A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 4

janeiro 18, 2007 às 11:14 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

http://www.tektonics.org/lp/nowayjose.html

 

FATOR #4 – O QUE HÁ DE NOVO? O QUE NÃO É BOM?

A literatura Romana nos diz que “(O) teste primário da verdade em questões religiosas era o costume e a tradição, as práticas dos antigos.” (62) Em outras palavras, se suas crenças tinham o tipo certo de histórico e uma linhagem decente, você seria respeitado pelos Romanos. O velho era bom, e a inovação era ruim.

Esta foi uma grande dificuldade inicial para o Cristianismo, porque era possível rastrear suas raízes até seu fundador recente. Os Cristãos eram considerados “inovadores arrogantes” (63) cuja religião era a nova recém chegada, mas que, contudo, atrevia-se a insistir que era o único caminho! Como notado anteriormente, O Cristianismo afirmava que as pessoas no poder, que julgaram Jesus como merecedor do pior e mais vergonhoso tipo de morte, estavam totalmente erradas, e o próprio Deus disse isso.

 

Malina e Neyrey [164] explicam o assunto em maiores detalhes. A reverência era dada aos ancestrais, considerados mais importantes “pelo fato do nascimento”. Os Romanos “eram culturalmente compelidos a tentar efetuar a impossível tarefa de cumprir com as expectativas das tradições daqueles personagens do seu passado em comum, necessariamente mais importantes que eles.” O que havia sido passado para as gerações seguintes era “presumivelmente válido e normativo. Os argumentos poderosos poderiam ser redigidos como: ‘Nós sempre fizemos isso desta forma!’” semper, ubique, ab omnibus – “sempre, em todo lugar, por todos!” Em contraste, o Cristianismo dizia: “Não agora, não aqui, e não você!” É claro que isso explica o porquê de Paulo apelar para o que havia sido transmitido a ele por outros (1 Coríntios 11:2) – mas isto está dentro do contexto de uma igreja onde a transmissão estava ocorrendo apenas nos últimos 20 anos! Pilch e Malina adicionam (Handbook of Biblical Social Values, p. 19 – Manual de Valores Sociais Bíblicos) que a mudança ou novidades nas práticas e doutrinas religiosas deram de cara com uma reação especialmente violenta; a mudança ou novidade era “uma forma de valor que servia para inovar ou subverter valores centrais e valores secundários.”

 

Mesmo a escatologia e teologia Cristãs se opuseram a este tipo de percepção. A idéia da santificação, de uma purificação e aperfeiçoamento supremos do mundo e de cada pessoa, se opunha à visão de que o passado foi o melhor dos tempos e as coisas ficaram piores desde então.

 

Os Judeus, por outro lado, possuíam raízes bem mais antigas, e embora alguns críticos Romanos tenham feito um esforço para “desenraizar” estas raízes, outros (inclusive Tácito) concedia aos Judeus certo grau de respeito devido à antigüidade de suas crenças. Levando isto em conta, podemos entender os esforços dos escritores Cristãos em ligar o Cristianismo ao Judaísmo o máximo possível, e assim, atingir a mesma “antigüidade” que algumas vezes era garantida aos Judeus. (É claro que concordamos que os Cristãos estavam certos ao fazer isso, mas os Romanos não viam isso da mesma forma!)

 

Os críticos do Cristianismo, é claro, “sacaram” este “truque” e logo apontaram (embora de forma ilegítima) que os Cristãos dificilmente poderiam se dizer ligados ao Judaísmo ao mesmo tempo em que não guardavam nenhuma das práticas dessa religião Portanto, esta é uma barreira que o Cristianismo nunca pôde superar fora de um círculo restrito – não sem oferecer alguma prova sólida.

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