OS OLHOS DOS TRILOBITAS: EVIDÊNCIA DE DESIGN?

janeiro 12, 2007 às 12:44 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

OS OLHOS DOS TRILOBITAS: EVIDÊNCIA DE DESIGN?

Por: Maximiliano Mendes – [02/01/2007]

 

1) QUE BICHO É ESSE?

Primeiramente, uma descrição breve sobre estes animais:

Os trilobitas pertenciam a uma classe extinta de artrópodes (semelhantes aos Chelicerata atuais), que, de acordo com a perspectiva secular, habitaram este planeta há aproximadamente 540-250 milhões de anos, ou seja, do período cambriano, quando surgiram, até o permiano, quando foram extintos (na grande extinção do permiano-triássico). Eram animais marinhos, geralmente bentônicos, habitantes do solo oceânico, e se alimentavam filtrando lama/lodo. Os trilobitas são o grupo animal mais diverso preservado no registro fóssil [1].

Possuíam tamanho de aproximadamente 0,1-70 cm, corpo com formato oval e achatado, dividido em três partes: cabeça, tórax e cauda. Um par de sulcos dividia longitudinalmente o corpo do animal em três regiões, daí vem o nome: três lobos – trilobita. Possuíam um exoesqueleto mineralizado, constituído de uma malha de quitina, contendo proteínas e os minerais carbonato de cálcio (calcita) e fosfato de cálcio [1]. As lentes dos olhos dos trilobitas também eram constituídas do mineral calcita, facilitando a preservação da estrutura nos fósseis [2]. A figura 1 apresenta um esquema básico de um trilobita típico:

 

 

Figura 1. Esquema básico de um trilobita. < Fonte >

Hmpf! Cadê a evidência de design, não tô vendo nada!

2) OS OLHOS

De acordo com o evolucionismo, tendo em vista que surgiram muito cedo no registro fóssil, estando dentre os primeiros artrópodes, o esperado é que os trilobitas fossem animais bastante simples em comparação com os artrópodes atuais. Todavia, alguns trilobitas apresentam uma estrutura que de simples não tem nada: Os olhos esquizocroais. Vejamos a seguir uma série de citações de pesquisadores, sobre estes olhos [3, 4]:

· Niles Eldredge: Estas lentes – tecnicamente denominadas a-esféricas e a-planáticas – aperfeiçoam a coleta de luz e a formação de imagens melhor do que qualquer lente já concebida. Podemos, com justiça, surpreender-nos com esses trilobitas, que muito cedo na história da vida na Terra, acharam por acaso o melhor design de lentes possível que a física ótica já foi capaz de formular.

· Riccardo Levi-Setti: Na verdade, este conjunto óptico [doublet] é um dispositivo tão tipicamente associado com a invenção humana que sua descoberta em trilobitas nos choca. Perceber que os trilobitas desenvolveram e utilizaram tais dispositivos há meio bilhão de anos torna o choque ainda maior. E uma descoberta final – de que a interface refratante entre os dois elementos das lentes em um olho de trilobita foi planejada de acordo com as construções óticas calculadas por Descartes e Huygens na metade do século XVII – beira a completa ficção científica. O design das lentes dos olhos dos trilobitas poderia muito bem ser qualificado para o registro de uma patente.

· David Raup: Os trilobitas utilizaram um design ótico ótimo. Para se desenvolver igual hoje em dia, seria necessário um engenheiro ótico bem treinado e criativo.

· Lisa Shawyer: Os olhos dos trilobitas tinham as lentes mais sofisticadas já produzidas pela natureza.

· Ian Taylor: Se Darwin “gelou” ao pensar no olho humano no fim do ciclo evolutivo, imagina o que ele teria pensado sobre o olho do trilobita, próximo do começo [do ciclo evolutivo]?

Essas citações nos garantem que efetivamente estes olhos são estruturas de altíssima sofisticação. Vejamos a seguir, de forma básica, como funcionavam, e algumas de suas características principais.

Os trilobitas apresentam três tipos de olhos: holocroais, esquizocroais e abatocroais (figura 2), sendo este último tipo intermediário em complexidade entre os dois primeiros, e também considerado morfologicamente à parte. Assim como os olhos de vários outros artrópodes eram do tipo composto: consistiam em arranjos de estruturas chamadas omatídeos, sendo que cada um apontava para uma direção levemente diferente. Este arranjo era protegido por córneas, sendo uma para cada lente individual, no caso dos olhos esquizocroais e abatocroais, e uma única córnea cobrindo todas as lentes, no caso dos olhos holocroais. [2, 5].

Acredita-se que o tipo mais antigo a ter surgido é o holocroal, que consistia em vários omatídeos pequenos e comprimidos, todos cobertos por uma única córnea de calcita. Quando da ecdise, esta córnea era perdida, permitindo que o olho do animal também crescesse. Novos omatídeos eram adicionados abaixo dos já existentes, em um padrão hexagonal semelhante a um favo de mel [2].

 

Figura 2. Os três tipos de olhos dos trilobitas. < Fonte >

Os trilobitas da família Phacopidae, possuíam olhos esquizocroais (ou olhos agregados), que, de acordo com alguns cientistas, como já visto, eram os sistemas óticos mais avançados utilizados por organismos [6, 7] (veja mais alguns na figura 3).

 

Figura 3. Olhos esquizocroais de trilobitas da família Phacopidae.

< Fonte >

Vejamos mais detalhes sobre os olhos esquizocroais a seguir:

As lentes dos olhos de vertebrados têm músculos associados, que as ajudam a focar melhor a imagem ao mudar sua forma – processo denominado acomodação visual. Já as lentes dos olhos dos trilobitas não possuíam essa característica, então para resolver este problema, elas formavam um doublet – um conjunto ótico consistindo de duas lentes de índices de refração diferentes atuando de forma combinada – unido por uma superfície de Huygens: A primeira lente em cada omatídeo era esférica e a segunda era arqueada, contendo uma superfície ondulada associada à primeira. Este arranjo permitia a correção das aberrações esféricas (a distorção da imagem), além de aumentar a sensibilidade ao contraste aproximadamente cinco vezes, e efetivamente reduzir o número-f do olho (figura 4). As lentes eram também posicionadas de forma a produzir uma zona de visão sobreposta, permitindo a percepção de profundidade. Assim, os olhos dos trilobitas também permitiam que eles enxergassem em todas as direções, ao mesmo tempo! [2, 6, 5].

Estes olhos empregavam o princípio de Fermat, a condição do seno de Abbe, e as leis de refração de Snell para compensar a ótica birrefringente dos cristais de carbonato de cálcio, componentes das lentes [6].

 

Figura 4. As lentes compostas dos olhos dos trilobitas promoviam a formação de imagens não difusas, graças ao doublet de duas lentes unidas por uma superfície de Huygens. < Fonte >

 

Sendo assim, tais olhos apresentavam um design bastante eficiente, que os permitiam ver uma imagem não distorcida dentro da água, em todas as direções, determinar distância e profundidade, ao mesmo tempo em que eram um sensor ideal para a detecção de movimento [6].

Falando tecnicamente… o olho esquizocroal dos trilobitas Phacopidas


O olho agregado ou olho esquizocroal tinha uma lente que consistia em duas partes. Uma lente superior feita de calcita orientada (índice de refração, n = 1,66) e uma lente inferior de quitina (n = 1,53). A forma do limite comum entre as duas lentes é descrita por uma equação de quarto grau.

 

O professor Levi-Setti, uma autoridade em trilobitas, diz que, com uma lente de calcita imersa na água (como neste caso) é impossível que as lentes superiores funcionem como requerido1.

 

A lente inferior é moldada para corrigir o padrão de raios de luz que emerge das lentes de calcita e para focar todos os raios em um só ponto.

 

Um limite de forma similar para uma lente de vidro no ar foi deduzido por Descartes2 e Huygens3.

 

Em relação às lentes dos trilobitas, Levi-Setti afirma que4:

 

“Há, na verdade, somente uma escolha de índices de refração para os quais a lente traz raios de luz paralelos para um foco. Isso envolve os fatos de que a lente superior é feita de calcita (n = 1,66), e a lente inferior é feita de quitina (n = 1,53).”

 

O Dr. Levi-Setti conclui5:

 

“Os trilobitas resolveram um problema físico muito elegante e aparentemente conheciam o príncípio de Fermat, a condição do seno de Abbe, as leis de refração de Snell, e a ótica dos cristais birrefringentes…”

 

1. R. Levi-Setti, Trilobites: A Photographic Atlas, University of Chicago Press, Chicago, 1975, p. 38.

2. R. Descartes, La geometrie, oeuvres de Descartes, Vol. 6, ed. C. Adam and P. Tannery, Libraire Philosophique, Paris.

3. C. Huygens, Treatise on Light, 1690. Translated by S.P. Thompson, University of Chicago Press, 1912.

4. R. Prokop, Fossils. Hamlyn Colour Guide, Hamlyn, London, 1981.

5. Ref 1. p. 33.

Fonte: http://www.creationontheweb.com/content/view/587

Grande coisa, a evolução já explicou tudo isso! Foi assim ó: Era uma vez, há muito tempo, em uma terra muito distante…

3) SOBRE AS ORIGENS…

Os primeiros trilobitas aparecem no início do período Cambriano, e possuem todas as características básicas de um trilobita típico. Acredita-se que descendem de artrópodes do pré-cambriano, que originaram os trilobitas e outros aracnomorfos cambrianos. Alguns fósseis são possíveis candidatos: Parvancorina e Primicaris. Todavia, de forma geral, devido à falta de intermediários no registro fóssil, mostrando uma sucessão progressiva passo-a-passo (o que não seria tão impossível no caso dos artrópodes, devido à presença do exoesqueleto…) as opções continuam sendo especular acerca das semelhanças entre animais, baseando-se em características supostamente plesiomorfas, imaginando como poderia ter se dado o processo, tendo em vista as exigências do evolucionismo. No caso dos olhos, o fato deles serem constituídos de carbonato de cálcio facilitaria ainda mais a preservação no registro fóssil, todavia, aparentemente, não vemos um padrão de desenvolvimento gradual e passo-a-passo. Também já se sabe que outros artrópodes de corpos mais frágeis ou delicados, ao invés de serem os ancestrais dos trilobitas, na verdade são seus contemporâneos. [2, 5].

Sobre a evolução do olho esquizocroal em trilobitas adultos, especula-se que seria resultante de pedomorfose. Alguns trilobitas quando imaturos apresentam olhos esquizocroais, e quando adultos, holocroais. Então a presença de olhos esquizocroais nos adultos seria na verdade a manutenção dos olhos esquizocroais juvenis, que tiveram seu desenvolvimento “desacelerado”. Esta hipótese falha em explicar a origem dos olhos esquizocroais em primeiro lugar [5].

Outras tentativas [2] especulam acerca de possíveis mudanças que teriam de ter acontecido ao longo do tempo, como forma de tentar estabelecer uma relação evolutiva entre os três tipos de olhos dos trilobitas. Todavia, além de serem apenas sugestões especulativas sem evidências, não consideram as mudanças moleculares responsáveis pelas mudanças anatômicas. (É algo bem na linha: “eu posso imaginar como isso evoluiu, então deve ter evoluído”).

Tais hipóteses surgem não a partir da análise objetiva e imparcial das evidências e fatos observados, mas sim porque tais tipos de processos são requeridos a priori pelo evolucionismo.

Outro ponto importantíssimo [5]: de acordo com o registro fóssil dos trilobitas, a tendência é a diminuição de complexidade e perda dos olhos!

E daí? Você é ominoso, desonesto, mentiroso, insidioso, dissimulado, nefasto, proxeneta, amaurótico, fundamentalista e ignominioso!

4) CONCLUINDO: O QUE PODEMOS INFERIR?

Até agora vimos que:

· Apesar de surgirem muito cedo no registro fóssil, os trilobitas já apresentavam olhos de altíssima complexidade e sofisticação.

· Ainda não se conseguiu demonstrar de forma satisfatória que existiam ancestrais dos trilobitas com olhos mais simples, e que ao longo do tempo, gradualmente e passo-a-passo, originaram olhos de tamanha complexidade.

· Dificilmente algum pesquisador diria que todos os acréscimos de informação genômica surgiram de repente, juntos, originando uma estrutura tão complexa e sofisticada.

 

 

 

O CRITÉRIO DE COMPLEXIDADE ESPECIFICADA DE DEMBSKI PARA A DETECÇÃO DE DESIGN

 

É interessante citar o critério de complexidade especificada para a detecção de design de William Dembski [8]. De acordo com ele, no livro Signs of Intelligence, p. 176:

 

Quando agentes inteligentes atuam, eles deixam pra trás uma marca característica, ou assinatura – o que eu chamo complexidade especificada. O critério de complexidade especificada detecta design ao identificar esta marca característica de objetos projetados.

 

Ele continua (ibid p.178):

 

Toda vez que inferimos design, devemos estabelecer três coisas: contingência, complexidade e especificação. A contingência nos assegura que o objeto em questão não é o resultado de um processo automático, e, portanto, não-inteligente, que não tinha nenhuma escolha a não ser produzi-lo. A complexidade nos assegura de que o objeto não é tão simples ao ponto de ser prontamente explicado pelo acaso. E finalmente, a especificação assegura que o objeto exibe o tipo de padrão característico de uma inteligência.

 

Dembski utiliza um diagrama chamado filtro explanatório para demonstrar a aplicação deste critério, mostrado na figura a seguir:

 


O filtro explanatório, diagrama que representa o critério de complexidade especificada de Dembski para se inferir design.

 

Infelizmente, ainda não se desenvolveu adequadamente este método de detecção de design para aplicá-lo aos sistemas biológicos, sobretudo, creio eu, no que diz respeito ao passo três do filtro. Então, apesar de não podermos utilizá-lo aqui com exatidão, vale a pena comparar o que vimos até agora sobre os olhos esquizocroais e refletirmos sobre se eles são contingentes ou não, se apresentam complexidade ou não, e se exibem ou não essa marca característica de objetos projetados.

 

 

 

 

Baseado no caso cumulativo, e livre das amarras do naturalismo filosófico, a melhor explicação possível para o que se vê aqui, é que esta estrutura é obra de um planejador (ou designer inteligente, como queira), e não o resultado de processos impessoais aleatórios. Visto de outra forma, ao invés de uma estória do tipo “é-porque-é”, sobre um ancestral simples que se desenvolveu aos poucos, passo-a-passo, onde tudo isso é visto no registro fóssil e as mudanças bioquímicas podem ser demonstradas sem sombra de dúvidas, este exemplo está mais para uma estória que já começa bem adiantada: a princesa nem tem de perder tempo beijando um sapo.

Não importa! Eu odeio o seu Deus, ele é mau! Ele é malvado!

 

6) REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] http://www.answers.com/trilobites

[2] http://bjo.bmj.com/cgi/content/full/86/4/372

[3] http://www.apologeticspress.org/articles/2021

[4] http://www.apologeticspress.org/articles/61

[5] http://www.trilobites.info – Website EXCELENTE sobre trilobitas. Bastante completo, com muitas informações e figuras. Destaque especial para uma nota que o autor colocou sobre a palavra “design”, na página sobre os olhos. Acaba chamando ainda mais atenção J

[6] ASHTON, J. & WESTACOTT, M. (Editores). The big Argument: Does God Exist? Master Books. 2005. pp. 132-133

[7] http://www.creationontheweb.com/content/view/587

[8] DEMBSKI, W. & KUSHINER, JM. (Editores). Signs of Intelligence: Undertanding Intelligent Design. Brazos Press. 2001. Capítulo 13.

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Para baixar o arquivo em formato .pdf, clique < aqui >.

 

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