CCR5-DELTA 32: EVIDÊNCIA A FAVOR DO EVOLUCIONISMO?

dezembro 7, 2006 às 9:10 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Antes de tudo, algumas definições rápidas para o que se propõe aqui.

 

  • Citocinas [1]: Proteínas liberadas por tipos celulares diversos quando em contato com um antígeno específico. Atuam como mediadores intercelulares durante a elaboração de uma resposta imune.
  • Quimiocinas [2]: São citocinas quimiotáticas, induzem a quimiotaxia em células alvo próximas, principalmente monócitos e neutrófilos, para os locais de infecção ou dano.
  • CCR5 – Receptor do tipo 5 de quimiocinas com o domínio CC [3]: Receptores de quimiocinas presentes na superfície celular. Ligam-se às quimiocinas: RANTES, MIP-1α e MIP-1β. De forma geral, as quimiocinas que se ligam aos receptores de quimiocinas do tipo CC, induzem a migração de monócitos, células NK e células dendríticas [2].

 

Com as definições necessárias em mente, vamos então ao que interessa.

 

Sabe-se que o vírus da AIDS, HIV, utiliza o CD4 como receptor e o CCR5 como co-receptor, quando se liga à superfície das células alvo, os linfócitos T auxiliares (figura 1).

 


Figura 1. Ligação do HIV à superfície da célula alvo. Notar que o vírus precisa se ligar a duas moléculas que funcionam como receptores de superfície: CD4 e CCR5.

 

Acontece que, há algum tempo, sabe-se que certos indivíduos, encontrados em maior freqüência em populações européias possuem um alelo defeituoso do gene ccr5, resultado da deleção de 32 pb [3]. O produto protéico defeituoso é chamado CCR5-Δ32, e ao contrário da CCR5 normal, não mais apresenta o domínio externo à membrana plasmática, onde está a região na qual a proteína viral, gp 120, se liga (figura 2) [4].

 

Figura 2. CCR5-Δ32. Note que o vírus falha ao infectar a célula, justamente porque não pode se ligar ao co-receptor mutante. OBS: Na verdade, a figura está imprecisa, pois CCR5-Δ32 não deveria apresentar nenhum domínio externo à membrana plasmática.

 

Sendo assim, os indivíduos que apresentam o alelo mutante (principalmente os homozigotos, mas em menor grau os heterozigotos) apresentam resistência contra algumas variedades do HIV, em decorrência da falta do co-receptor.

 

Acredita-se que o alelo CCR5-Δ32 seja mais freqüente em populações da Europa devido ao fato de que elas já foram afligidas por uma epidemia de varíola: O vírus da varíola também utiliza o CCR5 para se ligar às células que vai infectar, sendo assim, a freqüência de indivíduos com o alelo mutante aumentou, visto que não foram afligidos pela doença e puderam passá-lo adiante [4].

 

Isso é evidência a favor do Evolucionismo?

 

Se definirmos evolução como “alterações nas freqüências gênicas das populações ao longo das gerações”, definitivamente, este é um exemplo de evolução. A questão é: Constitui evidência a favor do Evolucionismo (a visão de mundo dos druidas)?

 

Vejamos, CCR5 funciona como receptor de quimiocinas e esta mutação faz com que haja a perda da função. Mesmo com a insistência comum dos druidas, de que a evolução não necessariamente significa progresso e aumento de complexidade, o fato é que de acordo com o Evolucionismo, um ser unicelular muito simples é o ancestral das formas de vida mais complexas, como nós mesmos. Para que chegássemos até aqui, teria de ser necessário um grande acréscimo de informações ao biocosmo genômico.

 

Perda de função simplesmente vai no sentido contrário ao requerido pela visão de mundo dos druidas, pois significa perda de informação. Além disso, apesar desta mutação conferir resistência contra algumas variedades de HIV, por outro lado aumenta a susceptibilidade à infecções por parte do West Nile Virus – Vírus do Nilo Ocidental, que pode causar meningites e encefalites [5]. Ou seja, dependendo da situação, a mutação pode ser inclusive deletéria.

 

No fim das contas, esta mutação confere resistência contra algo, mas ao mesmo tempo bagunça o “texto”, a informação genética existente, da mesma forma que os exemplos de bactérias resistentes à antibióticos e do alelo da anemia falciforme. A conclusão é que este exemplo certamente não constitui evidência a favor do Evolucionismo.

Referências e notas.

[1] http://www.answers.com/Cytokines

[2] http://www.answers.com/topic/chemokine

[3] http://www.answers.com/topic/ccr5

[4] http://www.thetech.org/genetics/news.php?id=13

[5] http://www.medicinenet.com/script/main/art.asp?articlekey=57481

 

*Evolucionismo (= Darwinismo): É a religião secular, basicamente igual ao naturalismo filosófico.

*Druidas: Os adoradores do suposto poder criador da natureza. Crentes no Evolucionismo.

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