A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 17 (FINAL)

fevereiro 25, 2007 às 1:32 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

FATOR #17 – ENCORAJANDO AS PESSOAS A CHECAR OS FATOS.

 

Um leitor (que usa o nome de tela “Jezz” no site TWeb) sugeriu este novo ponto. Encorajar as pessoas a verificar as alegações e buscarem provas (e, por conseguinte, desencorajar a credulidade inocente) é uma forma garantida de ser surrado, se você está pregando mentiras. Vamos supor por um minuto que você esteja tentando começar uma religião falsa. A fim de apoiar sua falsa religião, você decide inventar um número de alegações históricas (i.e., testáveis), e então espera que ninguém vá checá-las. Em outras palavras, apesar dos conselhos dados nos fatores #7 (i.e., não invente alegações históricas) e #13 (i.e., que as pessoas irão checar suas alegações), você decidiu apostar e esperar que as pessoas sejam inocentes o bastante para se unir à sua religião. Qual é a coisa mais importante a se fazer, se você inventou alegações que são provavelmente falsas? Bem, é claro, você não sai por aí encorajando as pessoas a checarem suas alegações, sabendo que se eles fizerem isso, você será desbancado!

Suponha, por exemplo, que você esteja iniciando um novo culto sobre OVNIS, em que os fiéis serão levados para dentro de um disco voador que os está aguardando. Um cultista como este iria normalmente seguir o conselho dado no fator #7, e se certificar de que o disco voador está em algum lugar onde as pessoas não podem checar (e.g., afirmar que o disco está escondido atrás da lua). Mas suponha que você ignorou este conselho, e ao invés disso, afirmou que o disco estava esperando em uma caverna em uma montanha próxima a cidade. A última coisa que você faria é encorajar as pessoas a irem até a caverna e checar sua alegação – e desta forma desencorajar a credulidade inocente, da qual a sobrevivência do seu culto depende. Se você quisesse atrair as pessoas a se juntarem ao seu culto, você teria de fazer o exato oposto – desencorajar seus recrutas em potencial a checar os fatos (talvez ao acrescentar uma cláusula, “se alguém for atrás da caverna antes da hora, este não será levado pelo disco”).

Ao longo do NT, os apóstolos encorajavam as pessoas a checarem e buscarem provas e verificar os fatos:

  • 1 Tessalonicenses 5:21Examinem tudo, fiquem com o que é bom.

E quando os novos convertidos prestavam atenção a este conselho, não somente eles permaneciam convertidos (sugerindo que as evidências suportavam aos exames detalhados), mas os Apóstolos descreveram-nos como “nobres” por fazer isso:

  • Atos 17:11As pessoas dali eram mais bem educadas do que as de Tessalônica e ouviam a mensagem com muito interesse. Todos os dias estudavam as Escrituras Sagradas para saber se o que Paulo dizia era mesmo verdade.

Como se os Apóstolos já não estivessem tornando as coisas bastante difíceis para eles mesmos, ao fazerem alegações extraordinárias e testáveis em um ambiente social onde era difícil guardar segredos, eles aumentaram significativamente as adversidades ao encorajar as pessoas de forma ativa a checarem se o que eles diziam era verdade. Encorajar as pessoas a verificar alegações e buscar provas é uma forma garantida de assegurar que seu novo culto é um fracasso – a menos, é claro, que aquelas alegações suportassem os exames detalhados que seu encorajamento iria, sem dúvidas, gerar.

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Podemos adicionar mais fatores posteriormente, mas por enquanto, temos o bastante para apresentar nosso desafio central. O Cristianismo, como podemos ver, tinha todas as desvantagens possíveis como uma fé. Como eu notei recentemente, algumas religiões prosperam por serem vagas (Rastafarianismo) ou por terem somente demandas filosóficas, ou demandas além da verificação (Budismo e Hinduísmo). Outras asseguram seu direito à sobrevivência mantendo-se isoladas (Mormonismo) ou pela espada (Islamismo). O Cristianismo não fez nenhuma dessas coisas e não teve nenhum destes benefícios, fora um flerte tardio com a espada quando já era uma fé fortalecida e estava sendo utilizada com propósitos políticos, como realmente qualquer religião poderia ser – e não como forma de se espalhar o Evangelho. Todas as desvantagens, e nenhuma das vantagens.

Vimos que a ignorância e apatia não servem como explicações adequadas. As alegações do Cristianismo não eram muito difíceis de compreender, e de qualquer forma, o que o Cristianismo tinha a oferecer não atrairia o ignorante – caso contrário seria balanceado pelas muitas coisas que teriam despertado a desconfiança e suspeita no ignorante. A apatia, no que diz respeito às questões sociais, é um produto do nosso tempo, não do mundo antigo. Os céticos não podem apelar de forma presunçosa para estas explicações.

Me disseram que um crítico sugeriu de forma desesperada que um ou mais desses fatores não pode ser aplicado todas as vezes e à todas as pessoas neste contexto. Esta é uma resposta absurda – os fatores são centrados em valores e julgamentos inerentes ao período, costumes sociais que não são ligados e desligados como um interruptor. O crítico teria de provar que houve uma calmaria temporária em um número suficiente de fatores (mesmo para um ou dois desses que são mais do que o bastante para tirar as pessoas da nova fé) para o Cristianismo conseguir convertidos – e então documentar e explicar a calmaria, e por que ela aparentemente foi revertida depois. O ponto principal é que tal explicação é uma opinião desesperada.

Finalmente, o crítico faz confusão com o fato de que – como já observado por Stark e Meeks – O Cristianismo, como um movimento, era desequilibrado na área do status social. Visto que 99 % das pessoas eram pobres e/ou miseráveis, é claro que qualquer movimento pegaria a maioria das pessoas deste grupo, mas o Cristianismo, para o seu tamanho, tinha um número incomum de ricos e poderosos. Como Witherington nota, citando E. A. Judge (Paul Quest [A Busca de Paulo], 94):

Os Cristãos eram dominados por uma parte socialmente pretensiosa da população das grandes cidades. Além disso, eles pareciam ter sido retirados de um grupo amplo, provavelmente representando os parentes dependentes de membros proeminentes.

Estas são as pessoas que seriam mais afetadas por estes fatores e os que menos provavelmente acreditariam; eles eram os que tinham mais a perder e menos a ganhar (de forma palpável) ao se converterem. Rodney Stark mostrou em The Rise of Christianity [A Ascensão do Cristianismo] o porquê de o movimento ter continuado a crescer a partir do momento em que se estabeleceu, mas não aborda como ele conseguiu se estabelecer em primeiro lugar. Então, como isso aconteceu?

Eu proponho que só há uma explicação abrangente para o Cristianismo ter superado estas desvantagens intoleráveis, é porque ele tinha a refutação máxima – o testemunho seguro, confiável e incontestável da ressurreição de Jesus, o único evento que, aos olhos dos antigos teria justificado a honra dele e superado os numerosos estigmas de sua morte e vida. O Cristianismo tinha uma certeza que não poderia ser negada; em outras palavras, um número suficiente de testemunhas antigas (por volta de 500!) com testemunhos sólidos e indisputáveis (nada como “a visão de Jesus no céu”, mas sim uma certeza tangível de um corpo fisicamente ressuscitado) e vários convertidos logo após o fato (os milhares em Pentecostes) que fizeram desacreditar mais difícil do que acreditar. Os céticos e críticos devem explicar por que, apesar de todos estes fatores, o Cristianismo sobreviveu e prosperou. O único candidato razoável é um testemunho consistente, forte o bastante para passar até o Século II, apesar destes fatores. Os céticos tem de achar uma desculpa melhor do que “eles era burro”!

Para uma comparação e contraste com outras religiões, veja estas:

 

  • Veja um crítico tropeçar nestes argumentos aqui.

  • Veja Richard Carrier quebrando sua própria cabeça aqui.

  • Veja o feitiço se voltando contra o feiticeiro Robert Price aqui.

  • Veja o povão soluçando sobre este artigo aqui.

  • Kyle Gerkin responde aqui e lá há um link no fundo da página para um debate entre nós dois na TheologyWeb.

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