TECIDOS MUSCULARES

novembro 3, 2009 às 10:29 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

TECIDOS MUSCULARES

Maximiliano Mendes – 2011

Características gerais

Tecidos de origem mesodérmica (assim como os conjuntivos) constituídos por células de formato geralmente alongado, por isso chamadas fibras. Também podem ser chamadas miócitos (células musculares).

Essas células têm como característica mais evidente a capacidade de se contrair, por possuírem em seu citoplasma muitas fibras protéicas contráteis, chamadas miofibrilas, principalmente de actina e miosina, estas mais espessas que aquelas. As fibras de actina podem ser deslocadas sobre as de miosina resultando no encurtamento da célula muscular, sendo que para isso ocorrer é necessário energia e íons Ca+2. Normalmente também é necessário que haja o estímulo nervoso, que envia aos miócitos o sinal para que se contraiam (exceto no caso das células do músculo cardíaco).

Funções

Devido ao fato de que suas células têm capacidade contrátil, os tecidos musculares são os responsáveis pelos movimentos e locomoção do organismo (músculo esquelético), movimentos dos órgãos, como o batimento do coração (músculo cardíaco), e o peristaltismo dos órgãos tubulares, envoltos por musculatura lisa.

Tipos:

1. Estriado esquelético:

Constitui a maior parte dos músculos, inclusive o que se chama “carne”, como aquelas do açougue. Esses músculos são chamados esqueléticos por serem associados ao esqueleto, ligados aos ossos pelos tendões e aponeuroses (tecidos conjuntivos). Permitem os movimentos e a locomoção.

Suas células têm formato alongado, geralmente se estendendo de uma ponta à outra do músculo (algumas fibras podem chegar até 30 cm). As células responsáveis pela geração dos miócitos são chamadas mioblastos.

As fibras são ditas estriadas por possuírem faixas (estrias) transversais. Cada fibra estriada esquelética é uma célula multinucleada resultante da fusão de várias outras (um sincício), às vezes podendo ter centenas de núcleos. Devido à isso, podemos considerar que essas fibras não mais se dividem.

Cada fibra esquelética é envolta pelo sarcolema, composto pela membrana plasmática mais uma matriz extracelular chamada endomísio. O sarcolema liga as fibras aos tendões.

As miofibrilas contráteis das fibras esqueléticas são constituídas principalmente por filamentos de actina e miosina orientadas no sentido longitudinal da célula e organizadas em estruturas chamadas sarcômeros. Elas preenchem quase que completamente o citoplasma, chamado sarcoplasma, onde também há várias mitocôndrias, grânulos de glicogênio e abundante retículo endoplasmático liso (chamado retículo sarcoplasmático) especializado em armazenar Ca+2, íon envolvido no processo de contração muscular. Também é importante destacar que a molécula responsável pelo armazenamento de O2 nos músculos é a mioglobina, localizada no citoplasma. Essas moléculas são semelhantes à hemoglobina, mas constituídas por apenas uma unidade, e inclusive é por causa dela que os músculos têm coloração avermelhada. A presença de O2 disponível é necessária tendo em vista o fato de que o processo de contração muscular necessita de bastante energia (especialmente em casos de emergência!)

A membrana plasmática das células pode se invaginar em direção ao interior do citoplasma (chamado sarcoplasma), formando os chamados túbulos T, cuja função primordial parece ser a de transmitir o impulso nervoso proveniente dos neurônios até as membranas dos retículos sarcoplasmáticos, promovendo a liberação de Ca+2 e a subseqüente contração muscular.

Músculos estriados esqueléticos possuem contração dependente de estímulo nervoso e voluntária, ou seja, pode ocorrer de acordo com a vontade do indivíduo (exceto nos casos das respostas reflexas). Além disso, graças ao fato de que suas miofibrilas estão organizadas em sarcômeros, podem se contrair rapidamente.

No que diz respeito à prática de atividade física, essa não induz os miócitos a se dividirem, entretanto, o que tende a aumentar é a quantidade de miofibrilas contráteis no interior do citoplasma das fibras, por isso os músculos crescem (veremos mais sobre o processo de hipertrofia posteriormente). Além disso, também vale destacar que alguns mioblastos permanecem em estado inativo após a diferenciação celular e se chamam células satélites, localizadas nas lâminas basais que envolvem os miócitos. Elas são capazes de se multiplicar e se fundir às fibras musculares já existentes, aumentando seu tamanho, processo que pode ser promovido pela prática de exercícios físicos muito intensos e lesões.

2. Estriado cardíaco:

Presente no coração constituindo o miocárdio, o músculo cardíaco. Assim como as células estriadas esqueléticas, também apresentam estrias transversais, mas são mais curtas, ramificadas e não têm tantos núcleos. Outra diferença é a de que possuem contração involuntária.

Mais uma característica bastante evidente das células musculares cardíacas é o fato de que se comunicam umas com as outras a partir de junções chamadas discos intercalares. Esses discos permitem o trânsito de substâncias entre as células e, graças a isso, a contração rítmica do miocárdio. Como já mencionado, as células do músculo cardíaco não necessitam de estímulo nervoso para se contraírem, pois o próprio coração possui um grupo de células especializadas em gerar os sinais para a contração, que constituem o chamado nó-sinoatrial, o marca-passo cardíaco.

Assim como o músculo esquelético, esse é um tecido que tem baixa capacidade de regeneração, pois podemos considerar que as células do músculo cardíaco também não se multiplicam mais.

3. Liso:

Apresenta miócitos com apenas um núcleo, de contração involuntária e sem faixas ou estrias transversais como os dois tipos mencionados anteriormente. Esse tipo de músculo é chamado liso por não possuir estrias transversais, ou seja, as miofibrilas não são organizadas em sarcômeros. Em decorrência disso, sua contração é lenta. Podemos também destacar que, ao contrário dos outros tipos de músculos, apresentam grande capacidade de regeneração.

De forma geral, é um tecido presente em órgãos tubulares (sistema digestório, vasos sangüíneos, canais deferentes…), nos quais é responsável pelo peristaltismo, e em outros locais, como o útero. A musculatura lisa também é responsável pela constrição das artérias, o que altera o fluxo de sangue em determinados órgãos e em determinadas condições.

A contração muscular (mais especificamente para a musculatura esquelética).

Basicamente, a contração de um músculo é o seu encurtamento e isso se deve ao fato de que as miofibrilas estão organizadas em unidades contráteis chamadas sarcômeros. Nesse arranjo, os filamentos de actina podem ser deslizados sobre os de miosina, fazendo com que os sarcômeros diminuam de tamanho, e em conseqüência, o músculo se contraia, puxando o osso ao qual está ligado por um tendão, assim, permitindo o movimento. Para que a contração ocorra são necessários energia, fornecida pelo ATP, e Ca+2.

INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES

Tipos de fibras musculares estriadas esqueléticas:

Podemos dizer que, de forma simplificada existem dois tipos principais de fibras:

  • Tipo I: são as fibras de contração lenta, também chamadas de fibras vermelhas, por possuírem mais mioglobina. No geral, são células mais adaptadas a gerar energia via respiração aeróbica, e por isso, também apresentam mais mitocôndrias do que o outro tipo, sendo, assim, mais resistentes à fadiga.
  • Tipo II: são as de contração rápida, também chamadas de fibras brancas, por não possuírem tanta mioglobina  e nem tantas mitocôndrias quanto as fibras do tipo I. Assim, geram energia primordialmente via fermentação láctica (processo anaeróbico). Existem três subtipos dessas fibras: as IIa, IIx e IIb, sendo as IIb as que têm a menor quantidade de mitocôndrias e mais dependentes do metabolismo anaeróbico. Os outros dois subtipos, IIa e IIx, são intermediárias entre as fibras do tipo I e as do tipo IIb.

Deve se destacar que, dependendo do tipo de treinamento, um atleta possuirá um número maior de um dos tipos de fibras descritos acima, e ainda, caso haja mudança no tipo de treino, as fibras podem, até certo ponto, se converterem de um tipo em outro.

Efeitos colaterais dos esteróides:

Basicamente, esses esteróides anabolizantes que se utilizam são versões sintéticas da testosterona, que dentre várias funções é capaz de promover o desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, dentre as quais o aumento da massa muscular, da força e, em alguns casos, da agressividade. Mas também voz mais grave, aumento do clitóris, diminuição dos seios, alteração do ciclo menstrual e hirsutismo (aumento na quantidade de pêlos terminais) – características que dificilmente alguma mulher quer ter.

Se por um lado o uso de esteróides é associado a vários efeitos ergogênicos (que melhoram a performance física), como o aumento da força, da resistência, diminuição do percentual de gordura e vários outros. Por outro, o uso também está associado a possibilidade de desenvolvimento de alguns efeitos colaterais nos homens:

  1. Aumento de risco de infarto do miocárdio.
  2. Alterações nas concentrações de lipídios no plasma sanguíneo, aumento da pressão arterial e aumento do risco de trombose.
  3. Danos ao fígado, aumento do risco de desenvolver tumores hepáticos e peliose hepática (cistos cheios de sangue).
  4. Risco de fechamento prematuro das placas epifisárias em adolescentes. (Diminui o crescimento. As epífises são as extremidades dos ossos, que crescem substituindo o tecido cartilaginoso lá presente. Note que nem toda a cartilagem será substituída, visto que deve haver cartilagem articular para proteger as pontas dos ossos.)
  5. Risco de rompimento dos tendões.
  6. Aumento da incidência de acne.
  7. Acelera a calvície masculina em indivíduos geneticamente predispostos.
  8. Ginecomastia (aumento benigno dos seios masculinos). Nesse caso, a correção deve ser feita por cirurgia.
  9. Perda da libido.
  10. Diminuição no tamanho dos testículos e oligospermia (contagem reduzida de espermatozóides por volume de esperma).

É importante notar que, quanto mais jovem se começa a utilizar, ou quanto mais tempo, ou quanto maior for a intensidade do uso, os efeitos poderão ser piores. Além disso, a maioria desses efeitos parece ser reversível caso o uso dos esteróides seja interrompido, porém, há também a perda dos efeitos ergogênicos.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Hoffman, JR & Ratamess, NA. Medical issues associated with anabolic steroid use: are they exaggerated? Journal of Sports Science and Medicine. 5(2). 2006.

Ingalls, CP. Nature vs. nurture: can exercise really alter fiber type composition in human skeletal muscle? Journal of Applied Physiology. 97(5). 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

National Institute on Drug Abuse Research Report Series – Anabolic Steroid Abuse.  National Institutes of Health. 2006. http://www.drugabuse.gov/PDF/RRSteroids.pdf.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

Wang YX, Zhang CL, Yu RT, Cho HK, Nelson MC, et al. Regulation of muscle fiber type and running endurance by PPARd. PLoS Biology. 2(10): e294. 2004.

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