A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 2

janeiro 15, 2007 às 2:46 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 2

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

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Fator #2 – Nem daqui nem de lá: Ou, Um homem da Galiléia??

 

    · João 1:46 – Natanael perguntou: – E será que pode sair alguma coisa boa de Nazaré? – Venha ver! – respondeu Filipe.

    · Atos 21:39 – Paulo respondeu: – Eu sou judeu, nascido em Tarso, cidade muito importante da região da Cilícia. Por favor, me deixe falar com o povo.

A geografia oferece alguma vantagem para a religião? Para os antigos, “muito em todos os aspectos”! O politicamente correto estava a 2000 anos no futuro, e o mundo Greco-Romano era cheio do que nós chamamos de preconceitos e estereótipos – que eram aceitos como “Grandes Verdades”! Diga hoje em dia que “X são sempre brutos, gulosos e etc.” e você terá meia dúzia de grupos dos direitos civis batendo à sua porta. Diga isso em Roma e você verá todos concordando contigo – às vezes até mesmo o próprio grupo criticado!

Jesus ter sido Judeu é um fato que dificilmente poderia ter sido negado pelos primeiros Cristãos, mas também era um grande impedimento para se expandir o Evangelho além dos próprios Judeus. O Judaísmo era considerado como uma superstição pelos Romanos e Gentios. Escritores Romanos como Tácito relataram de forma entusiástica (não como verdade, mas algo como “alguns dizem…”) todos os tipos de calúnias contra os Judeus de forma geral, considerando-os uma raça malévola e detestável. Tentar trazer um salvador Judeu para a porta de um Romano normal teria menos sucesso do que tentar levar um à porta de um nazista – embora o Romano talvez não quisesse te matar; ele certamente iria rir da sua cara, bater a porta ou te dar um cascudo.

Isto é claro do próprio Judaísmo e suas limitadas incursões em termos de conversão de Gentios. Sem dúvidas, isto é parcialmente atribuível ao fato de que o Judaísmo não era uma religião muito missionária. E, contudo, se o Cristianismo não tivesse algumas cartas na manga, o fato de Jesus ser Judeu, por si só significa que ele nunca deveria ter se expandido no mundo dos Gentios muito além do círculo daqueles que já eram tementes a Deus (i.e., Gentios convertidos ao Judaísmo).

Vamos enfatizar novamente os pontos feitos por Robert Wilken em The Christians as the Romans Saw Them [Os Cristãos Como Vistos Pelos Romanos]. Os Romanos naturalmente consideravam suas crenças superiores às de todos os outros. (57) Eles também acreditavam que superstições (como o Judaísmo e o Cristianismo) minavam o sistema social estabelecido pela religião Romana – e, é claro, eles estavam certos. Entretanto, o ponto é que qualquer um que seguisse ou adotasse uma das superstições estrangeiras seria visto não somente como um rebelde religioso, mas também como um rebelde social. Eles estavam quebrando o status quo, espalhando o caos, participando de uma rebelião estilo a dos anos de 1960 contra a elite dominante. Eles perturbavam o conceito Romano de devoção e acreditava-se que eram incapazes de ser devotos. Naqueles dias, as coisas não eram pluralísticas ou “politicamente corretas” e não havia campeões da diversidade em campi universitários: Hoje em dia, ateus e teístas podem debater em um foro aberto, mas naquele tempo um dos lados da disputa teria o Estado (e a espada!) ao seu lado – e no tempo em questão, não era o lado dos Cristãos!

Aqueles que aderiam à superstitio, portanto, encontravam-se obviamente associados com comportamentos estranhos e bizarros – como os Cristãos, e também os Judeus, como relatado por Tácito em sua obra Histórias. E ele foi ainda mais longe: “(C)omo a superstição leva a idéias irracionais sobre os deuses, a conseqüência inevitável é o ateísmo”. (61) Visto que os “supersticionistas” avançaram contra a ordem cósmica estabelecida, sua visão de universo era considerada como volúvel e irracional, e isto eventualmente levou os críticos, a acusarem os Cristãos, como Crescens, de serem ateus (68).

Claro, isto é apenas um problema dentro da missão para converter os Gentios. Mas nesse caso, e mesmo dentro do Judaísmo, o Cristianismo teve de superar outro estigma, já exemplificado em nossas citações comparativas. Quando Paulo mencionava que era de Tarso, não fazia isso para comparar notas sobre cidades natais com o centurião. Ser de uma pólis grande como Tarso significava uma classificação de elevada honra para a pessoa que exigia direitos – isso pode ser marginalmente comparado com os nossos conceitos atuais sobre “morar na vizinhança certa”! O Cristianismo tinha um sério impedimento no que diz respeito a esse aspecto, o estigma de um salvador que inegavelmente procedia da Galiléia – para os Romanos e Gentios, não somente um território Judeu, mas uma estufa de sedição política; para os Judeus, não tão ruim como a Samaria, claro, mas era uma terra de caipiras e fazendeiros sem muito respeito pela Torah, e o pior de tudo, um salvador de um vilarejo pequeno e sem importância. Nem mesmo um nascimento em Belém, ou a sugestão de Mateus que uma origem na Galiléia foi profeticamente decretada, teriam desprendido tal estigma: Certamente os Judeus não se convenceriam disso, mesmo hoje em dia, a menos que algo primeiramente os convencesse de que Jesus era divino ou era o Messias. Assim como nós, os antigos não eram menos sensíveis à manipulação de informações.

Há outras extensões menores sobre esse negócio de estereótipos. Dar a Jesus o cargo de carpinteiro era a coisa errada a se fazer; Cícero notou que tais ocupações eram “vulgares” e comparadas ao trabalho dos escravos. Colocar a história do nascimento de Jesus em um contexto suspeito onde uma acusação de ilegitimidade seria óbvia demais também faria parte dos problemas. Se os Evangelhos estivessem inventando essas coisas, quão difícil seria colocar Jesus em Seforis ou Cafarnaum (e ainda tirar vantagem profética da “conexão Galiléia”) – e como os céticos estão acostumados a dizer, de forma errônea, isto não seria mais fácil ou difícil de checar do que Nazaré. Quão difícil seria adotar uma Cristologia “adocionista” e dar a Jesus um nascimento incontestavelmente honroso (ao invés de reivindicar honra pelo duvidoso, superficialmente, reivindicar que Deus era o pai de Jesus)? Talvez mais difícil, pois é pouco provável que as pessoas notem um só homem, em comparação a uma cidadezinha com fortes laços comunitários. Isso tudo significa que: A pessoa de Jesus estava errada em tudo o que diz respeito a fazer com que as pessoas acreditassem que ele era uma divindade – e deve ter sido algo realmente poderoso superar todos os estigmas.

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