofila.)

Outros conceitos importantes:

  • HIDROPONIA: Cultivo controlado de plantas com as raízes imersas em uma solução de nutrientes, ao invés de no solo.
  • ADUBAÇÃO: Reposição dos elementos perdidos pelo solo, com o intuito de recuperar ou conservar sua riqueza em nutrientes. Os adubos podem ser:
    • Orgânicos: Restos ou partes de animais e plantas e sobras de alimentos (fezes, adubação verde…).
    • Inorgânicos: Produzidos industrialmente. Em geral contêm N, P e K.
  • *O ph do solo influencia a absorção de nutrientes. Dependendo do pH, a planta não consegue absorver certos nutrientes, sendo assim, é necessário corrigir o pH do solo para maximizar a eficiência de absorção de determinada planta.
    • Em solos ácidos: Adiciona-se CaCO3.
    • Em solos básicos: Adiciona-se Na2SO4 ou MgSO4.

TRANSPIRAÇÃO

A transpiração é a perda de água na forma de vapor. Pode-se dar de duas formas distintas, e geralmente pelas folhas:

  • Transpiração cuticular: É a perda de água a partir da epiderme das folhas, que é recoberta por uma cutícula, uma camada de cera cujo intuito é o de minimizar as perdas de água por transpiração.
  • Transpiração estomática: É a perda de água através dos estômatos. Responsável pela maior parte da transpiração das plantas.

Os estômatos (do grego stoma, boca) são estruturas presentes na face abaxial (a de baixo) das folhas, consistindo em duas células chamadas guardas, cercadas por células acessórias. Entre as duas células guardas há um orifício chamado ostíolo que pode estar fechado ou aberto. Na verdade, os estômatos podem ou não estar abertos, dependendo da quantidade de água disponível, concentração de CO2 no meio, e intensidade da luminosidade. Sendo o fator primordial o suprimento hídrico:

  • Se há água no solo, os estômatos podem se abrir, pois a planta pode perder água (já que vai repor a partir do solo).
  • Se não há água, os estômatos fecham para evitar a perda, mesmo que as outras condições estejam favoráveis.

De manhã (luminosidade), os estômatos estão abertos, para que haja a entrada de CO2 dentro do mesofilo a fim de ser utilizado no processo fotossintético. Na medida em que vai anoitecendo e a luminosidade vai diminuindo, os estômatos se fecham com o intuito de evitar a perda de água por transpiração:

  • Manhã à Abre: Para permitir a entrada de CO2.
  • Noite à Fecha: Para evitar a perda de água.

De forma geral, se há baixas concentrações de CO2 no ambiente, os estômatos se abrem, para que ele possa entrar no mesófilo. No caso contrário, ou seja, se a concentração de CO2 está alta no exterior da planta, já deve haver o bastante dentro do mesófilo para ser utilizado no processo fotossintético, se já há CO2 em quantidade suficiente, os estômatos fecham para evitar a perda de água. Outra situação seria o caso em que a grande concentração de CO2 no mesófilo indica que não há luz suficiente para que haja o processo fotossintético, sendo assim, os estômatos se fecham para evitar a perda de água.

  • Baixa [CO2] no exterior à Abre.
  • Alta [CO2] no exterior, e, por conseguinte, no mesófilo à Fecha: Para evitar a perda de água.

O mecanismo de abertura e fechamento depende de dois fatores, o primeiro é morfológico, as células guarda possuem fibras de celulose dispostas de forma que, quando túrgidas (cheias de água) se curvam de forma a abrir o ostíolo. Se plasmolisadas (faltando água) elas se unem uma à outra, fechando o ostíolo. O segundo fator depende do transporte de íons K+:

  • Luz ou baixa [CO2] à As células acessórias bombeiam íons K+ para o interior das células guarda: Isso aumenta a pressão osmótica delas, e em conseqüência, a água entra e o estômato abre.
  • Ausência de Luz ou alta [CO2] à As células guarda perdem K+ para as células acessórias: Isso diminui sua pressão osmótica, e em conseqüência, perdem água para as células acessórias, e o estômato fecha.

No caso da luz, o mecanismo se deve ao fato de que a luz no comprimento de onda do azul promove a quebra do amido (a substância de reserva energética) em ácidos orgânicos. Estes, por sua vez promovem a entrada de K+ no interior das células guarda, o que termina por promover a abertura dos estômatos.

Outro fator envolvido na abertura dos estômatos é o Ácido Abscísico, hormônio vegetal inibidor do crescimento (a ser visto posteriormente). Na falta de água, o Ác. Absísico penetra nas células guarda e promove a saída de K+, o que termina por promover o fechamento dos estômatos.

TRANSPORTE DA SEIVA BRUTA PELO XILEMA

Vimos que a planta precisa, além das substâncias orgânicas produzidas via fotossíntese, de substâncias inorgânicas (os sais minerais) para manter seu metabolismo de forma adequada. As raízes absorvem uma solução de água mais estes minerais do solo, e esta solução, chamada de seiva bruta, é transportada no corpo do vegetal pelos vasos xilemáticos, das raízes, até o topo da planta.

Acontece que o organismo encontra o seguinte problema: A seiva bruta forma uma coluna líqüida dentro do xilema, como é possível elevar esta coluna de água da ponta das raízes até o topo da planta? (Pense no eucalipto gigante de 115 m de altura!)

A melhor explicação para este problema é a TEORIA DA COESÃO-TENSÃO:

  • O processo de transpiração estomática faz com que algumas células das folhas percam água. Se perdem água, sua pressão osmótica aumenta em relação à das células vizinhas (Sua concentração de água diminui em relação à das células vizinhas, e sua concentração de solutos aumenta em relação às células vizinhas). Sendo assim:
  • Essas células que primeiramente perderam água na forma de vapor vão compensar sua perda de água, retirando água das células vizinhas, e estas células vizinhas terminam por retirar água das células do xilema.
  • As células do xilema, de cima para baixo, também vão retirando água umas das outras, até as últimas células das plantas, os pêlos absorventes das raízes, que por último, retiram água do solo.

Fonte: http://www.simbiotica.org/transporteplanta.htm

Este processo de retirada consecutiva de água entre as células gera uma força de TENSÃO, que puxa a coluna de água até as folhas. A coluna de água é mantida de forma íntegra no xilema, graças às forças de COESÃO entre as moléculas de água e a parede dos vasos xilemáticos, devida às interações do tipo ligações de hidrogênio. Graças a este processo, é possível elevar uma coluna de água de até 160 m de altura dentro do xilema!

E os sais? Bem, os sais são transportados para cima “arrastados” junto com o fluxo de água.

TRANSPORTE DA SEIVA ELABORADA PELO FLOEMA

A seiva elaborada é uma solução contendo substâncias orgânicas produzidas pelo processo de fotossíntese nas folhas. Estas substâncias, que vou chamar simplesmente de solutos para facilitar o entendimento, devem ser transportadas das folhas, onde se localizam as células produtoras (contendo cloroplastos), para os locais onde serão consumidas, as células consumidoras, ou seja, basicamente para toda a planta: Da extremidade da raiz, aos ramos que estão produzindo flores, e flores que estão produzindo frutos e sementes.

A HIPÓTESE DO FLUXO EM MASSA é a melhor explicação para o mecanismo de como se dá o transporte. É baseada no fato de que há um gradiente decrescente da concentração de solutos, dos locais de produção ou de armazenamento e exportação, para os locais de consumo, então o transporte se dá graças ao desequilíbrio osmótico entre a fonte e o destino das substâncias orgânicas. Inicialmente vejamos um modelo para explicar o mecanismo de forma geral e depois veremos como ocorre na planta:

Fonte: http://www.simbiotica.org/transporteplanta.htm

Este modelo consiste em duas bolsas feitas de material semipermeável (ou seja, só permite a passagem de água), ligadas por um tubo em forma de U, imersas em um recipiente contendo água pura. Inicialmente, a bolsa A possui uma solução concentrada de solutos (bolinhas azuis), ao passo que a B não. Como existe uma diferença de concentração entre as duas bolsas, e ambas são feitas de material semipermeável, espera-se que a água contida nos recipientes penetre na bolsa A, visto que ela possui maior concentração de solutos. Sendo assim, com o passar do tempo, observa-se que a água que entra vai empurrando a água e os solutos que já estavam lá, e esses serão então transportados para a bolsa B, cuja concentração de solutos era inicialmente próxima de zero.

Acredita-se que este processo seja bastante semelhante ao que ocorre nas plantas:

Fonte: http://www.simbiotica.org/transporteplanta.htm

  • A célula produtora bombeia solutos (as substâncias orgânicas produzidas) ativamente (há gasto de energia) para a célula do floema.
  • Isso aumenta a pressão osmótica desta célula do floema (aumenta a concentração de solutos e diminui a concentração de água), que irá então retirar água das células próximas, sendo esta água proveniente das células do xilema.
  • A água que entra nesta primeira célula do floema “empurra a água que já estava lá”, e provoca um fluxo de água ao longo do floema, sendo que este fluxo arrasta consigo os solutos.
  • As células do floema bombeiam ativamente os solutos para as células consumidoras.
  • Como as células consumidoras não param de consumir, e as produtoras de produzir, o desequilíbrio osmótico é mantido, e em conseqüência o fluxo também é.

HORMÔNIOS VEGETAIS OU FITORMÔNIOS

Os hormônios são substâncias mensageiras produzidas em um local do organismo, que geralmente se deslocam para outro local, onde irão atuar em células alvo (ação específica), alterando seu funcionamento. Agem regulando o crescimento e processos fisiológicos das plantas.

A tabela a seguir resume as principais classes de hormônios vegetais:

HORMÔNIO

FUNÇÕES

LOCAL DE PRODUÇÃO

TRANSPORTE

AUXINA

· Estimula o crescimento da planta via alongamento celular.

· Influencia nos tropismos (foto- e geotropismo).

· Atua na dominância apical (lembrar da poda).

· Promove o desenvolvimento das paredes dos ovários em frutos. (Pode originar frutos partenocárpicos).

· Influencia a queda (abscisão) de folhas, frutos e flores.

Principalmente o meristema apical do caule, primórdios foliares, folhas jovens, flores, frutos e sementes.

Células parenquimáticas do floema e da periferia dos feixes condutores de seiva.

GIBERELINA

· Promove a germinação das sementes, pois está envolvido na degradação do endosperma.

· Promove o desenvolvimento de brotos.

· Estimula o desenvolvimento de caules e folhas (via alongamento e multiplicação celular).

· Estimula a floração.

· Também estimula o desenvolvimento da parede do ovário em fruto (inclusiva partenocárpicos).

Meristemas, frutos e sementes.

Provavelmente pelo xilema.

CITOCININA

· Estimula as divisões celulares (lembrar da citocinese, última etapa da mitose).

· Estimula o desenvolvimento das gemas laterais (efeito contrário ao da auxina).

· Participa da diferenciação dos tecidos.

· Retarda o envelhecimento dos órgãos.

Acredita-se que seja a extremidade das raízes.

Acredita-se que seja através do xilema.

ÁCIDO ABSCÍSICO

· Hormônio inibidor do crescimento. Bloqueia o crescimento das plantas em condições adversas (inverno, secas…).

· Promove a dormência de gemas e sementes (algumas sementes só germinam após as águas das chuvas terem lavado o ác. abscísico).

· Induz o envelhecimento de folhas, flores e frutos (efeito contrário ao da citocinina).

· Induz o fechamento dos estômatos. Ocorre em secas, quando o suprimento hídrico da planta diminui, a concentração do ác. abscísico aumenta nas folhas, fazendo as células guarda dos estômatos eliminarem K+, o que elimina água junto.

· *Não causa abscisão foliar.

Folhas, coifa e caule.

Provavelmente através do xilema.

ETILENO

· Amadurecimento de frutos (lembrar da técnica de enrolar frutos em jornais para acelerar o amadurecimento).

· Atua na abscisão das folhas.

Diversas partes da planta.

Difusão através dos espaços entre as células da planta.

FATORES QUE AFETAM A TAXA DE FOTOSSÍNTESE

De forma geral são três os fatores que mais influenciam na taxa fotossintética:

Fator

Fotossíntese

Concentração de CO2

Aumenta até atingir um limite, quando a concentração de CO2 atinge o valor de 0,3 % (10 vezes o valor da atmosfera).

Temperatura

Aumenta até 45° C, a partir daí, o aumento da temperatura promove a queda na taxa fotossintética, pois começa a haver desnaturação das enzimas.

Luminosidade

Aumenta até atingir certo valor-limite, também chamado ponto de saturação luminosa, que varia entre as espécies de plantas.

Diz-se que o CO2 é um fator limitante, pois em condições ambientais naturais, sua concentração é muito menor (0,03 – 0,04 %) do que aquela que seria a ótima para a planta. Em outras palavras, em condições naturais a planta não executa sua taxa máxima de fotossíntese, pois não há CO2 disponível em quantidade suficiente para isso.

Um dos produtos do processo de respiração celular é o CO2, que por sua vez é um dos reagentes utilizados no processo fotossintético, e o O2, um dos produtos da fotossíntese é um dos reagentes no processo de respiração. Sabendo disso podemos definir um ponto de compensação luminosa – PCL, que é a intensidade luminosa em que há equivalência entre as taxas de fotossíntese e de respiração, ou seja, todo o CO2 produzido pela respiração é utilizado na fotossíntese, e todo o O2 produzido pela fotossíntese é utilizado na respiração:

Fonte: http://www.herbario.com.br/cie/universi/fisio1.htm

A planta só cresce se a sua taxa fotossintética for maior que a do PCL. O valor do PCL varia entre as espécies de plantas, mas de qualquer forma, podemos definir dois tipos de plantas de acordo com esse valor:

  • Heliófilas: São as plantas de sol, só vivem em locais de alta luminosidade, e têm PCL altos.
  • Umbrófilas: São as plantas de sombra, só vivem em locais de menor intensidade luminosa, e têm PCL baixos.

TROPISMOS E NASTISMOS

  • Tropismo: É o crescimento direcionado da planta em resposta a um estímulo externo.
    • Tropismo positivo: É o que se dá em direção à fonte de estímulo.
    • Tropismo negativo: É o que se dá no sentido oposto à fonte de estímulo.

Antes de ver os tipos de tropismos, observe o gráfico a seguir:

AIA: Ácido Indol-Acético, um tipo de Auxina.

A análise do gráfico nos permite perceber que, em altas concentrações de auxina, o caule tem o seu crescimento estimulado, e a raiz tem o seu crescimento inibido. Em contrapartida, em baixas concentrações, a situação é inversa, a raiz tem seu crescimento estimulado, e o caule tem seu crescimento inibido. Dois dos tipos de tropismos tem seus mecanismos dependentes da concentração de auxina em lados diferentes da planta, por isso é importante ter essa relação em mente.

Fototropismo: Crescimento direcionado da planta em direção a uma fonte de luz. A luz que incide sobre um lado da planta promove a migração da auxina para o lado sombreado. Sendo assim, no caule, o lado sombreado, que apresenta maior concentração de auxinas cresce mais do que o lado iluminado, que apresenta baixa concentração de auxinas, e isso faz com que a planta se curve e continue crescendo em direção à fonte de luz. O caule apresenta então, fototropismo positivo. (Lembre-se que, o lado da raiz que cresce menos neste caso é o lado sombreado).

Geotropismo: Crescimento da planta em relação ao solo. O estímulo é a força gravitacional. Neste caso, a auxina se concentra no lado da planta que está em contato com o solo, sendo assim, na região do caule, o lado de baixo cresce mais e curva o caule para cima (geotropismo negativo). Na região da raiz ocorre o contrário, o lado de cima, com menor concentração de auxinas cresce mais e curva a raiz para baixo, para que ela penetre no solo (geotropismo positivo).

Tigmotropismo: Crescimento em resposta ao contato físico, o estímulo é o toque. O mecanismo independe da concentração de auxinas. Esse é o tipo de crescimento típico das plantas trepadeiras e das gavinhas (estrutura preênsil de certas plantas). O lado da planta em contato com um suporte, como outra planta, cresce menos do que o outro, sendo assim, o crescimento da planta se dá no sentido de enrolá-la em torno desse suporte.

Nastismos: Movimentos que ocorrem em resposta a um estímulo, mas cuja direção independe da orientação do fator estimulante. Os exemplos mais comuns de nastismos são o fechamento de folíolos em resposta ao toque (caso da planta Mimosa pudica), ou o fechamento de certas folhas durante a noite. De forma geral, os nastismos ocorrem graças ao ganho ou perda de água (medida do grau de turgescência) de algumas células especializadas.

*O movimento executado pelo girassol, é chamado heliotropismo.

FITOCROMOS E FOTOPERIODISMO

Fitocromos são proteínas presentes nas células vegetais, envolvidas em processos fisiológicos em resposta aos estímulos luminosos. O fitocromo pode assumir duas formas, uma inativa e outra ativa, e essas formas são interconversíveis. Observe o esquema abaixo:

  • Pr: Fitocromo R (Red – Vermelho). É a forma inativa.
  • Pfr: Fitocromo FR (Far Red – Vermelho Longo). É a forma ativa.

O Pfr pode ser convertido em Pr, caso absorva luz cujo comprimento de onda seja de 730 nm, chamada luz Vermelho longa. Pfr também pode se converter lentamente em Pr durante um período de escuridão.

O Pr pode ser convertido em Pfr, caso absorva luz Vermelha, cujo comprimento de onda é de 660 nm. Durante o dia prevalece a forma Pfr.

Os fitocromos estão envolvidos no processo de germinação das sementes, floração e abertura dos estômatos.

Fotoperíodo é o tempo que a planta precisa ficar exposta à luz, diariamente, para que se desenvolva normalmente. Em diversas espécies de plantas, o processo de produção de flores, a floração, depende do fotoperíodo:

  • Plantas de dia curto: Florescem quando o período em que recebem iluminação é inferior a um determinado número de horas específico da espécie, chamado fotoperíodo crítico.
  • Plantas de dia longo: Florescem quando o período em que recebem iluminação é superior a um determinado número de horas específico da espécie, chamado fotoperíodo crítico.
  • Indiferentes: O mecanismo de floração independe do fotoperíodo. É causado por outros tipos de estímulos.

Como os fitocromos atuam na floração:

Note que o fator primordial nestes mecanismos não é o tempo de exposição à luz, mas sim o tempo de escuridão ininterrupta ao qual a planta será submetida.

Plantas de dia curto = Plantas de noite longa: O Pfr atua como inibidor da floração. Para que a planta floresça é necessário que haja baixa concentração de Pfr, então:

  • [Pr] > [Pfr] (Inibidor). Essa concentração é atingida durante um longo período de escuridão ininterrupta (noite longa), em que o Pfr se converte aos poucos em Pr.
    • Pode-se inibir a floração interrompendo o período de escuridão com um período de iluminação.

Plantas de dia longo = Plantas de noite curta: O Pfr atua como indutor da floração. Para que a planta floresça é necessário que haja baixa concentração de Pr, então:

  • [Pfr] (Indutor) > [Pr]. Essa concentração é atingida durante o dia (longo), em que a forma Pfr prevalece.
    • Pode-se obter a floração em dias curtos, caso o período de escuridão seja interrompido e a planta seja iluminada durante certo tempo (o que faz com que o período de iluminação que ela recebeu seja igual ao dia longo do qual ela necessita).

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