ANATOMIA VEGETAL

abril 16, 2007 às 10:23 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em ANATOMIA VEGETAL

ANATOMIA VEGETAL

Mais especificamente das angiospermas. É importante que você confira as figuras do seu livro, para observar de forma mais clara a disposição dos tecidos vegetais nos órgãos das plantas (como as disposições dos feixes vasculares em monocotiledôneas e dicotiledôneas), além de ver também, os tipos de raízes, caules, folhas e frutos, que eu omiti neste resumo.

O corpo das plantas vasculares é dividido em três partes básicas:

  • RAIZ: Órgão geralmente subterrâneo, cujas funções básicas são fixar o vegetal no solo, e deste, absorver água e sais minerais. Apresenta 4 regiões:

    • Zona de multiplicação celular: Contém um MERISTEMA, tecido constituído de células indiferenciadas, que se multiplicam continuamente e promovem o crescimento do órgão, e cujas células podem se diferenciar em outros tecidos posteriormente. Este meristema é recoberto e protegido por uma capa chamada COIFA.

    • Zona de alongamento: Principal responsável pelo crescimento em comprimento da raiz (aqui as células não se multiplicam, apenas se alongam).

    • Zona pilífera: Sua epiderme apresenta PÊLOS ABSORVENTES, responsáveis pela absorção da água e sais minerais.

    • Zona de ramificação: De onde partem raízes secundárias, originadas a partir do periciclo.

  • FOLHAS: Órgãos geralmente em forma de lâmina cuja função primordial é realizar fotossíntese. As partes básicas de uma folha são:

    • Limbo: Parte laminar.

    • Pecíolo: Pedúnculo que liga o limbo ao caule.

    • Bainha: Extensão da base da folha, que envolve o caule.

    • Estípulas: Apêndices presentes na base da folha.

  • CAULE: Órgão geralmente localizado acima do solo, e de crescimento vertical em relação ao solo, cujas funções são sustentar as folhas em uma posição favorável à absorção de luz e transportar seiva (através dos tecidos condutores, xilema e floema).

    • Assim como a raiz, o caule também apresenta meristemas chamados GEMAS:

      • Gemas apicais: Localizadas nas pontas do caule e dos ramos. Responsáveis pelo crescimento em extensão.

      • Gemas laterais: Geralmente permanecem inativas, mas eventualmente podem entrar em atividade e originar ramos laterais.

Além destas partes básicas, vejamos também as flores e frutos (de angiospermas):

FLORES: Estruturas constituídas a partir de ramos e folhas modificadas, com funções reprodutivas (pois é nas flores que estão localizados os esporângios, e é nas flores que ocorre a fecundação – Reveja o ciclo de vida de uma angiosperma). A flor é constituída por uma haste que termina em um pedúnculo, este por sua vez, apresenta uma extremidade dilatada (receptáculo floral), que sustenta um conjunto de folhas especializadas com funções relacionadas à reprodução, os verticilos florais. Os elementos florais e o nome dos verticilos que eles constituem são listados a seguir:

Estames e Carpelos são os ESPORÓFILOS, as folhas que abrigam os esporângios:

  • ESTAMES: São microsporófilos formados pelo filete, uma haste que sustenta uma estrutura chamada antera, que por sua vez abriga microsporângios denominados sacos polínicos. A antera é unida ao filete por um tecido denominado conectivo. Ao conjunto de estames dá-se o nome ANDROCEU.

  • CARPELOS: São macroesporófilos formados pelo ovário (base, que abriga os macrosporângios, os óvulos), estilete (porção alongada que serve de substrato para o crescimento do tubo polínico), e a porção dilatada do estilete, chamada estigma (onde os grãos de pólen se aderem). Ao conjunto de carpelos dá-se o nome GINECEU. Obs: Os carpelos (ou o único carpelo) forma uma estrutura denominada PISTILO, que recebe este nome por ser semelhante à uma mão de pilão.

Pétalas e Sépalas constituem o PERIANTO:

  • SÉPALAS: Folhas verdes, estéreis, com função de proteção de outros verticilos. Constituem o CÁLICE.

  • PÉTALAS: Folhas geralmente de coloração diferente do verde, devido à presença de pigmentos. As cores das pétalas, assim como a presença de substâncias produzidas por elas, como o néctar, têm o objetivo de tornar a flor mais atrativa aos agentes polinizadores, como insetos, aves e morcegos.

Caso as pétalas sejam iguais às sépalas de forma que não se pode diferenciá-las, o perianto passa a ser chamado PERIGÔNIO, e as pétalas e sépalas passam a ser chamadas TÉPALAS. Além das sépalas, pode haver a presença de uma outra folha modificada com a função de proteção da flor ou de uma inflorescência, a BRÁCTEA (a palha da espiga de milho é uma bráctea).

FRUTO: Estrutura proveniente do desenvolvimento do ovário após a fecundação. É constituído pela semente (proveniente do desenvolvimento do óvulo) mais um conjunto de três camadas que a recobrem, denominado PERICARPO, e proveniente da parede do ovário. O pericarpo é constituído de três camadas, de fora para dentro: Epicarpo, Mesocarpo (geralmente é a porção comestível dos frutos) e Endocarpo.

OBSERVAÇÃO:

  • Inflorescência: Grupo de duas ou mais flores na mesma haste ou pedúnculo.

  • Infrutescências: Resultado da fecundação das flores de uma inflorescência.

  • Pseudofrutos: Dá-se este nome às partes comestíveis da “fruta”, que não são resultantes do desenvolvimento do ovário, o verdadeiro fruto.

HISTOLOGIA VEGETAL

De forma geral, temos de estudar este assunto tendo em mente que as plantas apresentam dois tipos de crescimento, baseados no tipo de tecido responsável pela multiplicação celular:

  • Crescimento primário: O crescimento em espessura cessa quando os meristemas primários amadurecem. Resulta da multiplicação das células dos meristemas apicais, e a planta cresce basicamente em comprimento. É mais típico de plantas monocotiledôneas.

  • Crescimento secundário: Crescimento em espessura que continua mesmo após o amadurecimento dos meristemas primários. Resulta da multiplicação das células dos meristemas laterais. A maioria das gimnospermas e dicotiledôneas apresenta crescimento secundário.

Vejamos então a seguir, os tipos básicos de tecidos vegetais:

  • TECIDOS DE REVESTIMENTO:

    • Epiderme: Camada uniestratificada de células que revestem as plantas jovens e as folhas. Estas células não possuem cloroplastos, e secretam substâncias impermeabilizantes (são lipídios que formam uma cera) na superfície da folha, a cutícula. Na face de baixo das folhas a epiderme apresenta aberturas denominadas ESTÔMATOS, cuja função é controlar a entrada e saída de água e gases (O2 e CO2) da planta, ao se abrirem ou fecharem.

    • Periderme: Substitui a epiderme das raízes e caules, na medida em que a planta se desenvolve (*mas não é originada pela epiderme!). É a parte externa da casca (periderme mais floema), composta de três camadas de tecidos (do externo para o interno):

      • Súber: Tecido mais externo, constituído de células mortas, cujas paredes celulares são impregnadas por uma substância impermeabilizante chamada suberina. O súber apresenta pequenas protuberâncias, que na verdade são aberturas chamadas LENTICELAS, que permitem trocas gasosas.

      • Felogênio: Meristema que origina a periderme (origina o súber e a feloderme).

      • Feloderme: Constituído de células vivas.

      • OBS: Em algumas plantas, a periderme morre e é substituída por outra. A periderme morta, despregando-se da planta, é chamada RITIDOMA (comum em goiabeiras).

  • TECIDOS DE PREENCHIMENTO: Também chamados parênquimas. Simplesmente preenchem os espaços internos das plantas, mas podem realizar outras funções. Exemplos de parênquimas:

    • Clorofiliano: Preenche o interior das folhas, e é constituído de células fotossintetizantes.

    • Amilífero: Armazena amido (batata e mandioca).

    • Aqüífero: Armazena água (plantas desérticas).

    • Aerífero: Funciona como uma bóia e permite a flutuação.

  • TECIDOS DE SUSTENTAÇÃO: Sustentam o corpo do vegetal.

    • Colênquima: Formado por células vivas, capazes de se alongar.

    • Esclerênquima: Formado por células mortas, cujas paredes estão impregnadas da substância lignina.

    • *Xilema (veja a seguir).

  • TECIDOS CONDUTORES DE SEIVA:

    • Xilema (lenho): Responsável pela condução da seiva bruta, das raízes até as folhas. A seiva bruta é constituída de água e sais minerais extraídos do solo pela raiz. O xilema é constituído por dois tipos de células: as traqueídes e os elementos de vaso, ambas são mortas, ocas, cujas paredes são reforçadas por lignina (o que confere função de sustentação do vegetal) e apresentam poros através dos quais a seiva bruta flui para as células adjacentes. (Gimnospermas apresentam apenas traqueídes).

    • Floema (líber): Responsável pela condução da seiva elaborada, das folhas para as outras partes da planta. A seiva elaborada é uma solução de substâncias orgânicas produzidas nas folhas graças à fotossíntese. O floema é constituído por dois tipos de células: Os elementos de tubo crivado, células vivas e anucleadas que se comunicam com as células adjacentes via poros (plasmodesmos). As regiões dos poros são chamadas de placas crivadas, crivo é o nome daquela parte do chuveiro cheia de buracos, por onde a água sai ;). Além destas, temos também as células companheiras, vivas e nucleadas, associadas aos elementos de tubo crivado, cuja função é fornecer a elas as substâncias necessárias ao seu funcionamento.

  • TECIDOS MERISTEMÁTICOS: São tecidos indiferenciados cujas células se multiplicam constantemente por mitose, e originam os outros tipos de células e tecidos das plantas.

    • Meristemas primários: São os que descendem diretamente dos meristemas do embrião (meristemas apicais do caule e raiz).

    • Meristemas secundários: São os originados a partir da desdiferenciação de tecidos adultos, por exemplo, o felogênio da periderme e o câmbio vascular.

A tabela a seguir mostra a origem e desenvolvimento dos tecidos vegetais:

Estrutura interna dos órgãos das plantas

Os caules e raízes, de forma geral, apresentam os tecidos dispostos de forma concêntrica. Veremos a seguir a disposição nos órgãos principais, indicando as transições jovem (Crescimento primário) > adulto (Crescimento secundário), das camadas mais externas para as mais internas (lembrando: a casca é formada pela periderme mais floema):

  • RAIZ

    • Jovem:

      • Epiderme

      • Parênquima cortical

      • Endoderme (As células são mantidas unidas por reforços chamados estrias de Caspary, que conferem impermeabilização – As substâncias que transitam entre o córtex e o cilindro central, devem passar pelo interior das células da endoderme).

      • Periciclo: Suas células podem se desdiferenciar e originar um novo meristema, do qual se originam as raízes secundárias.

      • Cilindro central: Floema primário, Câmbio (origina o floema e o xilema) e Xilema primário.

    • Adulta:

      • Súber

      • Felogênio

      • Feloderme

      • Floema secundário

      • Câmbio (Origina o xilema e o floema)

      • Xilema secundário

  • CAULE

    • Jovem:

      • Epiderme

      • Parênquima cortical

      • Floema primário

      • Câmbio

      • Xilema primário

      • Medula

    • Adulto:

      • Súber

      • Felogênio

      • Feloderme

      • Floema secundário

      • Câmbio

      • Xilema secundário (Alburno – vivo / Cerne – morto, ocupa a medula.). Basicamente, a madeira é o xilema secundário.

      • Medula

  • FOLHAS

    • Epiderme

    • Mesófilo (parênquima clorofiliano): Constituído de parênquima paliçádico e lacunoso.

    • Nervuras foliares: Constituídas dos feixes liberolenhosos, o xilema e floema recobertos por células da bainha do feixe, e às vezes também por fibras esclerenquimáticas.

    • *As folhas não apresentam meristemas secundários, e, portanto, não apresentam crescimento secundário.

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ICAR – Os Apócrifos, “Deuterocanônicos”, da Bíblia Católica.

abril 13, 2007 às 1:02 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | 1 Comentário

Este texto é parte de um artigo maior sobre a igreja católica apostólica romana – ICAR. Por favor, você que é católico, pense bem sobre essas coisas, e creia-me, a idéia aqui foi ofender o mínimo possível.

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APÓCRIFOS

Maximiliano Mendes (Revisado por Rachel Bastos).


“Baruque escrevendo as profecias de Jeremias” – O “Baruque” do apócrifo deveria ter prestado mais atenção às palavras do Professor…

 

Neste caso, os apócrifos do Velho Testamento (VT) católico, 7 livros e 4 supostas partes de livros, que a ICAR “infalivelmente” declarou como sendo parte do cânon bíblico mais explicitamente em 1546, no Concílio de Trento. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria de Jesus ben Siraque (Eclesiástico), Sabedoria de Salomão, Baruque, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Acréscimos a Daniel, Acréscimos a Ester.

 

Os apócrifos, chamados deuterocanônicos (segundo cânon) pela ICAR, são livros religiosos utilizados por Cristãos e Judeus, de autoria desconhecida e que não fazem parte do cânon Judaico e da Igreja Cristã primitiva, pois não são inspirados. A Enciclopédia Britânica (Versão Eletrônica) os define como: “… várias versões Judaizadas de contos bem representados em outras culturas”. Foram introduzidos no cânon bem mais tarde. Em geral, os católicos argumentam que [RCEAD, cap 9]:

 

  • Alguns Cristãos antigos, considerados “pais da igreja” os consideravam inspirados, e alguns católicos argumentam que isso é evidência a favor do uso dos apócrifos.
    • Todavia, essas são apenas as opiniões errantes e não inspiradas deles. Se os escritos destes pais fossem considerados inerrantes e inspirados, é bem possível que fizessem parte do cânon do Novo Testamento (NT), com valor doutrinário, assim como as cartas de Paulo e outras cartas do NT.
  • Outros católicos ainda argumentam que tais livros eram lidos.
    • Isso tem tanto valor quanto se dizer que os livros de qualquer escritor Cristão são lidos hoje em dia. Uma coisa é ter valor devocional, outra coisa é ter autoridade doutrinária.
  • A Septuaginta, antiga tradução em grego do VT, continha a tradução dos apócrifos.
    • Grande coisa, A tradução alemã feita por Lutero também tinha.
    • Nem mesmo se sabe se as cópias mais antigas da Septuaginta os continham, pois os primeiros manuscritos gregos contendo estes livros datam do Século IV.
    • Nenhum manuscrito grego contém a lista completa de apócrifos aceita em Trento.
  • Mas no NT, alega-se que há citações sobre os apócrifos, e que estas citações eram da Septuaginta.
    • Em primeiro lugar, os autores do NT nunca citam os apócrifos (ou pelo menos o que se alega ser deles) como Escrituras Sagradas, nenhuma citação supostamente de materiais dos apócrifos começa com termos tipo: “Assim diz o Senhor”, “Está escrito”, ou “As Escrituras dizem”. O contrário acontece com as citações sobre os livros canônicos [RCEAD, cap 9, p 6]. Ainda sobre esse problema:
    • Apesar do fato dos escritores do NT citarem amplamente a Septuaginta, ao invés do VT Hebreu, não há um único caso bem definido de uma citação de qualquer um dos 14 livros apócrifos … O máximo que pode ser dito é que os escritores do NT mostram estar familiarizados com esses livros, e talvez se refiram a eles de forma indireta, mas de forma alguma os citam como Escrituras inspiradas ou como tendo autoridade. (Merrill F. Unger, Introductory Guide to the Old Testament, Grand Rapids: Zondervan, 1951, p. 101).
    • Veja mais: http://www.justforcatholics.org/a63.htm
    • * Hebreus 11:35 refere-se a 1 Reis 17:17-24 e 2 Reis 4:25-37, e não a 2 Macabeus 7:12.
  • Algumas catacumbas de Cristãos antigos mostram imagens e textos que faziam referências a eventos dos apócrifos.
    • Mas se você procurar direito nos cemitérios das redondezas, é bem possível que encontre tumbas misturando Chico Xavier com Jesus. Novamente, as opiniões dessas pessoas não eram inspiradas ou inerrantes.

 

O fato é que esses livros não preenchem o requisito para fazer parte do cânon do VT, que é o caráter profético. Os livros verdadeiramente canônicos comumente citam uns aos outros em seqüência, veja alguns exemplos [RCEAD, cap. 9, p.12]:

 

Os escritos de Moisés são citados por todo o VT, começando com seu sucessor imediato, Josué (Josué 1:7, 1 Reis 2:3, 2 Reis 14:6, 2 Crônicas 17:9, Esdras 6:18, Neemias 13:1, Jeremias 8:8 e Malaquias 4:4). De forma semelhante, os profetas posteriores citavam os anteriores (ex: Jeremias 26:18, Ezequiel 14:14-20, Daniel 9:2, Jonas 2:2-9, Miquéias 4:1-3). No NT, Paulo cita Lucas (1 Timóteo 5:18), Pedro reconhece as epístolas de Paulo (2 Pedro 3:15-16), e Judas 4-12 cita 2 Pedro. O Livro do Apocalipse é cheio de imagens e idéias tiradas de Escrituras anteriores, especialmente Daniel (ver Apocalipse 13).

 

Em 1 Macabeus 9:27 lê-se:

 

Israel caiu numa tribulação tão grande, como nunca tinha havido, desde que os profetas desapareceram.

 

Ou seja, o próprio livro admite não ser profético! E os apócrifos datam justamente deste tempo (400 A.C. até o nascimento de Jesus).

 

A ICAR favorece uma espécie de caráter baseado na utilização. De acordo com esse critério, o livro de John Bunyan, O Peregrino, poderia ser canônico e ter autoridade em termos de doutrina.

 

O mais importante de todos os aspectos negativos, é que esses livros apresentam erros confirmados. Se apresentam erros e fazem parte da Bíblia, isso significa que a Bíblia é errante. De acordo com o Dr. René Pache [FSCR, p.57-58]:

 

Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1 Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (ex: Sabedoria de Salomão), esses livros contêm lendas absurdas e banalidades, erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9:10-13). … Tobias … contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares … Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes … [em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão…

 

Além deste comentário, o Dr. Pache acrescenta [FSCR, p. 58 e 59]:

 

Por que, pois, Roma adotou uma posição tão diferente e atrevida? Porque, ao ser confrontada pelos reformadores, ela precisava de argumentos para justificar seus desvios antibíblicos. Ela declarou que os livros apócrifos apoiavam doutrinas como as orações pelos mortos (2 Macabeus 12:44); O sacrifício expiatório (que finalmente se transformou na missa, 2 Macabeus 12:39-46); dar esmolas com valor expiatório, o que também conduz ao livramento da morte (Tobias 12.9, 4:10); a invocação e a intercessão dos santos (2 Macabeus 15:14, Baruque 3:4); a adoração aos anjos (Tobias 12:12); o purgatório; e a redenção das almas depois da morte (2 Macabeus 12:42-46).

 

Vamos nos aprofundar um pouco mais nestes erros e analisar vários outros a seguir.

 

Fontes:

 

Eclesiástico 3:29-30 ensina que dar esmolas apaga os pecados:

 

29 A água apaga o fogo, e a esmola apaga os pecados. 30 Quem retribui com o bem armazena para o futuro, e no tempo de sua queda encontrará apoio.

 

Ainda neste tema, Tobias 12:9 diz:

 

A esmola livra da morte e purifica de todo pecado. Quem pratica esmola, terá vida longa.

 

De acordo com a Bíblia, antes de Jesus ser crucificado e ressuscitar, os pecados só eram perdoados com sacrifícios que envolviam SANGUE:

 

Levítico 17:11Pois a vida de todo ser vivente está no sangue. É por isso que Deus mandou que o sangue dos animais oferecidos como sacrifício fosse derramado no altar a fim de conseguir o perdão dos pecados do povo. Pois é o sangue, isto é, a vida, que tira os pecados.

 

Hebreus 9:22 – De fato, de acordo com a lei, quase tudo é purificado com sangue. E, não havendo derramamento de sangue, não há perdão de pecados.

 

O que acontece é que os apócrifos estão ensinando que as OBRAS podem salvar uma pessoa, exatamente o que a ICAR defende e a Bíblia não. E assim é feita a tentativa de defesa das doutrinas antibíblicas de Roma. Sobre este tema a Bíblia diz:

 

Gálatas 2:16 – Mas sabemos que todos são aceitos por Deus somente pela fé em Jesus Cristo e não por fazerem o que a lei manda. Assim nós também temos crido em Cristo Jesus a fim de sermos aceitos por Deus pela nossa fé em Cristo e não por fazermos o que a lei manda. Pois ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda.

 

O Apóstolo Paulo também diz:

 

Gálatas 2:21 – Eu me recuso a rejeitar a graça de Deus. Pois, se é por meio da lei que as pessoas são aceitas por Deus, então a morte de Cristo não adiantou nada!

 

Então o Católico costuma rebater:

 

Tiago 2:26 – Portanto, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem ações [obras] está morta.

 

Infelizmente para o católico, Tiago está falando acerca da justificação de Abraão perante os homens (as obras como prova de que há fé), e não perante Deus (a fé como produtora de obras)! [MCB, pp. 533-534]. E como visto em Gálatas 2:21, se alguém pode ser salvo pelas obras, Jesus morreu na cruz pra quê? (Lembra que eu disse no começo que, para a ICAR, o sacrifício de Jesus não foi suficiente?)

OBS, Leia também: https://crentinho.wordpress.com/2007/12/13/somos-justificados-pela-fe-ou-pelas-obras/

 

Continuando com os erros…

 

Sabedoria de Salomão 8:19-2019 Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma, 20 ou melhor, sendo bom, vim a um corpo sem mancha.

 

Mancha ali, quer dizer sem pecados! Logo quem… Salomão! Mas isso não é o pior, o pior é que esse trecho ensina a doutrina errônea da pré-existência da alma (antes de se ter um corpo), sugerindo que seu corpo vai ser bom se sua alma o for (parece até coisa de espíritas). A palavra de Deus diz que a alma do homem é formada com ele no momento da concepção (ver Salmos 139:13-16 e Zacarias 12:1 – OBS: Conferir em várias traduções!).

 

Longevidade?

 

Tobit (pai de Tobias) viveu 112 anos (ver Tobias 1:3-5 e 14:2), todavia o apócrifo também alega que ele estava vivo durante o tempo em que Jeroboão se revoltou (931 A.C.) e também quando a Assíria conquistou Israel (722 A.C.), eventos separados por um intervalo de 209 anos! 112 é menor que 209…

 

Geopolítica?

 

Judite identifica Nabucodonosor como rei dos Assírios (Judite 1:1-7), quando na verdade ele era rei dos Babilônios (2 Reis 24:1).

 

Ainda em Judite é importante realçar outro erro. Em Gênesis 34 é relatado um ato de traição covarde por parte dos ladinos Simeão (pai da suposta Judite) e Levi, filhos de Jacó (Israel). Ato condenado por Jacó no fim deste mesmo capítulo, e também no capítulo 49 do livro de Gênesis, quando ele profetiza acerca do futuro de seus filhos. Todavia, no trecho em Judite 9:2-9, a suposta Judite mostra que aprendeu tudo errado com seu pai Simeão. Veja o que ela diz:

 

2 Senhor, Deus de meu pai Simeão, em cuja mão colocaste uma espada, para vingar-se dos estrangeiros que violentaram vergonhosamente uma jovem, tiraram suas roupas para a estuprar, e profanaram o seio dela para sua desonra. E tu havias dito: ‘Não façam isso’. Mas eles o fizeram. 3 Por isso, entregaste seus chefes à morte. E o leito deles, manchado pelo engano, pelo engano ficou ensangüentado. Feriste os servos junto com os chefes, e os chefes junto com seus servos. 4 Entregaste suas mulheres ao rapto e suas filhas à escravidão. Entregaste seus despojos à partilha, em proveito dos filhos que amavas, e que, ardendo de zelo por ti, abominaram a mancha do sangue deles e invocaram o teu socorro. Deus, meu Deus, ouve esta pobre viúva. 5 Tu fizeste o passado, e o que vem agora e o que virá depois. Tu projetas o presente e o futuro, e o que desejas acontece. 6 Teus projetos se apresentam e dizem: ‘Aqui estamos’. Pois teus caminhos estão todos preparados, e teus projetos foram feitos de antemão. 7 estão os assírios! Eles se apóiam em sua força, orgulhosos de seus cavalos e cavaleiros, e se gabam com a força de sua infantaria. Eles confiam no escudo e na lança, no arco e na funda, e não sabem que tu és o Senhor que acaba com as guerras. 8 Teu nome é: ‘o Senhor’! Quebra a força deles com teu poder, e, com tua cólera, despedaça o domínio deles. Porque decidiram profanar o teu santuário, manchar a tenda onde repousa o teu Nome glorioso e derrubar a ferro as pontas do teu altar. 9 Olha a soberba deles e descarrega tua ira em suas cabeças. força a esta viúva, para fazer aquilo que ela decidiu.

 

A pobre “Judite” estava achando que foi o próprio Deus quem providenciou o massacre.

 

De qualquer forma, os comentários da Bíblia católica dizem o seguinte sobre este livro:

 

A grande indiferença que este livro demonstra pela história e geografia indica que seu autor não pretende relatar fatos históricos concretos. Quer apenas compor uma história para encorajar o povo a resistir e lutar.

[http://www.paulus.com.br/BP/_PCU.HTM]

 

Cronologia?

 

Baruque 6:1-2 diz:

 

1 Por causa dos pecados que vocês cometeram contra Deus é que estão sendo levados prisioneiros para a Babilônia, sob as ordens do rei deles, Nabucodonosor. 2 Vocês chegarão à Babilônia, aí ficarão por muitos dias, um longo tempo, ou seja, durante sete gerações; depois disso, vou tirá-los daí em paz.

 

“Sete gerações”, ao passo que Jeremias 25:11 diz que seriam 70 anos! (O Baruque do apócrifo supostamente seria discípulo de Jeremias…).

 

Ainda de acordo com Jeremias, Nabucodonosor queimou Jerusalém no décimo dia do quinto mês, ou no ano 19 de seu reinado (Jeremias 52:12-13). Logo após isso, Jeremias e Baruque, foram levados para o Egito (Jeremias 43:6-7). Todavia, de acordo com os Apócrifos, novamente entrando em contradição com Jeremias, Baruque estava na Babilônia!

 

Baruque 1:1-21 Livro escrito por Baruc, filho de Nerias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Asadias, filho de Helcias, quando estava na Babilônia, 2 no sétimo dia do mês, no quinto ano da época em que os caldeus tomaram Jerusalém e a incendiaram.

 

Criação a partir da matéria, ao invés do nada!

 

Em Sabedoria de Salomão 11:17, lemos:

 

Para a tua mão onipotente, que da matéria informe [ex amorphou hyles] criou o mundo…

 

Esse trecho é brutal, pois contradiz a palavra do Senhor que diz a criação ter sido a partir do nada! (Gênesis 1:1, Salmos 33:6-9 e Hebreus 11:3). E em minha opinião, é um dos piores, se não o pior erro dos apócrifos.

 

OBS: Este “mundo” ali não é o planeta Terra, mas sim o Universo, veja de forma mais clara nesta tradução em língua inglesa: “For not without means was your almighty hand, that had fashioned the universe from formless matter” (Ο γρ πρει παντοδναμς σου χερ κα κτσασα τν κσμον ξ μρϕου λης) (Wisdom of Solomon 11:17 NAB).

 

Ainda sobre este trecho a Enciclopédia Judaica diz:

 

Os Judeus de Alexandria, sob a influência das idéias Platônicas e Neoplatônicas, entendiam que a criação tivesse sido efetuada através de agentes intermediários, embora ainda um ato da vontade divina. Embora a relação dos agentes com a divindade [Deus] não seja sempre bem definida, é possível considerá-los quase como sendo hipóstases/subdivindades, como se tivessem existência independente e vontade própria. A “sabedoria” divina (σοΦΊα) tem uma parte cooperativa na criação (Sabedoria 9:9). Apesar de os Palestinos (2 Macabeus 7:28) insistirem que tudo foi feito por Deus “a partir do nada” (ζ οκ ντων), Sabedoria 11:17 apresenta uma arquimatéria sem forma (λη), que o criador simplesmente ordenou.

[http://www.jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=853&letter=c]

E segundo a The International Standard Bible Encyclopedia:

Ele criou o mundo a partir da matéria informe (Sabedoria 11:17, a doutrina do Judaísmo de Alexandria). Ele não criou o mundo a partir do nada como o Velho Testamento (Gênesis 1:1) e mesmo [O apócrifo Sabedoria de Jesus ben] Siraque ensinam. A maior concepção de criação que o autor tem é a conversão do caos em cosmos. É a ordem e beleza do universo que impressionam o escritor, não o poder estupendo de se criar um universo a partir do nada (Sabedoria 11:20 e 13:3)

[http://www.searchgodsword.org/enc/isb/view.cgi?number=T9212]

 

 

 

 

Sobre a morte de Antíoco Epifânio, Rei da Síria, inimigo dos Judeus, 2 Macabeus se mata:

 

  • 2 Macabeus 1:13-163 De fato, o chefe deles foi para a Pérsia acompanhado de um exército que parecia invencível, mas que acabou destroçado no templo de Nanéia, através de uma cilada armada pelos sacerdotes da deusa. 14 Antíoco foi para esse lugar, junto com os amigos que o acompanhavam, pretendendo casar-se com a deusa, a fim de pegar as grandes riquezas que havia nesse lugar, a título de dote. 15 Os sacerdotes do templo de Nanéia lhe mostraram as riquezas, e ele entrou no recinto sagrado com alguns poucos companheiros. Logo que Antíoco entrou, os sacerdotes fecharam o templo, 16 abriram a porta secreta do forro e mataram o rei a pedradas. Esquartejaram o rei e jogaram a cabeça dele para os que estavam do lado de fora.
  • 2 Macabeus 9:19-29[a partir do 28, os versículos anteriores relatam que ele estava doente.] 28 E assim, esse assassino e blasfemo, entre dores atrozes, morreu nas montanhas, em terra estrangeira. Seu final foi desastroso, da mesma forma como ele havia tratado a outros. 29 Filipe, seu companheiro de infância, transportou seus restos. Mas, com medo do filho de Antíoco, Filipe foi para o Egito, para junto de Ptolomeu Filométor.

 

E o pior é que nos comentários da Bíblia católica, que podem ser acessados aqui: http://www.paulus.com.br/BP/_PE4.HTM, está escrito que o primeiro trecho faz parte de um pedaço que “mistura acontecimentos históricos com elementos lendários”. Sem mais.

 

Existem ainda mais erros, incrível não? Mas vou parar por aqui, acho que já deu pra passar a idéia.

 

Lembrando que estamos falando de erros, e não de supostas contradições bíblicas. Ou seja, se os apócrifos erram e foram adicionados ao cânon, a ICAR fez o favor de exterminar a inerrância Bíblica e, por conseguinte, a si mesma, pois alega que seu magistério é infalível! Não é preciso alongar mais este ponto, só deixar claro que estes livros foram considerados canônicos pelo Concílio de Trento, para que fosse possível justificar algumas das doutrinas antibíblicas de Roma.

 

O leitor pode se perguntar: Mas será que esses livros são realmente autoritários para a ICAR? A resposta é sim: Apesar do nome, “segundo cânon”, estes livros têm total status canônico. De acordo com Trento e o CVII [RCEAD, cap. 9, p. 3]:

 

Entretanto, se alguém não aceitar os ditos livros como sagrados e canônicos, inteiros e com todas as partes … e se de forma propositada condenar a tradição mencionada anteriormente, que seja anátema. (Denzinger, Sources of Catholic Dogma, 784, p. 245. / Documents of Vatican II, “Document on Revelation,” chap. 3: “The Divine Inspiration and the Interpretation of Sacred Scripture.”).

Alguns católicos alegam que a lista de livros apócrifos enunciada no início desta seção, considerada como canônica no Concílio de Trento, na verdade já era reconhecida, e essa lista foi apenas reafirmada neste Concílio. Eles alegam que alguns Concílios anteriores, diga-se de passagem, concílios locais, como o de Roma em 382, o de Hipona em 393, e o de Cartago em 397 já os haviam declarados canônicos.

 

A resposta para essa alegação é simples.

 

Referimo-nos ao Concílio de Trento, pois ele nos dá “a definição mais explícita do cânon católico” (http://www.newadvent.org/cathen/03267a.htm).

 

Além do mais, existe uma disputa sobre este tema:

 

  • Sabe-se que o Concílio de Roma não incluiu o livro de Baruque [Denzinger, Sources of Catholic Dogma, 84, p. 34]).
  • De acordo com o Cardeal Caetano, o cânon tinha livros protocanônicos, com autoridade doutrinária (que são, na verdade, os livros do cânon protestante atual), e outros, deuterocanônicos (os apócrifos), com valor apenas devocional. E essa era a idéia de Agostinho de Hipona e do Concílio de Cartago. (Cardinal Cajetan, “Commentary on all the Authentic Historical Books of the Old Testament,” cited by William Whitaker in “A Disputation on Holy Scripture,” Cambridge:Parker Society (1849), p. 424). [http://www.jesus-is-savior.com/False%20Religions/Roman%20Catholicism/rcc16-apocrypha.htm].

Contudo, mesmo que a lista do Concílio de Roma fosse idêntica a de Trento, o fato é que a ICAR considera canônicos, livros não inspirados e cheios de erros, e assim destrói a inerrância da Bíblia. O que nem de longe resolve o problema para eles. Trento conferiu erroneamente o status canônico total a estes “deuterocanônicos” em resposta à disputa contra Lutero, sinceramente, isso é muito óbvio (veja mais aqui: http://www.newadvent.org/cathen/03267a.htm).

 

Concluindo esta seção:

 

Pois muito bem, o problema para você católico é o seguinte: Ou você acredita nos erros dos apócrifos, o que é difícil demais! Ou você acredita na inerrância da Bíblia, a palavra de Deus, e, portanto, é anátema. Se o seu caso for a segunda opção, não tem pra que continuar freqüentando a ICAR, bem vindo ao Cristianismo Bíblico.

*Veja a seguir alguns vídeos discutindo mais sobre o tema:

 

Este artigo é baseado nos livros:

 

 

Continua…

 

Coelhos e lebres ruminantes? Será que Deus não conhece sua própria criação?

abril 2, 2007 às 6:04 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Coelhos e lebres ruminantes? Será que Deus não conhece sua própria criação?

Por: Maximiliano Mendes – 02/04/2007

As traduções que temos da Bíblia citam lebres e coelhos como sendo animais ruminantes. Os críticos apontam que estes animais não o são, pois não possuem estômagos compartimentados e, portanto, a Bíblia está errada. Vejamos esta suposta contradição acerca de coelhos ruminarem. Os trechos de interesse são os seguintes (NTLH):

Os animais puros e os impuros

  • Levítico 11:1-81O Senhor Deus deu a Moisés e a Arão 2as seguintes leis para os israelitas: Vocês poderão comer a carne de qualquer animal 3que tem casco dividido e que rumina. 4-6Mas não poderão comer camelos, coelhos selvagens ou lebres, pois esses animais ruminam, mas não têm casco dividido. Para vocês esses animais são impuros. 7É proibido comer carne de porco. Para vocês o porco é impuro, pois tem o casco dividido, mas não rumina. 8Não comam nenhum desses animais, nem mesmo toquem neles quando estiverem mortos. Todos eles são impuros.

  • Deuteronômio 14:3-83– Não comam nada que seja impuro. 4Vocês podem comer a carne dos seguintes animais: vacas, carneiros, cabritos, 5veados, gazelas, corços, cabritos selvagens, antílopes, carneiros selvagens e gamos. 6Todos esses animais têm o casco dividido em dois, e ruminam, e podem ser comidos. 7Mas nenhum animal deve ser comido, a não ser que tenha o casco dividido e que rumine. Portanto, não comam camelos, lebres ou coelhos selvagens, pois ruminam, mas não têm o casco dividido. Para vocês esses animais são impuros. 8Não comam carne de porco. Para vocês os porcos são impuros porque têm o casco dividido, mas não ruminam. Não comam nenhum desses animais, nem toquem neles quando estiverem mortos.

Nestes trechos Deus dá aos Israelitas instruções sobre os animais considerados puros ou impuros, O animal puro era o que podia ser utilizado tanto para se comer quanto para se ofertar como sacrifício. O impuro era o contrário.

Algumas possíveis razões para as proibições vistas acima poderiam ser [2]:

  • Higiene (Exemplo: A carne do porco pode estar contaminada com tênias);

  • O “Caráter” do animal determinava se ele era ou não puro (o porco era considerado guloso e preguiçoso);

  • Deus designou alguns de forma arbitrária para testar a obediência do seu povo;

  • Associação com rituais não hebraicos – Alguns ritos pagãos envolviam o sacrifício de porcos;

  • Conformidade com o que seria considerado um padrão de normalidade. Por exemplo, animais aquáticos sem escamas e/ou nadadeiras seriam considerados “anormais”, portanto, impuros.

Voltando ao texto Bíblico, os nomes dos animais em questão aparecem no original em hebraico como ‘arnebeth e shaphan. É interessante notar que não se sabe com certeza que animais são esses, apesar de se admitir que sejam, respectivamnte, a lebre e o hyrax (“coelho selvagem”, às vezes também chamado de arganaz, mas creio que sejam animais distintos), mostrados na figura 1. Os críticos dizem que a Bíblia está errada, pois de acordo com o que eles aprenderam nas aulas de biologia, esses bichos não são ruminantes. E agora?

Figura 1. O hyrax (esquerda) e a lebre (direita). Animais bonitinhos envolvidos em controvérsia apologética.

E o que é um ruminante? [3-5, 11, 12]

Utilizar vegetais como alimento tem algumas grandes vantagens, pois além de serem abundantes, os vegetais não saem correndo! Em contrapartida, o conteúdo nutricional da matéria vegetal é menor que o dos tecidos de animais, e como as células vegetais possuem uma parede celular constituída do polissacarídio celulose (composto de unidades de glicose), os herbívoros devem digerir esta parede celular para melhor aproveitar o conteúdo nutricional presente no citoplasma das células. Os Mamíferos não possuem celulase, a enzima que digere a celulose, então para que possam aproveitar de forma satisfatória os alimentos de origem vegetal, é necessário que vivam de forma simbiótica com microrganismos produtores de celulase presentes em seus aparelhos digestórios, em câmaras de fermentação ou no ceco intestinal.

Os ruminantes são animais herbívoros que possuem um estômago constituído de várias câmaras, onde o alimento sofre a ação de microrganismos, retorna à boca para uma nova mastigação, o ato de ruminar ou remoer, e então, quando novamente engolido passa por um estômago propriamente dito e pelo intestino delgado, onde os nutrientes serão absorvidos (figura 2). Basicamente, o processo se dá da seguinte forma [3]:

  • Após uma primeira mastigação, o alimento vai para o rúmen (pança), uma câmara de fermentação. Ali o bolo alimentar sofrerá a ação de bactérias e protozoários que digerem a celulose e convertem os produtos da digestão em ácidos orgânicos, vitaminas, metano e CO2.

  • Em seguida, o alimento passa do rúmen para o retículo (barrete), onde continua a digestão da celulose.

  • O retículo possui glândulas salivares, e de tempos em tempos o alimento é regurgitado para a boca, através de um peristaltismo esofágico invertido, onde é remastigado e engolido novamente.

  • O bolo alimentar agora passa direto para o omaso (folhoso), onde é triturado e ocorre absorção de água.

  • Saindo do omaso, o alimento passa para o estômago propriamente dito, o abomaso (coagulador) onde ocorre a digestão de proteínas e de microrganismos ingeridos.

  • Por fim, o alimento passa para o intestino delgado, onde continuará sendo digerido e absorvido.

Figura 2. Esquema mostrando o aparelho digestório de um ruminante típico.

Os ruminantes são também chamados de fermentadores de tubo digestivo anterior, pois outros animais herbívoros também executam um tipo de fermentação diferente, denominada fermentação de tubo digestivo posterior, ou fermentação cecal (que é o caso dos coelhos e hyraxes). Neste segundo caso, o bolo alimentar irá sofrer ação de microrganismos fermentadores no ceco, e os produtos serão absorvidos no intestino grosso. (Às vezes, os animais que executam este tipo de fermentação são também chamados de pseudo-ruminantes.)

Os coelhos, fermentadores cecais, executam um processo chamado cecotrofagia, um tipo de coprofagia – processo pelo qual o animal reingere suas próprias fezes. Neste caso, o animal produz as chamadas bolotas fecais ou cecotrofos, “surpreendentemente diferentes” [5] das fezes comuns, e recobertas por uma membrana. As bolotas são reingeridas para que passem novamente pelo aparelho digestório, aumentando a eficácia da absorção de nutrientes. Após a reingestão, permanecem no fundo do estômago do animal, onde sofrem uma segunda digestão (figura 3).

Figura 3. Bolotas fecais no fundo do estômago de coelho.

Cada um dos tipos de fermentação apresenta vantagens e desvantagens (explico de forma bem simplificada a seguir). A principal vantagem dos ruminantes é que este processo é bastante eficaz no que diz respeito à absorção dos nutrientes, e os próprios microrganismos responsáveis pelo processo fermentativo também são digeridos e utilizados como fonte de alimento. Já o processo de fermentação cecal, apesar de ter menor eficácia na absorção de nutrientes, é bem mais rápido: O alimento demora de 30 a 45 h para passar pelo aparelho digestório de um cavalo, e de 70 a 100 h para passar pelo de um boi. Em vista disso, os ruminantes não conseguem processar alimentos de baixa qualidade de forma suficientemente rápida para sobreviver. A figura 4 compara de forma breve os dois sistemas.

Figura 4. Breve comparação entre os aparelhos digestórios de fermentadores cecais (esqueda) e ruminantes (direita).

Resolvendo o problema [6-13]

De acordo com a definição moderna de ruminante, os críticos dizem que os coelhos e hyraxes não ruminam, ou seja, não fazem exatamente a mesma coisa que a vaca faz, pois não possuem um estômago constituído de várias câmaras. Todavia, visto que eles se comportam (movimentos da boca) como se estivessem ruminando, poderiam ser classificados como impuros pelo critério da observação. Devido a isso, até mesmo Lineu inicialmente os classificou como ruminantes (apesar de eles não terem um estômago com várias câmaras).

Como se pode utilizar o termo fermentadores para se referir a estes animais, e os fermentadores cecais também podem ser chamados pseudo-ruminantes, isto nos indica que possivelmente, o termo Bíblico não se refere aos ruminantes especificamente da forma como eles são definidos atualmente, com estômagos de quatro câmaras. Em hebraico, o que está escrito nos trechos em questão, é Ma’aleh gerah¸ que significa algo como “elevar [ou levantar] aquilo que foi engolido”. Todavia, apesar de parecer que a tradução dá a entender que o autor estava falando sobre o processo de regurgitar a comida, o termo ‘alah, refere-se à “movimento de um lugar para o outro” veja este sentido em outros locais onde a mesma palavra aparece (NTLH, OBS: existem outras passagens relevantes!):

  • Josué 24:17Foi o Senhor, nosso Deus quem tirou a nós e aos nossos pais da escravidão na terra do Egito…

  • 2 Crônicas 24:14Quando terminaram o trabalho, levaram ao rei e a Joiada o ouro e a prata que haviam sobrado…

  • Salmos 135:7Dos fins da terra, ele traz as nuvens…

  • 2 Samuel 6:15E assim ele e todos os Israelitas levaram a arca da aliança para Jerusalém…

No nosso caso em particular, o que se move de um lugar para o outro é o alimento, tanto via regurgitação, quanto via reingestão de fezes ou cecotrofos.

Como o princípio da cecotrofagia e da ruminação são semelhantes, ou seja, reingerir comida parcialmente digerida a fim de aumentar a eficiência do processo digestório, é bem provável que o termo Ma’aleh gerah, a “ruminação Bíblica” abrangesse tanto a cecotrofagia quanto a ruminação no sentido moderno (e possivelmente até mesmo outros processos similares). Isto é perfeitamente justificável, pois como já vimos:

  • Pode se referir a esses animais (ruminantes e fermentadores cecais) como fermentadores.

  • Pode se chamar os fermentadores cecais de pseudo-ruminantes.

Além desses dois pontos, de acordo com alguns pesquisadores [11, 12]:

  • O fundo do estômago das lebres atua como uma estrutura análoga às câmaras de fermentação do estômago dos ruminantes.

  • Pode se considerar os hyraxes como ruminantes, pois:

    • Eles têm três cecos, um dos quais é uma câmara de fermentação responsável pela digestão da celulose.

    • O estômago apresenta protuberâncias, que junto com o ceco e uma moela podem ser considerados o conjunto análogo ao estômago dos ruminantes.

Inclusive, alguns sugerem que o termo ruminante não deve ser definido de um ponto de vista anatômico, mas sim funcional, ou seja, ruminante seria o animal que vive de forma simbiótica com microrganismos capazes de melhorar a absorção dos nutrientes provenientes dos alimentos. Ou seja, são os animais fermentadores [12].

De qualquer forma, é preciso ter em mente que esta lista de animais proibidos era um guia prático para o israelita comum do mundo antigo, que não conhecia os aspectos técnicos envolvidos nestes processos de nutrição, para que ele observasse as instruções quando estivesse no mato procurando comida. Este tipo de pessoa, ao ver que os movimentos com a boca destes animais e das vacas, por exemplo, eram semelhantes, e que ambos se alimentavam de capim e ervas, poderia pensar que o consumo das lebres e hyraxes também estava liberado. Por isso também foi necessário apontar que, ao contrário dos ruminantes verdadeiros, estes animais nem cascos têm, então não preenchem os requerimentos para serem considerados como animais puros.

Conclusão

A expressão Bíblica que aparece traduzida como ruminam, é provavelmente um termo abrangente utilizado para se referir aos fermentadores de forma geral. Este é basicamente apenas mais um desses problemas de contextualização sobre classificações do mundo antigo. O crítico propositadamente se finge de sonso, e sentado numa poltrona confortável, na frente da internet acusa Deus de não conhecer sua própria criação e/ou não saber o que é um ruminante, pois o tradutor considerou que este termo é mais apropriado para se transmitir uma determinada idéia. O equivalente disso é dizer que Aristóteles, que classificou os animais de acordo com o ambiente em que viviam (voadores, nadadores…), era burro (ou não existiu :D), porque seu sistema de classificação não é igual ao que utilizamos atualmente, e se ele realmente existisse, teria feito um do jeitinho que o ateu gosta. É fácil perceber que o problema principal neste caso é nada mais que intransigência.

*Adendo:

Este é um dos posts mais visitados neste blog, sendo que a maioria dos visitantes são pessoas envolvidas em brigas no Orkut. É interessante notar que o analfabetismo funcional por parte dos “ateus” impera supremo. As respostas à esta postagem são uma coleção de asserções anêmicas feitas por pessoas que não entenderam o argumento apresentado aqui. Risível, o Salmo 14:1 ecoa forte nessas comunidades de misoteístas do Orkut…

Referências

  1. MORRIS, HM. The New Defender’s Study Bible. World Publishing. 2005.

  2. KAISER, WC. & GARRET, D. (Editores). Archaeological Study Bible. Zondervan. 2006.

  3. LINHARES, S. & GEWANDSZNAJDER F. Biologia Hoje, Os Seres Vivos. Ática. 2004.

  4. POUGH, FH. et al., A Vida dos Vertebrados. Atheneu. 1993.

  5. SCHMIDT-NIELSEN, K. Fisiologia Animal, Adaptação e Meio Ambiente. 5ª ed. Santos. 1999.

  6. GEISLER, NL & HOWE T. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Mundo Cristão, 1999.

  7. ARCHER, G. New International Encyclopedia of Bible Difficulties. Zondervan, 2001.

  8. http://www.answersingenesis.org/creation/v20/i4/rabbits.asp

  9. http://www.tektonics.org/af/cudchewers.html

  10. http://www.aishdas.org/toratemet/en_pamphlet2.html

  11. http://www.apologeticspress.org/articles/2192

  12. http://www.grisda.org/origins/04102.htm

  13. http://www.christian-forum.net/index.php?showtopic=178


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