A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 10

janeiro 30, 2007 às 11:58 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

A FÉ IMPOSSÍVEL

Ou: Como não começar uma religião antiga.

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

http://www.tektonics.org/lp/nowayjose.html

 

Fator #10 – Sem classe!

Nem homem nem mulher, nem escravo nem livre.” Você pode estar tão acostumado a aplaudir este tipo de conceito que não percebe o quão radical esta mensagem foi para o mundo antigo. E esta é outra razão pela qual o Cristianismo deveria ter sido extinto ainda no berço, se fosse uma fraude.

Malina e neyrey notam que no mundo antigo, as pessoas adquiriam sua identidade dos vários grupos aos quais eles pertenciam. Qualquer grupo(s) ao qual eles estivessem inclusos determinava a sua identidade. As mudanças nas pessoas (como a conversão de Paulo) eram anormais. Esperava-se que cada pessoa cumprisse um determinado papel. Apagar ou manchar essas várias distinções – como no caso de Paulo, mas que na prática também aconteceu durante o ministério de Jesus – faria o Cristianismo parecer radical e ofensivo.

Note que isso não é só para os ricos e poderosos; supor que um escravo ou os pobres considerariam a mensagem do Cristianismo atraente é um anacronismo do individualismo ocidental. Em primeiro lugar, mesmo na perspectiva ocidental, juntar-se ao grupo, em termos práticos, não aliviava a condição em que estas pessoas se encontravam. Além disso, no mundo antigo, a mentalidade de não permanecer em algum tipo de relação de dependência seria estranha. “Quando os mediterrâneos antigos falavam de ‘liberdade’, eles geralmente entendiam o termo como liberdade da escravidão de um senhor ou mestre, e liberdade para passar a servir outro lorde ou benfeitor.” [163] De modo geral, também não passaria pela cabeça de tais pessoas que a situação deles poderia mudar, pois tudo o que acontecia era atribuído ao destino, sorte ou providência [189]. Você não lutava contra a situação, a coisa mais honorável era agüentá-la e resisti-la. [Daí a piada da esposa de Jó dizendo “Jó, arrume um emprego!” – Job, get a job! – é mais engraçada do que achamos!] Em outras palavras, não era uma questão de estar a serviço de outro, mas de quem você estava a serviço! Despedaçar estas distinções sociais teria sido um enorme passo em falso – a menos que você tivesse algumas cartas poderosas para jogar.

Da mesma maneira, os vizinhos Judeus de um Cristão não estariam muito felizes. A observação estrita da Torá tornou-se o único “mecanismo de defesa” contra o preconceito Romano, era a forma que eles tinham de permanecer puros contra as influências externas. Um convertido que parava de observar a Lei e começava a se associar aos Gentios receberia um tapa duplo – especialmente com memórias ainda recentes da era de Antióquio, quando os Judeus freqüentemente se rendiam ao Helenismo. Em essência, ele tinha desistido dos “banhos espirituais”!

O Cristianismo revirou as normas de ponta a cabeça, e dizia que o nascimento, etnia, sexo e riqueza – o que determinava a honra de uma pessoa neste contexto – significavam nada. Mesmo sinais menores de honra como a aparência e o carisma eram desprezados (2 Coríntios 5:12).

O fator identidade de grupo constitui-se em outra prova para a autenticidade do Cristianismo. Em uma sociedade grupalmente orientada, você pegava sua identidade do líder do seu grupo, e as pessoas precisavam do apoio e endosso de outros para apoiar sua identidade. O Cristianismo forçava um corte nos laços sociais e religiosos, as coisas que faziam a posição “humana” de uma pessoa. (Em troca, o Cristianismo propiciava seu próprio apoio comunitário, mas isso dificilmente explica o porquê das pessoas se tornarem Cristãs!) Além do mais, uma pessoa como Jesus poderia não ter mantido um ministério, a não ser que aqueles em volta dele o apoiassem. Um Jesus meramente humano não poderia ter cumprido esta demanda e deve ter propiciado provas convincentes de seu poder e autoridade para manter um grupo de seguidores, e para ter mantido um movimento que começou e sobreviveu muito tempo após sua morte. Um Jesus meramente humano teria de viver de acordo com as expectativas dos outros e teria sido abandonado, ou pelo menos teria de mudar de cavalo no primeiro sinal de fracasso.

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