A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 13

fevereiro 9, 2007 às 7:57 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

A FÉ IMPOSSÍVEL

Ou: Como não começar uma religião antiga.

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

http://www.tektonics.org/lp/nowayjose.html

 

Fator #13 – Você não pode guardar segredo!

A cultura grupo-orientada dos antigos reforça ainda mais outro argumento apologético comum. Os apologistas regularmente notam que as alegações dos Cristãos poderiam ter sido facilmente checadas e verificadas. Os céticos, especialmente G.A. Wells, reagem supondo que ninguém teria se importado em descobrir essas coisas. Os céticos estão errados – eles operam não somente contra a tendência natural humana à curiosidade, mas também contra uma estrutura social muito importante e grupo-orientada.

Você dá valor à sua privacidade? Então permaneça nos EUA. Malina e Neyrey notam que “em culturas grupo-orientadas como as do antigo Mediterrâneo, devemos nos lembrar que as pessoas continuamente se metiam nos negócios alheios.” [183] A privacidade era desconhecida e inesperada. Por um lado, os vizinhos manifestavam uma “vigilância constante” sobre os outros; por outro lado, os vigiados estavam sempre preocupados com as aparências, e as recompensas honoráveis ou as sanções humilhantes associadas que vinham com os resultados. É a mesma coisa em culturas grupo-orientadas hoje em dia … se você já imaginou porquê temos dificuldades em espalhar a “democracia”, você não precisa procurar mais, 70% do mundo é grupo-orientado.

Pense nisso: Nós reclamamos da erosão da privacidade, mas saiba também que isto é um acordo pelo bem do controle social. Os antigos não teriam se preocupado sobre não ter medidas adequadas preparadas para deter um ataque terrorista – porque tais medidas de vigilância já estavam presentes. O controle não vem de indivíduos se controlando, mas sim do grupo controlando o indivíduo. (Este também é o motivo de nós termos dificuldade em relação às antigas formas de companheirismo da igreja!) Pilch e Malina [115] adicionam que no mundo antigo, os estranhos eram vistos como se apresentassem uma ameaça a comunidade, porque “eles são potencialmente qualquer coisa que alguém queira imaginar … Daí, eles devem ser checados sobre se poderão se adaptar e sobre se irão aceitar as normas da comunidade.” Malina adiciona em The New Testament World [O mundo do Novo Testamento] [36-7] que sempre se presumia que a honra existisse dentro do próprio sangue da família, mas que tudo fora daquele círculo era “presumido que fosse desonroso – não confiável, por assim dizer – a menos que se provasse o contrário.” Não se confia em ninguém de fora da família “a menos que a confiança possa ser validada e verificada.” Os estranhos em uma vila são considerados “inimigos em potencial”; os estrangeiros “de passagem” (como os missionários) são “considerados como inimigos na certa”. Os missionários teriam suas virtudes testadas a cada novo ponto em que paravam!

As pessoas do mundo antigo controlavam os comportamentos dos outros ao observá-los, espalhar coisas sobre eles para os outros (o que nós chamamos “fofoca”), e por desonra pública. Os críticos que perguntam o que os Fariseus estavam fazendo no campo observando os discípulos de Jesus colhendo espigas de milho, e consideram isso improvável, estão muito por fora. “…[O]s Fariseus pareciam se importar com os negócios de Jesus todo o tempo,” [183] e isso não é grande coisa, pois era o normal a se fazer. (Philo nota que havia “milhares” que mantinham seus olhos nos outros, no seu zelo em assegurar que eles não subvertessem as instituições ancestrais Judaicas – Wright, Jesus and the Victory of God [Jesus e a Vitória de Deus], 379.)

Então tem-se outro enigma para o cético. Em uma sociedade onde nada escapava sem ser notado, realmente havia todas as razões para se supor que as pessoas que ouvissem a mensagem do Evangelho iriam checar os fatos – especialmente quando se tratava de um movimento com uma mensagem radical como o Cristianismo. O túmulo vazio seria checado. A história de Mateus sobre a ressurreição dos santos seria checada. Procurar-se-ia Lázaro para se fazer questões. As alegações excessivas de honra, como as que Jesus tinha sido vindicado, ou suas alegações de divindade, teriam sido analisadas de forma detalhada. Checar os fatos propiciaria “grãos para o moinho” [argumentos para refutar o movimento] (visto que se assumiria que isso poderia ajudar a controlar o movimento). Se os Fariseus checaram Jesus em coisas como lavar as mãos e colher grãos; se grandes multidões se reuniram em torno de Jesus a cada vez que ele espirrava – quanto mais, coisas como uma alegação de ressurreição seriam analisadas!

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