SISTEMÁTICA, CLASSIFICAÇÃO E BIODIVERSIDADE

fevereiro 4, 2007 às 1:02 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

SISTEMÁTICA, CLASSIFICAÇÃO E BIODIVERSIDADE

 

CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA: Sistema que ordena os seres vivos e os distribui em grupos hierárquicos. A classificação moderna relaciona os seres vivos de acordo com o parentesco evolutivo. A nomenclatura binomial, associada ao sistema de classificação, uniformiza e simplifica seu estudo. As principais categorias taxonômicas são: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.

 

SISTEMÁTICA é o ramo da biologia que estuda a biodiversidade, isto é, os tipos e variedades de seres vivos. Tem como objetivos:

 

  • Descrever a biodiversidade na forma de catálogos das espécies;

  • Desenvolver critérios para se organizar a biodiversidade;

  • Compreender os processos responsáveis pela geração de biodiversidade.

 

Os cientistas dividem os seres vivos em categorias de acordo com suas características comuns. Sabe-se que as características mais adequadas para se organizar os seres vivos são as estruturais e anatômicas.

 

A TAXONOMIA é a forma pela qual a sistemática apresenta seus resultados. É um sistema que organiza os seres vivos em categorias hierárquicas e atribui nomes específicos a eles.

 

Vamos considerar, por exemplo, a forma como sua família organiza os diversos produtos adquiridos em um supermercado. A sistemática seriam os critérios que vocês utilizam para organizar os produtos, tipo, produtos de limpeza, alimentos a serem guardados na geladeira, no freezer, na dispensa… A taxonomia, por sua vez, seria o resultado final da organização. Você, ao pegar um saco de arroz, identifica neste produto determinadas características que o permitem concluir que ele deve ser armazenado numa dispensa, e não num freezer.

 

Como exemplos de sistemática, temos:

 

  • O sistema de Aristóteles, da Grécia antiga, que classificava os animais de acordo com o ambiente em que viviam (voadores, nadadores…) e as plantas de acordo com o critério tamanho (ervas, arbustos e árvores).

  • O sistema de Agostinho de Hipona, do Século IV dC, cujo critério de classificação era a utilidade que os seres vivos tinham para a espécie humana (úteis, nocivos e indiferentes).

  • O sistema de Lineu, do Século XVIII, cujo critério era baseado nas características estruturais e anatômicas dos seres vivos.

 

Sendo um sistema hierárquico, a categoria taxonômica ou táxon básico é a ESPÉCIE:

 

  • Grupo de populações cujos indivíduos, em geral, apresentam características semelhantes, e são capazes de se cruzar e produzir descendentes férteis, em condições naturais, estando reprodutivamente isolados de indivíduos de outras espécies.

 

Os outros táxons são (exemplificando a espécie humana):

 

Reino – Animalia

Filo – Chordata

Classe – Mammalia

Ordem – Primates

Família – Hominidae

Gênero – Homo

Espécie – sapiens

 

Palavra mnemônica: ReFiCOFaGE

 

Observação: Também existem sub- e super-categorias (ex: superordem e subgênero). Além destes, acima da categoria Reino, também há uma categoria chamada Domínio:

 

  • Eukarya: Os seres eucariontes.

  • Archaea: Arqueas.

  • Bactéria: Eubactérias.

 

As espécies de seres vivos são nomeadas de acordo com um sistema de NOMENCLATURA BINOMIAL (introduzido por Lineu) que segue a regra Gênero espécie:

 

  • O nome do gênero seguido do nome específico destacados do resto do texto (em itálico, negrito ou sublinhado).

  • O nome do gênero sempre vem com a inicial maiúscula e o da espécie com a inicial minúscula.

  • Os nomes dos organismos devem ser escritos de forma latinizada. (Não pode ser algo do tipo: Gatinho lindo).

  • Quando aparecer pela primeira vez no texto, o nome deve ser escrito por completo, e depois pode se abreviar o nome genérico: Canis familiaris C. familiaris.

  • Além disso, o nome do gênero pode ser escrito de forma isolada, ao passo que o da espécie não: Posso escrever apenas Canis, sem especificar mais que isso.

 

A sistemática atual, assim como as ciências biológicas em geral, é baseada na TEORIA DA EVOLUÇÃO e na descendência comum universal (um primeiro ser vivo, simples e primitivo, é o ancestral de todas as formas de vida existentes hoje no planeta). Sendo assim, as classificações, na verdade, são genealogias, exibindo as relações de parentesco entre os seres vivos.

 

Acredita-se que os mecanismos capazes de terem gerado toda a biodiversidade foram:

 

  • Mutações (= mudanças) no material genético dos seres vivos;

  • Seleção natural: nem todos os organismos têm a mesma capacidade de se reproduzir e deixar descendentes, o ambiente seleciona os organismos com as características mais favoráveis.

 

ADAPTAÇÃO é a capacidade de os seres vivos se ajustarem ao ambiente. Pode ser um processo de ajustamento individual (homeostase), ou de uma espécie ao ambiente no curso da evolução (adaptação evolutiva).

 

As evidências a favor da evolução são:

 

  • Fósseis: Restos ou vestígios de seres que viveram em épocas remotas. Mostram que nosso planeta já foi habitado por espécies distintas das atuais, e que foram as ancestrais das atuais.

  • Semelhanças entre os embriões dos vertebrados.

  • Órgãos homólogos: Órgãos que têm a mesma origem embrionária e desenvolvimento em espécies diferentes. Apesar disso em alguns casos, podem desempenhar funções distintas em espécies distintas, como os membros anteriores de vertebrados terrestres e as asas de morcegos. (Órgão análogo: órgão que desempenha a mesma função em certas espécies, apesar de ter origens embrionárias distintas. Ex: Asas de aves, insetos e de morcegos.)

  • Semelhanças entre seqüências de ácidos nucléicos e proteínas: Quanto mais próximo o parentesco evolutivo maiores as semelhanças entre as seqüências.

 

ESPECIAÇÃO: Processo de formação de novas espécies. Ex: Os tentilhões de Darwin.

 

ÁRVORES FILOGENÉTICAS são diagramas que organizam e relacionam os seres vivos de acordo com o parentesco evolutivo entre eles.

 

Atualmente há dois métodos principais em Sistemática:

 

  • Fenética: Classificação baseada no número de características morfológicas entre os seres vivos, mesmo que isso não reflita a história evolutiva de um grupo. Também chamada de taxonomia numérica.

  • Filogenética: Classificação baseada nas relações de parentesco e história evolutiva dos organismos.

 

A filogenética utiliza-se da cladística, método que procura estabelecer relações de parentesco evolutivo pela escolha criteriosa de características que realmente indiquem a ancestralidade comum entre os grupos. Cladogramas são diagramas que mostram as relações filogenéticas entre os grupos de seres vivos considerados. A construção do cladograma é baseada em dois tipos de características:

 

  • Apomorfias: São as novidades evolutivas. São as características derivadas, não presentes no ancestral.

  • Plesiomorfias: São as características primitivas.

 

Exemplo: Considerando os mamíferos e os répteis, as glândulas mamárias seriam uma apomorfia, ao passo que a presença de um endoesqueleto ósseo seria uma plesiomorfia, pois continua presente.

 

OS PRINCIPAIS REINOS DE SERES VIVOS

 

Adotaremos o sistema de classificação proposto por Whittaker e modificado por Margulis e Schwartz, de 5 reinos. São eles:

 

  • Monera: Seres procarióticos.

  • Protoctista: Protozoários (unicelulares, eucarióticos e heterotróficos) e algas (uni ou pluricelulares, eucarióticos e autótrofos fotossintetizantes).

  • Fungi: Fungos (uni ou pluricelulares, eucarióticos e heterótrofos).

  • Plantae: Plantas (pluricelulares, eucarióticos e autótrofos fotossintetizates).

  • Animalia: Animais (pluricelulares, eucarióticos e heterótrofos).

 

Os VÍRUS são um caso à parte, pois são acelulares. Sendo assim, não apresentam metabolismo próprio e são obrigatoriamente parasitas intracelulares. Como não sabemos definir se são ou não vivos, chamamos os vírus de entidades.

 

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