JESUS MANDOU VOCÊ SER SACO DE PANCADAS?

dezembro 27, 2006 às 9:47 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

É comum muitos cristãos se comportarem como um hamster encurralado por um gato, achando que devem ser completamente passivos às ofensas e agressões. O principal trecho utilizado pra se justificar isso, está no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, onde Jesus diz que se alguém nos bate em um lado da face, devemos oferecer o outro. Como isso não faz sentido, principalmente tendo em vista os trechos nos Evangelhos onde Jesus manda umas tiradas muito boas em cima dos críticos, vejamos o que isso realmente significa.

 

No documentário da BBC: Jesus The Real Story*, episódio 2, o estudioso N. T. Wright nos explica, segue um transcrito:

 

De acordo com Tom Wright, Jesus estava usando a expressão [oferecer a outra face] como uma metáfora para resistência pacifista ou não-violenta:

“Se eu der um tapa na face direita de alguém, será com a parte de trás da minha mão direita, e muitos estudiosos têm sugerido que isso é algo humilhante, é o que você faria com um escravo, uma criança, ou alas! Naquela cultura, com uma mulher.

Então dizer ‘OK, agora acerte minha face esquerda’, é uma forma de dizer, ‘me bata de novo se quiser, mas dessa vez faça de isso de forma que estejamos no mesmo nível’.

É uma forma de, freqüentemente, reafirmar a própria dignidade, debochando do agressor que está te rebaixando.”

 

Simples não? É basicamente exigir ser tratado com respeito, e não ser capacho de malandros (se quiser visualizar melhor a situação, imagine aqueles filmes de nobres francesinhos com pó de arroz na cara desafiando uns aos outros com tapinhas de luvinhas). Você não precisa agredir o sujeito com uma voadora, mas também não precisa ficar quietinho sendo mutilado que nem um hamster, você é um gato (ui! hehehehe).

 

*Engraçado, ou esquisito… é o fato de que não consigo mais achar a página sobre essa série no site da BBC…

O QUE ESPERAR NAS DISCUSSÕES SOBRE EVOLUÇÃO COM DRUIDAS NA INTERNET

dezembro 20, 2006 às 9:10 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

 

[Atualizado pela última vez em: 02/01/2007.]

DEFINIÇÕES DE TERMOS

Em primeiro lugar, deixem-me explicar de onde eu tirei este negócio de druidas, foi de um livro da Ann Coulter chamado Godless [1]. Particularmente, considero que este termo seja adequado para se tratá-los, em vista das coisas que crêem [2, 3]:

Embora eles sejam Druidas, os liberais se disfarçam de racionalistas, adotando um tom de sofisticação científica, que é meio como se uma cartomante estivesse nos rebaixando. […] O cerne da tradição Judaico-Cristã diz que nós somos separados das outras espécies de forma totalmente distinta. Nós temos domínio sobre as plantas e os animais da terra. Deus nos deu, são nossos – como relatado de forma sucinta no livro do Gênesis. Os liberais em breve comissionariam a Terra aos pôneis de Shetland ou aos “besouros-rola-bosta”. Toda a pseudociência liberal apóia uma religião alternativa que diz sermos uma parte insignificante da natureza. […] Tudo o que os liberais crêem está em elegante oposição às regras básicas da Bíblia. […] Nós dizemos que os humanos são criados à imagem de Deus; eles dizem que nós não somos moralmente distintos dos macacos.

Essa descrição acima (que eu cortei, para retirar partes que se referem aos aspectos mais políticos), é bastante abrangente, sendo que de forma geral, o pessoal que se diz “ateu” ou “agnóstico” se enquadra dentro dela.

Parte fundamental da religião secular que eles seguem é um conjunto de doutrinas, especulações metafísicas, cujo objetivo, como já exposto pela Coulter, é se opor a basicamente tudo o que o Cristianismo prega (e claro, tentar tirar Deus de cena):

1. O Universo é infinito, sempre existiu, ou é autocausado.

2. Informação é material.

3. A vida surgiu através de processos químicos puramente naturais e impessoais.

4. Toda a variedade e complexidade de formas de vida que vemos hoje em dia é simplesmente o resultado de mutações mais seleção natural, processos também puramente naturais e impessoais.

5. Nossas mente e consciência também surgiram graças a processos naturais e impessoais.

Especialmente interessante, sobre esse último aspecto, é o fato de que, se esse fosse o caso, nós seríamos nada mais que autômatos, vivendo uma ilusão, sob o controle de outras entidades com vontade própria! Espíritos? Não, genes [4]. Alguém realmente acredita nisso?

Para simplificar, podemos chamar esse conjunto de doutrinas de Evolucionismo (ou Darwinismo, ou Neo-Darwinismo…). Todavia, Evolucionismo e evolução biológica são coisas distintas! Vejamos:

Evolução biológica é simplesmente mudança. É um conceito dentro de genética de populações – As freqüências genotípicas das populações sofrem modificações ao longo das gerações, de forma que graças a este processo, pode haver a formação de novas espécies na medida em que as variedades mais aptas a viver em certo ambiente são selecionadas (ou seja, as variedades que apresentem vantagens seletivas). Isto é algo que efetivamente se observa, é a parte FATO da evolução, e não tem nada a ver com crença ou comprometimento a priori com qualquer tipo de pressuposição subjetiva (ao contrário das doutrinas de 1-5).

(Lembrando: especiação NÃO é um processo antibíblico como alguns pensam, o que está traduzido como espécie na sua Bíblia, em hebraico é miyn, traduzida como tipo kind, nas Bíblias de língua inglesa. [5])

Já o Evolucionismo é outra coisa… Como o próprio sufixo ismo denota, podemos considerar que este termo se refere a uma visão de mundo, Justamente a visão de mundo baseada nas doutrinas 1-5 enumeradas anteriormente. De forma geral, o que se vê, é que o establishment secular, predominantemente “ateísta” e anticristão, funciona baseado no naturalismo filosófico. Esta filosofia é o pressuposto subjetivo básico do pensamento deles. Esta posição já foi muito bem exposta pelo geneticista druida Richard Lewontin [6]:

Nós adotamos o lado da ciência, apesar dos evidentes absurdos de algumas das suas idéias, apesar da sua falha em realizar muitas das suas promessas extravagantes sobre a vida e a saúde, apesar da tolerância da comunidade científica por estórias do tipo “é por que é” não verificadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo.

Não é que os métodos e institutos da ciência de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material do mundo perceptível, mas, pelo contrário, nós é que somos forçados pela nossa adesão a priori pelas causas materiais a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzem explicações materiais, não importa o quão contra-intuitivo, não importa o quão incompreensível para o não iniciado. Além do mais, esse materialismo é um absoluto, pois nós não podemos permitir que Deus bata em nossas portas.

O eminente estudioso de Kant, Lewis Beck costumava dizer que qualquer um que poderia crer em Deus, poderia crer em qualquer coisa. Apelar para uma divindade onipotente é permitir que a qualquer momento as regularidades da natureza possam ser rompidas, que milagres podem acontecer.

(Esse último parágrafo do druida mostra que ele não entende muito bem acerca do que está criticando, parece não saber que o argumento de Hume contra os milagres já foi desmantelado há algum tempo.)

Sendo assim, para explicar tudo de acordo com essa filosofia, é necessário que se tente explicar as doutrinas de 1-5 sem apelar para o sobrenatural. O resultado é que temos uma religião secular baseada no conjunto de doutrinas do Evolucionismo. Os druidas são os devotos dessa religião, o “deus” deles é uma imitação de trindade: a mãe natureza, o pai tempo e o acaso santo.

Outro detalhe: A “Ciência”, não é uma entidade pessoal, é mais como uma ferramenta, utilizada por entidades pessoais, nós. Portanto, ela não diz nada sobre coisa alguma, quem diz alguma coisa sobre algo, são pessoas, que interpretam os fatos baseando-se em pressupostos subjetivos (dentre os quais, o naturalismo filosófico).

DE ONDE SURGEM OS PROBLEMAS?

Pois muito bem, o problema principal é no que diz respeito à extrapolação de fatos observados, para se justificar o que NÃO é observado! Explico com a citação a seguir, de Jonathan Sarfati [7]:

O que é evolução?

É de importância vital que palavras como “evolução” sejam utilizadas de forma precisa e consistente. A teoria da “evolução” que os evolucionistas estão realmente promovendo, e que os criacionistas se opõem, é a idéia de que partículas se transformaram em pessoas ao longo do tempo, sem qualquer necessidade de um Designer Inteligente. O evolucionista Kerkut definiu de forma precisa a sua Teoria Geral da Evolução (TGE), como: “teoria em que todas as formas de vida do mundo surgiram de uma única fonte, que por sua vez, veio de uma forma inorgânica.” Ele continua: “A evidência que apóia isso não é forte o bastante para que a consideremos qualquer coisa a mais do que uma hipótese a ser trabalhada.” [G.A. Kerkut, Implications of Evolution (Oxford, UK: Pergamon, 1960), p. 157.]

Entretanto, muitos propagandistas da evolução são culpados da prática enganadora da tergiversação, ou seja, mudar o sentido de uma única palavra (evolução) no meio de um argumento. Uma tática comum, “trocar a isca” [bait-and-switch], consiste simplesmente em produzir exemplos de mudança ao longo do tempo, chamar isso de “evolução”, e então afirmar que isso implica que a TGE está, portanto, provada ou é essencial, e a criação refutada. A série de TV PBS Evolution, e o artigo 15 Answers to Creationist Nonsense, da revista Scientific American são cheios de exemplos dessa falácia.

Deu pra entender? O pessoal mostra exemplos de mudanças entre tipos de seres vivos (fato observado), e utiliza esse tipo de coisa como se fosse um fato que comprova o Evolucionismo. Vejamos uma definição de evolução [8]:

Em termos modernos, podemos definir evolução como uma mudança na composição genética da população ao longo do tempo. Eventualmente, uma população pode acumular mudanças o bastante para constituir uma nova espécie – uma nova forma de vida. Assim, também podemos usar o termo evolução em uma grande escala, para denotar a aparição gradual de toda a diversidade biológica, dos primeiros micróbios à enorme variedade de organismos vivos hoje em dia.

Acompanhe a tergiversação e troca de isca, à medida que o texto vai ficando vermelho.

Basicamente, os druidas irão repetir e insistir ao infinito que evolução é somente a parte azul. Eles fazem isso por um motivo muito simples: Gostariam que criticassemos apenas a parte FATO da coisa toda, ou seja, a definição dentro de genética de populações, em azul, e que pode levar à formação de novas espécies. Acontece que, da parte fato, aparentemente ninguém discorda, o que se discorda é a parte que se extrapola, em vermelho, e que por sua vez não é fato – a origem da vida, a descendência comum universal e tudo o mais, através de processos impessoais, ou seja, uma série de especulações metafísicas.


Como esta extrapolação não é fato, mas sim um conjunto de crenças que podemos sim, chamar de Evolucionismo, eles tentam a todo custo impedir que a palavra evolução esteja associada com esta religião secular, a fim de poder tergiversar a vontade em defesa de sua visão de mundo, o naturalismo filosófico. Ora, se evolução fosse apenas a parte fato, não haveria motivos para se escrever livros como “a perigosa idéia de Darwin” ou dizer que “depois de Darwin é possível ser um ateísta intelectualmente satisfeito” [9]. Além disso, é claro, este pseudo-argumento que eles utilizam tem como objetivo esquivar-se das questões realmente importantes, acerca da origem da vida, informação biológica e origem da mente, dentre outras.


Sendo assim, de forma muito freqüente, veremos o mesmo mantra: “Você não pode definir evolução assim! isso não é evolução! vocês crentes são desonestos e mentirosos! vocês não entendem nada de ciência!


É isso em uma casca de noz, acho que já deu pra pegar a idéia.

O QUE ESPERAR DOS ADVERSÁRIOS?

Bem, esta é a parte prática desta postagem. O leitor deve ter em mente que discussões na internet não são nem de longe iguais às discussões no mundo real. Esses druidas que se agrupam em fóruns de internet são o extremo da militância misoteísta. Se você é cristão e decidir engajar em uma discussão com esse pessoal, veja o que esperar deles na maioria absoluta das vezes:

· Eles são extremamente ORGULHOSOS. Segundo C.S. Lewis, o orgulho é o pior dos pecados, e não somente isso, é a raíz dos outros [10], então:

· Eles NUNCA irão admitir que estejam errados em qualquer coisa (ou que você esteja certo).

· Eles NÃO QUEREM SER CONVERTIDOS. Isso é importante, pois tem gente que acaba se transformando em saco de pancadas e expert na arte de atirar pérolas aos porcos.

· Eles irão tergiversar acerca das definições de evolução, como já visto. E se você discorda, irão te chamar de desonesto, mentiroso, e que não entende nada de ciências.

· Eles irão sempre que possível utilizar uma estratégia ardilosa conhecida popularmente como instrução leninista: Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz! Exemplo? Vão dizer que você é um desonesto mentiroso, se expuser o fato de que eles tergiversam com as definições de evolução.

· Eles também irão utilizar outra estratégia, descrita muito bem por Olavo de Carvalho [11]:

o Talvez por pressentir essa força é que o adversário maldoso busca sempre desviar-se do centro das questões para algum detalhe miúdo e periférico que possa, bem explorado, dar margem a controvérsias sem fim; ou – o que dá na mesma – colocar alguma objeção sabidamente tola, mas que não possa ser contestada sem longas e tediosas explicações; ou ainda, obrigar-nos, mediante resistências fingidas, às vezes sublinhadas com emocionalismo teatral, a repetir mil vezes nosso discurso sob mil formas diferentes, descendo a exemplos e detalhes cada vez mais elementares, até a exaustão. Ele sabe que, quanto mais tivermos de nos gastar no esforço de provar ninharias, mais excitado ficará o nosso cérebro e mais longe estaremos do centro do nosso coração. E este é o seu verdadeiro propósito: tornar-nos iguais a ele, fazer de nós uns sonsos tagarelas, irritados, cínicos, sem consciência nem inteligência. Uma vez neutralizada a diferença qualitativa que era nossa única superioridade, ele pode nos vencer pelo mais simples dos expedientes: reúne meia dúzia de comparsas e nos esmaga pela força do número.

§ Sendo assim, evite freqüentar comunidades e/ou fóruns onde a proporção misoteístas/crente bem informado = 27/1. Se você os expuser quando utilizam este ardil, eles também irão te chamar de desonesto e tudo o mais.

· Eles irão, DEFINITIVAMENTE, começar uma CHORADEIRA caso tenham suas ladainhas e sofismas adequadamente respondidos. Quando entram na internet para discutir, o que eles querem na verdade, é encontrar um grupo de incautos, a fim de desfilar a auto-alegada “sofisticação científica” já descrita pela Coulter. Eles precisam disso, pois é necessário reafirmar constantemente o auto-engano voluntário que crêem, e isso é feito vencendo “debates” contra incautos mal-informados. Quando vêem seus argumentos desmantelados começa o rio de lágrimas…

· Todos eles se julgam doutos em praticamente todos os campos do conhecimento. É comum ver um indivíduo dando pitacos em temas tão diversos quanto cosmologia e hebraico antigo. Na verdade, o que eles sabem fazer é papagaiar o que algum ateu gringo diz.

· Eles têm a mendacidade de te dizer o que você deve ou não acreditar sobre a Bíblia! Isso mesmo, de acordo com eles, você só pode crer no que está de acordo com o naturalismo filosófico, ou seja, praticamente nada.

· Eles recorrem aos AFAGOS DA TURMINHA. Na verdade, são INSEGUROS, e quando discutem com você, precisam perguntar para o pessoal da turminha deles (em outro fórum) o que eles estão achando. Claro que todos por lá vão dizer que você um idiota e tudo o mais, inclusive o próprio druida. Isto é basicamente falar mal dos outros pelas costas, coisa de Dona Maria fofoqueira.

· Eles te pedem alguma evidência a favor do CRIACIONISMO. Você oferece uma evidência a favor do criacionismo. Eles geralmente respondem que a teoria da evolução não trata disso, uma baita fuga do tema. Ou seja, eles não querem investigar a coisa de forma honesta, nem querem ver evidências a favor do criacionismo. O que eles querem na verdade é tentar te enrolar de alguma forma, custe o que custar.


Bem, na medida em que for vendo novos tipos de comportamentos e coisas do tipo, atualizarei esta postagem.

CONCLUINDO

Caso você queira se meter em discussões com druidas, estude, leia livros, artigos, aprenda a língua inglesa, conheça o pensamento secular. É muito comum ver cristãos totalmente despreparados (e seus fóruns) sendo mutilados pelos druidas na internet. Só comente sobre aquilo que você efetivamente conhece.

E não se esqueça:

REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] Adivinha quem dá essas notas ruins para o livro 🙂

[2] COULTER, A. Godless, The Church of Liberalism. Crown Publishing Group. 2006. p. 8.

[3] Veja também o artigo chamado “Você acha que é um darwinista?” de David Stove, disponível aqui: http://tinyurl.com/y8kn6u

[4] Mais David Stove: http://tinyurl.com/yxyuz6 – As citações do Richard Dawkins valem ouro. E tem gente que paga CARO pelos livros dele…

[5] http://tinyurl.com/uy8uv

[6] http://www.creationontheweb.com/content/view/703/

[7] http://www.answersingenesis.org/pbs_nova/0924ep1.asp

[8] CAMPBELL, NA. & REECE, JB. Biology. Benjamin Cummings. 2005. 7th ed. p. 438.

[9] Veja aqui as respostas para as desculpas esfarrapadas da militância druida: http://www.answersingenesis.org/docs/3907.asp

[10] http://www.btinternet.com/~a.ghinn/greatsin.htm

[11] CARVALHO, O. Como Vencer Um Debate Sem Precisar Ter Razão. Topbooks. 2003. pp. 19-20.

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CÓPIA, CÓPIA, JESUS É UMA CÓPIA!

dezembro 11, 2006 às 12:10 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Cópia, Cópia, Jesus é uma Cópia!

Por J. P. Holding – Tektonics.org

Tradução: Maximiliano Mendes

Existe um tipo de argumento por aí, mais ou menos assim…

Jesus? Ele não é diferente de um milhão de outros deuses como _______ que também nasceu de uma virgem, foi crucificado e se reergueu dos mortos. Grande coisa!”

Você provavelmente não irá ouvir isso das pessoas realmente inteligentes e com as melhores qualificações. Mas você irá encontrar este tipo de coisa em romances campeões de vendas como o Código da Vinci e também em livros de pessoas que deveriam alugar quartos ao invés de escrever. Eles têm uma longa lista de nomes de deuses que gostam de colocar naquela lacuna, mas nós não temos muito espaço aqui, sendo assim, iremos apenas fazer algumas perguntas e então falar sobre três dos deuses mais comumente utilizados para preencher a lacuna. No fim, haverá um lugar que você pode ir para obter mais informações.

Vamos começar com as questões. A primeira é: Como podemos realmente decidir se uma coisa é a cópia de outra?

Vamos utilizar um exemplo, se um de seus professores diz que você plagiou o trabalho de alguém em um ensaio que você entregou, que tipo de provas o professor deveria ter de que você copiou alguém antes de te reprovar? O que mostraria que você não copiou de alguém e merece ter seu ensaio avaliado de forma justa como todos os outros?

Da mesma forma, que tipo de provas nós precisamos para dizer que algo sobre Jesus foi copiado de outro deus?

Bem, a primeira coisa que obviamente tem de ser verdade é que, já deveria se saber da existência do deus pagão antes de Jesus ter vivido no Século I. Isto é importante, pois como veremos em alguns dos exemplos, a evidência pode mostrar que as pessoas que acreditavam no deus pagão são as que mudavam as estórias de seus deuses para torná-los mais semelhantes a Jesus – porque elas estavam tentando competir com os cristãos. Da mesma forma, você não pode ser acusado de plagiar um ensaio que se pode mostrar ter sido escrito após o seu.

Em segundo lugar, quando alguém diz que algo é cópia de outra coisa, tem de se mostrar que a coisa copiada era única, não algo que alguém poderia sugerir por conta própria, ou que o tipo de coisa sobre a qual eles estavam escrevendo iria naturalmente abranger o mesmo assunto.

Eu quero dizer o seguinte: Você não pode ser acusado de plágio se seu ensaio usa palavras como e, mas, o, a e também. Estas são palavras que todo mundo usa. Além do mais, você não pode ser acusado de plágio se for designado para escrever um ensaio sobre energia hidrelétrica, e acontecer de você usar alguns argumentos iguais aos que alguém já utilizou antes. Isto é porque os fatos não são propriedades de apenas uma pessoa. Você não pode ser acusado de plágio só por dizer que “represas são uma fonte de energia hidrelétrica” a mesma coisa que outra pessoa também já disse.

Então por exemplo, se alguém diz: “Jesus foi um professor” e então diz “______ foi um professor”, este argumento não é bom. Ser um professor é algo que se espera que qualquer deus fosse. O mesmo é verdade para os milagres. Qualquer deus (real ou imaginário) deveria fazê-los. Se alguém diz: “Os cristãos tinham uma refeição sagrada (comunhão), mas essa religião pagã também tinha”, isso não é prova de cópia, porque no mundo antigo vários grupos tinham refeições sagradas juntos, assim como as famílias de hoje em dia gostam de sair para comer e aproveitar a companhia uns dos outros.

Algo deve ser único a fim de se fazer a acusação de cópia pegar – como se seu professor descobrir que você tem um parágrafo inteiro no seu ensaio utilizando exatamente as mesmas palavras de outra pessoa, e não apenas o mesmo assunto. Declarar, como alguém fez, o fato de que as represas criam energia hidrelétrica não é plágio; plágio é dizer isso utilizando as palavras exatas de outra pessoa e não dar crédito a ela.

Enfim, você não pode gritar “Cópia!” a não ser que possa mostrar haver outra explicação além da que alguém copiou algo de outra pessoa. Mas agora vejamos alguns desses deuses que dizem que os cristãos copiaram para fabricar Jesus. O que descobriremos na maioria dos casos é que a acusação de que o deus pagão fez algo similar ao que Jesus fez, na verdade é falso – completamente fictício! E na maioria dos outros casos, a informação sobre o deus pagão vem de uma época posterior à que Jesus viveu, significando que, se alguém fez alguma cópia, foram os pagãos copiando os cristãos, e não o contrário. Finalmente, veremos que aproximadamente todo o resto são coisas nem únicas nem especiais, da mesma forma que utilizar as palavras mas e o em um ensaio, não significa nada.

Attis, o deus castrado de forma cruel

Você já ouviu falar de Attis? Provavelmente não. Mas havia uma religião sobre ele em Roma mais ou menos no tempo em que Jesus viveu. Quais são algumas das coisas importantes que você poderá ouvir sobre esse cara? Aqui está uma lista das mais importantes:

Attis nasceu em 25 de Dezembro de uma virgem chamada Nana.

Em primeiro lugar, podemos esquecer da parte sobre o 25 de Dezembro. Embora nós celebremos o aniversário de Jesus nesta data, não sabemos se ele realmente nasceu dia 25/12, e nada na Bíblia diz isso. Esta data de aniversário para Jesus foi decidida centenas de anos depois. Além disso, eu nunca encontrei nada dizendo que Attis nasceu dia 25/12, a não ser a declaração acima.

E sobre ele ter nascido de uma virgem? Bem, é difícil imaginar algo assim na estória de Attis. Parece que um dia, Zeus (ou Júpiter para os romanos) viu o monte Agdus, e o achou parecido com a deusa Réia. (Nem me pergunte como uma montanha poderia se parecer com uma deusa. Talvez Zeus estivesse tendo problemas para arrumar encontros). Isto o deixou tão excitado que ele acabou derramando um pouco de esperma no chão, e daí nasceu uma criatura chamada Agdistis. Acontece que o Agdistis era um cara detestável e os deuses não gostaram dele. Então um outro deus, Dionísio, colocou vinho na água de Agdistis para que ele dormisse, enquanto ele estava dormindo, amarrou uma ponta de uma corda em volta dos órgãos genitais de Agdistis, a outra ponta em uma árvore, e deu um gritão no ouvido de Agdistis, e… bem, daqui pra frente você já entendeu…

Graças a isso, Agdistis sangrou bastante, e desse sangue brotou uma árvore frutífera. Muito tempo depois, uma garota chamada Nana pegou um dos frutos e o pôs no colo. Então o fruto desapareceu, e depois disso ela se descobriu grávida de Attis.

Nascimento de uma virgem? Não me parece muito certo.

Ele foi considerado o redentor que morreu para salvar a humanidade.

Se pudéssemos cantar uma música sobre isso, ela começaria assim: “Meu besteirol tem o nome de A-T-T-I-S…”

Os estudiosos da religião que cultua Attis dizem que não há evidências de que esta religião oferecia a salvação ou que Attis agiu como um “redentor”. Então é óbvio que os cristãos não copiaram nada.

Ele morreu – falaremos sobre isso em um minuto – mas não porque alguém o matou. Ele não foi morto.

Seu corpo era comido como pão pelos seus adoradores.

Não se sabe se isso é verdade. Os adoradores de Attis, assim como os adoradores de muitos deuses pagãos, tinham algum tipo de refeição, mas nós não sabemos no que ela consistia ou se envolvia algum tipo de simbolismo onde se acreditava que o pão era o seu corpo.

Na “Sexta-Feira negra”, ele foi crucificado em uma árvore, da qual seu sangue sagrado escorreu para redimir a terra.

Eu nunca encontrei verdade alguma nesta afirmação. Em sua estória mais famosa, Attis morreu embaixo de uma árvore, e não crucificado nela. Não há referência disso acontecendo numa Sexta-Feira, muito menos em uma Sexta-Feira “Negra”. Attis sangrou, mas o resultado disso, em algumas estórias, foi o brotamento de flores (especialmente violetas) – se você quiser chamar isso de “redenção” da terra, talvez algum fazendeiro esteja fazendo a mesma coisa plantando batatas. Isso certamente não “redimiu” nada nem ninguém do pecado (como Jesus fez) nem trouxe algum benefício pra nós que estamos fora do ramo da floricultura.

Após três dias, Attis ressuscitou em 25 de março (assim como na tradição de Jesus) como o “Deus altíssimo”.

Isso é verdade? Eu não estou certo. As pessoas que afirmam isso estão se referindo a qual estória?

Em uma estória, Attis está se casando, quando Agdistis (lembra dele?) aparece no casamento. Graças a essa interferência, a noiva morre. Attis fica angustiado, cai sob uma árvore, castra-se e então morre. Agdistis, vendo isso, sente-se mal e pede a Zeus que traga Attis de volta à vida. Zeus está de bom humor, diz OK, mas: O corpo de Attis não apodrecerá, seu cabelo continuará a crescer, e seu dedinho se moverá continuamente.

Não gostou dessa? Tente essa então: Uma garota chamada Cibele se apaixona por Attis, que prefere uma ninfa. Cibele mata a ninfa. Attis enlouquece e se castra. De seu sangue, as flores brotam do chão e ele se torna um pinheiro.

Ainda não temos um final feliz? OK tente a N° 3: Cibele, que apesar de não saber é filha de um rei, casa-se com Attis. Quando o rei descobre, mata Attis e se certifica de que o corpo nunca será encontrado.

Você viu alguma ressurreição aqui? Não – Isso só começou a aparecer nas estórias dele mais tarde, depois do início do Cristianismo. E sobre a data de 25 de Março? Era a data de um festival chamado Hilária, e não encontramos provas de que ele acontecia antes do Século III ou IV DC – vários anos depois de Jesus ter vivido.

Dionísio, o deus que gostava de vinho

Mesmo se você nunca ouvira falar de Attis, provavelmente já ouviu falar de Dionísio, ou Baco, como os romanos o chamavam. Dizem que ele é outro deus que os cristãos roubaram para criar Jesus. Vejamos outra lista de acusações.

Dionísio nasceu de uma virgem no dia 25 de Dezembro, e como Criança Sagrada, foi posto em uma manjedoura.

É, parece que todos os deuses nasceram no dia 25/12 não é? Deve ter sido difícil para as pessoas que organizavam as festas.

Nós já indicamos que a idéia do dia 25/12 não tem nada a ver com Jesus, mas mais do que isso, assim como Attis, eu não vejo evidências de escritores sérios, que pesquisam, de que esse também foi o dia do nascimento de Dionísio.

Sobre ter nascido de uma virgem, Dionísio chega perto – da mesma forma que Attis. Embora isso dependa de quais das estórias você queira crer. Na estória mais popular, a mãe de Dionísio era chamada Semele, e engravidou de Zeus quando ele tomou a forma de um relâmpago. Mais tarde, a esposa de Zeus, Hera, enganou Semele, fazendo com que ela fosse pedir a Zeus que revelasse sua glória, o que terminou carbonizando Semele, e deixando Dionísio, ainda não nascido, para trás. Zeus pegou a criança e o costurou em sua coxa até que ele estivesse pronto e desenvolvido.

Outra estória mostra Dionísio como o filho de Zeus e Perséfone. E ainda outra versão, asiática, o mostra “auto-nascido”. Mas claramente não há nada como o nascimento a partir da concepção de uma virgem.

Ele era um professor viajante que realizava milagres.

Em primeiro lugar, como nós dissemos no início: Espera-se que qualquer ser divino (real ou imaginário) operasse milagres, então esta acusação não tem muita importância. E no caso de Dionísio, a acusação não é muito boa mesmo. Na Bacchae, um antigo trabalho literário sobre Dionísio, ele viaja pela Grécia, Pérsia e Arábia espalhando seus rituais e julgando de forma miraculosa aqueles que o desafiam. Há outras estórias nas quais ele viajava por aí tentando fazer com que as pessoas fossem mais civilizadas, e um estudioso já disse ser ele o deus que passava a maior parte do tempo viajando. Não é como Jesus, que viajava em uma área limitada ensinando sobre moral. Há um alinhamento muito maior entre Jesus e outros “homens santos” do judaísmo de seus dias (pessoas como Honi o desenhador de círculos, e Hanina ben Dosa) que andavam de um lugar ao outro ensinando e realizando milagres.

Podemos colocar da seguinte forma: Se você chega em casa e encontra uma caixa de pizza de certa rede de lanchonetes no lixo, você irá supor que alguém comprou aquela pizza da mesma lanchonete no fim da rua ou em outro estado? Você poderia dizer que a rede de lanchonetes próxima a você roubou a idéia de usar caixas de outra rede? Não, porque uma caixa é a coisa exata para se utilizar, a fim de manter uma pizza quente e segura. Justamente por isso esperaríamos que um profeta ou pessoa divina ensinasse e realizasse milagres. É o trabalho deles. Se havia pessoas fazendo coisas semelhantes às que Jesus fez em sua vizinhança, então não há necessidade de se dizer que algum deus em outro país distante e em outra cultura foi a fonte de inspiração.

Ele foi um rei sagrado, morto, e era comido em um ritual de eucaristia para a fertilidade e purificação.

Isso é meio difícil de encontrar. De acordo com o relato de Diodorus, um historiador antigo, Dionísio, ainda criança, foi ludibriado a se sentar no trono de Zeus (um rei sagrado?) e brincar de Mestre do Universo. Assim que se sentou lá, alguns dos titãs – os vilões da mitologia grega – infiltraram-se com alguns brinquedos e o distraíram. Enquanto ele estava distraído, os titãs o pegaram, cortaram-no em pedaços (o mataram), cozeram e assaram tudo, exceto seu coração, e o comeram (comido – em um ritual eucarístico?!?!). Quando Zeus ficou sabendo disso, ficou irritado como de costume, e explodiu os titãs em pedacinhos.

Entretanto, no que diz respeito às nossas vidas aqui na terra, não temos evidências de que o corpo de Dionísio foi “comido” alguma vez pelos seus seguidores em um ritual como esse.

Dionísio ressuscitou dia 25 de Março.

Não encontrei nenhuma evidência para apoiar esta afirmação. Relacionadas a isso, houve uma variedade de idéias: Uma inscrição de uma cidade grega antiga descreve Dionísio como “o deus que se renova e retorna a cada ano rejuvenescido” – o que quer que isso signifique. Temos uma estória em que Dionísio foi perseguido por um inimigo e desceu até as profundezas do mar Alciônico [Alcyonian], e para o mundo dos mortos. Também temos outra estória onde, após o infante Dionísio ter sido morto, seu coração foi usado para fazer um corpo novo. Nada em qualquer dessas estórias tem mais do que uma semelhança superficial em relação ao que aconteceu com Jesus. Se podemos igualar “ressuscitou dos mortos” tão facilmente com o que aconteceu a Dionísio e à Jesus, então você também poderá encontrar um paralelo sobre isso no trem fantasma da Disneylândia.

Ele era o deus do vinho, e transformou água em vinho.

É verdade que Dionísio foi o deus do vinho, mas a estória em que ele transforma água em vinho é posterior ao tempo em que o Novo Testamento foi escrito. Existe também uma estória sobre um escoadouro em um templo de Dionísio, que jorrava vinho ao invés de água, mas isso não é transformar água em vinho.

Mitra: O deus que não se meteu com touro algum

O último deus que veremos é o que eu recebo mais questões a respeito – seu nome é Mitra. Ele tinha uma estória interessante. Em sua vida mais antiga, Mitra foi o cara que andava por aí punindo as pessoas que quebravam alianças, e era responsável por trazer chuva, vegetação e saúde. Todavia, mais tarde, quando o povo no Império Romano o encontrou, tudo isso mudou e Mitra tornou-se principalmente conhecido por ter matado um “touro cósmico” que representava a constelação de touro. Aqui vai uma lista parcial de acusações:

Mitra nasceu de uma virgem em 25 de Dezembro, em uma caverna, e havia a presença de pastores.

Se há algum deus que não nasceu dia 25/12, eles provavelmente mudariam sua certidão de nascimento. Novamente, a resposta é a mesma: Não é relevante, pois não há nada no Novo Testamento dizendo que Jesus nasceu nessa data.

E o resto? Em primeiro lugar, Mitra não nasceu de uma virgem em uma caverna; ele nasceu de uma rocha. Eu suponho que, tecnicamente, a rocha da qual ele nasceu não poderia ser classificada como uma virgem! A parte sobre os pastores é totalmente verdadeira; embora a evidência seja proveniente de pelo menos um século após o tempo em que o Novo Testamento foi escrito.

Ele tinha 12 companheiros ou discípulos.

Isto é falso. Esta acusação é baseada em um erro ao se analisar um quadro de Mitra matando um touro, emoldurado em 2 colunas verticais, cada uma com 6 quadros, cada um supostamente representando os signos do zodíaco, e não “companheiros ou discípulos”.

Mitra foi enterrado em uma tumba, e após três dias ressuscitou. Sua ressurreição era celebrada todos os anos.

Isto é completamente falso. Como dito por um especialista que estudou Mitra a fundo: “não há morte de Mitras” – e assim, claro, nenhuma “ressurreição” para se celebrar.

Sua religião tinha uma eucaristia, ou “Ceia do Senhor” em que Mitra disse: “aquele que não comer do meu corpo ou beber do meu sangue, de forma a se tornar um comigo, não será salvo”.

Isto é muito sem base! A citação pertence a um texto medieval (centenas de anos após o tempo em que Jesus viveu), e quem disse isso não foi Mitras, mas sim Zaratrusta. A coisa mais próxima que o Mitraísmo teve de uma “Última Ceia” foi seus seguidores ingerirem pão, carne, água e vinho, o que era talvez uma celebração da refeição que Mitra teve com o deus sol após matar o touro. Mas este tipo de refeição, como já dissemos, era o tipo de coisa praticada por grupos de todas as partes do império romano – dos grupos religiosos às sociedades funerárias.

1 Coríntios 10:4 usa “palavras idênticas àquelas encontradas nas escrituras do Mitraísmo, exceto pelo fato de que o nome de Mitra é trocado por Cristo”.

Se alguém diz que isso é verdade, precisa divulgar essas escrituras mitraicas e entregá-las aos estudiosos do Mitraísmo de uma vez por todas, pois eles vão querer estudar a respeito delas. Atualmente, o principal estudioso do Mitraísmo, David Ulansey, diz que “os ensinamentos do culto (Mitraico), até onde sabemos, nunca eram escritos”, e “não nos foi deixada praticamente nenhuma evidência literária em relação ao culto que poderia nos ajudar a reconstruir suas doutrinas esotéricas”.

Demos uma olhada rápida em três deuses que algumas pessoas acusam os cristãos de terem “plagiado” quando inventaram Jesus – Attis, Dionísio e Mitra. Acontece que todos os três casos revelaram-se fictícios. Há outras listas de deuses por aí bem maiores, com os mesmos tipos de acusações sendo feitas, e você pode aprender mais nos links abaixo. Mas antes de terminarmos, temos mais um “Ei espere um instante…”

Justino Mártir: O cristão que deixou o gato sair do saco?

Algumas pessoas que utilizam essas teorias de que “Jesus é uma cópia” gostam de apontar para algumas citações de um cara chamado Justino Mártir, um escritor cristão antigo, de aproximadamente 150 DC:

Pois quando eles dizem que Dionísio surgiu novamente e ascendeu aos céus, isso não é evidência de que o diabo imitou a profecia?

Quando dizemos que Jesus Cristo foi produzido sem união sexual, foi crucificado, morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus, nós não propomos nada novo ou diferente do que vocês crêem em relação àqueles que vocês chamam filhos de Júpiter.

Tá vendo?” eles dizem. “Justino está admitindo que os cristãos roubaram coisas dos pagãos!” Não tão rápido. Leia a primeira parte de forma atenciosa. Justino está dizendo que o diabo imitou a profecia. O que ele está realmente dizendo é que o diabo procurou pelas profecias no Velho Testamento e inspirou mitos gregos que ele achou que as imitariam.

Agora veja a segunda citação. Justino escreve desta forma não porque está admitindo que os cristãos tenham copiado coisas dos pagãos, mas porque os próprios pagãos achavam que o Cristianismo estava ensinando coisas novas e diferentes. Então ele argumenta que quando o diabo “imitou” as profecias do Velho Testamento, não as entendeu corretamente, como ele continua dizendo:

E essas coisas foram ditas dentre os gregos e dentre todas as nações onde eles [demônios] ouviram os profetas prevendo que Cristo iria ser crido de forma especial; mas ao ouvirem o que foi dito pelos profetas não entenderam de forma correta, porém imitaram o que foi dito de nosso Cristo, como homens falíveis, como deixaremos claro.

Então Justino não está admitindo nada sobre o Cristianismo ter roubado idéias de pagãos. Ao invés disso, ele está tentando convencer os pagãos (que discordam!) de que existem paralelos entre os mitos gregos e o Velho Testamento.

Leia Mais!

< http://www.christian-thinktank.com/copycat.html >

< http://www.tektonics.org/copycat/copycathub.html >

O segundo apresenta uma lista enorme de supostos deuses “copiados”, como também coisas a mais sobre Mitra, Attis e Dionísio.


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Clique no link a seguir para baixar o arquivo em formato .pdf:

http://www.4shared.com/file/8231320/9aa31125/Jesus_Copycat_PTBR.html

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CCR5-DELTA 32: EVIDÊNCIA A FAVOR DO EVOLUCIONISMO?

dezembro 7, 2006 às 9:10 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Antes de tudo, algumas definições rápidas para o que se propõe aqui.

 

  • Citocinas [1]: Proteínas liberadas por tipos celulares diversos quando em contato com um antígeno específico. Atuam como mediadores intercelulares durante a elaboração de uma resposta imune.
  • Quimiocinas [2]: São citocinas quimiotáticas, induzem a quimiotaxia em células alvo próximas, principalmente monócitos e neutrófilos, para os locais de infecção ou dano.
  • CCR5 – Receptor do tipo 5 de quimiocinas com o domínio CC [3]: Receptores de quimiocinas presentes na superfície celular. Ligam-se às quimiocinas: RANTES, MIP-1α e MIP-1β. De forma geral, as quimiocinas que se ligam aos receptores de quimiocinas do tipo CC, induzem a migração de monócitos, células NK e células dendríticas [2].

 

Com as definições necessárias em mente, vamos então ao que interessa.

 

Sabe-se que o vírus da AIDS, HIV, utiliza o CD4 como receptor e o CCR5 como co-receptor, quando se liga à superfície das células alvo, os linfócitos T auxiliares (figura 1).

 


Figura 1. Ligação do HIV à superfície da célula alvo. Notar que o vírus precisa se ligar a duas moléculas que funcionam como receptores de superfície: CD4 e CCR5.

 

Acontece que, há algum tempo, sabe-se que certos indivíduos, encontrados em maior freqüência em populações européias possuem um alelo defeituoso do gene ccr5, resultado da deleção de 32 pb [3]. O produto protéico defeituoso é chamado CCR5-Δ32, e ao contrário da CCR5 normal, não mais apresenta o domínio externo à membrana plasmática, onde está a região na qual a proteína viral, gp 120, se liga (figura 2) [4].

 

Figura 2. CCR5-Δ32. Note que o vírus falha ao infectar a célula, justamente porque não pode se ligar ao co-receptor mutante. OBS: Na verdade, a figura está imprecisa, pois CCR5-Δ32 não deveria apresentar nenhum domínio externo à membrana plasmática.

 

Sendo assim, os indivíduos que apresentam o alelo mutante (principalmente os homozigotos, mas em menor grau os heterozigotos) apresentam resistência contra algumas variedades do HIV, em decorrência da falta do co-receptor.

 

Acredita-se que o alelo CCR5-Δ32 seja mais freqüente em populações da Europa devido ao fato de que elas já foram afligidas por uma epidemia de varíola: O vírus da varíola também utiliza o CCR5 para se ligar às células que vai infectar, sendo assim, a freqüência de indivíduos com o alelo mutante aumentou, visto que não foram afligidos pela doença e puderam passá-lo adiante [4].

 

Isso é evidência a favor do Evolucionismo?

 

Se definirmos evolução como “alterações nas freqüências gênicas das populações ao longo das gerações”, definitivamente, este é um exemplo de evolução. A questão é: Constitui evidência a favor do Evolucionismo (a visão de mundo dos druidas)?

 

Vejamos, CCR5 funciona como receptor de quimiocinas e esta mutação faz com que haja a perda da função. Mesmo com a insistência comum dos druidas, de que a evolução não necessariamente significa progresso e aumento de complexidade, o fato é que de acordo com o Evolucionismo, um ser unicelular muito simples é o ancestral das formas de vida mais complexas, como nós mesmos. Para que chegássemos até aqui, teria de ser necessário um grande acréscimo de informações ao biocosmo genômico.

 

Perda de função simplesmente vai no sentido contrário ao requerido pela visão de mundo dos druidas, pois significa perda de informação. Além disso, apesar desta mutação conferir resistência contra algumas variedades de HIV, por outro lado aumenta a susceptibilidade à infecções por parte do West Nile Virus – Vírus do Nilo Ocidental, que pode causar meningites e encefalites [5]. Ou seja, dependendo da situação, a mutação pode ser inclusive deletéria.

 

No fim das contas, esta mutação confere resistência contra algo, mas ao mesmo tempo bagunça o “texto”, a informação genética existente, da mesma forma que os exemplos de bactérias resistentes à antibióticos e do alelo da anemia falciforme. A conclusão é que este exemplo certamente não constitui evidência a favor do Evolucionismo.

Referências e notas.

[1] http://www.answers.com/Cytokines

[2] http://www.answers.com/topic/chemokine

[3] http://www.answers.com/topic/ccr5

[4] http://www.thetech.org/genetics/news.php?id=13

[5] http://www.medicinenet.com/script/main/art.asp?articlekey=57481

 

*Evolucionismo (= Darwinismo): É a religião secular, basicamente igual ao naturalismo filosófico.

*Druidas: Os adoradores do suposto poder criador da natureza. Crentes no Evolucionismo.

SEM JESUS, SEM O RESTO DO PACOTE!

dezembro 5, 2006 às 11:34 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Sem Jesus, sem o resto do pacote!

Por J. P. Holding – Tektonics.org

Tradução: Maximiliano Mendes

 

Você já deve ter se acostumado a ouvir pessoas dizendo que Jesus nunca fez milagres, nunca ressuscitou, ou nunca disse metade das coisas escritas no Novo Testamento. Mas as coisas estão ficando tão desesperadoras para alguns céticos que agora eles querem até mesmo argumentar que Jesus nem mesmo existiu.

 

Você pode até achar que este é o tipo de idéia encontrada em alguns jornalecos com manchetes do tipo Pé-grande invade festa de degustação de vinhos. E de certa forma isso é verdade. As pessoas que dizem isso não são historiadores. Eles podem ser duas coisas: Pessoas cuja educação é em uma área que não é história, ou então, pessoas sem educação nenhuma.

 

Isto não quer dizer que os estudiosos estejam sempre certos. Mas significa que se você quer argumentar contra o que as pessoas mais inteligentes e informadas dizem sobre um assunto em que são bons, você precisará de alguns argumentos muito bons. E isso é exatamente o que os “Christ Mythers”, pessoas que dizem que Jesus nunca existiu (é um mito) não têm. Na verdade, os “Christ Mythers”, daqui pra frente, pessoal do JNE (Jesus nunca existiu) freqüentemente se apóiam em distorções da verdade e omissão de fatos importantes.

 

Vejamos um exemplo disso agora mesmo. Na metade do Século I, um cristão chamado Justino Mártir escreveu sobre uma conversa que ele teve com um judeu chamado Trifão. Aqui está uma parte da conversa que os JNE citam freqüentemente:

 

Quando eu disse isso, meus queridos amigos, aqueles que estavam com Trifão riram; mas ele, sorrindo, disse: “Eu aprovo suas outras observações, e admiro o ímpeto com o qual você estuda as coisas divinas; mas seria melhor você permanecer com a filosofia de Platão, ou a de algum outro homem, cultivando a paciência, autocontrole, e moderação, ao invés de ser enganado por falsas palavras e seguir a opinião de homens sem reputação. Pois se você ficar nesta forma de filosofia, e viver de forma impecável, haverá a esperança de um destino melhor para você; porém quando você abandonou Deus e depositou a confiança no homem, que segurança ainda o aguarda? Se, portanto, você está disposto a me ouvir (pois eu já o considero um amigo), primeiro, seja circuncidado, então cumpra as ordenanças decretadas com respeito ao Sabbath, os festivais, e as luas novas de Deus; e, em uma palavra, faça todas as coisas que foram escritas na lei: então talvez você possa obter o perdão de Deus. Mas Cristo, se ele realmente nasceu e existe em algum lugar, é desconhecido, nem mesmo sabe quem é, e não tem poder até Elias vir ungi-lo, e fazê-lo se manifestar a todos. E vocês, tendo aceito um relato sem base, inventaram um Cristo para si, e pela causa dele estão imprudentemente perecendo.

 

Os JNE dizem que Jesus foi “fabricado” e “inteiramente desconhecido”. Mas o contexto deixa claro que Trifão não estava se referindo ao homem Jesus. Trifão assume a historicidade de Jesus como garantida durante o debate com Justino. Veja o que mais ele diz na mesma conversa:

 

·        XXXII – “…Mas esse chamado Cristo de vocês foi desonroso e vergonhoso, tanto que a última maldição incluída na lei de Deus caiu sobre ele, pois foi crucificado”.

·        XXVI – “Agora mostre que este homem é realmente aquele para quem estas profecias foram feitas”.

·        XXXVIII – “Pois você expressa muitas blasfêmias, ao procurar nos convencer de que este homem crucificado esteve com Moisés e Arão, e falou com eles no pilar da nuvem; então o que se tornou homem, foi crucificado, e subiu aos céus, voltou novamente à terra, e deveria ser adorado”.

·        XXXXIX – E novamente Trifão disse: “Aqueles que afirmam que ele foi um homem, e foi ungido por eleição, e então se tornou o Cristo, parecem me falar de forma mais plausível do que você, que crê naquelas opiniões que expressa. Pois nós todos esperamos que o Cristo seja um homem [nascido] de homens, e Elias o ungirá quando ele vier. Mas se este homem parece ser o Cristo, ele deve certamente ser conhecido como homem [nascido] de homens; mas como Elias ainda não veio, eu deduzo que este homem não é ele [o Cristo]”.

 

O que Trifão quis dizer em seu pronunciamento anterior, é que o Messias – ou seja, a posição ou “posto” de Messias – foi criado pelos cristãos: Ele está dizendo que o “Cristo” não era Jesus, mas que os cristãos fizeram de Jesus um Cristo para eles mesmos, e se o verdadeiro Messias nasceu e viveu em algum lugar, ele é inteiramente desconhecido. Havia uma crença dos judeus deste tempo, de que quando Cristo viesse, não declararia, mas deixaria os outros dizerem quem ele era. Trifão está acusando os cristãos de identificarem um Cristo que não é Cristo – e não de inventarem um homem da história.

 

Ei, espera aí. Isso não é bom o bastante. Se Jesus existiu e era tão famoso, nós deveríamos ter ouvido muito mais sobre ele além do que os Cristãos disseram. Na verdade, aqui está uma longa lista de escritores que não mencionaram Jesus! O QUE VOCÊ ACHA DISSO!

 

Os JNEs gostam de mostrar uma longa lista de nomes, algumas vezes de pessoas do tempo de Jesus (que supostamente) não mencionaram nada sobre ele. Se você vir uma lista como esta, provavelmente ela veio originalmente de um autor chamado John Remsberg. Remsberg não era historiador ou especialista em história – era um professor e superintendente escolar no estado do Kansas, no tempo de Abraham Lincoln.

 

Há muitos problemas com a lista de Remsberg. Em alguns casos, o autor citado na verdade mencionou algo sobre Jesus (nós veremos dois deles abaixo), embora ele algumas vezes argumente contra a validade da menção. Em alguns casos não há pistas sobre quem a pessoa citada foi ou sobre o que escreveu (como se ele desse um nome, tipo “Silva” que muitas pessoas tinham). Mas na maioria dos casos, as pessoas que Remsberg cita nunca teriam qualquer motivo para mencionar Jesus, porque estavam escrevendo sobre assuntos que não tinham nada a ver com ele. Por exemplo:

 

Ariano – Escreveu uma história de Alexandre o grande, que viveu 300 anos antes de Jesus! Remsberg esperaria que Ariano dissesse o quê? “Alexandre derrotou os persas. E a propósito, isso não tem nada a ver com Jesus, que viveu 300 anos mais tarde”.

 

Valerius Maximus – Esse escreveu um livro de estórias para o uso de oradores, por volta do ano 30 DC. Em outras palavras, ele escreveu o equivalente da antigüidade a um desses calendários de mesa com tirinhas diárias. Onde Jesus teria parte nisso?

 

Columella – Esse cara escreveu sobre agricultura e árvores!

 

Estácio – Esse era um poeta que escreveu a Tebaida, sobre os Sete contra Tebas, a Aquileida, sobre a vida de Aquiles, e uma coleção de poemas chamada Silvas. Eu vejo muitos motivos para mencionar Jesus, e você?

 

Sempre que um JNE diz que algum escritor não mencionou Jesus, há duas coisas para se perguntar: Primeiro, esta pessoa já escreveu algo com algum motivo para mencionar Jesus? Segundo, esta pessoa já escreveu algo sobre outras pessoas semelhantes a Jesus? Por exemplo, houve muitos outros professores Judeus e pessoas que supostamente operaram milagres no mesmo tempo que Jesus viveu. Houve professores como os rabinos Gamaliel, Hillel e Shammai. Houve operadores de milagres como Honi o desenhador de círculos, e Hanina ben Dosa. Pela lógica do JNE, o fato de que alguém como Columella não mencionar estas pessoas, mostra que elas também não existiram.

 

Por que qualquer um destes escritores mencionaria Jesus? Nós temos de entender o porquê deles não terem, do ponto de vista deles. Para alguém como Columella ou Estácio, mesmo se Jesus fosse alguém dentro de seus tópicos, não seria visto como importante. Obviamente eles não acreditariam que Jesus operou milagres, ou se acreditassem, diriam o que um pagão chamado Celso disse posteriormente: Que ele arrumou poder pra fazer milagres com mágica. Jesus não discursou no Senado Romano, ou escreveu obras pomposas de filosofia. Jesus foi executado como criminoso, o que poderia fazer com que ele fosse muito mal visto por um pagão. Além disso, Jesus era pobre, e vivia na área rural – então os escritores romanos teriam de ser muito presunçosos para pensar que fosse útil falar sobre ele.

 

Mas isto não quer dizer que Jesus nunca foi mencionado por historiadores do seu tempo. Ele foi, mas os JNE dizem que a evidência desses historiadores não é boa para mostrar que Jesus existiu. Vamos falar sobre dois deles, que dão as melhores evidências – Tácito e Josefo.

 

Tácito foi um historiador romano que escreveu por volta de 110 DC. Escreveu sobre Jesus em seu trabalho chamado os Anais:

 

Mas nem toda a assistência que poderia vir do homem, nem todas as recompensas que o príncipe poderia conceder, nem todos os sacrifícios que poderiam ser oferecidos aos deuses ajudariam a livrar Nero da infâmia de ser suspeito de ter ordenado a conflagração, o incêndio de Roma. Daí, para suprimir o rumor, ele falsamente acusou como culpados e puniu os cristãos, que eram odiados pelas suas atrocidades. Christus, o fundador do nome, foi condenado à morte por Pôncio Pilatos, procurador da Judéia durante o reinado de Tibério: mas a superstição perniciosa, reprimida por um tempo, irrompeu novamente, não somente através da Judéia, onde a safadeza se originou, mas também pela cidade de Roma, onde todas as coisas abomináveis e vergonhosas de todas as partes do mundo encontram seu centro e se tornam populares. Conseqüentemente, primeiro se prendeu todos os que se confessaram culpados; então, com base nesta informação, uma multidão enorme foi condenada, nem tanto pelo crime de terem ateado fogo a cidade, mas de ódio contra a humanidade.

 

Isto parece bem claro. Como os JNE explicam esta?

 

“É uma falsificação! Algum Cristão farsante adicionou isso posteriormente!” [Nota: Adicionou algo sobre Jesus no texto original de Tácito, que de acordo com eles, não mencionava Jesus.]

 

Essa não é uma boa justificativa, e certamente não é uma que os estudiosos de Tácito iriam confirmar. O trecho acima é escrito exatamente da forma que Tácito iria escrever; é encontrada em todas as cópias dos Anais que nós temos, desde a mais antiga (do Século XI); e diz tantas coisas ruins sobre os cristãos, que é pouco provável que um cristão tenha escrito, a não ser que você queira endoidecer e dizer que algum cristão escreveu essas coisas ruins de propósito para nos enganar. E isso seria realmente uma loucura – mais do que nós poderíamos ajudá-lo a se tratar.

 

“Tácito não era confiável! Ele poderia ter escrito isso sem ter investigado.”

 

De jeito nenhum. Em questão de precisão, cuidado, capacidade crítica e ser digno de confiança, os estudiosos de Tácito são unânimes: O homem fazia bem o seu trabalho. Eles dizem que ele sempre pesquisava e era bom nisso. Não era perfeito, claro, mas o ponto é: Se você quer dizer que ele cometeu um erro aqui, você é que precisa provar.

 

“Tácito era tendencioso!”

 

Isso é verdade, mas esse argumento não vai funcionar, porque se Tácito tinha alguma tendência, era contra os cristãos, não a favor deles, pois como a maioria dos romanos, ele não gostava de judeus, e Jesus era judeu. De qualquer forma, os especialistas em Tácito dizem que mesmo quando tendencioso, nunca foi induzido a inventar coisas.

 

“Tácito chamou Pilatos de ‘procurador’ mas na verdade ele era prefeito. Então provavelmente também se confundiu quando pensou que Jesus existiu.”

 

Um procurador era alguém que lidava com assuntos financeiros enquanto o prefeito era um oficial militar. É mais provável que Pilatos tivesse ambos os títulos do que Tácito ter errado.

 

“Tácito chama Jesus de ‘Cristo’ e não de um nome próprio. Isso não estaria certo.”

 

Por que não? Tácito poderia usar o nome com o qual seus leitores fossem mais familiarizados – e que não necessariamente tinha de ser o nome do registro de execução de Jesus. No tempo que ele estava escrevendo, 80 anos após a crucificação, “Christus” era usado como um nome próprio para ele. Na verdade, já era utilizado como nome próprio por Paulo de 20-30 anos após a morte de Jesus.

 

Tácito diz que havia uma grande multidão de Cristãos em Roma. Não poderia haver tantos Cristãos em Roma tão cedo.

 

Quantos estes seriam? O que Tácito quer dizer com uma “grande multidão”? 50? 100? 500? É relativo em relação a: “muitos, considerando o crime cometido”? (Se nós prendermos 50 pessoas por obstruírem um posto de gasolina, isso não parece uma “grande multidão” para um crime tão pequeno?)

 

Agora vamos falar sobre Josefo. Este cara era um historiador judeu que viveu logo após o tempo de Jesus, e na verdade o menciona em dois locais. Aqui está o primeiro, que nós chamamos de referência curta:

 

Antigüidades 20.9.1 – Mas o jovem Ananus que, como dissemos, recebeu o alto sacerdócio, era de um temperamento excepcionalmente ousado; seguiu o partido dos Saduceus, que são rígidos em julgamentos, mais do que todos os judeus, como nós já mostramos. Como, portanto, Ananus tinha tal temperamento, pensou que agora tinha uma boa oportunidade, visto que Festus havia morrido, e Albinus ainda estava a caminho; então reuniu o Sinédrio dos juízes, e trouxe à presença deles o irmão de Jesus, que era chamado Cristo, cujo nome era Tiago, junto com outros, e tendo os acusado de transgressores da lei, os entregou para serem apedrejados.

 

E aqui está a outra, que nós chamamos de referência “longa”:

 

Antigüidades 18.3.3 – Agora foi por volta deste tempo que Jesus, um homem sábio, se é que é permitido chamá-lo homem, pois ele realizou obras maravilhosas, um professor de homens do tipo que receberiam a verdade com prazer. Ele atraiu para si muitos dos judeus e muitos dos gentios. Ele foi o Cristo, e quando Pilatos, por sugestão dos mais importantes homens dentre nós, o condenou a cruz, aqueles que o amaram inicialmente não o abandonaram; pois ele apareceu novamente para eles vivo no terceiro dia; como os profetas divinos haviam predito, estas e outras dezenas de milhares de outras coisas maravilhosas em relação a ele. E a tribo dos cristãos, assim chamados graças a ele, até hoje não se extingüiu.

 

Então, o que os JNE dizem sobre essas duas referências?

 

“Elas são falsificações! Algum Cristão farsante as adicionou posteriormente!”

 

Desta vez quando eles dizem algo assim, na verdade têm um ponto – para uma destas duas referências. Contra a curta eles não têm argumentos – está em todas as cópias de Josefo disponíveis, como vista acima, e os estudiosos de Josefo a sustentam completamente. Ele usa um termo não cristão quando descreve Tiago como o “irmão de Jesus” (os cristãos gostavam de usar o termo “irmão do Senhor” ou “irmão do Salvador”). Não fala muito sobre Jesus, mas o menciona de forma incidental. Também não o conecta com João Batista, como nós esperaríamos que um cristão fizesse se tivesse adicionado algo ali.

 

Alguns JNEs dizem que a frase “também conhecido como Cristo” é cristã, porquê contém as mesmas palavras utilizadas em Mateus 1:16. Mas Josefo também usa o termo “era chamado” em outro lugar de seus escritos.

 

A citação maior já é outra história. Nesta, temos evidências de uma cópia de Josefo (escrita em árabe) como também alguns problemas históricos e de estilo de escrita. Vamos ver a citação de novo, com algumas coisas destacadas:

 

Antigüidades 18.3.3 – Agora foi por volta deste tempo que Jesus, um homem sábio, se é que é permitido chamá-lo homem, pois ele realizou obras maravilhosas, um professor de homens do tipo que receberiam a verdade com prazer. Ele atraiu para si muitos dos judeus e muitos dos gentios. Ele foi o Cristo, e quando Pilatos, por sugestão dos mais importantes homens dentre nós, o condenou a cruz, aqueles que o amaram inicialmente não o abandonaram; pois ele apareceu novamente para eles vivo no terceiro dia; como os profetas divinos haviam predito, estas e outras dezenas de milhares de outras coisas maravilhosas em relação a ele. E a tribo dos cristãos, assim chamados graças a ele, até hoje não se extingüiu.

 

Nesta passagem, todos os especialistas em Josefo concordam que algumas coisas adicionadas não deveriam estar aí. Eles dizem que os trechos destacados, definitivamente ou muito provavelmente não fazem parte do original. Mas não há argumento da parte deles dizendo que Josefo não escreveu a maior parte do trecho. Os JNEs, é claro, discordam.

 

“Josefo nunca diria coisas boas sobre Jesus, sobre ele ter realizado obras maravilhosas e ser sábio.”

 

Isto não é verdade, Josefo poderia facilmente ter admirado Jesus como um professor e como operador de milagres, da mesma forma que admiramos alguém por fazer caridades, mesmo que não concordemos com sua ideologia. Mesmo hoje em dia há muitas pessoas que respeitam Jesus pelos seus ensinamentos, mas não são cristãos. Há até mesmo um grupo atual chamado Ateus de Jesus [Atheists for Jesus]! Então por que Josefo não poderia ter chamado Jesus de Sábio?

 

Não há razão para Josefo não ter dito que Jesus fez milagres. Na verdade, ele pode nem mesmo estar elogiando Jesus aqui, pois a palavra utilizada no texto pode significar [obras] estranhas, surpreendentes, ou maravilhosas.

 

“Está fora de contexto. Josefo está discutindo sobre problemas dos judeus, e a passagem longa está fora de lugar. Sem isso, o texto continua na seqüência correta.”

 

Esse também não é um argumento muito bom. Os estudiosos de Josefo o chamam de “escritor estilo colcha de retalhos” por “pular” bastante entre temas, sendo assim, não precisa se manter sempre nos seus tópicos. Além do mais, veja sobre o que Josefo está discutindo:

 

·        18.35: Pilatos chega à Judéia.

·        18.55-9: Pilatos introduz imagens imperiais no Templo, causando tumulto.

·        18.60-2: Pilatos expropria dinheiro do Templo para construir um aqueduto.

·        18.63-4: A passagem sobre Jesus.

·        18.65-80: Um evento iniciado em Roma, não envolve Pilatos diretamente, tem a ver com a sedução de um(a) seguidor(a) de Isis em Roma.

·        18.81-4: Um relato sobre quatro patifes judeus; também não envolve Pilatos diretamente.

·        18.85-7: Um incidente envolvendo Pilatos e alguns Samaritanos.

·        18.88-9: Pilatos leva um “pé na bunda” imperial.

 

Isto não é de forma alguma um conjunto de eventos conectados. Pilatos tem alguma parte em todos, mas não há conexão óbvia que nos permita dizer: “O trecho sobre Jesus está fora de contexto”.

 

Resta uma questão: Por que os cristãos adicionaram estas coisas? Alguns JNEs dizem que eles estavam sendo desonestos, mas não há motivos para se dizer isso. Você provavelmente sabe que algumas pessoas gostam de “conversar” com os livros que lêem, rabiscando “respostas” nas margens. As partes que os estudiosos acham que foram adicionadas parecem bastante com alguém fazendo isso.

 

Leia mais!

 

<http://www.tektonics.org/jesusexisthub.html&gt; [em inglês]

 

Nós temos respostas contra os argumentos das seguintes pessoas que você pode encontrar por aí:

 

·        Acharya S

·        G. A. Wells

·        Earl Doherty

·        Kenneth Humphreys

——————————————————————-
Clique no link a seguir para baixar o arquivo em formato .pdf:
http://www.4shared.com/file/8231207/37338c33/Jesus_Myth_PTBR.html

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