SISTEMA DIGESTÓRIO

agosto 26, 2007 às 1:22 pm | Publicado em Blogroll, Uncategorized | Comentários desativados

SISTEMA DIGESTÓRIO

Inicialmente, vejamos algumas definições essenciais:

Nutrição: Conjunto de processos responsáveis por fazer com que as células do corpo assimilem os nutrientes dos alimentos. Dentre esses processos esta a:

Digestão: Conjunto de processos pelos quais os componentes dos alimentos são transformados em substâncias assimiláveis pelas células (os nutrientes). Basicamente, é a transformação de macromoléculas, que não podem ser absorvidas, em moléculas menores, que podem. A digestão pode ser:

  • Física: Processos cuja função é a trituração do alimento. Ex: Mastigação e ação da moela.
  • Química: Processos que envolvem reações químicas de quebra de macromoléculas catalisadas por enzimas.

Sistema digestório: É constituído basicamente de um tubo digestório e glândulas associadas, cuja função é a ingestão, digestão e absorção dos nutrientes, e a eliminação dos dejetos não aproveitados (as fezes).

Tipos de nutrientes:

  • Energéticos: Fornecem energia às células do organismo. São os glicídios e lipídios.
  • Plásticos: Constituintes estruturais das células. São as proteínas.
  • Vitaminas: substâncias necessárias em pequenas quantidades, que não somos capazes de produzir, e que basicamente funcionam como co-fatores de enzimas.
  • Sais minerais: Nutrientes inorgânicos que fornecem elementos químicos importantes para o funcionamento das células.
  • Água: Importante, pois todas as reações bioquímicas ocorrem em meio aquoso.

  • Nutrientes essenciais: Substâncias que não somos capazes de sintetizar. Ex: Vitaminas.
  • Nutrientes não-essenciais: São os que somos capazes de sintetizar.

Dieta: É a soma dos alimentos consumidos por um organismo, representada pelo total de calorias ingeridas.

  • Dieta protetora: Quantidade mínima de alimentos necessária para manter o organismo vivo. Para um adulto, são necessárias ~1300 kcal/dia (OBS:kcal = Cal).
  • Dieta balanceada: É aquela que contém quantidades adequadas de todos os nutrientes requeridos para o crescimento e atividades saudáveis. Para um adulto, são necessárias ~3000 kcal/dia, distribuídas da seguinte forma:
    • 50-60 % glicídios.
    • 25-35 % gorduras.
    • 15-25 % proteínas.

Vejamos agora quais são as estruturas componentes do sistema digestório humano, suas funções e o que ocorre em cada uma delas:

1) BOCA: É a estrutura responsável pela ingestão e mastigação do alimento, processo auxiliado pelos dentes e pela língua. A fim de facilitar sua movimentação, o bolo alimentar é umedecido por uma secreção, a saliva, produzida e secretada por três pares de glândulas salivares associadas à boca, as parótidas, sublinguais e submandibulares. A saliva contém as enzimas:

  • Ptialina (parece o barulho do cuspe) ou amilase salivar: digere polissacarídios como o amido, em maltose (um dissacarídio: glicose + glicose). Atua em meio neutro, pH em torno de 6,7.
  • Lisosima e lactoferrina: enzimas com função antimicrobiana, não serão discutidas aqui.

OBS: Na língua há papilas gustativas, responsáveis pelo sentido do paladar, a percepção dos sabores (azedo, amargo, doce e salgado. E às vezes o tal umami, sabor do ajinomoto). Gosto é a sensação resultante da interação entre o paladar e o olfato.

O bolo alimentar é engolido (deglutição) com a ajuda da língua, e passa para um canal curto compartilhado pelo sistema digestório e o respiratório, a faringe.

2) FARINGE: Porção do tubo digestório compartilhada com o sistema respiratório. A faringe é contínua com o esôfago, mas também se comunica com a laringe (que faz parte do sistema respiratório). Quando o bolo alimentar é engolido, existe um mecanismo que abaixa uma lâmina localizada na parte posterior da língua, a epiglote, que fecha a laringe e impede que o bolo alimentar caia nela. Às vezes, o mecanismo falha, e então nós engasgamos.

3) ESÔFAGO: Saindo da faringe, o bolo alimentar chega ao esôfago, um tubo com paredes musculares que atravessa o diafragma, e o conduz ao estômago graças a uma série de contrações rítmicas que empurram o alimento, chamadas peristaltismo. Na verdade, o peristaltismo é efetuado em toda a extensão do tubo digestório.

4) ESTÔMAGO: O alimento é empurrado até o estômago, um órgão em forma de bolsa, cujo volume interno pode ser de aproximadamente 1,5 l. Inicialmente, na junção entre o esôfago e o estômago, há o relaxamento de um esfíncter cárdico (esfíncter é uma musculatura circular que regula a abertura de determinado orifício), para que o bolo alimentar possa entrar no estômago e sofrer a ação de enzimas. Dentro do estômago, após começar a sofrer ação enzimática, o bolo alimentar passa a ser chamado de quimo.

A parede do estômago apresenta diversas invaginações, as glândulas estomacais, secretoras de suco gástrico, uma solução ácida contendo enzimas. As células que compõem essas glândulas são:

  • Células produtoras de muco: Secretam um muco, que recobre a parede do órgão, protegendo-o contra a ação do suco gástrico. Em determinados casos, pode ser que a ação protetora do muco falhe, e haja o desenvolvimento de inflamações (gastrite), e lesões (úlceras).
  • Células principais: Secretam uma enzima digestória na forma inativa, o pepsinogênio, que é convertido na forma ativa, a pepsina, graças à ação do HCl.
  • Células parietais: Secretam HCl, cuja função é a conversão do pepsinogênio em pepsina.

As enzimas presentes no suco gástrico são:

  • Pepsina: Digere proteínas formando cadeias grandes de aminoácidos.
  • Renina: Promove a coagulação da caseína, a principal proteína do leite (~80 %), a fim de fazer com que ela permaneça por mais tempo no estômago e sofra ação enzimática digestória por mais tempo. (OBS: Com a idade, a produção de renina diminui, haja vista a diminuição do consumo de leite na dieta. Um bebê toma muito mais leite do que você). Não confundir renina com intolerância à lactose!

Ambas as enzimas atuam em meio ácido, pH ~2.

A comunicação entre o estômago e o intestino é o esfíncter pilórico.

5) INTESTINO DELGADO: De tempos em tempos o quimo do estômago vai sendo enviado ao intestino delgado, um tubo de aproximadamente 7 m, constituído de três porções: duodeno, jejuno e íleo. O intestino delgado é o principal órgão da digestão, pois atua também na absorção dos nutrientes. Logo em sua porção inicial, um duto colédoco traz as secreções de duas glândulas associadas ao tubo digestório:

  • Fígado: É a maior glândula do corpo humano. O fígado está envolvido em diversas funções, dentre as quais pode-se destacar a destruição de eritrócitos, reserva de glicose, conversão de amônia em uréia, metabolização/neutralização de drogas e toxinas, e produção de bile. A bile é uma secreção alcalina constituída de água, sais, pigmentos, e íons bicarbonato, cuja função é atuar na emulsificação de gorduras. Emulsão é uma mistura de duas soluções imiscíveis, o que a bile faz é transformar a solução lipídica em diversas gotículas de gordura, com o intuito de facilitar a ação enzimática. Mas note que: A BILE NÃO CONTÉM ENZIMAS!
  • Pâncreas: Glândula responsável por produzir e secretar o suco pancreático, solução alcalina contendo enzimas diversas, e íons bicarbonato.

Vejamos então como se dá a digestão no intestino delgado:

Inicialmente, há a neutralização da acidez do quimo proveniente do estômago, graças à presença de íons bicarbonato na bile e suco pancreático. O bolo alimentar agora irá sofrer a ação da bile e dos sucos pancreático e entérico passa a ser chamado de quilo:

Bile: Como já visto, atua na emulsificação dos lipídios, a fim de facilitar sua digestão.

Suco pancreático: Solução contendo diversas enzimas e precursores de enzimas:

  • Tripsinogênio: Converte-se na forma ativa, a tripsina, graças à ação de uma enzima do suco entérico, a enterocinase. A tripsina atua digerindo proteínas e polipeptídios, gerando oligopeptídios.
  • Quimotripsinogênio: Convertido na forma ativa, a quimotripsina, graças à ação da tripsina. Atua digerindo proteínas e polipeptídios, gerando oligopeptídios.
  • Amilase pancreática: Atua digerindo polissacarídios como o amido, gerando maltose.
  • Lipase pancreática: Atua sobre os lipídios, gerando ácidos graxos e glicerol.
  • Nucleases pancreátidas: Atuam sobre os ácidos nucléicos, DNA e RNA gerando nucleotídios.

Suco entérico: Solução secretada por várias glândulas da mucosa do intestino delgado, cuja função é finalizar o processo digestório, gerando substâncias que podem ser absorvidas e assimiladas pelas células.

  • Peptidases: Atuam sobre oligopeptídios gerando aminoácidos.
  • Dissacaridases: Atuam sobre oligossacarídios gerando glicose, frutose e galactose.
  • Nucleotidases: Atuam sobre os nucleotídios gerando nucleosídios e fosfatos.

As enzimas que atuam no intestino delgado atuam em meio alcalino, pH ~8,0-8,5.

6) INTESTINO GROSSO: Aproximadamente 9 horas após ter sido ingerido, o bolo alimentar chega até o intestino grosso, porção do tubo digestório responsável pela absorção de água e sais do quilo, formando as fezes. Pode ser dividido nas seguintes regiões: Ceco, cólon (ascendente, transverso e descendente) e reto, terminando no ânus. Quando o quilo já está transformado em fezes e chega até o reto, ocorre um estímulo nervoso que promove o relaxamento do esfíncter anal (esfíncteres consistem de musculatura em forma de anel), facilitando a defecação (eliminação das fezes pelo ânus). O quilo permanece por aproximadamente 3 dias no intestino grosso.

A porção inicial do intestino, o ceco, está envolvida no processo de fermentação em mamíferos herbívoros não ruminantes. Na espécie humana, tem função e tamanhos reduzidos, constituindo-se basicamente em um apêndice, cuja função primordial parece ser a de secretar anticorpos, ou como uma espécie de “refúgio” para alguns microrganismos componentes da microbiota intestinal.

Em alguns casos, como infecções por microrganismos patogênicos, o peristaltismo do intestino grosso é acelerado, havendo a eliminação das fezes sem que tenha havido a absorção da água, a chamada diarréia. De forma geral, a proteção contra microrganismos patogênicos é realizado pela presença de outros, que competem com eles, principalmente bactérias, que vivem de forma simbiótica no intestino grosso, coletivamente chamados de microbiota intestinal (ou flora intestinal). Estes microrganismos produzem algumas vitaminas, gases (:P), e estão envolvidas na fermentação de glicídios, gerando ácidos graxos de cadeia curta prontamente assimiláveis pelas células do organismo. Cerca de 30 % da massa das fezes é constituída desses microrganismos.

Regulação hormonal do funcionamento do sistema digestório:

Alguns estímulos externos, como a visão do alimento, ou o cheiro, promovem a secreção salivar e do suco gástrico, preparando o sistema digestório para receber e processar o alimento. Outros estímulos consistem na presença do alimento em determinada porção do tubo digestório, promovendo a secreção de hormônios com funções estimulantes ou inibitórias:

Estímulo

Hormônio e órgão produtor

Alvo e efeitos principais

Presença de alimentos no estômago.

Gastrina (produzida pelo próprio estômago).

Estimula a secreção de suco gástrico pelas glândulas estomacais.

Acidez do bolo alimentar proveniente do estômago, no intestino delgado.

Secretina (produzida pelo intestino delgado).

Atua no estômago, inibindo a produção de suco gástrico. E também atua no intestino delgado, pâncreas e fígado, promovendo a secreção de suco entérico, pancreático, e produção de bile.

Presença de peptídios e lipídios no intestino delgado.

Colecistocinina – CCK (produzida pelo intestino delgado).

Atua no pâncreas e vesícula biliar, promovendo a secreção de suco pancreático e bile.

Presença de lipídios e glicídios no intestino delgado.

Peptídio inibidor gástrico – GIP (produzido pelo intestino delgado).

Diminui o peristaltismo do estômago, o que faz com que o quilo permaneça mais tempo no intestino e seja melhor digerido.

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