O QUE ESPERAR NAS DISCUSSÕES SOBRE EVOLUÇÃO COM DRUIDAS NA INTERNET

dezembro 20, 2006 às 9:10 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

[Atualizado pela última vez em: 02/01/2007.]

DEFINIÇÕES DE TERMOS

Em primeiro lugar, deixem-me explicar de onde eu tirei este negócio de druidas, foi de um livro da Ann Coulter chamado Godless [1]. Particularmente, considero que este termo seja adequado para se tratá-los, em vista das coisas que crêem [2, 3]:

Embora eles sejam Druidas, os liberais se disfarçam de racionalistas, adotando um tom de sofisticação científica, que é meio como se uma cartomante estivesse nos rebaixando. […] O cerne da tradição Judaico-Cristã diz que nós somos separados das outras espécies de forma totalmente distinta. Nós temos domínio sobre as plantas e os animais da terra. Deus nos deu, são nossos – como relatado de forma sucinta no livro do Gênesis. Os liberais em breve comissionariam a Terra aos pôneis de Shetland ou aos “besouros-rola-bosta”. Toda a pseudociência liberal apóia uma religião alternativa que diz sermos uma parte insignificante da natureza. […] Tudo o que os liberais crêem está em elegante oposição às regras básicas da Bíblia. […] Nós dizemos que os humanos são criados à imagem de Deus; eles dizem que nós não somos moralmente distintos dos macacos.

Essa descrição acima (que eu cortei, para retirar partes que se referem aos aspectos mais políticos), é bastante abrangente, sendo que de forma geral, o pessoal que se diz “ateu” ou “agnóstico” se enquadra dentro dela.

Parte fundamental da religião secular que eles seguem é um conjunto de doutrinas, especulações metafísicas, cujo objetivo, como já exposto pela Coulter, é se opor a basicamente tudo o que o Cristianismo prega (e claro, tentar tirar Deus de cena):

1. O Universo é infinito, sempre existiu, ou é autocausado.

2. Informação é material.

3. A vida surgiu através de processos químicos puramente naturais e impessoais.

4. Toda a variedade e complexidade de formas de vida que vemos hoje em dia é simplesmente o resultado de mutações mais seleção natural, processos também puramente naturais e impessoais.

5. Nossas mente e consciência também surgiram graças a processos naturais e impessoais.

Especialmente interessante, sobre esse último aspecto, é o fato de que, se esse fosse o caso, nós seríamos nada mais que autômatos, vivendo uma ilusão, sob o controle de outras entidades com vontade própria! Espíritos? Não, genes [4]. Alguém realmente acredita nisso?

Para simplificar, podemos chamar esse conjunto de doutrinas de Evolucionismo (ou Darwinismo, ou Neo-Darwinismo…). Todavia, Evolucionismo e evolução biológica são coisas distintas! Vejamos:

Evolução biológica é simplesmente mudança. É um conceito dentro de genética de populações – As freqüências genotípicas das populações sofrem modificações ao longo das gerações, de forma que graças a este processo, pode haver a formação de novas espécies na medida em que as variedades mais aptas a viver em certo ambiente são selecionadas (ou seja, as variedades que apresentem vantagens seletivas). Isto é algo que efetivamente se observa, é a parte FATO da evolução, e não tem nada a ver com crença ou comprometimento a priori com qualquer tipo de pressuposição subjetiva (ao contrário das doutrinas de 1-5).

(Lembrando: especiação NÃO é um processo antibíblico como alguns pensam, o que está traduzido como espécie na sua Bíblia, em hebraico é miyn, traduzida como tipo kind, nas Bíblias de língua inglesa. [5])

Já o Evolucionismo é outra coisa… Como o próprio sufixo ismo denota, podemos considerar que este termo se refere a uma visão de mundo, Justamente a visão de mundo baseada nas doutrinas 1-5 enumeradas anteriormente. De forma geral, o que se vê, é que o establishment secular, predominantemente “ateísta” e anticristão, funciona baseado no naturalismo filosófico. Esta filosofia é o pressuposto subjetivo básico do pensamento deles. Esta posição já foi muito bem exposta pelo geneticista druida Richard Lewontin [6]:

Nós adotamos o lado da ciência, apesar dos evidentes absurdos de algumas das suas idéias, apesar da sua falha em realizar muitas das suas promessas extravagantes sobre a vida e a saúde, apesar da tolerância da comunidade científica por estórias do tipo “é por que é” não verificadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo.

Não é que os métodos e institutos da ciência de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material do mundo perceptível, mas, pelo contrário, nós é que somos forçados pela nossa adesão a priori pelas causas materiais a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzem explicações materiais, não importa o quão contra-intuitivo, não importa o quão incompreensível para o não iniciado. Além do mais, esse materialismo é um absoluto, pois nós não podemos permitir que Deus bata em nossas portas.

O eminente estudioso de Kant, Lewis Beck costumava dizer que qualquer um que poderia crer em Deus, poderia crer em qualquer coisa. Apelar para uma divindade onipotente é permitir que a qualquer momento as regularidades da natureza possam ser rompidas, que milagres podem acontecer.

(Esse último parágrafo do druida mostra que ele não entende muito bem acerca do que está criticando, parece não saber que o argumento de Hume contra os milagres já foi desmantelado há algum tempo.)

Sendo assim, para explicar tudo de acordo com essa filosofia, é necessário que se tente explicar as doutrinas de 1-5 sem apelar para o sobrenatural. O resultado é que temos uma religião secular baseada no conjunto de doutrinas do Evolucionismo. Os druidas são os devotos dessa religião, o “deus” deles é uma imitação de trindade: a mãe natureza, o pai tempo e o acaso santo.

Outro detalhe: A “Ciência”, não é uma entidade pessoal, é mais como uma ferramenta, utilizada por entidades pessoais, nós. Portanto, ela não diz nada sobre coisa alguma, quem diz alguma coisa sobre algo, são pessoas, que interpretam os fatos baseando-se em pressupostos subjetivos (dentre os quais, o naturalismo filosófico).

DE ONDE SURGEM OS PROBLEMAS?

Pois muito bem, o problema principal é no que diz respeito à extrapolação de fatos observados, para se justificar o que NÃO é observado! Explico com a citação a seguir, de Jonathan Sarfati [7]:

O que é evolução?

É de importância vital que palavras como “evolução” sejam utilizadas de forma precisa e consistente. A teoria da “evolução” que os evolucionistas estão realmente promovendo, e que os criacionistas se opõem, é a idéia de que partículas se transformaram em pessoas ao longo do tempo, sem qualquer necessidade de um Designer Inteligente. O evolucionista Kerkut definiu de forma precisa a sua Teoria Geral da Evolução (TGE), como: “teoria em que todas as formas de vida do mundo surgiram de uma única fonte, que por sua vez, veio de uma forma inorgânica.” Ele continua: “A evidência que apóia isso não é forte o bastante para que a consideremos qualquer coisa a mais do que uma hipótese a ser trabalhada.” [G.A. Kerkut, Implications of Evolution (Oxford, UK: Pergamon, 1960), p. 157.]

Entretanto, muitos propagandistas da evolução são culpados da prática enganadora da tergiversação, ou seja, mudar o sentido de uma única palavra (evolução) no meio de um argumento. Uma tática comum, “trocar a isca” [bait-and-switch], consiste simplesmente em produzir exemplos de mudança ao longo do tempo, chamar isso de “evolução”, e então afirmar que isso implica que a TGE está, portanto, provada ou é essencial, e a criação refutada. A série de TV PBS Evolution, e o artigo 15 Answers to Creationist Nonsense, da revista Scientific American são cheios de exemplos dessa falácia.

Deu pra entender? O pessoal mostra exemplos de mudanças entre tipos de seres vivos (fato observado), e utiliza esse tipo de coisa como se fosse um fato que comprova o Evolucionismo. Vejamos uma definição de evolução [8]:

Em termos modernos, podemos definir evolução como uma mudança na composição genética da população ao longo do tempo. Eventualmente, uma população pode acumular mudanças o bastante para constituir uma nova espécie – uma nova forma de vida. Assim, também podemos usar o termo evolução em uma grande escala, para denotar a aparição gradual de toda a diversidade biológica, dos primeiros micróbios à enorme variedade de organismos vivos hoje em dia.

Acompanhe a tergiversação e troca de isca, à medida que o texto vai ficando vermelho.

Basicamente, os druidas irão repetir e insistir ao infinito que evolução é somente a parte azul. Eles fazem isso por um motivo muito simples: Gostariam que criticassemos apenas a parte FATO da coisa toda, ou seja, a definição dentro de genética de populações, em azul, e que pode levar à formação de novas espécies. Acontece que, da parte fato, aparentemente ninguém discorda, o que se discorda é a parte que se extrapola, em vermelho, e que por sua vez não é fato – a origem da vida, a descendência comum universal e tudo o mais, através de processos impessoais, ou seja, uma série de especulações metafísicas.


Como esta extrapolação não é fato, mas sim um conjunto de crenças que podemos sim, chamar de Evolucionismo, eles tentam a todo custo impedir que a palavra evolução esteja associada com esta religião secular, a fim de poder tergiversar a vontade em defesa de sua visão de mundo, o naturalismo filosófico. Ora, se evolução fosse apenas a parte fato, não haveria motivos para se escrever livros como “a perigosa idéia de Darwin” ou dizer que “depois de Darwin é possível ser um ateísta intelectualmente satisfeito” [9]. Além disso, é claro, este pseudo-argumento que eles utilizam tem como objetivo esquivar-se das questões realmente importantes, acerca da origem da vida, informação biológica e origem da mente, dentre outras.


Sendo assim, de forma muito freqüente, veremos o mesmo mantra: “Você não pode definir evolução assim! isso não é evolução! vocês crentes são desonestos e mentirosos! vocês não entendem nada de ciência!


É isso em uma casca de noz, acho que já deu pra pegar a idéia.

O QUE ESPERAR DOS ADVERSÁRIOS?

Bem, esta é a parte prática desta postagem. O leitor deve ter em mente que discussões na internet não são nem de longe iguais às discussões no mundo real. Esses druidas que se agrupam em fóruns de internet são o extremo da militância misoteísta. Se você é cristão e decidir engajar em uma discussão com esse pessoal, veja o que esperar deles na maioria absoluta das vezes:

· Eles são extremamente ORGULHOSOS. Segundo C.S. Lewis, o orgulho é o pior dos pecados, e não somente isso, é a raíz dos outros [10], então:

· Eles NUNCA irão admitir que estejam errados em qualquer coisa (ou que você esteja certo).

· Eles NÃO QUEREM SER CONVERTIDOS. Isso é importante, pois tem gente que acaba se transformando em saco de pancadas e expert na arte de atirar pérolas aos porcos.

· Eles irão tergiversar acerca das definições de evolução, como já visto. E se você discorda, irão te chamar de desonesto, mentiroso, e que não entende nada de ciências.

· Eles irão sempre que possível utilizar uma estratégia ardilosa conhecida popularmente como instrução leninista: Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz! Exemplo? Vão dizer que você é um desonesto mentiroso, se expuser o fato de que eles tergiversam com as definições de evolução.

· Eles também irão utilizar outra estratégia, descrita muito bem por Olavo de Carvalho [11]:

o Talvez por pressentir essa força é que o adversário maldoso busca sempre desviar-se do centro das questões para algum detalhe miúdo e periférico que possa, bem explorado, dar margem a controvérsias sem fim; ou – o que dá na mesma – colocar alguma objeção sabidamente tola, mas que não possa ser contestada sem longas e tediosas explicações; ou ainda, obrigar-nos, mediante resistências fingidas, às vezes sublinhadas com emocionalismo teatral, a repetir mil vezes nosso discurso sob mil formas diferentes, descendo a exemplos e detalhes cada vez mais elementares, até a exaustão. Ele sabe que, quanto mais tivermos de nos gastar no esforço de provar ninharias, mais excitado ficará o nosso cérebro e mais longe estaremos do centro do nosso coração. E este é o seu verdadeiro propósito: tornar-nos iguais a ele, fazer de nós uns sonsos tagarelas, irritados, cínicos, sem consciência nem inteligência. Uma vez neutralizada a diferença qualitativa que era nossa única superioridade, ele pode nos vencer pelo mais simples dos expedientes: reúne meia dúzia de comparsas e nos esmaga pela força do número.

§ Sendo assim, evite freqüentar comunidades e/ou fóruns onde a proporção misoteístas/crente bem informado = 27/1. Se você os expuser quando utilizam este ardil, eles também irão te chamar de desonesto e tudo o mais.

· Eles irão, DEFINITIVAMENTE, começar uma CHORADEIRA caso tenham suas ladainhas e sofismas adequadamente respondidos. Quando entram na internet para discutir, o que eles querem na verdade, é encontrar um grupo de incautos, a fim de desfilar a auto-alegada “sofisticação científica” já descrita pela Coulter. Eles precisam disso, pois é necessário reafirmar constantemente o auto-engano voluntário que crêem, e isso é feito vencendo “debates” contra incautos mal-informados. Quando vêem seus argumentos desmantelados começa o rio de lágrimas…

· Todos eles se julgam doutos em praticamente todos os campos do conhecimento. É comum ver um indivíduo dando pitacos em temas tão diversos quanto cosmologia e hebraico antigo. Na verdade, o que eles sabem fazer é papagaiar o que algum ateu gringo diz.

· Eles têm a mendacidade de te dizer o que você deve ou não acreditar sobre a Bíblia! Isso mesmo, de acordo com eles, você só pode crer no que está de acordo com o naturalismo filosófico, ou seja, praticamente nada.

· Eles recorrem aos AFAGOS DA TURMINHA. Na verdade, são INSEGUROS, e quando discutem com você, precisam perguntar para o pessoal da turminha deles (em outro fórum) o que eles estão achando. Claro que todos por lá vão dizer que você um idiota e tudo o mais, inclusive o próprio druida. Isto é basicamente falar mal dos outros pelas costas, coisa de Dona Maria fofoqueira.

· Eles te pedem alguma evidência a favor do CRIACIONISMO. Você oferece uma evidência a favor do criacionismo. Eles geralmente respondem que a teoria da evolução não trata disso, uma baita fuga do tema. Ou seja, eles não querem investigar a coisa de forma honesta, nem querem ver evidências a favor do criacionismo. O que eles querem na verdade é tentar te enrolar de alguma forma, custe o que custar.


Bem, na medida em que for vendo novos tipos de comportamentos e coisas do tipo, atualizarei esta postagem.

CONCLUINDO

Caso você queira se meter em discussões com druidas, estude, leia livros, artigos, aprenda a língua inglesa, conheça o pensamento secular. É muito comum ver cristãos totalmente despreparados (e seus fóruns) sendo mutilados pelos druidas na internet. Só comente sobre aquilo que você efetivamente conhece.

E não se esqueça:

REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] Adivinha quem dá essas notas ruins para o livro 🙂

[2] COULTER, A. Godless, The Church of Liberalism. Crown Publishing Group. 2006. p. 8.

[3] Veja também o artigo chamado “Você acha que é um darwinista?” de David Stove, disponível aqui: http://tinyurl.com/y8kn6u

[4] Mais David Stove: http://tinyurl.com/yxyuz6 – As citações do Richard Dawkins valem ouro. E tem gente que paga CARO pelos livros dele…

[5] http://tinyurl.com/uy8uv

[6] http://www.creationontheweb.com/content/view/703/

[7] http://www.answersingenesis.org/pbs_nova/0924ep1.asp

[8] CAMPBELL, NA. & REECE, JB. Biology. Benjamin Cummings. 2005. 7th ed. p. 438.

[9] Veja aqui as respostas para as desculpas esfarrapadas da militância druida: http://www.answersingenesis.org/docs/3907.asp

[10] http://www.btinternet.com/~a.ghinn/greatsin.htm

[11] CARVALHO, O. Como Vencer Um Debate Sem Precisar Ter Razão. Topbooks. 2003. pp. 19-20.

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