TERMODINÂMICA X EVOLUCIONISMO

novembro 25, 2006 às 12:21 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

TERMODINÂMICA X EVOLUCIONISMO

 

(Incluindo uma refutação do Thermodynamics FAQs do website Talk.Origins Archive)

© Timothy Wallace. All Rights Reserved.

[*O ensaio original se encontra em: http://www.trueorigin.org/steiger.asp. Caso o leitor saiba inglês, no link original há discussões do autor deste ensaio com outros evolucionistas, sobre este mesmo tema.]

 

O debate entre os devotos do evolucionismo e os cientistas criacionistas, no que diz respeito à termodinâmica, provavelmente nunca terminará. Não porque as leis da termodinâmica (e suas ramificações) estejam sujeitas ao debate ou interpretações relativísticas, mas sim porque um punhado de evolucionistas continua a negar, vocalmente e com disposição, a verdade em relação a uma simples questão de conhecimento científico:

 

A segunda lei da termodinâmica apresenta um problema insuperável ao conceito de um processo mecanicista, natural: (1) Um pelo qual o universo físico poderia ter se formado espontaneamente do nada, e/ou (2) um pelo qual a vida poderia ter surgido e se diversificado (também espontaneamente) a partir de um mundo não-vivo e inanimado. (Ambos os postulados formam as “plataformas políticas” da teoria da evolução em geral).

 

Enquanto muitos cientistas altamente qualificados que se incluem no acampamento do evolucionismo são sinceros o bastante para reconhecer este problema, os propagandistas da evolução preferem dizer que o único “problema” é que os criacionistas não compreendem a termodinâmica real.

 

Esta estratégia é exemplificada nos Thermodynamics FAQs de Frank Steiger, no website Talk.Origins Archive, sendo que um dos tópicos deste FAQ, “Attributing False Attributes to Thermodynamics” [*Atribuindo Falsos Atributos à Termodinâmica], pode ser melhor citado para descrever a natureza do “como fazer” do seu texto, do que para usá-lo afim de demonstrar sua defesa a favor do evolucionismo, contra os escritores criacionistas que ele deseja desacreditar.

 

Steiger acusa os criacionistas de terem criado uma termodinâmica “vudu”, baseada somente em metáforas, e provê aos leitores do Talk.Origins um tratado detalhado sobre o assunto, embora repleto de erros. Apesar de parecer que ele tem certo entendimento de matemática e da ciência aplicada da termodinâmica, o próprio Steiger sai do reino do conhecimento científico para defender o dogma padrão da fé evolucionista, usando suas próprias metáforas e dando falsas impressões semânticas para fazer o evolucionismo parecer imune à melhor lei científica estabelecida conhecida pelo homem.

 

O propósito deste ensaio se divide em duas partes:

 

  1. Familiarizar adequadamente o leitor com a verdadeira natureza científica e as ramificações da termodinâmica, assim como documentado por cientistas não-criacionistas de renome.
  2. Documentar e livrar da mente do leitor, erros comuns da pseudociência evolucionista, como os perpetuados por Steiger em seus ensaios, e em outros locais.

 

Para efetuar este objetivo, o assunto será apresentado nas seguintes sessões consecutivas dentro deste arquivo:

 

  • Entendendo a Termodinâmica
  • O “Giro Verbal” dos Evolucionistas
  • Ambos não Podem Estar Corretos

 

Todo o esforço foi feito para explicar as questões abordadas neste arquivo da forma mais simples e facilmente compreensível possível. Enquanto alguns assuntos científicos podem algumas vezes parecer estar além da compreensão, o objetivo aqui foi a clareza, contudo sem simplificar demais onde os detalhes realmente são importantes.

 

 

Entendendo a Termodinâmica

 

A essência da Termodinâmica clássica preocupa-se com a relação entre:

 

  1. Calor;
  2. Energia mecânica (ou energia pronta a realizar trabalho);
  3. A interconversão de ambas.

 

Todos os assuntos da física, química, e os processos biológicos conhecidos pelo homem, são universalmente sujeitos –sem exceção— às leis da termodinâmica (primeira e segunda). Que daqui para frente, serão chamadas de “1ª lei” e “2ª lei”.

 

Enquanto as propriedades do calor e da energia utilizável parecem não ser particularmente significantes em um debate sobre as origens, a 1ª e 2ª leis (que dominam essas propriedades e suas transformações) falam profundamente sobre a natureza da matéria, energia, e, portanto, sobre o próprio universo. Dentro do reino da ciência, estas estão dentre as leis científicas mais firmes e universais, como confirmado por algumas autoridades da ciência nos seguintes testemunhos:

 

“[Uma lei] é mais impressionante, quanto maior for a simplicidade das suas premissas, quanto mais diferentes forem os tipos de coisas que ela relaciona, e quanto mais estendida for sua abrangência de aplicabilidade. Sendo assim, a termodinâmica clássica criou uma impressão profunda em mim. É a única teoria de conteúdo universal da física, da qual eu estou convencido que, dentro da estrutura de sua aplicabilidade, nunca terá seus conceitos básicos derrubados.” [Albert Einstein, citado em Thermodynamics in Einstein’s Universe, M. J. Klein, Science, 157 (1967), p.509; e em Book of Science and Nature Quotations, Isaac Asimov. p. 76].

“Não importa quão cuidadosamente examinemos a energética dos sistemas vivos, nós não encontramos nenhuma evidência de derrota dos princípios termodinâmicos.” [Harold Blum, Time’s Arrow and Evolution (1962), p. 119].

 

“Caso descubra que a sua teoria se opõe à segunda lei da termodinâmica, eu não posso lhe dar expectativas; não resta nada [*à sua teoria], exceto desmoronar na humilhação mais profunda [*no sentido da teoria ser desprezada].” [Arthur S. Eddington, The Nature of the Physical World (1930), p. 74].

“A segunda lei da termodinâmica não somente é um princípio de ampla extensão e aplicação, mas também é um princípio que nunca falhou em satisfazer os testes experimentais mais rigorosos. As numerosas relações quantitativas derivadas desta lei têm sido sujeitas a cada vez mais investigações experimentais sem que haja a detecção da menor imperfeição.” [G.N. Lewis and M. Randall, Thermodynamics (1961), p. 87].

 

“Não há, então, justificativa para a visão freqüentemente repetida desonestamente de que a segunda lei da termodinâmica é verdadeira somente estatisticamente, no sentido de que as violações microscópicas ocorrem repetidamente, mas as violações de maior gravidade nunca ocorreriam. Ao contrário, nunca se presenciou evidências de que a segunda lei falhe em quaisquer circunstâncias.” [A.B. Pippard, Elements of Chemical Thermodynamics for Advanced Students of Physics (1966), p. 100.]

“Embora seja verdade que a quantidade de matéria no universo esteja mudando continuamente, a mudança parece ser principalmente em um sentido – à decomposição. O sol está lentamente, mas certamente, ‘apagando-se por falta de combustível’ [burning out], as estrelas são ‘brasas morrendo’, e em toda a parte o coração do cosmos está se tornando frio; a matéria está se dissolvendo em radiação, e a energia está sendo dissipada no espaço vazio.

 

O universo está então, progredindo em direção a uma decisiva ‘morte térmica’, ou, como esta é tecnicamente definida, uma condição de ‘entropia máxima’ […] E não há como evitar este destino. Pois o inevitável princípio conhecido como Segunda Lei da Termodinâmica, que permanece atualmente como o principal pilar da física clássica deixado intacto pela marcha da ciência, proclama que os processos fundamentais da natureza são irreversíveis. A natureza se move somente em um sentido.” [Lincoln Barnett, The Universe and Dr. Einstein (1957), pp. 102-103.]

 

“…Não se conhece nenhuma violação da segunda lei da termodinâmica…” [Dr. John Ross, cientista de Harvard, Chemical and Engineering News, vol. 58, July 7, 1980, p. 40]

Tendo essa idéia geral acerca da importância e do respeito dado às leis da termodinâmica dentro da comunidade científica, vamos agora examinar o que estas leis dizem, e a que se aplicam.

A Primeira Lei

Já que a controvérsia entre os evolucionistas e a termodinâmica envolve principalmente a segunda lei, nós iremos ver a primeira lei de forma resumida. A 1ª lei é algumas vezes referida como lei da conservação, que essencialmente nos diz:

Nada atualmente está vindo a existir ou deixando de existir; matéria e energia podem ser convertidas uma na outra, mas não há um aumento líquido no total combinado do que existe.

Em relação a esta primeira lei, Isaac Asimov oferece este comentário digno de atenção:

“Esta lei é considerada a generalização mais poderosa e fundamental sobre o universo que os cientistas já fizeram. Ninguém sabe por que a energia é conservada… Tudo o que se pode dizer é que em mais de um 125 anos de medições cuidadosas os cientistas nunca foram capazes de apontar uma violação clara na conservação da energia, nem nas nossas redondezas familiares, nem nos céus acima de nós ou nos átomos dentro de nós.” [Smithsonian Institution Journal, 1970, p.6].

A Segunda Lei

Por outro lado, a segunda lei nos diz o que pode e o que não pode ocorrer em termos das relações e transformações entre matéria, energia, trabalho, e suas respectivas propriedades, e também sobre as propriedades da informação e complexidade, dizendo-nos:

Todo sistema, deixado à mercê de seus próprios mecanismos, sempre tende a mover-se da ordem para a desordem, sua energia tende a ser transformada indo no sentido de menores níveis de disponibilidade (para realizar trabalho), e por fim, tornando-se totalmente aleatória e indisponível para realizar trabalho.

…ou…

A entropia de um sistema fechado não pode diminuir.

Entropia é uma medida da (1) quantidade de energia não disponível para realizar trabalho dentro de um sistema ou processo, e/ou (2) a probabilidade da distribuição de aleatoriedade (desordem) dentro de um sistema.

Para ajudar a assegurar um entendimento adequado do que a 2ª lei significa, considere a citação seguinte, também de Isaac Asimov:

“Outra forma de enunciar a segunda lei então é: ‘O universo está constantemente ficando mais desordenado!’ Visto desta forma, nós podemos ver a segunda lei à nossa volta. Nós temos de trabalhar pesado para arrumar um quarto, mas se deixarmos de arrumá-lo novamente, ele rapidamente e facilmente se torna bagunçado de novo. Mesmo se nós nunca entrarmos nele, ele se torna empoeirado e mofado. Como é difícil fazer a manutenção para deixar casas, maquinário, e nossos corpos funcionando em perfeita ordem. Como é fácil deixá-los se deteriorarem. Na verdade, tudo o que nós temos de fazer é nada, e tudo se deteriora, colapsa, quebra-se e desgasta-se, por si só – e a segunda lei da termodinâmica é isso aí.” [Smithsonian Institute Journal, June 1970, p. 6].

Esta é a essência da Termodinâmica Clássica. Similarmente, a “2ª lei generalizada” se aplica à probabilidade da distribuição material na Teoria da Informação de tal forma que, deixada por si só ao longo do tempo, a informação transportada, por um sistema de comunicação da informação, irá terminar mais distorcida e menos completa do que no início (novamente, uma maior medida da entropia, ou um aumento dela – neste caso, entropia informacional) – e semelhantemente, aplicada para a estatística material, deixada por si só ao longo do tempo, a ordem da regularidade de um sistema será menor do que no início (e novamente, uma maior medida da entropia, ou um aumento dela – neste caso, entropia estatística).

O “Giro Verbal” dos Evolucionistas

A teoria da evolução enfrenta um problema na segunda lei, já que se entende claramente que esta lei indica (assim como a observação empírica) que as coisas tendem à desordem, simplicidade, aleatoriedade, e desorganização, enquanto a teoria insiste ser precisamente o contrário a ocorrer desde o início do universo (supondo que ele teve um começo).

Começando com o “Big Bang” e a autoformação e expansão do espaço e matéria, o cenário evolucionista afirma que cada estrutura, sistema e relações – até o nível de cada átomo, molécula, e além – são resultado de um processo de automontagem imprecisamente-definido e espontâneo de aumento da informação e complexidade, e uma contradição direta (i.e., violação da teoria) da segunda lei.

Esta hipótese é aplicada com maior fervor às especulações dos evolucionistas no que diz respeito à vida biológica e sua origem. A estória diz que – novamente, violando a segunda lei – no meio de certa população de moléculas automontadas, um ato de automontagem especialmente vasto e complexo (mas aleatório) ocorreu, produzindo a primeira molécula autoreplicante.

Continuando a ignorar a segunda lei, é dito que este fenômeno molecular sofreu posteriormente múltiplos aumentos aleatórios em complexidade e organização, produzindo uma combinação única de membros de uma comunidade molecular, adequadamente combinados, e de alta especialização, os quais formaram o que nós hoje conhecemos como um complexo de mecanismos incrivelmente eficiente, organizado e autosustentado, chamado de célula.

Não somente este suposto ato notável e aleatório de autotransformação ocorreu em desacordo com a segunda lei, mas o ambiente onde ele ocorreu, que se presume estar de acordo com esta lei e sua demanda de decomposição e aumento da desordem, conseguiu (por meio de algum mecanismo aleatório desconhecido) deixar intocado todo o processo de automontagem biológica e os recursos materiais automontados dos quais o primeiro organismo vivo utilizou para “se construir”.

O evolucionismo orgulha-se de aplicar esta mesma categoria de especulação à hipótese darwiniana clássica, na qual se diz que toda a vida biológica descende (por meio de infinitos – contudo aleatórios – acréscimos adicionais na complexidade organizada) daquele primeiro organismo unicelular hipotético. Afirma-se que este processo é o responsável direto pela existência (dentre outras coisas) dos seres humanos.

 

Detalhes, detalhes…

 

Talvez agora o leitor deva ser lembrado (ou informado), de que não existe nenhuma evidência inequívoca para apoiar o mito da autocriação citado acima. Contudo, muito ironicamente, esta é a única explicação para as origens tratada na mídia científica e popular, o que ofusca lindamente a opinião do público sobre a distinção entre ciência bona fide [*genuína/autêntica] e crenças populares.

 

Certamente, muitas hipóteses corolárias foram produzidas para mostrar como um ou outro fenômeno biológico ou geológico – ou um fato empírico reunido em qualquer disciplina científica – pode ser explicado em termos evolucionários (freqüentemente com o uso de estórias altamente enroladas, incríveis e improváveis). Mas como Karl Popper observou: uma teoria que parece explicar tudo, na verdade não explica nada. Popper insistiu que o poder explanatório real de uma teoria vem de se fazer predições arriscadas e estreitamente definidas – o sucesso na predição sendo significativo somente até a extensão onde a falha é uma possibilidade real em primeiro lugar. Os evolucionistas encontram formas de se explicar e/ou produzir predições “depois-do-fato” para todo e qualquer fato empírico ou fenômeno apresentado a eles – freqüentemente ignorando padrões estabelecidos para a lógica e o método científico.

 

Da mesma forma, muitos evolucionistas estão tão convencidos de que a evolução é um “fato” que eles são forçados a ignorar ou dispensar a aplicabilidade da segunda lei para os processos biológicos. A pressuposição da evolução como “fato” não deixa outra alternativa além do “deve ser possível apesar da segunda lei”. Contudo ninguém pode explicar satisfatoriamente como um processo presumidamente natural (evolução) prosseguiu constantemente em direção aos arranjos de complexidade ordenada superiores, quando a principal lei da natureza demanda que (nas palavras de Asimov) “tudo o que nós temos de fazer é nada, e tudo se deteriora, colapsa, quebra-se e desgasta-se, por si só”.

Sistemas Abertos X Sistemas Fechados

O argumento evolucionista clássico usado para defender os postulados do evolucionismo que vão contra a segunda lei segue uma linha do tipo: “a segunda lei se aplica somente a sistemas fechados, e a vida, como a conhecemos, existe e evoluiu em um sistema aberto”.

A base dessa afirmativa é o fato de que, enquanto a segunda lei é inviolável em um sistema fechado (i.e., um sistema onde nem a matéria ou a energia, entram ou saem), pode haver uma aparente reversão limitada da segunda lei em um sistema aberto (i.e., um sistema onde se pode adicionar nova matéria ou energia) porque pode se adicionar energia a ele.

Visto que o universo como um todo é considerado pelos evolucionistas como sendo um sistema fechado, então a segunda lei dita que dentro dele, a entropia, como um todo, está aumentando. Em outras palavras, as coisas estão tendendo à quebra, tornarem-se menos organizadas, menos complexas, e mais aleatórias em uma escala universal. Esta tendência (como descrita acima por Asimov) é um fenômeno observado cientificamente – fato, e não teoria.

A lógica evolucionista é simplesmente de que a vida na terra é uma “exceção” porque nós vivemos em um sistema aberto: “O sol provê energia mais do que suficiente para direcionar as coisas”. É nos assegurado que este suprimento de energia disponível satisfaz adequadamente qualquer objeção à evolução com base na segunda lei.

Mas o simples ato de adicionar energia a um sistema não causa a redução automática da entropia (i.e., aumento da complexidade organizada, ou “construir” ao invés de “quebrar”). A energia solar por si só não causa decréscimo entrópico – na verdade, ela aumenta a entropia, acelerando os processos naturais que causam quebras, desordem e desorganização na terra (considere, por exemplo, as seguintes situações, com e sem a adição de radiação solar: a pintura do seu carro, uma cerca de madeira, ou a carcaça de um animal em decomposição).

Falando em aplicabilidade geral da segunda lei aos sistemas abertos e fechados, o cientista de Harvard, Dr. John Ross (não criacionista) afirma:

“…não há violações conhecidas da segunda lei da termodinâmica. Geralmente a segunda lei é declarada para sistemas isolados [fechados], mas a segunda lei se aplica igualmente bem aos sistemas abertos […] há, de alguma forma, associada ao campo dos fenômenos distantes do equilíbrio, a noção de que a segunda lei falha para tais sistemas. É importante se certificar de que este erro não se perpetue.” [Dr. John Ross, Harvard scientist (evolutionist), Chemical and Engineering News, vol. 58, July 7, 1980, p. 40]

Então, o que torna a vida possível dentro da biosfera terrestre, parecendo “violar” a segunda lei da termodinâmica?

O aumento aparente na complexidade organizada (i.e., decréscimo na entropia) encontrado nos sistemas biológicos requer dois fatores adicionais além de um sistema aberto e a disponibilidade de uma fonte de energia. Estes são:

  1. Um “programa” (informação) para direcionar o desenvolvimento da complexidade organizada.
  2. Um mecanismo para armazenar e converter/transformar a energia que entra no sistema.

O DNA de cada organismo vivo contém todo o código (o “programa” ou “informação”) necessário para direcionar o processo de construção (ou “organização”) do organismo, da semente ou célula até um espécime maduro, completo, inteiramente funcional, com todas as instruções necessárias para manter e reparar cada um dos seus sistemas (e seus componentes) integrados, complexos e organizados. Este processo continua ao longo da vida do organismo, essencialmente construindo e mantendo sua estrutura física mais rápido do que os processos naturais (dirigidos pela segunda lei) possam degradá-lo.

Os sistemas vivos também têm o segundo componente essencial – seus próprios mecanismos intrínsecos para converter e armazenar efetivamente a energia recebida. As plantas usam a fotossíntese para converter e utilizar a energia proveniente do sol em formas armazenáveis (e.g., proteínas), enquanto os animais usam as reações metabólicas para converter e usar posteriormente a energia armazenada e utilizável dos organismos que compõem suas dietas.

Então nós vemos que os organismos vivos parecem “violar” a segunda lei, porque eles têm programas embutidos (informação) e mecanismos de conversão de energia que os permitem construir e manter suas estruturas “apesar” dos efeitos da segunda lei (que no final das contas prevalece, pois cada organismo eventualmente deteriora e morre).

Enquanto isto explica como os organismos vivos podem crescer com sucesso, graças em parte à biosfera terrestre, um sistema aberto, isto não oferece qualquer solução à questão de como a vida poderia iniciar este processo espontaneamente, na ausência das direções dos programas e mecanismos de conversão de energia descritos acima – nem como um simples organismo vivo poderia produzir as novas diretrizes dos programas e mecanismos alternativos de conversão de energia requeridos a fim de que a evolução biológica ocorra e produza o vasto espectro de variedade e complexidade biológicas observadas pelo homem.

Em resumo, o argumento do “sistema aberto” falha, pois não justifica adequadamente a especulação evolucionista em face da segunda lei. A maioria dos cientistas evolucionistas mais respeitados reconhece este fato (alguns dos quais foram citados acima, com cuidado – e dentro do contexto). Muitos até mesmo admitem o problema que a segunda lei causa à teoria apoiada por eles.

A marca da termodinâmica de Frank Steiger

Frank Steiger publicou dois ensaios no Talk.Origin Archive nos quais ele faz um trabalho respeitável de reiterar a resposta comum dos evolucionistas para este problema. Contudo, enquanto a resposta apresentada pode ser adequada para convencer os que querem crer no evolucionismo, um exame cuidadoso prova que ela não é nada menos do que a mesma resposta esquiva e inadequada que é geralmente dada para as objeções à segunda lei.

Steiger, erroneamente, também atribui afirmações falsas e enganadoras aos seus equivalentes criacionistas, que, se tomadas pelo valor real, iriam conceder-lhe muito mais credibilidade relativa do que ele mereceria. Adicione a isso a falha dele em identificar o desafio da segunda lei ao evolucionismo, e o trabalho de Steiger é reduzido em termos simples à mesma dança velha, com alguns criticismos descabidos para fazer efeito.

Não longe, no seu ensaio mais longo no Talk.Origins (“The Second Law of Thermodynamics, Evolution, and Probability”) [*A Segunda Lei da Termodinâmica, Evolução, e Probabilidade], Steiger atribui aos “criacionistas” uma:

Crença ampla e totalmente falsa de que a segunda lei da termodinâmica não permite que a ordem surja espontaneamente da desordem.

…Que ele então tenta disputar a partir de uma generalização errônea e grosseira:

“Na verdade, há muitos exemplos na natureza onde a ordem surge espontaneamente da desordem: Flocos de neve, com sua simetria cristalina de seis lados são formados espontaneamente quando a água evapora de uma solução. As sementes germinam em plantas que florescem, e os ovos se desenvolvem em galinhas.”

A “ordem” presente em um floco de neve ou em um cristal não tem nada a ver com aumento de informação, organização ou complexidade, ou energia disponível (i.e., entropia reduzida). A disposição ou arranjo de moléculas ou átomos em padrões geométricos ou cristais reflete o movimento em direção ao equilíbrio – um menor nível energético, e um arranjo mais estável das moléculas ou átomos em estruturas simples, uniformes, e repetidas, com complexidade mínima, e sem função. Estes não são exemplos da matéria se transformando em estruturas ou sistemas mais complexos (como postulado na teoria evolucionista), embora eles possam certamente refletir “ordem” na forma de padrões simples.

Steiger falha em reconhecer a profunda diferença entre estes exemplos de cristais moleculares de baixa-energia e o processo altamente energético de crescimento dos organismos vivos (sementes germinando em plantas que florescem, e os ovos se desenvolvendo em galinhas). Ao considerar equivalentes estes dois fenômenos muito diferentes, ele acaba por revelar uma séria falta de entendimento da termodinâmica (como também da biologia molecular), e perpetua este erro de forma não resolvida em seus dois ensaios, como nós veremos.

Por outro lado, Jeffrey Wicken (um evolucionista) não tem problema algum em reconhecer a diferença, tendo a descrito desta forma:

“Sistemas ‘organizados’ devem ser cuidadosamente distinguidos de sistemas ‘ordenados’. Nenhum tipo de sistema é ‘aleatório’, mas enquanto sistemas ordenados são gerados de acordo com algoritmos simples e, portanto, são desprovidos de complexidade, os sistemas organizados devem ser montados elemento por elemento, de acordo com um ‘diagrama’ externo com um alto conteúdo de informações […] Organização, portanto, é complexidade funcional e carrega informação. É não aleatória por planejamento ou por seleção, preferencialmente à necessidade a priori de ‘ordem’ cristalográfica.” [Jeffrey S. Wicken, The Generation of Complexity in Evolution: A Thermodynamic and Information-Theoretical Discussion, Journal of Theoretical Biology, Vol. 77 (April 1979), p. 349]

Ilya Prigogine, vencedor de um Prêmio Nobel, também não tem problemas para definir a diferença:

“O ponto é que em um sistema não isolado [aberto] existe a possibilidade de formação de estruturas ordenadas de baixa entropia, em temperaturas suficientemente baixas. Este princípio de ordenação é responsável pelo surgimento de estruturas ordenadas como cristais, como também pelos fenômenos de transições de fase. Infelizmente este princípio não pode explicar a formação de estruturas biológicas.” [I. Prigogine, G. Nicolis and A. Babloyants, Physics Today 25(11):23 (1972)]

Thaxton, Bradley e Olsen fazem a mesma distinção clara:

“À medida que o gelo se forma, há a liberação de energia (80 cal/mg) nas redondezas […] A mudança de entropia é negativa porque a entropia de configuração térmica (ou desordem) da água é maior que a do gelo, um cristal altamente ordenado […] Tem sido freqüentemente discutido que, analogamente à cristalização da água, monômeros simples podem se polimerizar em moléculas complexas tais como DNA e proteínas. Entretanto, a analogia é claramente inapropriada […] As forças de ligação atômicas reúnem as moléculas de água em um arranjo cristalino ordenado quando a agitação térmica (ou força impulsora entrópica) é diminuída ao se abaixar a temperatura. Todavia, os monômeros orgânicos tais como os aminoácidos resistem à combinação a qualquer temperatura, muito menos em algum arranjo ordenado.” [C.B. Thaxton, W.L. Bradley, and R.L. Olsen, The Mystery of Life’s Origin: Reassessing Current Theories, Philosophical Library, New York, 1984, pp. 119-120.]

O fato de Steiger manchar a distinção entre estes dois fenômenos pode ser logicamente atribuído somente à ignorância indefensável ou uma deturpação voluntária dos fatos.

 

Mais tarde Steiger afirma que:

 

“…Um sistema pode ir de um estado mais provável para um menos provável, desde que o ΔS para o sistema seja negativo. Em casos onde o sistema interage com suas redondezas, ΔS pode ser negativa desde que a entropia geral do sistema e as redondezas com as quais ele interage, sejam positivas; A mudança geral pode ser positiva se o aumento de entropia das redondezas for numericamente maior que o decréscimo de entropia do sistema.”

 

Não se assuste. Explicando, “ΔS” simplesmente se refere à mudança ou variação na entropia. Uma mudança positiva (aumento) na entropia é a tendência geral, universal, como descrita acima (igual a um estado de: menor ordem, complexidade, energia disponível, mais aleatório, desordenado, e mais provável). Uma mudança negativa (decréscimo) na entropia é invariavelmente um evento temporário e isolado (igual a um estado de: maior ordem, complexidade, energia disponível, menos aleatório, ordenado, e menos provável).

 

Esta declaração profunda da parte de Steiger, portanto, é simplesmente dizer o óbvio – declarar novamente a segunda lei em termos de um estado mais ou menos provável como uma conseqüência direta do respectivo aumento ou decréscimo na entropia. Ele corretamente reconhece que um estado menos provável pode ser alcançado por um sistema somente se este for um sistema aberto (i.e., capaz de interagir com suas redondezas) e houver um aumento externo da entropia, que supere o decréscimo interno de entropia do sistema.

 

É importante notar que Steiger não tira um tempo para levar em consideração se tal fenômeno tende a acontecer espontaneamente, rotineiramente, ou com qualquer constância – sem um programa de direcionamento (e.g., DNA) e uma forma de armazenamento e conversão de energia (e.g., fotossíntese, metabolismo) em qualquer organismo vivo (como descrito anteriormente). Declarar que é possível um decréscimo teórico na entropia não serve muito bem para explicar os processos biológicos e suas relações com a energia e a complexidade organizada. No geral, Steiger parece evitar qualquer discussão sobre como os processos biológicos alcançam e sustentam o decréscimo na entropia, o qual ele discute extensivamente para demonstrar como matematicamente “possível”.

 

Sendo justo, deve ser dito que o especialista em termodinâmica não precisa se preocupar com o “como” (i.e., o processo) de um assunto/tema a fim de gerar os cálculos matemáticos da mudança de entropia do começo ao fim de qualquer evento teórico. Entretanto, nós devemos nos lembrar que a habilidade de calcular esta mudança teoricamente, de forma alguma torna o evento provável, ou mesmo possível.

A termodinâmica clássica pode desta forma, ser empregada para postular a suposta mudança de entropia de um evento (e.g., geração espontânea, ou um evento de macro-evolução), aparte de definir ou identificar um mecanismo ou os meios pelos quais o evento poderia ocorrer, de modo concebível. Contudo, a barreira da “2ª lei generalizada” permanece firmemente em seu lugar, e aplicável às distribuições de probabilidade de assuntos pertinentes à Teoria da Informação (e.g., o aumento e preservação da informação contida no código genético) como também as da entropia estatística e sua aplicabilidade aos sistemas (e.g., sistemas biológicos altamente integrados e complexos, encontrados em todos os organismos vivos).

De qualquer forma, Steiger continua observando que:

…quando coisas vivas se decompõem após a morte, o processo de decomposição ocorre com um aumento na entropia […] uma mudança espontânea em um sistema pode ser revertido, desde que o sistema interaja com suas redondezas de tal forma que o aumento de entropia nas redondezas seja mais do que o bastante para reverter o aumento de entropia original do sistema.

(imagina-se se este parágrafo significa uma tentativa de ir além do mito da geração espontânea para sugerir a noção de ressurreição espontânea!). De qualquer forma, Steiger continua:

A aplicação de energia pode reverter uma reação espontânea e termodinamicamente “irreversível”. Folhas irão queimar espontaneamente (combinar-se com o oxigênio) para formar água e dióxido de carbono. A energia solar, através do processo fotossintético irá produzir folhas a partir do vapor de água e dióxido de carbono, e formar oxigênio.

Além da intenção ostensiva de apresentar estes dois processos como “reversos” um do outro, parece que Steiger não percebe que o processo fotossintético não funciona aparte do complexo aparato celular inerente nas folhas – A fotossíntese não produz folhas, mas sim é uma função inerente delas. Postular a fotossíntese como um fenômeno não biológico, “produtor-de-folhas”, é uma completa distorção.

 

Agora nós chegamos ao melhor material de Steiger. Ainda enfatizando a possibilidade de reversibilidade, ele nos diz:

 

Se nós desligarmos uma geladeira, o calor irá fluir das redondezas para o interior; o aumento na entropia dentro da geladeira será maior do que o decréscimo na entropia das redondezas, e a mudança total na entropia será positiva. Se nós ligarmos a geladeira, esta mudança espontânea “irreversível”, é revertida. Devido à entrada de energia elétrica para o compressor, o calor transferido dos rolos condensadores para as redondezas é maior do que o calor extraído da geladeira, e o aumento na entropia das redondezas é maior do que o decréscimo no interior, apesar do fato de que as redondezas estão em uma temperatura mais elevada. Novamente, o aumento total da entropia é positivo, como esperado para qualquer processo espontâneo.

 

Apesar deste ser um excelente modelo da termodinâmica em ação, a geladeira de Steiger faz ainda mais ao demonstrar a necessidade de um mecanismo de conversão de energia antes que um decréscimo prolongado e deliberado na entropia seja possível. Além do mais, o ligar e desligar do compressor da máquina dificilmente pode ser descrito como um evento “espontâneo” – estas são ações planejadas, voluntárias e deliberadas de agentes inteligentes, objetivando efetuar um resultado final específico.

 

Como se esta esplêndida geladeira já não fosse o bastante, Steiger também compartilha o seguinte modelo (popular dentre os evolucionistas) com seus leitores:

 

Se uma roda hidráulica é conectada por colunas, correias, polias, etc. a uma bomba, a bomba pode elevar a água da parte inferior da corrente para uma elevação ainda maior do que aquela do reservatório na parte de cima. Alguma parcela de água deveria se elevar espontaneamente para um nível ainda maior do que o original, mas o resto dela terminaria abaixo da roda hidráulica, na parte de baixo.

 

Apesar de não ser possível para toda a água se elevar até uma elevação superior à inicial, é possível para alguma parcela de água se elevar a um nível mais alto do que o inicial.

 

Novamente nós vemos um mecanismo cuidadosamente planejado e implementado para criar e sustentar um aparente decréscimo na entropia. Alguém pode se sentir compelido a imaginar por que o Sr. Steiger depende somente em mecanismos elaborados pelo homem para ilustrar sua declaração de que “decréscimos espontâneos na entropia podem e ocorrem a todo o tempo” – aparentemente sem a necessidade de planejamento, armazenamento ou conversão de energia!

 

Mas espere! Ainda tem mais! Não somente somos convidados a fingir junto com o Sr. Steiger que ele demonstrou que a geração espontânea é possível termodinamicamente – mesmo provável, mas nós somos rapidamente assegurados de que não há necessidade de se preocupar com os detalhes do “como”:

 

O fato de a roda hidráulica e a bomba serem dispositivos mecânicos não influenciam neste caso: A termodinâmica não se preocupa com a descrição detalhada de um sistema…

 

Aqui Steiger alegremente se isenta de encarar um fato muito sério: Decréscimos espontâneos e sustentados de entropia não ocorrem na natureza exceto quando há a presença de um planejamento e uma forma de armazenar e/ou converter energia. Declarar que isto “não influencia neste caso” é apresentar (ou fingir) uma total ignorância sobre os papéis da energia nos processos biológicos e o trabalho que produz complexidade organizada – processos que com certeza envolvem relações termodinâmicas (particularmente envolvendo a “2ª lei generalizada” e informacional, como também a entropia estatística, como discutido acima).

 

Complexidade simplificada (?)

 

Agora Steiger enfrenta a tarefa de redefinir a complexidade, de forma que seus leitores julgarão o improvável pelo menos acreditável – se não inevitável:

 

Um argumento favorito dos criacionistas é o de que a probabilidade da evolução ocorrer é a mesma de que um tornado passando por um ferro-velho poderia formar um avião…

 

Uma analogia mais simples ao cenário do avião/ferro-velho seria o empilhamento de três blocos, organizadamente, um em cima do outro. Para se fazer isto, é necessário planejamento inteligente, mas o empilhamento não viola as leis da termodinâmica […] tudo o que se requer é a energia para pegá-los e posicioná-los uns em cima dos outros…

 

O que Steiger não diz aos leitores é que o cenário do avião/ferro-velho enfrenta a análise probabilística, como indicado pela sua necessidade de substituí-lo com a ilustração de empilhar blocos, evitando completamente a improbabilidade termodinâmica da evolução. Tendo mencionado o problema resumidamente, ele de forma rápida e eficaz o ignora, mudando de assunto!

 

Concluindo seu ensaio “probabilístico”, Steiger assegura-nos de que:

 

…A posição criacionista iria necessariamente descartar toda a estrutura matemática da termodinâmica e não proveria base alguma para o planejamento e engenharia de turbinas, refrigeradores, bombas industriais, etc. Essa posição iria abolir-se das relações matemáticas bem desenvolvidas da físico-química, incluindo os efeitos da temperatura e pressão nas constantes de equilíbrio e mudanças de fase.

 

Esta acusação Não encontra suporte na balança deste ensaio, então se imagina com base em quê Steiger se sente qualificado para registrá-la. Este escritor não conhece nenhuma “posição criacionista” relacionada à termodinâmica diferente do entendimento clássico. Os criacionistas apontarem o conflito entre a termodinâmica e a doutrina evolucionista nada mais é do que uma “posição” questionável, comparada em uma base similar a eles dizerem que é improvável que rochas levitem espontaneamente.

 

A distorção dos fatos da termodinâmica e dos processos biológicos por Steiger parece indicar que na verdade, é a “posição” dele que desafia a realidade, pois se ele estivesse certo, coisas como turbinas, refrigeradores, bombas industriais, etc., não requereriam planejamento algum, e funcionariam satisfatoriamente sem armazenamento de energia ou dispositivos de conversão!

 

Falando novamente de forma mais precisa um dos insultos finais de Steiger no ensaio:

 

O evolucionismo (aparentando ser “fato científico”) não tem de ser consistente com as leis da termodinâmica.

 

Atribuindo (mais) falsos atributos à termodinâmica

 

Embora muito do que é dito no segundo ensaio de Steiger (“Atribuindo Falsos Atributos à Termodinâmica”) já tenha sido tratado acima, algumas de suas afirmações merecem um tratamento especial.

 

Resumidamente, no ensaio “Falsos Atributos”, Steiger repete o erro de confundir a distinção entre o processo altamente energético de crescimento dos organismos vivos (“sementes germinando e originando plantas, e ovos se desenvolvendo em galinhas”) e o processo de baixa energia de formação de cristais moleculares (“cristais de sais se formam quando uma solução evapora, e flocos de neve cristalinos se formam aleatoriamente a partir das moléculas de água que se movem no estado gasoso”).

 

Neste ensaio, entretanto, ele vai adiante, ao afirmar falsamente que os criacionistas insistem que para ambos os fenômenos “deve haver um mecanismo programado de conversão de energia a fim de direcionar a aplicação da energia necessária para ocasionar a mudança”. Assim, tendo confundido dois processos muito diferentes para os seus leitores, descrevendo-os como similares, ele falsamente acusa os criacionistas de uma abrangente generalização que eles não fazem – efetivamente montando um postulado boneco-de-palha para a sua refutação pessoal.

 

Próximo, tentando transferir as “mudanças que requerem o pensamento e esforço humanos” para um lugar fora do reino da análise termodinâmica, Steiger tenta ridicularizar a possibilidade de que os sistemas relacionados com a “construção de um prédio, de um avião, arrumar uma cama…”, envolvem termodinâmica, implicando que as mudanças na entropia inerentes nos sistemas e processos associados não são tratados pela ciência da termodinâmica. (Aparentemente, Steiger não acredita que as leis da termodinâmica sejam universais).

 

Dentre as afirmações atribuídas aos criacionistas, Steiger diz que o “mecanismo de conversão de energia” requerido para a vida biológica (como descrito acima) “vem de Deus”. Note que nem Steiger nem outro evolucionista produziram uma explicação naturalista plausível para a origem de tais processos biológicos, complexos e essenciais, como um mecanismo de conversão de energia (e.g., fotossíntese nas plantas, metabolismo nos animais).

 

[Estes (e várias outras estruturas e sistemas biológicos, não menos complexos, e altamente integrados) geram toda a indicação de planejamento orientado a um propósito. Mas isto escapa completamente da observação de tipos como Steiger, cujo aparente compromisso de definir “ciência” como a aplicação somente da filosofia naturalista ao estudo do mundo natural, os proíbe de considerarem seriamente a implicação lógica da evidência.].

 

Outra afirmação de Steiger é a de que no “The ICR chapter [O capítulo 3 do livro “Scientific Creationism”, editado por Henry Morris, do Institute for Creation Research] afirma-se diretamente que a entropia nunca pode decrescer”. Isto é uma completa mentira. Sendo proposital ou não, é uma adulteração indefensável sobre a publicação citada, o autor da publicação, e os criacionistas em geral. (Digno de atenção é o fato de que o ensaio de Steiger convenientemente “se esquece” de citar a página onde supostamente Morris “afirma diretamente” que a “entropia nunca pode decrescer” – muito provavelmente devido ao fato de que não há tal página no livro dele).

 

Novamente recusando-se a encarar a realidade, Steiger afirma que:

 

Não há necessidade de postular um mecanismo de conversão de energia. A termodinâmica correlaciona, com equações matemáticas, a informação relacionada à interação entre o calor e o trabalho. Ela não especula a respeito dos mecanismos envolvidos […] Embora seja razoável assumir que realmente existam mecanismos complexos de conversão de energia, a maneira pela qual eles operam está fora do escopo da termodinâmica. Instituir um mecanismo de conversão de energia para a termodinâmica é simplesmente uma tática para distorcer e corromper a natureza dela.

 

Primeiramente, é nos dito que não é necessário explicar nenhum mecanismo de conversão de energia. Então se infere (novamente) que as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos estão de alguma forma fora do reino da termodinâmica. Depois vem uma concessão de que, tudo bem, é “razoável admitir” que tais mecanismos de conversão de energia “realmente existam” (ufa!), contudo, agora somos firmemente assegurados de que as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos estão certamente “fora do escopo da termodinâmica” – e discordar de Steiger, aqui, é “distorcer e corromper a natureza real da termodinâmica”!

 

O que há de errado com este quadro? Desde quando as mudanças (e relações) entre calor e trabalho dentro dos processos biológicos (e.g., fotossíntese e metabolismo) estariam “fora do escopo” da termodinâmica? Sob que ramo da análise científica deve se entender estas relações termodinâmicas se não a própria termodinâmica? Por quais leis naturais elas são dirigidas, senão aquelas da termodinâmica?

 

Parece que não são os criacionistas que “distorcem e corrompem a natureza real da termodinâmica”. Pelo menos eles reconhecem a aplicação universal dos princípios termodinâmicos para todos os processos envolvendo calor, trabalho, e as relações entre os dois – Tanto teoricamente (i.e., definido matematicamente) quanto em todos os processos do mundo real em que eles são encontrados.

 

Já cansativo, como não poderia deixar de ser, o esforço de Steiger para definir os processos biológicos como estando “fora do escopo” da termodinâmica é renovado ao afirmar que:

 

O uso e aplicação da termodinâmica é estritamente limitado pelo tratamento matemático das equações básicas […] Não há planejamento […] para qualquer mecanismo que poderia superar as leis da termodinâmica […] A termodinâmica é limitada pelas equações e matemática […] Se não puder ser expressa matematicamente, não é termodinâmica!

 

Parece justo dizer agora, que Frank Steiger não fez as contas (ou seu dever de casa de biologia) – e esta parece ser sua única base para estas declarações, fabricadas para fugir inteiramente da perene questão sobre a habilidade que a vida tem para prosperar em aparente contradição à lei termodinâmica.

 

Finalmente, Steiger conclui erroneamente que: “O criacionismo substituiria a matemática com metáforas […] Os criacionistas criaram uma termodinâmica ‘vudu’ […] a fim de convencer aqueles não familiarizados com a termodinâmica real de que sua visão religiosa sectária tem valor científico”.

 

Que o leitor julgue. Se as leis da temodinâmica são universalmente aplicáveis a todos os processos e sistemas (e de acordo com as autoridades científicas, elas são), com que direito Frank Steiger seletivamente rotula como meras “metáforas” esses processos e sistemas altamente complexos, que produzem e sustentam os ainda mais complexos mecanismos integrados da vida?

 

 

Ambos Não Podem Estar Corretos

 

Que alguém está praticando termodinâmica “vudu” aqui, nem se discute. A questão é: Quem? As seguintes declarações – completas com metáforas(!) – de respeitados cientistas (evolucionistas) não parecem refletir a perspectiva de Steiger, efetivamente indicando ser ele que recorreu à distorção e perversão da natureza real da termodinâmica, afim de convencer seus leitores de que as suas visões naturalistas religiosas tem valor científico:

 

“O ‘termodinâmico’ imediatamente esclarece a última questão ao apontar que […] Sistemas biológicos são abertos, e trocam energia e matéria. A explicação, entretanto, não é completamente satisfatória, pois ela ainda deixa aberto o problema de como ou por que o processo de ordenação surgiu (uma aparente diminuição da entropia), e vários cientistas têm se digladiado com esta questão. Bertalanffy (1968) chamou a relação entre termodinâmica irreversível e teoria da informação de um dos mais fundamentais problemas não resolvidos em biologia.” [C. J. Smith, Biosystems 1:259 (1975)]

 

“Nós temos repetidamente enfatizado os problemas fundamentais propostos aos biólogos pelo fato da vida ser organizada de forma complexa. Nós temos visto que a organização requer trabalho para a sua manutenção e que a busca universal por comida é em parte para propiciar a energia necessária para realizar este trabalho. Mas o simples gasto de energia não é suficiente para desenvolver ou manter a ordem. Um “touro em uma loja de porcelanas” realiza trabalho, mas ele nem cria nem mantém a organização no local; Isto requer informação sobre como proceder”. [G.G. Simpson and W.S. Beck, Life: An Introduction to Biology, Harcourt, Brace, and World, New York, 1965, p. 465]

“Proximamente relacionado ao aparente ‘paradoxo’ dos processos progressivos e ascendentes [*Ao se referir aos processos como ascendentes ou descendentes, o autor refere-se aos processos que levam os sistemas a estados ou condições mais ou menos avançados e/ou melhorados. Um exemplo comum encontrado em textos é o processo descendente de energia dispersa pelo sol, ser direcionado e acoplado ao processo ascendente de fotossíntese.] em sistemas não-vivos, está o aparente ‘paradoxo’ da auto-organização espontânea na natureza. Uma coisa é um sistema aberto e internamente organizado estimular processos ascendentes ao canalizar e direcionar a energia proveniente de processos decrescentes, mas em primeiro lugar, como o sistema interno de organização requerido surgiu? Realmente, as chamadas estruturas dissipativas que produzem processos ascendentes são grupos moleculares altamente organizados (baixa entropia), especialmente quando comparados aos arranjos dispersos de onde eles se reuniram. Daí, a questão de como eles puderam surgir por processos naturais provou ser um desafio”. [J.W. Patterson, Scientists Confront Creationism, L:R: Godfrey, Ed., W.W. Norton & Company, New York, 1983, p. 110]

Nós estamos de frente à escolha de aceitar a aplicabilidade universal das leis da termodinâmica como geralmente entendidas, ou acreditar que pessoas como Frank Steiger tem justificativa em seus esforços para dividir aquelas leis e os postulados do evolucionismo com confusão semântica.

Nós vimos que (ao contrário das acusações falsas de Steiger) os princípios da termodinâmica nem são ignorados nem alterados pelos criacionistas que os descrevem como universalmente aplicáveis, demonstrando suas relações com os processos biológicos.

Nós vimos como Steiger repetidamente tentou manchar a distinção entre processos dramaticamente diferentes; negou a aplicabilidade da termodinâmica às relações do calor e trabalho dentro dos processos biológicos; ignorou a aplicabilidade da entropia informacional e da entropia estatística aos processos biológicos e às propriedades de todos os organismos vivos; falsamente atribuiu declarações obviamente errôneas às publicações criacionistas; e no geral fez vista grossa para o desafio apresentado ao evolucionismo, pelas realidades dos princípios termodinâmicos.

Deve-se enfatizar que Frank Steiger não está sozinho. As práticas acima não são incomuns dentre muitos evolucionistas hardcore. Se a fé deles não é, de forma alguma, racional e razoável, aparece claro nas metodologias que eles empregam na defesa dela. Entretanto, a longo prazo, os simples fatos da ciência nem permanecerão ignorados nem escondidos, e muitas autoridades evolucionistas não se utilizam de tais técnicas, preferindo reconhecer tais problemas assim como aqueles levantados pela ciência da termodinâmica.

Infelizmente, para todos os evolucionistas, tais problemas não parecem querer ir embora.

Tradução: Maximiliano Araujo. Esta é a tradução da versão original do artigo.

O CÓDIGO DA VINCI DESBANCADO

novembro 25, 2006 às 11:40 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

O CÓDIGO DA VINCI DESBANCADO


Não é “indavincível” – Uma análise e crítica de “O Código da Vinci”

Por: J. P. Holding – Tekton Apologetics Ministries (http://www.tektonics.org/)

O artigo original, em inglês, atualizado, e com respostas aos críticos pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico: http://www.tektonics.org/davincicrude.htm. Caso o leitor saiba inglês, no link original há também uma lista de leituras recomendadas para se aprofundar no tema.

Algumas perguntas nos foram enviadas a respeito do best-seller O Código da Vinci, de Dan Brown. Este livro chegou à lista dos mais vendidos a partir da distribuição de algumas cópias gratuitas e tem inspirado alguns questionamentos, muita atenção da mídia, e preocupação por parte de cristãos que não gostam das idéias, mas não têm as respostas para o conteúdo do livro. O livro também foi a inspiração para um programa especial no horário nobre da ABC network [1], e recentemente, a Sony Pictures anunciou que adquiriu os direitos autorais para produzir um filme baseado no livro [2]. A Sony reuniu um elenco talentoso para a produção, que inclui o proeminente diretor Ron Howard.

Vamos começar com uma avaliação literária clara. A história de O Código da Vinci lembra o provérbio que fala sobre comer comida chinesa e continuar com fome depois: Embora tenha 480 páginas, a história simplesmente não satisfaz. No início há um assassinato, e pelas próximas páginas os personagens principais saem correndo pela França e Inglaterra, indo de um enigma criptográfico ao próximo como se fossem assistentes mirins do Batman perseguindo o vilão Charada. Enquanto correm por aí, estes personagens deixam para trás quase todos os vestígios de personalidade, o que é justo, pois na maioria das vezes eles encontram vilões de “jogos de cartas” também pobremente desenvolvidos. A idéia de Dan Brown de dar dimensão a um personagem parece ser ou tê-los mudando de aliados sem aviso, ou então dar a eles algum tipo de condição desabilitante, como albinismo ou precisar de bengala para andar. (Improvavelmente, o personagem albino não parece sofrer da perda de acuidade visual que acompanha esta condição [3]).

O que realmente nos interessa aqui é o porquê de toda esta correria. Nossos bat-mirins estão atrás do cálice sagrado, que no universo de Dan Brown, que é como se fosse moldado por especulações e teorias de conspirações populares ao invés de estudos comprovados, não é a taça de Cristo ultimamente perseguida por Harrison Ford, mas sim uma “linhagem real” composta dos descendentes de Jesus Cristo e (quem mais?) Maria Madalena. Esta teoria já havia sido promovida anteriormente sem sucesso, mais notavelmente em 1983 no livro Holy Blood, Holy Grail, de Michael Baigent et al, (New York: Dell). (Em português: O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, Editora Nova Fronteira). Livro este que tem sido muito criticado (Ver, por exemplo [em inglês]: http://anzwers.org/free/posmis/ , http://www.alpheus.org/html/articles/esoteric_history/richardson1.html e http://www.anzwers.org/free/posdebunking/).

Nossos heróis são informados de que dentro da tumba de Maria Madalena há vários tipos de documentos secretos, cujos conteúdos irão arruinar o cristianismo da forma como hoje o conhecemos. Estas “verdades” recuperadas irão pavimentar o caminho para que nós retornemos a uma espiritualidade mais iluminada cujo centro é o divino feminilizado, conhecido como adoração à deusa. A idéia de que a religião foi originalmente matriarcal, ou dominada por adoração a uma deusa, e mais tarde (sob o domínio judaico-cristão) mudou para o monoteísmo patriarcal (dominado pelos homens) é um mito. Não é verdade. Não há evidência de que qualquer movimento religioso significante tenha divindades femininas dominantes – elas sempre foram ligadas aos seus parceiros masculinos, e normalmente em um papel servil. Ver por exemplo, In the Wake of the Goddesses [Na Pista das Deusas], de Tikva Frymer-Kensky (New York: Ballantine Books, 1993) e Goddess Worship, Witchcraft, and Neo-Paganism [Adoração à Deusa, Bruxaria e Neo-Paganismo], de Craig Hawkins (Grand Rapids: Zondervan, 1998). A maior parte do livro é gasta na busca pela localização desta tumba, mas no fim –sinto muito!- o livro acaba com o personagem principal encontrando a tumba e não revelando nada, então nós nunca saberemos se a cripta de Maria Madalena continha um novo evangelho secreto ou se era a lista de compras de Judas Iscariotes. Entretanto, anteriormente a esse final pouco inspirador, em vários capítulos, são oferecidos certos pedaços de “informações” que originaram dúvidas entre nossos correspondentes, e agora nós iremos focar nisto.

Mas é só ficção…

“Não é uma obra fictícia? Por que se preocupar com alguns fatos fora de lugar?” Realmente, por quê? Enquanto eu estava na livraria da esquina esperando na fila para adquirir o livro, examinei um capítulo primário problemático, tendo sido prevenido por Bob Passantino [apologeta do website Answers in Actionhttp://www.answers.org/] sobre esse conteúdo. Uma mulher atrás de mim disse: “Esse é um ótimo livro!” Eu olhei para ela e respondi: -“Na verdade não, é cheio de análises sem base”.

A mulher ficou chocada. “Mas é só ficção”, ela disse. Curiosamente, entretanto, ela pediu um exemplo.

“Bem, A data da descoberta dos pergaminhos do mar morto está errada” [4], eu disse, e apontei os detalhes do erro. Se o autor não consegue pegar um dado tão elementar e fundamentá-lo corretamente, no que mais ele estaria errado? “Interessante”, ela disse, concordando balançando a cabeça. Muito mesmo. A semente da dúvida é importante, e o autor usa isto para atrair seus potenciais leitores. Uma das primeiras coisas que o leitor de O Código da Vinci verá, no prefácio, e sob um título onde se lê: “FATO”, está a seguinte afirmação:

Todas as descrições das obras de arte, arquitetura, documentos, e rituais secretos neste romance são precisas.

Em termos de documentos e rituais, entretanto, e mesmo das obras de arte e arquitetura [5], O Código da Vinci contém poucos “fatos” e o pouco que contém requer certificação séria. Tudo isto poderia ser desculpado, exceto pelo fato de que Brown batiza tais aspectos do livro com a tarja de FATO, e de que muitos destes fatos saem da boca de um personagem chamado Teabing, que é descrido como um respeitável historiador. Eu prefiro pensar que se qualquer historiador acadêmico genuíno fez certos comentários como os de Teabing, ele deveria ser prontamente rebaixado para o posto de zelador e detido para treinamento em “História 101”. Tristemente, o truque por baixo da “capa de fato” de Dan Brown enganou outras pessoas, incluindo o crítico editor do New York Daily News, que ingenuamente comentou que “a pesquisa de Brown é impecável”.

O trabalho é de ficção sim, mas declara estar enraizado em fato. Deve-se acrescentar que, o próprio Brown reconheceu, em um especial de televisão, que passou a acreditar nas teorias sustentadas pelo seu livro, após supostamente ter tentado refutá-las. Nós não deveríamos deixar isso passar, da mesma forma que alguém não deixaria passar uma obra de ficção enraizada na premissa de que certa raça é inferior, e baseia essa declaração em uma afirmação do tipo: “Todas as descrições das culturas, biologia, sociologia e genética neste romance são precisas”. Será que um livro como este iria permanecer muito tempo nas prateleiras de uma livraria? Eu acho que não. Mas como o cristianismo como um todo, e o catolicismo romano são considerados “jogo-limpo” [para se falar mal], este tipo de obra é recebida como “tá bom”, e não com indignação.

Deixando de lado questões de deficiências literárias e imperfeições a respeito de outras áreas menos importantes, o material que nos preocupa só emerge aproximadamente na metade do livro, no Capítulo 55. As afirmações abaixo saem da boca de Teabing, nosso historiador, respondendo algumas questões dos dois personagens principais sobre a natureza e contexto de sua busca. Começando com [todas as citações do livro, neste artigo, são traduções livres da versão em inglês]:

…”A Bíblia não foi enviada via fax do céu… a Bíblia é o produto do homem minha querida, não de Deus. A Bíblia não caiu magicamente das nuvens. O homem a criou como um registro histórico de tempos tumultuados, e ela evoluiu através de incontáveis traduções, adições e revisões. A história nunca teve uma versão definitiva do livro” [6].

Mesmo neste vago sumário, muitos problemas aparecem:

A visão implícita sendo tratada – que “A Bíblia foi enviada via fax do céu”, ou “caiu das nuvens” – é um boneco-de-palha tendencioso. A Bíblia foi escrita por homens, sim, sob a inspiração do Espírito Santo. Entretanto, nunca foi declarado que esta inspiração envolveu o Espírito Santo atuando sobre os autores e fazendo que eles agissem sob a ação de forças não-naturais, e muito menos de que ela caiu das nuvens. Ao invés disso, acredita-se que Deus escolheu instrumentos específicos dos homens e que o Espírito Santo os guiou [7].

“Incontáveis traduções, etc”. É uma hipérbole e uma generalização vaga. Sem uma acusação específica do que foi traduzido, adicionado ou revisado, é impossível responder a isto especificamente. Geralmente, entretanto, podem-se oferecer estas considerações:

Problemas de tradução com a Bíblia não são diferentes dos mesmos problemas de tradução para qualquer documento, e não causam mais dificuldades. O enunciado implica que há grande confusão com a tradução e isto é preocupante. É verdade que existem problemas discutíveis em termos de tradução da Bíblia do hebraico e grego antigos para qualquer língua moderna, mas isto é uma função natural de todos os processos de tradução, e de forma alguma se acredita que isto desmerece o oferecimento de uma explicação razoável, “final”, do que foi escrito. Na verdade, a transmissão dos textos antigos, a volumosa qualidade de cópias de manuscritos, a ciência da crítica textual, e a arte da tradução, asseguram que qualquer tradução moderna respeitável da Bíblia é fiel ao que foi originalmente dito. Este assunto tem sido explicado tão compreensivelmente e tão bem por tantos estudiosos, que a má interpretação dos fatos por parte de Brown não tem desculpa.

Os argumentos imaginários de Brown contestando a confiabilidade do texto bíblico são tão pouco sofisticados e fora de lugar que um exemplo será suficiente para mostrar suas fraquezas. Em Aramaic Sources of Mark’s Gospel [Fontes em Aramaico do Evangelho de Marcos], o estudioso da Bíblia, Maurice Casey examina o processo de utilização de fontes em aramaico por Marcos, para compor seu Evangelho em grego, oferece uma lista de complicações inevitáveis de tradução e bilingüismo, e exemplos práticos. Como um bilíngüe aprende um idioma – e como ele o mantém em uso – inevitavelmente afeta a sua habilidade de tradução. Há uma vasta diferença entre uma pessoa que cresce aprendendo duas línguas (e pode, portanto, ser menos proficiente em ambas) e uma pessoa que aprendeu uma segunda língua, e não usa a sua primeira língua por muitos anos. Um estudioso moderno que aprende grego ou hebraico antigos deve encontrar dificuldades semelhantes. Como Casey explica, “Todos os bilíngües sofrem de interferência”, e os tradutores mais ainda [8]. Alguns exemplos oferecidos por Casey retornam a este ponto:

  • Bilíngües “freqüentemente utilizam um item lingüístico mais vezes porque ele tem um paralelo próximo na sua outra língua”. Assim: “…É relatado que estudantes dinamarqueses usam o artigo definido do idioma inglês mais freqüentemente do que monoglotas falantes da língua inglesa. Isto reflete ‘o fato de que o inglês e o dinamarquês parecem ter concepções levemente diferentes do que constitui uma referência genérica em oposição à referência específica’”. Ou: “…Há uma tendência dos estrangeirismos de língua inglesa serem femininos entre os falantes de alemão austríaco, die road [a estrada], die yard [“a” quintal] etc. E isto é provavelmente devido à similaridade sonora entre o alemão die e a forma inglesa the (com sotaque), enquanto o masculino alemão der e o neutro das por sua vez já soam diferentes”.

  • Quando um texto fonte é específico de uma cultura, há grande necessidade de mudanças para fazer com que ele se torne compreensível. O exemplo de como duas edições alemãs de “Alice no País das Maravilhas” teve uma passagem em particular traduzida de formas diferentes serve bem:

“Perhaps it doesn’t understand English,” thought Alice, “I dare say it’s a French mouse, come over with William the Conqueror.”

[“’Talvez ele não entenda inglês’, pensou Alice, ‘Eu ouso dizer que é um rato francês, veio junto com William o Conquistador’.”]

Uma edição substituiu a palavra “inglês”, de forma que a tradução simplesmente dizia que o rato não entendia “muita coisa”, e para fazer a referência a William o Conquistador compreensível, foi adicionada uma frase sobre William ter vindo da Inglaterra. Uma tradução diferente fez ser o alemão, o idioma não entendido pelo rato, e trocou William por Napoleão [9]. Sendo assim, houve dois métodos diferentes de se fazer com que o texto se tornasse compreensível para leitores de países distintos.

  • Um alemão em um ônibus pergunta a uma pessoa próxima a um assento vazio: “ist dieser platz frei?” em inglês é literalmente: “is this place free?” [este lugar está livre?]. Mas um inglês diria: “is this seat taken?” [este lugar está tomado?]. Ou um pedido educado em polonês a uma hóspede distinta, para que ela se sente, em inglês fica literalmente: “Mrs Vanessa! Please! Sit! Sit!” [Sra. Vanessa! Por favor! Senta! Senta!]. A forma curta imperativa “sit!” soa “como um comando ao invés de um pedido educado”, dirigido a alguém desobediente, ao invés de um hóspede distinto [10].

  • Traduzindo-se Charles Dickens para o alemão, há uma frase na obra “The Olde Curiosity Shop” [A velha loja de raridades] onde um personagem fala algo sobre ser “a fine week for ducks” [uma boa semana para patos]. Falantes de língua inglesa naturalmente sabem que isto significa que é uma semana chuvosa. Um tradutor alemão, entretanto, concluiu que na verdade a frase significava que era uma boa semana para ir caçar patos! [11]

Tais são os problemas típicos de se traduzir um texto de uma língua para outra. O tipo de conhecimento aprofundado requerido para realizar uma tradução exata está simplesmente além do conhecimento da maioria das pessoas, e apresenta uma impossibilidade prática. Isto não significa que, quando não formos capazes de prover traduções “definitivas” para cada uma das palavras imediatamente, devamos apertar um botão de pânico que nos dê todos os significados implícitos em cada palavra e a certeza do que está sendo dito. Os exemplos acima claramente transmitem o significado principal da passagem, mesmo se alguma nuance é perdida para falantes não-nativos da língua. Estudos lingüísticos continuam a ser realizados até hoje, dando-nos novas percepções em linguagens antigas. Isto não vale somente para línguas bíblicas, mas também para outras línguas antigas como o latim. Um historiador profissional, diferente do ficcional Teabing, nunca faria uma generalização tão ridícula.

Adições e revisões também não são um problema maior do que aqueles encontrados em qualquer outro documento. Novamente, sem uma “adição” ou uma “revisão” específica para abordar, nós somente podemos oferecer alguns pontos gerais. Existem certos pontos de controle que nos dão uma certeza razoável a respeito do significado do texto bíblico original. O primeiro grupo de pontos de controle vem através do processo chamado crítica textual. Basicamente, os estudiosos coletam e comparam cópias do trabalho em questão, estabelecem suas idades relativas, e assim decidem qual é a cópia mais verossímil ao documento original. Em termos de evidência, é comum falar da abundante riqueza de evidências que nós temos para o texto do Novo Testamento, compreendendo mais de 24000 cópias ou pedaços de manuscritos, alguns datando dos séculos II e III. Em contraste, considere que as palavras do historiador romano Tácito, escrevendo por volta do ano 100 D.C., são confirmadas por menos de 12 manuscritos, datando de muito tempo depois do mais antigo, que por sua vez data do século XI! O Velho Testamento não tem a mesma qualidade de evidência em manuscritos, mas ainda assim excede significantemente a maioria dos outros trabalhos antigos, como os de Tácito. Com base nisto, é difícil justificar qualquer reivindicação de que nós não possuímos uma idéia “definitiva” do que estava escrito nos originais da Bíblia (Autographa), a menos que se queira rejeitar todos os outros escritos antigos também.

Escritores antigos tinham razões justificáveis para realizar certos tipos de revisões: Quando a linguagem mudava ou certos fatos tornavam-se menos conhecidos, era necessário ajustar o texto a fim de que ele permanecesse coerente para leitores mais recentes. O historiador grego Heródoto, por exemplo, utilizou unidades de medidas gregas para relatar peso, moeda e distância, que não eram utilizadas nas localidades dos povos que fez relatos a respeito. Heródoto fez isso mesmo quando traduziu escrituras feitas pelos povos que estudou. Tais revisões são muito fáceis de discernir, então não é tão problemático chegar a uma versão “definitiva” do texto bíblico. Além disso, os escritores antigos não deviam se confundir com revisões de conteúdo em grande escala ou mudanças na ideologia, e certamente elas não eram “incontáveis”, se é para que tenhamos algum respeito pela evidência propiciada pela crítica textual.

Teabing continua com afirmações mais específicas:

“Jesus Cristo foi uma figura histórica de influência chocante, talvez o líder mais enigmático e inspirador que o mundo jamais viu […] Compreensivelmente, sua vida foi registrada por milhares de seguidores em sua terra […] mais de 80 Evangelhos foram considerados para o Novo Testamento, contudo, somente alguns foram escolhidos para a inclusão, como os de Mateus, Marcos, Lucas e João… A Bíblia, como a conhecemos hoje, foi compilada pelo imperador romano pagão, Constantino o Grande” [12].

Foi Jesus uma figura histórica de “influência chocante”, sobre o qual “milhares de seguidores” escreveram algo a respeito? As respostas são: “Não exatamente”, e “A evidência não permite concluir isto”.

Jesus se tornou uma figura de “influência chocante” somente APÓS a igreja cristã se tornar uma força proeminente. Segundo os historiadores daquele tempo, Jesus foi somente um pontinho na tela da TV. Jesus não era considerado como historicamente significante pelos historiadores de seu tempo. Ele não discursou no senado romano ou escreveu extensos tratados de filosofia grega; Ele nunca viajou para fora da região da Palestina, e também não foi membro de qualquer partido político conhecido. Ele se tornou conhecido somente porque os cristãos posteriormente o tornaram uma “celebridade”. O historiador E. P. Sanders, ao comparar Jesus a Alexandre o Grande, nota que Alexandre “Alterou de tal forma a situação política em tão grande parte do mundo, que as informações gerais sobre sua vida pública são realmente bem conhecidas. Jesus não mudou as circunstâncias sociais, políticas e econômicas na Palestina […] a superioridade da evidência da existência de Jesus é vista quando nos perguntamos o que ele pensava” [13]. Além disso, Jesus foi executado como um criminoso, o que lhe deu uma marca de marginalidade máxima. Ele tinha um estilo de vida ofensivo e alienou muitas pessoas. Associou-se com os desprezados e rejeitados: Coletores de impostos, prostitutas e o bando de pescadores que ele tinha como discípulos. Finalmente, ele era pobre, uma pessoa do campo em uma terra governada por ricos das cidades. A idéia de que Jesus tinha uma “influência chocante” durante a sua vida na terra é completamente errônea, o que significa que ele não poderia ter tido “milhares de seguidores” para escrever biografias autorizadas. Na verdade, três ou quatro biografias seria o máximo que nós esperaríamos, especialmente porque de 90 a 95 % de todas as pessoas do mundo antigo eram analfabetas e incapazes de escrever tais obras.

Havia 80 Evangelhos, dos quais somente quatro foram escolhidos? Se for assim, então nós temos justificativa para fazer várias perguntas:

1) Quais são as datas dos manuscritos dos evangelhos “excluídos”? Se devemos considerar tais trabalhos, devemos saber o quão próximos eles são do tempo que Jesus viveu. Uma forma de se determinar isto é saber qual é o manuscrito mais antigo. Quando nós olhamos para a evidência (tristemente, a evidência não parece incomodar Brown de forma alguma), nós encontramos que enquanto há um conhecimento e aceitação universal por parte dos cristãos dos quatro evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João), pela metade do século II, nenhum dos Evangelhos não pertencentes ao Cânon era próximo nos quesitos data de composição, amplitude de distribuição, ou proporção de aceitação. Estes eram, em sua maioria, pseudo-evangelhos atribuídos a outros Apóstolos, mas geralmente desqualificados pela maioria das igrejas porque eles não tinham um “encadeamento de evidências” histórico conectando-os aos Apóstolos reais, e/ou porque eles continham afirmações contrárias ao que já era aceito nos Evangelhos canônicos. Esta questão é também bem conhecida entre os estudiosos da Bíblia, e informação a respeito pode ser facilmente obtida em livros escritos para leigos, tais como: A General Introduction to the Bible [Uma Introdução Geral à Bíblia] (Chicago: Moody Press, 1986), de Norman Geisler e William Nix; ou on-line, em fontes documentadas como as da Internacional Standard Bible Encyclopedia [Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional], disponíveis no seguinte endereço eletrônico [em inglês]:

http://www.reference-guides.com/isbe/B/BIBLE_THE_IV_CANONICITY/

2) Existe alguma evidência destes Evangelhos “excluídos” estarem sendo utilizados em um período anterior? É também útil encontrar citações de um trabalho em obras de escritores contemporâneos, pois se eles citam um trabalho, isto é evidência de que ele existia no tempo que foi escrito. Embora possam ter existido aproximadamente 50 Evangelhos pseudo-epígrafes, a maioria é conhecida somente pelo nome, a partir de alguns enunciados escritos por escritores da igreja antiga. Os mais significantes são bem conhecidos e as razões para nunca terem sido aceitos pela maioria da igreja são bem conhecidas e nunca foram mantidas em segredo por qualquer hierarquia. Geisler & Nix propiciam aos leitores leigos um bom sumário desta questão no seu livro referenciado anteriormente (páginas 297-317) dizendo: “A literatura extra-canônica, como um todo, apresenta uma pobreza surpreendente. A maior parte dela é fabulosa, e carrega a marca clara da falsificação. Somente aqui e acolá, em meio a uma massa de bobagens inúteis, é que nós nos deparamos com uma jóia inestimável” (311). Na verdade, essas jóias inestimáveis, na maioria dos casos são meras repetições do que nós já encontramos em um ou mais dos Evangelhos canônicos.

3) É o contexto coerente com o que nós esperaríamos do Jesus histórico? Em outras palavras, se é dito que Jesus abriu uma geladeira, pegou um burrito, e o colocou num forno de microondas, então nós podemos estar bastante seguros de que isto não relata com precisão as atividades de um Jesus que vivia no século I. Por exemplo, no Evangelho dos Ebionitas nós lemos que João Batista não comia mel e gafanhotos, mas somente mel, ao contrário do que os Evangelhos canônicos relatam. Os Ebionitas eram vegetarianos e não deixaram a verdade atrapalhar com sua agenda de dieta vegetariana. O evangelho de Pedro pôs a culpa da crucificação somente nos judeus, exonerando os romanos – uma posição anti-semítica que Brown deveria considerar intolerável. Os mesmos “Evangelhos” que Brown usa como recurso para minar a história consistente dos Evangelhos canônicos promove ensinamentos completamente contrários à cristandade secreta que Brown diz que eles representavam!

Este é o tipo de dado que os estudiosos levam em consideração quando decidem se um documento é uma fonte confiável. Neste capítulo Brown não diz o nome de nenhum dos outros evangelhos que ele tem em mente. Ele dirá os nomes de dois deles em um capítulo posterior, e nós os discutiremos quando formos discutir tais capítulos. Finalizando, é interessante notar que o sabido historiador de Brown perpetra dois erros graves que seriam um grande embaraço para qualquer estudioso:

“Felizmente para os historiadores […] alguns dos evangelhos que Constantino tentou erradicar conseguiram sobreviver. Os pergaminhos do mar morto foram encontrados nos anos 1950 escondidos em uma caverna próxima a Qumran, no deserto da Judéia.” [14]

Primeiro, como eu expliquei para a mulher na livraria, os pergaminhos do mar morto foram descobertos em 1947, e não na década de 1950. (Nota para aqueles com problemas: Três pessoas escreveram para mim dizendo que Brown está certo porque os pergaminhos do mar morto continuaram a ser descobertos durante os 1950. Mas está claro que não foi isso que ele quis relatar, se fosse, ele teria dito que eles começaram a ser descobertos em 1947, continuando pela década seguinte. Sendo assim, isso continua sendo um erro. Além disso, eu notei com satisfação que dois experts no guia de Burstein [ver abaixo] criticam Brown por causa desse mesmo erro). Segundo, eles não contém nenhum Evangelho ou outra coisa mencionando Jesus. Eles são preponderantemente mais antigos do que o Novo Testamento, em sua maioria são cópias de livros do Velho Testamento, e documentos internos para a comunidade Qumran [15]. Brown também faz seu personagem alegar que o Vaticano “tentou bastante suprimir a liberação desses pergaminhos” porque eles supostamente contêm informações “danosas”. Isto é meramente uma teoria de conspiração ofensivamente arrogante utilizada por alguns escritores populares, sem ser baseada em fato [16]. Novamente, tem se escrito a respeito da evidência dos pergaminhos do mar morto, em tantos livros, jornais e artigos, muitos em nível mais acessível, que Brown só pode fazer suas afirmações errôneas recorrendo a uma completa desconsideração pelos fatos. Não há nada nos pergaminhos do mar morto que promova ou o Cristianismo tradicional ou o derivado. A comunidade em Qumran responsável pelos pergaminhos não era cristã, mas sim judia.

Mas enquanto os pergaminhos do mar morto não dizem nada diretamente sobre o Cristianismo, eles fornecem duas importantes verificações para o Cristianismo tradicional. Primeiro, os textos do Velho Testamento preservados entre os pergaminhos nos fornecem a verificação de que o Velho Testamento preservado pelos judeus e cristãos através dos séculos depois de Cristo são uma tradução precisa do que os judeus conheciam do tempo de Jesus. Segundo, a comunidade de Qumran reflete um judaísmo do século I muito mais semelhante ao apresentado pelos escritores do Novo Testamento do que aquele judaísmo que se desenvolveu após a destruição do segundo templo em 70 D.C.. Aqueles que especularam em tempos passados que o Judaísmo apresentado no novo testamento foi uma criação posterior por parte dos cristãos que se opunham ao judaísmo foram refutados pela informação que pudemos aprender nos pergaminhos do mar morto.

Foi Constantino quem decidiu que livros entrariam no Cânon? Como funcionou o processo? [17] Constantino não foi o organizador do cânon, e na verdade não teve nenhuma participação na montagem. De forma geral, a igreja foi a responsável. O processo de canonização do Novo Testamento foi baseado em um modelo que já existia há séculos, segundo o qual, várias religiões escolhiam uma coleção de livros sagrados normativos. É provável que o próprio Apóstolo Paulo tenha iniciado o processo ao reunir suas próprias cartas ou aquelas de seus amigos, como Lucas ou Timóteo fizeram. Longe de ser um processo arbitrário, ou um processo decidido por Constantino posteriormente, a formação do Cânon foi o resultado de escolhas minuciosas ao longo do tempo, por membros e oficiais da igreja interessados neste processo. Votos posteriores no Cânon eram meramente os passos mais definitivos tomados ao fim de um processo cuidadoso, longo, e algumas vezes difícil. O estudioso da Bíblia, Robert Grant, escreveu que na formação do Novo Testamento, o Cânon foi:

…[N]ão o produto de reuniões oficiais ou mesmo dos estudos de alguns teólogos. Ele reflete e expressa o auto-entendimento ideal de todo um movimento religioso que, apesar de diferenças temporais, geográficas, e mesmo ideológicas, pôde finalmente ser unificado na aceitação desses 27 documentos diversos que expressam o significado da revelação de Deus em Jesus Cristo e para sua igreja. [18]

Dizer que Constantino esteve por trás da formação do Cânon, ou que foi responsável pela destruição de Evangelhos que não aprovava é uma distorção absurda da história. Na verdade, Constantino reuniu o concílio em Nicéia, pagou as despesas das viagens dos que compareceram, e disponibilizou seu palácio de verão à beira de um lago para o concílio, mas ele não teve nenhuma autoridade eclesiástica. A informação que nós temos sobre o concílio é fascinante e de forma alguma apóia a idéia de um romano pagão distorcendo o “Cristianismo primitivo” ou qualquer outra conspiração. Uma boa introdução sobre os fatos do concílio está disponível na edição do verão de 1996 da revista Christian History [História Cristã], “Heresy in the Early Church” [Heresia na igreja primitiva], disponível no endereço eletrônico [em inglês]: http://www.christianitytoday.com/ch/51h/ .

“Os vestígios de religiões pagãs na simbologia cristã são inegáveis. Discos solares egípcios tornaram-se as auréolas dos santos católicos. Pictogramas de Ísis amamentando seu filho Hórus, concebido milagrosamente, tornaram-se o projeto artístico para as nossas imagens modernas da Virgem Maria amamentando o menino Jesus. E virtualmente todos os elementos do ritual católico – a turba, o altar, os louvores, a comunhão, o ato de “comer Deus” – foram tirados diretamente de religiões pagãs antigas”. [19]

Em seu texto, Brown só comenta sobre uma religião misteriosa em particular, que supostamente seria uma fonte para as crenças cristãs (ver abaixo), mas no geral, pode se responder:

A tomada do simbolismo é verdadeira – mas significa vitória ideológica, e não pegar emprestado. Para começar, note que nós não estamos falando do Cristianismo apostólico do século I, mas do Cristianismo dos séculos III e IV. O que nós vemos aqui não é bem pegar emprestado, mas um tipo de propaganda, ou um tipo artístico de superação competitiva. A divindade pagã Mitra [antigo deus sol persa, deus da verdade e da luz] era apresentado cavalgando um touro e o matando: A igreja produziu uma cena semelhante com Sansão matando um leão. Mitra atirou flechas em uma rocha para produzir água: A igreja mudou isso para Moisés tirando água da rocha no monte Horeb. Por que se fez isso? Porque esta foi uma época em que a arte era geralmente imitativa. As pessoas do “mundo” do Novo Testamento pensavam em termos do que poderiam ser “probabilidades”, ou verificação da experiência geral ou anterior. A imitação era uma forma de expressar superioridade: “Mitra não é o verdadeiro herói, Sansão é, ignore Mitra.” “Esta religião misteriosa usa uma turba como sinal de poder. Bem, nós é que temos o poder verdadeiro, nós reivindicamos a turba”. Note que pegar emprestado envolvia somente arte e ritual – Não envolvia a tomada da ideologia.

Agora em termos da única religião misteriosa que Brown cita, o Mitraísmo:

O deus pré-cristão Mitra – chamado de filho de Deus e a luz do mundo – nasceu em 25 de Dezembro, morreu, foi enterrado em uma tumba de pedra, e então ressuscitou após três dias.

Não surpreendentemente, os estudiosos do Mitraísmo não sabem nada a respeito disso. Vamos analisar uma afirmativa de cada vez:

Ele era chamado de filho de Deus e a luz do mundo: Isto é simplesmente falso. Eu já havia previamente examinado a literatura sobre estudos mitráicos e estes títulos não são conhecidos por estudiosos do Mitraísmo [20].

Ele nasceu 25 de Dezembro: Isto pode ser verdade, mas não tem relevância, pois o Novo Testamento não associa o dia 25 de Dezembro ao nascimento de Jesus, de jeito nenhum. Quando a igreja cristã escolheu este dia para a celebração do aniversário de Jesus Cristo, eles o fizeram em oposição direta ao festival pagão do solstício de inverno, Saturnalia, e não porque eles acreditavam que Jesus também havia nascido naquela data (assim como Mitra).

Ele morreu, foi enterrado em uma tumba de pedra, e então ressuscitou após três dias: Isto também é simplesmente falso. O estudioso do Mitraísmo, Richard Gordon, diz claramente que “não há a morte de Mitra [21] – O que significa não haver também um enterro de Mitra, e nem ressureição. Alguns escritores amadores citam o escritor da igreja do século IV, Firmico, que diz que os mitraístas guardam luto pela imagem de um Mitras morto, mas isto é tardio demais para ter influenciado o cristianismo (se ocorreu alguma influência, foi no sentido contrário), e após ler o trabalho de Firmico, eu não encontrei nenhuma referência a isso. Mais relevante talvez seja Tertuliano, escritor da igreja do século II, que em sua obra Prescrição Contra os Hereges, diz no capítulo 40: “se minha memória ainda me serve, Mitra […] põe sua marca nas testas de seus soldados, também celebra a oblação do pão, introduz uma imagem da ressurreição, e antes de que a espada engrinaldasse uma coroa…” Portanto, o argumento depende da memória de Tertuliano, e não são os servos de Mitra, mas sim o próprio, que introduz a imagem de uma ressureição (?) – ele mesmo não é ressurreto.

Portanto, o comentário do personagem de Brown é uma avaliação tristemente errônea do que é relatado por estudos mitraístas.

“O Cristianismo guardava o sábado judeu [sabbath], mas Constantino mudou o dia para coincidir com a veneração pagã do dia do sol [sunday – domingo]”. [22]

Isto também é falso. Toda a evidência disponível indica que o Cristianismo já estava guardando o domingo há muito tempo antes de Constantino. Brown talvez esteja confuso porque certas passagens do Novo Testamento, por exemplo, registram Paulo indo à sinagoga no sábado para pregar aos judeus (se alguém quer pregar para os judeus e os gentios tementes a Deus que também o cultuavam, então é lógico procurar por eles justamente onde eles estariam – na sinagoga, no sábado!). Entretanto, é claro que os cristãos guardam o “primeiro dia da semana” (Atos 20:7; 1° Coríntios 16:2, cf. Apocalipse 1:10), e há também ampla evidência bem anterior a Constantino sobre o domingo sendo guardado:

  1. Inácio, bispo de Antioquia (110 D.C.), escreveu: “Se, então, aqueles que andam nas práticas antigas alcançam renovação de esperança, não mais guardando o sábado, mas moldando suas vidas após o dia do Senhor, no qual nossas vidas também surgiram através dele, que nós podemos nos descobrir discípulos de Jesus Cristo, nosso único professor”. Inácio especifica o “dia do Senhor” como aquele em que “nossas vidas surgiram através dele” – O dia da ressurreição, que foi em um domingo.

  1. Justino Mártir (150 D.C.) descreve o domingo como o dia em que os cristãos se reúnem para ler as escrituras e guardar sua assembléia, pois este dia é o primeiro da criação, e também o da ressurreição.

  1. A epístola de Barnabé (120-150) cita Isaías 1:13 e indica que o “oitavo dia” é um novo começo via ressurreição, e é o dia a ser guardado.

  1. A Didaché [ou ensinamento dos doze apóstolos] (70-75) instrui os crentes a: “No dia próprio do Senhor, reúnam-se, partam o pão e agradeçam”.

  1. Outros testemunhos posteriores, de Irineu, Cipriano e Plínio o Jovem, significantemente anteriores a Constantino, testificam que os cristãos adoravam o Senhor no domingo.

Então novamente, o “historiador” de Brown recebe uma nota deprimente em história.

“…[No Concílio de Nicéia] muitos aspectos do cristianismo foram debatidos e votados – a data da páscoa, o papel dos bispos, a administração dos sacramentos, e é claro, a divindade de Jesus […] Até aquele momento na história, Jesus era visto por seus seguidores como um profeta mortal […] um homem grandioso e poderoso, mas mesmo assim um homem. Um mortal”. [23]

Esta é uma meia-verdade. O Concílio de Nicéia realmente considerou visões alternativas de Jesus, não no nível de “mortal” versus “Deus”, mas sim como “eterno” versus “criado”. Houve este debate porque hereges eram contrários à visão já estabelecida de que Jesus era divino. A visão herética, defendida pelo presbítero Arius, acreditava que Jesus não era divino por natureza, mas já tinha sido criado por Deus há muito tempo atrás. Desta forma, nem mesmo os hereges argumentavam sobre Jesus ter sido um mortal ou um apenas um homem grandioso. (Aparte disso, Constantino, a quem Teabing tanto culpa, era simpatizante do arianismo!) [24].

Além disso, o próprio Novo Testamento dá claras evidências de Jesus sendo visto como divino:

  • Através do Novo Testamento, o próprio Jesus e os escritores o descrevem, em termos de “Sabedoria de Deus”, uma expressão judia anterior ao Novo Testamento, considerada como um atributo divino e de Deus personificado.

  • Jesus se identificava como o filho do homem, uma frase associada com a expressão divina em Daniel 7.

  • Paulo em 1° Coríntios 8:4-6 oferece uma versão aprimorada da Shemá judia [uma prece do judaísmo] que inclui Jesus na identidade de Yahweh [Jeová], o Deus dos judeus.

  • Uma variedade de passagens do Novo Testamento afirmam ser absoluta e completa a divindade de Cristo, como em [Notar que as seguintes passagens são referentes à versão King James] João 1:1 (“the Word was God” [A palavra era Deus]), João 5:18 (“calling God his own father, making himself equal with God” [chamando Deus de pai, fazendo-se igual a ele]), João 20:28(“[you are] my Lord and my God” [tu és meu Senhor e meu Deus]), Tito 2:13 (“our great God and Saviour, Jesus Christ” [nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo]), Romanos 9:5 (“God over all, blessed forever” [Deus de todos, abençoado para todo o sempre]), e Colossenses 2:9 (“within him dwells all the fullness of being God in bodily form” [dentro dele habita toda a compleição de ser Deus em forma corpórea]), e outras.

Então, como visto, o capítulo 55 do Código da Vinci, é carregado de erros e representa a “pesquisa” mais pobre que se pode encontrar entre as duas capas do livro. Fazer um historiador falar este tipo de coisa é um insulto à profissão.

Nós pegaremos mais erros semelhantes no Capítulo 58. Assim como antes, Teabing e sua autoridade implícita de historiador são responsáveis pelas seguintes afirmações relevantes:

“[…] Jesus como um homem casado faz muito mais sentido do que nossa visão bíblica comum, de vê-lo como solteiro […] Porque Jesus era judeu […] o decoro social durante aquele tempo virtualmente proibia um homem judeu de não ser casado. De acordo com o costume judeu, o celibato era condenado, e a obrigação de um pai judeu era encontrar uma esposa adequada para o seu filho. Se Jesus não era casado, pelo menos um dos evangelhos da Bíblia mencionaria isso e ofereceria alguma explicação para o seu estado não-natural de solteiro”. [26]

Tudo isso é afim de arrumar uma explicação do suposto porquê de Jesus ter sido casado com Maria Madalena. São informações tiradas do material escrito por Leigh & Baigent (ver abaixo), e não de fontes reputáveis sobre os costumes judeus. E isso é correto? Novamente Teabing seria parado pela polícia da história por um trabalho de tão má qualidade. Primeiro, ele está cometendo a falácia clássica do argumento a partir do silêncio – Não se pode afirmar qualquer coisa que se quer simplesmente porque o texto não o nega. Segundo, os seguintes dados extraídos do website Christian ThinkTank de Glenn Miller derrubam suas especulações no geral [27]:

Seria “normal” [Jesus] ter sido casado, mas isso não era obrigatório naquele tempo (ou em nenhum outro tempo, para falar a verdade).

1. A literatura rabínica [ou talmudista, ou talmúdica] – que é o que as pessoas geralmente usam para argumentar que o celibato era uma ofensa capital (!) – Nota e regulamenta as exceções às regras, que por sua vez não eram obrigatórias:

“Na verdade, o celibato não era comum, e era desaprovado pelos rabinos, cujos ensinamentos diziam que o homem deveria se casar aos 18 anos, e que se ele passasse dos 20 anos sem ter se casado, teria violado um comando divino, o que desagradaria a Deus. O adiamento do casamento era permitido aos estudantes da lei, de forma que pudessem se concentrar nos estudos, livres das preocupações de sustentar e dar atenção a uma esposa. Casos como o de Simeon be’Azzai, que nunca se casou, são evidentemente raros. Ele mesmo disse que um homem que não se casa era igual a um que mata, e isso diminuía a sua semelhança com Deus. Um de seus colegas o acusou de ser melhor na pregação do que como praticante, ao qual ele respondeu: O que eu devo fazer? Minha alma está apaixonada pela lei; a população do mundo pode ser mantida pelos outros […] não é para ser imaginado que pronunciamentos sobre o dever de casar e a idade na qual as pessoas deveriam se casar, na verdade regulava a prática”. [HI:JFCCE:2.119f] [referência do website do autor]

2. O judaísmo no tempo de Jesus certamente foi uma “coisa muito fragmentada”, com os precursores dos ensinamentos dos rabinos sendo somente um grupo dentre muitos, um ponto de vista (na verdade múltiplos!) em um espectro de pontos de vista. Conseqüentemente, havia outros grupos naquele tempo que ou (a) requeriam o celibato, ou (b) o permitiam.

  • Os Essênios (e o pessoal do Qumran, de alguma forma relacionados) foram descritos por Josefo, Philo e Plínio como sendo celibatários, mas os dados são incompletos, e não permitem concluir se eles REQUERIAM ou meramente ENCORAJAVAM o celibato. [OT:FAI:130ff] [referência do website do autor]
  • Philo descreve outro grupo judeu, composto de homens e mulheres – os Therapeutae que eram celibatários, nos seus estudos e busca por sabedoria e uma vida sagrada (De Vita Contemplativa 68f).

3. Mas a “classe dominante” dos indivíduos a quem era “permitido” ou “esperado” que fossem celibatários eram personagens proféticos, durante a história judaica:

  • O profeta Jeremias

  • Banus, o profeta do deserto [wilderness, no texto original]:

“O mais bem conhecido, embora ainda excepcional, teria sido o indubitável celibato de profetas do deserto, como Banus (Josephus Life 2.11) e João Batista”. [DictNTB, s.v. “marriage] [referência do website do autor]

  • João Batista (e possivelmente Elias, seu protótipo)…

  • Mesmo o rabino Galileu Pinhas ben Yair, religioso devoto e operador de milagres do século II, ensinou que a abstinência era essencial para se receber a sabedoria profética do Espírito Santo. [JJ:102] [referência do website do autor]

4. Embora os escritores rabínicos enfatizassem a importância do casamento para a procriação, é importante ressaltar que este ideal profético do celibato ainda apareceu nos escritos rabínicos:

“O judaísmo não via nada de errado em retratar como celibatário o grande profeta primordial, e legislador, Moisés (embora somente depois do Senhor ter começado a falar com ele). Nós vemos esta interpretação já começando a se desenvolver em Philo no século I. O que é mais surpreendentemente é esta idéia também ser refletida em várias passagens dos escritos rabínicos. A essência da tradição é um argumento a fortiori. Se os israelitas no Sinai tinham de se abster temporariamente das mulheres para se prepararem para receber as ordens de Deus, o quão mais Moisés deveria permanecer casto, já que Deus falava regularmente com ele (ver e.g., b. Yabb. 87a). A mesma tradição, mas do ponto de vista da ‘esposa desprovida’, é relatado no Sipre em Números 12.1 (99). Sendo que os rabinos eram contrários – para não dizer hostis – ao celibato religioso, a sobrevivência desta tradição de Moisés mesmo nos escritos rabínicos argumenta a favor de que a tradição tinha vida longa e era comum no tempo dos rabinos […] Nesta visão de tradição “marginal” no judaísmo primitivo, não é surpreendente que o estudioso do judaísmo, Geza Vermes, tivesse alguma dificuldade em ver Jesus como celibatário e explicasse este seu estado incomum como função de seu chamado profético e recebimento do Espírito.” [MJ:1.340f] [referência do website do autor]

Então, embora fosse “normal” e esperado que um homem judeu jovem fosse casado, nós temos exemplos onde o celibato era aceito, encorajado ou requerido. Portanto, Jesus não obrigatoriamente teria de ser casado…

Miller adiciona que é um erro utilizar impropriamente a literatura rabínica (como provavelmente Teabing faz, por conta de Dan Brown), para supor que uma opinião rabínica fosse como uma lei. De acordo com Miller, o historiador E. P. Sanders nota:

“Há também um ponto mais geral relacionado a se chamar uma opinião de lei: Uma vez que alguém começa citando enunciados rabínicos como leis governando a Palestina, pode-se pintar um quadro daquela região no século I, da forma que se quer. Há milhares e milhares de páginas, preenchidas com opiniões.” [JPB:463] [referência do website do autor]

Estas “leis” podem não ser leis, mas também não são “simples descrições de práticas comuns, que alguém finalmente decidiu escrever” para uma proibição proposta precisamente porque tantas pessoas estavam fazendo justamente o contrário. Pode ser algo intencionado aos fariseus, ou pode ser uma expressão de um ideal que nunca foi seguido. Como Miller nota, citando o estudioso judeu Ze’ev Safrai: “De forma geral, o público não obedecia aos rabinos. Dentre os judeus, somente uma minoria seguia os rabinos, obedecia a suas decisões e era influenciado pelos seus sermões e ensinamentos morais […] O estudioso ou leitor que deseja escrever sobre história real deve levar em consideração todos os tipos de possibilidades quando se depara com uma passagem rabínica. A resposta: ‘todos faziam algo porque os rabinos estabeleceram’ raramente é a resposta correta.

Portanto, é falso dizer que “faz infinitamente mais sentido” Jesus ter sido casado. É simplesmente falso afirmar que o “decoro social” (ou qualquer coisa do tipo) “virtualmente proibia um homem judeu de não ser casado”. É falso dizer que o “celibato era condenado”, e o silêncio sobre o assunto nos Evangelhos não dá de forma alguma espaço para se provar isto. (Adiciona-se aqui, finalmente, que Jesus realmente tem uma “noiva” – a igreja! É assim que o corpo de crentes é identificado em Apocalipse, o que claramente aponta para Jesus ter sido solteiro aqui na terra).

Em uma seção seguinte, o “historiador” de Brown repete seu erro sobre terem sido encontrados Evangelhos dentre os pergaminhos do mar morto. Ele também recorre a uma coleção de textos encontrados em um local chamado Nag Hammadi em 1945. Surpreendentemente, Teabing não menciona o mais famoso Evangelho alternativo encontrado nesta coleção, o Evangelho de Tomás [ou Tomé]. O porquê disto é bem claro: O Evangelho de Tomás termina com uma advertência de Jesus, dizendo que as mulheres devem “tornar-se homens” afim de encontrarem a salvação [28]! Nem é preciso dizer que isto não se encaixaria no conto de busca ao divino feminino de Brown! Ao invés disso, ele escolhe a dedo dois outros documentos:

O Evangelho de Filipe. Recomendado por Teabing como um “bom lugar para se começar”, Brown cita uma porção do texto na qual é dito que Jesus freqüentemente “beija” Maria Madalena “na boca” e, portanto, provoca ciúmes em Pedro. Teabing continua apontando que Maria é descrita como a “companheira” de Jesus, e isto supostamente é problemático para a visão dos Evangelhos canônicos [29].

Será que é? Brown faz Teabing dizer pouco sobre o evangelho de Filipe, e por um bom motivo. Os estudiosos têm absolutamente rejeitado este trabalho como fonte de registros históricos autênticos que não sejam derivados dos Evangelhos canônicos. Um distinto Professor de História e Estudos Religiosos da Penn State University, Philip Jenkins, é o nosso “Felipe” que irá desbancar o Felipe de Teabing. Em seu livro Hidden Gospels [Evangelhos Secretos], Jenkins explode o mito sobre o Evangelho de Felipe ser uma fonte confiável e/ou contemporânea da/sobre a vida de Jesus:

  • O Evangelho de Felipe não data de jeito nenhum do século I, os estudiosos o datam do século III, cerca de 200 anos após Jesus ter vivido, e, portanto, não é produto do discípulo Felipe do livro de Atos, a menos que ele tenha vivido pelo menos 310 anos! Isto seria tão distante do nosso tempo como a Revolução Americana, e certamente este é um Evangelho não preferencial em relação aos canônicos, os quais mesmo designados com datas tardias por alguns estudiosos (80-100 D.C.) são muito mais próximos da sua fonte [30]. O documento de Nag Hammadi, por sua vez, não foi escrito antes de 350 D.C. [31].

  • O evangelho de Felipe é um texto gnóstico, e o pensamento gnóstico não teria lugar no Judaísmo Palestino do século I. Um Jesus ensinando gnosticismo neste cenário não teria sido a pessoa influenciando Teabing – ele teria sido ignorado e evitado.

Teabing também recorre brevemente a um segundo documento, chamado “O Evangelho de Maria Madalena” [32]. Afirmando que “historiadores modernos” já investigaram o assunto (e implicando um veredicto positivo). Este Evangelho também mostra Jesus tratando Maria como uma companheira, e apresenta o ciúme de Pedro, após Jesus dar a ela instruções especiais para administrar a igreja após a sua crucificação. Levando à idéia de que Maria Madalena seria o “útero feminino que carregou a linhagem real de Jesus” [33], Teabing comenta:

Jesus foi o feminista original. Ele pretendia que a cultura de sua igreja estivesse nas mãos de Maria Madalena.

Entretanto, este Evangelho não tem um desempenho melhor que o de Felipe sob uma análise crítica. Ele também é um documento gnóstico que não reflete a realidade encontrada entre os judeus palestinos do século I. Jenkins nota que os fragmentos mais antigos datam do século III, e a maioria dos estudiosos não o datam de antes de 180-200 D.C., tão distantes de Jesus como nós estamos da guerra civil norte americana.

O que Brown realmente fez aqui é aceitar de forma não crítica, e como válidas, certas visões periféricas que estudiosos moderados como Jenkins rejeitam. Brown senta-se junto aos que afirmam que a tradição original era a de uma adoração à deusa e proeminência de Maria Madalena, que a igreja primitiva, maligna e dominada pelos homens, apagou. Mas como Jenkins observa, “…O mundo gnóstico deveria ser visto como a primeira de muitas reações populares contra as estruturas institucionais da igreja existente, do tipo que deveria ser comum ao longo da idade média e além dela” [35]. Simplificando, a igreja tinha uma reivindicação melhor, por “ter estado lá antes”. Os documentos da igreja têm a evidência de terem sido compostos primeiro, em termos de evidências de manuscritos, lingüística interna e certificação externa. A evidência de contexto para a sociedade dominada por homens, que é tão depreciada por “ideólogos” como Brown, é mais compatível com a cultura do Judaísmo, na qual o Cristianismo foi formado, enquanto o ideal de “divino feminino” que eles preferem só é encontrado mais tarde em materiais gnósticos.

Assim, nós encontramos (mesmo em Brown) “justificativas” necessárias para explicar o porquê da evidência ser toda a favor da igreja, desta forma, assumindo a “cegueira” de estudiosos em cima do muro como Jenkins: É dito que “A história é escrita pelos vencedores”, e toda a evidência para o Cristianismo com um ideal de feminismo foi destruída. Contudo, isto requer a questão natural, de como e por que, os vitoriosos venceram. Assume-se que a luta não foi honesta, que a Igreja aplicou um golpe baixo. Evidências como o Evangelho de Maria Madalena são admitidas, e “não-evidências” como a falta de cópias deste Evangelho de antes do século III são também admitidas como evidência. Simplesmente não há como deixar a Igreja vencer – não pode haver evidência a favor dela, assim, Brown e seu bando arrumaram o baralho para vencer no jogo. [36]

Em tudo isso é admitido que a Igreja Primitiva fosse patriarcal e dogmática, mas isto simplesmente não é o caso. Como Jenkins observa, o Novo Testamento nota um número de mulheres proeminentes (antes de ser “editado” ou “alterado”, a qualquer extensão conveniente que as teorias da conspiração requeiram). Vários comentadores no programa do horário nobre na televisão sugeriram que Maria, enquanto talvez não fosse esposa de Jesus, foi de alguma forma, próxima a Jesus. Isto é verdade, mas não da forma que Brown ou esses comentadores acham. Mulheres como Maria Madalena, Joana e Suzana “o serviam [Jesus] com os seus bens” (Lucas 8:3). O impacto desta passagem não é apreciado porque nós perdemos a pista do significado contextual: Isto significa que estas mulheres ricas eram patronas de Jesus, e que financiaram o seu ministério – sendo que, naquele tempo, ele teria sido um “cliente” que de alguma forma tinha obrigações para com elas. Posteriormente no Novo Testamento, personagens como Lídia, Júnias, Priscila e Febe são apresentadas proeminentemente. Isto não é para dizer que a Igreja era inteiramente igualitária, mas seria um erro considerá-la como misógina – quando as estruturas de autoridade da Igreja se tornaram menos favoráveis às mulheres, Jenkins adiciona: Foi porque a Igreja começou a seguir os modelos de administração romanos [37].

O uso de Maria Madalena reflete uma tática gnóstica em todos os sentidos. Como Jenkins observa, os gnósticos, precisando derrubar a autoridade papal/apostólica (note que o fato deles terem de fazer isto, pressupõe que em primeiro lugar, a tradição apostólica já tinha a vantagem!), tinham de escolher uma pessoa próxima a Jesus, mas que não fizesse parte do grupo dos apóstolos [38]. Os gnósticos também tinham uma visão de mundo que “demandava a existência de seres espirituais na forma de casais”, então a escolha de uma mulher como duplicata de Jesus era inevitável. Nas palavras de Jenkins, utilizar-se desses textos tardios “representa o triunfo da esperança sobre o julgamento” [39]. Brown não merece nenhuma credibilidade fazendo seus personagens confirmarem esses textos [40].

O Capítulo 60 nos oferece o mais próximo de uma pesquisa bibliográfica que Brown pretende prover. Seu personagem historiador diz que “foram feitos relatos aprofundados sobre a linhagem real de Jesus Cristo, por uma grande quantidade de historiadores”. Este grande número é reduzido a quatro (para nossa conveniência, ou por que não há mais?), mas um olhar mais detalhado sobre esses “historiadores” revela algumas anomalias. As pessoas que escreveram estes textos certamente não são historiadores no sentido acadêmico, isto é, reconhecidamente possuidores de diplomas acadêmicos nestas áreas, ou autores de publicações em periódicos cujos artigos são revisados [peer-reviewed]. E nem seus livros são publicados por editoras acadêmicas. Vamos dar uma olhada nos livros que Brown recomenda:

The Templar Revelation [A Revelação dos Templários], de Picknett & Prince. Eles não são historiadores. Os créditos em seu livro os caracterizam como “escritores, pesquisadores e conferencistas sobre o paranormal, o oculto, e mistérios históricos e religiosos”. Seus outros créditos autorais incluem algumas “obras primas” da história crítica, como The Stargate Conspiracy: The Truth About Extraterrestrial Life and the Mysteries of Ancient Egypt [A Conspiração “Stargate”: A Verdade Sobre a Vida Extraterrestre e os Mistérios do Egito Antigo] e The Mammoth Book of UFOs [O Livro Gigante dos OVNIs]. A Editora da Universidade de Harvard já está praticamente derrubando suas portas.

The Woman with the Alabaster Jar [A Mulher com a Jarra de Alabastro], de Starbird & Sweeney. Impresso por aquela “boa” editora acadêmica, “Bear and Company” [Urso e Companhia], a autora deste livro diz ter Mestrado (mas não diz em que área) e ter estudado na Vanderbilt Divinity School [Escola de Teologia Vanderbilt]. Embora não seja dito se ela terminou o curso, e se algum material de seu livro foi retirado de algum artigo. Starbird é também a autora do terceiro livro que Brown destaca, The Goddess in the Gospels [A Deusa nos Evangelhos][41]. É notado que o livro a seguir foi uma influência primária para ela:

Holy Blood, Holy Grail [O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, disponível em português – Ed. Nova Fronteira], de Baigent e Leigh. Este livro, um bestseller que é uma mina de ouro para o tipo de “teorias” desenvolvidas por Brown, não é inteiramente confirmado por Teabing, que o critica e alfineta de “incerto salto no escuro”, mas o permite dizer que “a sua premissa fundamental é legítima”. É bom saber que algo é, porque as qualificações dos autores não são. O autor principal, Baigent, tem como única credencial, ser graduado em psicologia. Leigh é descrito em um local (um website promovendo suas qualidades como conferencista) como um “escritor e conferencista com um extenso conhecimento de história, filosofia, psicologia e esoterismo” o que parece ser uma forma cheia de rodeios de se dizer que ele não tem nenhuma credencial relevante no assunto.

Nenhum desses “estudiosos” são estudiosos mesmo, e nenhum estudioso do Novo Testamento, seja ele liberal ou conservador, é citado. Uma boa introdução ao Novo Testamento para os leigos está disponível em The Case for Christ [O Argumento a Favor de Cristo] (Zondervan, 1998) e The Case for Faith [O Argumento a Favor da Fé] (Zondervan, 2000), ambos de Lee Strobel.

Acima, nós temos a maior parte do material Bíblico de Brown. Daqui pra frente nós encontramos somente alguns pontos a considerar. No Capítulo 74 afirma-se que a “tradição Judaica antiga envolvia sexo ritualístico” no Templo Judeu, e que YHWH era adorado junto com sua esposa Shekinah. É difícil dizer de onde Brown tirou esta informação. Eu não estou ciente de nenhum estudo que a contenha. Isto não é certificado por nenhum comentarista importante da Bíblia ou arqueologia [42]. No Capítulo 77 Brown oferece um comentário sobre um nome próprio, Sesaque [Sheshach], que ele diz ser “mencionado repetitivamente no livro de Jeremias”. Este nome é uma palavra código para Babilônia. Isso é verdade, mas parece excessivo dizer que algo mencionado duas vezes (Jer. 25:26, Jer. 51:41) é mencionado “repetitivamente”. É adequado, agora no final, levar em consideração alguns comentários do Capítulo 82. O herói de Brown adverte que “toda religião no mundo é fundamentada em fabricação. Esta é a definição de fé: A aceitação de algo que nós imaginamos ser verdade, mas que não podemos provar” [43]. Não é mistério que um estudo contextual da palavra “fé” (pistis) no Novo Testamento e sua literatura contemporânea não gerará esta definição. A palavra é usada como um substantivo para se referir à “fé” Cristã como um conjunto de convicções, mas em muitos outros casos o significado intencionado é no sentido de fidelidade, ou lealdade, como a devida para alguém a quem se está destinado e/ou obrigado a servir. A relação entre o crente e Deus é forjada no Novo Testamento em termos de uma relação antiga entre cliente-benfeitor. Como os “clientes” de Deus, a quem ele tem mostrado uma bondade que nós não merecemos (graça), nossa resposta deveria ser a consciência dos deveres prescritos para aqueles a quem nós devemos prestar contas (Deus) e o grupo ao qual pertencemos (A família de Deus, o corpo de Cristo). Esta consciência é a expressão da nossa lealdade – em outras palavras, isto é a nossa pistis ou fé. “Fé” não é a aceitação do que não podemos provar, mas a confiança em alguém que se provou, nossa obrigação de confiar, e sermos servos confiáveis para com o nosso benfeitor (Deus), que nos tem provido com dádivas tangíveis (Cristo) e provou através disso a sua própria confiabilidade. Fé não é imaginação, mas a forma que nós reagimos à evidência. Os missionários do Novo Testamento não recorriam aos seus sentimentos, mas aos fatos: A ressurreição e a tumba vazia; os milagres de Jesus; e o cumprimento das profecias do Velho Testamento. Em outras palavras, evidência.

Aqueles que aderem à caricatura idealizada de Brown, entretanto, deveriam por razões óbvias preferir o tipo de “fé” mais “nebulosa”. É claro o porquê: Todos os seus documentos são datados de muito tempo depois; toda a sua evidência é “destruída”; todas as suas idéias são descontextualizações grosseiras. Não é surpreendente que o Código da Vinci termine com a abertura da tumba de Maria Madalena, e os supostos segredos continuem não sendo ditos. Se os ideólogos de Brown realmente possuem antigos documentos secretos que podem virar o mundo de cabeça para baixo, por que esses documentos agora não estão nas mãos de paleógrafos, experts em lingüística ou outros estudiosos para serem datados? Os missionários cristãos arriscaram suas vidas para pregar o Evangelho – o que os revisionistas temem?

Brown não é o primeiro a propor que o Cristianismo seja uma grande conspiração por parte do Vaticano e/ou outros para ludibriar o mundo sobre o Jesus verdadeiro, e ele não será o último. O que é surpreendente não é que ele audaciosamente rotule como “FATO” o que já foi totalmente refutado pela evidência. O que surpreende é que nossa cultura seja tão desinformada sobre o Cristianismo, lamentavelmente ignorante sobre a história, e não tenha a mínima idéia sobre a origem, composição, preservação e tradução da Bíblia. Este romance é baseado em uma falsificação tão frágil que se tivesse usado qualquer outro contexto na trama – uma vizinhança de periferia, uma investigação policial, um movimento pró-conservação do meio-ambiente – ninguém seria capaz de suspender a descrença por tempo o bastante para aproveitar a estória. É mais do que surpreendente que milhões de pessoas não tenham virado as costas ao Código da Vinci, é triste. Que os críticos e a mídia sejam tão ingênuos, é trágico.


[1] “Jesus, Mary and DaVinci”, ABC, 3 de Novembro de 2003.

[2] Ver: “Behind Tonight’s ABC Jesus Special”, http://www.worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=35400.

[3] Ver: http://www.albinism.org/publications/what_is_albinism.html.

[4] Os pergaminhos do mar morto foram descobertos em 1947, e qualquer texto introdutório confirmará isso (ver por exemplo: http://www.encyclopedia.com/html/D/DeadS1eaS1.asp ).

[5] Embora esteja além do nosso escopo geral, é útil apontar mais alguns erros rudes de Brown nesta área, e em outras, que já foram notados por comentadores do livro:

  • A teoria de que Leonardo da Vinci incluiu Maria Madalena em seu quadro A Última Ceia não é aceita por historiadores da arte, que dizem que a “figura feminina” sentada à esquerda de Jesus é o Apóstolo João Batista infantilizado, e esta é a forma como ele é normalmente retratado nas obras de arte daquela época. Essa identificação foi explicitamente rejeitada por Carmen Bombach, uma expert em Leonardo entrevistada por Katie Couric no Today Show. O especial da ABC foi capaz de localizar somente um historiador da arte, Carlo Pedretti, que concordou que Leonardo pintou esta figura como uma mulher, aparentemente baseando-se na leve semelhança na figura de uma mulher em outro quadro. Brown dispensa o testemunho de experts em história da arte ao simplesmente afirmar que “nós vemos o que nos foi dito para ver”.

  • Brown relata de forma incorreta que as Olimpíadas antigas eram realizadas em honra a Afrodite. Na verdade elas honravam Zeus.

  • Contrário ao que Brown diz, Os cavaleiros templários não tinham nada a ver com a construção de catedrais.

  • Um assassino no livro é identificado como um monge da organização católica Opus Dei, embora a organização nem tenha monges.

  • É dito que a igreja, em sua história, queimou 5 milhões de mulheres acusadas de bruxaria. O número real de executadas nas “caças às bruxas” européias foi algo em torno de 30000 a 60000; nem todas eram mulheres, nem todas foram queimadas, e nem todas foram executadas pela igreja. [Ver: Bob & Gretchen Passantino, Satanism (Zondervan, 1995), 33-34].

[6] Dan Brown, The DaVinci Code (Doubleday, 2003), 231.

[7] Brown é lamentavelmente ignorante sobre a origem e composição da Bíblia. Existem muitas fontes disponíveis sobre o assunto, tais como Revelation, Inspiration, and Illumination em http://www.answers.org/theology/illumination.html.

[8] Maurice Casey, The Aramaic Sources of Mark’s Gospel (Cambridge University Press, 1999), 94.

[9] Casey, 101.

[10] Casey, 105.

[11] Casey, 106.

[12] Brown, 231.

[13] E. P. Sanders, The Historical Figure of Jesus (Penguin Books), 3.

[14] Brown, 234.

[15] Há vários estudiosos que acreditam na possibilidade de existência de fragmentos de documentos do Novo Testamento dentre os pergaminhos do mar morto. Sem discutir sobre as suas teorias, para o propósito deste artigo eles são irrelevantes, mesmo se genuínos, pois eles estariam meramente reproduzindo porções incompletas do Novo Testamento, sem estabelecer ou promover qualquer idéia ou ensinamento cristão ou pseudo-cristão. Uma introdução a esta tese está disponível em: http://www.geocities.com/Heartland/7547/ntmss.html.

[16] Um bom início para se buscar informações on-line sobre os pergaminhos está em: http://www.biblicalstudies.org.uk/back_dss.html. Para um julgamento mais moderado sobre as controvérsias envolvendo os pergaminhos do mar morto, ver a compilação de Mahlon Smith em http://www.rci.rutgers.edu/~religion/iho/dss.html.

[17] Para se aprofundar neste assunto, ver “Seven Principles for Recognizing Canonical Books” — http://www.answers.org/bible/canonicity.hmtl; J.P. Holding, “Canon Fire” – http://www.tektonics.org/lp/ntcanon.html.

[18] Robert M. Grant, The Formation of the New Testament (Harper and Row, 1965), 10.

[19] Brown, 232.

[20] Ver: J. P. Holding, “Mighty Mithraic Madness”, http://www.tektonics.org/copycat/mithra.html.

[21] Richard Gordon, Image and Value in the Greco-Roman World (Variorum, 1996), 96.

[22] Brown, 232-3.

[23] Brown, 233.

[24] Albert Mohler nota um erro particularmente evidente de Teabing, que afirma que a divindade de Jesus foi decidida em Nicéia por uma “votação relativamente apertada”. Na verdade somente dois dos 300 bispos no concílio não assinaram a confissão de fé afirmando a completa divindade de Cristo e condenando qualquer visão que o considerasse menos que isso! [no link para o artigo original há mais informações sobre o assunto].

[25] Uma explicação completa dos vários títulos atribuídos a Jesus por ele mesmo e pelos autores do Novo Testamento pode ser encontrada em: J. P. Holding, “The Divine Claims of Jesus” — http://www.tektonics.org/jesusclaims/jesusclaimshub.html.

[26] Brown, 245. Este ponto foi reiterado pela feminista Karen King, professora de teologia, no programa de televisão, que afirmou que era “uma prática normal” para um homem judeu daquele tempo ser casado.

[27] Glenn Miller, “Did the Bible Lie About Jesus Not Being Married?, http://www.christian-thinktank.com/singlejesus.html.

[28] Jesus diz sobre Maria na passagem final de Tomás: “Eu mesmo irei orientá-la afim de torná-la homem […] Pois cada mulher que se fizer homem irá entrar no reino dos céus”. Para um exame da confiabilidade do Evangelho de Tomás, ver: “Is the Gospel of Thomas Reliable?” – http://www.answers.org/bible/gospelofthomas.html; J. P. Holding, “Thomas Gospel Tizzy” — http://www.tektonics.org/qt/thomasgospel.html.

[29] Brown, 246. Na entrevista ao Today Show, o estudioso da Bíblia, Roy Heller da Perkins University notou outro erro rude de Brown, quando ele afirmou que Maria Madalena era chamada de “companheira” de Jesus e que esta palavra em aramaico significa “esposa”. Heller notou que o Evangelho de Felipe foi escrito em grego, e não em aramaico. (Olson end Miesel [94] adicionam u estudo detalhado desta palavra grega, que é usada como “parceiros” em uma variedade de relacionamentos, incluindo os não sexuais).

[30] A datação dos evangelhos canônicos é um tema complexo. Para uma introdução aos argumentos, ver: J. P. Holding, “Gospel Dates, Gospel Authors” – http://www.tektonics.org/tekton_02_02_02.html. Há também questões relacionadas aos usos de fontes dos Evangelhos, e de uns dos outros; para uma introdução a essas questões, ver: “The Mysterious Case of the Missing Q”, http://www.answers.org/bible/missing_q.html; J. P. Holding, “Q Tips” — http://www.tektonics.org/qm/qmhub.html/.

[31] Philip Jenkins, Hidden Gospels (Oxford Press, 2002), 69, 117. Em um programa do horário nobre da ABC, Elaine Pagels é citada dizendo que é possível que documentos como estes sejam “muito antigos”, embora não esteja claro se ela quis dizer “do século I” ou “muito antigos, como de 150 D.C., em comparação com a datação do século IV que outros determinam”. Se ela quer dizer a data mais antiga, ela está apenas supondo, não há absolutamente nenhuma evidência para apoiar isso. Se ela quis dizer 150 D.C. ou depois, eles estão enfrentando o desafio formidável que é a comum aceitação, por parte da igreja, dos quatro Evangelhos canônicos.

[32] Brown, 247.

[33] Brown, 248-9.

[34] Jenkins, 139.

[35] Jenkins, 118.

[36] Para uma resposta aos ataques sobre a confiabilidade da Bíblia, ver: “How Far Can We Trust the Bible?http://www.answers.org/apologetics/contradictions.html; “The Testimony of Two or Three Witnesses: We Can Trust the Factuality of the Gospel” – http://www.answers.org/bible/two_witnesses.html; W. R. Miller, “The Truthfulness of the Bible” – http://www.tektonics.org/guest/truthfulness.htm. Existem muitas fontes disponíveis on-line sobre a confiabilidade da Bíblia, de estudiosos extraordinários, dos quais Daniel B. Wallace é um exemplo (ver seus Inspiration, Preservation and New Testament Textual Criticism http://www.bible.org/docs/soapbox/inspiration.htm, The Conspiracy Behind the New Bible Translationshttp://www.bible.org/docs/soapbox/conspire.htm, e Why So Many Versions? http://www.bible.org/docs/soapbox/versions.htm).

[37] Jenkins, 131, 133.

[38] Jenkins, 142.

[39] Jenkins, 146.

[40] Para uma excelente visão geral sobre o tratamento favorável das mulheres na Bíblia, ver a série estendida de Glenn Miller em http://www.christian-thinktank.com/femalex.html. Para um exemplo de como se derrotar as tentativas de se fazer o Cristianismo original de gnóstico, ver J. P. Holding, “Those Naughty Gnostys!” – http://www.tektonics.org/gk/gnostpaul.html.

[41] Starbird participou de um programa no horário nobre, onde ela argumentou que João 20:17, “Não me toque”, implicava uma relação muito próxima entre Maria e Jesus, pois a palavra “toque” significava se apegar a alguém [neste caso, no sentido de se dar as mãos fortemente]. O estudioso evangélico Darrel Bock respondeu que a reação de Maria foi simplesmente de devoção e emoção ordinárias. Bob Passantino comenta: “Jesus ficaria por perto por 40 dias, propiciando múltiplas evidências de sua ressurreição, de forma que Maria não tinha que temer a partida imediata e sem retorno de Jesus. Não havia razão para se segurar pelas mãos alguém que não estava com pressa de partir! O principal propósito das aparições após a ressurreição foram justamente provar que ele ressuscitara no mesmo corpo, agora glorificado, mas que antes havia sido crucificado. Não foi uma ressurreição “espiritual” e efêmera/passageira, incapaz de ser verificada empiricamente (Lucas 24:39)”.

[42] Miesel [Ver mais no link original, na seção de sugestões para aprofundamento do tema] acha que esta afirmação de Brown é surpreendente e adiciona a seguinte crítica específica sobre outra afirmação: “Além disso, [Brown] diz que o tetragrammaton YHWH deriva de ‘Jehovah, uma união física andrógina entre o masculino Jah e o nome pré-hebraico de Eva, Havah. Mas como qualquer estudante iniciante das Escrituras poderia te dizer, Jehovah na verdade é uma transformação, do século 16, da palavra Yahweh usando as vogais de Adonai (“Senhor”). O tetragrammaton na verdade é derivado do verbo em hebraico ‘ser’ e é uma indicação da natureza eterna de Deus, não tem relação com sexos ou mistura de sexos”.

[43] Brown, 341.

Tradução: Maximiliano Araújo.

OBS1: Traduzi este texto há um bom tempo, minha tradução tá meio tosca, mas acho que dá pra entender tranqüilo.

OBS2: As críticas devem ser enviadas ao autor, no site dele.

SÓ PRA CONSTAR…

novembro 18, 2006 às 11:22 am | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

Evidência a favor da abiogênese?
Só pra constar mesmo… Um dia desses vi um ateu num desses fóruns do orkut passando um link com um artigo da revista Science, que segundo ele, constitui evidência favorecendo o modelo ateísta das origens.

O artigo pode ser encontrado aqui:
http://www.evilbible.com/Synthetic_Life.htm

Resumo do resumo:
Os caras inseriram o cDNA do genoma de um vírus em um plasmídio. Depois pegaram isso aí, e tacaram dentro do tubo de ensaio, contendo extrato celular – HeLa cell-free extract. Resultado: Obtiveram novas partículas virais! Como os vírus não são considerados vivos por muitos (inclusive eu, pra mim vírus são entidades), pode se considerar essa produção de partículas virais como um dos passos da evolução pré-biótica, pois de acordo com o ateísmo, a primeira forma de vida era bem simples.

Pode se considerar isso como evidência pra se crer na abiogênese? Não. Simplesmente porque este extrato celular, apesar de não conter células íntegras nem organelas, contém basicamente todos os ingredientes necessários pra se fazer o que os experimentadores se propuseram a fazer: sintetizar RNA e proteínas do capsídeo viral.

A referência para se ver o que é um extrato livre de células HeLa, pode ser encontrada no link a seguir, mas pra falar a verdade, é só ler o início do resumo do artigo:

“We have developed a cell-free system for studying the synthesis of mRNA in mammalian cells. The system consists of a dialyzed and concentrated whole-cell extract derived from HeLa cells, small molecules and cofactors needed for transcription, and exogenously added DNA.”
http://www.pnas.org/cgi/reprint/77/7/3855.pdf

Mesmo que haja diferenças nas composições dos extratos dos dois experimentos, ambos precisam conter os materiais de construção pra se obter o que se pretende, ou seja, longe de ser um caldo primordial, este frasco na verdade é como se fosse uma célula gigantesca.

CONCLUSÃO: A partir da leitura do artigo, podemos perceber que ele mostra que para se reproduzir entidades contendo alto conteúdo informacional, é necessário, além dos blocos de construção, planejamento.

SERÁ QUE DEUS ODEIA AS CRIANCINHAS?

novembro 4, 2006 às 1:52 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

INTRODUÇÃO

 

 

 

Esta é uma crítica/objeção relativamente comum, acerca do que está escrito em 2 Reis 2:23-25. Vejamos o trecho na NTLH e na KJV:

 

  • NTLH: 23 Eliseu saiu de Jericó para ir a Betel. Ele ia andando pela estrada, quando alguns rapazes saíram de uma cidade e começaram a caçoar dele, gritando assim: – Ô seu careca, fora daqui! 24 Eliseu virou para trás, olhou firme para os rapazes e os amaldiçoou em nome de Deus, o Senhor. Então duas ursas saíram do mato e despedaçaram quarenta e dois deles. 25 Dali Eliseu foi até o monte Carmelo e depois voltou para Samaria.
  • KJV: 23 And he went up from thence unto Bethel: and as he was going up by the way, there came forth little children [criancinhas] out of the city, and mocked him, and said unto him, Go up, thou bald head; go up, thou bald head [Sobe seu careca]. 24 And he turned back, and looked on them, and cursed them in the name of the Lord. And there came forth two she bears out of the wood, and tare forty and two children of them. 25 And he went from thence to mount Carmel, and from thence he returned to Samaria.

Nossa! Como Deus é mau, ele mata criancinhas só por causa de uma brincadeirinha inocente! Um Deus desses não pode existir… Então vamos lá.

 

CRIANCINHAS OU RAPAZES?

 

Em primeiro lugar, lendo as traduções, é bem possível que os zombadores não eram criancinhas, mas sim rapazes ou jovens. As palavras em hebraico utilizadas aqui são na`ar (v. 23) [1] e yeled (v. 24) [2] (Observar os significados possíveis nos links para o lexicon).

 

Na’ar parece ser utilizada para se referir à faixa etária de 12 a 30 anos, ou rapazes de até 30 anos que ainda não são casados [3, 4, 5]. Esta mesma palavra também aparece em 1 Reis 20:14-15 para se referir a alguns jovens que comandariam um ataque contra os sírios, e eles possivelmente também não eram crianças [4]:

 

  • 14– Quem vai comandar o ataque? – perguntou Acabe. O profeta respondeu: – O Senhor diz que os jovens ajudantes dos administradores dos distritos é que devem fazer isso. – Quem vai comandar a força principal? – perguntou o rei. – O senhor, ó rei! – respondeu o profeta. 15Então o rei mandou chamar os ajudantes dos administradores dos distritos, que eram duzentos e trinta e dois. Aí o rei convocou o exército israelita, que tinha sete mil homens.

 

SE NÃO ERAM CRIANÇAS…

 

O que esse pessoal todo estava fazendo fora de suas casas? Naqueles tempos, se o indivíduo tivesse fome, não tinha ticket do lulla, eles é que tinham de produzir seu próprio alimento. O requerido aqui, é que cada membro da família fizesse sua contribuição com o intuito de promover a sobrevivência do grupo [6].

 

Sendo assim, o trecho pode ser entendido como uma gangue de marginais ameaçando Eliseu, possivelmente da mesma idade dele [7] tanto que foi preciso haver 42 mortes (quantos mais haveriam no grupo?) para servir de aviso a quem mais ousasse desafiar a autoridade do Senhor [3, 4, 8]. Algumas traduções da Bíblia como a NVI, ainda trazem a palavra meninos, mas como já vimos, é possível que este seja um erro de tradução.

 

MAS MESMO ASSIM, PEGOU PESADO!

 

Acontece que naquele tempo e lugar, o antigo oriente médio – AOM, a calvície era uma condição rara, e associada à vergonha e à desgraça [9], inclusive, sabe-se que os leprosos tinham suas cabeças raspadas [3, 4]. Os judeus tinham grande apreço pelos seus cabelos e até pela barba, em 2 Samuel 10:4-5 temos um exemplo de insulto associado com a barba de soldados:

 

  • 4Então Hanum pegou os mensageiros de Davi, raspou um lado da barba deles, cortou as suas roupas até a altura das nádegas e os mandou embora. 5Quando Davi soube disso, enviou outros mensageiros para se encontrarem com eles porque eles estavam muito envergonhados. Davi mandou lhes dizer que ficassem na cidade de Jericó e que só voltassem quando as suas barbas tivessem crescido de novo.

 

(O escritor grego Aristófanes também utiliza a calvície como motivo de zombaria [9].)

 

E ao contrário, parece que cabelos longos poderiam ser considerados como sinais de força e vigor [9], como exemplo disso, temos Absalão.

 

Estes fatores, óbvio, constituem ofensas contra Eliseu. Não precisamos voltar muito no tempo, basta assistir uma dessas novelas de época para se ver que as ofensas eram levadas muito mais a sério do que hoje em dia, e claro, no AOM, não era diferente. As pessoas daquele tempo zelavam muito pela sua honra e reputação, e os insultos requeriam respostas adequadas (um exemplo na literatura antiga é oferecido por Homero, na Ilíada: Aquiles se recusou a lutar contra os troianos ao sentir que seus compatriotas não estavam lhe mostrando o devido respeito, sendo ele um guerreiro de tanto prestígio) [9]. Quem estaria disposto a ouvir a mensagem de um suposto profeta cujo Deus não veio ao seu auxílio em um momento de perigo e sendo ofendido assim?

 

Então, se o bando ofendeu Eliseu, no que diz respeito ao aspecto teológico, estavam ofendendo o próprio Deus, visto que o profeta é o instrumento que Deus usa pra falar. Pode se entender que a zombaria significava que os jovens estavam ridicularizando a idéia de que se Deus quisesse ele poderia elevar Eliseu aos céus como fez com Elias (“go up, go up”) [3, 4, 8]:

 

  • 2 Reis 2:11 – E assim foram andando e conversando. De repente, um carro de fogo puxado por cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias foi levado para o céu num redemoinho.

 

Mesmo após Deus ter mostrado suas obras (ver 1 Reis 18), é possível que estes indivíduos, talvez influenciados pelos profetas de baal [5], ainda quisessem desafiar a autoridade do Senhor, ofendendo seu profeta [8]. Se Deus permitisse que ofensas como essas passassem impunes, o que aconteceria com a fé do povo? E a mensagem? Que tipos de danos, esta ou outras súcias de malandros poderiam infligir à população religiosa de Betel (que era um centro religioso)? Na verdade, essas 42 mortes acabaram evitando um mal muito maior [3, 4, 8].

 

Detalhe: Este crime já havia sido tipificado na Lei de Moisés, em Levítico 26:21-22:

 

  • 21 – E, se ainda assim vocês teimarem em pecar, em me rejeitar e em desobedecer aos meus mandamentos, eu mandarei um castigo sete vezes pior. 22 Mandarei para o meio de vocês animais selvagens que matarão os seus filhos, acabarão com o seu gado e matarão tanta gente, que não haverá ninguém para andar pelas estradas.

 

PS: Alguns críticos ainda afirmam que não existem ursos naquela região. Isto é um erro proveniente da falta de interesse, pois aquela região é habitada por uma subespécie de urso pardo chamada Ursus arctos syriacus:

 

 

EU AINDA ACHO QUE NA VERDADE ERAM 42 CRIANÇAS.

 

Mesmo que não haja um problema de tradução, ou seja, que as ursas tenham matado 42 crianças, lembremos-nos do seguinte: Essas crianças já tinham maturidade suficiente para caçoar de um profeta, e estavam andando em um bando numeroso, ao invés de estarem auxiliando suas famílias nas tarefas do dia-a-dia [6]. Na prática, excluindo, claro, o pessoal pró direitos humanos dos bandidos, estatuto da criança e do adolescente – ECA, e os que acham que todo mundo é bom e sempre tem de ter uma nova oportunidade, creio que o cidadão comum não é muito fã dos anjinhos da FEBEM, pois sabe muito bem do que eles são capazes.

 

Outra coisa a se pensar é o seguinte: Se eles tivessem fugido, certamente não seria possível que duas ursas matassem 42 pessoas! Sinceramente, isso me leva a crer que a afronta foi tal, que esses indivíduos tiveram a audácia de enfrentar os animais enviados por Deus, na tentativa de derrotar o Senhor, e se deram mal.

 

CONCLUSÃO

 

Infração requer punição. Se este ato tivesse passado impune, muitas pessoas iriam passar a duvidar da autoridade do profeta do Senhor, e do próprio Deus, então no fim das contas, o resultado foi um bem maior, inclusive se considerarmos que após este incidente o povo reconheceu Eliseu como verdadeiro profeta [8]:

 

  • 2 Reis 3:12 – Ele é profeta e diz o que o Senhor manda! – disse o rei Josafá.

 

Outro comentário ainda afirma que [10]:

 

“[E]m vez de demonstrar crueldade desenfreada, o ataque das ursas mostra como Deus tenta repetidamente trazer seu povo de volta por meio de juízos menores evitando que o pecado do povo cresça demais e o juízo precise vir com força total […] A desastrosa queda de Samaria teria sido evitada caso o povo tivesse se arrependido após o ataque das ursas.”

 

REFERÊNCIAS:

 

[1] http://bible.crosswalk.com/Lexicons/Hebrew/heb.cgi?number=05288&version=kjv

[2] http://bible.crosswalk.com/Lexicons/Hebrew/heb.cgi?number=03206&version=kjv

[3] GEISLER, NL & HOWE T. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Mundo Cristão, 1999.

[4] STROBEL, L. Em Defesa da Fé. Vida, 2002.

[5] MORRIS, HM. The New Defender’s Study Bible. World Publishing. 2005.

[6] http://www.tektonics.org/af/callahanproph.html#2kin223

[7] RICHARDS, LO (Editor). The Discovery Study Bible. Zondervan, 2004.

[8] ARCHER, G. New International Encyclopedia of Bible Difficulties. Zondervan, 2001.

[9] KAISER, WC & GARRET, D (Editores). Archaeological Study Bible. Zondervan. 2006.

[10] KAISER, WC, et al., Hard Sayings of the Bible. InterVarsity Press, 1996. Citado em [4].

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