TERMODINÂMICA X EVOLUCIONISMO

novembro 25, 2006 às 12:21 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

TERMODINÂMICA X EVOLUCIONISMO

 

(Incluindo uma refutação do Thermodynamics FAQs do website Talk.Origins Archive)

© Timothy Wallace. All Rights Reserved.

[*O ensaio original se encontra em: http://www.trueorigin.org/steiger.asp. Caso o leitor saiba inglês, no link original há discussões do autor deste ensaio com outros evolucionistas, sobre este mesmo tema.]

 

O debate entre os devotos do evolucionismo e os cientistas criacionistas, no que diz respeito à termodinâmica, provavelmente nunca terminará. Não porque as leis da termodinâmica (e suas ramificações) estejam sujeitas ao debate ou interpretações relativísticas, mas sim porque um punhado de evolucionistas continua a negar, vocalmente e com disposição, a verdade em relação a uma simples questão de conhecimento científico:

 

A segunda lei da termodinâmica apresenta um problema insuperável ao conceito de um processo mecanicista, natural: (1) Um pelo qual o universo físico poderia ter se formado espontaneamente do nada, e/ou (2) um pelo qual a vida poderia ter surgido e se diversificado (também espontaneamente) a partir de um mundo não-vivo e inanimado. (Ambos os postulados formam as “plataformas políticas” da teoria da evolução em geral).

 

Enquanto muitos cientistas altamente qualificados que se incluem no acampamento do evolucionismo são sinceros o bastante para reconhecer este problema, os propagandistas da evolução preferem dizer que o único “problema” é que os criacionistas não compreendem a termodinâmica real.

 

Esta estratégia é exemplificada nos Thermodynamics FAQs de Frank Steiger, no website Talk.Origins Archive, sendo que um dos tópicos deste FAQ, “Attributing False Attributes to Thermodynamics” [*Atribuindo Falsos Atributos à Termodinâmica], pode ser melhor citado para descrever a natureza do “como fazer” do seu texto, do que para usá-lo afim de demonstrar sua defesa a favor do evolucionismo, contra os escritores criacionistas que ele deseja desacreditar.

 

Steiger acusa os criacionistas de terem criado uma termodinâmica “vudu”, baseada somente em metáforas, e provê aos leitores do Talk.Origins um tratado detalhado sobre o assunto, embora repleto de erros. Apesar de parecer que ele tem certo entendimento de matemática e da ciência aplicada da termodinâmica, o próprio Steiger sai do reino do conhecimento científico para defender o dogma padrão da fé evolucionista, usando suas próprias metáforas e dando falsas impressões semânticas para fazer o evolucionismo parecer imune à melhor lei científica estabelecida conhecida pelo homem.

 

O propósito deste ensaio se divide em duas partes:

 

  1. Familiarizar adequadamente o leitor com a verdadeira natureza científica e as ramificações da termodinâmica, assim como documentado por cientistas não-criacionistas de renome.
  2. Documentar e livrar da mente do leitor, erros comuns da pseudociência evolucionista, como os perpetuados por Steiger em seus ensaios, e em outros locais.

 

Para efetuar este objetivo, o assunto será apresentado nas seguintes sessões consecutivas dentro deste arquivo:

 

  • Entendendo a Termodinâmica
  • O “Giro Verbal” dos Evolucionistas
  • Ambos não Podem Estar Corretos

 

Todo o esforço foi feito para explicar as questões abordadas neste arquivo da forma mais simples e facilmente compreensível possível. Enquanto alguns assuntos científicos podem algumas vezes parecer estar além da compreensão, o objetivo aqui foi a clareza, contudo sem simplificar demais onde os detalhes realmente são importantes.

 

 

Entendendo a Termodinâmica

 

A essência da Termodinâmica clássica preocupa-se com a relação entre:

 

  1. Calor;
  2. Energia mecânica (ou energia pronta a realizar trabalho);
  3. A interconversão de ambas.

 

Todos os assuntos da física, química, e os processos biológicos conhecidos pelo homem, são universalmente sujeitos –sem exceção— às leis da termodinâmica (primeira e segunda). Que daqui para frente, serão chamadas de “1ª lei” e “2ª lei”.

 

Enquanto as propriedades do calor e da energia utilizável parecem não ser particularmente significantes em um debate sobre as origens, a 1ª e 2ª leis (que dominam essas propriedades e suas transformações) falam profundamente sobre a natureza da matéria, energia, e, portanto, sobre o próprio universo. Dentro do reino da ciência, estas estão dentre as leis científicas mais firmes e universais, como confirmado por algumas autoridades da ciência nos seguintes testemunhos:

 

“[Uma lei] é mais impressionante, quanto maior for a simplicidade das suas premissas, quanto mais diferentes forem os tipos de coisas que ela relaciona, e quanto mais estendida for sua abrangência de aplicabilidade. Sendo assim, a termodinâmica clássica criou uma impressão profunda em mim. É a única teoria de conteúdo universal da física, da qual eu estou convencido que, dentro da estrutura de sua aplicabilidade, nunca terá seus conceitos básicos derrubados.” [Albert Einstein, citado em Thermodynamics in Einstein’s Universe, M. J. Klein, Science, 157 (1967), p.509; e em Book of Science and Nature Quotations, Isaac Asimov. p. 76].

“Não importa quão cuidadosamente examinemos a energética dos sistemas vivos, nós não encontramos nenhuma evidência de derrota dos princípios termodinâmicos.” [Harold Blum, Time’s Arrow and Evolution (1962), p. 119].

 

“Caso descubra que a sua teoria se opõe à segunda lei da termodinâmica, eu não posso lhe dar expectativas; não resta nada [*à sua teoria], exceto desmoronar na humilhação mais profunda [*no sentido da teoria ser desprezada].” [Arthur S. Eddington, The Nature of the Physical World (1930), p. 74].

“A segunda lei da termodinâmica não somente é um princípio de ampla extensão e aplicação, mas também é um princípio que nunca falhou em satisfazer os testes experimentais mais rigorosos. As numerosas relações quantitativas derivadas desta lei têm sido sujeitas a cada vez mais investigações experimentais sem que haja a detecção da menor imperfeição.” [G.N. Lewis and M. Randall, Thermodynamics (1961), p. 87].

 

“Não há, então, justificativa para a visão freqüentemente repetida desonestamente de que a segunda lei da termodinâmica é verdadeira somente estatisticamente, no sentido de que as violações microscópicas ocorrem repetidamente, mas as violações de maior gravidade nunca ocorreriam. Ao contrário, nunca se presenciou evidências de que a segunda lei falhe em quaisquer circunstâncias.” [A.B. Pippard, Elements of Chemical Thermodynamics for Advanced Students of Physics (1966), p. 100.]

“Embora seja verdade que a quantidade de matéria no universo esteja mudando continuamente, a mudança parece ser principalmente em um sentido – à decomposição. O sol está lentamente, mas certamente, ‘apagando-se por falta de combustível’ [burning out], as estrelas são ‘brasas morrendo’, e em toda a parte o coração do cosmos está se tornando frio; a matéria está se dissolvendo em radiação, e a energia está sendo dissipada no espaço vazio.

 

O universo está então, progredindo em direção a uma decisiva ‘morte térmica’, ou, como esta é tecnicamente definida, uma condição de ‘entropia máxima’ […] E não há como evitar este destino. Pois o inevitável princípio conhecido como Segunda Lei da Termodinâmica, que permanece atualmente como o principal pilar da física clássica deixado intacto pela marcha da ciência, proclama que os processos fundamentais da natureza são irreversíveis. A natureza se move somente em um sentido.” [Lincoln Barnett, The Universe and Dr. Einstein (1957), pp. 102-103.]

 

“…Não se conhece nenhuma violação da segunda lei da termodinâmica…” [Dr. John Ross, cientista de Harvard, Chemical and Engineering News, vol. 58, July 7, 1980, p. 40]

Tendo essa idéia geral acerca da importância e do respeito dado às leis da termodinâmica dentro da comunidade científica, vamos agora examinar o que estas leis dizem, e a que se aplicam.

A Primeira Lei

Já que a controvérsia entre os evolucionistas e a termodinâmica envolve principalmente a segunda lei, nós iremos ver a primeira lei de forma resumida. A 1ª lei é algumas vezes referida como lei da conservação, que essencialmente nos diz:

Nada atualmente está vindo a existir ou deixando de existir; matéria e energia podem ser convertidas uma na outra, mas não há um aumento líquido no total combinado do que existe.

Em relação a esta primeira lei, Isaac Asimov oferece este comentário digno de atenção:

“Esta lei é considerada a generalização mais poderosa e fundamental sobre o universo que os cientistas já fizeram. Ninguém sabe por que a energia é conservada… Tudo o que se pode dizer é que em mais de um 125 anos de medições cuidadosas os cientistas nunca foram capazes de apontar uma violação clara na conservação da energia, nem nas nossas redondezas familiares, nem nos céus acima de nós ou nos átomos dentro de nós.” [Smithsonian Institution Journal, 1970, p.6].

A Segunda Lei

Por outro lado, a segunda lei nos diz o que pode e o que não pode ocorrer em termos das relações e transformações entre matéria, energia, trabalho, e suas respectivas propriedades, e também sobre as propriedades da informação e complexidade, dizendo-nos:

Todo sistema, deixado à mercê de seus próprios mecanismos, sempre tende a mover-se da ordem para a desordem, sua energia tende a ser transformada indo no sentido de menores níveis de disponibilidade (para realizar trabalho), e por fim, tornando-se totalmente aleatória e indisponível para realizar trabalho.

…ou…

A entropia de um sistema fechado não pode diminuir.

Entropia é uma medida da (1) quantidade de energia não disponível para realizar trabalho dentro de um sistema ou processo, e/ou (2) a probabilidade da distribuição de aleatoriedade (desordem) dentro de um sistema.

Para ajudar a assegurar um entendimento adequado do que a 2ª lei significa, considere a citação seguinte, também de Isaac Asimov:

“Outra forma de enunciar a segunda lei então é: ‘O universo está constantemente ficando mais desordenado!’ Visto desta forma, nós podemos ver a segunda lei à nossa volta. Nós temos de trabalhar pesado para arrumar um quarto, mas se deixarmos de arrumá-lo novamente, ele rapidamente e facilmente se torna bagunçado de novo. Mesmo se nós nunca entrarmos nele, ele se torna empoeirado e mofado. Como é difícil fazer a manutenção para deixar casas, maquinário, e nossos corpos funcionando em perfeita ordem. Como é fácil deixá-los se deteriorarem. Na verdade, tudo o que nós temos de fazer é nada, e tudo se deteriora, colapsa, quebra-se e desgasta-se, por si só – e a segunda lei da termodinâmica é isso aí.” [Smithsonian Institute Journal, June 1970, p. 6].

Esta é a essência da Termodinâmica Clássica. Similarmente, a “2ª lei generalizada” se aplica à probabilidade da distribuição material na Teoria da Informação de tal forma que, deixada por si só ao longo do tempo, a informação transportada, por um sistema de comunicação da informação, irá terminar mais distorcida e menos completa do que no início (novamente, uma maior medida da entropia, ou um aumento dela – neste caso, entropia informacional) – e semelhantemente, aplicada para a estatística material, deixada por si só ao longo do tempo, a ordem da regularidade de um sistema será menor do que no início (e novamente, uma maior medida da entropia, ou um aumento dela – neste caso, entropia estatística).

O “Giro Verbal” dos Evolucionistas

A teoria da evolução enfrenta um problema na segunda lei, já que se entende claramente que esta lei indica (assim como a observação empírica) que as coisas tendem à desordem, simplicidade, aleatoriedade, e desorganização, enquanto a teoria insiste ser precisamente o contrário a ocorrer desde o início do universo (supondo que ele teve um começo).

Começando com o “Big Bang” e a autoformação e expansão do espaço e matéria, o cenário evolucionista afirma que cada estrutura, sistema e relações – até o nível de cada átomo, molécula, e além – são resultado de um processo de automontagem imprecisamente-definido e espontâneo de aumento da informação e complexidade, e uma contradição direta (i.e., violação da teoria) da segunda lei.

Esta hipótese é aplicada com maior fervor às especulações dos evolucionistas no que diz respeito à vida biológica e sua origem. A estória diz que – novamente, violando a segunda lei – no meio de certa população de moléculas automontadas, um ato de automontagem especialmente vasto e complexo (mas aleatório) ocorreu, produzindo a primeira molécula autoreplicante.

Continuando a ignorar a segunda lei, é dito que este fenômeno molecular sofreu posteriormente múltiplos aumentos aleatórios em complexidade e organização, produzindo uma combinação única de membros de uma comunidade molecular, adequadamente combinados, e de alta especialização, os quais formaram o que nós hoje conhecemos como um complexo de mecanismos incrivelmente eficiente, organizado e autosustentado, chamado de célula.

Não somente este suposto ato notável e aleatório de autotransformação ocorreu em desacordo com a segunda lei, mas o ambiente onde ele ocorreu, que se presume estar de acordo com esta lei e sua demanda de decomposição e aumento da desordem, conseguiu (por meio de algum mecanismo aleatório desconhecido) deixar intocado todo o processo de automontagem biológica e os recursos materiais automontados dos quais o primeiro organismo vivo utilizou para “se construir”.

O evolucionismo orgulha-se de aplicar esta mesma categoria de especulação à hipótese darwiniana clássica, na qual se diz que toda a vida biológica descende (por meio de infinitos – contudo aleatórios – acréscimos adicionais na complexidade organizada) daquele primeiro organismo unicelular hipotético. Afirma-se que este processo é o responsável direto pela existência (dentre outras coisas) dos seres humanos.

 

Detalhes, detalhes…

 

Talvez agora o leitor deva ser lembrado (ou informado), de que não existe nenhuma evidência inequívoca para apoiar o mito da autocriação citado acima. Contudo, muito ironicamente, esta é a única explicação para as origens tratada na mídia científica e popular, o que ofusca lindamente a opinião do público sobre a distinção entre ciência bona fide [*genuína/autêntica] e crenças populares.

 

Certamente, muitas hipóteses corolárias foram produzidas para mostrar como um ou outro fenômeno biológico ou geológico – ou um fato empírico reunido em qualquer disciplina científica – pode ser explicado em termos evolucionários (freqüentemente com o uso de estórias altamente enroladas, incríveis e improváveis). Mas como Karl Popper observou: uma teoria que parece explicar tudo, na verdade não explica nada. Popper insistiu que o poder explanatório real de uma teoria vem de se fazer predições arriscadas e estreitamente definidas – o sucesso na predição sendo significativo somente até a extensão onde a falha é uma possibilidade real em primeiro lugar. Os evolucionistas encontram formas de se explicar e/ou produzir predições “depois-do-fato” para todo e qualquer fato empírico ou fenômeno apresentado a eles – freqüentemente ignorando padrões estabelecidos para a lógica e o método científico.

 

Da mesma forma, muitos evolucionistas estão tão convencidos de que a evolução é um “fato” que eles são forçados a ignorar ou dispensar a aplicabilidade da segunda lei para os processos biológicos. A pressuposição da evolução como “fato” não deixa outra alternativa além do “deve ser possível apesar da segunda lei”. Contudo ninguém pode explicar satisfatoriamente como um processo presumidamente natural (evolução) prosseguiu constantemente em direção aos arranjos de complexidade ordenada superiores, quando a principal lei da natureza demanda que (nas palavras de Asimov) “tudo o que nós temos de fazer é nada, e tudo se deteriora, colapsa, quebra-se e desgasta-se, por si só”.

Sistemas Abertos X Sistemas Fechados

O argumento evolucionista clássico usado para defender os postulados do evolucionismo que vão contra a segunda lei segue uma linha do tipo: “a segunda lei se aplica somente a sistemas fechados, e a vida, como a conhecemos, existe e evoluiu em um sistema aberto”.

A base dessa afirmativa é o fato de que, enquanto a segunda lei é inviolável em um sistema fechado (i.e., um sistema onde nem a matéria ou a energia, entram ou saem), pode haver uma aparente reversão limitada da segunda lei em um sistema aberto (i.e., um sistema onde se pode adicionar nova matéria ou energia) porque pode se adicionar energia a ele.

Visto que o universo como um todo é considerado pelos evolucionistas como sendo um sistema fechado, então a segunda lei dita que dentro dele, a entropia, como um todo, está aumentando. Em outras palavras, as coisas estão tendendo à quebra, tornarem-se menos organizadas, menos complexas, e mais aleatórias em uma escala universal. Esta tendência (como descrita acima por Asimov) é um fenômeno observado cientificamente – fato, e não teoria.

A lógica evolucionista é simplesmente de que a vida na terra é uma “exceção” porque nós vivemos em um sistema aberto: “O sol provê energia mais do que suficiente para direcionar as coisas”. É nos assegurado que este suprimento de energia disponível satisfaz adequadamente qualquer objeção à evolução com base na segunda lei.

Mas o simples ato de adicionar energia a um sistema não causa a redução automática da entropia (i.e., aumento da complexidade organizada, ou “construir” ao invés de “quebrar”). A energia solar por si só não causa decréscimo entrópico – na verdade, ela aumenta a entropia, acelerando os processos naturais que causam quebras, desordem e desorganização na terra (considere, por exemplo, as seguintes situações, com e sem a adição de radiação solar: a pintura do seu carro, uma cerca de madeira, ou a carcaça de um animal em decomposição).

Falando em aplicabilidade geral da segunda lei aos sistemas abertos e fechados, o cientista de Harvard, Dr. John Ross (não criacionista) afirma:

“…não há violações conhecidas da segunda lei da termodinâmica. Geralmente a segunda lei é declarada para sistemas isolados [fechados], mas a segunda lei se aplica igualmente bem aos sistemas abertos […] há, de alguma forma, associada ao campo dos fenômenos distantes do equilíbrio, a noção de que a segunda lei falha para tais sistemas. É importante se certificar de que este erro não se perpetue.” [Dr. John Ross, Harvard scientist (evolutionist), Chemical and Engineering News, vol. 58, July 7, 1980, p. 40]

Então, o que torna a vida possível dentro da biosfera terrestre, parecendo “violar” a segunda lei da termodinâmica?

O aumento aparente na complexidade organizada (i.e., decréscimo na entropia) encontrado nos sistemas biológicos requer dois fatores adicionais além de um sistema aberto e a disponibilidade de uma fonte de energia. Estes são:

  1. Um “programa” (informação) para direcionar o desenvolvimento da complexidade organizada.
  2. Um mecanismo para armazenar e converter/transformar a energia que entra no sistema.

O DNA de cada organismo vivo contém todo o código (o “programa” ou “informação”) necessário para direcionar o processo de construção (ou “organização”) do organismo, da semente ou célula até um espécime maduro, completo, inteiramente funcional, com todas as instruções necessárias para manter e reparar cada um dos seus sistemas (e seus componentes) integrados, complexos e organizados. Este processo continua ao longo da vida do organismo, essencialmente construindo e mantendo sua estrutura física mais rápido do que os processos naturais (dirigidos pela segunda lei) possam degradá-lo.

Os sistemas vivos também têm o segundo componente essencial – seus próprios mecanismos intrínsecos para converter e armazenar efetivamente a energia recebida. As plantas usam a fotossíntese para converter e utilizar a energia proveniente do sol em formas armazenáveis (e.g., proteínas), enquanto os animais usam as reações metabólicas para converter e usar posteriormente a energia armazenada e utilizável dos organismos que compõem suas dietas.

Então nós vemos que os organismos vivos parecem “violar” a segunda lei, porque eles têm programas embutidos (informação) e mecanismos de conversão de energia que os permitem construir e manter suas estruturas “apesar” dos efeitos da segunda lei (que no final das contas prevalece, pois cada organismo eventualmente deteriora e morre).

Enquanto isto explica como os organismos vivos podem crescer com sucesso, graças em parte à biosfera terrestre, um sistema aberto, isto não oferece qualquer solução à questão de como a vida poderia iniciar este processo espontaneamente, na ausência das direções dos programas e mecanismos de conversão de energia descritos acima – nem como um simples organismo vivo poderia produzir as novas diretrizes dos programas e mecanismos alternativos de conversão de energia requeridos a fim de que a evolução biológica ocorra e produza o vasto espectro de variedade e complexidade biológicas observadas pelo homem.

Em resumo, o argumento do “sistema aberto” falha, pois não justifica adequadamente a especulação evolucionista em face da segunda lei. A maioria dos cientistas evolucionistas mais respeitados reconhece este fato (alguns dos quais foram citados acima, com cuidado – e dentro do contexto). Muitos até mesmo admitem o problema que a segunda lei causa à teoria apoiada por eles.

A marca da termodinâmica de Frank Steiger

Frank Steiger publicou dois ensaios no Talk.Origin Archive nos quais ele faz um trabalho respeitável de reiterar a resposta comum dos evolucionistas para este problema. Contudo, enquanto a resposta apresentada pode ser adequada para convencer os que querem crer no evolucionismo, um exame cuidadoso prova que ela não é nada menos do que a mesma resposta esquiva e inadequada que é geralmente dada para as objeções à segunda lei.

Steiger, erroneamente, também atribui afirmações falsas e enganadoras aos seus equivalentes criacionistas, que, se tomadas pelo valor real, iriam conceder-lhe muito mais credibilidade relativa do que ele mereceria. Adicione a isso a falha dele em identificar o desafio da segunda lei ao evolucionismo, e o trabalho de Steiger é reduzido em termos simples à mesma dança velha, com alguns criticismos descabidos para fazer efeito.

Não longe, no seu ensaio mais longo no Talk.Origins (“The Second Law of Thermodynamics, Evolution, and Probability”) [*A Segunda Lei da Termodinâmica, Evolução, e Probabilidade], Steiger atribui aos “criacionistas” uma:

Crença ampla e totalmente falsa de que a segunda lei da termodinâmica não permite que a ordem surja espontaneamente da desordem.

…Que ele então tenta disputar a partir de uma generalização errônea e grosseira:

“Na verdade, há muitos exemplos na natureza onde a ordem surge espontaneamente da desordem: Flocos de neve, com sua simetria cristalina de seis lados são formados espontaneamente quando a água evapora de uma solução. As sementes germinam em plantas que florescem, e os ovos se desenvolvem em galinhas.”

A “ordem” presente em um floco de neve ou em um cristal não tem nada a ver com aumento de informação, organização ou complexidade, ou energia disponível (i.e., entropia reduzida). A disposição ou arranjo de moléculas ou átomos em padrões geométricos ou cristais reflete o movimento em direção ao equilíbrio – um menor nível energético, e um arranjo mais estável das moléculas ou átomos em estruturas simples, uniformes, e repetidas, com complexidade mínima, e sem função. Estes não são exemplos da matéria se transformando em estruturas ou sistemas mais complexos (como postulado na teoria evolucionista), embora eles possam certamente refletir “ordem” na forma de padrões simples.

Steiger falha em reconhecer a profunda diferença entre estes exemplos de cristais moleculares de baixa-energia e o processo altamente energético de crescimento dos organismos vivos (sementes germinando em plantas que florescem, e os ovos se desenvolvendo em galinhas). Ao considerar equivalentes estes dois fenômenos muito diferentes, ele acaba por revelar uma séria falta de entendimento da termodinâmica (como também da biologia molecular), e perpetua este erro de forma não resolvida em seus dois ensaios, como nós veremos.

Por outro lado, Jeffrey Wicken (um evolucionista) não tem problema algum em reconhecer a diferença, tendo a descrito desta forma:

“Sistemas ‘organizados’ devem ser cuidadosamente distinguidos de sistemas ‘ordenados’. Nenhum tipo de sistema é ‘aleatório’, mas enquanto sistemas ordenados são gerados de acordo com algoritmos simples e, portanto, são desprovidos de complexidade, os sistemas organizados devem ser montados elemento por elemento, de acordo com um ‘diagrama’ externo com um alto conteúdo de informações […] Organização, portanto, é complexidade funcional e carrega informação. É não aleatória por planejamento ou por seleção, preferencialmente à necessidade a priori de ‘ordem’ cristalográfica.” [Jeffrey S. Wicken, The Generation of Complexity in Evolution: A Thermodynamic and Information-Theoretical Discussion, Journal of Theoretical Biology, Vol. 77 (April 1979), p. 349]

Ilya Prigogine, vencedor de um Prêmio Nobel, também não tem problemas para definir a diferença:

“O ponto é que em um sistema não isolado [aberto] existe a possibilidade de formação de estruturas ordenadas de baixa entropia, em temperaturas suficientemente baixas. Este princípio de ordenação é responsável pelo surgimento de estruturas ordenadas como cristais, como também pelos fenômenos de transições de fase. Infelizmente este princípio não pode explicar a formação de estruturas biológicas.” [I. Prigogine, G. Nicolis and A. Babloyants, Physics Today 25(11):23 (1972)]

Thaxton, Bradley e Olsen fazem a mesma distinção clara:

“À medida que o gelo se forma, há a liberação de energia (80 cal/mg) nas redondezas […] A mudança de entropia é negativa porque a entropia de configuração térmica (ou desordem) da água é maior que a do gelo, um cristal altamente ordenado […] Tem sido freqüentemente discutido que, analogamente à cristalização da água, monômeros simples podem se polimerizar em moléculas complexas tais como DNA e proteínas. Entretanto, a analogia é claramente inapropriada […] As forças de ligação atômicas reúnem as moléculas de água em um arranjo cristalino ordenado quando a agitação térmica (ou força impulsora entrópica) é diminuída ao se abaixar a temperatura. Todavia, os monômeros orgânicos tais como os aminoácidos resistem à combinação a qualquer temperatura, muito menos em algum arranjo ordenado.” [C.B. Thaxton, W.L. Bradley, and R.L. Olsen, The Mystery of Life’s Origin: Reassessing Current Theories, Philosophical Library, New York, 1984, pp. 119-120.]

O fato de Steiger manchar a distinção entre estes dois fenômenos pode ser logicamente atribuído somente à ignorância indefensável ou uma deturpação voluntária dos fatos.

 

Mais tarde Steiger afirma que:

 

“…Um sistema pode ir de um estado mais provável para um menos provável, desde que o ΔS para o sistema seja negativo. Em casos onde o sistema interage com suas redondezas, ΔS pode ser negativa desde que a entropia geral do sistema e as redondezas com as quais ele interage, sejam positivas; A mudança geral pode ser positiva se o aumento de entropia das redondezas for numericamente maior que o decréscimo de entropia do sistema.”

 

Não se assuste. Explicando, “ΔS” simplesmente se refere à mudança ou variação na entropia. Uma mudança positiva (aumento) na entropia é a tendência geral, universal, como descrita acima (igual a um estado de: menor ordem, complexidade, energia disponível, mais aleatório, desordenado, e mais provável). Uma mudança negativa (decréscimo) na entropia é invariavelmente um evento temporário e isolado (igual a um estado de: maior ordem, complexidade, energia disponível, menos aleatório, ordenado, e menos provável).

 

Esta declaração profunda da parte de Steiger, portanto, é simplesmente dizer o óbvio – declarar novamente a segunda lei em termos de um estado mais ou menos provável como uma conseqüência direta do respectivo aumento ou decréscimo na entropia. Ele corretamente reconhece que um estado menos provável pode ser alcançado por um sistema somente se este for um sistema aberto (i.e., capaz de interagir com suas redondezas) e houver um aumento externo da entropia, que supere o decréscimo interno de entropia do sistema.

 

É importante notar que Steiger não tira um tempo para levar em consideração se tal fenômeno tende a acontecer espontaneamente, rotineiramente, ou com qualquer constância – sem um programa de direcionamento (e.g., DNA) e uma forma de armazenamento e conversão de energia (e.g., fotossíntese, metabolismo) em qualquer organismo vivo (como descrito anteriormente). Declarar que é possível um decréscimo teórico na entropia não serve muito bem para explicar os processos biológicos e suas relações com a energia e a complexidade organizada. No geral, Steiger parece evitar qualquer discussão sobre como os processos biológicos alcançam e sustentam o decréscimo na entropia, o qual ele discute extensivamente para demonstrar como matematicamente “possível”.

 

Sendo justo, deve ser dito que o especialista em termodinâmica não precisa se preocupar com o “como” (i.e., o processo) de um assunto/tema a fim de gerar os cálculos matemáticos da mudança de entropia do começo ao fim de qualquer evento teórico. Entretanto, nós devemos nos lembrar que a habilidade de calcular esta mudança teoricamente, de forma alguma torna o evento provável, ou mesmo possível.

A termodinâmica clássica pode desta forma, ser empregada para postular a suposta mudança de entropia de um evento (e.g., geração espontânea, ou um evento de macro-evolução), aparte de definir ou identificar um mecanismo ou os meios pelos quais o evento poderia ocorrer, de modo concebível. Contudo, a barreira da “2ª lei generalizada” permanece firmemente em seu lugar, e aplicável às distribuições de probabilidade de assuntos pertinentes à Teoria da Informação (e.g., o aumento e preservação da informação contida no código genético) como também as da entropia estatística e sua aplicabilidade aos sistemas (e.g., sistemas biológicos altamente integrados e complexos, encontrados em todos os organismos vivos).

De qualquer forma, Steiger continua observando que:

…quando coisas vivas se decompõem após a morte, o processo de decomposição ocorre com um aumento na entropia […] uma mudança espontânea em um sistema pode ser revertido, desde que o sistema interaja com suas redondezas de tal forma que o aumento de entropia nas redondezas seja mais do que o bastante para reverter o aumento de entropia original do sistema.

(imagina-se se este parágrafo significa uma tentativa de ir além do mito da geração espontânea para sugerir a noção de ressurreição espontânea!). De qualquer forma, Steiger continua:

A aplicação de energia pode reverter uma reação espontânea e termodinamicamente “irreversível”. Folhas irão queimar espontaneamente (combinar-se com o oxigênio) para formar água e dióxido de carbono. A energia solar, através do processo fotossintético irá produzir folhas a partir do vapor de água e dióxido de carbono, e formar oxigênio.

Além da intenção ostensiva de apresentar estes dois processos como “reversos” um do outro, parece que Steiger não percebe que o processo fotossintético não funciona aparte do complexo aparato celular inerente nas folhas – A fotossíntese não produz folhas, mas sim é uma função inerente delas. Postular a fotossíntese como um fenômeno não biológico, “produtor-de-folhas”, é uma completa distorção.

 

Agora nós chegamos ao melhor material de Steiger. Ainda enfatizando a possibilidade de reversibilidade, ele nos diz:

 

Se nós desligarmos uma geladeira, o calor irá fluir das redondezas para o interior; o aumento na entropia dentro da geladeira será maior do que o decréscimo na entropia das redondezas, e a mudança total na entropia será positiva. Se nós ligarmos a geladeira, esta mudança espontânea “irreversível”, é revertida. Devido à entrada de energia elétrica para o compressor, o calor transferido dos rolos condensadores para as redondezas é maior do que o calor extraído da geladeira, e o aumento na entropia das redondezas é maior do que o decréscimo no interior, apesar do fato de que as redondezas estão em uma temperatura mais elevada. Novamente, o aumento total da entropia é positivo, como esperado para qualquer processo espontâneo.

 

Apesar deste ser um excelente modelo da termodinâmica em ação, a geladeira de Steiger faz ainda mais ao demonstrar a necessidade de um mecanismo de conversão de energia antes que um decréscimo prolongado e deliberado na entropia seja possível. Além do mais, o ligar e desligar do compressor da máquina dificilmente pode ser descrito como um evento “espontâneo” – estas são ações planejadas, voluntárias e deliberadas de agentes inteligentes, objetivando efetuar um resultado final específico.

 

Como se esta esplêndida geladeira já não fosse o bastante, Steiger também compartilha o seguinte modelo (popular dentre os evolucionistas) com seus leitores:

 

Se uma roda hidráulica é conectada por colunas, correias, polias, etc. a uma bomba, a bomba pode elevar a água da parte inferior da corrente para uma elevação ainda maior do que aquela do reservatório na parte de cima. Alguma parcela de água deveria se elevar espontaneamente para um nível ainda maior do que o original, mas o resto dela terminaria abaixo da roda hidráulica, na parte de baixo.

 

Apesar de não ser possível para toda a água se elevar até uma elevação superior à inicial, é possível para alguma parcela de água se elevar a um nível mais alto do que o inicial.

 

Novamente nós vemos um mecanismo cuidadosamente planejado e implementado para criar e sustentar um aparente decréscimo na entropia. Alguém pode se sentir compelido a imaginar por que o Sr. Steiger depende somente em mecanismos elaborados pelo homem para ilustrar sua declaração de que “decréscimos espontâneos na entropia podem e ocorrem a todo o tempo” – aparentemente sem a necessidade de planejamento, armazenamento ou conversão de energia!

 

Mas espere! Ainda tem mais! Não somente somos convidados a fingir junto com o Sr. Steiger que ele demonstrou que a geração espontânea é possível termodinamicamente – mesmo provável, mas nós somos rapidamente assegurados de que não há necessidade de se preocupar com os detalhes do “como”:

 

O fato de a roda hidráulica e a bomba serem dispositivos mecânicos não influenciam neste caso: A termodinâmica não se preocupa com a descrição detalhada de um sistema…

 

Aqui Steiger alegremente se isenta de encarar um fato muito sério: Decréscimos espontâneos e sustentados de entropia não ocorrem na natureza exceto quando há a presença de um planejamento e uma forma de armazenar e/ou converter energia. Declarar que isto “não influencia neste caso” é apresentar (ou fingir) uma total ignorância sobre os papéis da energia nos processos biológicos e o trabalho que produz complexidade organizada – processos que com certeza envolvem relações termodinâmicas (particularmente envolvendo a “2ª lei generalizada” e informacional, como também a entropia estatística, como discutido acima).

 

Complexidade simplificada (?)

 

Agora Steiger enfrenta a tarefa de redefinir a complexidade, de forma que seus leitores julgarão o improvável pelo menos acreditável – se não inevitável:

 

Um argumento favorito dos criacionistas é o de que a probabilidade da evolução ocorrer é a mesma de que um tornado passando por um ferro-velho poderia formar um avião…

 

Uma analogia mais simples ao cenário do avião/ferro-velho seria o empilhamento de três blocos, organizadamente, um em cima do outro. Para se fazer isto, é necessário planejamento inteligente, mas o empilhamento não viola as leis da termodinâmica […] tudo o que se requer é a energia para pegá-los e posicioná-los uns em cima dos outros…

 

O que Steiger não diz aos leitores é que o cenário do avião/ferro-velho enfrenta a análise probabilística, como indicado pela sua necessidade de substituí-lo com a ilustração de empilhar blocos, evitando completamente a improbabilidade termodinâmica da evolução. Tendo mencionado o problema resumidamente, ele de forma rápida e eficaz o ignora, mudando de assunto!

 

Concluindo seu ensaio “probabilístico”, Steiger assegura-nos de que:

 

…A posição criacionista iria necessariamente descartar toda a estrutura matemática da termodinâmica e não proveria base alguma para o planejamento e engenharia de turbinas, refrigeradores, bombas industriais, etc. Essa posição iria abolir-se das relações matemáticas bem desenvolvidas da físico-química, incluindo os efeitos da temperatura e pressão nas constantes de equilíbrio e mudanças de fase.

 

Esta acusação Não encontra suporte na balança deste ensaio, então se imagina com base em quê Steiger se sente qualificado para registrá-la. Este escritor não conhece nenhuma “posição criacionista” relacionada à termodinâmica diferente do entendimento clássico. Os criacionistas apontarem o conflito entre a termodinâmica e a doutrina evolucionista nada mais é do que uma “posição” questionável, comparada em uma base similar a eles dizerem que é improvável que rochas levitem espontaneamente.

 

A distorção dos fatos da termodinâmica e dos processos biológicos por Steiger parece indicar que na verdade, é a “posição” dele que desafia a realidade, pois se ele estivesse certo, coisas como turbinas, refrigeradores, bombas industriais, etc., não requereriam planejamento algum, e funcionariam satisfatoriamente sem armazenamento de energia ou dispositivos de conversão!

 

Falando novamente de forma mais precisa um dos insultos finais de Steiger no ensaio:

 

O evolucionismo (aparentando ser “fato científico”) não tem de ser consistente com as leis da termodinâmica.

 

Atribuindo (mais) falsos atributos à termodinâmica

 

Embora muito do que é dito no segundo ensaio de Steiger (“Atribuindo Falsos Atributos à Termodinâmica”) já tenha sido tratado acima, algumas de suas afirmações merecem um tratamento especial.

 

Resumidamente, no ensaio “Falsos Atributos”, Steiger repete o erro de confundir a distinção entre o processo altamente energético de crescimento dos organismos vivos (“sementes germinando e originando plantas, e ovos se desenvolvendo em galinhas”) e o processo de baixa energia de formação de cristais moleculares (“cristais de sais se formam quando uma solução evapora, e flocos de neve cristalinos se formam aleatoriamente a partir das moléculas de água que se movem no estado gasoso”).

 

Neste ensaio, entretanto, ele vai adiante, ao afirmar falsamente que os criacionistas insistem que para ambos os fenômenos “deve haver um mecanismo programado de conversão de energia a fim de direcionar a aplicação da energia necessária para ocasionar a mudança”. Assim, tendo confundido dois processos muito diferentes para os seus leitores, descrevendo-os como similares, ele falsamente acusa os criacionistas de uma abrangente generalização que eles não fazem – efetivamente montando um postulado boneco-de-palha para a sua refutação pessoal.

 

Próximo, tentando transferir as “mudanças que requerem o pensamento e esforço humanos” para um lugar fora do reino da análise termodinâmica, Steiger tenta ridicularizar a possibilidade de que os sistemas relacionados com a “construção de um prédio, de um avião, arrumar uma cama…”, envolvem termodinâmica, implicando que as mudanças na entropia inerentes nos sistemas e processos associados não são tratados pela ciência da termodinâmica. (Aparentemente, Steiger não acredita que as leis da termodinâmica sejam universais).

 

Dentre as afirmações atribuídas aos criacionistas, Steiger diz que o “mecanismo de conversão de energia” requerido para a vida biológica (como descrito acima) “vem de Deus”. Note que nem Steiger nem outro evolucionista produziram uma explicação naturalista plausível para a origem de tais processos biológicos, complexos e essenciais, como um mecanismo de conversão de energia (e.g., fotossíntese nas plantas, metabolismo nos animais).

 

[Estes (e várias outras estruturas e sistemas biológicos, não menos complexos, e altamente integrados) geram toda a indicação de planejamento orientado a um propósito. Mas isto escapa completamente da observação de tipos como Steiger, cujo aparente compromisso de definir “ciência” como a aplicação somente da filosofia naturalista ao estudo do mundo natural, os proíbe de considerarem seriamente a implicação lógica da evidência.].

 

Outra afirmação de Steiger é a de que no “The ICR chapter [O capítulo 3 do livro “Scientific Creationism”, editado por Henry Morris, do Institute for Creation Research] afirma-se diretamente que a entropia nunca pode decrescer”. Isto é uma completa mentira. Sendo proposital ou não, é uma adulteração indefensável sobre a publicação citada, o autor da publicação, e os criacionistas em geral. (Digno de atenção é o fato de que o ensaio de Steiger convenientemente “se esquece” de citar a página onde supostamente Morris “afirma diretamente” que a “entropia nunca pode decrescer” – muito provavelmente devido ao fato de que não há tal página no livro dele).

 

Novamente recusando-se a encarar a realidade, Steiger afirma que:

 

Não há necessidade de postular um mecanismo de conversão de energia. A termodinâmica correlaciona, com equações matemáticas, a informação relacionada à interação entre o calor e o trabalho. Ela não especula a respeito dos mecanismos envolvidos […] Embora seja razoável assumir que realmente existam mecanismos complexos de conversão de energia, a maneira pela qual eles operam está fora do escopo da termodinâmica. Instituir um mecanismo de conversão de energia para a termodinâmica é simplesmente uma tática para distorcer e corromper a natureza dela.

 

Primeiramente, é nos dito que não é necessário explicar nenhum mecanismo de conversão de energia. Então se infere (novamente) que as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos estão de alguma forma fora do reino da termodinâmica. Depois vem uma concessão de que, tudo bem, é “razoável admitir” que tais mecanismos de conversão de energia “realmente existam” (ufa!), contudo, agora somos firmemente assegurados de que as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos estão certamente “fora do escopo da termodinâmica” – e discordar de Steiger, aqui, é “distorcer e corromper a natureza real da termodinâmica”!

 

O que há de errado com este quadro? Desde quando as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos (e.g., fotossíntese e metabolismo) estariam “fora do escopo” da termodinâmica? Sob que ramo da análise científica deve se entender estas relações termodinâmicas se não a própria termodinâmica? Por quais leis naturais elas são dirigidas, senão aquelas da termodinâmica?

 

Parece que não são os criacionistas que “distorcem e corrompem a natureza real da termodinâmica”. Pelo menos eles reconhecem a aplicação universal dos princípios termodinâmicos para todos os processos envolvendo calor, trabalho, e as relações entre os dois – Tanto teoricamente (i.e., definido matematicamente) quanto em todos os processos do mundo real em que eles são encontrados.

 

Já cansativo, como não poderia deixar de ser, o esforço de Steiger para definir os processos biológicos como estando “fora do escopo” da termodinâmica é renovado ao afirmar que:

 

O uso e aplicação da termodinâmica é estritamente limitado pelo tratamento matemático das equações básicas […] Não há planejamento […] para qualquer mecanismo que poderia superar as leis da termodinâmica […] A termodinâmica é limitada pelas equações e matemática […] Se não puder ser expressa matematicamente, não é termodinâmica!

 

Parece justo dizer agora, que Frank Steiger não fez as contas (ou seu dever de casa de biologia) – e esta parece ser sua única base para estas declarações, fabricadas para fugir inteiramente da perene questão sobre a habilidade que a vida tem para prosperar em aparente contradição à lei termodinâmica.

 

Finalmente, Steiger conclui erroneamente que: “O criacionismo substituiria a matemática com metáforas […] Os criacionistas criaram uma termodinâmica ‘vudu’ […] a fim de convencer aqueles não familiarizados com a termodinâmica real de que sua visão religiosa sectária tem valor científico”.

 

Que o leitor julgue. Se as leis da temodinâmica são universalmente aplicáveis a todos os processos e sistemas (e de acordo com as autoridades científicas, elas são), com que direito Frank Steiger seletivamente rotula como meras “metáforas” esses processos e sistemas altamente complexos, que produzem e sustentam os ainda mais complexos mecanismos integrados da vida?

 

 

Ambos Não Podem Estar Corretos

 

Que alguém está praticando termodinâmica “vudu” aqui, nem se discute. A questão é: Quem? As seguintes declarações – completas com metáforas(!) – de respeitados cientistas (evolucionistas) não parecem refletir a perspectiva de Steiger, efetivamente indicando ser ele que recorreu à distorção e perversão da natureza real da termodinâmica, afim de convencer seus leitores de que as suas visões naturalistas religiosas tem valor científico:

 

“O ‘termodinâmico’ imediatamente esclarece a última questão ao apontar que […] Sistemas biológicos são abertos, e trocam energia e matéria. A explicação, entretanto, não é completamente satisfatória, pois ela ainda deixa aberto o problema de como ou por que o processo de ordenação surgiu (uma aparente diminuição da entropia), e vários cientistas têm se digladiado com esta questão. Bertalanffy (1968) chamou a relação entre termodinâmica irreversível e teoria da informação de um dos mais fundamentais problemas não resolvidos em biologia.” [C. J. Smith, Biosystems 1:259 (1975)]

 

“Nós temos repetidamente enfatizado os problemas fundamentais propostos aos biólogos pelo fato da vida ser organizada de forma complexa. Nós temos visto que a organização requer trabalho para a sua manutenção e que a busca universal por comida é em parte para propiciar a energia necessária para realizar este trabalho. Mas o simples gasto de energia não é suficiente para desenvolver ou manter a ordem. Um “touro em uma loja de porcelanas” realiza trabalho, mas ele nem cria nem mantém a organização no local; Isto requer informação sobre como proceder”. [G.G. Simpson and W.S. Beck, Life: An Introduction to Biology, Harcourt, Brace, and World, New York, 1965, p. 465]

“Proximamente relacionado ao aparente ‘paradoxo’ dos processos progressivos e ascendentes [*Ao se referir aos processos como ascendentes ou descendentes, o autor refere-se aos processos que levam os sistemas a estados ou condições mais ou menos avançados e/ou melhorados. Um exemplo comum encontrado em textos é o processo descendente de energia dispersa pelo sol, ser direcionado e acoplado ao processo ascendente de fotossíntese.] em sistemas não-vivos, está o aparente ‘paradoxo’ da auto-organização espontânea na natureza. Uma coisa é um sistema aberto e internamente organizado estimular processos ascendentes ao canalizar e direcionar a energia proveniente de processos decrescentes, mas em primeiro lugar, como o sistema interno de organização requerido surgiu? Realmente, as chamadas estruturas dissipativas que produzem processos ascendentes são grupos moleculares altamente organizados (baixa entropia), especialmente quando comparados aos arranjos dispersos de onde eles se reuniram. Daí, a questão de como eles puderam surgir por processos naturais provou ser um desafio”. [J.W. Patterson, Scientists Confront Creationism, L:R: Godfrey, Ed., W.W. Norton & Company, New York, 1983, p. 110]

Nós estamos de frente à escolha de aceitar a aplicabilidade universal das leis da termodinâmica como geralmente entendidas, ou acreditar que pessoas como Frank Steiger tem justificativa em seus esforços para dividir aquelas leis e os postulados do evolucionismo com confusão semântica.

Nós vimos que (ao contrário das acusações falsas de Steiger) os princípios da termodinâmica nem são ignorados nem alterados pelos criacionistas que os descrevem como universalmente aplicáveis, demonstrando suas relações com os processos biológicos.

Nós vimos como Steiger repetidamente tentou manchar a distinção entre processos dramaticamente diferentes; negou a aplicabilidade da termodinâmica às relações do calor e trabalho dentro dos processos biológicos; ignorou a aplicabilidade da entropia informacional e da entropia estatística aos processos biológicos e às propriedades de todos os organismos vivos; falsamente atribuiu declarações obviamente errôneas às publicações criacionistas; e no geral fez vista grossa para o desafio apresentado ao evolucionismo, pelas realidades dos princípios termodinâmicos.

Deve-se enfatizar que Frank Steiger não está sozinho. As práticas acima não são incomuns dentre muitos evolucionistas hardcore. Se a fé deles não é, de forma alguma, racional e razoável, aparece claro nas metodologias que eles empregam na defesa dela. Entretanto, a longo prazo, os simples fatos da ciência nem permanecerão ignorados nem escondidos, e muitas autoridades evolucionistas não se utilizam de tais técnicas, preferindo reconhecer tais problemas assim como aqueles levantados pela ciência da termodinâmica.

Infelizmente, para todos os evolucionistas, tais problemas não parecem querer ir embora.

Tradução: Maximiliano Araujo. Esta é a tradução da versão original do artigo.

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