REINO PLANTAE – AS PLANTAS

março 30, 2007 às 6:59 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados em REINO PLANTAE – AS PLANTAS

REINO PLANTAE – DIVERSIDADE E CARACTERÍSTICAS GERAIS.

 

O Reino Plantae é constituído pelas plantas, desde o pequeno musgo até as grandes sequóias. Acredita-se que sua origem foi a partir das algas verdes (Reino Protoctista, Filo Chlorophyta), pois também possuem cloroplastos com clorofilas a e b, e parede celular constituída de celulose. São seres:

 

  • Pluricelulares;
  • Autótrofos fotossintetizantes (existem exceções! Ex: Cipó-chumbo.);
  • Possuem tecidos diferenciados, como por exemplo, o xilema e o floema, condutores de seiva;
  • Possuem um embrião multicelular que se desenvolve sobre e às custas da planta mãe. Esta é a apomorfia do grupo, as algas verdes não possuem este tipo de embrião, portanto não são plantas. Também devido a esta característica, as plantas podem ser chamadas de EMBRIÓFITAS;
  • Possuem células contendo plastídios, como o amiloplasto (armazena amido) e o cloroplasto (responsável pela fotossíntese), um grande vacúolo , e parede celular constituída de celulose. (Têm mitocôndrias também!)

 

Acredita-se que as plantas tenham sido os primeiros organismos a colonizarem o ambiente terrestre tornando-o propício para a posterior colonização por parte dos animais. Todavia, para tal foi necessário que houvesse o surgimento de uma série de adaptações morfológicas (que as algas não têm):

 

  • Um sistema de absorção de água do solo, e condução de soluções aquosas (seiva).
  • Tecidos capazes de impermeabilizar a superfície do organismo, a fim de evitar a perda de água, e tecidos rígidos de sustentação do corpo (pois o ar é pouco denso).
  • Mecanismos de trocas gasosas, a fim de facilitar o processo de fotossíntese.

 

De forma geral, as plantas apresentam um ciclo de vida onde ocorre ALTERNÂNCIA DE GERAÇÕES (ou metagênese) caracterizado pela presença de organismos adultos haplóides e diplóides. Além da reprodução gamética (sexuada), pode também haver reprodução agamética (assexuada) via FRAGMENTAÇÃO, em que pedaços de um indivíduo podem originar um novo indivíduo idêntico. Basicamente, a metagênese pode ser resumida da seguinte forma:

 

  • A planta adulta diplóide (2n), o ESPORÓFITO (planta que produz esporos), produz esporos (haplóides – n) por meiose, em uma estrutura chamada ESPORÂNGIO.
  • O esporo (n) é disseminado, germina em um local apropriado, e origina o indivíduo adulto haplóide (n), o GAMETÓFITO (planta que produz gametas).
  • O gametófito produz gametas em estruturas chamadas GAMETÂNGIOS:
    • Os ANTERÍDIOS produzem os gametas masculinos, que podem ser os ANTEROZÓIDES ou as CÉLULAS ESPERMÁTICAS, dependendo do grupo de plantas.
    • Os ARQUEGÔNIOS produzem os gametas femininos, chamados OOSFERAS.
  • Na FECUNDAÇÃO, ocorre a união dos gametas (n), formando um zigoto (2n).
  • O zigoto se desenvolve em um novo esporófito.

 

Ao longo do tempo, a tendência evolutiva neste Reino foi a redução progressiva da fase gametofítica em detrimento da esporofítica. Veremos ao todo quatro grupos de plantas, as briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. As características mais básicas e gerais destes grupos estão listadas na tabela a seguir:

 

 

Grupo

Geração Dominante

Vasos Condutores*

Estruturas Reprodutoras**

Possuem Semente?

Fruto

Briófitas

Gametofítica

Avasculares

Criptógamas

Não

Não

Pteridófitas

Esporofítica

Vasculares

Criptógamas

Não

Não

Gimnospermas

Esporofítica

Vasculares

Fanerógamas

Sim

Não

Angiospermas

Esporofítica

Vasculares

Fanerógamas

Sim

Sim

*Estou me referindo especificamente ao xilema e floema, alguns musgos também apresentam um tecido condutor de seiva, o HADROME, constituído por dois tipos de células, os leptóides (~floema) e os hidróides (~xilema).

**Criptógamas: Estruturas reprodutoras pouco evidentes / Fanerógamas: Estruturas reprodutoras bem visíveis (flores e pinhas).

 

Vejamos a seguir em maiores detalhes (grandemente resumidos :p) os grupos de plantas.

 

BRIÓFITAS

 

Briófitas (grego: bryon-musgo, phyton-planta) são plantas avasculares, não possuem vasos condutores de seiva. O transporte de substâncias se dá por difusão entre as células, e é um processo lento, o que limita seu tamanho (as briófitas são plantas de porte pequeno). As briófitas mais conhecidas são os musgos, as hepáticas e os antóceros.

 

Seu ciclo de vida apresenta nítida alternância de gerações, onde a geração gametofítica (n) é dominante em relação à geração esporofítica (2n). O gametófito é o vegetal duradouro e fotossintetizante. Os musgos que você vê são os gametófitos, possuem anterídios e arquegônios. Cada anterídio produz vários anterozóides, que na presença de água, nadam até o arquegônio para fecundar a oosfera (cada arquegônio produz uma oosfera), e originar um zigoto (2n). A presença de água é fundamental para que ocorra a fecundação, pois promove o rompimento da parede dos anterídios e permite que os anterozóides, que são flagelados, nadem até a oosfera, guiados por substâncias químicas dissolvidas na água. Haja vista a necessidade de água para que ocorra a fecundação, as briófitas são geralmente encontradas em ambientes terrestres úmidos e sombreados.

 

O zigoto se desenvolve num esporófito (2n), que cresce sobre o gametófito (n) e é dependente dele (total ou parcialmente). No ápice do esporófito encontra-se um esporângio, chamado cápsula, que é o local de produção dos esporos (n), todos iguais (plantas ISOSPORADAS). A cápsula pode conter restos do arquegônio, que conferem proteção (caliptra). Ao germinar, o esporo pode se desenvolver e originar diretamente o gametófito, ou no caso dos musgos, pode inicialmente originar uma estrutura filamentosa chamada protonema, esta por sua vez pode dar origem a vários gametófitos, a partir de gemas (reprodução agamética via fragmentação). Além de produzirem os anterídios e arquegônios, no caso das hepáticas, os gametófitos podem também produzir estruturas denominadas conceptáculos, estes produzem gemas (propágulos), que também podem originar outros indivíduos.

 

As briófitas são classificadas em três Filos:

 

  • Bryophyta: Os musgos, com gametófito organizado em rizóides, caulóide e filóides.
  • Hepatophyta: As hepáticas, com gametófito prostrado, onde não ocorre a diferenciação entre filóides e caulóides.
  • Anthocerophyta: Os antóceros (raros).

 

Importância das Briófitas:

 

As briófitas são organismos pioneiros em uma sucessão ecológica, podem se desenvolver em rochas, e os produtos resultantes de sua atividade biológica modificam este substrato de forma a permitir que outras espécies também possam se desenvolver nele. Dependendo do ambiente, a quantidade de carbono que estas plantas absorvem pode influenciar grandemente o ciclo biogeoquímico deste elemento. São também plantas bastante sensíveis à poluição atmosférica, sendo assim podem ser indicadoras de áreas muito poluídas, quando nestes locais a quantidade de briófitas é bastante reduzida. Musgos do gênero Sphagnum, os musgos de turfeira, são importantes na agricultura, pois auxiliam a retenção de água pelo solo, além de melhorarem sua textura. A TURFA é composta de depósitos destes musgos e plantas associadas, pode ser comprimida e seca, e então queimada como combustível. Além disso, a fumaça proveniente de sua queima influencia o sabor de uísques escoceses.

 

PTERIDÓFITAS

 

As pteridófitas, assim como as briófitas, são plantas criptógamas. Foram as primeiras plantas VASCULARES, ou seja, a apresentarem vasos condutores de seiva (xilema e floema), sendo que isto proporciona a elas reporem as perdas de água de forma mais eficaz, e atingirem maiores comprimentos, inclusive podendo apresentar porte arbóreo (samambaiaçu). Apresentam raízes, caules e folhas verdadeiros. As pteridófitas mais comuns são as samambaias, avencas, cavalinhas e selaginelas. Apresentam ciclo de vida com alternância de gerações, sendo que neste caso (e nos grupos de plantas seguintes) a geração esporofítica (2n) é dominante em relação a gametofítica (n). O esporófito é autótrofo, e possui esporângios, as estruturas produtoras de esporos (n).

 

O gametófito, também chamado prótalo, é autótrofo, apresenta estrutura laminar, e tamanho reduzido (~1 cm). Produz em sua face inferior os gametângios: arquegônios e anterídios. Cada arquegônio produz uma oosfera (n), enquanto cada anterídio produz vários anterózóides (n), que podem fecundar a oosfera e originar o zigoto (2n). As pteridófitas, assim como as briófitas também necessitam de água para que ocorra a fecundação, e devido a este fato, também são geralmente encontradas em ambientes úmidos e sombreados. Algumas são aquáticas (gêneros Salvinia e Azolia), mas não existem representantes marinhos. O zigoto se desenvolve e origina o esporófito. Este depende do gametófito apenas no início de seu desenvolvimento, em que se encontra associado a ele.

 

As pteridófitas são classificadas em 4 Filos:

 

  • Pterophyta: Samambaias e Avencas.
  • Psilotophyta: Psilotum.
  • Lycophyta: Licopódios e Selaginelas.
  • Sphenophyta: Cavalinhas.

 

Pode se também dividir as pteridófitas em dois grupos, no que diz respeito aos esporos:

 

  • ISOSPORADAS (ex: samambaias), que assim como as briófitas só produzem um tipo de esporo, que se desenvolve em um gametófito monóico;
  • HETEROSPORADAS (ex: selaginelas), que produzem micrósporos (masculinos) e megásporos ou macrósporos (femininos).

 

Os microsporângios produzem numerosos micrósporos, que ao se desenvolverem irão originar gametófitos masculinos, enquanto os megasporângios produzem 4 grandes esporos que irão se desenvolver em gametófitos femininos. A Selaginela é uma pteridófita heterosporada, e é interessante notar que, como os gametófitos desenvolvem-se no interior das paredes dos esporos, e o embrião é nutrido por reservas nutritivas provenientes do megagametófito, acredita-se que este conjunto seja o precursor evolutivo das sementes.

 

Importância das Pteridófitas:

 

São amplamente utilizadas como plantas ornamentais, sendo que inclusive, o caule da samambaiaçu serve para se fazer xaxim. Os atuais depósitos de carvão mineral (hulha), um importante combustível, foram formados a partir da fossilização de pteridófitas de porte arbóreo, de aproximadamente 375-290 milhões de anos atrás. Algumas podem ser utilizadas na fabricação de alimentos e medicamentos.

 

GIMNOSPERMAS

 

As gimnospermas são plantas de porte arbóreo, climas temperados, e vasculares (ou traqueófitas) pois apresentam vasos condutores de seiva. Ao contrário das briófitas e pteridófitas (criptógamas), formam ESTRÓBILOS ou pinhas, as estruturas reprodutoras que abrigam os esporângios (as “flores” das gimnospermas), sendo então classificadas como fanerógamas. Estas plantas possuem sementes, todavia, não formam frutos. Na verdade, gimnosperma significa semente nua (mas têm casca!). Dentre as gimnospermas mais conhecidas estão os pinheiros, o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifólia), e as sequóias, que estão dentre as maiores árvores conhecidas atualmente. Além disso, uma gimnosperma apelidada de Matusalém provavelmente é o ser vivo mais velho do planeta, com aproximadamente 4600 anos de idade.

 

Seu ciclo de vida apresenta alternância de gerações pouco nítida, com o gametófito (n) bastante reduzido. Os estróbilos são unissexuados, sendo o masculino denominado microestróbilo (2n), e o feminino macroestróbilo (2n). São ambos formados por um eixo de onde partem folhas modificadas responsáveis pela formação dos microsporângios (2n) e macrosporângios (2n), chamadas folhas carpelares, os microesporófilos (2n) e macroesporófilos (2n).

 

Dentro dos microsporângios, as células mães de esporos produzem por meiose os micrósporos, estes por sua vez originam os grãos de pólen (n), que são os gametófitos masculinos (microprótalos) imaturos. Cada grão de pólen contém uma célula geradora, que será a responsável pela produção dos gametas masculinos, as células espermáticas, e uma célula do tubo (ou vegetativa), responsável pela formação do tubo polínico. (A célula geradora seria algo como um gametângio masculino.)

 

O óvulo é constituído pelo megasporângio (nucela) mais o tegumento que o recobre. Uma grande célula mãe de esporos localizada no megasporângio sofre meiose e origina 4 células (n), sendo que 3 degeneram e uma delas forma o megásporo (n), este por sua vez se desenvolve em gametófito feminino, o megagametófito, contendo arquegônios (gametângios femininos), que produzem os gametas femininos, as oosferas.

 

Denomina-se POLINIZAÇÃO, o processo pelo qual os grãos de pólen são transportados até a abertura do óvulo (MICRÓPILA). Transportados pelo vento até a câmara polínica (Polinização pelo vento – anemofilia) e em contato com os óvulos, os grãos de pólen germinam iniciando seu desenvolvimento em microgametófitos maduros com a formação do tubo polínico. À medida que este se desenvolve, a célula geradora se divide e origina dois núcleos espermáticos, sendo estes os gametas masculinos. Ao atingir o arquegônio, um dos gametas masculinos fecunda a oosfera e origina o zigoto (2n) (o outro degenera). Ao contrário das briófitas e pteridófitas, onde a fecundação ocorre por OOGAMIA, processo em que anterozóides flagelados se deslocam em meio aquoso até a oosfera, a fecundação das gimnospermas geralmente se dá da forma descrita acima, a SIFONOGAMIA, em que os gametas masculinos atingem a oosfera a partir do crescimento do tubo polínico. Esta forma de fecundação não necessita da presença de água para ocorrer. (Observação: Cicadáceas e Gincófitas ainda dependem da água para a fecundação!)

 

O zigoto se desenvolve e origina o embrião, e o óvulo se desenvolve formando a semente, constituída pelo tegumento (2n) do óvulo, e pelo corpo do gametófito feminino (n) convertido em um tecido que armazena substâncias nutritivas. Graças a este tecido nutritivo, algumas sementes de gimnospermas (PINHÕES) são comestíveis.

 

As gimnospermas são classificadas mais comumente em 4 Filos:

 

  • Coniferophyta: Pinheiros, Sequóia, Araucária.
  • Cycadophyta: Cicas (ornamentais).
  • Gnetophyta: Efedra – Efedrina: Estimulante do SNC e descongestionante nasal.
  • Ginkgophyta: Somente uma espécie, a Ginkgo biloba.

 

Importância das gimnospermas:

 

  • Este grupo é importante para a indústria madeireira e da celulose (produção de papel), inclusive, a araucária é uma espécie em risco de extinção graças à exploração excessiva (a madeira da araucária é resistente às águas das chuvas).
  • A semente do pinheiro-do-paraná (araucária), o pinhão, é utilizada na alimentação humana e animal. A gnetácea Welwitschia mirabilis também tem sua semente utilizada como alimento no deserto de kalahari, na África.
  • Da Gnetophyta efedra extrai-se a substância denominada efedrina, um estimulante do Sistema Nervoso Central, e também é utilizada como descongestionante nasal no tratamento de pessoas asmáticas.
  • Acredita-se que o chá das folhas da Ginkgo biloba atue no sentido de favorecer a irrigação cerebral e estimular a memória.
  • As gimnospermas também são utilizadas na ornamentação, neste caso, principalmente as Cicas.

 

ANGIOSPERMAS

 

As angiospermas são as verdadeiras plantas superiores. São o grupo vegetal atual mais representativo e com a maior diversidade morfológica, variando de ervas a árvores, além de serem também o grupo com a maior distribuição geográfica e de ambientes (existem algumas espécies marinhas). São fanerógamas que além de produzirem flores, também produzem os frutos, que conferem proteção às sementes além de auxiliarem na sua dispersão (angios – urna, caixa). Antes de se entrar em detalhes sobre o ciclo de vida destas plantas, deve-se inicialmente analisar a estrutura das flores e frutos.

 

A flor é constituída por uma haste que termina em um pedúnculo, este por sua vez, apresenta uma extremidade dilatada (receptáculo floral), que sustenta um conjunto de folhas especializadas com funções relacionadas à reprodução, os verticilos florais. Denomina-se verticilo floral, um conjunto de folhas especializadas do mesmo tipo. Os elementos florais e o nome dos verticilos que eles constituem são listados a seguir:

Estames e Carpelos são os ESPORÓFILOS, as folhas que abrigam os esporângios:

 

  • ESTAMES: São microsporófilos formados pelo filete, uma haste que sustenta uma estrutura chamada antera, que por sua vez abriga microsporângios denominados sacos polínicos. A antera é unida ao filete por um tecido denominado conectivo. Ao conjunto de estames dá-se o nome ANDROCEU.
  • CARPELOS: São macroesporófilos formados pelo ovário (base, que abriga os macrosporângios, os óvulos), estilete ( porção alongada que serve de substrato para o crescimento do tubo polínico), e a porção dilatada do estilete, chamada estigma (onde os grãos de pólen se aderem). Ao conjunto de carpelos dá-se o nome GINECEU. Obs: Os carpelos (ou o único carpelo) forma uma estrutura denominada PISTILO, que recebe este nome por ser semelhante à uma mão de pilão.

 

Pétalas e Sépalas constituem o PERIANTO:

 

  • SÉPALAS: Folhas verdes, estéreis, com função de proteção de outros verticilos. Constituem o CÁLICE.
  • PÉTALAS: Folhas geralmente de coloração diferente do verde, devido à presença de pigmentos. As cores das pétalas, assim como a presença de substâncias produzidas por elas, como o néctar, têm o objetivo de tornar a flor mais atrativa aos agentes polinizadores, como insetos, aves e morcegos.

 

Caso as pétalas sejam iguais às sépalas de forma que não se pode diferenciá-las, o perianto passa a ser chamado PERIGÔNIO, e as pétalas e sépalas passam a ser chamadas TÉPALAS. Além das sépalas, pode haver a presença de uma outra folha modificada com a função de proteção da flor ou de uma inflorescência, a BRÁCTEA (a palha da espiga de milho é uma bráctea).

 

O fruto é proveniente do desenvolvimento do ovário após a fecundação. É constituído pela semente (proveniente do desenvolvimento do óvulo) mais um conjunto de três camadas que a recobrem, denominado PERICARPO, e proveniente da parede do ovário. O pericarpo é constituído de três camadas, de fora para dentro: Epicarpo, Mesocarpo (geralmente é a porção comestível dos frutos) e Endocarpo.

 

Denomina-se fruto carnoso, aquele cujo pericarpo armazena substâncias nutritivas de reserva, e fruto seco o caso contrário. O fruto carnoso constitui um mecanismo de dispersão das sementes servindo de alimento a animais, que terminarão disseminando as sementes a partir das fezes. Além deste caso, existem também frutos com espinhos que se grudam ao corpo de animais, e frutos alados, cujo meio de dispersão é o vento.

 

Sobre o ciclo de vida das angiospermas, o esporófito é o vegetal dominante, duradouro e fotossintetizante, enquanto o gametófito, assim como no caso das gimnospermas, é bastante reduzido, se desenvolve associado ao esporófito e é dependente dele. As angiospermas, assim como as gimnospermas, também apresentam heterosporia e a fecundação se dá por sifonogamia.

 

Os microesporângios (sacos polínicos) localizam-se no interior das anteras, onde as células mães de esporos (2n) originam micrósporos (n) por meiose. Os micrósporos se desenvolvem em grãos de pólen (n), os microgametófitos. Estes grãos de pólen também possuem uma célula do tubo, que origina o tubo polínico, e uma célula geradora, que origina as células espermáticas (gametas masculinos).

 

No interior do ovário, tem-se os óvulos, constituídos pelo megasporângio (2n), e o tegumento que o recobre. Dentro do megasporângio há uma célula mãe de esporos que sofre meiose e origina quatro megásporos (n), sendo que três degeneram e um permanece como o megásporo fértil e funcional. Este megásporo germina e origina o megagametófito também chamado SACO EMBRIONÁRIO, contendo um conjunto de 7 células (e 8 núcleos):

 

  • Três células próximas à micrópila (abertura do óvulo): uma oosfera (gameta feminino) no meio de duas SINÉRGIDES.
  • Uma célula grande e central, contendo dois NÚCLEOS POLARES. Esta célula também será fecundada, originará um tecido triplóide (3n), com função de reserva nutritiva para o embrião, o ENDOSPERMA. (Lembre-se de que o megagametófito das gimnospermas também originam um tecido de reserva nutritiva, mas naquele caso, o tecido é haplóide, e não é sinônimo de endosperma).
  • Três células distantes da micrópila (no extremo oposto), denominadas ANTÍPODAS.

 

A polinização precede a fecundação, as anteras se rompem, e o grão de pólen é transportado até o estigma, onde a partir daí germina. Caso o grão de pólen caia no estigma da própria flor, a polinização é dita direta, caso caia no estigma de uma flor distinta, é dita cruzada. Esta pode ser mediada por diversos agentes, como por exemplo: Insetos (entomofilia), vento (anemofilia), pássaros (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia).

 

Quando o grão de pólen cai sobre o estigma, germina e forma o tubo polínico, que cresce ao longo do estilete em direção ao óvulo. Ao contrário da fecundação das gimnospermas, nas angiospermas ocorre uma dupla fecundação, onde o 1º núcleo espermático fecunda a oosfera e forma o zigoto (2n), e o 2º núcleo espermático fecunda a célula central (que contém os dois núcleos polares) e a célula resultante (3n) originará por mitose o endosperma (tecido de reserva nutritiva). A partir daí, o óvulo se desenvolve originando a semente, o zigoto origina o embrião, e o ovário origina o fruto.

 

As angiospermas são classificadas em apenas um Filo: Magnoliophyta. Além disso, podem também ser subdivididas de acordo com o número de cotilédones que possuem. Os COTILÉDONES são folhas especializadas dos embriões, cuja função é nutri-los, ou transferindo substâncias acumuladas diretamente para o embrião, ou transferindo para o embrião, os nutrientes do endosperma (3n). De acordo com esse critério, pode-se dividir as angiospermas em:

 

  • Monocotiledôneas, cujo embrião contém apenas um cotilédone.
  • Dicotiledôneas, cujos embriões contêm dois cotilédones:
    • Dicotiledôneas basais.
    • Eudicotiledôneas.

 

(As gimnospermas geralmente possuem dois ou mais cotilédones.)

 

Importância das Angiospermas:

 

Como já visto anteriormente, elas são o grupo vegetal mais diverso e representativo. Sendo assim, são muito importantes para o homem em diversos aspectos, como a agricultura (são os principais componentes da dieta dos seres humanos!), medicina (plantas medicinais), economia (indústria madeireira e de celulose) e ornamentação. Têm também papel fundamental na reciclagem do O2 e CO2 atmosféricos e regulação climática (as grandes florestas seriam grandes aparelhos de ar-condicionado).  

REINO FUNGI – Os fungos: bolores, cogumelos, orelhas de pau e leveduras.

março 16, 2007 às 9:30 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

REINO FUNGI – Os fungos: bolores, cogumelos, orelhas de pau e leveduras.

 

 

 

Características gerais:

 

Reino constituído por seres vivos que, superficialmente assemelham-se às plantas, mas que na verdade são muito diferentes delas. Os fungos são mais aparentados com os animais, pois possuem parede celular constituída de quitina (ao invés de celulose), e utilizam o glicogênio como reserva energética (ao invés do amido). São:

 

  • Eucarióticos.
  • Heterótrofos.
  • Unicelulares (leveduras) ou pluricelulares (cogumelos).

 

O corpo dos fungos é constituído por filamentos chamados HIFAS. Ao conjunto de hifas dá-se o nome MICÉLIO.

 

As hifas podem ser:

 

  • Septadas: Cada célula da hifa é delimitada por um septo (parede) incompleto, ou seja, há continuidade citoplasmática entre as células.
  • Cenocíticas: Não há septos ou qualquer parede delimitando as células da hifa. Cada hifa é um tubo contínuo preenchido por citoplasma e núcleos.

 

 

O micélio pode ser:

 

  • Vegetativo: Composto por hifas imersas em um substrato (como um pão velho, por exemplo).
  • Reprodutor: Constituído por hifas capazes de produzir esporos, que geralmente se desenvolvem externamente ao substrato. Em alguns casos pode ser chamado CORPO DE FRUTIFICAÇÃO (é o cogumelo propriamente dito).

 

O maior organismo que existe é um fungo, Armillaria ostoyae, de mais de 3000 anos de idade, cujos filamentos estendem-se por 6×106 m2, no estado de Washington, EUA.

 

Assim como as bactérias, os fungos SAPROFÁGICOS (vivem sobre a matéria orgânica em decomposição, obtendo dela as substâncias que lhes servem de alimento) podem atuar como DECOMPOSITORES da matéria orgânica, devolvendo os elementos químicos para o meio ambiente na forma de compostos que podem ser utilizados por outros organismos (como o CO2).

 

A nutrição é heterótrofa, e a digestão é extracorpórea. Os fungos liberam enzimas digestivas no meio, e depois absorvem as substâncias resultantes dessa digestão.

 

Os fungos podem se associar de forma simbiótica com outros organismos:

 

  • Liquens: Associação entre fungos e algas, (ou fungos e cianobactérias). A alga, por ser autótrofa e fotossintetizante, fornece nutrientes para o fungo, ao passo que o fungo, envolve as algas com suas hifas e fornece para elas um ambiente úmido. Os líquens não conseguem viver em regiões poluídas, sendo assim, a ausência de líquens em determinados locais é um indicativo de áreas poluídas. OBS: Muitos desconsideram esta como uma associação simbiótica, mas sim como um exemplo de parasitismo, o fungo parasitando as algas.
  • Micorrizas: Associação entre fungos e raízes de plantas. As hifas do fungo invadem as raízes da planta. Os fungos obtêm nutrientes da planta (que é autótrofa e fotossintetizante), ao passo que auxiliam a planta a absorver minerais escassos no solo.

 

Classificação

 

De forma geral, o nome do filo é baseado no nome da estrutura produtora de esporos:

 

Filo

Características

Cythridiomycota

Unicelulares ou filamentosos (hifas cenocíticas). Predominantemente aquáticos. São os únicos que apresentam flagelos em algum estágio do ciclo de vida.

Zygomycota

Hifas cenocíticas. Formam esporos sexuados chamados zigósporos. Não possuem corpo de frutificação. Formam micorrizas. Exemplos: Rhizopus, o bolor negro do pão.

Ascomycota

Hifas septadas. Formam esporos sexuados chamados ascósporos, em hifas especializadas chamadas ascos. Algumas espécies formam corpo de frutificação (ascocarpo). Formam liquens. Exemplos: Leveduras (como a Saccharomyces cerevisiae) e trufas.

Basidiomycota

Hifas septadas. Formam esporos sexuados chamados basidiósporos em hifas especializadas chamadas basídios. Algumas espécies formam corpo de frutificação (basidiocarpo – cogumelos e orelhas-de-pau). Exemplos: Agaricus (Champignons).

Deuteromycota

Reúne fungos sem classificação definida, nos quais não se conhecem processos sexuais de reprodução. É uma categoria de conveniência.

 

Importância e utilização:

 

  • Os fungos saprofágicos atuam como decompositores da matéria orgânica, devolvendo elementos químicos para o meio, como já visto.
  • Alimentação, como os basidiomicetos – Champignons e shitake.
  • Preparação de alimentos fermentados – Fazem massas como a do pão crescer. Utilizados na produção de bebidas alcoólicas e laticínios.
  • Alguns produzem antibióticos (penicilina) e toxinas importantes (aflatoxinas – produzidas por fungos do gênero Aspergillus que se desenvolvem em amendoins).
  • Alguns são parasitas de humanos, causando micoses, e outros são parasitas de culturas vegetais importantes para a agricultura (podem causar grandes prejuízos!). O fungo Candida albicans é o causador da candidíase, doença sexualmente transmissível.

REINO PROTOCTISTA – AS ALGAS E OS PROTOZOÁRIOS

março 12, 2007 às 6:20 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

REINO PROTOCTISTA – AS ALGAS E OS PROTOZOÁRIOS

 

O Reino Protoctista é constituído pelas algas e protozoários, seres vivos que habitam ambientes aquáticos, ou úmidos, e com algumas espécies parasitas. Estes seres têm várias origens evolutivas distintas (Reino polifilético). De forma geral, os organismos eucariontes que não se encaixam adequadamente nos Reinos Fungi, Plantae e Animalia, são classificados como pertencentes a este Reino.

Não obstante, pode-se destacar a multicelularidade como sendo uma apomorfia  importante do grupo (constitui o primeiro passo no que diz respeito ao surgimento de tecidos verdadeiros).

 

ALGAS

 

São seres:

 

  • Eucariontes;

  • Unicelulares ou pluricelulares;

  • Autótrofos fotossintetizantes.

 

As algas compreendem um grupo diverso de organismos geralmente aquáticos ou de ambientes úmidos, um dos quais, o das algas verdes, é considerado o ancestral evolutivo das plantas. Apesar disto, as algas não são plantas, pois não apresentam um embrião multicelular que retira alimento da planta genitora. Ao corpo das algas pluricelulares dá-se o nome de TALO, estrutura que superficialmente pode se parecer com as partes de uma planta, mas que não possui tecidos diferenciados, nem raízes, folhas e caules verdadeiros.

 

De forma geral, as algas são organismos que vivem em ambientes aquáticos, tanto de água doce quanto de água salgada, e também em ambientes úmidos. A maioria das algas apresenta parede celular, sendo que em certos casos, alguns componentes destas paredes celulares podem ser de interesse econômico.

OBS: As algas aquáticas podem fazer parte tanto do Plancton quanto do Bentos:

  • Plâncton: Grupo de organismos que vivem à deriva em ambientes aquáticos. Os animais são chamados zooplâncton, e as algas e plantas, fitoplâncton.
  • Bentos: Grupo de organismos aquáticos que vivem fixos a um substrato.

 

No que diz respeito à reprodução, as algas podem apresentar reprodução:

 

  • Assexuada

    • Divisão binária, no caso de algas unicelulares, em que uma célula se divide originando duas iguais.

    • Fragmentação do talo, em que um fragmento da alga pode regenerar um novo talo.

    • Zoosporia, em que uma alga pluricelular produz ZOÓSPOROS, células flageladas que têm a capacidade de se desenvolver e originar um novo indivíduo adulto.

  • Sexuada

    • Pela formação de zigósporos, em que duas células adultas funcionam como gametas, unindo-se e formando um zigoto dentro de um envoltório chamado ZIGÓSPORO. Este zigoto sofre meiose e origina 4 novos indivíduos.
    • Por CONJUGAÇÃO, em que há a diferenciação de certas células de um filamento em gametas masculinos e femininos, que se unem, originando um zigoto. Este, por sua vez, dá origem a novos talos.

    • Alternância de gerações. Há a alternância de indivíduos adultos haplóides (n), os gametófitos (“planta” que produz gametas) e indivíduos adultos diplóides (2n), os esporófitos (“planta” que produz esporos). Neste caso, os gametófitos (n) produzem gametas (n), que após a fecundação originam um zigoto (2n). O zigoto se desenvolve e origina um esporófito (2n), que produz esporos (n). Os esporos germinam e originam gametófitos, reiniciando o ciclo.

 

Importância ecológica das algas: As algas, por serem autótrofas fotossintetizantes, são a base das cadeias alimentares de ambientes aquáticos (são os produtores). São também responsáveis por ~90% da fotossíntese realizada no planeta, sendo assim, são responsáveis pela manutenção da quantidade de O2 presente na atmosfera (~21%). (São o pulmão do mundo, ao passo que as grandes florestas são grandes aparelhos de ar condicionado).

 

Importância econômica das algas: Várias espécies de algas pluricelulares são utilizadas na alimentação humana, como as algas pardas, verdes e vermelhas. Além disso, como já visto, algumas apresentam em suas paredes celulares, substâncias de interesse econômico (ver tabela a seguir).

 

 

A tabela a seguir mostra uma classificação das algas:

Filo

Importância e peculiaridades

Chlorophyta

(algas verdes)

Prováveis ancestrais das plantas; algumas espécies são comestíveis; podem formar associações endossimbióticas com fungos (líquens) e cnidários (zooclorelas).

Phaeophyta

(algas pardas)

Apresentam espécies comestíveis (kombu); Possuem os maiores talos. A algina da parede dá a consistência de alimentos, como a espuma da cerveja, e funciona como emulsificante de sorvetes, doces e maionese.

Rhodophyta

(algas vermelhas)

Apresentam espécies comestíveis (sushi). O ágar da parede é utilizado na fabricação de géis, e a carragenina, como estabilizante de emulsões.

Bacillariophyta (diatomáceas)

Recobertas por carapaças chamadas FRÚSTULAS, constituídas de SiO2. O acúmulo de carapaças no fundo do mar origina os DIATOMITOS, utilizados na produção de polidores, filtros e isolantes térmicos.

Chrysophyta

(algas douradas)

Nada particularmente especial…

Euglenophyta (euglenóides)

Populações grandes destes organismos sugerem que as águas estão poluídas por matéria orgânica.

Dinophyta (dinoflagelados)

São as responsáveis por causar as MARÉS VERMELHAS, fenômeno em que ocorre a proliferação excessiva destes organismos, com a liberação de toxinas nas águas, que terminam por matar animais marinhos. Podem ser encontrados associados com protozoários actinopodes e corais (zooxantelas). Algumas apresentam bioluminescência. Atribui-se ao fenômeno do aquecimento global, o fato de que os corais estão se tornando brancos devido à morte das zooxantelas.

 

Charophyta (carofíceas)

 

Nada particularmente especial…

OBS: Nos casos em que ocorre eutrofização, o fator determinante é o aumento das concentrações de NO3 e SO4-2 no meio.

PROTOZOÁRIOS

 

Protozoário é um termo que significa animal primitivo, são seres (comparar com as algas):

 

  • Eucariontes;

  • Unicelulares;

  • Heterótrofos.

 

Podem ser de vida livre, geralmente aquáticos, ou então parasitas. Uma característica marcante deste grupo é o fato de que alguns destes organismos (os ciliados) possuem células bastante complexas, Com dois núcleos, um micronúcleo e um macronúcleo, e com regiões especializadas, análogas aos órgãos dos seres pluricelulares com tecidos verdadeiros. Temos como exemplos:

 

  • VACÚOLO CONTRÁTIL – elimina o excesso de água absorvida pelo protozoário. Elimina também excretas. Responsável pela osmorregulação e excreção.

  • Citoprócto – “ânus” celular.

  • Citóstoma – “boca” celular.

  • Tricocistos – Bolsas com fios enovelados, cuja função é a defesa. Disparam quando o protozoário está sendo atacado.

 

No que diz respeito à reprodução, esta pode ser:

 

  • Assexuada

    • Divisão binária.

    • Divisão múltipla, em que ocorre a multiplicação do núcleo, antes da divisão propriamente dita.

  • Sexuada

    • Fusão de organismos adultos e formação de um zigoto, que por sua vez origina outros indivíduos.

 

Os ciliados, que possuem um macronúcleo e um micronúcleo, podem efetuar o processo de CONJUGAÇÃO. O processo é mediado pelos micronúcleos, que se multiplicam e são transferidos para a célula parceira. Ocorre a degeneração do macronúcleo das células e depois a sua conseqüente reorganização, mediada pelos micronúcleos. O processo termina por gerar quatro indivíduos diferentes dos dois originais.

 

A classificação dos protozoários é baseada em características das células, como a flexibilidade da membrana plasmática e as estruturas locomotoras que possuem (as estruturas locomotoras, nas espécies sésseis, são utilizadas para a captura de alimento):

Filo

Características

Rhizopoda

(amebas)

Célula flexível. Locomovem-se e capturam alimento com o uso dos PSEUDÓPODES. Algumas formam carapaças chamadas TESTAS. Entamoeba histolytica causa a amebíase.

Actinopoda

(radiolários e heliozoários)

 

Também apresentam pseudópodes. Os radiolários apresentam uma cápsula central de sustentação (os heliozoários não). Associam-se de forma simbiótica com algas (ZOOXANTELAS – dinoflageladas).

Foraminifera

(foraminíferos)

Também apresentam pseudópodes. Possuem um esqueleto perfurado que pode formar depósitos calcários chamados VASAS. São indicadores da presença de petróleo.

Apicomplexa

(esporozoários)

Não possuem estruturas locomotoras. Todos são parasitas. Apresentam uma organela chamada COMPLEXO APICAL, responsável pela penetração do protozoário na célula hospedeira. Plasmodium vivax causa a malária.

Zoomastigophora

(flagelados)

Locomovem-se com o uso de flagelos (nas espécies sésseis, os flagelos servem para a captura de alimentos). Trypanosoma cruzi causa a doença de chagas.

Ciliophora

(ciliados)

Locomovem-se com o uso de cílios (nas espécies sésseis, os cílios servem para a captura de alimentos). Apresentam células bastante complexas (como já visto acima). Têm dois núcleos, um Macronúcleo e um Micronúcleo (este, envolvido no processo de conjugação).


Algumas doenças causadas pelos protozoários:

 

AMEBÍASE: Também chamada disenteria amebiana, é causada pelo protozoário Entamoeba histolytica, um rizópode. Adquire-se o protozoário via ingestão de água e alimentos contaminados com CISTOS (bolsas contendo amebas). As amebas invadem células da parede intestinal, causando diarréias sanguinolentas. Previne-se com medidas de saneamento básico. O tratamento é feito com medicamentos específicos.

 

LEISHMANIOSE: Causada por protozoários do gênero Leishmania. Pode ser:

  • Visceral, quando o baço e o fígado são atacados. Os sintomas são febre e perda do apetite.

  • Tegumentar, também chamada ÚLCERA DE BAURU, quando o protozoário ataca a pele. O sintoma principal é o aparecimento de feridas ulcerosas.

O protozoário é transmitido pela picada do mosquito palha (gênero Lutzomya). Previne-se combatendo o mosquito (inseticidas, uso de filós, eliminar criadouros – águas paradas). O tratamento é feito com medicamentos contendo o elemento químico Antimônio (Sb).

 

DOENÇA DE CHAGAS: Causada pelo protozoário Trypanossoma cruzi, cujo vetor são insetos hematófagos de hábitos noturnos chamados barbeiros, como o Triatoma infestans. Eles têm esse nome pois picam geralmente no rosto, a parte que fica descoberta quando dormimos. Ao picar a pessoa, o barbeiro elimina fezes contaminadas com o protozoário, pois suga uma quantidade muito grande de sangue. Ao se coçar, devido à reação inflamatória no local da picada, a pessoa acaba por provocar pequenas lesões na pele, e é por aí que os protozoários penetram no organismo. Eles se instalam preferencialmente nas células cardíacas. Os sintomas iniciais são febre e cansaço. Previne-se combatendo o inseto vetor com o uso de filós e o vedamento de frestas onde o inseto se esconde, por exemplo. A doença pode ser tratada com medicamentos específicos ainda no início da infecção. Lembre-se: Não é a picada do barbeiro que transmite o protozoário, ele é adquirido a partir das fezes contaminadas, penetrando pelas lesões causadas no ato de coçar!

 

MALÁRIA: Causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada das fêmeas dos mosquitos do gênero Anopheles também chamados mosquitos prego (não confundir com o palha, da leishmaniose). Os protozoários infectam inicialmente o fígado e depois infectam e lisam as hemácias em ciclos regulares, de 48 h ou 72 h, dependendo do plasmódio (é importante observar alguma figura mostrando esse ciclo de vida!). Os sintomas principais são febres em intervalos regulares de tempo, coincidentes com os eventos de lise das hemácias. O tratamento é feito com o uso de medicamentos capazes de eliminar o protozoário do sangue como o quinino e a artemisina (que infelizmente acabam por selecionar formas resistentes), e a prevenção é feita combatendo-se os mosquitos. É curioso notar que: A expiração de indivíduos infectados com os plasmódios atraem fêmeas não infectadas dos mosquitos. É mole?

OBS:

  • Parasitas Heteroxenos: O parasita necessita de mais de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida.
    • Hospedeiro definitivo: É aquele onde ocorre a reprodução sexuada (pode haver também reprodução assexuada). Geralmente é o homem, mas no caso da malária, por exemplo, é o mosquito.
    • Hospedeiro intermediário: É aquele onde só ocorre reprodução assexuada.
  • Parasitas Monoxenos: O parasita necessita de apenas um hospedeiro para completar seu ciclo de vida.

O DESIGN INTELIGENTE NA BIOLOGIA: A SITUAÇÃO ATUAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

março 8, 2007 às 9:07 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | 1 Comentário

 

O DESIGN INTELIGENTE NA BIOLOGIA: A SITUAÇÃO ATUAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

Por: Phillip E. Johnson

Think (The Royal Institute of Philosophy) – 19 de Fevereiro de 2007.

[Tradução e Adaptação: Maximiliano Mendes. O artigo original pode ser encontrado aqui. Clique aqui para baixar uma versão deste artigo em formato .pdf.]

Os indivíduos que compõem o Movimento do Design Inteligente (MDI) se uniram como conseqüência da publicação do meu livro Darwin on Trial [Darwin no Banco dos Réus] (Regnery 1991, IVP 1993). O propósito que define o MDI é promover o argumento de que o neo-Darwinismo falhou em explicar a origem dos sistemas informacionais complexos e das estruturas dos seres vivos, das primeiras células aos novos planos corporais. Isto faz com que seja razoável inferir que a evidência biológica, apesar da filosofia que domina esta ciência, sugere a necessidade de se considerar que alguma causa inteligente pode ter tido um papel indispensável na origem e desenvolvimento da vida.

A alegação de que a ciência evolutiva descobriu e verificou um mecanismo que pode explicar a origem da informação e complexidade biológicas envolvendo apenas causas naturais (não-inteligentes) é apoiada por uma imensa extrapolação de uma evidência restrita a pequenas variações cíclicas em espécies fundamentalmente estáveis. O principal exemplo atual de um mecanismo neo-Darwiniano padrão envolve uma espécie de tentilhão em uma ilha do arquipélago das Galápagos. Dois cientistas de nome Grant publicaram um famoso estudo das variações dos bicos destes pássaros, posteriormente popularizado em um livro chamado O Bico do Tentilhão, escrito por Jonathan Weiner.

Os Grants mediram bicos de tentilhões ao longo de muitos anos. Em 1997, uma seca matou a maioria destas aves, e os sobreviventes tinham bicos levemente maiores que antes. A explicação provável era que os pássaros de bicos grandes tinham vantagem, pois eram capazes de comer as últimas sementes duras que restaram. Alguns anos depois as chuvas retornaram, e a média do tamanho dos bicos voltou ao normal. Não houve o aparecimento de nenhum órgão novo e não houve nenhuma mudança direcional de qualquer tipo, apenas um ciclo de vai-e-vem de bicos pequenos para bicos levemente maiores e de volta para bicos pequenos. Entretanto, este é na verdade o exemplo mais impressionante de seleção natural já observado produzindo mudanças que os Darwinistas foram capazes de corroborar, após aproximadamente um século e meio de buscas por evidências de que o mecanismo de variação aleatória com sobrevivência diferencial tem o poder transformador necessário para realizar tudo que os livros atribuem a ele.

A fim de fazer a estória parecer melhor, a National Academy of Sciences [Academia Nacional de Ciências, dos EUA] melhoraram alguns dos fatos em um livreto de 1998 chamado Teaching about Evolution and the Nature of Science [Ensinando sobre a Evolução e a Natureza da Ciência]. Esta versão da estória omite que os bicos voltaram ao normal e encorajava os professores a especular que uma “nova espécie de tentilhão” poderia surgir em 200 anos se a tendência inicial em direção ao aumento do tamanho dos bicos continuasse indefinidamente. Quando os nossos cientistas mais proeminentes têm de se utilizar do tipo de distorção que colocaria um investidor na cadeia, você sabe que eles estão tendo problemas para ajustar as evidências com a teoria que querem apoiar.

Há uma imensa lacuna entre as façanhas criativas que o mecanismo Darwiniano supostamente realizou para levar a vida de um ponto de partida unicelular, até os animais e plantas altamente complexos de hoje em dia, incluindo os humanos, e as modestas variações temporárias que na prática já foram observadas na natureza. Minha esperança era que a comunidade científica fosse concordar que é legítimo questionar se os mecanismos naturais (não-inteligentes) conhecidos podem produzir as imensas quantidades de informação genética que seriam necessárias para gerar novos tipos de organismos complexos, tendo em vista que o questionamento era baseado na evidência científica, e não em doutrinas ou escrituras religiosas.

O argumento a favor do design inteligente na biologia foi logo empregado em livros de dois autores altamente qualificados, o professor de bioquímica Michael Behe, autor de A Caixa Preta de Darwin, e o matemático e filósofo William Dembski, cujo livro The Design Inference [A inferência de Design] foi publicado após um processo de revisão por pares [peer-review] pela Editora da Universidade de Cambridge. (É possível encontrar livros de nível popular dele em livrarias online.) Muitos cientistas mostraram um interesse significativo por esses livros, como também pelo meu, e expressaram seu ceticismo sobre a alegação de que os mecanismos materialistas conhecidos poderiam explicar a origem da informação especificada complexa requerida para as intricadas atividades funcionais de uma célula viva, sem falar na informação necessária para coordenar as funções de trilhões de células envolvidas nos processos da vida de um animal multicelular.

Entretanto, para o meu desapontamento, as organizações científicas influentes formaram um sólido bloco de oposição à consideração sobre se a evidência aponta para o possível envolvimento de causas inteligentes na história da vida. Todavia, o assunto é tão fascinante, que as corporações científicas ortodoxas tiveram de tomar medidas árduas para impedir que ele surgisse na educação científica, e mesmo em jornais científicos. Como demonstrado no caso do filósofo Anthony Flew (ver adiante), o argumento tem poder persuasivo. Se os pensadores independentes na ciência se sentissem livres para escrever sobre a possibilidade das causas inteligentes na história da vida sem sofrer as conseqüências adversas, a literatura profissional e popular sobre este tema iria provavelmente ser substancial e vigorosa. Este é o motivo daqueles que não querem que o conceito do design inteligente prospere julgarem ser necessário decretar regras explícitas a fim de não permitir que os cientistas e outros discutam a possibilidade de que há uma inteligência real por trás da complexa informação genética.

Eu esperava que a maioria dos cientistas pudesse ser persuadida a levar em consideração as objeções ao Darwinismo que dependem somente de lógica e evidências empíricas, direcionadas somente à adequação do mecanismo Darwiniano, ao invés das que defendem a cronologia do livro de Gênesis. Porém, isso não aconteceu. Os Darwinistas, incluindo muitos em posições de autoridade na ciência, reagiram estigmatizando o conceito do design inteligente em biologia como “criacionismo”, como se ele fosse outra tentativa de tentar defender a cronologia literal do livro do Gênesis, ao invés de ser um movimento científico que depende somente em evidências científicas e análise lógica. Embora o MDI não identifique o designer como nada mais que uma fonte de informação biológica, havia poucas dúvidas de que aqueles que crêem no Deus Cristão, eu inclusive, iriam considerar a aceitação científica do DI altamente animadora.

Isto foi o bastante para incitar os Darwinistas e outros secularistas a dispensar todo o conceito como “religião”, então, “não é ciência”, desta forma descartando o conflito de acordo com a conveniência deles, com base em um estereótipo ao invés de uma análise das evidências e argumentos específicos. A direção da comissão da American Association for the Advancement of Science [Associação Americana para o Avanço da Ciência] (AAAS) passou uma decisão declarando que a teoria do design inteligente não é ciência. Esta ação sinalizou que a comissão estava preocupada que, se fosse permitido aos editores e revisores [de periódicos científicos], bem informados, exercer sua ponderação ao revisar manuscritos para publicação, poderiam eventualmente aparecer na literatura profissional, alguns artigos discutindo de forma séria a possibilidade de que as causas inteligentes estiveram necessariamente envolvidas na geração de inovações biológicas.

Foi demonstrado em Outubro de 2004 que tal preocupação era real, quando um artigo de revisão do teórico do DI, Dr. Stephen Meyer, passou na revisão por pares feita por cientistas empregados em instituições tipicamente seculares e foi publicado no Proceedings of the Biological Society of Washington. Os Darwinistas ficaram tão alarmados pela publicação do artigo de Meyer que montaram uma campanha furiosa contra ele. O conselho diretor da sociedade ficou tão estupefato que repudiou o artigo como inadequado para publicação em seus Proceedings, citando a política da AAAS, e reassegurando aos críticos que “o tópico do design não será abordado em edições futuras”. Seguindo esta desaprovação, os Darwinistas montaram uma outra campanha furiosa para desacreditar o editor que tinha aprovado o artigo de Meyer para publicação, acusando-o de ser um criacionista da terra jovem enrustido.

A bagunça quase histérica sobre o artigo de Meyer teve alguns aspectos positivos. Os Darwinistas tem persistentemente criticado os teóricos do MDI de levarem seus argumentos diretamente ao público, o que implicaria que esses teóricos estão tentando evitar o exame detalhado e profissional que acompanha a publicação em periódicos científicos. A verdade é o oposto. Os teóricos do DI têm avidamente perseguido quaisquer oportunidades que eles possam encontrar para publicar em periódicos científicos cujos artigos passam pela revisão por pares. A história da publicação do artigo de Meyer, e o seu resultado, demonstram que tais publicações seriam possíveis, caso não estivesse havendo uma aplicação de políticas doutrinárias que barram a publicação de artigos em apoio ao design inteligente, e a conseqüente intimidação pública e profissional de editores que poderiam permitir essas publicações. O argumento dos Darwinistas para que o público se oponha ao Design Inteligente resume-se a dizer que “Você tem de publicar nos periódicos profissionais antes de levar a teoria ao público, e nós temos uma regra que não permite que vocês publiquem na literatura profissional”. Então não há como os críticos do naturalismo evolucionista se estabelecerem. Se a publicação em periódicos fosse permitida, há razões para se crer que os cientistas se interessariam muito em trabalhar o tema. Mais de 60 cientistas ao redor do mundo pediram cópias do artigo de Meyer, mais um pacote de materiais de referência. Devido ao fato de que uma proibição de publicação estar em vigor, O DI não é discutido na literatura científica. Este silêncio imposto não nos diz nada sobre o que poderia estar acontecendo se os cientistas e editores fossem livres para agir de acordo com seus próprios julgamentos, sem medo de ser punidos por abordar tópicos proibidos.

Estou convencido de que, sob condições de liberdade intelectual, os cientistas e filósofos ficariam fascinados pela possibilidade de que causas inteligentes tenham sido fatores na origem e desenvolvimento da vida. E haveria uma discussão vigorosa acerca dos prós e contras sobre este assunto, tanto na literatura profissional quanto na popular. Os que insistem que a ciência é, por definição, dedicada à busca e ao endosso de explicações naturalísticas para todos os fenômenos, descartam qualquer questionamento da sua premissa básica como “religiosamente” motivada, e daí, irracional – e até mesmo inconstitucional nos EUA (onde a maioria da população é, apesar disso, inclinada a questionar a premissa).

Mas as questões religiosas podem ser razoáveis e importantes. Aqui vai um exemplo: Eu repetidamente apresentei a questão: “Deus é real ou imaginário?” O naturalismo evolucionista classifica Deus entre os produtos subjetivos do cérebro humano, e assim, entre os produtos da própria evolução. Contudo, se Deus é verdadeiramente real e é o nosso criador, então impor uma definição de conhecimento baseada na suposição de que SOMENTE a natureza é real, e que Deus só existe no imaginário humano seria um grande erro. Certamente é racional, para as pessoas que acreditam que Deus é ou pode ser o criador, desafiar os que insistem que venhamos a aceitar que uma natureza não-inteligente fez todo o trabalho de criação. É racional argumentar que, ao invés disso, deveríamos analisar a evidência de forma imparcial, com o objetivo de chegar à verdade, mesmo que seja necessário haver um criador, para criar todas as maravilhas do mundo dos seres vivos. Se o mecanismo Darwiniano ou algum outro tipo de combinação de lei e acaso não é capaz de criar a informação necessária, então deveríamos reconhecer sua incapacidade e passarmos a considerar outras opções. O que nós não deveríamos fazer é apegar-nos a uma resposta inadequada porque temos medo de reconhecer que a incapacidade dela tenderá a nos levar em direção a Deus.

O objetivo do MDI é alcançar uma filosofia aberta da ciência que permite a consideração de quaisquer explicações em direção às quais a evidência pode estar apontando. Isto é diferente da filosofia restritiva atual que desconsidera a possibilidade de um criador poder ser o responsável pela nossa existência, mesmo se a evidência aponta nessa direção. O MDI, caso tenha sucesso ou não, contribuiu para um melhor entendimento da realidade. Ele tenta trazer à tona a questão fundamental da criação, ao visivelmente tornar o naturalismo evolucionista em um assunto de investigação crítica baseada nas evidências, ao invés de permitir que ele domine a priori como a posição filosófica inquestionável a qual a ciência deve aderir por definição. Por enquanto, os mandarins que falam pela ciência têm o apoio das cortes e da mídia em sua campanha de excluir quaisquer desafios contra a sua premissa básica da educação pública e exame científico.

Embora o dogma naturalista tenha dominado a educação pública por meio século, seus mandarins falharam em convencer o público americano a adotá-lo, e eu vejo muitos sinais de que o descontentamento com o naturalismo evolucionista está se espalhando através do mundo. Um desses sinais são os muitos idiomas para os quais alguns de meus livros já foram traduzidos, incluído o Francês, Espanhol, Português, Coreano, Chinês, Tcheco, Finlandês e Macedônio. Eu regularmente recebo perguntas até mesmo de pessoas das nações mais secularizadas do mundo, demonstrando ceticismo em relação ao naturalismo evolucionista. Nitidamente, os relatos sobre a morte de Deus foram muito exagerados. Com o crescimento mundial da religião teísta, especialmente em regiões onde a taxa de nascimentos está crescendo ao invés de diminuir, é somente uma questão de tempo até que o argumento a favor de um designer inteligente adentre as discussões científicas e acadêmicas.

Outro sinal precoce da forma como o mundo está se direcionando veio em Dezembro de 2004, quando houve muitos comentários nos jornais e grupos de discussão da internet sobre o famoso filósofo ateísta Anthony Flew. Flew tinha acabado de anunciar que havia se convertido ao teísmo filosófico (embora não ao Cristianismo ou qualquer outra religião específica, pelo menos até agora), com base nas descobertas científicas e o raciocínio associado, que o convenceram de que há um designer inteligente do universo natural. Flew parece ter investigado o fenômeno do design no mundo natural por razões semelhantes às minhas. Ele queria decidir por si só, se as evidências e a lógica apontam na direção de uma inteligência criadora, ou se Deus é nada mais que uma idéia subjetiva, criada pela imaginação humana. Talvez estas questões sobre a realidade de Deus sejam de natureza religiosa, mas elas são importantes e merecem ser investigadas sem preconceitos ao invés de se proibir seu exame porque grupos poderosos definem ciência como comprometimento a priori com o naturalismo.

Embora Flew por enquanto não tenha aderido ao Cristianismo ou a qualquer outra religião, ele deu um salto gigante nessa direção. Em um artigo no London Independent de 27/12/2004, um teólogo de Oxford escreveu: “A que tipo de Deus [i.e., o designer de Flew] ele poderia estar se referindo? Seria um que criou as partículas elementares do universo, as forças fraca e forte, os átomos e as moléculas, e que, contudo, não esteja relacionado com o surgimento de uma humanidade inteligente? Ou poderia ser um Deus que foi inteligente o bastante para criar as galáxias, e sistemas incrivelmente intricados como o DNA, e, contudo, não inteligente o bastante para se comunicar com a humanidade? Embora Flew não acredite na Revelação, e possa não sentir que o livro de Gênesis propicie um relato útil da criação, ele também não parece ter exatamente este tipo de Deus minimalista em mente. Na verdade, quando pressionado sobre se a sua ‘Causa Primeira’ é onisciente, ele admite que uma Causa Primeira, se há uma, claramente produziu tudo o que está acontecendo, e isto implica que ‘no princípio’ houve uma criação.”

Eu concordo com este ponto, e a minha visão pessoal é que eu identifico o designer da vida como o Deus da Bíblia, embora a teoria do design inteligente, da forma que é, não exija isso. Os materialistas científicos resistem de forma impetuosa à análise sobre a existência de um designer do que vemos na natureza, em parte porque eles temem que mesmo a versão mais minimalista de uma divindade tenderá a ser entendida como o Deus da Bíblia, que se comunica com os humanos e se preocupa com o nosso comportamento. Talvez este medo seja justificado, mas e daí? Nós devemos considerar a possibilidade de que o Cosmos é governado por um Deus que se importa conosco, ao invés de proibi-la como uma idéia da qual deveríamos fugir.

O fato das autoridades Darwinistas acharem que o exame público de sua teoria é tão ameaçador me diz que há uma insegurança oculta em sua posição intelectual que irá eventualmente se tornar tão visível ao ponto de não mais poder ser escondida. Hoje em dia eu raramente vejo tentativas de se provar que o mecanismo Darwinista realmente tem o poder de criar as grandes inovações biológicas. Ao invés disso, os museus e revistas preferem apenas contar a estória da descendência comum, assumindo que a variação aleatória mais a seleção natural (reprodução diferencial) devem ter sido capazes de preparar qualquer design que tivesse de ser feito. Ao mesmo tempo, a maioria dos cientistas, embora guiados pelas suposições Darwinistas, continua fornecendo cada vez mais evidências do enorme conteúdo informacional das estruturas vivas. Até mesmo a suposição chave de que as similaridades genéticas são necessariamente herdadas de ancestrais comuns é negada quase diariamente pela invocação de algo chamado “transferência gênica lateral”, que explica as similaridades genéticas entre organismos que se acredita não compartilharem um ancestral comum. Atualmente, as regras autoritárias banem a hipótese do design inteligente das discussões científicas e a suprimem impetuosamente via processos judiciais. Uma cultura científica genuinamente confiável, que estivesse progredindo continuamente, confirmando suas teorias e resolvendo problemas não precisaria depender da intimidação para silenciar os dissidentes. Podem ainda ser precisos muitos anos de luta antes da hipótese do design real na biologia ser capaz de receber uma audiência justa, mas o dia desta audiência vai chegar, e eventualmente as pessoas irão se indagar sobre como uma teoria materialista tão instável como o Darwinismo foi capaz de cativar tantas mentes por tanto tempo.

Em meio a toda esta controvérsia, que futuro há para o conceito do design inteligente na ciência? O desafio do MDI ao naturalismo evolucionista está pelo menos sendo notado em todos os lugares, e parece que esse desafio deixou os líderes da elite Darwinista tão preocupados que eles julgam ser necessário tomar medidas visivelmente cruéis para manter o seu controle sobre o público e a discussão profissional. Dados de pesquisas de opinião reunidos ao longo de várias décadas e publicados em ligação com as eleições de 2004 convenceram quase todo mundo de que a maioria dos americanos é cética sobre o naturalismo evolucionista. Isto permanece verdade, apesar de meio século de esforços obstinados por parte dos educadores das áreas das ciências a fim de persuadi-los a aceitar a versão atual da teoria de Darwin e sua suposição de que o processo criativo que produziu os seres humanos e todas as outras formas de vida envolveu apenas causas não-inteligentes, como o acaso e leis da física, sem nenhum direcionamento ou inteligência. Para muitos americanos, essa teoria parece muito com uma religião. Cada vez mais o Darwinismo é protegido pela intimidação e restrições legais muito semelhantes àquelas que seriam empregadas para proteger as doutrinas fundamentais de uma igreja estabelecida. É claro que os Darwinistas acreditam sinceramente que a teoria deles está correta. É nisso que os defensores de uma crença estabelecida sempre crêem.

Porém, o mundo está se movendo em algumas direções surpreendentes, e talvez o mais importante sobre o Darwinismo e a sua filosofia associada do naturalismo evolucionista não seja a posição de dominância cultural que ele ocupa, mas sim o número muito grande de pessoas, incluindo algumas muito bem instruídas, que ainda vêem que a explicação Darwiniana da vida omite algo de importância fundamental, mais especificamente, a inteligência que torna possível a vida da forma como a conhecemos. No fim das contas, a única questão importante não é sobre quão numerosas ou poderosas são as pessoas que sustentam certa posição agora, mas sim sobre quem está certo sobre o que é verdade e o que não é. Se os naturalistas evolucionistas estão certos sobre as causas não-inteligentes terem produzido toda a diversidade de formas de vida complexas que conhecemos, sem a assistência de uma inteligência, então certamente nossos cientistas, muito obstinados e inteligentes, encontrarão uma demonstração mais convincente do processo e do mecanismo, do que variações cíclicas nos bicos de uma espécie de tentilhão. Por outro lado, se mais investigações tenderem a confirmar que a vida requer quantidades extraordinárias de informação genética complexa e especificada, então, eventualmente, o problema não resolvido acerca de onde toda a informação veio irá tomar o seu lugar na vanguarda das discussões científicas e filosóficas.

Eu ainda estou convencido de que o possível papel das causas inteligentes na história da vida irá eventualmente se tornar um assunto que os cientistas mais proeminentes desejarão abordar de forma justa. Por enquanto as organizações científicas influentes estão comprometidas de forma apaixonada com as explicações que só levam em consideração as causas materiais, então eles rejeitam de imediato qualquer sugestão de que causas inteligentes também podem ter tido algum papel. Parece que o compromisso principal deles é o apoio ao materialismo, ao invés de seguir as evidências em direção a qualquer conclusão que elas levarem.

Phillip Johnson é autor dos livros:

Como Derrotar o Evolucionismo com Mentes Abertas, Editora Cultura Cristã (2000).

As Perguntas Certas, Editora Cultura Cristã (2004).

Ciência, Intolerância e Fé, Editora Ultimato (2004).

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