SISTEMA DIGESTÓRIO

agosto 26, 2007 às 1:22 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em SISTEMA DIGESTÓRIO

SISTEMA DIGESTÓRIO

Inicialmente, vejamos algumas definições essenciais:

Nutrição: Conjunto de processos responsáveis por fazer com que as células do corpo assimilem os nutrientes dos alimentos. Dentre esses processos esta a:

Digestão: Conjunto de processos pelos quais os componentes dos alimentos são transformados em substâncias assimiláveis pelas células (os nutrientes). Basicamente, é a transformação de macromoléculas, que não podem ser absorvidas, em moléculas menores, que podem. A digestão pode ser:

  • Física: Processos cuja função é a trituração do alimento. Ex: Mastigação e ação da moela.
  • Química: Processos que envolvem reações químicas de quebra de macromoléculas catalisadas por enzimas.

Sistema digestório: É constituído basicamente de um tubo digestório e glândulas associadas, cuja função é a ingestão, digestão e absorção dos nutrientes, e a eliminação dos dejetos não aproveitados (as fezes).

Tipos de nutrientes:

  • Energéticos: Fornecem energia às células do organismo. São os glicídios e lipídios.
  • Plásticos: Constituintes estruturais das células. São as proteínas.
  • Vitaminas: substâncias necessárias em pequenas quantidades, que não somos capazes de produzir, e que basicamente funcionam como co-fatores de enzimas.
  • Sais minerais: Nutrientes inorgânicos que fornecem elementos químicos importantes para o funcionamento das células.
  • Água: Importante, pois todas as reações bioquímicas ocorrem em meio aquoso.

  • Nutrientes essenciais: Substâncias que não somos capazes de sintetizar. Ex: Vitaminas.
  • Nutrientes não-essenciais: São os que somos capazes de sintetizar.

Dieta: É a soma dos alimentos consumidos por um organismo, representada pelo total de calorias ingeridas.

  • Dieta protetora: Quantidade mínima de alimentos necessária para manter o organismo vivo. Para um adulto, são necessárias ~1300 kcal/dia (OBS:kcal = Cal).
  • Dieta balanceada: É aquela que contém quantidades adequadas de todos os nutrientes requeridos para o crescimento e atividades saudáveis. Para um adulto, são necessárias ~3000 kcal/dia, distribuídas da seguinte forma:
    • 50-60 % glicídios.
    • 25-35 % gorduras.
    • 15-25 % proteínas.

Vejamos agora quais são as estruturas componentes do sistema digestório humano, suas funções e o que ocorre em cada uma delas:

1) BOCA: É a estrutura responsável pela ingestão e mastigação do alimento, processo auxiliado pelos dentes e pela língua. A fim de facilitar sua movimentação, o bolo alimentar é umedecido por uma secreção, a saliva, produzida e secretada por três pares de glândulas salivares associadas à boca, as parótidas, sublinguais e submandibulares. A saliva contém as enzimas:

  • Ptialina (parece o barulho do cuspe) ou amilase salivar: digere polissacarídios como o amido, em maltose (um dissacarídio: glicose + glicose). Atua em meio neutro, pH em torno de 6,7.
  • Lisosima e lactoferrina: enzimas com função antimicrobiana, não serão discutidas aqui.

OBS: Na língua há papilas gustativas, responsáveis pelo sentido do paladar, a percepção dos sabores (azedo, amargo, doce e salgado. E às vezes o tal umami, sabor do ajinomoto). Gosto é a sensação resultante da interação entre o paladar e o olfato.

O bolo alimentar é engolido (deglutição) com a ajuda da língua, e passa para um canal curto compartilhado pelo sistema digestório e o respiratório, a faringe.

2) FARINGE: Porção do tubo digestório compartilhada com o sistema respiratório. A faringe é contínua com o esôfago, mas também se comunica com a laringe (que faz parte do sistema respiratório). Quando o bolo alimentar é engolido, existe um mecanismo que abaixa uma lâmina localizada na parte posterior da língua, a epiglote, que fecha a laringe e impede que o bolo alimentar caia nela. Às vezes, o mecanismo falha, e então nós engasgamos.

3) ESÔFAGO: Saindo da faringe, o bolo alimentar chega ao esôfago, um tubo com paredes musculares que atravessa o diafragma, e o conduz ao estômago graças a uma série de contrações rítmicas que empurram o alimento, chamadas peristaltismo. Na verdade, o peristaltismo é efetuado em toda a extensão do tubo digestório.

4) ESTÔMAGO: O alimento é empurrado até o estômago, um órgão em forma de bolsa, cujo volume interno pode ser de aproximadamente 1,5 l. Inicialmente, na junção entre o esôfago e o estômago, há o relaxamento de um esfíncter cárdico (esfíncter é uma musculatura circular que regula a abertura de determinado orifício), para que o bolo alimentar possa entrar no estômago e sofrer a ação de enzimas. Dentro do estômago, após começar a sofrer ação enzimática, o bolo alimentar passa a ser chamado de quimo.

A parede do estômago apresenta diversas invaginações, as glândulas estomacais, secretoras de suco gástrico, uma solução ácida contendo enzimas. As células que compõem essas glândulas são:

  • Células produtoras de muco: Secretam um muco, que recobre a parede do órgão, protegendo-o contra a ação do suco gástrico. Em determinados casos, pode ser que a ação protetora do muco falhe, e haja o desenvolvimento de inflamações (gastrite), e lesões (úlceras).
  • Células principais: Secretam uma enzima digestória na forma inativa, o pepsinogênio, que é convertido na forma ativa, a pepsina, graças à ação do HCl.
  • Células parietais: Secretam HCl, cuja função é a conversão do pepsinogênio em pepsina.

As enzimas presentes no suco gástrico são:

  • Pepsina: Digere proteínas formando cadeias grandes de aminoácidos.
  • Renina: Promove a coagulação da caseína, a principal proteína do leite (~80 %), a fim de fazer com que ela permaneça por mais tempo no estômago e sofra ação enzimática digestória por mais tempo. (OBS: Com a idade, a produção de renina diminui, haja vista a diminuição do consumo de leite na dieta. Um bebê toma muito mais leite do que você). Não confundir renina com intolerância à lactose!

Ambas as enzimas atuam em meio ácido, pH ~2.

A comunicação entre o estômago e o intestino é o esfíncter pilórico.

5) INTESTINO DELGADO: De tempos em tempos o quimo do estômago vai sendo enviado ao intestino delgado, um tubo de aproximadamente 7 m, constituído de três porções: duodeno, jejuno e íleo. O intestino delgado é o principal órgão da digestão, pois atua também na absorção dos nutrientes. Logo em sua porção inicial, um duto colédoco traz as secreções de duas glândulas associadas ao tubo digestório:

  • Fígado: É a maior glândula do corpo humano. O fígado está envolvido em diversas funções, dentre as quais pode-se destacar a destruição de eritrócitos, reserva de glicose, conversão de amônia em uréia, metabolização/neutralização de drogas e toxinas, e produção de bile. A bile é uma secreção alcalina constituída de água, sais, pigmentos, e íons bicarbonato, cuja função é atuar na emulsificação de gorduras. Emulsão é uma mistura de duas soluções imiscíveis, o que a bile faz é transformar a solução lipídica em diversas gotículas de gordura, com o intuito de facilitar a ação enzimática. Mas note que: A BILE NÃO CONTÉM ENZIMAS!
  • Pâncreas: Glândula responsável por produzir e secretar o suco pancreático, solução alcalina contendo enzimas diversas, e íons bicarbonato.

Vejamos então como se dá a digestão no intestino delgado:

Inicialmente, há a neutralização da acidez do quimo proveniente do estômago, graças à presença de íons bicarbonato na bile e suco pancreático. O bolo alimentar agora irá sofrer a ação da bile e dos sucos pancreático e entérico passa a ser chamado de quilo:

Bile: Como já visto, atua na emulsificação dos lipídios, a fim de facilitar sua digestão.

Suco pancreático: Solução contendo diversas enzimas e precursores de enzimas:

  • Tripsinogênio: Converte-se na forma ativa, a tripsina, graças à ação de uma enzima do suco entérico, a enterocinase. A tripsina atua digerindo proteínas e polipeptídios, gerando oligopeptídios.
  • Quimotripsinogênio: Convertido na forma ativa, a quimotripsina, graças à ação da tripsina. Atua digerindo proteínas e polipeptídios, gerando oligopeptídios.
  • Amilase pancreática: Atua digerindo polissacarídios como o amido, gerando maltose.
  • Lipase pancreática: Atua sobre os lipídios, gerando ácidos graxos e glicerol.
  • Nucleases pancreátidas: Atuam sobre os ácidos nucléicos, DNA e RNA gerando nucleotídios.

Suco entérico: Solução secretada por várias glândulas da mucosa do intestino delgado, cuja função é finalizar o processo digestório, gerando substâncias que podem ser absorvidas e assimiladas pelas células.

  • Peptidases: Atuam sobre oligopeptídios gerando aminoácidos.
  • Dissacaridases: Atuam sobre oligossacarídios gerando glicose, frutose e galactose.
  • Nucleotidases: Atuam sobre os nucleotídios gerando nucleosídios e fosfatos.

As enzimas que atuam no intestino delgado atuam em meio alcalino, pH ~8,0-8,5.

6) INTESTINO GROSSO: Aproximadamente 9 horas após ter sido ingerido, o bolo alimentar chega até o intestino grosso, porção do tubo digestório responsável pela absorção de água e sais do quilo, formando as fezes. Pode ser dividido nas seguintes regiões: Ceco, cólon (ascendente, transverso e descendente) e reto, terminando no ânus. Quando o quilo já está transformado em fezes e chega até o reto, ocorre um estímulo nervoso que promove o relaxamento do esfíncter anal (esfíncteres consistem de musculatura em forma de anel), facilitando a defecação (eliminação das fezes pelo ânus). O quilo permanece por aproximadamente 3 dias no intestino grosso.

A porção inicial do intestino, o ceco, está envolvida no processo de fermentação em mamíferos herbívoros não ruminantes. Na espécie humana, tem função e tamanhos reduzidos, constituindo-se basicamente em um apêndice, cuja função primordial parece ser a de secretar anticorpos, ou como uma espécie de “refúgio” para alguns microrganismos componentes da microbiota intestinal.

Em alguns casos, como infecções por microrganismos patogênicos, o peristaltismo do intestino grosso é acelerado, havendo a eliminação das fezes sem que tenha havido a absorção da água, a chamada diarréia. De forma geral, a proteção contra microrganismos patogênicos é realizado pela presença de outros, que competem com eles, principalmente bactérias, que vivem de forma simbiótica no intestino grosso, coletivamente chamados de microbiota intestinal (ou flora intestinal). Estes microrganismos produzem algumas vitaminas, gases (:P), e estão envolvidas na fermentação de glicídios, gerando ácidos graxos de cadeia curta prontamente assimiláveis pelas células do organismo. Cerca de 30 % da massa das fezes é constituída desses microrganismos.

Regulação hormonal do funcionamento do sistema digestório:

Alguns estímulos externos, como a visão do alimento, ou o cheiro, promovem a secreção salivar e do suco gástrico, preparando o sistema digestório para receber e processar o alimento. Outros estímulos consistem na presença do alimento em determinada porção do tubo digestório, promovendo a secreção de hormônios com funções estimulantes ou inibitórias:

Estímulo

Hormônio e órgão produtor

Alvo e efeitos principais

Presença de alimentos no estômago.

Gastrina (produzida pelo próprio estômago).

Estimula a secreção de suco gástrico pelas glândulas estomacais.

Acidez do bolo alimentar proveniente do estômago, no intestino delgado.

Secretina (produzida pelo intestino delgado).

Atua no estômago, inibindo a produção de suco gástrico. E também atua no intestino delgado, pâncreas e fígado, promovendo a secreção de suco entérico, pancreático, e produção de bile.

Presença de peptídios e lipídios no intestino delgado.

Colecistocinina – CCK (produzida pelo intestino delgado).

Atua no pâncreas e vesícula biliar, promovendo a secreção de suco pancreático e bile.

Presença de lipídios e glicídios no intestino delgado.

Peptídio inibidor gástrico – GIP (produzido pelo intestino delgado).

Diminui o peristaltismo do estômago, o que faz com que o quilo permaneça mais tempo no intestino e seja melhor digerido.

FILO CHORDATA

agosto 14, 2007 às 3:56 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em FILO CHORDATA

FILO CHORDATA

O Filo Chordata (Chorda: corda em latim) é aquele ao qual pertencem os animais vertebrados. Acredita-se que surgiram a partir de um ancestral deuterostômio semelhante aos equinodermos atuais. Existem por volta de 49500 espécies pertencentes a este Filo, sendo que a maioria delas é de vertebrados. Os cordados são:

  • Triblásticos: Possuem 3 folhetos germinativos (ectoderma, endoderma e mesoderma).
  • Celomados: possuem uma cavidade corporal completamente revestida por tecidos mesodérmicos.
  • Deuterostômios (“boca em segundo”), ou seja, assim como os equinodermos, o blastóporo origina o ânus, e a boca é originada posteriormente.
  • Possuem corpo segmentado.
  • Possuem simetria bilateral.

Além destas características, os cordados apresentam durante a fase embrionária algumas estruturas próprias do Filo, mas que podem desaparecer durante o desenvolvimento (basicamente, são as apomorfias do grupo):

  • Tubo nervoso dorsal: Originado a partir de uma invaginação do ectoderma. Origina o sistema nervoso do animal. (*O sistema nervoso dos animais dos outros Filos é constituído de cordões maciços, localizados da região ventral do corpo).
  • Notocorda: Estrutura que dá nome ao Filo. Consiste de um bastão localizado na região dorsal do animal, entre o tubo nervoso e o tubo digestório. É o primeiro eixo de sustentação do animal, nos cordados vertebrados é substituída pela coluna vertebral. Possui origem mesodérmica, e é formada por células grandes, envoltas por uma bainha de tecido conjuntivo. É considerada a principal novidade evolutiva do grupo!
  • Fendas faringianas: Série de fendas na superfície da faringe do embrião. Nos cordados aquáticos, originam as brânquias, e nos cordados terrestres as fendas se fecham e desaparecem.
  • Cauda pós-anal: Extensão alongada do corpo que se prolonga além do ânus, e possui musculatura estriada. Pode servir para auxiliar a natação, ou como órgão preênsil. Nem todos os cordados possuem uma cauda na fase adulta.

Classificação:

Os cordados podem inicialmente ser divididos em dois grupos principais, o dos vertebrados e o dos protocordados (mais primitivos e invertebrados):

  • Protocordados:
    • Subfilo Urochordata: Urocordados. São as ascídias (tunicados).
    • Subfilo Cephalochordata: Cefalocordados, representados pelos anfioxos.
  • Vertebrados:
    • Subfilo Vertebrata (ou Craniata): São os vertebrados.

*Os hemicordados, representados pelos Balanoglossus, não são classificados no Filo Chordata, mas sim no Filo Hemichordata, pois não possuem notocorda verdadeira.

Vejamos a partir de agora cada subfilo em maiores detalhes (Mentira, isso aqui é um resumo :P):

SUBFILO UROCHORDATA: Representados principalmente pelas ascídias, invertebrados marinhos sésseis, e o nome do Filo se deve ao fato de que apresentam notocorda geralmente apenas na fase larval, e restrita à cauda (Oura: cauda em grego). Medem de alguns milímetros até 10 cm, e possuem o corpo revestido por uma túnica, um envoltório espesso constituído pelo polissacarídeo tunicina. Os urocordados adultos são muito distintos dos cordados típicos, somente a larva apresenta as características que permitem classificar estes animais como pertencentes ao Filo Chordata. Inclusive, acredita-se que os animais que deram origem aos cordados fossem muito similares às larvas dos urocordados.

Alimentam-se filtrando a água do mar, que entra no corpo do animal por um sifão inalante (a boca se localiza nele). A água traz consigo partículas alimentares, que ficam presas em um muco produzido na faringe, e então são varridas por células ciliares para o estômago. As trocas gasosas se dão nas fendas faringianas, bastante vascularizadas. A água deixa o corpo do animal por um sifão exalante (o ânus se localiza nele). Denomina-se átrio, a cavidade do corpo do animal onde se localizam a faringe e as aberturas dos sifões inalante e exalante.

Possuem sistema circulatório do tipo aberto (parcialmente aberto), capaz de reverter o fluxo sangüíneo. O sistema nervoso é do tipo ganglionar, e no que diz respeito à reprodução, a maioria das espécies é monóica, com reprodução sexuada, fecundação externa e desenvolvimento indireto (só lembrar que se não fossem pelas características da larva, seria bem mais difícil classificar estes animais como pertencentes ao Filo Chordata). Também podem se reproduzir de forma assexuada via brotamento.

SUBFILO CEPHALOCHORDATA: Animais marinhos de corpo alongado, semelhante ao formato de alguns peixes, cujo representante mais conhecido é o anfioxo (aquele utilizado como modelo de desenvolvimento embrionário). O nome do grupo deve-se ao fato de que a notocorda, além de persistir até a fase adulta, estende-se da extremidade posterior até a cabeça (Kephalé: Cabeça em grego). Medem aproximadamente 6 cm de comprimento e vivem enterrados na areia. Ao contrário das ascídias, não são sésseis, mas veremos que apresentam algumas estruturas muito semelhantes.

Os anfioxos alimentam-se filtrando partículas alimentares trazidas pela água, que penetra no corpo do animal pela boca, equivalente ao sifão inalante dos urocordados (a boca contém filamentos denominados cirros, que atuam na filtração e como estruturas sensoriais). Os anfioxos também possuem um átrio, cavidade contendo a faringe, e que se abre para o meio externo por um atrióporo, equivalente ao sifão exalante (*o ânus não se abre no atrióporo!). As partículas alimentares são retidas no muco produzido pela faringe, e de lá, enviadas ao intestino (não há estômago), onde a digestão continua. As trocas gasosas também se dão nas fendas faringianas, bastante vascularizadas.

Possuem sistema circulatório do tipo fechado, e não possuem um coração convencional, mas sim uma bolsa localizada nas proximidades da faringe, e vasos com capacidade de contração. O sistema nervoso é constituído pelo tubo nervoso dorsal, de onde partem cordões nervosos, e na extremidade anterior do animal, uma vesícula cerebral contendo um ocelo (envolvido na percepção de diferenças na intensidade luminosa, não forma imagens). Excretam via nefrídios, que filtram o fluido celomático e eliminam as excreções na cavidade do átrio. No que diz respeito à reprodução, são dióicos, com reprodução sexuada, fecundação externa e desenvolvimento indireto.

SUBFILO CRANIATA (VERTEBRATA)

São os animais vertebrados, que ao contrário dos protocordados, possuem uma caixa craniana, e um endoesqueleto de origem mesodérmica. O endoesqueleto tem como funções:

  • Suportar o corpo do animal;
  • Permite que o animal se movimente, pois os músculos se apóiam nele;

· Proteção de órgãos internos: O crânio protege o encéfalo, a caixa torácica protege o coração e pulmões, e a coluna vertebral protege a medula espinhal.

· Síntese de células do sangue, nas medulas ósseas.

O endoesqueleto também pode ser dividido em:

  • Esqueleto axial: Crânio e coluna vertebral;
  • Esqueleto apendicular: São os membros e apêndices corporais (braços, pernas, nadadeiras…).

O Subfilo Craniata apresenta três superclasses: Agnatha, Pisces e Tetrapoda (sendo essas duas últimas os gnatostomados, animais com mandíbula):

SUPERCLASSE AGNATHA: São os agnatos (ou ciclostomados: boca circular), vertebrados aquáticos sem mandíbula. A mandíbula é uma estrutura articulada à caixa craniana, basicamente, permite que o animal abra e feche a boca.

Características gerais:

  • São vertebrados aquáticos de corpo cilíndrico e alongado, de aproximadamente 1 m de comprimento;
  • Ectotérmicos, animais cuja temperatura corporal varia conforme a temperatura do ambiente.
  • Possuem um endoesqueleto cartilaginoso;
  • Não possuem mandíbula;
  • Têm a pele lisa e sem escamas;
  • Não possuem nadadeiras pares como os peixes, apresentam apenas nadadeiras dorsal e caudal;
  • Apresentam respiração branquial, e as brânquias se comunicam com o meio externo via fendas branquiais, localizadas lateralmente;

· A maioria é marinha, mas alguns podem viver em água doce.

Classe Myxine: São os peixes-bruxa, animais marinhos que não possuem vértebras, apenas um crânio cartilaginoso (não são peixes!). A sustentação do animal está a cargo da notocorda, que persiste até a fase adulta. A ausência de vértebras propicia a estes animais, um corpo bastante maleável, eles podem dar um nó em si mesmos. Vivem enterrados em ambientes marinhos e se alimentam de anelídeos e peixes, vivos ou mortos, com o uso de um par de estruturas contendo dentículos, que se protrai a partir da boca.

Não se sabe ao certo como se reproduzem, mas são monóicos, com apenas um sexo funcional (que pode ser devido à protandria), e o desenvolvimento é direto.

Os peixes-bruxa secretam um muco, utilizado para evitar predadores, que contém proteínas semelhantes às encontradas nas teias de aranhas, capazes de formar fibras, tendo, portanto, utilização farmacológica como anti-hemorrágicos.

Classe Petromyzontida: São as lampréias, animais principalmente marinhos (alguns conseguem viver em ambientes dulcícolas). São ectoparasitas agressivos e se alimentam parasitando peixes com o uso de uma língua raspadora, que os auxilia a perfurar a pele do hospedeiro, e também secretam substâncias anticoagulantes na saliva.

Ao contrário dos peixes-bruxa, possuem vértebras rudimentares localizadas sobre a notocorda (a notocorda persiste até a fase adulta).

São dióicos, de fecundação externa e desenvolvimento indireto (os peixes-bruxa, ao contrário, são monóicos e apresentam desenvolvimento direto). As larvas da lampréias, chamadas amocetes, vivem enterradas e se alimentam filtrando a água.

SUPERCLASSE PISCES: São os peixes cartilaginosos, os ósseos, os de nadadeiras lobadas e os pulmonados. Vertebrados aquáticos com o corpo hidrodinâmico, que se locomovem com o uso de nadadeiras e respiram passando água pelas brânquias. Apresentam mandíbula e nadadeiras pares (ao contrário dos agnatos).

Características gerais (da superclasse):

  • Em geral, possuem o corpo revestido por escamas, estruturas que reduzem o atrito entre o corpo do peixe e a água. A constituição das escamas se assemelha à dos dentes (esmalte, dentina e polpa). Na verdade, os dentes dos peixes são escamas modificadas.
  • Assim como os agnatos, respiram através de brânquias, órgãos filamentosos bastante vascularizados, originados a partir dos arcos localizados entre as fendas faringianas. (Na peixaria, observar se as brânquias dos peixes apresentam aspecto brilhante e cor vermelha intensa!)
  • Ectotérmicos, animais cuja temperatura corporal varia conforme a temperatura do ambiente.
  • Aquáticos, de água doce ou salgada;
  • Ao contrário dos agnatos, apresentam nadadeiras pares: As peitorais e as pélvicas;
  • Apresentam linhas laterais: Canais ao longo do corpo, por onde a água do mar penetra. Nestes canais há grupos de células sensoriais (neuromastos) capazes de detectar variações de pressão na água, como as causadas pelo movimento de um predador, e enviar estas informações sensoriais para o sistema nervoso central, permitindo que o peixe escape. (É como se fosse o aparelho auditivo dos peixes).
  • Possuem cloaca: uma abertura localizada na parte posterior do corpo, que serve como abertura única para os sistemas digestório, urinário e genital (tudo sai por lá). O nome significa esgoto em latim…
    • Peixes, anfíbios, répteis e aves possuem cloaca.
  • Apresentam sistema circulatório fechado e coração com duas câmaras (1 átrio e 1 ventrículo). A circulação é simples, pois passa apenas uma vez pelo coração a cada ciclo, e completa, pois não há mistura de sangue oxigenado com sangue rico em gás carbônico (no coração só passa sangue venoso).
  • Desenvolvimento:
    • Ovíparos: Botam ovos, o embrião se desenvolve dentro desse ovo, com o uso do material nutritivo do ovo (maioria dos peixes).
    • Ovovivíparos: O embrião também se desenvolve dentro de ovos, com o uso do material nutritivo do ovo, mas protegidos dentro do corpo da mãe (marioria dos tubarões e arraias).
    • Vivíparos: O embrião se desenvolve dentro do corpo da mãe, e dela recebe nutrição a partir de uma placenta (alguns tubarões).

Classe Chondrichtyes: São os peixes que possuem esqueleto cartilaginoso:

  • Possuem de 5-7 pares de fendas branquiais, além de outra abertura, o espiráculo, canal entre a faringe e o meio externo.
  • A maioria é carnívora.
  • Possuem no intestino, uma estrutura chamada válvula espiral, cujas funções são aumentar a área de absorção do órgão, e retardar o trânsito dos alimentos ao longo dele, aumentando a eficiência da absorção de nutrientes.
  • Apresentam eletrorreceptores denominados ampolas de Lorenzini (e não Lorenzetti, marca de chuveiros!). Consistem de canais sensitivos com células sensoriais capazes de captar correntes elétricas geradas pela atividade muscular de outros animais. Localizados na cabeça.
  • No que diz respeito à reprodução, são dióicos, apresentam fecundação interna (o macho tem apêndices copuladores chamados de cláspers), e o desenvolvimento é direto. Maioria ovovivípara.
  • Seu principal excreta nitrogenado é a uréia.

Existem aproximadamente 850 espécies classificadas em duas subclasses:

  • Elasmobranchii: Os tubarões e arraias. (Vimos aqui praticamente só essa classe).
  • Holocephali: Representados pelas quimeras.

Classe Actinopterygii (ou Osteichthyes): São os peixes de nadadeiras raiadas, possuidores de um esqueleto ósseo:

  • Possuem escamas geralmente dispostas como as telhas de uma casa.
  • Apresentam uma bexiga natatória, uma bolsa interna cheia de gás, responsável por controlar a flutuabilidade do peixe. Estes peixes têm uma glândula de gás, que secreta ácido lático no sangue. O aumento da acidez promove o aumento da dissociação do O2 com a hemoglobina, então o O2 vai para a bexiga natatória. Acredita-se que uma bolsa ancestral originou tanto as bexigas natatórias quanto os pulmões dos peixes pulmonados. (OBS: O controle da flutuabilidade dos peixes cartilaginosos é feito com a secreção de óleo pelo fígado!).
  • No que diz respeito à reprodução, a maioria é dióica, de fecundação externa e desenvolvimento direto (aos peixes jovens dá-se o nome de alevinos). Maioria ovípara.
  • Seu principal excreta nitrogenado é a amônia.

Classe Actinistia (ou Sarcopterigii): São peixes marinhos também ósseos, muitos dos quais já extintos, mas que ao invés de apresentarem nadadeiras raiadas, apresentam nadadeiras carnosas ou lobadas (daí o nome: sarco + ptero). São representados pelos Celacantos, e acredita-se que peixes desta classe possam ter sido os ancestrais dos tetrápodes.

Classe Dipnoi: São os chamados peixes pulmonados. Dipnoi significa dupla respiração, justamente devido ao fato de que estes peixes, além de respirarem com o uso das brânquias, apresentam também uma bolsa ricamente vascularizada ligada à faringe (pulmão) onde pode haver trocas gasosas com o ar inspirado. Vivem em águas doces e são representados por três gêneros, um dos quais é encontrado no Brasil (Lepidosiren – Pirambóia).

Origem dos peixes: No que diz respeito à sua origem, acredita-se que tenha sido no período Siluriano (438-408 milhões de anos atrás), a partir de um ancestral agnato. Também acredita-se que os peixes cartilaginosos surgiram no mar, ao passo que os ósseos surgiram em água doce (e só depois invadiram o ambiente marinho). Supõe-se que os peixes pulmonados deram origem aos peixes ósseos, com bexiga natatória.

SUPERCLASSE TETRAPODA: Possuem membros (anteriores e posteriores), estruturas adaptadas para o deslocamento em terra firme.

CLASSE AMPHIBIA: Vertebrados tetrápodes que, em geral, apresentam uma “vida dupla” (daí o nome, amphi: duas e bio: vida): Uma fase larval aquática, e uma fase adulta terrestre, mas ainda dependente de ambientes aquáticos. Os anfíbios foram os primeiros vertebrados a colonizar o ambiente terrestre, na medida em que este mesmo ambiente foi colonizado pelas grandes plantas vasculares, que foram capazes de criar ambientes úmidos mais afastados dos lagos e rios. São, portanto, o equivalente animal das briófitas e pteridófitas, pois ainda precisam de ambientes aquáticos para se reproduzir, e não possuem todas as adaptações necessárias para uma vida inteiramente terrestre.

No que diz respeito à classificação, as três ordens principais são:

  • Apoda ou Gymnophiona: São as chamadas cobras cegas ou cecílias, anfíbios semelhantes às serpentes, com o corpo alongado e sem membros.
  • Urodela ou Caudata: São as salamandras, anfíbios que retêm a cauda na fase adulta.
  • Anura: O nome da classe se refere ao fato de que as formas adultas não possuem cauda (do grego an: Sem, e ourós: Cauda). Esta é a classe mais conhecida e representativa dos anfíbios. Suas larvas são os girinos.
    • Sapos: Pele rugosa, e com glândulas paratóides que produzem e armazenam veneno (1 par, localizadas logo atrás dos tímpanos);
    • Rãs: Pele lisa;
    • Pererecas: Pele lisa, arborícolas e com ventosas nas pontas dos dedos.

Características gerais dos anfíbios (com ênfase nos anuros):

  • São tetrápodes: Animais vertebrados possuidores de quatro membros (ou “pernas”), dois anteriores e dois posteriores (Ex: Seus braços e pernas). Os anuros possuem os membros posteriores bem desenvolvidos e adaptados para saltar.
  • Ectotérmicos.
  • Vivem em ambientes aquáticos (de água doce somente) ou úmidos.
  • Apresentam a pele úmida, necessidade decorrente do fato de que, além da respiração pulmonar, também possuem respiração cutânea. A pele é mantida umedecida graças à atividade secretora de glândulas diversas na superfície do corpo, secretoras de muco e outras substâncias importantes para a defesa do animal, como toxinas e antibióticos.
  • Os anfíbios passam por um processo de metamorfose, no qual a larva se transforma de forma gradual no animal adulto. Ao longo do processo, há a perda e surgimento de novas estruturas, por exemplo: As larvas perdem as brânquias, ao passo em que há o desenvolvimento dos pulmões, e as larvas dos anuros perdem a cauda, enquanto há o desenvolvimento dos membros.
  • No que diz respeito à nutrição, os anfíbios adultos se alimentam de animais pequenos, como artrópodes diversos. Em contrapartida, as larvas se alimentam de algas e detritos.
  • Respiração:
    • Girino: Branquial e Cutânea.
    • Adulto: Pulmonar e Cutânea.
  • Assim como o restante dos tetrápodes, pulmonados, apresentam circulação fechada e dupla:
    • Pequena circulação: Coração à Pulmões à Coração.
    • Grande circulação: Coração à Corpo à Coração.
    • O coração do adulto tem 3 câmaras (2 átrios e 1 ventrículo), e há mistura de sangue arterial (oxigenado), com sangue venoso (pouco oxigenado) (circulação incompleta). As larvas possuem coração com duas câmaras apenas (1 átrio e 1 ventrículo, assim como os peixes).
  • Sistema urinário: Possuem um par de rins, e no que diz respeito aos seus excretas nitrogenados, a larva, aquática, excreta principalmente amônia, e o adulto uréia.
  • Sentidos e órgãos dos sentidos: Os olhos só conseguem enxergar objetos em movimento; possuem boa audição, adaptação importante para a vida terrestre (observar as membranas timpânicas ao lado da cabeça); e as larvas possuem linha lateral. Os anfíbios são capazes de se comunicar vocalmente, graças à presença de uma bolsa que funciona como uma caixa de ressonância sonora, localizada nas proximidades da garganta. A vocalização é importante, pois é o método que o macho utiliza para atrair as fêmeas.
  • No que diz respeito à reprodução, são geralmente ovíparos, dióicos, de fecundação externa, e desenvolvimento indireto. A reprodução dos anuros é caracterizada por um abraço (sinônimo: amplexo) que o macho dá na fêmea, que a estimula a liberar os óvulos, a serem fertilizados por ele. As salamandras apresentam fecundação interna, com o uso de uma estrutura que o macho produz, o espermatóforo, uma massa ou pacote de gametas masculinos que a fêmea apanha com sua cloaca. As cobras-cegas também apresentam fecundação interna, mas neste caso o macho possui um órgão copulador que introduz na cloaca da fêmea.

Origem dos anfíbios: Acredita-se que surgiram há 409-363 milhões de anos atrás, durante o período devoniano, a partir de ancestrais crossopterígios (peixes de nadadeiras lobadas ou carnosas).

CLASSE REPTILIA: Os répteis (reptilis: rastejar em latim) são um grupo de vertebrados predominantemente terrestres com o corpo geralmente recoberto por uma pele grossa escamada, e pernas curtas ou mesmo sem pernas, como as serpentes. Foram os vertebrados que conquistaram definitivamente o ambiente terrestre, graças a uma série de novas características que apresentam em relação aos anfíbios, que os permitem se reproduzir sem a necessidade de depositar seus ovos na água (o ovo amniótico) e evitar a perda de água pela superfície do corpo. Esta é a classe á qual pertencem as serpentes, crocodilos, lagartos e tartarugas atuais, além dos animais preferidos das crianças, os dinossauros J

No que diz respeito à classificação, as quatro ordens principais são:

  • Squamata: Lagartos e serpentes. Chelonia: Tartarugas, cágados e jabutis.
  • Crocodilia: Jacarés e crocodilos.
  • Rhyncocephalia: “Lagartos” tuataras (duas espécies nativas da Nova Zelândia).

Características gerais:

  • Apresentam o corpo revestido por uma pele grossa, cuja camada mais externa, a epiderme é bastante queratinizada. A queratina é uma proteína fibrosa insolúvel, constituinte de unhas, cabelos e presente também na pele, que forma uma camada cuja função é impermeabilizar a superfície do corpo dos répteis e minimizar as perdas de água, adaptação importantíssima para a vida em ambientes terrestres. (Os anfíbios, em contrapartida, têm a pele pouco queratinizada e úmida, pois apresentam respiração cutânea!).
    • Geralmente possuem escamas córneas recobrindo a superfície do corpo. Na maioria dos répteis estas escamas são constituídas de queratina.
    • A camada mais externa da epiderme, a cutícula, é constantemente esfoliada em vários répteis, sendo que nas serpentes, ocorrem mudas periódicas, com o destacamento de toda a cutícula de uma só vez.
  • São ectotérmicos. E é importante destacar que um réptil sobrevive com apenas 10 % do total de calorias requerido por um mamífero de mesmo peso. A ectotermia é um modo de vida que não requer tanto gasto energético como a endotermia, mas em contrapartida, a endotermia permite que o animal seja capaz de sustentar atividade física intensa (coloque um réptil pra apostar corrida na neve contra um mamífero qualquer ;)).
  • Como possuem a pele adaptada para evitar as perdas de água, não apresentam respiração cutânea, mas em compensação seus pulmões são mais eficientes nas trocas gasosas do que os dos anfíbios. Além disso, a ventilação é auxiliada por músculos envolvidos nos movimentos de contração e expansão da caixa torácica.
  • As serpentes possuem no céu da boca um órgão de Jacobson (ou vomeronasal), com função sensorial, onde elas introduzem as pontas da língua. As substâncias químicas dissolvidas no ar e apanhadas nas pontas da língua então fornecem informações sensoriais (é como se elas estivessem sentindo o gosto do ar). Fossetas loreais: Cavidades contendo uma membrana sensível às variações de temperatura. É como se fosse um “olho térmico” das serpentes, bons pra caçar a noite. Seu sentido da audição se dá principalmente a partir da percepção de vibrações no solo por meio da mandíbula, que então retransmite essas vibrações até à cóclea por meio de outros ossos.
  • A circulação é do tipo fechada, dupla, e pode ser incompleta ou completa:
    • Incompleta: O coração dos répteis geralmente possui três cavidades, dois átrios e um ventrículo parcialmente separado, neste caso, havendo mistura de sangue arterial com sangue venoso.
    • Completa: O coração dos répteis crocodilianos possui quatro cavidades, dois átrios e dois ventrículos, não havendo mistura de sangue arterial com venoso no coração. (Mas mesmo assim, dependendo do nível de atividade do animal, pode haver a mistura de sangue arterial com venoso fora do coração, no forame de Panizza, uma comunicação entre os arcos aórticos esquerdo e direito).
  • Sistema urinário: Possuem dois rins e seu principal excreta nitrogenado é o ácido úrico, pouco tóxico e pouco solúvel em água. É uma adaptação à vida terrestre, no que diz respeito à economia de água.
  • Reprodução: são dióicos, principalmente ovíparos, de fecundação interna (possuem pênis) e desenvolvimento direto. Alguns podem se reproduzir via partenogênese (desenvolvimento de um óvulo não fertilizado) em determinadas situações.

O OVO AMNIÓTICO: Ao contrário do ovo anamniótico, como o dos anfíbios, o ovo amniótico dos répteis e aves possui alguns anexos embrionários (estruturas associadas ao corpo do embrião e que dão suporte a ele até certo ponto de seu desenvolvimento), o âmnio, o alantóide e o cório, que também representam adaptações à vida terrestre e independência do ambiente aquático para a reprodução:

  • O ovo é recoberto por uma casca coriácea ou calcária porosa, que permite a passagem de gases.
  • Logo abaixo da casca há uma camada de albumina (é a clara).
  • Cório: Logo abaixo da camada de albumina há o cório, membrana que recobre todo o embrião e os anexos seguintes. É ricamente vascularizada e está envolvida nas trocas gasosas.
  • Âmnio: Bolsa cheia de líqüido que envolve o embrião e o protege contra a dessecação e choques mecânicos.
  • Saco vitelínico: Bolsa ligada ao intestino, envolve a gema e a digere, transferindo nutrientes para o sangue do embrião.
  • Alantóide: Outra bolsa ligada ao intestino, acumula excretas nitrogenados, absorve minerais da casca e também está envolvido nas trocas gasosas.

Origem dos répteis: Acredita-se que os primeiros vertebrados amniotas (que apresentam âmnio, no caso são os répteis, as aves e os mamíferos) surgiram há 360 milhões de anos atrás, no período carbonífero, a partir de algum anfíbio ancestral. Uma linhagem deu origem aos mamíferos, e outra aos répteis e aves.

CLASSE AVES: Vertebrados com o corpo aerodinâmico e recoberto por penas, e cujos membros anteriores são modificados em asas. Existem aproximadamente 9 mil espécies de aves no mundo.

Existem dois tipos básicos de aves:

· Ratitas: Aves que não voam, geralmente possuem pernas longas adaptadas para a corrida, e o osso esterno (aquele que fica no meio do peito) achatado, desprovido de uma quilha. Exemplos: Ema, avestruz, Kiwi e Casuar.

· Carenadas: Aves voadoras (exceto os pingüins, que voam na água J), possuem o osso esterno com uma porção bem desenvolvida e saliente, a quilha, onde se inserem os músculos responsáveis pelo vôo.

As características das aves são adaptações que as permitem voar:

  • Possuem o corpo aerodinâmico, adaptação que diminui a resistência do ar durante o vôo.
  • São endotérmicas, ou seja, capazes de manter a temperatura do corpo constante (até certos limites), graças ao calor liberado pelas reações metabólicas. Sendo assim, são capazes de habitar as regiões mais frias do planeta.
  • O corpo é recoberto por penas, estruturas formadas em folículos, cujas funções são: Auxiliar o vôo, proteger contra choques mecânicos, impermeabilizar o corpo, e atuar como isolante térmico. Cada pena contém um eixo chamado ráquis, de onde partem filamentos chamados barbas, e destes filamentos partem outro menores, as bárbulas. As bárbulas contêm ganchos que as prendem entre si, conferindo firmeza à pena.
  • Localizada na parte superior da cauda, as aves possuem uma glândula uropigiana, cuja secreção é oleosa. As aves utilizam o bico para passar esta secreção nas penas e impermeabilizá-las.
  • As aves atuais não possuem dentes, em princípio adaptação destinada à redução da massa do animal, o que favorece o vôo.
  • Possuem ossos pneumáticos, ou seja, com espaços aéreos. Outra adaptação destinada à redução da massa do animal.
  • O sistema digestório apresenta compartimentos especializados (sobretudo nas aves herbívoras):
    • Papo: Armazena o alimento e o umedece (o alimento vira uma “papa”).
    • Proventrículo: É o estômago químico, que secreta enzimas digestórias no bolo alimentar.
    • Moela: É o estômago responsável pela digestão mecânica. Possui fortes paredes musculares envolvidas na trituração do alimento. Algumas aves engolem pedras, que ficam retidas na moela, a fim de favorecer a trituração.
  • Apresentam pulmões altamente eficientes e especializados, constituídos de túbulos dispostos de forma paralela denominados parabronquíolos. Dos pulmões, partem prolongamentos para as extremidades anterior e posterior do corpo chamados sacos aéreos. A ventilação consiste de dois ciclos de inspiração e expiração:
    • 1ª inspiração: O ar vai para os sacos aéreos posteriores.
    • 1ª expiração: O ar passa para os parabrônquios, onde ocorrem as trocas gasosas.
    • 2ª inspiração: Além de haver inspiração de nova quantidade de ar, o volume previamente inspirado passa dos parabrônquios para os sacos aéreos anteriores.
    • 2ª expiração: O ar contido nos sacos aéreos anteriores vai para fora do corpo.
    • É interessante notar que neste caso, o ar percorre o sistema respiratório em apenas um sentido, maximizando a eficiência das trocas gasosas, ao contrário dos pulmões em forma de saco, em que o ar percorre o sistema respiratório em dois sentidos, esquema menos eficiente, pois há o acúmulo do chamado “ar morto” no fundo dos pulmões, com menor quantidade de oxigênio.
  • As aves possuem boa visão e audição, ao passo que o sentido do olfato não é muito desenvolvido (urubus e abutres são as exceções). As aves também possuem um órgão fonador localizado na base da traquéia, a siringe, que as permite cantar.
  • A circulação é do tipo fechada, dupla, e completa (coração com quatro cavidades, e não há a mistura de sangue arterial com sangue venoso).
  • Sistema urinário: Possuem dois rins, e seu principal produto de excreção nitrogenada é o ácido úrico, pouco solúvel e pouco tóxico, não requer grandes volumes de água para ser excretado, mais uma adaptação para reduzir a massa do animal, e não intoxicar o embrião dentro do ovo. Na verdade, as aves eliminam os excretas junto com as fezes (o conjunto é aquela massa branca pastosa que com a qual as aves gostam de homenagear os nossos carros). Não possuem bexiga.
  • No que diz respeito à reprodução, são dióicas, ovíparas, de fecundação interna (mas a maioria não possui pênis) e desenvolvimento direto.

Origem das aves: Acredita-se que surgiram há aproximadamente 245-208 milhões de anos, no período Triássico, a partir de dinossauros bípedes denominados Theropoda (tiranossauro rex, velociraptor…).

CLASSE MAMMALIA: Animais com o corpo geralmente recoberto por pêlos, e que possuem glândulas mamárias, cuja secreção nutritiva, o leite, é utilizada para alimentar seus filhotes durante certo tempo. É a classe de vertebrados mais diversificada, apresenta representantes terrestres, aquáticos e até capazes de voar!

Existem três tipos básicos de mamíferos:

  • Subclasse Prototheria (monotremados): São mamíferos ovíparos e cujas glândulas mamárias não possuem mamilos. Ex: Ornitorrinco e équidna, ambas as espécies restritas à Austrália e Nova Guiné.
  • Subclasse Theria:
    • Infraclasse Metatheria (marsupiais): Mamíferos cujo desenvolvimento embrionário começa no útero, nascem prematuros, e terminam seu desenvolvimento em uma bolsa de pele chamada marsúpio, contendo mamilos, onde o filhote mama e continua o seu desenvolvimento. Ex: Cangurus, coalas, gambás…
    • Infraclasse Eutheria (Placentários): Mamíferos que possuem um órgão constituído de partes maternas e do embrião, a placenta, que controla as trocas de substâncias entre o embrião e mãe. O embrião recebe nutrientes e oxigênio da mãe, e transfere para o sangue da mãe, dióxido de carbono e excretas. OBS: Espera-se que a mãe não seja chegada em uns bagulhos, pois essas substâncias podem atravessar a placenta e promover o desenvolvimento de más-formações congênitas no embrião L

Características gerais dos mamíferos:

Principais e mais específicas:

  • Possuem glândulas mamárias, cuja secreção nutritiva, o leite, uma solução aquosa de proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais, é utilizada para alimentar os filhotes até certo ponto (amamentação).
  • O corpo é total ou parcialmente revestido de pêlos, filamentos de origem dérmica constituídos de queratina, que se formam em folículos pilosos (onde estão as raízes dos pêlos). Possuem uma glândula sebácea associada, e de forma geral, a função básica dos pêlos é a de isolamento térmico.
  • Possuem dentes diferenciados: Incisivos, caninos, pré-molares e molares. Dependendo do tipo de dieta da espécie, os tipos de dentes são mais ou menos especializados (compare os dentes de um gato, carnívoro, com os de um boi, herbívoro).
  • Possuem um diafragma, músculo que separa o tórax do abdome, e que participa do processo de ventilação pulmonar.

Mais gerais:

  • São endotérmicos, ou seja, mantêm a temperatura do corpo constante, graças à capacidade de gerar calor a partir de suas reações metabólicas. A temperatura do corpo é mantida constante graças aos pêlos e ao:
  • Panículo adiposo (hipoderme ou tela subcutânea), camada de tecido adiposo, que atua tanto como isolante térmico e reserva energética.
  • O tubo digestório dos herbívoros (não somente dos mamíferos, mas dos herbívoros em geral), geralmente é maior e apresenta regiões especializadas em realizar a fermentação do alimento, haja vista a dificuldade de se aproveitar os nutrientes contidos dentro das células vegetais. Vale a pena destacar os quatro compartimentos dos estômagos dos ruminantes:
    • Rúmen (pança): Constitui 80 % do estômago, e é onde ocorre digestão de celulose, graças à ação de microrganismos (bactérias e protozoários, que produzem a enzima celulase).
    • Retículo (barrete): Compartimento contínuo com o rúmen. Lá, o alimento também sofre a ação de microrganismos e de lá, é regurgitado de volta para a boca para ser remastigado, o ato de ruminar.
    • Omaso (folhoso): Porção responsável pela absorção de água.
    • Abomaso (coagulador): É o estômago propriamente dito, onde ocorre a digestão de proteínas e dos próprios microrganismos provenientes do rúmem e retículo.
  • Outros herbívoros não ruminantes executam a fermentação de forma distinta, alguns realizam a fermentação no ceco intestinal (é o apêndice), estrutura em forma de saco, localizada na porção inicial do intestino grosso, contendo microrganismos responsáveis pela digestão da celulose.
  • Circulação do tipo fechada, dupla e completa (coração com 4 câmaras).
  • Possuem um par de rins e seu principal excreta nitrogenado é a uréia.
  • Apresentam respiração pulmonar, seus pulmões são do tipo alveolares, e a ventilação é auxiliada pelo diafragma e músculos intercostais (localizados entre as costelas).
  • Seu sistema nervoso é o mais desenvolvido entre os animais.
  • No que diz respeito à reprodução, são dióicos, de fecundação interna, desenvolvimento direto, e a maioria é vivípara (a exceção são os monotremados, que são ovíparos).

Origem dos mamíferos: Acredita-se que surgiram há 225-230 milhões de anos, no período Triássico, a partir dos chamados répteis mamaliformes (mais especificamente os cinodontes). Os primeiros mamíferos eram animais pequenos, e como eram endotérmicos, tinham hábitos noturnos, período do dia em que os répteis, por serem ectotérmicos, estão menos ativos.

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.