A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 10

janeiro 30, 2007 às 11:58 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

A FÉ IMPOSSÍVEL

Ou: Como não começar uma religião antiga.

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

http://www.tektonics.org/lp/nowayjose.html

 

Fator #10 – Sem classe!

Nem homem nem mulher, nem escravo nem livre.” Você pode estar tão acostumado a aplaudir este tipo de conceito que não percebe o quão radical esta mensagem foi para o mundo antigo. E esta é outra razão pela qual o Cristianismo deveria ter sido extinto ainda no berço, se fosse uma fraude.

Malina e neyrey notam que no mundo antigo, as pessoas adquiriam sua identidade dos vários grupos aos quais eles pertenciam. Qualquer grupo(s) ao qual eles estivessem inclusos determinava a sua identidade. As mudanças nas pessoas (como a conversão de Paulo) eram anormais. Esperava-se que cada pessoa cumprisse um determinado papel. Apagar ou manchar essas várias distinções – como no caso de Paulo, mas que na prática também aconteceu durante o ministério de Jesus – faria o Cristianismo parecer radical e ofensivo.

Note que isso não é só para os ricos e poderosos; supor que um escravo ou os pobres considerariam a mensagem do Cristianismo atraente é um anacronismo do individualismo ocidental. Em primeiro lugar, mesmo na perspectiva ocidental, juntar-se ao grupo, em termos práticos, não aliviava a condição em que estas pessoas se encontravam. Além disso, no mundo antigo, a mentalidade de não permanecer em algum tipo de relação de dependência seria estranha. “Quando os mediterrâneos antigos falavam de ‘liberdade’, eles geralmente entendiam o termo como liberdade da escravidão de um senhor ou mestre, e liberdade para passar a servir outro lorde ou benfeitor.” [163] De modo geral, também não passaria pela cabeça de tais pessoas que a situação deles poderia mudar, pois tudo o que acontecia era atribuído ao destino, sorte ou providência [189]. Você não lutava contra a situação, a coisa mais honorável era agüentá-la e resisti-la. [Daí a piada da esposa de Jó dizendo “Jó, arrume um emprego!” – Job, get a job! – é mais engraçada do que achamos!] Em outras palavras, não era uma questão de estar a serviço de outro, mas de quem você estava a serviço! Despedaçar estas distinções sociais teria sido um enorme passo em falso – a menos que você tivesse algumas cartas poderosas para jogar.

Da mesma maneira, os vizinhos Judeus de um Cristão não estariam muito felizes. A observação estrita da Torá tornou-se o único “mecanismo de defesa” contra o preconceito Romano, era a forma que eles tinham de permanecer puros contra as influências externas. Um convertido que parava de observar a Lei e começava a se associar aos Gentios receberia um tapa duplo – especialmente com memórias ainda recentes da era de Antióquio, quando os Judeus freqüentemente se rendiam ao Helenismo. Em essência, ele tinha desistido dos “banhos espirituais”!

O Cristianismo revirou as normas de ponta a cabeça, e dizia que o nascimento, etnia, sexo e riqueza – o que determinava a honra de uma pessoa neste contexto – significavam nada. Mesmo sinais menores de honra como a aparência e o carisma eram desprezados (2 Coríntios 5:12).

O fator identidade de grupo constitui-se em outra prova para a autenticidade do Cristianismo. Em uma sociedade grupalmente orientada, você pegava sua identidade do líder do seu grupo, e as pessoas precisavam do apoio e endosso de outros para apoiar sua identidade. O Cristianismo forçava um corte nos laços sociais e religiosos, as coisas que faziam a posição “humana” de uma pessoa. (Em troca, o Cristianismo propiciava seu próprio apoio comunitário, mas isso dificilmente explica o porquê das pessoas se tornarem Cristãs!) Além do mais, uma pessoa como Jesus poderia não ter mantido um ministério, a não ser que aqueles em volta dele o apoiassem. Um Jesus meramente humano não poderia ter cumprido esta demanda e deve ter propiciado provas convincentes de seu poder e autoridade para manter um grupo de seguidores, e para ter mantido um movimento que começou e sobreviveu muito tempo após sua morte. Um Jesus meramente humano teria de viver de acordo com as expectativas dos outros e teria sido abandonado, ou pelo menos teria de mudar de cavalo no primeiro sinal de fracasso.

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A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 9

janeiro 29, 2007 às 2:36 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

A FÉ IMPOSSÍVEL

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Fator #9 – Humano x Divino: Encontro impossível!

Nosso próximo fator é relacionado a um anterior sobre a ressurreição, e é um problema tanto da perspectiva dos Judeus quanto dos Gentios. Earl Doherty, um cético, tem mencionado a incredibilidade da “idéia de que os Judeus, tanto os da Palestina quanto os espalhados pelo Império, poderiam ter crido – ou terem sido convertidos à idéia por outros – que um homem era o filho de Deus … Acreditar que Judeus comuns estariam dispostos a conceder à qualquer homem humano, não importa o quão impressionante, todos os títulos de divindade e completa identificação com o antigo Deus de Abraão é simplesmente inconcebível.” E seria mesmo: a não ser que a ressurreição tenha mesmo acontecido, e aquele “homem humano” provasse ser o filho de Deus. A “falácia” de Doherty na verdade é um argumento a favor do Cristianismo!

E não seria melhor no mundo dos Gentios. A idéia de um deus rebaixando-se à forma material, para mais do que uma visita temporal, suando, fedendo, tendo de ir ao banheiro, e especialmente, sofrendo e morrendo aqui na terra – isso seria muito pra engolir!

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 8

janeiro 28, 2007 às 12:07 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

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Fator #8 – Os mártires são importantes? E mais

Este é um argumento padrão, mas que precisa de uma sintonia fina. Os mártires mais importantes são os do tempo de Jesus ou de imediatamente após ele. Reconhecidamente, há alguns exemplos deste tipo de martírio que nós queremos apontar – os registros da tradição da igreja são a nossa única fonte para os martírios de muitos dos Apóstolos; nossa melhor testemunha, na verdade, é o próprio Paulo, que testifica ter perseguido a igreja com “fervor” – utilizando uma palavra utilizada para descrever as ações dos Macabeus que matavam quando precisavam fazer uma limpeza.

Mas na verdade, podemos ampliar este argumento ainda mais: a perseguição não se iguala automaticamente ao martírio, e esta é outra razão pela qual o Cristianismo não deveria ter prosperado e sobrevivido. Como escrito por Robin Lane Fox, “Ao reduzir a história da perseguição Cristã a uma história de audiências legais, perdemos uma grande parte da vitimização.” [Fox. Pagans and Christians, 424]. Além da ação das autoridades, os Cristãos poderiam esperar o ostracismo se insistissem em permanecer na fé, e aqui é onde muito da perseguição que Fox se refere veio – rejeição pela família e sociedade, redução ao status de banido. Não era preciso um martírio – se você sofresse socialmente e de outras formas, mesmo continuando vivo, já era o bastante. DeSilva nota que aqueles que violavam os valores sociais em vigor (como feito pelos Cristãos!), encontrar-se-iam sujeitos às medidas feitas para envergonhá-los e trazê-los de volta a conformidade – insultos, repreensão, agressões físicas, açoitamento, confisco de propriedade, e é claro, desgraça – muito mais importante em uma sociedade baseada em honra-e-desonra do que para nós. E o NT oferece um amplo registro dessas coisas acontecendo [Hebreus 10:32-34; 1 Pedro 2:12, 3:16, 4:12-16; Filipenses 1:27-30; 1 Tessalonicences 1:6, 2:13-14; 2 Tessalonicences 1:4-5; Apocalipse 2:9-10, 13].

 

Então é assim: Os Judeus não gostariam de você, os Romanos não gostariam de você, sua família iria repudiá-lo, todo mundo iria evitá-lo ou zombar de você. Além do mais, homens como Paulo e Mateus, e mesmo Pedro e João, desistiram de negócios lucrativos pelo bem de uma missão que obviamente seria apenas problemas para eles. É muito improvável que alguém adotasse a fé Cristã em qualquer tempo – a não ser que ela tivesse algo realmente tangível por detrás.

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 7

janeiro 25, 2007 às 2:48 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

A FÉ IMPOSSÍVEL

Ou: Como não começar uma religião antiga.

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Fator #7 – Entrando na história

· Atos 26:26 – Eu posso falar diante do rei Agripa com toda a coragem porque tenho a certeza de que ele conhece todas essas coisas muito bem, pois não aconteceram em nenhum lugar escondido.

Este é um grande fator, multifacetado, complexo e com níveis variados de força. Digamos que: Se você quisesse começar uma nova religião, com alegações novas e ferozes, você alegaria, em qualquer lugar, ter conexões que na verdade não tem? Se eu alegasse amanhã ou mesmo daqui a 40 anos que a minha tia Nettie foi ressuscitada, por acaso eu ousaria dizer que ela foi levada a julgamento na presença de Clarence Thomas, ou foi procurada pelo governador do meu Estado para interrogação, ou foi enterrada na tumba pertencente ao Tom Cruise? Temos freqüentemente analisado de forma individual as alegações do Cristianismo, tais como o enterro na tumba de Joe A. [José de Arimatéia 🙂], mas agora vamos analisar de forma coletiva o que estamos lidando. O NT está cheio de alegações acerca de conexões e relatos de incidentes envolvendo “pessoas famosas”. Um de nossos leitores expõe: Herodes Agripa – este homem foi um Rei cliente dos Romanos sobre a região em torno de Jerusalém – “foi comido por vermes” como Lucas relata em Atos 12:20-23. Havia cópias de Atos circulando na área, e eram acessíveis ao público. Se Lucas tivesse relatado de forma falsa, o Cristianismo teria sido dispensado como uma fraude, e como religião, não teria “pegado”. Se Lucas tivesse mentido em seus relatos, provavelmente teria sido preso e/ou executado pelo filho de Agripa, Herodes Agripa II (que tinha a mesma posição), porque esta era a pessoa para quem Paulo testificou em Atos 25 e 26 (relatado por Lucas). Agripa II estava vivo e no poder após Lucas ter escrito e circulado Atos; realmente, ele tinha acesso à todas as informações e alegações necessárias (Atos 26:26-27 – 26Eu posso falar diante do rei Agripa com toda a coragem porque tenho a certeza de que ele conhece todas essas coisas muito bem, pois não aconteceram em nenhum lugar escondido. 27 – Então Paulo disse ao rei: – Rei Agripa, o senhor crê nos profetas? Eu sei que crê!) Agripa executou Paulo por esses relatos? Não, e não poderia, se isso não fosse verdade. Ao invés disso, Agripa disse ao governador Festo: “Ele já podia estar solto se não tivesse pedido para ser julgado pelo Imperador” [Atos 26:32]).

O cético pode perguntar, “e daí?” E daí? Considere o efeito dominó ao se fazer tais alegações. Se a alegação #1 for provada falsa, isso abre a porta para que se duvide das outras – todo o caminho até o relato da ressurreição. E nem precisa ser a tumba de Joe A. ou Herodes virando vermeburguer em particular. Pode ser qualquer lugar onde os primeiros Cristãos e o NT fazem alegações ousadas em relação a alguma influência ou evento em qualquer cidade. As pessoas fora da área de Lystra podem não ter sabido o bastante sobre o que aconteceu em Lystra, ou não queriam checar, mas o Cristianismo estava fazendo alegações em pontos variados através do Império, e havia “checadores de fatos embutidos”, situados em torno do Império que poderiam dizer algo sobre todas as alegações centrais para Jerusalém e a Judéia – os Judeus da Diáspora. (E fica ainda pior; veja abaixo!)

O NT alega incontáveis pontos de toque que poderiam estar nesta lista. Um terremoto, escuridão ao meio-dia, a cortina do templo rasgada pelo meio, uma execução, tudo na Páscoa (com milhões de presentes), pessoas caindo de uma casa falando em línguas em Pentecostes (outro evento presenciado por milhões) – Tudo isso em uma pequena cidade e numa cultura onde as notícias se espalhariam rápido (veja abaixo). Curas de doenças e disfunções, até mesmo reversões da morte, em locais públicos. Uma entrada triunfante em Jerusalém em óbvio cumprimento de uma profecia Messiânica.

Em resumo, o Cristianismo era altamente vulnerável à inspeção e refutação em inumeráveis pontos – qualquer desses, se não tivesse tido sucesso, teria criado um efeito bola de neve em direção a mais dúvidas, especialmente levando em consideração os fatores prévios acima que poderiam ter sido motivos o bastante para qualquer Judeu ou Gentio dizer ou fazer algo. Essa não é a forma de se começar uma religião. Você começa uma religião fazendo ligações com pessoas desconhecidas e sem nome. Você não fala de um líder de uma sinagoga ou de um membro do Sinédrio, ou mesmo tem um centurião na sua história (mesmo que não se dê um nome a ele; havia poucos, de forma que não seria difícil checar quem foi). Você se apega aos sem-nomes como a mulher no poço. Houve interações com estas pessoas, claro, porém o ponto não é a presença deles, mas sim a presença dos mais notáveis e de melhor posição social, e as alegações ligadas a eles. É impossível que o Cristianismo tivesse prosperado e sobrevivido sem ter tudo “certinho” no que diz respeito a isso.

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 6

janeiro 23, 2007 às 1:55 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

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Fator #6 – A tolerância é uma virtude

 

Já mencionamos sobre o problema do Cristianismo ser visto como um “inovador arrogante”. Agora compliquemos mais: Não somente um inovador, mas um inovador exclusivista. Muitos céticos e descrentes de hoje em dia se dizem desinteressados devido à “arrogância” e o exclusivismo Cristãos. E quão mais no mundo antigo? Os Romanos já eram grosseiramente intolerantes (ponto 2 já visto); quão mais no contexto de outra fé muito nova jogando o mesmo jogo e alegando abolir a ordem social e religiosa? Quão mais, se uma fé que surge nos diz que devemos parar de freqüentar nossas igrejas (e na verdade, preferiria que nós as derrubássemos!), parar com as nossas festas, parar de obedecer à ordem social que já estava em vigor desde o tempo dos nossos venerados ancestrais até agora? Como DeSilva nota, “a mensagem sobre este Cristo era incompatível com a mais arraigada ideologia religiosa do mundo dos Gentios, como também com a mais recente mensagem propagada na ideologia imperial Romana” [46] (i.e., a pax Romana contra a escatologia e julgamento de Deus). Os Cristãos se recusaram a acreditar nos deuses, “os guardiões da estabilidade da ordem mundial, os patronos generosos que proviam tudo o que era preciso para a manutenção da vida, como também os concessores de pedidos individuais”. Assim como os Judeus, os Cristãos foram acusados de ateísmo sob esta regra. Além do mais, devido ao fato de que não havia aspectos da vida social que fosse secular – a religião era tão mesclada à vida pública, que faria legiões de advogados da ACLU morrerem sufocados – Os Judeus e os Cristãos se mantinham afastados da vida pública, e, portanto, causavam a indignação de seus vizinhos.

 

Isso já era ruim o bastante, mas os Judeus também eram intolerantes com a nova fé. As famílias de Judeus sentiriam pressão social para isolar os convertidos e evitar a vergonha da conversão deles. Sem algo para superar a intolerância dos Judeus e dos Romanos, o Cristianismo estava condenado.

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 5

janeiro 20, 2007 às 12:24 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

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Fator #5 – Não exija comportamentos

Esta não era uma das maiores barreiras, mas era significante, e claro, ainda é hoje em dia. Eticamente, a religião Cristã é difícil de seguir. O Judaísmo também era, e este é um dos motivos de haver naquele tempo tão poucos tementes a Deus. O Cristianismo não oferecia festas boas com bebedeiras ou orgias com prostitutas de templos; na verdade, as proibia. Não encorajava a fortuna; encorajava a divisão da fortuna. Não apelava aos sentidos, prometia um “rico futuro, pouco a pouco”. Isto era um problema no mundo antigo da mesma forma que é hoje em dia – senão maior naquele tempo. O Cristianismo não seria atrativo para os ricos, que seriam direcionados a compartilhar suas riquezas. Os pobres poderiam gostar disso, não gostariam se não pudessem gastar a grana compartilhada em suas distrações viciosas favoritas (das quais nem todas eram tidas como “auto-prejudiciais” e, portanto, ofereciam ainda mais motivos para abandoná-las). Novamente, esta não é uma barreira insuperável; alguns Romanos eram atraídos pelo sistema ético do Judaísmo, e, de forma semelhante, teriam sido atraídos pelo Cristianismo. Mas é muito difícil explicar por que o Cristianismo cresceu onde os tementes a Deus eram sempre um grupo muito pequeno. Nem mesmo o fervor evangelístico explica isso.

A CONTROVÉRIA CIENTÍFICA SOBRE A EXPLOSÃO CAMBRIANA

janeiro 19, 2007 às 4:08 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

A CONTROVÉRSIA CIENTÍFICA SOBRE A EXPLOSÃO CAMBRIANA

© Center for Science and Culture/Discovery Institute, 1511 Third Avenue, Suite 808, Seattle, WA 98101

Darwin chamou sua teoria de “descendência com modificação”. A frase refletia sua crença de que todos os organismos eram descendentes modificados de um ancestral comum que viveu no passado distante. A única ilustração em seu livro A Origem das Espécies mostra a “árvore da vida”, o padrão que se espera encontrar no registro fóssil, se a teoria fosse correta. O ancestral comum viria primeiro, como uma simples espécie na base da árvore. As pequenas diferenças entre os indivíduos apareceriam primeiro, e essas diferenças eventualmente aumentariam até que uma espécie se tornasse duas ou mais. As diferenças entre as espécies iriam aumentar até que algumas espécies se tornassem tão diferentes ao ponto de ser classificadas em gêneros separados; os gêneros iriam divergir e se tornar famílias separadas, as famílias iriam divergir para se tornar ordens separadas, e assim por diante. Eventualmente, as diferenças tornar-se-iam tão grandes que onde originalmente havia uma grande divisão, ou “filo”, agora passariam a haver dois. Hoje há várias dezenas de filos animais. Os principais incluem os nematódeos (vermes cilíndricos), anelídeos (minhocas e sanguessugas), moluscos (ostras e caracóis), artrópodes (lagostas e insetos), equinodermos (estrelas e ouriços do mar) e cordados (peixes e mamíferos).

Se a teoria de Darwin estivesse correta, então um longo acúmulo de pequenas diferenças deve ter precedido as grandes diferenças que agora vemos entre os filos de animais. Como o próprio Darwin escreveu, antes dos grandes filos terem aparecido, deve ter havido “vastos períodos” durante os quais “o mundo estava repleto de seres vivos” (Excerto A, p.83). Porém, no registro fóssil, a maioria dos filos animais aparece completamente formada no começo do período geológico conhecido como Cambriano, sem evidência fóssil de que eles se ramificaram a partir de um ancestral comum. Darwin estava ciente disso, reconhecendo em A Origem das Espécies que “várias das principais divisões do reino animal aparecem de repente nas rochas fossilíferas mais inferiores que se conhece.” Ele chamou isso de um problema “sério” e que “por enquanto deve permanecer inexplicável; e verdadeiramente pode ser promovido como um argumento válido contra as visões aqui acolhidas” (Excerto A, pp. 82, 85).

(A) Charles Darwin, A Origem das Espécies, 6ª ed. (New York: D, Appleton, 1890), Capítulo X.

Entretanto, Darwin permaneceu convencido de que a sua teoria era verdadeira. Ele especulou que os ancestrais dos diferentes filos não haviam sido encontrados porque o registro fóssil era imperfeito. Se, como pareciam, as rochas de antes do Cambriano tivessem sido deformadas pelo calor e a pressão, ou erodidas, então os fósseis dos ancestrais poderiam nunca ser encontrados. Porém, ele reconheceu que “não tinha uma resposta satisfatória” para o problema (Excerto A, p. 84).

Todavia, a coleta subseqüente produziu muitos fósseis de organismos que viveram antes do Cambriano. Jazidas fósseis no Canadá (o folhelo de burgess) e da China (a fauna de Chengjiang) também produziram coleções de fósseis do Cambriano muito mais fartas do que as disponíveis para Darwin e seus contemporâneos. Revisando a evidência em 1991, o paleontologista de Berkeley James Valentine e seus colegas notaram: “Durante os últimos 40 anos, rochas mais antigas do que tinha se considerado ser a base do Cambriano realmente produziram fósseis que agora permitem análises muito mais detalhadas da evolução dos metazoários [i.e., animais multicelulares] primitivos” (Excerto B, p. 280). Valentine e seus colegas descobriram que “provou-se não ser possível delinear transições” dentre os filos, e a evidência aponta para uma “explosão” Cambriana, que “foi até mesmo mais abrupta e extensiva do que anteriormente previsto” (Excerto B, pp. 281, 294). Os autores concluíram que “a explosão de metazoários é real; é grande demais para ser mascarada por falhas no registro fóssil” (Excerto B, p.318).

Alguns cientistas sugeriram que os ancestrais fósseis para os filos animais estão ausentes não porque as rochas foram deformadas ou erodidas, mas sim porque os animais de antes do Cambriano não tinham partes duras, e assim, em princípio, nunca se fossilizaram. De acordo com esta hipótese, a explosão Cambriana representa meramente a aparição de conchas e esqueletos de animais que já tinham evoluído há muito tempo. Porém, a evidência fóssil não suporta esta hipótese. Primeiro, como o paleontologista de Harvard Stephen Jay Gould, e o paleontologista de Cambridge Simon Conway Morris apontaram, a maioria dos fósseis da explosão Cambriana tem corpo-mole (Stephen Jay Gould, Wonderful Life – New York: Norton, 1989]; Simon Conway Morris, The Crucible of Creation – Oxford: Oxford University Press, 1998). Segundo, a evidência fóssil aponta para o surgimento de muitos planos corporais novos no Cambriano, não somente a aquisição de partes duras por filos já existentes. De acordo com o paleontologista de Berkeley James Valentine, a explosão Cambriana “envolveu muito mais grandes grupos animais do que apenas os filos viventes com esqueletos duráveis.” Foram “novos tipos de organismos que apareceram, e não linhagens antigas agora apresentando ‘armaduras-esqueléticas’” (Excerto C, p. 533). Valentine concluiu: “o registro que temos não apóia bem os modelos que postulam um longo período de evolução dos filos de metazoários” antes do Cambriano (Excerto C, p. 547).

(B) James W. Valentine et al., “The Biological Explosion at the Precambrian-Cambrian Boundary”, Evolutionary Biology 25 (1991): 279-356.

(C) James W. Valentine, “The Macroevolution of Phyla”, pp. 525-553. Em: Jere H. Lipps & Philip W. Signor (editores). Origin and Early Evolution of the Metazoa (New York: Plenum Press, 1992).

Estudos recentes também têm enfatizado a brusquidão da explosão Cambriana. Após analisar a datação geológica das rochas próximas do limite Pré-Cambriano–Cambriano, Bowring e seus colegas relataram em 1993 que a explosão Cambriana de filos animais “provavelmente não excedeu um período de 10 milhões de anos” (Excerto D, p. 1297). Como Valentine, Jablonski e Erwin apontaram em 1999, isto é “menos de 2 % do tempo da base do Cambriano até o presente” (Excerto E, p. 852). Visto que o tempo do Cambriano até o presente é somente certa de 1/70 do tempo desde a origem da vida na Terra, isso significa que a explosão Cambriana foi realmente geologicamente muito abrupta.

De acordo com Valentine, Jablonski e Erwin, uma grande extensão de novos dados “não silencia a explosão, que continua a resistir como uma das características principais da história dos metazoários” (Excerto E, p. 851).

(D) Samuel A. Bowring et al., “Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution,” Science 261 (1993): 1293-1298.

(E) James W. Valentine, David Jablonski & Douglas H. Erwin, “Fossils, molecules and embryos: new perspectives on the Cambrian explosion,” Development 126 (1999): 851-859.

Qual é o significado da explosão Cambriana na avaliação da teoria de Darwin de que todos os animais são descendentes modificados de um ancestral comum? Como vimos, o próprio Darwin considerou isso um sério problema (Excerto A). Embora a teoria de Darwin previsse que a evolução animal deveria proceder da “base para o topo”, com as grandes diferenças emergindo por último, James Valentine e seus colegas escreveram em 1991 que o padrão da explosão Cambriana “cria a impressão de que a evolução dos metazoários tem, de forma geral, procedido do ‘topo para a base’” (Excerto B, p. 294). Harry Whittington, um especialista nos fósseis Cambrianos do folhelho de Burgess, escreveu em 1985: “É muito provável que os animais metazoários surgiram de forma independente em diferentes áreas. Eu vejo de forma cética os diagramas que mostram as ramificações e diversificação da vida animal ao longo do tempo, partindo de um único tipo de animal na base” (Excerto F, p. 131). O biólogo evolucionista Jeffrey Levington, embora convencido da ancestralidade comum dos animais, reconheceu em 1992 que a explosão Cambriana – “o big bang da vida”, como ele a chamava – permanece como “o mais profundo paradoxo da biologia evolutiva” (Excerto G, p. 84). Embora “os planos corporais que evoluíram no Cambriano, de forma geral, serviram como projetos para os que se vêem hoje em dia,” Levington não via “nenhuma razão para se pensar que a taxa de evolução já foi mais lenta ou mais rápida do que é agora. Contudo, esta conclusão ainda deixa sem respostas o paradoxo apresentado pela explosão Cambriana e a persistência misteriosa daqueles planos corporais antigos” (Excerto G, pp. 84, 90). Em 1990, o biólogo da Universidade da Califórnia, Malcolm Gordon escreveu: “Os resultados de pesquisas recentes fazem parecer improvável que poderia ter havido formas basais únicas para muitas das categorias mais elevadas de diferenciação evolutiva (reinos, filos, classes)” (Excerto H, p. 331). Gordon concluiu: “A versão tradicional da teoria da descendência comum aparentemente não se aplica aos reinos [i.e., plantas, animais, fungos e bactérias] como presentemente reconhecidos. Ela provavelmente não se aplica a muitos, se não todos, os filos, e possivelmente também para muitas classes dentro dos filos” (Excerto H, p. 335).

(F) Harry B. Whittington, The Burgess Shale (New Haven, CT: Yale University Press, 1985).

(G) Jeffrey S. Levinton, “The Big Bang of Animal Evolution,” Scientific American 267 (November, 1992): 84-91.

(H) Malcolm S. Gordon, “The Concept of Monophyly: A Speculative Essay,” Biology and Philosophy 14 (1999): 331-348.

Portanto, a explosão Cambriana é real, e para alguns biólogos ela é pelo menos paradoxal e misteriosa de acordo com a perspectiva da teoria de Darwin. Para outros biólogos, ela na verdade constitui evidência contra a hipótese de Darwin de que todos os animais evoluíram a partir de um único ancestral comum. Contudo, alguns cientistas continuam a defender a teoria de Darwin ao afirmar que a explosão Cambriana é perfeitamente consistente com ela. Um desses é Alan Gishlick do National Center for Science Education – NCSE, um grupo que se opõe a qualquer crítica à evolução Darwiniana nas aulas de biologia. Em comentários escritos enviados ao Ministério da Educação do Estado do Texas na audição sobre a adoção de livros em 09/07/2003, Gishlick criticou o livro Icons of Evolution (Washington, DC: Regnery Publishing, 2000), do biólogo Jonathan Wells. Em seus comentários, Gishlick escreveu que a explosão Cambriana na verdade ocorreu “durante um período de 15-20 milhões de anos” e que o “surgimento de planos corporais ‘do topo para a base’ é, ao contrário ao que Wells diz, compatível com as previsões da evolução” (Excerto I, p.15). Entretanto, a afirmação de Gishlick sobre a duração da explosão Cambriana está em desacordo com as visões publicadas de James Valentine e seus colegas (Excerto B, p. 279; Excerto E, pp. 851-853), e Samuel Bowring e seus colegas (Excerto D). Além do mais, se por “evolução” Gishlick quer dizer “evolução Darwiniana”, então sua afirmação de que um padrão “do topo para a base” é consistente com a evolução entra em conflito com as visões publicadas de Harry Whittington (Excerto F) e Malcolm Gordon (Excerto H). Evidentemente, os desacordos de Gishlick não são apenas com Wells.

Gishlick também argumentou que as diferenças principais dentre os filos animais não são tão grandes afinal. Ele escreveu: “O cordado vivo mais primitivo, Amphioxus é muito semelhante ao cordado fóssil do Cambriano, Pikia [sicPikaia na verdade]. Ambos são basicamente vermes com uma haste rígida (a notocorda). A quantidade de mudanças entre um verme e um verme com uma haste rígida é relativamente pequena, mas a presença de uma notocorda é uma grande distinção do ‘plano corporal’ de um vertebrado. Mais adiante, há só um pequeno passo entre um verme com uma haste rígida e um verme com uma haste rígida e uma cabeça (e.g., Haikouella; Chen et al., 1999) ou um verme com uma haste rígida segmentada (vértebras), uma cabeça e dobras tegumentárias semelhantes às nadadeiras (e.g., Haikouichthyes; Shu et al., 1999). Finalmente, adicione um corpo fusiforme, nadadeiras diferenciadas e escamas; o resultado é algo semelhante a um ‘peixe’” (Excerto I, p. 15). Contudo, o cenário imaginário de Gishlick ignora a maioria das coisas que os biólogos sabem sobre vermes e cordados. Há várias diferenças anatômicas fundamentais entre esses dois grupos, que podem ser encontradas em qualquer livro bom de biologia; possuir uma notocorda é somente uma delas. Se os cordados fossem simplesmente vermes com uma haste rígida, eles poderiam nem mesmo ser classificados em um filo separado. Além do mais, de uma perspectiva evolucionária, os vermes e cordados não são proximamente relacionados. Nas árvores evolutivas padrão (tais como as reproduzidas na 6ª edição do livro Biology, de Campbell & Reece), os cordados (seta verde no topo das páginas 636 e 640, no Excerto J) são considerados mais próximos aos equinodermos (estrelas e ouriços do mar) do que com qualquer filo de vermes (dois dos quais são indicados pelas setas rosa e laranja no topo dos mesmos diagramas do Excerto J). Gishlick cita dois artigos científicos para apoiar seu argumento: O primeiro aponta que a maioria dos cordados primitivos pode ter cérebros rudimentares, e assim, serem mais próximos aos cordados com cabeças do que se pensava, mas não aborda o problema de como se deu a origem do primeiro cordado (Excerto K, p. 522). O segundo artigo contradiz a sugestão de Gishlick, de uma vez que um verme possui uma haste rígida, ele poderia facilmente evoluir e se transformar em um vertebrado. De acordo com Shu e seus colegas, “a derivação dos primeiros vertebrados a partir dos cefalocordados [i.e., os cordados mais primitivos] deve ter exigido uma enorme reorganização do corpo” (Excerto L, p. 46). Novamente, os desacordos de Gishlick não são apenas com Wells.

(I) Alan Gishlick, “Comments on the Discovery Institute’s ‘Analysis of the Treatment of Evolution in Biology Textbooks’,” submitted to the Texas Education Agency in connection with their July 9, 2003 public hearing on textbook adoption.

(J) Neil A. Campbell & Jane B. Reece, Biology, Sixth Edition (San Francisco: Benjamin Cummings, 2002).

(K) J.-Y. Chen, Di-ying Huang & Chia-Wei Li, “An early Cambrian craniate-like chordate,” Nature 402 (1999): 518-522.

(L) D.-G. Shu et al., “Lower Cambrian vertebrates from South China,” Nature 402 (1999): 42-46.

Visto que a brusquidão e extensão da explosão Cambriana são tão bem documentadas, não há desculpas para um livro de biologia que lide com o registro fóssil animal e não comente nada sobre ela. Além do mais, como alguns biólogos afirmam que a explosão Cambriana apresenta um desafio – ou pelo menos um paradoxo – para um dos princípios fundamentais da teoria de Darwin, qualquer livro de biologia que não discuta este desafio falha em propiciar aos estudantes os recursos para refletir de forma crítica sobre a explicação para a evolução mais amplamente ensinada.

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Tradução: Maximiliano Mendes.

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A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 4

janeiro 18, 2007 às 11:14 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

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FATOR #4 – O QUE HÁ DE NOVO? O QUE NÃO É BOM?

A literatura Romana nos diz que “(O) teste primário da verdade em questões religiosas era o costume e a tradição, as práticas dos antigos.” (62) Em outras palavras, se suas crenças tinham o tipo certo de histórico e uma linhagem decente, você seria respeitado pelos Romanos. O velho era bom, e a inovação era ruim.

Esta foi uma grande dificuldade inicial para o Cristianismo, porque era possível rastrear suas raízes até seu fundador recente. Os Cristãos eram considerados “inovadores arrogantes” (63) cuja religião era a nova recém chegada, mas que, contudo, atrevia-se a insistir que era o único caminho! Como notado anteriormente, O Cristianismo afirmava que as pessoas no poder, que julgaram Jesus como merecedor do pior e mais vergonhoso tipo de morte, estavam totalmente erradas, e o próprio Deus disse isso.

 

Malina e Neyrey [164] explicam o assunto em maiores detalhes. A reverência era dada aos ancestrais, considerados mais importantes “pelo fato do nascimento”. Os Romanos “eram culturalmente compelidos a tentar efetuar a impossível tarefa de cumprir com as expectativas das tradições daqueles personagens do seu passado em comum, necessariamente mais importantes que eles.” O que havia sido passado para as gerações seguintes era “presumivelmente válido e normativo. Os argumentos poderosos poderiam ser redigidos como: ‘Nós sempre fizemos isso desta forma!’” semper, ubique, ab omnibus – “sempre, em todo lugar, por todos!” Em contraste, o Cristianismo dizia: “Não agora, não aqui, e não você!” É claro que isso explica o porquê de Paulo apelar para o que havia sido transmitido a ele por outros (1 Coríntios 11:2) – mas isto está dentro do contexto de uma igreja onde a transmissão estava ocorrendo apenas nos últimos 20 anos! Pilch e Malina adicionam (Handbook of Biblical Social Values, p. 19 – Manual de Valores Sociais Bíblicos) que a mudança ou novidades nas práticas e doutrinas religiosas deram de cara com uma reação especialmente violenta; a mudança ou novidade era “uma forma de valor que servia para inovar ou subverter valores centrais e valores secundários.”

 

Mesmo a escatologia e teologia Cristãs se opuseram a este tipo de percepção. A idéia da santificação, de uma purificação e aperfeiçoamento supremos do mundo e de cada pessoa, se opunha à visão de que o passado foi o melhor dos tempos e as coisas ficaram piores desde então.

 

Os Judeus, por outro lado, possuíam raízes bem mais antigas, e embora alguns críticos Romanos tenham feito um esforço para “desenraizar” estas raízes, outros (inclusive Tácito) concedia aos Judeus certo grau de respeito devido à antigüidade de suas crenças. Levando isto em conta, podemos entender os esforços dos escritores Cristãos em ligar o Cristianismo ao Judaísmo o máximo possível, e assim, atingir a mesma “antigüidade” que algumas vezes era garantida aos Judeus. (É claro que concordamos que os Cristãos estavam certos ao fazer isso, mas os Romanos não viam isso da mesma forma!)

 

Os críticos do Cristianismo, é claro, “sacaram” este “truque” e logo apontaram (embora de forma ilegítima) que os Cristãos dificilmente poderiam se dizer ligados ao Judaísmo ao mesmo tempo em que não guardavam nenhuma das práticas dessa religião Portanto, esta é uma barreira que o Cristianismo nunca pôde superar fora de um círculo restrito – não sem oferecer alguma prova sólida.

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 3

janeiro 15, 2007 às 2:08 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

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Fator #3 – Ficando na carne! O tipo errado de “Ressurreição”.

 
Como já mostramos aqui, a ressurreição de Jesus dentro do contexto do Judaísmo foi vista pelos Gentios como o que pode ser descrito como “grosseiramente” física. Isto em si levanta um problema para o Cristianismo tornar-se algo além de uma missão básica do Judaísmo. Regularmente citamos o dito de Pheme Perkins: “Os críticos pagãos do Cristianismo geralmente viam a ressurreição, na melhor das hipóteses, como metempsicose [Transmigração da alma de um corpo para outro] mal entendida. Na pior das hipóteses, parecia ridículo.” Ainda deve se notar que o mundo pagão era inundado com pontos de vista associados com os que pensavam que a matéria era maligna e a raiz de todos os problemas dos homens. O pensamento Platônico, como Murray Harris diz, supunha que “o maior bem do homem consistia na emancipação da profanação corporal. A nudez da desencarnação era o estado ideal.” A ressurreição física era o último tipo de estágio para a humanidade que você gostaria de pregar.

 

Realmente, dentre os pagãos, a ressurreição era considerada impossível. Wright em Resurrection of the Son of God [A Ressurreição do Filho de Deus] cita o Rei Príamo, de Homero: “Lamentar-se pelo seu filho morto não trará bem nenhum. Você morrerá antes de trazê-lo de volta à vida.” E a Eumenides de Ésquilo: “Uma vez que um homem morreu, e a poeira ficou ensopada com seu sangue, não há ressurreição.” E por aí vai, com várias outras citações negando a possibilidade da ressurreição. [32-3] Wright ainda nota que a crença na ressurreição era um motivo para ser perseguido: “Não devemos nos esquecer de que quando Irineu se tornou bispo de Lyons, ele estava substituindo um bispo que morreu graças à perseguição cruel; e que um dos temas dessa perseguição era o apego tenaz dos Cristãos na crença de uma ressurreição em um corpo físico. Os detalhes do martírio são encontrados na carta das igrejas de Viena e Lyons às da Ásia e Frígia. A carta descreve como, em alguns casos, os torturadores queimavam os corpos e espalhavam as cinzas no rio Rhône, de forma que nenhum resto dos mártires ainda pudesse ser visto na terra. Eles faziam isto, diz o escritor, “como se fossem capazes de conquistar Deus, e despojarem-se do seu renascimento [palingenesia]’.”

 

O próprio Judaísmo teria tido sua própria dificuldade, embora menor e não insuperável: não havia a percepção da ressurreição de um indivíduo antes da ressurreição geral no dia do Juízo. Mas novamente, isto, embora estranho, poderia ter sido superado – contanto que houvesse evidências! O que não era tão fácil de conseguir no mundo pagão. Podemos ver bem que Paulo teve de lutar contra os Gnósticos, os Platonistas, e os ascéticos sobre essas questões. Mas o que faz isto especialmente revelador é que uma ressurreição física era completamente inútil para simplesmente começar uma religião. Teria sido o bastante dizer que o corpo de Jesus foi levado aos céus, como Moisés ou Elias. E, de fato, isso teria se ajustado com o que era esperado (veja aqui), e teria sido muito mais fácil de “vender” para os Gregos e Romanos, para quem a melhor “evidência” de elevação ao ranking divino era a apoteose – o transporte da alma para os reinos celestiais após a morte; ou então a transferência quando ainda vivo. Então por que se incomodar tornando o caminho ainda mais difícil? Há somente uma resposta plausível – eles realmente tinham uma ressurreição para pregar.

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 2

janeiro 15, 2007 às 2:46 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

A FÉ IMPOSSÍVEL – PARTE 2

Por: J.P. Holding – Tektonics.org

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Fator #2 – Nem daqui nem de lá: Ou, Um homem da Galiléia??

 

    · João 1:46 – Natanael perguntou: – E será que pode sair alguma coisa boa de Nazaré? – Venha ver! – respondeu Filipe.

    · Atos 21:39 – Paulo respondeu: – Eu sou judeu, nascido em Tarso, cidade muito importante da região da Cilícia. Por favor, me deixe falar com o povo.

A geografia oferece alguma vantagem para a religião? Para os antigos, “muito em todos os aspectos”! O politicamente correto estava a 2000 anos no futuro, e o mundo Greco-Romano era cheio do que nós chamamos de preconceitos e estereótipos – que eram aceitos como “Grandes Verdades”! Diga hoje em dia que “X são sempre brutos, gulosos e etc.” e você terá meia dúzia de grupos dos direitos civis batendo à sua porta. Diga isso em Roma e você verá todos concordando contigo – às vezes até mesmo o próprio grupo criticado!

Jesus ter sido Judeu é um fato que dificilmente poderia ter sido negado pelos primeiros Cristãos, mas também era um grande impedimento para se expandir o Evangelho além dos próprios Judeus. O Judaísmo era considerado como uma superstição pelos Romanos e Gentios. Escritores Romanos como Tácito relataram de forma entusiástica (não como verdade, mas algo como “alguns dizem…”) todos os tipos de calúnias contra os Judeus de forma geral, considerando-os uma raça malévola e detestável. Tentar trazer um salvador Judeu para a porta de um Romano normal teria menos sucesso do que tentar levar um à porta de um nazista – embora o Romano talvez não quisesse te matar; ele certamente iria rir da sua cara, bater a porta ou te dar um cascudo.

Isto é claro do próprio Judaísmo e suas limitadas incursões em termos de conversão de Gentios. Sem dúvidas, isto é parcialmente atribuível ao fato de que o Judaísmo não era uma religião muito missionária. E, contudo, se o Cristianismo não tivesse algumas cartas na manga, o fato de Jesus ser Judeu, por si só significa que ele nunca deveria ter se expandido no mundo dos Gentios muito além do círculo daqueles que já eram tementes a Deus (i.e., Gentios convertidos ao Judaísmo).

Vamos enfatizar novamente os pontos feitos por Robert Wilken em The Christians as the Romans Saw Them [Os Cristãos Como Vistos Pelos Romanos]. Os Romanos naturalmente consideravam suas crenças superiores às de todos os outros. (57) Eles também acreditavam que superstições (como o Judaísmo e o Cristianismo) minavam o sistema social estabelecido pela religião Romana – e, é claro, eles estavam certos. Entretanto, o ponto é que qualquer um que seguisse ou adotasse uma das superstições estrangeiras seria visto não somente como um rebelde religioso, mas também como um rebelde social. Eles estavam quebrando o status quo, espalhando o caos, participando de uma rebelião estilo a dos anos de 1960 contra a elite dominante. Eles perturbavam o conceito Romano de devoção e acreditava-se que eram incapazes de ser devotos. Naqueles dias, as coisas não eram pluralísticas ou “politicamente corretas” e não havia campeões da diversidade em campi universitários: Hoje em dia, ateus e teístas podem debater em um foro aberto, mas naquele tempo um dos lados da disputa teria o Estado (e a espada!) ao seu lado – e no tempo em questão, não era o lado dos Cristãos!

Aqueles que aderiam à superstitio, portanto, encontravam-se obviamente associados com comportamentos estranhos e bizarros – como os Cristãos, e também os Judeus, como relatado por Tácito em sua obra Histórias. E ele foi ainda mais longe: “(C)omo a superstição leva a idéias irracionais sobre os deuses, a conseqüência inevitável é o ateísmo”. (61) Visto que os “supersticionistas” avançaram contra a ordem cósmica estabelecida, sua visão de universo era considerada como volúvel e irracional, e isto eventualmente levou os críticos, a acusarem os Cristãos, como Crescens, de serem ateus (68).

Claro, isto é apenas um problema dentro da missão para converter os Gentios. Mas nesse caso, e mesmo dentro do Judaísmo, o Cristianismo teve de superar outro estigma, já exemplificado em nossas citações comparativas. Quando Paulo mencionava que era de Tarso, não fazia isso para comparar notas sobre cidades natais com o centurião. Ser de uma pólis grande como Tarso significava uma classificação de elevada honra para a pessoa que exigia direitos – isso pode ser marginalmente comparado com os nossos conceitos atuais sobre “morar na vizinhança certa”! O Cristianismo tinha um sério impedimento no que diz respeito a esse aspecto, o estigma de um salvador que inegavelmente procedia da Galiléia – para os Romanos e Gentios, não somente um território Judeu, mas uma estufa de sedição política; para os Judeus, não tão ruim como a Samaria, claro, mas era uma terra de caipiras e fazendeiros sem muito respeito pela Torah, e o pior de tudo, um salvador de um vilarejo pequeno e sem importância. Nem mesmo um nascimento em Belém, ou a sugestão de Mateus que uma origem na Galiléia foi profeticamente decretada, teriam desprendido tal estigma: Certamente os Judeus não se convenceriam disso, mesmo hoje em dia, a menos que algo primeiramente os convencesse de que Jesus era divino ou era o Messias. Assim como nós, os antigos não eram menos sensíveis à manipulação de informações.

Há outras extensões menores sobre esse negócio de estereótipos. Dar a Jesus o cargo de carpinteiro era a coisa errada a se fazer; Cícero notou que tais ocupações eram “vulgares” e comparadas ao trabalho dos escravos. Colocar a história do nascimento de Jesus em um contexto suspeito onde uma acusação de ilegitimidade seria óbvia demais também faria parte dos problemas. Se os Evangelhos estivessem inventando essas coisas, quão difícil seria colocar Jesus em Seforis ou Cafarnaum (e ainda tirar vantagem profética da “conexão Galiléia”) – e como os céticos estão acostumados a dizer, de forma errônea, isto não seria mais fácil ou difícil de checar do que Nazaré. Quão difícil seria adotar uma Cristologia “adocionista” e dar a Jesus um nascimento incontestavelmente honroso (ao invés de reivindicar honra pelo duvidoso, superficialmente, reivindicar que Deus era o pai de Jesus)? Talvez mais difícil, pois é pouco provável que as pessoas notem um só homem, em comparação a uma cidadezinha com fortes laços comunitários. Isso tudo significa que: A pessoa de Jesus estava errada em tudo o que diz respeito a fazer com que as pessoas acreditassem que ele era uma divindade – e deve ter sido algo realmente poderoso superar todos os estigmas.

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