ICAR – Os Apócrifos, “Deuterocanônicos”, da Bíblia Católica.

abril 13, 2007 às 1:02 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | 1 Comentário

Este texto é parte de um artigo maior sobre a igreja católica apostólica romana – ICAR. Por favor, você que é católico, pense bem sobre essas coisas, e creia-me, a idéia aqui foi ofender o mínimo possível.

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APÓCRIFOS

Maximiliano Mendes (Revisado por Rachel Bastos).


“Baruque escrevendo as profecias de Jeremias” – O “Baruque” do apócrifo deveria ter prestado mais atenção às palavras do Professor…

 

Neste caso, os apócrifos do Velho Testamento (VT) católico, 7 livros e 4 supostas partes de livros, que a ICAR “infalivelmente” declarou como sendo parte do cânon bíblico mais explicitamente em 1546, no Concílio de Trento. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria de Jesus ben Siraque (Eclesiástico), Sabedoria de Salomão, Baruque, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Acréscimos a Daniel, Acréscimos a Ester.

 

Os apócrifos, chamados deuterocanônicos (segundo cânon) pela ICAR, são livros religiosos utilizados por Cristãos e Judeus, de autoria desconhecida e que não fazem parte do cânon Judaico e da Igreja Cristã primitiva, pois não são inspirados. A Enciclopédia Britânica (Versão Eletrônica) os define como: “… várias versões Judaizadas de contos bem representados em outras culturas”. Foram introduzidos no cânon bem mais tarde. Em geral, os católicos argumentam que [RCEAD, cap 9]:

 

  • Alguns Cristãos antigos, considerados “pais da igreja” os consideravam inspirados, e alguns católicos argumentam que isso é evidência a favor do uso dos apócrifos.
    • Todavia, essas são apenas as opiniões errantes e não inspiradas deles. Se os escritos destes pais fossem considerados inerrantes e inspirados, é bem possível que fizessem parte do cânon do Novo Testamento (NT), com valor doutrinário, assim como as cartas de Paulo e outras cartas do NT.
  • Outros católicos ainda argumentam que tais livros eram lidos.
    • Isso tem tanto valor quanto se dizer que os livros de qualquer escritor Cristão são lidos hoje em dia. Uma coisa é ter valor devocional, outra coisa é ter autoridade doutrinária.
  • A Septuaginta, antiga tradução em grego do VT, continha a tradução dos apócrifos.
    • Grande coisa, A tradução alemã feita por Lutero também tinha.
    • Nem mesmo se sabe se as cópias mais antigas da Septuaginta os continham, pois os primeiros manuscritos gregos contendo estes livros datam do Século IV.
    • Nenhum manuscrito grego contém a lista completa de apócrifos aceita em Trento.
  • Mas no NT, alega-se que há citações sobre os apócrifos, e que estas citações eram da Septuaginta.
    • Em primeiro lugar, os autores do NT nunca citam os apócrifos (ou pelo menos o que se alega ser deles) como Escrituras Sagradas, nenhuma citação supostamente de materiais dos apócrifos começa com termos tipo: “Assim diz o Senhor”, “Está escrito”, ou “As Escrituras dizem”. O contrário acontece com as citações sobre os livros canônicos [RCEAD, cap 9, p 6]. Ainda sobre esse problema:
    • Apesar do fato dos escritores do NT citarem amplamente a Septuaginta, ao invés do VT Hebreu, não há um único caso bem definido de uma citação de qualquer um dos 14 livros apócrifos … O máximo que pode ser dito é que os escritores do NT mostram estar familiarizados com esses livros, e talvez se refiram a eles de forma indireta, mas de forma alguma os citam como Escrituras inspiradas ou como tendo autoridade. (Merrill F. Unger, Introductory Guide to the Old Testament, Grand Rapids: Zondervan, 1951, p. 101).
    • Veja mais: http://www.justforcatholics.org/a63.htm
    • * Hebreus 11:35 refere-se a 1 Reis 17:17-24 e 2 Reis 4:25-37, e não a 2 Macabeus 7:12.
  • Algumas catacumbas de Cristãos antigos mostram imagens e textos que faziam referências a eventos dos apócrifos.
    • Mas se você procurar direito nos cemitérios das redondezas, é bem possível que encontre tumbas misturando Chico Xavier com Jesus. Novamente, as opiniões dessas pessoas não eram inspiradas ou inerrantes.

 

O fato é que esses livros não preenchem o requisito para fazer parte do cânon do VT, que é o caráter profético. Os livros verdadeiramente canônicos comumente citam uns aos outros em seqüência, veja alguns exemplos [RCEAD, cap. 9, p.12]:

 

Os escritos de Moisés são citados por todo o VT, começando com seu sucessor imediato, Josué (Josué 1:7, 1 Reis 2:3, 2 Reis 14:6, 2 Crônicas 17:9, Esdras 6:18, Neemias 13:1, Jeremias 8:8 e Malaquias 4:4). De forma semelhante, os profetas posteriores citavam os anteriores (ex: Jeremias 26:18, Ezequiel 14:14-20, Daniel 9:2, Jonas 2:2-9, Miquéias 4:1-3). No NT, Paulo cita Lucas (1 Timóteo 5:18), Pedro reconhece as epístolas de Paulo (2 Pedro 3:15-16), e Judas 4-12 cita 2 Pedro. O Livro do Apocalipse é cheio de imagens e idéias tiradas de Escrituras anteriores, especialmente Daniel (ver Apocalipse 13).

 

Em 1 Macabeus 9:27 lê-se:

 

Israel caiu numa tribulação tão grande, como nunca tinha havido, desde que os profetas desapareceram.

 

Ou seja, o próprio livro admite não ser profético! E os apócrifos datam justamente deste tempo (400 A.C. até o nascimento de Jesus).

 

A ICAR favorece uma espécie de caráter baseado na utilização. De acordo com esse critério, o livro de John Bunyan, O Peregrino, poderia ser canônico e ter autoridade em termos de doutrina.

 

O mais importante de todos os aspectos negativos, é que esses livros apresentam erros confirmados. Se apresentam erros e fazem parte da Bíblia, isso significa que a Bíblia é errante. De acordo com o Dr. René Pache [FSCR, p.57-58]:

 

Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1 Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (ex: Sabedoria de Salomão), esses livros contêm lendas absurdas e banalidades, erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9:10-13). … Tobias … contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares … Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes … [em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão…

 

Além deste comentário, o Dr. Pache acrescenta [FSCR, p. 58 e 59]:

 

Por que, pois, Roma adotou uma posição tão diferente e atrevida? Porque, ao ser confrontada pelos reformadores, ela precisava de argumentos para justificar seus desvios antibíblicos. Ela declarou que os livros apócrifos apoiavam doutrinas como as orações pelos mortos (2 Macabeus 12:44); O sacrifício expiatório (que finalmente se transformou na missa, 2 Macabeus 12:39-46); dar esmolas com valor expiatório, o que também conduz ao livramento da morte (Tobias 12.9, 4:10); a invocação e a intercessão dos santos (2 Macabeus 15:14, Baruque 3:4); a adoração aos anjos (Tobias 12:12); o purgatório; e a redenção das almas depois da morte (2 Macabeus 12:42-46).

 

Vamos nos aprofundar um pouco mais nestes erros e analisar vários outros a seguir.

 

Fontes:

 

Eclesiástico 3:29-30 ensina que dar esmolas apaga os pecados:

 

29 A água apaga o fogo, e a esmola apaga os pecados. 30 Quem retribui com o bem armazena para o futuro, e no tempo de sua queda encontrará apoio.

 

Ainda neste tema, Tobias 12:9 diz:

 

A esmola livra da morte e purifica de todo pecado. Quem pratica esmola, terá vida longa.

 

De acordo com a Bíblia, antes de Jesus ser crucificado e ressuscitar, os pecados só eram perdoados com sacrifícios que envolviam SANGUE:

 

Levítico 17:11Pois a vida de todo ser vivente está no sangue. É por isso que Deus mandou que o sangue dos animais oferecidos como sacrifício fosse derramado no altar a fim de conseguir o perdão dos pecados do povo. Pois é o sangue, isto é, a vida, que tira os pecados.

 

Hebreus 9:22 – De fato, de acordo com a lei, quase tudo é purificado com sangue. E, não havendo derramamento de sangue, não há perdão de pecados.

 

O que acontece é que os apócrifos estão ensinando que as OBRAS podem salvar uma pessoa, exatamente o que a ICAR defende e a Bíblia não. E assim é feita a tentativa de defesa das doutrinas antibíblicas de Roma. Sobre este tema a Bíblia diz:

 

Gálatas 2:16 – Mas sabemos que todos são aceitos por Deus somente pela fé em Jesus Cristo e não por fazerem o que a lei manda. Assim nós também temos crido em Cristo Jesus a fim de sermos aceitos por Deus pela nossa fé em Cristo e não por fazermos o que a lei manda. Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda.

 

O Apóstolo Paulo também diz:

 

Gálatas 2:21 – Eu me recuso a rejeitar a graça de Deus. Pois, se é por meio da lei que as pessoas são aceitas por Deus, então a morte de Cristo não adiantou nada!

 

Então o Católico costuma rebater:

 

Tiago 2:26 – Portanto, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem ações [obras] está morta.

 

Infelizmente para o católico, Tiago está falando acerca da justificação de Abraão perante os homens (as obras como prova de que há fé), e não perante Deus (a fé como produtora de obras)! [MCB, pp. 533-534]. E como visto em Gálatas 2:21, se alguém pode ser salvo pelas obras, Jesus morreu na cruz pra quê? (Lembra que eu disse no começo que, para a ICAR, o sacrifício de Jesus não foi suficiente?)

OBS, Leia também: https://crentinho.wordpress.com/2007/12/13/somos-justificados-pela-fe-ou-pelas-obras/

 

Continuando com os erros…

 

Sabedoria de Salomão 8:19-2019 Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma, 20 ou melhor, sendo bom, vim a um corpo sem mancha.

 

Mancha ali, quer dizer sem pecados! Logo quem… Salomão! Mas isso não é o pior, o pior é que esse trecho ensina a doutrina errônea da pré-existência da alma (antes de se ter um corpo), sugerindo que seu corpo vai ser bom se sua alma o for (parece até coisa de espíritas). A palavra de Deus diz que a alma do homem é formada com ele no momento da concepção (ver Salmos 139:13-16 e Zacarias 12:1 – OBS: Conferir em várias traduções!).

 

Longevidade?

 

Tobit (pai de Tobias) viveu 112 anos (ver Tobias 1:3-5 e 14:2), todavia o apócrifo também alega que ele estava vivo durante o tempo em que Jeroboão se revoltou (931 A.C.) e também quando a Assíria conquistou Israel (722 A.C.), eventos separados por um intervalo de 209 anos! 112 é menor que 209…

 

Geopolítica?

 

Judite identifica Nabucodonosor como rei dos Assírios (Judite 1:1-7), quando na verdade ele era rei dos Babilônios (2 Reis 24:1).

 

Ainda em Judite é importante realçar outro erro. Em Gênesis 34 é relatado um ato de traição covarde por parte dos ladinos Simeão (pai da suposta Judite) e Levi, filhos de Jacó (Israel). Ato condenado por Jacó no fim deste mesmo capítulo, e também no capítulo 49 do livro de Gênesis, quando ele profetiza acerca do futuro de seus filhos. Todavia, no trecho em Judite 9:2-9, a suposta Judite mostra que aprendeu tudo errado com seu pai Simeão. Veja o que ela diz:

 

2 Senhor, Deus de meu pai Simeão, em cuja mão colocaste uma espada, para vingar-se dos estrangeiros que violentaram vergonhosamente uma jovem, tiraram suas roupas para a estuprar, e profanaram o seio dela para sua desonra. E tu havias dito: ‘Não façam isso’. Mas eles o fizeram. 3 Por isso, entregaste seus chefes à morte. E o leito deles, manchado pelo engano, pelo engano ficou ensangüentado. Feriste os servos junto com os chefes, e os chefes junto com seus servos. 4 Entregaste suas mulheres ao rapto e suas filhas à escravidão. Entregaste seus despojos à partilha, em proveito dos filhos que amavas, e que, ardendo de zelo por ti, abominaram a mancha do sangue deles e invocaram o teu socorro. Deus, meu Deus, ouve esta pobre viúva. 5 Tu fizeste o passado, e o que vem agora e o que virá depois. Tu projetas o presente e o futuro, e o que desejas acontece. 6 Teus projetos se apresentam e dizem: ‘Aqui estamos’. Pois teus caminhos estão todos preparados, e teus projetos foram feitos de antemão. 7 estão os assírios! Eles se apóiam em sua força, orgulhosos de seus cavalos e cavaleiros, e se gabam com a força de sua infantaria. Eles confiam no escudo e na lança, no arco e na funda, e não sabem que tu és o Senhor que acaba com as guerras. 8 Teu nome é: ‘o Senhor’! Quebra a força deles com teu poder, e, com tua cólera, despedaça o domínio deles. Porque decidiram profanar o teu santuário, manchar a tenda onde repousa o teu Nome glorioso e derrubar a ferro as pontas do teu altar. 9 Olha a soberba deles e descarrega tua ira em suas cabeças. força a esta viúva, para fazer aquilo que ela decidiu.

 

A pobre “Judite” estava achando que foi o próprio Deus quem providenciou o massacre.

 

De qualquer forma, os comentários da Bíblia católica dizem o seguinte sobre este livro:

 

A grande indiferença que este livro demonstra pela história e geografia indica que seu autor não pretende relatar fatos históricos concretos. Quer apenas compor uma história para encorajar o povo a resistir e lutar.

[http://www.paulus.com.br/BP/_PCU.HTM]

 

Cronologia?

 

Baruque 6:1-2 diz:

 

1 Por causa dos pecados que vocês cometeram contra Deus é que estão sendo levados prisioneiros para a Babilônia, sob as ordens do rei deles, Nabucodonosor. 2 Vocês chegarão à Babilônia, aí ficarão por muitos dias, um longo tempo, ou seja, durante sete gerações; depois disso, vou tirá-los daí em paz.

 

“Sete gerações”, ao passo que Jeremias 25:11 diz que seriam 70 anos! (O Baruque do apócrifo supostamente seria discípulo de Jeremias…).

 

Ainda de acordo com Jeremias, Nabucodonosor queimou Jerusalém no décimo dia do quinto mês, ou no ano 19 de seu reinado (Jeremias 52:12-13). Logo após isso, Jeremias e Baruque, foram levados para o Egito (Jeremias 43:6-7). Todavia, de acordo com os Apócrifos, novamente entrando em contradição com Jeremias, Baruque estava na Babilônia!

 

Baruque 1:1-21 Livro escrito por Baruc, filho de Nerias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Asadias, filho de Helcias, quando estava na Babilônia, 2 no sétimo dia do mês, no quinto ano da época em que os caldeus tomaram Jerusalém e a incendiaram.

 

Criação a partir da matéria, ao invés do nada!

 

Em Sabedoria de Salomão 11:17, lemos:

 

Para a tua mão onipotente, que da matéria informe [ex amorphou hyles] criou o mundo…

 

Esse trecho é brutal, pois contradiz a palavra do Senhor que diz a criação ter sido a partir do nada! (Gênesis 1:1, Salmos 33:6-9 e Hebreus 11:3). E em minha opinião, é um dos piores, se não o pior erro dos apócrifos.

 

OBS: Este “mundo” ali não é o planeta Terra, mas sim o Universo, veja de forma mais clara nesta tradução em língua inglesa: “For not without means was your almighty hand, that had fashioned the universe from formless matter” (Ο γρ πρει παντοδναμς σου χερ κα κτσασα τν κσμον ξ μρϕου λης) (Wisdom of Solomon 11:17 NAB).

 

Ainda sobre este trecho a Enciclopédia Judaica diz:

 

Os Judeus de Alexandria, sob a influência das idéias Platônicas e Neoplatônicas, entendiam que a criação tivesse sido efetuada através de agentes intermediários, embora ainda um ato da vontade divina. Embora a relação dos agentes com a divindade [Deus] não seja sempre bem definida, é possível considerá-los quase como sendo hipóstases/subdivindades, como se tivessem existência independente e vontade própria. A “sabedoria” divina (σοΦΊα) tem uma parte cooperativa na criação (Sabedoria 9:9). Apesar de os Palestinos (2 Macabeus 7:28) insistirem que tudo foi feito por Deus “a partir do nada” (ζ οκ ντων), Sabedoria 11:17 apresenta uma arquimatéria sem forma (λη), que o criador simplesmente ordenou.

[http://www.jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=853&letter=c]

E segundo a The International Standard Bible Encyclopedia:

Ele criou o mundo a partir da matéria informe (Sabedoria 11:17, a doutrina do Judaísmo de Alexandria). Ele não criou o mundo a partir do nada como o Velho Testamento (Gênesis 1:1) e mesmo [O apócrifo Sabedoria de Jesus ben] Siraque ensinam. A maior concepção de criação que o autor tem é a conversão do caos em cosmos. É a ordem e beleza do universo que impressionam o escritor, não o poder estupendo de se criar um universo a partir do nada (Sabedoria 11:20 e 13:3)

[http://www.searchgodsword.org/enc/isb/view.cgi?number=T9212]

 

 

 

 

Sobre a morte de Antíoco Epifânio, Rei da Síria, inimigo dos Judeus, 2 Macabeus se mata:

 

  • 2 Macabeus 1:13-163 De fato, o chefe deles foi para a Pérsia acompanhado de um exército que parecia invencível, mas que acabou destroçado no templo de Nanéia, através de uma cilada armada pelos sacerdotes da deusa. 14 Antíoco foi para esse lugar, junto com os amigos que o acompanhavam, pretendendo casar-se com a deusa, a fim de pegar as grandes riquezas que havia nesse lugar, a título de dote. 15 Os sacerdotes do templo de Nanéia lhe mostraram as riquezas, e ele entrou no recinto sagrado com alguns poucos companheiros. Logo que Antíoco entrou, os sacerdotes fecharam o templo, 16 abriram a porta secreta do forro e mataram o rei a pedradas. Esquartejaram o rei e jogaram a cabeça dele para os que estavam do lado de fora.
  • 2 Macabeus 9:19-29[a partir do 28, os versículos anteriores relatam que ele estava doente.] 28 E assim, esse assassino e blasfemo, entre dores atrozes, morreu nas montanhas, em terra estrangeira. Seu final foi desastroso, da mesma forma como ele havia tratado a outros. 29 Filipe, seu companheiro de infância, transportou seus restos. Mas, com medo do filho de Antíoco, Filipe foi para o Egito, para junto de Ptolomeu Filométor.

 

E o pior é que nos comentários da Bíblia católica, que podem ser acessados aqui: http://www.paulus.com.br/BP/_PE4.HTM, está escrito que o primeiro trecho faz parte de um pedaço que “mistura acontecimentos históricos com elementos lendários”. Sem mais.

 

Existem ainda mais erros, incrível não? Mas vou parar por aqui, acho que já deu pra passar a idéia.

 

Lembrando que estamos falando de erros, e não de supostas contradições bíblicas. Ou seja, se os apócrifos erram e foram adicionados ao cânon, a ICAR fez o favor de exterminar a inerrância Bíblica e, por conseguinte, a si mesma, pois alega que seu magistério é infalível! Não é preciso alongar mais este ponto, só deixar claro que estes livros foram considerados canônicos pelo Concílio de Trento, para que fosse possível justificar algumas das doutrinas antibíblicas de Roma.

 

O leitor pode se perguntar: Mas será que esses livros são realmente autoritários para a ICAR? A resposta é sim: Apesar do nome, “segundo cânon”, estes livros têm total status canônico. De acordo com Trento e o CVII [RCEAD, cap. 9, p. 3]:

 

Entretanto, se alguém não aceitar os ditos livros como sagrados e canônicos, inteiros e com todas as partes … e se de forma propositada condenar a tradição mencionada anteriormente, que seja anátema. (Denzinger, Sources of Catholic Dogma, 784, p. 245. / Documents of Vatican II, “Document on Revelation,” chap. 3: “The Divine Inspiration and the Interpretation of Sacred Scripture.”).

Alguns católicos alegam que a lista de livros apócrifos enunciada no início desta seção, considerada como canônica no Concílio de Trento, na verdade já era reconhecida, e essa lista foi apenas reafirmada neste Concílio. Eles alegam que alguns Concílios anteriores, diga-se de passagem, concílios locais, como o de Roma em 382, o de Hipona em 393, e o de Cartago em 397 já os haviam declarados canônicos.

 

A resposta para essa alegação é simples.

 

Referimo-nos ao Concílio de Trento, pois ele nos dá “a definição mais explícita do cânon católico” (http://www.newadvent.org/cathen/03267a.htm).

 

Além do mais, existe uma disputa sobre este tema:

 

  • Sabe-se que o Concílio de Roma não incluiu o livro de Baruque [Denzinger, Sources of Catholic Dogma, 84, p. 34]).
  • De acordo com o Cardeal Caetano, o cânon tinha livros protocanônicos, com autoridade doutrinária (que são, na verdade, os livros do cânon protestante atual), e outros, deuterocanônicos (os apócrifos), com valor apenas devocional. E essa era a idéia de Agostinho de Hipona e do Concílio de Cartago. (Cardinal Cajetan, “Commentary on all the Authentic Historical Books of the Old Testament,” cited by William Whitaker in “A Disputation on Holy Scripture,” Cambridge:Parker Society (1849), p. 424). [http://www.jesus-is-savior.com/False%20Religions/Roman%20Catholicism/rcc16-apocrypha.htm].

Contudo, mesmo que a lista do Concílio de Roma fosse idêntica a de Trento, o fato é que a ICAR considera canônicos, livros não inspirados e cheios de erros, e assim destrói a inerrância da Bíblia. O que nem de longe resolve o problema para eles. Trento conferiu erroneamente o status canônico total a estes “deuterocanônicos” em resposta à disputa contra Lutero, sinceramente, isso é muito óbvio (veja mais aqui: http://www.newadvent.org/cathen/03267a.htm).

 

Concluindo esta seção:

 

Pois muito bem, o problema para você católico é o seguinte: Ou você acredita nos erros dos apócrifos, o que é difícil demais! Ou você acredita na inerrância da Bíblia, a palavra de Deus, e, portanto, é anátema. Se o seu caso for a segunda opção, não tem pra que continuar freqüentando a ICAR, bem vindo ao Cristianismo Bíblico.

*Veja a seguir alguns vídeos discutindo mais sobre o tema:

 

Este artigo é baseado nos livros:

 

 

Continua…

 

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