TECIDO NERVOSO E SISTEMA NERVOSO

Novembro 5, 2009 at 10:33 pm | In Uncategorized | Leave a Comment

TECIDO NERVOSO E SISTEMA NERVOSO

 

Maximiliano Mendes – 2009

 

 

Características gerais

 

Tecido constituído por dois tipos celulares principais: os neurônios e as células da glia.

 

1. Neurônios: principais células do sistema nervoso (e tecido nervoso), apesar de constituírem apenas 10 % do total de células. Têm formato alongado e são responsáveis pela transmissão de mensagens na forma de impulsos nervosos (ainda veremos como isso ocorre). Um neurônio típico é constituído de três partes básicas:

 

  • Dendritos: prolongamentos ramificados que funcionam como “antenas” captadoras de sinais, recebendo estímulos ou impulsos nervosos provenientes de outros neurônios ou outras células sensoriais. Estes estímulos geralmente são enviados ao corpo celular.
  • Corpo Celular: parte volumosa, onde se encontram o núcleo e várias organelas citoplasmáticas.
  • Axônio: É um “cabo”, responsável por transmitir os impulsos e estímulos para outro neurônio ou para as células de uma estrutura efetora, como por exemplo, células musculares ou glândulas. O axônio pode ou não ser revestido por uma bainha de mielina, estrutura formada pelo enrolamento de parte de outras células do sistema nervoso, e que funciona como isolante elétrico capaz de impedir que o impulso nervoso se propague para neurônios adjacentes. Além disso, a bainha também é capaz de acelerar grandemente a velocidade de transmissão do impulso nervoso (veremos isso posteriormente). As porções do axônio não recobertas pela bainha de mielina são chamadas nós neurofibrosos.

 

 

Os neurônios se comunicam via sinapses, que podem ser dos tipos:

 

  • Elétricas, consistindo em junções do tipo gap entre duas células vizinhas.
  • Químicas, em que as ramificações terminais de um axônio não tocam os dendritos do outro. Neste caso, o espaço entre os dois neurônios é denominado fenda sináptica, e a comunicação entre os dois é feita através de moléculas liberadas neste espaço, chamadas de neurotransmissores. (No ensino médio praticamente só são vistas as sinapses químicas. Quando se fala em sinapses, provavelmente o texto, vídeo ou professor está se referindo às sinapses químicas!).

 

 

Outro tipo de sinapse é a neuromuscular, que se dá entre um neurônio motor e uma célula muscular:

 

 

2. Células da glia: Além dos neurônios, o tecido nervoso também apresenta outras células, chamadas de células da glia (glia significa cola em grego), 10 vezes mais numerosas que os neurônios, e que apresentam funções auxiliares: Nutrem e protegem os neurônios, além de lhes auxiliarem a estabelecer conexões uns com os outros. Os tipos principais são:

 

  • Astrócitos: possuem prolongamentos ligados aos capilares sangüíneos e outros aos neurônios. Selecionam substâncias nutritivas para os neurônios, dão a eles sustentação física (cola) e estão envolvidos na recuperação de lesões.
  • Microglia: macrófagos especializados responsáveis pela fagocitose de detritos.
  • Oligodendrócitos: células cujos prolongamentos se enrolam em torno dos axônios de neurônios do sistema nervoso central, formando a bainha de mielina deles.
  • Células de Schwann: células que se enrolam em torno dos axônios de neurônios do sistema nervoso periférico, formando a bainha de mielina deles.

 

 

Funções

 

A função principal do sistema nervoso é a integração, coordenação e comunicação entre as partes do corpo e entre o corpo e o ambiente ao receber estímulos sensoriais e elaborar respostas adequadas para estes estímulos. A comunicação pode ser feita devido ao fato de que os neurônios podem transmitir mensagens e informações via impulsos nervosos para outros neurônios e tipos de células (a explicação virá posteriormente). Em resumo, pode-se dizer que este sistema permite ao corpo funcionar harmonicamente.

 

Para simplificar o tema, estudamos o sistema nervoso adotando uma visão computacional. Então, basicamente, podemos dizer que ele funciona processando a informação gerada por estímulos diversos, como a dor e a fome, e elaborando ações em resposta a esses estímulos:

 

  1. Estímulo recebido por alguma estrutura sensorial, que consiste em porções dos neurônios (dendritos).
  2. Envio da informação sensorial para o sistema nervoso central via neurônios sensoriais (que compõem os nervos sensoriais).
  3. Processamento da informação pelo sistema nervoso central: a informação é recebida, interpretada, e ocorre a elaboração de uma resposta.
  4. Execução da resposta: a informação é enviada do sistema nervoso central para um órgão ou estrutura efetora via neurônios/nervos motores. Como exemplos podemos citar a contração da musculatura esquelética ou a secreção de uma glândula.

 

Entre 1 – 4, a comunicação, ou seja, o trânsito de informações/mensagens é executado pelos neurônios na forma de impulsos nervosos. Observe a imagem a seguir, que inclusive mostra como o sistema nervoso é “dividido”, em sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e sistema nervoso periférico (nervos e gânglios). Mais informações sobre essas estruturas serão vistas adiante.

 

 

Os impulsos nervosos

 

O impulso nervoso (também chamado impulso elétrico) é uma onda de despolarização da membrana plasmática de um neurônio causada pela abertura de canais de Sódio e potássio. Vejamos como.

 

Há uma diferença nas concentrações dos íons Na+ e K+ no interior e exterior da membrana, mantida graças à ação da bomba de sódio e potássio, que retira três Na+ do interior da célula e lança dois K+ dentro dela (sendo o balanço de cargas igual a -1). Desta forma, no neurônio em repouso, que não está transmitindo um impulso nervoso, há uma diferença de potencial entre o meio externo e o interno (ou seja, a membrana é polarizada), cujo valor é de -70 mV (o valor negativo indica o potencial em relação ao meio externo).

 

Em resumo, o impulso nervoso é originado quando um estímulo na membrana do dendrito promove a abertura local de canais de Na+, que permitem a entrada desses íons em grande quantidade, despolarizando a membrana naquele local. Isso faz com que a diferença de potencial entre o meio interno e o externo passe a ser de +40 mV (essa diferença é chamada potencial de ação) e essa despolarização local faz com que os canais de Na+ na região adjacente (no sentido da extremidade terminal do axônio!) também se abram, promovendo a despolarização dessa região vizinha e assim uma onda de despolarização vai se propagando pelo neurônio, até chegar à região terminal do axônio, onde a despolarização promoverá a liberação de neurotransmissores na fenda sináptica graças a um mecanismo dependente de Ca+2, acarretando na abertura de canais de Na+ no neurônio vizinho, dando continuidade à propagação do impulso nervoso.

 

 

Depois da despolarização, a membrana é repolarizada, ou seja, o interior celular volta a ser negativo em relação ao exterior, graças à abertura de canais de K+ após a abertura dos canais de Na+, que agora se fecham. Então é a saída dos íons K+ que promove a repolarização da membrana. Por fim, os canais de K+ também se fecham e a diferença nas concentrações interna e externa desses íons é restabelecida graças à atividade da bomba de sódio e potássio.

 

É importante destacar que o impulso nervoso se dá no sentido: Dendritos > Corpo Celular > Axônio.

 

A figura a seguir mostra como se dá a onda de despolarização com uma animação:

 

 

Fonte: http://br.geocities.com/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos

 

Nos neurônios mielinizados o impulso se dá aos “saltos”, em outras palavras, só ocorre despolarização da membrana nas regiões não mielinizadas, os nós neurofibrosos. Em decorrência disso, o impulso nervoso se propaga mais rapidamente.

 

 

Um bom exemplo de como ocorre o funcionamento do sistema nervoso, baseado na transmissão de informações via impulsos nervosos são os movimentos chamados reflexos.

 

Atos e arcos reflexos: reflexos são movimentos rápidos e involuntários, elaborados pela medula espinhal, sem a interferência do encéfalo, geralmente em situações de emergência, com o intuito de resguardar a integridade física do organismo.

 

A figura a seguir mostra o reflexo patelar, no qual ocorre a contração do quadríceps em resposta ao estiramento causado pela martelada no tendão:

 

 

E a figura abaixo ilustra o reflexo de retirada, que ocorre quando tocamos uma superfície quente ou a ponta de um alfinete sem querer:

 

Observe que no reflexo de retirada (lado direito da figura) há um neurônio associativo, ou interneurônio, cuja função é a de conduzir o impulso nervoso para o neurônio motor e para o encéfalo, para que se tome consciência do fato ocorrido.

 

OBS: ato reflexo é o ato em si, o movimento causado pela contração muscular. Arco reflexo seria o caminho percorrido pela informação via impulsos nervosos:

 

Neurônios/nervos sensoriais ou aferentes -> Interneurônios na medula espinhal (SNC, onde se dá o processamento das informações e elaboração de uma resposta) -> Neurônios/nervos motores ou eferentes -> Músculos (estruturas efetoras).

 

No link a seguir há um explicação muito boa sobre a transmissão de impulsos nervosos durante a elaboração de uma resposta reflexa:

 

http://www.cerebromente.org.br/n10/fundamentos/animation.html

 

ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO

 

O sistema nervoso se desenvolve a partir do tubo nervoso dorsal. A porção anterior constitui-se em uma “vesícula cerebral”, que origina outras três vesículas iniciais, e que, por sua vez, durante o desenvolvimento embrionário, originarão o restante das estruturas do encéfalo.

 

Vesícula cerebral:

 

  1. Prosencéfalo
    1. Telencéfalo
  1. i.      Cérebro
  2. i.      Tálamo e hipotálamo
  3. i.      Cerebelo e ponte
  4. i.      Bulbo (medula oblonga)
    1. Diencéfalo
  1. Mesencéfalo
    1. Lobo óptico
  2. Rombencéfalo
    1. Metencéfalo
    1. Mielencéfalo

 

A porção posterior à “vesícula cerebral inicial” originará a medula espinhal.

 

De forma geral, é importante decorar isso? Não! Em contrapartida é importante ter na ponta da língua a organização do sistema nervoso, como esquematizada a seguir:

 

 

O Sistema Nervoso (SN) é anatomicamente dividido em:

 

  1. Sistema Nervoso Central (SNC):

    1. Encéfalo: Cérebro, Tálamo, Hipotálamo, Mesencéfalo, Ponte, Cerebelo e Bulbo raquidiano (ou medula oblonga).
    2. Medula espinhal.

 

  1. Sistema Nervoso Periférico (SNP):

    1. Nervos sensoriais (ou aferentes).
    2. Nervos motores (ou eferentes):
  1. i.      SNP Somático (ou voluntário, SNPS).
  2. ii.      SNP Autônomo (ou involuntário, SNPA):
    1. SNPA Simpático.
    2. SNPA Parassimpático.

 

Vejamos a seguir o que cada elemento faz:

 

  • Sistema Nervoso Central (SNC): Constituído pelo encéfalo e medula espinhal. Tem como funções, o processamento e a integração das informações. É no SNC que chegam as informações sensoriais (trazidas pelo SNP), e é nele que estas informações são processadas, e as respostas são elaboradas.
  • Sistema Nervoso Periférico (SNP): Formado pelos nervos (cranianos e espinhais) e gânglios nervosos. Tem como funções, a condução de informações entre órgãos receptores de estímulos (informações sensoriais), o SNC, e os órgãos efetores das respostas.
    • Nervos: feixes ou conjuntos de neurofibras (axônios ou dendritos).
    • Gânglios nervosos: grupos de corpos celulares de neurônios presentes em nervos sensoriais.

 

Estruturas do Sistema Nervoso Central (SNC):

 

Encéfalo: Parte principal do sistema nervoso, contida no interior da caixa craniana:

 

  • Cérebro: Órgão dividido em dois hemisférios que controlam os lados opostos do corpo. É o centro da memória, inteligência, aprendizado, consciência, linguagem, olfato… Apresenta a porção superficial (córtex) rica em corpos celulares de neurônios (*região chamada de substância cinzenta. Dá-se o nome substância branca, às regiões ricas em axônios). O córtex apresenta a superfície pregueada, formando sulcos. Os sulcos, por sua vez, delimitam regiões chamadas lobos, que coordenam funções específicas, como as sensações, os movimentos, a interpretação de ações e a elaboração de planos de ação.

 

 

 

  • Tálamo: Estação retransmissora de impulsos nervosos provenientes do corpo para serem processadas no cérebro (corpo > cérebro > corpo, tudo passando pelo tálamo).
  • Hipotálamo: Controle da homeostase (estabilidade fisiológica). Ajusta o organismo de acordo com as condições do ambiente.
  • Mesencéfalo: Coordenação do tônus muscular e postura corporal.
  • Ponte: Entre o córtex cerebral e o cerebelo, envolvida na coordenação dos movimentos e equilíbrio do corpo.
  • Cerebelo: Responsável pelo equilíbrio do organismo, pois faz o ajuste fino dos movimentos. Ex: Se você se curva demais para a direita, ao ponto de cair, o que acontece? Você levanta a perna e braço esquerdos pra se equilibrar não é mesmo?
  • Bulbo raquidiano ou medula oblonga: Regula as freqüências cardíaca e respiratória (recebe informações a respeito da concentração de CO2 no sangue), responsável também pelos reflexos de espirro e tosse (visto que controla a contração dos músculos respiratórios), e secreção de saliva.

 

Medula espinhal: Cordão cilíndrico alojado na coluna vertebral, que atua como estação retransmissora graças aos nervos que partem dela: Várias informações sensoriais passam por ela antes de chegar ao encéfalo, e várias respostas elaboradas pelo encéfalo passam por ela, antes de chegarem aos órgãos efetores. Elabora também respostas simples e rápidas com função de defesa (reflexos).

 

Ao contrário do cérebro, na medula espinhal, os corpos celulares dos neurônios (substância cinzenta) estão localizados na porção interna, e as neurofibras (substância branca) localizam-se na porção externa.

 

Meninges: As estruturas do SNC são revestidas por três membranas de tecido conjuntivo, chamadas meninges:

 

  • SNC > Pia-máter > Aracnóide > Dura-máter > Crânio ou vértebras.

 

O espaço entre a pia-máter e a aracnóide e as partes ocas do SNC (lembre-se de que é um tubo nervoso dorsal!) são preenchidas pelo líqüido cérebro-espinhal, ou cefalorraquidiano, com função de absorção de choques e transporte de substâncias.

 

Estruturas do Sistema Nervoso Periférico (SNP):

Como já visto, é constituído pelos nervos e gânglios, que conectam o sistema nervoso central ao ambiente.

 

Classificação dos nervos:

 

  • Aferentes ou sensitivos (raiz dorsal): Conduzem informações para o sistema nervoso central.
  • Eferentes ou motores (raiz ventral): conduzem informações provenientes do sistema nervoso central (as respostas) para as estruturas efetoras.
  • Mistos: Contêm neurofibras de neurônios sensitivos e motores.

 

  • Nervos cranianos (12 pares): Ligados ao encéfalo.
  • Nervos Raquidianos (ou espinhais, 31 pares): Ligados à medula espinhal.

 

SNP Somático ou voluntário: Efetua movimentos voluntários, ou seja, de acordo com a sua vontade. Formado por neurofibras motoras que levam a informação (conduzem o impulso nervoso) do SNC aos músculos estriados esqueléticos.

 

SNP Autônomo, ou involuntário, ou visceral: Efetua movimentos involuntários, ou seja, que independem da sua vontade. Regula a atividade interna do organismo, ao controlar a atividade de outros sistemas (circulatório, digestório…). Controla o automatismo dos órgãos internos. É formado por neurofibras que conduzem as informações do SNC às células musculares lisas, à musculatura estriada cardíaca, e diversas glândulas.

 

  • SNPA Simpático e Parassimpático: O SNP Autônomo é subdividido em dois ramos, o Simpático e o Parassimpático, que apesar de atuarem nos mesmos órgãos, agem de forma antagônica, a fim de ajustar o funcionamento do organismo às diversas situações ambientais. Enquanto um estimula o outro inibe, e vice versa. De forma geral:
    • O simpático (SNPAS) atua no sentido de preparar o organismo para lidar com situações que envolvem gasto energético (caça, fuga…).
    • O parassimpático (SNPAP) atua no sentido de preparar o organismo para lidar com situações de economia de energia (como relaxar).

 

DROGAS PSICOTRÓPICAS: Substâncias capazes de alterar o funcionamento dos neurônios, e induzir o indivíduo à dependência e tolerância:

 

  • Dependência: Necessidade em continuar a utilizar a substância;
  • Tolerância: Necessidade de consumir a droga em maiores quantidades, para se obter o mesmo efeito.

 

Podem ser de três tipos:

 

  • Depressoras do SNC:Diminuem a atividade mental”, o SNC passa a funcionar de forma mais lenta. Exemplos: Álcool e ópio.
  • Estimulantes do SNC:Aumentam a atividade mental”, estimulam a atividade do SNC. Exemplos: Cocaína, Crack e Nicotina.
  • Alucinógenas ou perturbadoras do SNC: Alteram a percepção do indivíduo, perturbam o funcionamento do SNC. Exemplos, LSD e maconha.

 

REFERÊNCIAS

 

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Amabis & Martho. Biologia dos Organismos. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

 

TECIDOS MUSCULARES

Novembro 3, 2009 at 10:29 pm | In Uncategorized | Leave a Comment

TECIDOS MUSCULARES

 

Maximiliano Mendes – 2009

 

 

Características gerais

 

Tecidos de origem mesodérmica (assim como os conjuntivos) constituídos por células de formato geralmente alongado, por isso chamadas fibras. Também podem ser chamadas miócitos (células musculares).

 

Essas células têm como característica mais evidente a capacidade de se contrair, por possuírem em seu citoplasma muitas fibras protéicas contráteis, chamadas miofibrilas, principalmente de actina e miosina, estas mais espessas que aquelas. As fibras de actina podem ser deslocadas sobre as de miosina resultando no encurtamento da célula muscular, sendo que para isso ocorrer é necessário energia e íons Ca+2. Normalmente também é necessário que haja o estímulo nervoso, que envia aos miócitos o sinal para que se contraiam (exceto no caso das células do músculo cardíaco).

 

Funções

 

Devido ao fato de que suas células têm capacidade contrátil, os tecidos musculares são os responsáveis pelos movimentos e locomoção do organismo (músculo esquelético), movimentos dos órgãos, como o batimento do coração (músculo cardíaco), e o peristaltismo dos órgãos tubulares, envoltos por musculatura lisa.

 

Tipos:

 

 

1. Estriado esquelético:

 

 

Constitui a maior parte dos músculos, inclusive o que se chama “carne”, como aquelas do açougue. Esses músculos são chamados esqueléticos por serem associados ao esqueleto, ligados aos ossos pelos tendões e aponeuroses (tecidos conjuntivos). Permitem os movimentos e a locomoção.

 

Suas células têm formato alongado, geralmente se estendendo de uma ponta à outra do músculo (algumas fibras podem chegar até 30 cm). As células responsáveis pela geração dos miócitos são chamadas mioblastos.

 

As fibras são ditas estriadas por possuírem faixas (estrias) transversais. Cada fibra estriada esquelética é uma célula multinucleada resultante da fusão de várias outras (um sincício), às vezes podendo ter centenas de núcleos. Devido à isso, podemos considerar que essas fibras não mais se dividem.

 

Cada fibra esquelética é envolta pelo sarcolema, composto pela membrana plasmática mais uma matriz extracelular chamada endomísio. O sarcolema liga as fibras aos tendões.

 

As miofibrilas contráteis das fibras esqueléticas são constituídas principalmente por filamentos de actina e miosina orientadas no sentido longitudinal da célula e organizadas em estruturas chamadas sarcômeros. Elas preenchem quase que completamente o citoplasma, chamado sarcoplasma, onde também há várias mitocôndrias, grânulos de glicogênio e abundante retículo endoplasmático liso (chamado retículo sarcoplasmático) especializado em armazenar Ca+2, íon envolvido no processo de contração muscular. Também é importante destacar que a molécula responsável pelo armazenamento de O2 nos músculos é a mioglobina, localizada no citoplasma. Essas moléculas são semelhantes à hemoglobina, mas constituídas por apenas uma unidade, e inclusive é por causa dela que os músculos têm coloração avermelhada. A presença de O2 disponível é necessária tendo em vista o fato de que o processo de contração muscular necessita de bastante energia (especialmente em casos de emergência!)

 

A membrana plasmática das células pode se invaginar em direção ao interior do citoplasma (chamado sarcoplasma), formando os chamados túbulos T, cuja função primordial parece ser a de transmitir o impulso nervoso proveniente dos neurônios até as membranas dos retículos sarcoplasmáticos, promovendo a liberação de Ca+2 e a subseqüente contração muscular.

 

Músculos estriados esqueléticos possuem contração dependente de estímulo nervoso e voluntária, ou seja, pode ocorrer de acordo com a vontade do indivíduo (exceto nos casos das respostas reflexas). Além disso, graças ao fato de que suas miofibrilas estão organizadas em sarcômeros, podem se contrair rapidamente.

 

No que diz respeito à prática de atividade física, essa não induz os miócitos a se dividirem, entretanto, o que aumenta é a quantidade de miofibrilas contráteis no interior do citoplasma das fibras, por isso os músculos crescem. Além disso, também vale destacar que alguns mioblastos permanecem em estado inativo após a diferenciação celular e se chamam células satélites, localizadas nas lâminas basais que envolvem os miócitos. Elas são capazes de se multiplicar e se fundir às fibras musculares já existentes, aumentando seu tamanho, processo que pode ser promovido pela prática de exercícios físicos muito intensos e lesões.

 

2. Estriado cardíaco:

 

 

Presente no coração constituindo o miocárdio, o músculo cardíaco. Assim como as células estriadas esqueléticas, também apresentam estrias transversais, mas são mais curtas, ramificadas e não têm tantos núcleos. Outra diferença é a de que possuem contração involuntária.

 

Mais uma característica bastante evidente das células musculares cardíacas é o fato de que se comunicam umas com as outras a partir de junções chamadas discos intercalares. Esses discos permitem o trânsito de substâncias entre as células e, graças a isso, a contração rítmica do miocárdio. Como já mencionado, as células do músculo cardíaco não necessitam de estímulo nervoso para se contraírem, pois o próprio coração possui um grupo de células especializadas em gerar os sinais para a contração, que constituem o chamado nó-sinoatrial, o marca-passo cardíaco.

 

Assim como o músculo esquelético, esse é um tecido que tem baixa capacidade de regeneração, pois podemos considerar que as células do músculo cardíaco também não se multiplicam mais.

 

3. Liso:

 

Apresenta miócitos com apenas um núcleo, de contração involuntária e sem faixas ou estrias transversais como os dois tipos mencionados anteriormente. Esse tipo de músculo é chamado liso por não possuir estrias transversais, ou seja, as miofibrilas não são organizadas em sarcômeros. Em decorrência disso, sua contração é lenta.

 

 

De forma geral, é um tecido presente em órgãos tubulares (sistema digestório, vasos sangüíneos, canais deferentes…), nos quais é responsável pelo peristaltismo, e em outros locais, como o útero. Podemos também destacar que, ao contrário dos outros tipos de músculos, apresentam grande capacidade de regeneração.

 

A contração muscular (mais especificamente para a musculatura esquelética).

 

Basicamente, a contração de um músculo é o seu encurtamento e isso se deve ao fato de que as miofibrilas estão organizadas em unidades contráteis chamadas sarcômeros. Nesse arranjo, os filamentos de actina podem ser deslizados sobre os de miosina, fazendo com que os sarcômeros diminuam de tamanho, e em conseqüência, o músculo se contraia, puxando o osso ao qual está ligado por um tendão, assim, permitindo o movimento. Para que a contração ocorra são necessários energia e Ca+2.

 

 

REFERÊNCIAS

 

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

 

 

O SANGUE

Outubro 13, 2009 at 4:13 pm | In Uncategorized | Leave a Comment

O SANGUE

MAXIMILIANO MENDES – 2009

Características gerais

Podemos considerar o sangue como um tipo de tecido conjuntivo cujas células são produzidas por outro, o reticular ou hemocitopoético (ou ainda hemocitopoiético), localizado nas medulas ósseas vermelhas e em alguns órgãos linfáticos como o baço e o timo. A figura a seguir ilustra uma medula óssea vermelha presente na extremidade de um osso longo.

Talvez a característica que melhor distingue o sangue dos outros tecidos conjuntivos é o fato de possuir uma matriz extracelular abundante, o plasma, também chamado de parte líqüida, que compõe cerca de 55 % do volume, ao passo que o restante, referente às células e partes de células, e por isso chamada de elementos figurados (de figures: conta, números), constitui cerca de 45 % do sangue:

Componentes e funções do sangue

Como se pode perceber observando a figura acima, o sangue possui dois componentes:

  • Plasma: a parte líquida, correspondente à matriz extracelular do tecido, onde as células estão imersas. É uma solução contendo 90 % de água, proteínas e diversas substâncias transportadas pelo sangue, como nutrientes, excretas e gases respiratórios.
  • Elementos figurados: é a parte sólida, constituída de células e plaquetas.
    • Eritrócitos ou hemácias: são as células vermelhas do sangue, cuja função principal é o transporte de oxigênio ligado à hemoglobina, proteína avermelhada (daí a cor do sangue). Em mamíferos, durante o processo de diferenciação, essas células perdem o núcleo, de forma a adquirir um formato bicôncavo e aumentar a área de superfície em relação ao volume, facilitando as trocas gasosas. Normalmente encontram-se na proporção de 4-6×106/mm3 de sangue. Denomina-se anemia a condição na qual o indivíduo têm um número reduzido de eritrócitos e/ou apresenta dificuldades em transportar o O2.
    • Leucócitos: são as células brancas do sangue, com função de defesa imunitária. Normalmente encontram-se na proporção de 5-6×103/mm3 de sangue. Pessoas cujo sistema imunitário não é capaz de combater microrganismos patogênicos adequadamente são ditas imunodeficientes. Isso pode ser devido a defeitos genéticos nas células ou insuficiência de células. Um exemplo é a AIDS, na qual o vírus HIV ataca e destrói os linfócitos T CD4+, comprometendo grandemente a eficiência das respostas imunes.
    • Plaquetas: são fragmentos de células chamadas megacariócitos, e têm como função principal promover a coagulação (solidificação) do sangue (a fim de evitar hemorragias, por exemplo). Normalmente encontram-se na proporção de 2,5-4×105/mm3 de sangue. Pessoas que apresentam o processo de coagulação deficiente são ditas hemofílicas. Essa é uma condição genética e comumente se deve à incapacidade de produzir uma das proteínas envolvidas no processo de coagulação, o chamado fator VIII. Como o gene que codifica o fator VIII está localizado no cromossomo X e os homens só têm um X, a proporção de hemofílicos é muito maior nas pessoas do sexo masculino (menos pior, imagine uma mulher hemofílica menstruando…).

A tabela a seguir apresenta alguns dos elementos figurados e suas funções (modificada a partir de Junqueira & Carneiro, 2004 e 2005):

Célula/Elemento

Principais produtos

Funções principais

Eritrócitos

Hemoglobina, proteína cuja função primordial é o transporte de O2.

Transporte dos gases respiratórios: O2 e CO2.

Neutrófilos

Grânulos específicos e lisossomos.

Fagocitose de bactérias

Eosinófilos

Grânulos específicos e substâncias farmacologicamente ativas.

Defesa contra vermes parasitas e modulação dos processos inflamatórios.

Basófilo

Grânulos específicos contendo histamina e heparina.

Liberação de histamina e outros mediadores dos processos inflamatórios.

Monócito

Grânulos contendo enzimas lisossômicas.

Geração de macrófagos nos tecidos conjuntivos, que por sua vez fagocitam e digerem bactérias, vírus, protozoários e células velhas.

Linfócito B

Anticorpos ou imunoglobulinas.

Diferenciam-se em plasmócitos, as células produtoras de anticorpos.

Linfócito T

Substâncias que matam células e substâncias que controlam a atividade de outros leucócitos (chamadas interleucinas).

Eliminam células infectadas por vírus.

Linfócito NK (Natural Killer)

Ver ao lado.

Elimina células infectadas por vírus e células cancerosas sem necessidade de estímulo prévio.

Plaquetas

Fatores de coagulação sangüínea.

Coagulação do sangue.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

TECIDOS CONJUNTIVOS

Outubro 12, 2009 at 2:17 pm | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

TECIDOS CONJUNTIVOS

Maximiliano Mendes – 2009

Características gerais:

Tecido caracterizado por possuir diversos tipos de células, pouco justapostas, e matriz extracelular abundante. Características distintas em relação aos tecidos epiteliais. A matriz extracelular pode ser subdividida em dois componentes:

  • Substância fundamental amorfa, constituída de água e diversas macromoléculas (glicosaminas, proteoglicanos, glicoproteínas…).
  • Fibras consistindo em estruturas alongadas e de constituição protéica, como as de elastina, colágeno e reticulares (que por sua vez também são constituídas de colágeno).
    • Colágenas: fibras bastante resistentes à tensão. Dentre outras funções, contribuem para a manutenção da firmeza da pele. O colágeno é o tipo de proteína mais abundante do corpo.

    • Elastina: capazes de recuperar sua forma original após serem submetidas a forças de tensão.

    • Reticulares: também são constituídas de colágeno. Ligam o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos. Também são capazes de criar redes em órgãos que podem mudar de forma ou volume, como vasos sangüíneos e o intestino.

Ao contrário dos tecidos epiteliais, que podem ser originados a partir dos três folhetos germinativos, os tecidos conjuntivos têm origem mesodérmica. Apesar disso, existem diversos tipos de tecidos conjuntivos como veremos posteriormente.

Dentre os tipos celulares que podem ser encontrados nesses diversos tecidos conjuntivos, podemos citar os fibroblastos, macrófagos, condrócitos, osteócitos, adipócitos e células do sangue.

Funções:

Dentre as diversas funções estão:

  • Preenchimento de espaços. Por exemplo: entre órgãos e entre tecidos. Daí o nome: conjuntivo ou conectivo.
  • Sustentação: função que pode ser exercida pelas cartilagens (pavilhão auditivo externo, nariz e sistema respiratório) e ossos.
  • Defesa: pois possui e origina leucócitos, as células responsáveis pela defesa imune.
  • Proteção: os ossos da caixa craniana, caixa torácica e coluna vertebral envolvem e protegem órgãos e estruturas importantes. Ademais, o tecido adiposo presente nas solas dos pés os protegem contra impactos.
  • Nutrição: pois possuem vasos sangüíneos e o próprio sangue é um tipo de tecido conjuntivo. A derme, um tecido conjuntivo propriamente dito é responsável pela nutrição da epiderme, um tecido epitelial, e, portanto, desprovido de vasos sangüíneos. Além disso, podem constituir reserva energética, como no caso do tecido adiposo.
  • Cicatrização, graças à multiplicação dos fibroblastos e sua produção de matriz extracelular, que, de certa forma, ocupam o espaço lesionado.

De forma geral, podemos dizer também que, em associação ao tecido muscular, os tecidos conjuntivos estão envolvidos no estabelecimento e manutenção da forma do corpo.

Tipos:

Os tecidos conjuntivos são caracterizados de acordo com o tipo de célula e a quantidade de matriz extracelular que possuem:

1. Tecido conjuntivo propriamente dito:

Frouxo: É o tipo de tecido conjuntivo mais comum, encontrado por todo o corpo. Possui diversas funções, como preenchimento, apoiar órgãos e epitélios, nutrição e cicatrização de feridas.  Há a presença de fibras elásticas, reticulares e colágenas.

Denso: em comparação com o frouxo, possui muitas fibras colágenas. Pode-se subdividir os tecidos conjuntivos propriamente ditos densos em:

  • Modelado: as fibras de colágeno se apresentam orientadas de forma paralela. É o tipo de tecido que constitui os tendões (unem os músculos aos ossos) e ligamentos (unem os ossos entre si).
  • Não-modelado: as fibras de colágeno não se apresentam orientadas. Um bom exemplo é a porção mais interna da derme (da pele).

Dentre os tipos celulares que podemos destacar, presentes nos tecidos conjuntivos propriamente ditos, estão os fibroblastos e os macrófagos. Os fibroblastos são as células responsáveis pela produção da matriz extracelular com suas fibras e pela cicatrização, ao passo que os macrófagos são células fagocitárias do sistema imunitário.

2. Adiposo: tecido cujas células, os adipócitos armazenam lipídios, sendo assim, tem as funções de reserva energética, isolante térmico e proteção contra choques mecânicos (como vimos acerca do tecido presente nas solas dos pés).

3. Cartilaginoso: tecido cujas células são os condrócitos. É um tecido firme, que não apresenta vasos sangüíneos, sendo assim, sua nutrição é feita por difusão de nutrientes a partir de outros tecidos adjacentes. Tem as funções de sustentação (nariz, pavilhão auditivo externo e trato respiratório, nesse último caso, graças à presença de anéis cartilaginosos que mantêm as vias respiratórias abertas, para facilitar a passagem do ar) e proteção de superfícies articulares.

4. Ósseo: suas células são os osteócitos. É um tecido rígido, pois sua matriz extracelular apresenta sais de Cálcio, cujas funções principais são a sustentação, movimentação (em associação com os músculos) e proteção de estruturas internas. A figura a seguir ilustra a estrutura de um osso.

5. Reticular ou hemocitopoiético: origina células do sangue, constitui a medula óssea vermelha. Veremos o sangue em separado.

Doenças e aspectos relacionados:

(OBS: infelizmente eu não consegui encontrar muitas fontes confiáveis sobre  estrias e celulite :( Quaisquer correções são bem vindas).

  • Escorbuto: doença causada pela deficiência de vitamina C, cofator enzimático importante para que haja a síntese do colágeno. A falta de colágeno promove a degeneração do tecido conjuntivo, como a derme, hemorragias na gengiva e pode causar a perda de dentes.
  • Estrias: lesões na pele causadas pelo estiramento e rompimento de porções da derme e fibras elásticas. Normalmente ocorrem em associação ao fato de o indivíduo engordar rapidamente e/ou mudanças hormonais, de forma que a multiplicação celular não consegue acompanhar o aumento rápido da área superficial do corpo. As linhas que aparecem na pele são devido ao fato de que suas porções mais internas se tornam mais visíveis deixando-a com listras inicialmente avermelhadas e posteriormente esbranquiçadas.
  • Celulite: condição na qual a pele apresenta o aspecto de vários “furinhos”, semelhante à aparência das cascas das laranjas e tangerinas. Existem fibras protéicas que unem a pele aos músculos, passando pelo tecido adiposo entre os dois (tela subcutânea). Essas fibras têm a função de conferir firmeza à pele. Uma das causas da celulite pode se dever ao acúmulo de lipídios na tela subcutânea, camada de tecido adiposo localizada abaixo da derme, que empurra a pele para cima, exceto nos locais onde as fibras protéicas citadas se ancoram, daí gerando os tais furinhos.

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Junqueira & Carneiro. Basic Histology. 11th Ed. McGraw-Hill. 2005.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

http://www.stretchmarks.org/

http://www.diariodaserra.com.br/img-paginas/44872.pdf

http://www.bancodesaude.com.br/book/export/html/196

TECIDOS EPITELIAIS

Outubro 5, 2009 at 9:39 pm | In Uncategorized | Leave a Comment

RESUMO DE HISTOLOGIA

Maximiliano Mendes – 2009

Histologia: disciplina que estuda os tecidos dos organismos multicelulares. É uma disciplina importante, pois, por exemplo, é bastante útil saber como é o aspecto de um tecido sadio e o de um tecido afligido por algum tipo de doença, com fins de diagnóstico. Outro exemplo é o campo da engenharia de tecidos, no qual se busca desenvolver tecidos de forma artificial.

Tecidos: conjunto de células em geral semelhantes na forma e função. Constituem os órgãos.

Nesse resumo veremos apenas os tecidos dos animais, mais especificamente da espécie humana, originados a partir dos folhetos germinativos (endoderma, ectoderma e mesoderma), os tecidos embrionários que dão origem aos tecidos adultos:

Tecido

Aspecto das Células

Matriz Extracelular

Principais Funções

Nervoso

Longos prolongamentos

Nenhuma

Transmissão de impulsos nervosos

Epitelial

Células justapostas

Pouca

Revestimento da superfície ou de cavidades do corpo, secreção.

Muscular

Células alongadas e contráteis

Quantidade moderada

Movimento

Conjuntivo

Vários tipos de células fixas e migratórias

Abundante

Apoio e proteção (imunitária).

Modificada a partir de Junqueira & Carneiro (2004).

TECIDOS EPITELIAIS

Funções:

  • Revestir superfícies corporais, como a epiderme, que recobre a pele.
  • Absorção, como o epitélio de revestimento interno do aparelho digestório.
  • Secreção, como as glândulas (sudoríparas, sebáceas e etc).
  • Proteção. A epiderme funciona como uma barreira que impede a entrada de microrganismos patogênicos no organismo.
  • Movimentação de partículas, como os epitélios ciliados do aparelho respiratório, que elimina partículas de sujeira e o epitélio ciliado das tubas uterinas, que movimenta o ovócito II\zigoto\embrião no sentido do útero.

De forma geral, os epitélios possuem células firmemente unidas umas às outras e pouca substância intercelular (entre as células ou extracelular), a chamada matriz extracelular, produzida pelas próprias células do tecido e que consiste em uma rede de macromoléculas (como proteínas e polissacarídios). Também é importante destacar que logo abaixo de um epitélio, normalmente há uma camada de fibras de proteínas, a lâmina basal (integrante da matriz extracelular), e abaixo desta, um tecido conjuntivo.

Tipos:

  • Epitélios de revestimento: revestem superfícies e podem exercer outras funções.
  • Epitélios glandulares: são originados a partir dos epitélios de revestimento e secretam substâncias.

A maior parte do que será visto nesse resumo se refere aos epitélios de revestimento, que podem ser classificados da seguinte forma:

Quanto à forma das células:

  • Pavimentoso: células achatadas.
  • Cúbico: células com formato de cubo.
  • Prismático: células alongadas com formato semelhante ao de um prisma.

Quanto ao número de camadas celulares:

  • Simples ou uniestratificados: possuem apenas um estrato ou camada celular.
  • Estratificados: possuem várias camadas celulares.
  • Pseudo-estratificados: possuem apenas uma camada de células, mas os núcleos dessas células podem ser encontrados em diferentes alturas, dando a falsa impressão de que se trata de um epitélio estratificado.

Exemplos de tecidos epiteliais:

  • Simples pavimentoso: uma camada de células pavimentosas. Ocorrem em locais que não necessitam de proteção mecânica (estão submetidos a pouco atrito) e onde há troca de substâncias (capilares sangüíneos e alvéolos pulmonares).
  • Simples cúbico: uma camada de células cúbicas, com invaginações da membrana plasmática na face superior, cuja função é aumentar a área superficial destinada à absorção de substâncias. Ocorre nos túbulos renais, onde há absorção de substâncias úteis presentes na urina (sais, glicose, água e etc.).
  • Simples prismático (ou colunar): uma camada de células prismáticas. Reveste o interior dos órgãos do aparelho digestório, onde há células secretoras de muco e células responsáveis pela absorção de nutrientes. No intestino delgado as células apresentam microvilosidades, prolongamentos da membrana plasmática cujo objetivo é aumentar a área de absorção.
  • Pseudo-estratificado colunar: uma única camada de células com núcleos em alturas diferentes. Presente no aparelho respiratório, no qual algumas de suas células produzem muco, onde se aderem partículas de sujeira, e células ciliadas, cuja função é, graças ao movimento ciliar, transportar as partículas para fora do aparelho respiratório.
  • Epitélio estratificado pavimentoso: formado por várias camadas de células, sendo as mais superficiais achatadas. Ocorre em superfícies sujeitas ao atrito, como a pele e mucosas oral e vaginal. Nesse tipo de epitélio há uma camada inferior, de células que se multiplicam bastante, e uma camada superior de células com baixa capacidade de multiplicação. Na epiderme, esta é chamada camada córnea, constituída de células mortas e impregnadas de queratina, proteína que tem como função principal impedir a perda de água.

Epitélios glandulares

As glândulas são formadas a partir dos epitélios de revestimento, como ilustrado a seguir:

Epitélios glandulares são aqueles responsáveis por constituir as glândulas, estruturas cuja função principal é a de produzir e eliminar uma mistura de substâncias característica de cada glândula, chamada secreção.

As glândulas podem ser classificadas em três tipos:

  • Exócrinas: caso haja um duto que comunica a glândula com o epitélio que a originou. Graças à presença do duto, as secreções são lançadas na superfície desse epitélio. Ex: sudoríparas, salivares, lacrimais, sebáceas e etc.
  • Endócrinas: não apresentam um duto que as comunicam aos epitélios que as produziu, sendo assim, suas secreções são lançadas em vasos sangüíneos associados. Ex: tireóide, adrenais, hipófise e etc.
  • Mistas ou anfícrinas: apresentam uma porção exócrina e uma porção endócrina. Ex: pâncreas, cuja porção exócrina produz uma secreção contendo enzimas digestórias, o suco pancreático, e cuja porção endócrina produz os hormônios insulina e glucagon.

Especializações das membranas das células epiteliais:

Utilizarei como exemplo uma célula prismática do epitélio simples prismático do intestino delgado:

  • Microvilosidades: proeminências da membrana celular cuja função é aumentar a área superficial da célula (aumentar a área da superfície de absorção). Outra especialização que também se destina a aumentar a área superficial de absorção são as invaginações da membrana, encontradas em células dos túbulos renais.
  • Zônula de oclusão: junção situada nas porções superiores das células cuja função é a de unir firmemente células vizinhas de forma que os nutrientes não venham a se difundir por entre as células, mas sim sejam absorvidos por elas (a fim de permitir um melhor controle daquilo que é absorvido, e também a modificação dos nutrientes).
  • Zônula de adesão: cinturão localizado logo abaixo da zônula de oclusão. Tem a função de aderir uma célula à outra firmemente e é constituído de filamentos protéicos como actina e miosina.
  • Junção comunicante: são canais protéicos (conexinas) que comunicam o citoplasma de duas células adjacentes.
  • Desmossomos: estruturas que consistem em dois discos ou botões protéicos, um em cada célula, com a função de unir duas células vizinhas. Entre uma célula e a lâmina basal, há os chamados hemidesmossomos, consistindo de apenas um disco do qual partem filamentos protéicos que se associam às proteínas da lâmina basal.

*A pele

A pele não é um epitélio, é um órgão que possui um epitélio (epiderme), mas também possui um tecido conjuntivo logo abaixo (a derme). No que diz respeito à sua estrutura, ela possui:

Retirada de: http://belezaonline.com/

  • Epiderme: o epitélio é a camada superficial da pele, constitui uma barreira que impede a entrada de microrganismos. Possui uma camada mais interna de células que se multiplicam bastante (germinativa ou basal) e sua camada mais externa apresenta células mortas e queratinizadas (córnea). A epiderme produz glândulas, como as sudoríparas e a sebáceas. É na epiderme que se encontram os melanócitos, células especializadas na produção de melanina, pigmento que protege contra a radiação UV (veja a figura adiante). Um detalhe importante acerca dessas células é o de que, independente da cor da pele, o número de melanócitos tende a ser igual na espécie humana, sendo as tonalidades de pele definidas pela quantidade de melanina produzida. As unhas são anexos consistindo de restos de células mortas e queratina, cuja função principal é a de proteger as pontas dos dedos e facilitar o manuseio de objetos.
  • Derme: tecido conjuntivo denso e não-modelado que garante suporte e nutrição à epiderme e onde se localizam receptores sensoriais diversos, folículos pilosos (originados pela epiderme) e vasos sangüíneos. Os pêlos são anexos da pele que consistem de queratina e células epidérmicas mortas, têm a função de atuarem como isolantes térmicos, dentre outras. Originam-se dos folículos pilosos, que por sua vez se desenvolvem a partir da invaginação de células epidérmicas.
  • Abaixo da derme há a chamada tela subcutânea, um tecido adiposo (conjuntivo) que atua como isolante térmico e reserva de energia. *Não faz parte da pele!

Melanócito. Os pontos pretos representam grânulos de melanina.

As principais funções da pele são:

  • Proteção: como barreira mecânica e devido ao fato de que as secreções das glândulas sebáceas e sudoríparas contêm substâncias capazes de eliminar microrganismos.
  • Regulação da temperatura corporal: quando a temperatura corporal sobe, os vasos sangüíneos da derme se dilatam de forma a irradiar mais calor para o meio. (Quando a temperatura esfria os vasos se contraem de forma a minimizar esse processo).
  • Função sensorial: devido à presença dos diversos receptores sensoriais.

No que diz respeito aos cuidados que devemos ter com a pele, devemos buscar mantê-la:

  • Limpa, de forma a evitar a proliferação de microrganismos.
  • Hidratada, para evitar que o ressecamento provoque rachaduras por onde os microrganismos patogênicos podem penetrar.
  • Evitar a exposição excessiva ao sol, para que a radiação UV não venha a queimar a pele e promover o surgimento de tumores. Todavia também é bom lembrar que a exposição moderada ao sol nos períodos do dia nos quais ele está mais distante no horizonte (início da manhã e final da tarde) é importante para que haja a produção da vitamina D, fundamental para que haja a absorção do íon cálcio!

No link a seguir há um vídeo curto resumindo algumas informações sobre a pele:

http://www.youtube.com/watch?v=j8roh7wr6As

REFERÊNCIAS

Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.

Junqueira & Carneiro. Histologia Básica. 10ª Ed. Guanabara Koogan. 2004.

Sônia Lopes. Bio: Volume Único. 2004.

VÍDEOS SOBRE FOTOSSÍNTESE

Junho 30, 2009 at 1:34 pm | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

Vídeos sobre o processo de fotossíntese:

1. Introdução:

2. Fase clara:

3. Fase escura:

VÍDEOS SOBRE O PROCESSO DE RESPIRAÇÃO CELULAR

Junho 30, 2009 at 1:30 pm | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

Vídeos sobre o processo de respiração celular:

1. Glicólise:

2. Ciclo de Krebs:

3. Cadeia de transporte de elétrons e fosforilação oxidativa:

VÍDEO SOBRE A TRADUÇÃO, A SÍNTESE DE PROTEÍNAS

Junho 11, 2009 at 3:25 pm | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

Vídeo sobre o processo de tradução, a síntese de proteínas:

VÍDEO SOBRE A TRANSCRIÇÃO

Junho 10, 2009 at 10:56 pm | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

Vídeo sobre o processo de transcrição, a síntese do RNA:

VÍDEO SOBRE A REPLICAÇÃO DO DNA

Junho 9, 2009 at 9:35 am | In Blogroll, Uncategorized | Leave a Comment

Vídeo sobre a replicação do DNA:

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