A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 3

janeiro 15, 2007 às 2:08 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

http://www.tektonics.org/lp/nowayjose.html

 

Fator #3 – Ficando na carne! O tipo errado de “Ressurreição”.

 
Como já mostramos aqui, a ressurreição de Jesus dentro do contexto do Judaísmo foi vista pelos Gentios como o que pode ser descrito como “grosseiramente” física. Isto em si levanta um problema para o Cristianismo tornar-se algo além de uma missão básica do Judaísmo. Regularmente citamos o dito de Pheme Perkins: “Os críticos pagãos do Cristianismo geralmente viam a ressurreição, na melhor das hipóteses, como metempsicose [Transmigração da alma de um corpo para outro] mal entendida. Na pior das hipóteses, parecia ridículo.” Ainda deve se notar que o mundo pagão era inundado com pontos de vista associados com os que pensavam que a matéria era maligna e a raiz de todos os problemas dos homens. O pensamento Platônico, como Murray Harris diz, supunha que “o maior bem do homem consistia na emancipação da profanação corporal. A nudez da desencarnação era o estado ideal.” A ressurreição física era o último tipo de estágio para a humanidade que você gostaria de pregar.

 

Realmente, dentre os pagãos, a ressurreição era considerada impossível. Wright em Resurrection of the Son of God [A Ressurreição do Filho de Deus] cita o Rei Príamo, de Homero: “Lamentar-se pelo seu filho morto não trará bem nenhum. Você morrerá antes de trazê-lo de volta à vida.” E a Eumenides de Ésquilo: “Uma vez que um homem morreu, e a poeira ficou ensopada com seu sangue, não há ressurreição.” E por aí vai, com várias outras citações negando a possibilidade da ressurreição. [32-3] Wright ainda nota que a crença na ressurreição era um motivo para ser perseguido: “Não devemos nos esquecer de que quando Irineu se tornou bispo de Lyons, ele estava substituindo um bispo que morreu graças à perseguição cruel; e que um dos temas dessa perseguição era o apego tenaz dos Cristãos na crença de uma ressurreição em um corpo físico. Os detalhes do martírio são encontrados na carta das igrejas de Viena e Lyons às da Ásia e Frígia. A carta descreve como, em alguns casos, os torturadores queimavam os corpos e espalhavam as cinzas no rio Rhône, de forma que nenhum resto dos mártires ainda pudesse ser visto na terra. Eles faziam isto, diz o escritor, “como se fossem capazes de conquistar Deus, e despojarem-se do seu renascimento [palingenesia]’.”

 

O próprio Judaísmo teria tido sua própria dificuldade, embora menor e não insuperável: não havia a percepção da ressurreição de um indivíduo antes da ressurreição geral no dia do Juízo. Mas novamente, isto, embora estranho, poderia ter sido superado – contanto que houvesse evidências! O que não era tão fácil de conseguir no mundo pagão. Podemos ver bem que Paulo teve de lutar contra os Gnósticos, os Platonistas, e os ascéticos sobre essas questões. Mas o que faz isto especialmente revelador é que uma ressurreição física era completamente inútil para simplesmente começar uma religião. Teria sido o bastante dizer que o corpo de Jesus foi levado aos céus, como Moisés ou Elias. E, de fato, isso teria se ajustado com o que era esperado (veja aqui), e teria sido muito mais fácil de “vender” para os Gregos e Romanos, para quem a melhor “evidência” de elevação ao ranking divino era a apoteose – o transporte da alma para os reinos celestiais após a morte; ou então a transferência quando ainda vivo. Então por que se incomodar tornando o caminho ainda mais difícil? Há somente uma resposta plausível – eles realmente tinham uma ressurreição para pregar.

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