TECIDOS CONJUNTIVOS

outubro 12, 2009 às 2:17 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Deixe um comentário

TECIDOS CONJUNTIVOS

Maximiliano Mendes – 2009

Características gerais:

Tecido caracterizado por possuir diversos tipos de células, pouco justapostas, e matriz extracelular abundante. Características distintas em relação aos tecidos epiteliais. A matriz extracelular pode ser subdividida em dois componentes:

  • Substância fundamental amorfa: constituída de água e diversas macromoléculas (glicosaminas, proteoglicanos, glicoproteínas…).
  • Fibras: estruturas alongadas e de constituição protéica, como as de elastina, colágeno e reticulares (que por sua vez também são constituídas de colágeno).
    • Colágenas: fibras bastante resistentes à tensão. Dentre outras funções, contribuem para a manutenção da firmeza da pele. O colágeno é o tipo de proteína mais abundante do corpo.

    • Elastina: capazes de recuperar sua forma original após serem submetidas a forças de tensão.

    • Reticulares: também são constituídas de colágeno. Ligam o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos. Também são capazes de criar redes em órgãos que podem mudar de forma ou volume, como vasos sangüíneos e o intestino. (Reticulado é aquilo que, como o nome indica, tem aspecto de rede).

Ao contrário dos tecidos epiteliais, que podem ser originados a partir dos três folhetos germinativos, os tecidos conjuntivos têm origem mesodérmica. Apesar disso, existem diversos tipos de tecidos conjuntivos como veremos posteriormente.

Dentre os tipos celulares que podem ser encontrados nesses diversos tecidos conjuntivos, podemos citar os fibroblastos, macrófagos, condrócitos, osteócitos, adipócitos e células do sangue.

Funções:

Dentre as diversas funções estão:

  • Preenchimento de espaços. Por exemplo: entre órgãos e entre tecidos. Daí o nome: conjuntivo ou conectivo.
  • Sustentação: função que pode ser exercida pelos ossos e as cartilagens, como exemplos, as cartilagens do pavilhão auditivo externo, nariz e sistema respiratório (anéis na traquéia).
  • Defesa: pois possui e origina leucócitos, as células responsáveis pela defesa imune.
  • Proteção: os ossos da caixa craniana, caixa torácica e coluna vertebral envolvem e protegem órgãos e estruturas importantes. Ademais, o tecido adiposo presente nas solas dos pés os protegem contra impactos.
  • Nutrição: pois possuem vasos sangüíneos e o próprio sangue é um tipo de tecido conjuntivo. A derme, um tecido conjuntivo propriamente dito é responsável pela nutrição da epiderme, um tecido epitelial, e, portanto, desprovido de vasos sangüíneos. Além disso, podem constituir reserva energética, como no caso do tecido adiposo.
  • Cicatrização, graças à multiplicação dos fibroblastos e sua produção de matriz extracelular, que, de certa forma, ocupam o espaço lesionado.
  • De forma geral, podemos dizer também que, em associação ao tecido muscular, os tecidos conjuntivos estão envolvidos no estabelecimento e manutenção da forma do corpo.

TIPOS:

Os tecidos conjuntivos são caracterizados de acordo com o tipo de célula e a quantidade de matriz extracelular que possuem:

1. Tecido conjuntivo propriamente dito:

Frouxo: É o tipo de tecido conjuntivo mais comum, encontrado por todo o corpo. Possui diversas funções, como preenchimento, apoiar órgãos e epitélios, nutrição e cicatrização de feridas.  Há a presença de fibras elásticas, reticulares e colágenas.

Denso: em comparação com o frouxo, possui muitas fibras colágenas. Pode-se subdividir os tecidos conjuntivos propriamente ditos densos em:

  • Modelado: as fibras de colágeno se apresentam orientadas de forma paralela. É o tipo de tecido que constitui os tendões (unem os músculos aos ossos) e ligamentos (unem os ossos entre si).
  • Não-modelado: as fibras de colágeno não se apresentam orientadas. Um bom exemplo é a porção mais interna da derme (da pele).

Dentre os tipos celulares que podemos destacar, presentes nos tecidos conjuntivos propriamente ditos, estão os fibroblastos e os macrófagos. Os fibroblastos são as células responsáveis pela produção da matriz extracelular com suas fibras e pela cicatrização, ao passo que os macrófagos são células fagocitárias do sistema imunitário.

2. Adiposo: tecido cujas células, os adipócitos, armazenam lipídios, sendo assim, tem as funções de reserva energética, isolante térmico e proteção contra choques mecânicos (como vimos acerca do tecido presente nas solas dos pés).

3. Cartilaginoso: tecido cujas células são os condrócitos. É um tecido firme, que não apresenta vasos sangüíneos, sendo assim, sua nutrição é feita por difusão de nutrientes a partir de outros tecidos adjacentes. Tem as funções de sustentação (nariz, pavilhão auditivo externo e trato respiratório, nesse último caso, graças à presença de anéis cartilaginosos que mantêm as vias respiratórias abertas, para facilitar a passagem do ar) e proteção de superfícies articulares.

4. Ósseo: suas células são os osteócitos. É um tecido rígido, pois sua matriz extracelular apresenta sais de Cálcio, cujas funções principais são a sustentação, movimentação (em associação com os músculos) e proteção de estruturas internas. A figura a seguir ilustra a estrutura de um osso.

É importante destacar que os ossos são rígidos por terem matriz calcificada, porém, também apresentam certa maleabilidade, o que aumenta bastante sua resistência. Essa maleabilidade é conferida pela presença das fibras de colágeno. No link a seguir é sugerido um experimento simples e interessante sobre isso: http://www.casadecurioso.com.br/experimentoDetalhado.php?cod=17 (acesso em 18/10/2011).

5. Reticular ou hemocitopoiético: origina células do sangue, constitui a medula óssea vermelha. Veremos o sangue em separado.

Doenças e aspectos relacionados:

(OBS: infelizmente eu não consegui encontrar muitas fontes confiáveis sobre  estrias e celulite :( Quaisquer correções são bem vindas).

  • Escorbuto: doença causada pela deficiência de vitamina C, cofator enzimático importante para que haja a síntese do colágeno. A falta de colágeno promove a degeneração do tecido conjuntivo, como a derme, hemorragias na gengiva e pode causar a perda de dentes.
  • Estrias: lesões na pele causadas pelo estiramento e rompimento de porções da derme e fibras elásticas. Normalmente ocorrem em associação ao fato de o indivíduo engordar rapidamente e/ou mudanças hormonais, de forma que a multiplicação celular não consegue acompanhar o aumento rápido da área superficial do corpo. As linhas que aparecem na pele são devido ao fato de que suas porções mais internas se tornam mais visíveis deixando-a com listras inicialmente avermelhadas e posteriormente esbranquiçadas.
  • Celulite: condição na qual a pele apresenta o aspecto de vários “furinhos”, semelhante à aparência das cascas das laranjas e tangerinas. Existem fibras protéicas que unem a pele aos músculos, passando pelo tecido adiposo entre os dois (tela subcutânea). Essas fibras têm a função de conferir firmeza à pele. Uma das causas da celulite pode se dever ao acúmulo de lipídios na tela subcutânea, camada de tecido adiposo localizada abaixo da derme, que empurra a pele para cima, exceto nos locais onde as fibras protéicas citadas se ancoram, gerando os tais furinhos.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

http://www.stretchmarks.org/

http://www.diariodaserra.com.br/img-paginas/44872.pdf

http://www.bancodesaude.com.br/book/export/html/196

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