Jesus: A Sabedoria de Deus
Março 22, 2008 at 6:10 pm | In Blogroll, Uncategorized | No CommentsJesus: A Sabedoria de Deus
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Por: James Patrick Holding - http://www.tektonics.org
O artigo original pode ser encontrado aqui: http://www.tektonics.org/jesusclaims/trinitydefense.html
AVISO IMPORTANTE:
De acordo com o autor do artigo: Apesar de os apócrifos não serem inspirados, eles fazem parte do contexto informacional do Novo Testamento, e podem, algumas vezes, ser úteis no entendimento dele, assim como outros trabalhos, como os de Josefo, historiador Judeu.
Note que, quando se faz alusão a algo que também está presente em um apócrifo, isso não significa que Jesus ou os outros autores do Novo Testamento estão citando os apócrifos como sendo escrituras inspiradas. Para saber mais sobre os apócrifos, ver:
http://crentinho.wordpress.com/2007/04/13/icar-os-apocrifos/
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A fim de apoiar a visão Cristã tradicional da relação de Jesus com o Pai, devemos entender o contexto para certas afirmações sobre a natureza e identidade de Jesus no Novo Testamento. Nosso argumento geral pode ser delineado da seguinte forma:
Jesus, como a Palavra e Sabedoria de Deus, foi e é um atributo eterno do Deus Pai. Da mesma forma que as nossas palavras e pensamentos vêm até nós e não podem ser separadas de nós, Jesus não pode ser completamente separado do Pai. Mas há mais a explicar, em relação à distinção entre subordinação funcional e igualdade ontológica. Falamos de Cristo como a “Palavra” de Deus, A “fala” de Deus em forma viva. No pensamento dos antigos Hebreus e do Antigo Oriente Médio - AOM, as palavras não eram meros sons ou letras em uma página; as palavras eram entidades que “tinham uma existência independente e que, na verdade, faziam coisas”. Por todo o Velho Testamento e na literatura intertestamental Judaica da Sabedoria, enfatiza-se o poder da palavra falada por Deus (Salmos 33:6 e 107:20; Isaías 55:11; Jeremias 23:29; 2 Esdras 6:38; Sabedoria 9:1. “O Judaísmo entendia a Palavra de Deus, depois de pronunciada, como quase tendo poderes e substância autônomos; Como sendo, na verdade, ‘uma realidade concreta, uma causa real”. [Richard N. Longenecker, The Christology of Early Jewish Christianity. p. 145.]. Porém uma palavra não precisava ser pronunciada ou escrita para ser viva. Uma palavra era definida como “uma unidade articulada de pensamento, capaz de expressão inteligível” [C.H. Dodd, Interpretation of the Fourth Gospel. p. 263] (Portanto, não se pode argumentar que Cristo passou a existir como a Palavra somente “após” ser “pronunciado” por Deus. Alguns dos apologistas da Igreja do Século II seguiram uma linha de pensamento semelhante, supondo que Cristo, a Palavra, seria um potencial não realizado dentro da mente do Pai antes da Criação). Isto está de acordo com a identidade de Cristo como a Palavra viva de Deus, e aponta para sua subordinação funcional (assim como as nossas palavras e discursos são subordinados a nós) e sua igualdade ontológica com o Pai (assim como as nossas palavras representam nossa autoridade e nossa natureza essencial). Uma subordinação em papéis é aceitável dentro dos parâmetros Bíblicos e dos credos, mas uma subordinação em posição ou essência (o aspecto “ontológico”) é uma visão herética chamada subordinacionismo.
Contexto: O contexto da Cristologia da Sabedoria é encontrado no conceito de hipóstase. E o que é hipóstase? De um modo geral, é uma quase-personificação dos atributos apropriados de uma divindade, ocupando uma posição intermediária entre as personalidades e os seres abstratos. Aqui estão alguns exemplos do AOM:
- Hu e Sia, na Tradição Egípcia, a palavra criativa e o entendimento de Re-Atum.
- Ma’at, também egípcio, uma personificação da ordem correta na natureza e na sociedade, uma criação de Re.
- Mesaru e Kettu, ou Retidão e Justiça, hipóstases Acadianas concebidas como qualidades do deus-sol, ou como presentes concedidos por ele, ou algumas vezes como seres pessoais ou divindades independentes.
- A palavra divina, que procede através da natureza do fôlego e do vento, na literatura suméria e acadiana.
Sabedoria em Provérbios 8, em Siraque [Eclesiástico] e Sabedoria de Salomão, e no Logos de Philo: Todos se encaixam como uma luva nesses exemplos. Vejamos algumas citações, começando com Provérbios 8:
Provérbios 8:22-31 - O Senhor Deus me criou antes de tudo, antes das suas obras mais antigas. Eu fui formada há muito tempo, no começo, antes do princípio do mundo. Nasci antes dos oceanos quando ainda não havia fontes de água. Nasci antes das montanhas, antes de os morros serem colocados nos seus lugares, antes de Deus ter feito a terra e os seus campos ou mesmo o primeiro punhado de terra. Eu estava lá quando ele colocou o céu no seu lugar e estendeu o horizonte sobre o oceano.
Estava lá quando ele pôs as nuvens no céu e abriu as fontes do mar, e quando ordenou às águas que não subissem além do que ele havia permitido. Eu estava lá quando ele colocou os alicerces da Terra. Estava ao seu lado como arquiteto e era a sua fonte diária de alegria, sempre feliz na sua presença - feliz com o mundo e contente com a raça humana.
Esta é uma das várias passagens do Velho Testamento (ver Salmos 58:10, 107:42 e Jó 11:14) nas quais as qualidades abstratas são personificadas seguindo uma tradição de personificação do AOM [Dered Kidner, The Wisdom of Proverbs, Job and Ecclesiastes. p. 44.]. Aqui e em outras partes do livro de Provérbios, a Sabedoria “faz reivindicações para si, que em outros locais são feitas apenas por Deus, ou para Deus”. O verbo usado pela Sabedoria para chamar atenção para as suas mensagens é o mesmo usado pelos profetas para chamar as pessoas a se arrependerem e retornarem para Deus [R.N. Whybray, Proverbs. p. 44.]. O discurso feito pela Sabedoria neste capítulo é “uma auto-recomendação prolongada na qual (a Sabedoria) ostenta seu poder, autoridade e os dons que ela é capaz de conceder”, seguindo um gênero literário do AOM no qual uma divindade se vangloria. “Pretende-se que a Sabedoria seja entendida como um atributo ou servo celestial de Jeová, o Deus único, para quem ele delegou certos poderes em relação às suas relações com a humanidade”. Finalmente, para completar o quadro, Provérbios 2:6 nos diz: É o Senhor quem dá sabedoria; a sabedoria e o entendimento vêm dele. Deus é a fonte da Sabedoria; A Sabedoria é uma das características e atributos de Deus. Bruce Vawter argumenta que Provérbios 8 descreve a sabedoria como uma divindade separada que Jeová “adquiriu” [Proverbs 8:22: Wisdom and Creation, Journal of Biblical Literature 99/2 (1980): 205-216.]. Eu respondo como Hurtado “que essa linguagem de personificação [utilizada no Judaísmo de forma geral] não necessariamente reflete uma visão destes atributos divinos como entidades independentes juntas de Deus”. Estas personificações “devem ser entendidas dentro do contexto da preocupação Judaica sobre a unicidade de Deus, a idéia religiosa mais dominante do Judaísmo antigo”. Sendo assim, ele considera alegações como as de Vawter, de que a Sabedoria aqui é descrita como uma “divindade independente”, como algo “simplesmente sem comprovação e que traz para essas passagens, significados nunca pretendidos pelos escritores” [Larry W. Hurtado, One God, One Lord: Early Christian Devotion and Ancient Jewish Monotheism. pp. 46-47]. Clique aqui para ver mais sobre esse verbo.
Agora examinaremos algumas especulações Judaicas que estão de acordo com o status quase pessoal da “Sabedoria de Deus”. Então seremos capazes de ver uma continuidade entre a literatura intertestamental e o Novo Testamento que define a natureza da relação entre Deus Pai e Jesus Cristo. Dunn propõe de forma sucinta: “Aquilo que o Judaísmo pré-Cristianismo dizia da Sabedoria e Philo dizia sobre o Logos, Paulo e os outros diziam de Jesus. O papel que Provérbios, Siraque, etc. atribuem à Sabedoria, esses primeiros Cristãos atribuíam a Jesus” [James D. G. Dunn, Christology in the Making. p. 167.]. Essa concepção da Sabedoria se compara à uma explicação menos comum e geral do Judaísmo sobre como um Deus transcendente poderia fazer parte de uma Criação temporal. O Targum Aramaico resolveu este problema ao equacionar Deus com sua Palavra: Assim, no Targum, em Êxodo 19:17, ao invés de dizer que as pessoas saíram para se encontrar com Deus, o texto diz que as pessoas saíram para se encontrar com a Palavra de Deus, ou Memra. Esse termo tornou-se uma perífrase para Deus; mas se poderia ter sido como uma pessoa separada, como no Trinitarianismo Cristão, é questão de debate. O risco envolvido em se fazer da Sabedoria/Palavra uma divindade independente era grande demais para os rabinos especularem mais, mas os Cristãos encontraram na tradição da Sabedoria uma concepção categórica ideal para posicionar a pessoa de Jesus. N. T. Wright observa [em Who was Jesus? (pp 48-49)] que o monoteísmo Judeu “nunca foi, na literatura do período Judaico crucial, uma análise da essência interna de Deus, um tipo de relato numérico sobre como Deus seria por dentro, por assim dizer”. Ao invés disso, foi “sempre afirmações polêmicas direcionadas para as nações pagãs”. Os rabinos do tempo de Jesus não tinham dificuldades em separar os aspectos da personalidade de Deus - Sua Sabedoria, sua Lei (Torá), sua presença (Shekinah) e sua palavra (Memra), por exemplo. Essa divisão tinha o propósito filosófico de “contornar o problema de como falar apropriadamente sobre o único Deus verdadeiro, que está acima do mundo criado mas também ativo dentro dele”.
De forma similar, Brad Young escreve:
Dentro do Judaísmo, a “hipostatização” da Sabedoria ou da Tora não parecia minar o monoteísmo, visto que, no fim das contas ela era apenas um tipo de perífrase utilizada para driblar a implicação de um contato direto entre o Deus transcendente e a criação.
Esse conceito, Young continua, não desafiava a “máxima originalidade e soberania” de Deus de forma alguma. Daí a idéia do Cristianismo identificar uma pessoa real de tal forma que não criasse um problema para o monoteísmo. E o conceito de trindade não era inteiramente estranho para o Judaísmo. O’Neill [J. C. O'Neill, Who Did Jesus Think He Was? p. 94] relata as palavras de Philo, historiador Judeu contemporâneo de Jesus, expondo sobre os três homens que vieram visitar Abraão em Gênesis 18:2, os quais presumia-se que eram figuras divinas:
…o do meio é o Pai do Universo, que nas Escrituras Sagradas é chamado pelo seu nome apropriado, Eu sou quem sou; e os seres ao lado são os poderes mais antigos que estão sempre próximos ao Deus vivo, um é chamado poder criativo, e o outro, seu poder de rei.
Ninguém questionaria que Philo era um monoteísta Judeu; contudo, aqui temos uma exposição perfeitamente compatível com a Trindade: O Pai, o Poder Criador (o Filho, ou a Palavra), e o Poder de Rei (o Espírito Santo). De forma similar, lemos no apócrifo Baruque 4:22:
Do Eterno espero a vossa libertação, espero que do Santo me venha a alegria, pela misericórdia que breve vos será concedida pelo Eterno, vosso Salvador.
Agora veremos passagens lidando diretamente com a Sabedoria.
Siraque 1:1-4 - Toda a sabedoria vem do Senhor Deus, ela sempre esteve com ele. Ela existe antes de todos os séculos. Quem pode contar os grãos de areia do mar, as gotas de chuva, os dias do tempo? Quem pode medir a altura do céu, a extensão da terra, a profundidade do abismo? Quem pode penetrar a sabedoria divina, anterior a tudo? A sabedoria foi criada antes de todas as coisas, a inteligência prudente existe antes dos séculos! [Nota do tradutor: Caso você também discorde da opinião do autor, não se preocupe, os apócrifos, como já ressaltado, não são inspirados, inerrantes e canônicos.]
O livro de Siraque foi escrito por Jesus filho de Siraque cerca de 100 a.C. Ele descreve a Sabedoria como tendo sido “criada antes de todas as coisas”, como sendo “proveniente do eterno” e como comparável aos “dias da eternidade”. Nisto estamos em harmonia com a visão Trinitária de Jesus, como criado ou gerado pelo Pai de forma eterna, quer dizer, que encontra sua fonte no Pai e não possui existência separado dele, e também tendo existido eternamente assim como Deus. Siraque escreve também:
Siraque 24:1-5 - A sabedoria faz o seu próprio elogio, honra-se em Deus, gloria-se no meio do seu povo. Ela abre a boca na assembléia do Altíssimo, gloria-se diante dos exércitos do Senhor, é exaltada no meio do seu povo, e admirada na assembléia santa. Entre a multidão dos eleitos, recebe louvores, e bênçãos entre os abençoados de Deus. Ela diz: Saí da boca do Altíssimo; nasci antes de toda criatura.
Este é outro discurso de auto-glorificação, do tipo encontrado em Provérbios, só que desta vez, o discurso acontece em uma corte celestial - um local onde somente Deus ofereceria auto-glorificação. Sabedoria diz de si: “Eu vim da boca do altíssimo” (a “Palavra” de Deus) e “meu trono era no pilar da nuvem” - uma alusão ao sinal da presença divina no Velho Testamento. Sabedoria também diz que “rodeava o arco do Céu e andava nas profundezas do abismo … governava as ondas do mar e sobre toda a terra, e sobre todas as pessoas e nações”. No livro de Jó (12, 28), essas coisas são o que Deus pergunta se Jó pode fazer, com a implicação de que somente Deus pode fazê-las.
Finalmente, Siraque diz (42:18-21): Ele [Deus] sonda o abismo e o coração humano, e penetra os seus pensamentos mais sutis, pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber. Ele vê os sinais dos tempos futuros, anuncia o passado e o porvir, descobre os vestígios das coisas ocultas. Nenhum pensamento lhe escapa, nenhum fato se esconde a seus olhos. Ele enalteceu as maravilhas de sua sabedoria, ele é antes de todos os séculos e será eternamente. A Sabedoria é um atributo de Deus e é co-eterna com Ele - de outra forma, a Sabedoria é uma coisa “adicionada” a Ele, ou alguém o “instruiu”. Bauckham faz uma observação sobre uma passagem mais recente: “2 Enoque 33:4, ecoando Deutero-Isaías (40:13) diz que Deus não tinha um conselheiro em seu trabalho criativo, mas que sua Sabedoria era a sua conselheira. O significado claro é que Deus não tinha ninguém para aconselhá-lo. Sua Sabedoria, que é intrínseca à sua identidade, e não alguma outra pessoa, o aconselhou” [Richard Bauckham, God Crucified: Monotheism and Christology in the New Testament , p. 21].
Sabedoria de Salomão: Neste trabalho intertestamental escrito como sendo a personalidade de Salomão, a Sabedoria é descrita como o artífice de todas as coisas (7:21-23), como um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso (7:25), e como a “imagem” (eikon - sobre o siginificado deste termo, veja o Capítulo 1 do meu livro The Mormon Defenders) da bondade de Deus (7:26), capaz de fazer e renovar todas as coisas. “Sabedoria” também foi antevista como compartilhando o trono de Deus, tendo estado presente com Deus desde a eternidade, e imaginada como procedendo de Deus. A Sabedoria e a Palavra de Deus são igualadas em Sabedoria 9:1-4 - Deus de nossos pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono, e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos. A Sabedoria também é vista como sendo capaz de realizar milagres, como a abertura do Mar Vermelho (10:18-19).
Philo. O filósofo Judeu foi um contemporâneo de Jesus e autor de vários trabalhos históricos e filosóficos. Philo chama a Sabedoria (a qual ele também se refere como Logos) de “imagem (eikon) de Deus”, ele se refere à Sabedoria de Deus como aquilo através do qual o Universo veio a existir; e descreve a Sabedoria como “o filho primogênito” de Deus; nunca gerado a partir de outra coisa, como Deus, ou gerado como os homens; como a Luz e como “a sombra de Deus”. Ele considerava o Logos como um dos vários atributos de Deus, aos quais ele se referia de forma coletiva como “poderes”, sendo o Logos o poder principal na hierarquia.
Tendo concluído nossa breve pesquisa sobre a literatura intertestamental Judaica, é necessário fazer algumas observações antes de procedermos para as evidências do Novo Testamento. Como mostraremos, o que os escritores acima falavam da Sabedoria, os autores do Novo Testamento também diziam sobre Cristo. Mas nós não estamos argumentando acerca de uma dependência direta de Philo ou qualquer outro escritor por parte de Paulo ou João. Ao invés disso, estamos estabelecendo que havia no Judaísmo certas idéias sobre a Sabedoria, com as quais os escritores do Novo Testamento trabalharam, e que, como Hurtado indica, “o Judaísmo antigo fornecia aos primeiros Cristãos uma categoria conceitual crucial” (44, 46) que era aplicada ao Jesus exaltado e ressurreto. Agora iremos mostrar que Jesus se identificava com a Sabedoria, e, portanto, com suas qualidades, incluindo a co-eternidade, subordinação funcional e igualdade ontológica com Deus.
Mateus 8:20, Lucas 9:58 - As raposas têm suas covas, e os pássaros, os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde descansar.
Witherington nota que a imagem deste ditado “havia sido utilizada antes, com a Sabedoria não tendo lugar para habitar até que Deus lhe determinasse um (cf. Siraque 24:6-7 e 1 Enoque 42:2), com Enoque falando da rejeição da Sabedoria (‘mas ela não encontrou lugar para habitar’)”. Witherington também nota o paralelo em Siraque 36:28 - Quem confia naquele que não tem morada, e naquele que passa a noite onde quer que a noite o surpreenda? Ou que vagueia de cidade em cidade como um ladrão sempre prestes a fugir? O uso dessas alusões “sugere que Jesus antevê e articula sua experiência levando em consideração as tradições sobre a Sabedoria…” (Jesus Quest. p. 188).
Mateus 11:16-19, Lucas 7:31-32 - Mas com quem posso comparar as pessoas de hoje? São como crianças sentadas na praça. Um grupo grita para o outro: “Nós tocamos músicas de casamento, mas vocês não dançaram! Cantamos músicas de enterro, mas vocês não choraram!” João Batista jejua e não bebe vinho, e todos dizem: “Ele está dominado por um demônio.” O Filho do Homem come e bebe, e todos dizem: “Vejam! Este homem é comilão e beberrão! É amigo dos cobradores de impostos e de outras pessoas de má fama.” Porém é pelos seus resultados que a sabedoria de Deus mostra que é verdadeira.
Provérbios 1:24-28 - Eu chamei e convidei, mas vocês não me ouviram e não me deram atenção. Vocês rejeitaram todos os meus conselhos e não quiseram que eu os corrigisse. Assim, quando estiverem em dificuldades, eu rirei; e, quando o terror chegar, eu caçoarei de vocês. Zombarei de vocês quando o terror vier como uma tempestade, trazendo fortes ventos de dificuldades. Eu rirei quando estiverem passando por sofrimentos e aflições. Então vocês me chamarão, mas eu, a Sabedoria, não responderei. Vão procurar por toda parte, porém não me encontrarão.
Estes trechos fornecem algumas pistas importantes quando se tem os dados sociais em mãos, e adicionam o fator das refeições comunais de Jesus com a “gentalha”. Witherington nota passagens como Provérbios 9:1-6, “que fala de um banquete organizado pela própria Sabedoria, onde ela convida hóspedes muito incomuns à mesa” a fim de ajudá-los a adquirir sabedoria. Witherington, portanto, argumenta que Jesus ceou com pecadores e cobradores de impostos porque estava “representando o papel de Sabedoria” (187-188).
Mateus 11:29-30 - Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.
Siraque 6:19-31 - Vai ao encontro dela, como aquele que lavra e semeia, espera pacientemente seus excelentes frutos, terás alguma pena em cultivá-la, mas, em breve, comerás os seus frutos. Quanto a sabedoria é amarga para os ignorantes! O insensato não permanecerá junto a ela. Ela lhes será como uma pesada pedra de provação, eles não tardarão a desfazer-se dela. Pois a sabedoria que instrui justifica o seu nome, não se manifesta a muitos; mas, naqueles que a conhecem, persevera, até (tê-los levado) à presença de Deus. Escuta, meu filho, recebe um sábio conselho, não rejeites minha advertência. Mete os teus pés nos seus grilhões, e teu pescoço em suas correntes. Abaixa teu ombro para carregá-la, não sejas impaciente em suportar seus liames. Vem a ela com todo o teu coração. Guarda seus caminhos com todas as tuas forças. Segue-lhe os passos e ela se dará a conhecer; quando a tiveres abraçado, não a deixes. Pois acharás finalmente nela o teu repouso. E ela transformar-se-á para ti em um motivo de alegria. Seus grilhões ser-te-ão uma proteção, um firme apoio; suas correntes te serão um adorno glorioso; pois nela há uma beleza que dá vida, e seus liames são ligaduras que curam.
Siraque 51:34 - Dobrai a cabeça sob o jugo, receba vossa alma a instrução, porque perto se pode encontrá-la.
Jesus está claramente fazendo alusões às passagens no popular livro de Siraque. Seus ouvintes teriam reconhecido que ele estava associando a si mesmo com a Sabedoria.
Mateus 12:42; Lucas 11:31 - No Dia do Juízo a Rainha de Sabá vai se levantar e acusar vocês, pois ela veio de muito longe para ouvir os sábios ensinamentos de Salomão. E eu afirmo que o que está aqui é mais importante do que Salomão.
Apontando a associação de Salomão com a literatura da Sabedoria, Witherington escreve (186, 192):
Se é verdade que Jesus reivindicou que algo maior que Salomão estava presente em seu ministério, devemos nos perguntar o que poderia ser … Certamente a resposta mais direta seria que a Sabedoria veio em pessoa.
Mateus 23:34 - Pois eu lhes mandarei profetas, homens sábios e mestres. Vocês vão matar alguns, crucificar outros, chicotear ainda outros nas sinagogas e persegui-los de cidade em cidade.
Lucas 11:49 - Por isso a Sabedoria de Deus disse: “Mandarei para eles profetas e mensageiros, e eles matarão alguns e perseguirão outros.”
Na versão de Mateus, Jesus diz “eu lhes mandarei profetas”, mas Lucas especificamente identifica Jesus com a Sabedoria.
O Evangelho de João identifica Jesus com a Sabedoria de várias formas. Jesus fala em longos discursos característicos da Sabedoria (Provérbios 8; Siraque 24; Sabedoria de Salomão 1-11). A ênfase de João nos “sinais” espelha a de Sabedoria de Salomão, e João utiliza a mesma palavra Grega para eles (semeion). Finalmente, o vasto uso do termo “Pai” (115 vezes) se compara com a ênfase nesse título na recente literatura da Sabedoria.
João 1:1-3 - Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Desde o princípio, a Palavra estava com Deus. Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela.
O prólogo do Evangelho de João identifica Jesus de forma precisa com a Sabedoria, descrevendo o papel Cristológico do Logos (1:3), seu papel como a base do conhecimento humano (1:9) e como o mediador da Revelação Especial (1:14) - os três papéis do Logos/Sabedoria pré-existente. Ao chamar Jesus de Logos, João estava afirmando a eternalidade e a união ontológica de Jesus com o Pai, ao conectá-lo com a tradição da Sabedoria.
Agora considere estes paralelos com o prólogo de João e a literatura da Sabedoria:
| João 1:1 - Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus.
Sabedoria de Salomão 9:9 - Mas, ao lado de vós está a Sabedoria que conhece vossas obras; ela estava presente quando fizestes o mundo, ela sabe o que vos é agradável, e o que se conforma às vossas ordens. |
| João 1:4 - A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas.
Provérbios 8:35 - Pois quem me encontra encontra a vida, e o SENHOR Deus ficará contente com ele. |
| João 1:11 - Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu.
1 Enoque 42:2 - A Sabeoria procurou habitar dentre as crianças dos homens, e não encontrou lugar. |
| João 1:14 - A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai.
Siraque 24:15 - Assim fui firmada em Sião; repousei na cidade santa, e em Jerusalém está a sede do meu poder. |
| João 6:27 - Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade.
Sabedoria de Salomão 16:26 - Para que os filhos que vós amais, Senhor, aprendessem que não são os frutos da terra que alimentam o homem, mas é vossa palavra que conserva em vida aqueles que crêem em vós. |
| João 14:15 - Jesus continuou: - Se vocês me amam, obedeçam aos meus mandamentos.
Sabedoria de Salomão 6:18 - Mas amá-la é obedecer às suas leis, e obedecer às suas leis é a garantia da imortalidade. |
| No princípio era a Palavra (João 1:1).
A Sabedoria estava no princípio (Provérbios 8:22-23, Siraque 1:4, Sabedoria de Salomão 9:9). |
| A Palavra estava com Deus (João 1:1).
A Sabedoria estava com Deus (Provérbios 8:30, Siraque 1:1, Sabedoria 9:4). |
| A Palavra foi a co-criadora (João 1:1-3).
A Sabedoria foi a co-criadora (Provérbios 3:19 e 8:25, Isaías 7:21 e 9:1-2). |
| A Palavra provê luz (João 1:4-9).
A Sabedoria provê luz (Provérbios 8:22, Sabedoria 7:26 e 8:13, Siraque 4:12). |
| A Palavra como luz em contraste com as trevas (João 1:5).
A Sabedoria como luz em contraste com as trevas (Sabedoria 7:29-30). |
| A Palavra estava no mundo (João 1:10).
A Sabedoria estava no mundo (Sabedoria 8:1, Siraque 24:6). |
| A Palavra foi rejeitada por seu povo (João 1:11)
A Sabedoria foi rejeitada por seu povo (Siraque (15:7) |
| A Palavra foi recebida pelos fiéis (João 1:12).
A Sabedoria foi recebida pelos fiéis (Sabedoria 7:27). |
| Cristo é o pão da vida (João 6:35).
A Sabedoria é o pão ou substância da vida (Provérbios 9:5, Siraque 15:3, 24:21 e 29:21, Sabedoria 11:4). |
| Cristo é a luz do mundo (João 8:12).
A Sabedoria é luz (Sabedoria 7:26-30, 18:3-4). |
| Cristo é a porta por onde as ovelhas passam e o bom pastor (João 10:7-14).
A Sabedoria é a porta e o bom pastor (Provérbios 8:34-35, Sabedoria 7:25-27, 8:2-16, Siraque 24:19-22). |
| Cristo é vida (João 11:25)
A Sabedoria traz vida (Provérbios 3:16, 8:35, 9:11, Sabedoria 8:13) |
| Cristo é o caminho para a verdade (João 14:6)
A Sabedoria é o caminho (Provérbios 3:17, 8:32-34; Siraque 6:26) |
As cartas de Paulo continuam a identificação de Jesus com a Sabedoria de Deus. 1 Coríntios 1:24-30 é o exemplo mais claro: Cristo é explicitamente identificado como “o poder de Deus e a Sabedoria de Deus”. Outros trechos relevantes:
| Sabedoria 1:4 - A Sabedoria já existia antes de todas as coisas…
1 Coríntios 2:7 - …a Sabedoria que Deus predestinou antes das gerações… |
| Sabedoria 1:6 - Para quem foi revelada a raiz da sabedoria?
1 Coríntios 2:10 - Deus revelou essas coisas a nós… |
| Sabedoria 1:10 - …ele deu [sabedoria] àqueles que o amam.
1 Coríntios 2:9 - …a qual Deus preparou para aqueles que o amam. |
| Sabedoria 1:15 - [A Sabedoria] edificou um fundamento eterno dentre os homens…
1 Coríntios 3:10 - …como um arquiteto sábio, Eu estabeleci uma fundação… |
| Sabedoria 2:5 - O ouro é testado no fogo…
1 Coríntios 3:12-13 - E se alguém constrói sobre a fundação com ouro, prata, ou pedras preciosas…, isso será revelado pelo fogo. |
Colossenses 1:15-18 - Ele, o primeiro Filho, é a revelação visível do Deus invisível; ele é superior a todas as coisas criadas. Pois, por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra, tanto o que se vê como o que não se vê, inclusive todos os poderes espirituais, as forças, os governos e as autoridades. Por meio dele e para ele, Deus criou todo o Universo. Antes de tudo, ele já existia, e, por estarem unidas com ele, todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja, e é ele quem dá vida ao corpo. Ele é o primeiro Filho, que foi ressuscitado para que somente ele tivesse o primeiro lugar em tudo.
Essa passagem é cheia de alusões à literatura da Sabedoria. Note os seguintes paralelos:
Colossenses 1:15 - ele é a revelação visível do Deus invisível…
Sabedoria de Salomão 7:26 - [A Sabedoria é] um espelho perfeito da obra de Deus, e uma imagem da sua bondade.
Colossenses 1:15 - o primeiro Filho.
Philo faz referência à Sabedoria como sendo “o primeiro Filho” e descendência de Deus. Para saber mais sobre esse assunto, clique aqui.
Colossenses 1:16 - Pois, por meio dele, Deus criou tudo…
Sabedoria 1:14 - Ele criou tudo para a existência…
Siraque 1:4 e Philo referem-se à Sabedoria como “a artesã mestre” da criação.
Colossenses 1:17 - Antes de tudo, ele já existia, e, por estarem unidas com ele, todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia.
Sabedoria 1:7 - …aquilo que une todas as coisas…
O livro de Hebreus, embora nunca identifique Jesus diretamente como Sabedoria, indica uma equivalência. Em Hebreus 1:3, o termo Grego raro apaygasma é utilizado para descrever Jesus como “brilho da glória de Deus”, assim como a palavra é utilizada em Sabedoria 7:25-26 para descrever o resplendor da Sabedoria. Hebreus atribui a Jesus as mesmas funções que a literatura da Sabedoria Philônica/Alexandrina designavam à Sabedoria: Mediadora da revelação divina, agente e sustentador da criação, e reconciliador dos homens perante Deus (Sabedoria de Salomão 7:21-8:1). Para saber mais sobre essa palavra, clique aqui.
Hebreus também fala de Jesus o que Philo diz do Logos. Philo se referiu à Sabedoria como o “charakter da Palavra eterna”, da mesma forma que Hebreus utiliza esse termo se referindo a Jesus. Hebreus também “afirma a superioridade de Jesus sobre um grupo de classes e indivíduos que serviram às funções de mediadores no pensamento Alexandrino”, incluindo os anjos, Moisés, Melquisedeque e o sumo sacerdote. Finalmente, em Siraque 24:15, a Sabedoria, embora universal em escopo, graças a um decreto de Deus, repousa em Jerusalém e é considerada como tendo o papel sacerdotal: Assim fui firmada em Sião; repousei na cidade santa, e em Jerusalém está a sede do meu poder. Compare esta proclamação com a que é encontrada em Hebreus capítulos 3 a 10, descrevendo Cristo como nosso sumo sacerdote ministrando em um tabernáculo divino.
Adendos (em inglês):
Críticas das visões alternativas (em inglês):
- A Trindade além da compreensão: Sobre a falta de entendimento comum dos céticos sobre a Trindade, em relação a este artigo.
- Filiação e Separação: Crítica da visão dos Mórmons sobre Jesus.
- Os Arianos modernos: Crítica sobre a visão que as Testemunhas de Jeová têm de Jesus. Veja também nossa resposta a uma TJ.
- “Um já foi, um já vai”: Baseada em diáLogos com os Unitários.
- O retorno Unitário: Sobre alguns argumentos dos Cristadelfos (que também são Unitários), inclusive o “É, mas a Sabedoria era mulher e Jesus era homem!”.
- Respostas para os argumentos Islâmicos.
- Sobre o trabalho de L. Ray Smith.
- Sobre o trabalho de Biblelogic.com.
Traduzido e adaptado por: Maximiliano Mendes.
Todas as citações Bíblicas foram retiradas da NTLH. As citações dos apócrifos são da tradução Ave Maria, exceto o trecho de Enoque, que é uma tradução livre feita por mim.
A BÍBLIA E A ESCRAVIDÃO
Janeiro 21, 2008 at 7:31 pm | In Blogroll, Uncategorized | No CommentsSerá que Deus e a Bíblia apóiam a escravidão?
Veja uma resposta no vídeo a seguir.
No Youtube (dividido em 4 partes):
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=CHnGyEdJYjg
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=0ja7SKqYAkw
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=khEQ1MsFweY
Parte 4: http://www.youtube.com/watch?v=V9fQn11vGIg
PS1: O arquivo de apresentação .ppt pode ser baixado aqui:
http://www.4shared.com/file/35495103/b4d941e9/A_Bblia_e_a_Escravido.html?dirPwdVerified=bb0d645
PS2: Essa minha vozinha saiu muito tosca hauahuah
SOMOS JUSTIFICADOS PELA FÉ OU PELAS OBRAS?
Dezembro 13, 2007 at 2:12 pm | In Blogroll, Uncategorized | 1 Comment
Somos Justificados pela Fé (Romanos) ou pelas Obras (Tiago)?
Por: Matt Slick - CHRISTIAN APOLOGETICS AND RESEARCH MINISTRY
Em Romanos é dito: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei… (3:20), Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei (3:28), Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (4:3), e Justificados, pois, mediante a fé (5:1). Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça (4:5).
Em Tiago é dito: Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente (2:24), e … assim também a fé sem obras é morta (2:26).
Qual vale? Somos justificados pela fé ou pelas obras?
Será que a Bíblia se contradiz?
Uma crença fundamental dos Cristãos é a de que somos justificados pela fé. Justificação significa que Deus declara um pecador como sendo justo. Ele faz isso ao dar crédito, ao atribuir a retidão de Jesus ao pecador. Isso é feito pela fé. Isto é, quando o pecador põe sua fé no sacrifício de Jesus e confia nele e não em si mesmo pela retidão, então Deus o justifica: Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (Romanos 4:3). Mas e se a Bíblia ensina que somos justificados pela fé, será que ela também ensina que somos justificados pelas obras como Tiago parece querer dizer? Temos uma contradição? A resposta é não.
O contexto é tudo
É errado pegar um versículo, lê-lo fora de contexto, e tentar desenvolver uma doutrina somente a partir dele. Portanto, vamos dar uma olhada no contexto de Tiago 2:24, que diz que um homem é justificado pelas obras. O capítulo 2 da carta de Tiago tem 26 versículos: Os de 1-7 nos ensinam a não mostrar favoritismo, 8-13 são comentários sobre a Lei, e 14-26 são sobre a relação entre a fé e as obras.
Para simplificar, sumarizei cada versículo e organizei a seção:
14 – Qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?
15 – Se você ver algum necessitado,
16 – E qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?
17 – Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
18 – Mas alguém dirá: eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.
19 – Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem.
20 – A fé sem as obras é inoperante.
21 – Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?
22 – Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou,
23 – E se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.
24 – Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.
25 – Raabe foi justificada pelas obras.
26 – A fé sem obras é morta.
Note que Tiago começa essa seção usando o exemplo de alguém que diz que tem fé, v. 14. Então ele começa com a negativa e demonstra o que é uma fé vazia vv. 15-17. Depois ele mostra que esse tipo de fé não é muito diferente da fé dos demônios v. 19. E finalmente, ele dá exemplos da fé viva ao mostrar Abraão e Raabe como exemplos de pessoas que demonstraram sua fé pelas suas ações.
Tiago está examinando dois tipos de fé: Uma que leva às obras para Deus e outra que não. Uma é verdadeira e a outra é falsa. Uma é morta e a outra é viva; daí: A fé sem obras é morta (Tiago 2:26).
Esta é a razão pela qual no meio da seção sobre fé e obras ele dizer no versículo 19: Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Tiago diz isso, pois os demônios crêem em Deus, ou seja, eles têm fé, mas a fé deles é inútil. Ela não resulta em obras adequadas. A fé deles é somente um reconhecimento mental da existência de Deus.
Ascentia e Fiducia
É necessário introduzir duas palavras aqui: Ascentia e fiducia. Ascentia é a ascensão mental, o reconhecimento mental da existência de algo. Os demônios reconhecem e crêem que Deus existe. Fiducia (ou fidúcia) é mais do que mero reconhecimento, envolve a confiança em algo, entregar-se a algo, uma completa crença e aceitação de algo. Este é o tipo de fé que um Cristão tem em Cristo. Um Cristão, portanto, tem fidúcia; ou seja, ele tem a fé verdadeira e real em Cristo, e não o simples reconhecimento de que ele viveu aqui na Terra. Outra forma de explicar isso é que muitas pessoas criam que Jesus viveu: Ascentia. Mas eles não criam que ele era seu Salvador, aquele a ser buscado e confiado para que obtessem o perdão pelos seus pecados.
A ascentia não leva às obras, a fidúcia leva. A ascentia não vem do coração, a fidúcia vem.
E o que Tiago está dizendo?
Tiago está dizendo que se você é um Cristão, então é melhor que você manifeste algum tipo de obra adequada, caso contrário, sua fé é falsa. Esta opinião é repetida em 1 João 2:4: Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade.
Aparentemente, havia pessoas que estavam dizendo ser Cristãs, mas não estavam manifestando os frutos do Cristianismo. Essa fé justifica? Será que a “fé” morta, que não produz mudanças em uma pessoa e nenhuma boa obra perante os homens e Deus ser uma fé que justifica? Absolutamente não. Dizer que crê em Jesus não é o bastante. Você deve realmente crer e confiar nele. Se realmente o fizer, então demonstrará essa fé em uma vida transformada e para Deus. Se não, sua declaração tem o mesmo valor da dos demônios: “Nós cremos que Jesus viveu”.
Note que Tiago na verdade cita o mesmo versículo que Paulo usa para apoiar o ensino da justificação pela fé em Romanos 4:3. Tiago 2:23 diz: e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Se Tiago estivesse tentando ensinar uma doutrina de fé e obras contradizendo os outros autores do Novo Testamento, ele não teria utilizado Abraão como exemplo.
Portanto, somos justificados pela fé. Ou seja, somos feitos justos aos olhos de Deus pela fé, como amplamente demonstrado em Romanos. Porém, esta fé, se verdadeira, irá resultar em atos apropriados para a salvação. Afinal de contas, Deus disse em Efésios 2:8-10: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Traduzido por: Maximiliano Mendes.
O artigo original pode ser encontrado aqui: http://www.carm.org/questions/faithorworks.htm.
Todas as citações Bíblicas foram retiradas da tradução Almeida Revista e Atualizada (SBB).
DEUS FAZ OS OUTROS DE BESTA? OU: O VAI NÃO VAI DE BALAÃO.
Novembro 15, 2007 at 3:53 pm | In Blogroll, Uncategorized | No CommentsDEUS FAZ OS OUTROS DE BESTA? OU: O VAI NÃO VAI DE BALAÃO.
As desventuras do Livro de Balaão, filho de Beor. Ele era um vidente divino.
Balaão surgiu pela manhã;
Reuniu os chefes da assembléia em torno de si,
E por dois dias jejuou e chorou amargamente,
Então seus amigos íntimos vieram em sua presença,
E disseram para Balaão, filho de Beor:
Por que você jejua, e por que você chora?
Então ele disse lhes disse:
Sentem-se, e irei relatar para vocês o que os deuses-Shaddai [shaddayyin] planejaram,
E vão, vejam as obras dos deuses!
Trecho das Inscrições em gesso de Deir Alla, Jordânia, descobertas em 1967, a 40 km das planícies de Moabe. Data de ~800-700 A.C. [1]
A inscrição acima se refere a um sujeito chamado Balaão, que aparece pela primeira vez na Bíblia no livro de Números capítulo 22, onde supostamente existem erros, e aí já viu né… acusações de que Deus não existe e tudo o mais… É imprescindível que você leia pelo menos Números 22, 23 e 24 antes de começarmos nossa análise.
Porém, antes de entrarmos no tema em si, vamos assistir o vídeo a seguir pra entrar no clima do negócio: Clique aqui, ou aqui.
Quem era Balaão?
Em resumo, ele era um adivinho famoso naquela região, visto que como indicado no início do texto, há referências extrabíblicas mencionando algo sobre ele (Lembre-se que a adivinhação é uma prática condenada pelo Senhor em Levítico 19:26, por exemplo). Veja o que a Bíblia ainda diz sobre Balaão em (ele também é mencionado em outros locais):
- 2 Pedro 2:15-16 – 15Andam perdidos porque se desviaram do caminho certo. Seguem o caminho de Balaão, filho de Beor, que cobiçou o dinheiro que ia receber fazendo o mal 16e foi repreendido por causa do seu pecado. Pois uma jumenta falou com voz humana e acabou com as loucuras do profeta.
- Judas 1:11 – Ai deles! Seguem o mesmo caminho de Caim. Por causa de dinheiro, eles se entregam ao mesmo erro de Balaão. E, como Corá se revoltou e foi destruído, eles também se revoltam e serão destruídos.
- Apocalipse 2:12-17 – 12– Ao anjo da igreja de Pérgamo escreva o seguinte:
- “Esta é a mensagem daquele que tem a espada afiada dos dois lados. 13Eu sei que vocês moram aí onde está o trono de Satanás. Vocês são fiéis e não abandonaram a fé que têm em mim, até mesmo quando Antipas, minha testemunha fiel, foi morto aí em Pérgamo, onde Satanás mora. 14Mas tenho algumas coisas contra vocês: há entre vocês alguns que seguem o ensinamento de Balaão, que mostrou a Balaque como fazer com que o povo de Israel pecasse, dizendo que os israelitas deviam comer alimentos oferecidos aos ídolos e cometer imoralidades. 15Assim também estão entre vocês alguns que seguem os ensinamentos dos nicolaítas. 16Arrependam-se! Se não, eu logo irei até aí e, com a espada que sai da minha boca, lutarei contra essa gente.
- 17“Portanto, se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam o que o Espírito de Deus diz às igrejas.
- “Aos que conseguirem a vitória eu darei do maná escondido. E a cada um deles darei uma pedra branca, na qual está escrito um nome novo que ninguém conhece, a não ser quem o recebe.”
Ao que tudo indica, a reputação dele não era das melhores: Um idólatra ganancioso. Todavia, aparentemente, ele realmente tinha contato com algum tipo de “divindade”, haja vista o fato de Balaque dizer em Números 22:6 que ele tinha certo poder de amaldiçoar os outros: Eu sei que, quando você abençoa alguém, esse alguém fica abençoado e, se você amaldiçoa, fica amaldiçoado.
Capa de um livro sobre Balaão: Um profeta atrás de lucro.
E qual é o problema afinal?
O problema, lendo Números 22, é que à primeira vista o texto nos dá a entender que Deus falou mesmo com Balaão, ou seja, Balaão seria um profeta de legítimo, então Deus mandou Balaão ir ao encontro de Balaque, e depois mudou de idéia sem justificativa ficando irado porque Balaão foi (Números 22:20-22). Os críticos afirmam que alguns idiotas pegaram quaisquer coisas mencionando Balaão e fizeram uma espécie de colagem, formando o texto da Bíblia, que segundo eles se contradiz e atesta contra a inerrância das escrituras e a existência de Deus. Sendo assim, vamos destacar algumas coisas estranhas nas passagens bíblicas de interesse:
- Balaão NÃO era um profeta de Deus, e isso é evidenciado pelo fato dele ser um adivinho, cogitar a possibilidade de amaldiçoar o povo de Deus mais de uma vez (!), E pelo fato de que, se fosse um profeta legítimo teria visto de imediato o anjo do Senhor, sendo que a burra viu e ele não. Se ele realmente fosse um profeta de Deus, deveria ter recusado imediatamente a oferta de Balaque.
- Balaão não é descrito de forma positiva como outros gentios que conheciam o Senhor, Jetro (Êxodo 18:1-27) e Melquisedeque (Gênesis 14:18-20 e Hebreus 7:1-28).
- O autor, Moisés, usa “Deus” ao invés de “Senhor”, que Balaão usa. Este parece ser um recurso literário cujo intuito é o de distanciar o Deus de Israel do “Deus” ou “Senhor” de Balaão [2].
- Ao retornarem pela primeira vez, os mensageiros de Balaque não mencionam que Deus, o Senhor, foi quem proibiu Balaão de aceitar o serviço proposto (Números 22:14 – Então eles voltaram e foram falar com Balaque. E disseram:
- – Balaão não quis vir com a gente.). Já, já veremos a importância disso.
- Os textos indicam que Balaão era tão embusteiro, que mesmo após o incidente com a burra, ainda resolveu, sabendo que não iria conseguir, insistir na trama de Balaque pra ver se seria possível amaldiçoar o povo de Deus ou pelo menos levar uma graninha (Números 23 e 24). Após o ocorrido, para não deixar o cliente decepcionado, Balaão dá a dica pra fazer com que Deus se zangue com Israel: Incitá-los à idolatria e imoralidade sexual, como descrito em Números 25 e explicado posteriormente em Números 31:16 (Lembrem que foram as mulheres que, seguindo os conselhos de Balaão, fizeram com que os israelitas fossem infiéis a Deus, o Senhor, adorando o deus Baal-Peor. Foi por isso que houve uma epidemia no meio do povo de Deus.).
Resolvendo a burrada de balaão
Para resolver tudo isso, existe uma “anti-explicação” por parte dos teólogos liberais, que pura e simplesmente diz que os trechos se contradizem pois nada mais são que colagens feitas por editores, muito tempo depois, durante o cativeiro babilônico. Entretanto, essa “explicação” falha ao ignorar a integridade estrutural da história, e o contexto externo, pois ela se encaixa melhor no final da idade do bronze, ao invés do final da idade do ferro II, quando supostamente foram realizadas as colagens e edições. Balaão era de Petor, localizada em uma região identificada como sendo mencionada no Século 15 A.C. em um inscrição de Alalaque, no norte da Síria [3].
- Para visualizar melhor estes períodos de tempo, consulte os links a seguir:
- http://biblical-studies.ca/REL102/pdfs/Israel_History_charts.pdf
- http://mosaic.lk.net/timeline.html
- Um bom sumário, despachando essa tese tola de colagens e editores (JEDPR) pode ser visto aqui:
- http://www.creationontheweb.com/content/view/767
De forma geral, a explicação mais comum para o caso Balaão é que, apesar de não ser assim um Moisés, tinha contato com o Deus de Israel, que havia efetivamente falado com ele e o mandado ir com os Moabitas. O Senhor se irou porque Balaão, na verdade, tentado pelas ofertas de riquezas, estava mais interessado mesmo era em conseguir um dinheiro, e não fazer a vontade de Deus. O incidente com a burra seria uma espécie de provação da fé, assim como Deus havia feito com Moisés anteriormente (Êxodo 4:24-26 o motivo da provação foi o fato de que Moisés não circuncidara seu filho) [4, 5, 6]. Essa até é uma explicação possível, todavia:
Uma solução irônica!
Ainda resta uma pergunta pertinente: Se Balaão era tudo de ruim assim, porque o trecho Bíblico em Números 22 relata que ele falou com Deus? A melhor explicação para o que ocorre neste trecho é que isso tudo é uma contradição intencional, ou seja, o autor interrompe a narrativa histórica e adiciona trechos satirizando Balaão [7, 8]!
Como nós não vivemos naquele tempo, não temos uma boa noção do quanto o sujeito era famoso, nem conseguimos perceber o quão óbvia a piada é, mas vamos tentar imaginar a mesma situação hoje em dia. Imagine que você seja um desses caras que acredita em tudo e candidato a algum cargo eletivo político, como não custa nada (pra quem é muito rico!), você resolveu encomendar um trabalhinho com digamos, algum vidente ou macumbeiro muito famoso recente, uma mãe Dinah, Rodrigo Tudor ou o tal Jucelino Nóbrega da Luz. Tá, você (Balaque) mandou seu assessor se encontrar com o macumbeiro, para marcar um encontro e fazer o trabalho. Mas ao retornar o assessor te responde: Olha Dr., ele não quis vir…. E não: Deus não deixou ele vir! Note que o fato de Deus não ser mencionado evidencia a hipótese de que Balaão não havia falado com o Senhor coisíssima nenhuma.
Qual seria a reação mais óbvia? Você já sabe que, pagando, o cara faz até amarração para o amor, mas se recusou a vir fazer um trabalho pra você, tão influente (e rico!)? Ora, tá na cara que esse cara quer mais dinheiro. Sendo assim você manda um representante mais importante com um cheque em branco na mão (o equivalente à situação Bíblica). Adivinha quem chegou depois com o assessor? Ele mesmo: O macumbeiro, com uma conversa esquisita, mas veio mesmo assim…
Note que, mesmo havendo essa inserção de trechos satirizando Balaão, no fim das contas o Senhor efetivamente acabou usando ele após o incidente com a burra: Mas para abençoar Israel e não o contrário. É importante ressaltar que Deus humilhou um golpista, que achava que podia manipulá-lo, de forma extrema: O “profeta” eloqüente e importante, além de não ver o anjo do Senhor de imediato (ao contrário da burra) apela para a violência física contra a burra, que não somente o salvou do anjo, mas por ordem do Senhor o derrota com argumentos [8]!
Mas e a burra?
Mas você pode estar se perguntando: E a burra falando? Não é uma contradição? A resposta é simples: Não, é um milagre (seja lá qual foi o método utilizado por Deus pra fazer essa burra falar). Deus é o criador dos Céus e da Terra, pode fazer milagres à vontade, isso não é uma contradição Bíblica. O relato não é aceito pelos críticos, pois a visão de mundo deles exclui de imediato a ocorrência de milagres. Mas aí é problema deles.
Referências e notas:
[1] KAISER, WC & GARRET, D (Editores). Archaeological Study Bible. Zondervan. 2006. pp. 228-229.
[2] BARKER, K (Organizador). Bíblia de estudo NVI. Ed. Vida. 2003. p. 244.
[3] GEISLER, N. (Editor). The Apologetics Study Bible. Holman. 2007. p. 238.
[4] Ibid. pp. 238-239.
[5] ARCHER, GL. New International Encyclopedia of Bible Difficulties. Zondervan. 2001. p 140.
[6] KAISER, WC. Hard Sayings of the Bible. Inter-Varsity Press. 1996. pp. 139-141 (Versão eletrônica).
[7] http://www.tektonics.org/af/balaamnum.html
[8] http://www.midreshetmoriah.com/alumnae/maor.asp?id=33
A LIGAÇÃO ENTRE O CÂNCER DE MAMA E O ABORTO
Novembro 13, 2007 at 12:58 am | In Blogroll, Uncategorized | No Comments
A LIGAÇÃO ENTRE O CÂNCER DE MAMA E O ABORTO
Por: Robert Cihak & Michael Glueck. NewsMax.com, July 27, 2005.
Tradução: Maximiliano Mendes.
O artigo original pode ser encontrado aqui:
http://www.discovery.org/scripts/viewDB/index.php?command=view&id=3018
As notícias sobre os perigos do aborto estão se espalhando, apesar da supressão por parte de cientistas e certos interesses – Em particular, a relação do aborto e o subseqüente câncer de mama em mulheres jovens, menores de 18 anos de idade. Elas deveriam ser informadas sobre a ligação entre o aborto e o câncer de mama, especialmente se engravidarem de forma inesperada.
A evidência favorecendo uma ligação entre o aborto e o câncer de mama continua a se acumular. Em uma recente compilação e análise exaustiva das evidências, na edição do verão de 2005 da National Catholic Bioethics Quarterly, o Dr. Joel Brind, professor de biologia e endocrinologia na The City University of New York’s Baruch College, atualiza a evidência a favor e contra a ligação.
Dentre algumas das evidências mais impressionantes está o aumento do risco de câncer de mama em mulheres jovens. Por exemplo, o estudo da Dra. Janet Daling em 1994 revelou a porcentagem estatisticamente significante de 50 % a mais de incidência de câncer de mama entre mulheres que tiveram aborto induzido, em comparação com outras mulheres.
Mas dentre as mulheres menores de 18, quando tiveram seu primeiro aborto, o aumento da incidência foi de 150 %. Dentre essas, 12 também tinham um histórico familiar de câncer de mama; todas elas desenvolveram a doença antes de terem completado 45 anos de idade.
Mulheres menores de 18 anos que não tinham um histórico familiar de câncer de mama, mas cujos abortos foram realizados após oito semanas de gestação, sofreram um aumento de 800 % na incidência de câncer de mama.
Uma associação do aborto com o subseqüente câncer de mama é biologicamente plausível. Destruir a primeira gravidez de uma mulher com um aborto induzido cancela a transformação normal do tecido dos seios em tecido produtor de leite. Durante essa transformação, hormônios estimulam as células dos seios a se dividirem e multiplicarem rapidamente. Após o nascimento do bebê, o tecido do seio começa a produzir leite, completando a mudança.
Mas interromper o processo no meio do caminho deixa muitas células dos seios ainda não completamente diferenciadas em células produtoras de leite. Células não-diferenciadas têm um potencial maior para se transformarem em células cancerígenas. Então faz sentido, biologicamente, que o desenvolvimento do tecido dos seios interrompido pelo aborto o torne mais propenso a se transformar em cancerígeno mais tarde na vida.
Os níveis hormonais sobem e caem de forma muito mais gradual em gravidezes que terminam em abortos espontâneos do que com abortos induzidos. Mulheres com abortos espontâneos não mostram aumento na incidência de câncer de mama.
Embora a Suprema Corte [dos Estados Unidos] tenha legalizado o aborto em 1973, no caso Roe vs Wade, a ligação entre esta prática e o câncer de mama ainda não era imediatamente aparente, pois a maioria das mulheres tendo abortos induzidos estavam no período mais propício à procriação, do final da adolescência até por volta dos 35 anos de idade, e a maioria das mulheres que desenvolvem câncer de mama são mais velhas, nos seus 60 e 70 anos. Em outras palavras, levaria várias décadas para que tal ligação se manifestasse.
Hoje em dia, as companhias farmacêuticas têm de incluir muitas informações nas bulas dos remédios, incluindo não somente os efeitos colaterais comuns e as reações adversas, mas também tudo o que aconteceu com qualquer pessoa que os tenha tomado durante os testes clínicos, relacionado ou não com o remédio. Embora a inclusão de reações insignificantes ou muito raras seja algo excessivo, as mulheres grávidas deveriam ser informadas sobre as associações biológicas plausíveis, documentadas e estatisticamente significantes do aborto com o subseqüente câncer de mama.
A evidência controversa não deveria ser ignorada. Como dito pela Dra. Jane Orient, diretora executiva e ex-presidente da Associação Americana de Médicos e Cirurgiões, o risco elevado é “substancial, em particular para as mulheres que abortam sua primeira gravidez jovens e que têm um histórico familiar de câncer de mama”.
Algumas dessas jovens, menores de 18, são praticamente adolescentes. Elas merecem uma proteção melhor do que a atualmente proporcionada pelas leis e sociedade Americana.
Robert J. Cihak, M.D., é um Membro Sênior e Membro do Conselho Administrativo do Discovery Institute e ex-presidente da Associação Americana de Médicos e Cirurgiões.
Michael Arnold Glueck, M.D., é um escritor que já ganhou vários prêmios e comenta acerca de questões médico-legais.
CIÊNCIA VS RELIGIÃO: UM CONFRONTO QUE NEM EXISTE!
Outubro 15, 2007 at 12:17 am | In Blogroll, Uncategorized | No CommentsCIÊNCIA VS RELIGIÃO
UM CONFRONTO QUE NEM EXISTE!
Maximiliano Mendes - 14/10/2007

O clero secular
É muito comum vermos notícias em revistas ou jornais tratando do suposto conflito entre a ciência – “objetiva, imparcial e progressista”, contra a religião – “dogmática, preconceituosa e obscurantista”. As publicações de nível popular freqüentemente trazem notícias cujo objetivo principal parece ser desafiar a fé Cristã. Todos os anos, na época da Páscoa, já estamos acostumados a ver Jesus Cristo nas capas das revistas, e é comum nos sentirmos desconfortáveis ao ler matérias com títulos questionando a divindade dele (às vezes questionam até mesmo se ele existiu!), ou afirmando sem sombra de dúvidas que a ciência está bem próxima de explicar a origem do Universo, da vida e do homem, e, portanto, não precisamos apelar para uma divindade todas as vezes que os cientistas ainda não forem capazes de esclarecer algo. Na verdade, vários cientistas criticam duramente quem ousar dizer que um agente, uma divindade, teve papel ativo em processos que eles não sabem explicar. Dizem que se está invocando uma divindade para preencher as lacunas, uma atitude anticientífica, e crêem que todas essas lacunas do conhecimento científico serão efetivamente preenchidas. Exagerando um pouco: De acordo com eles, algum dia, potencialmente, a humanidade se tornará Onisciente e conhecerá por completo toda a realidade do Universo.
Essa é a opinião de um novo clero, secular, modernista e que pregam nas universidades vestidos de jaleco branco. Aos seus pronunciamentos a mídia em geral atribui status de verdade absoluta: “A teoria da evolução explica a origem das espécies e do homem, somos apenas produto do acaso e das leis naturais. O relato da Criação descrito no livro de Gênesis é mitológico.” Acredita-se que tais afirmações são feitas revestidas do mais cristalino racionalismo e imparcialidade. Como pode o leigo discordar da autoridade de alguém que passou anos estudando antes de declarar alguma coisa de forma objetiva e neutra? Mas será que esse é realmente o caso?
O mito da neutralidade
Jesus Disse em Mateus 12:30 – Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha (NVI). É de extrema importância que o leitor perceba de imediato o seguinte: Não existe imparcialidade, somos todos tendenciosos. A afirmativa pode inicialmente parecer absurda, justamente porque somos ensinados do contrário. Perpetua-se um mito (da neutralidade) de que o establishment secular é imparcial em suas análises, pois seu ponto de vista é livre de influências filosóficas ou religiosas. Infelizmente para eles, esse tipo de pensamento é inviável, visto que todo ser humano se baseia em uma série de pressupostos subjetivos para guiar sua interpretação acerca dos fatos da realidade [1]. Se o Cristão investiga o mundo natural, espera-se que faça isso partindo do pressuposto de que a Palavra de Deus é a Verdade, No princípio, Deus criou os céus e a terra (Gênesis 1:1). Em contrapartida, o ateu, adepto do naturalismo filosófico, investigará o mundo natural partindo do pressuposto de que ele é tudo o que existe, considera-se que o Universo é uma entidade auto-existente.
O pressuposto que orienta o funcionamento do establishment secular é o naturalismo filosófico. Esta filosofia afirma que a natureza, o mundo material, é tudo o que existe. Não há uma realidade ou mundo sobrenatural, e, portanto, não existe a possibilidade de que em algum momento da história houve intervenções sobrenaturais ou milagres [2] (Aqui, a palavra “materialismo” também será utilizada como sinônimo dessa filosofia). Essa é a crença básica do ateísmo, visão de mundo baseada no naturalismo. Uma visão de mundo ou cosmovisão pode ser definida como o modo pelo qual uma pessoa vê ou interpreta a realidade [3].
Esta tendenciosidade secular foi muito bem exposta pelo geneticista de Harvard, Richard Lewontin [4]:
Nós adotamos o lado da ciência, apesar dos evidentes absurdos de algumas das suas idéias, apesar da sua falha em realizar muitas das suas promessas extravagantes sobre a vida e a saúde, apesar da tolerância da comunidade científica por estórias do tipo “é por que é” não verificadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo.
Não é que os métodos e institutos da ciência de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material do mundo perceptível, mas, pelo contrário, nós é que somos forçados pela nossa adesão a priori pelas causas materiais a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzem explicações materiais, não importa o quão contra-intuitivo, não importa o quão incompreensível para o não iniciado. Além do mais, esse materialismo é um absoluto, pois nós não podemos permitir que Deus bata em nossas portas.
O eminente estudioso de Kant, Lewis Beck costumava dizer que qualquer um que poderia crer em Deus, poderia crer em qualquer coisa. Apelar para uma divindade Onipotente é permitir que a qualquer momento as regularidades da natureza possam ser rompidas, que milagres podem acontecer.
Ainda sobre o absolutismo do materialismo, John Rennie, editor da revista Scientific American (americana) diz [5]:
“Ciência da Criação” é um termo contraditório. Um dogma central da ciência moderna é o naturalismo metodológico – Que busca explicar o Universo puramente em termos de mecanismos naturais testáveis e observáveis.
(Vale ressaltar que esse dogma não é deduzido a partir do método científico, mas sim a partir de uma suposição metafísica externa a ele [6].)
Acreditar na possibilidade da ocorrência de milagres não faz com que seja impossível realizar ciência empírica. Aliás, a base da ciência moderna é a suposição de que o Universo é ordenado, pois foi criado por um Deus ordeiro. De acordo com o antropólogo e escritor Loren Eiseley [7]:
A filosofia da ciência experimental … começou suas descobertas e a utilizar seus métodos, crendo, e não sabendo, que estava lidando com um Universo racional controlado por um criador que não age de forma volúvel e nem interfere com as forças que colocou para operar … Certamente esse é um dos paradoxos curiosos da história da ciência, que profissionalmente tem pouco a ver com a fé, mas deve suas origens a um ato de fé, que o Universo pode ser racionalmente explicado, e a ciência de hoje em dia é sustentada por esta suposição.
E a Palavra de Deus nos diz em Jeremias 33:25 (NTLH): Mas eu, o Senhor, digo que fiz leis para o dia e a noite e leis que controlam a terra e o céu.
De qualquer forma, a leitura das citações de Richard Lewontin e John Rennie deixa claro que a imparcialidade secular é efetivamente um mito, e eles nos revelam uma característica básica do naturalismo: Qualquer explicação que adote o pressuposto de que existe um Deus criador, é imediatamente descartada como inválida. Os documentos históricos contidos no Novo Testamento da Bíblia Sagrada nos fornecem evidências para se crer que Jesus operava milagres e foi ressuscitado dos mortos por Deus. Como o naturalismo exclui a priori qualquer explicação que envolve um fator sobrenatural, não se admite que isso realmente tenha acontecido. As explicações naturalistas então são coisas do tipo: “A Bíblia é uma farsa!”, “Os discípulos foram hipnotizados”, “É só uma coleção de estórias fictícias com valor moral”…
Inclusive algumas outras explicações naturalistas sobre fatos contidos na Bíblia chegam a beirar o absurdo. Os trechos Bíblicos em João 6:16–21; Mateus 14:22–33 e Marcos 6:45–51, nos mostram Jesus operando o milagre em que andou sobre as águas. Recentemente, o oceanógrafo da Universidade da Flórida, Doron Nof, realizou um estudo tendo por base este relato, e em resumo, a conclusão foi a de que quando Jesus andou sobre as águas, na verdade estava andando sobre o gelo [8]! Qual é o motivo disso? Tais pesquisadores não podem admitir um milagre de forma alguma, e sendo assim, devem tentar explicar este relato, supondo contra todas as evidências, que houve a possibilidade de formação de pedras de gelo no mar da Galiléia, mesmo que ninguém nunca tenha observado isso [9]. De acordo com o próprio Dr. Nof:
Como cientistas naturalistas, nós simplesmente explicamos que provavelmente processos únicos de congelamento aconteceram naquela região somente algumas poucas vezes durante os últimos 12000 anos.
Se ele estiver correto, podemos dizer que Jesus chegou na hora certa não é mesmo?

Walking on Water, de Brian Jekel.
É curioso apontar que o mesmo Dr. Nof já abordou outro tema Bíblico anteriormente. Em 1992, seu grupo de pesquisa propôs que uma forte ventania havia exposto um caminho de terra firme localizado no fundo do mar vermelho, permitindo que os israelitas escapassem dos egípcios [10]. Eu gostaria de sugerir ao Dr. Nof que não deixe de publicar um artigo propondo que a cabeleira de Sansão funcionava como um sistema de polias capaz de ampliar grandemente a sua força…
Como todos interpretam os fatos baseando-se em pressupostos subjetivos, então a segunda coisa que o leitor deve perceber é a seguinte:
Os fatos não falam por si
Todos os fatos, resultados experimentais, evidências e etc. são interpretados de acordo com um sistema [11-13]. Esse sistema é constituído de pressupostos subjetivos baseados de acordo com a visão de mundo do interpretador. No que diz respeito à disputa “ciência vs religião”, várias pessoas tendem a pensar de forma equivocada que se trata de uma competição em que ganha quem tiver mais evidências ao seu favor. Esse é um grande engano, pois as evidências e os fatos do mundo real são os mesmos, tanto o ateu quanto o Cristão observam que existem organismos vivos neste planeta, mas ambos irão sugerir interpretações e teorias distintas para tentar explicar a origem do Universo, vida e etc.
Tendo em vista que os fatos não são neutros, não falam por si, e devem necessariamente ser interpretados de acordo com os pressupostos subjetivos de quem os analisa, chegamos a um dos pontos mais cruciais no que diz respeito ao suposto conflito entre ciência e religião: A “Ciência” não é uma entidade pessoal, é uma ferramenta (ou um método) utilizada por entidades pessoais, nós. Portanto, ela não diz nada sobre coisa alguma, quem diz alguma coisa sobre algo são as pessoas, que interpretam os fatos baseando-se em pressupostos subjetivos, dentre os quais, o naturalismo filosófico ou o Cristianismo!
Qualquer argumento ou análise que não esteja de acordo com o naturalismo filosófico e admita a existência de uma realidade externa a esse mundo material, é, portanto, sumariamente descartada como sendo religiosa, fundamentalista e tendenciosa. Isso é pura e simplesmente uma forma de se banalizar questões importantes. Atualmente existe um grande debate sobre temas bastante difíceis, como o aborto, pesquisas com células tronco embrionárias humanas e desafios ao evolucionismo, mas novamente, qualquer opinião que se oponha ao pensamento do clero secular é imediatamente tachada como religiosa e sem valor prático. Isso significa que essas opiniões devem permanecer fora da esfera pública, sendo consideradas apenas como questões de foro íntimo. Aplicar o rótulo de “religioso” em determinado argumento tem um poder de persuasão incrível diante do público em geral, pois a maioria das pessoas crê que os cientistas e o establishment secular são imparciais e objetivos (e já foi mostrado que isso não é verdade). Apesar de não ser uma religião como o Cristianismo, o secularismo também tem o seu “inferno”: A ignorância. É como se eles proclamassem: Quem não acredita em nós, nas nossas explicações científicas, é ignorante! E aí está a magia do artifício retórico, ninguém quer ser chamado de ignorante.
Talvez o leitor já tenha percebido o cinismo dos secularistas ateus: Mesmo sendo tendenciosos e também atuarem baseados de acordo com uma visão de mundo, acusam outras pessoas de agirem da mesma forma que eles, mas dando a entender que eles mesmos não agem assim. Como diria Lênin, um dos principais responsáveis pelo terror comunista soviético do Século XX: Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz [14].
Intolerância religiosa disfarçada
O método científico apresenta limitações, é claro que não existe a possibilidade de se colocar Deus ou um anjo em um tubo de ensaio e executar um experimento com eles, só podemos experimentar com aquilo que podemos manipular, e estes objetos fazem parte do mundo natural. Este conceito, em princípio não entra em conflito com a fé Cristã. Inclusive, é importante distinguir entre dois “tipos” de modalidades científicas [15-16]:
- A ciência operacional, mais comum, que lida com processos observáveis e que podem ser repetidos, no presente.
- A ciência das origens, como o evolucionismo, constituída de especulações sobre eventos que supostamente ocorreram no passado, e que por conta disso, não podem mais ser observados e repetidos.
A forma mais segura de se saber algo sobre o passado, é contar também um depoimento confiável. Nós Cristãos temos o depoimento mais confiável de todos, e cujo autor foi testemunha ocular dos eventos que a ciência das origens procura explicar: A Bíblia, a Palavra de Deus, o Criador dos céus e da terra! Voltaremos depois a este ponto quando formos falar sobre a teoria da evolução.
Atualmente, a palavra ciência passou a ser sinônimo de naturalismo filosófico. Nas palavras de Phillip Johnson, autor de livros sobre a Teoria do Design Inteligente [17]:
Eu não acho que o assunto já tenha sido realmente confrontado nesse debate … O que os anti-Darwinistas chamam de naturalismo metafísico, os Darwinistas chamam de “ciência”, e insistiam que se a ciência deixar de ser naturalista, ela deixaria de ser ciência. Simplificando o assunto ao máximo possível, a resposta Darwinista à questão apresentada não foi “Não, isso está errado, pois o Darwinismo pode ser defendido sem se assumir uma perspectiva naturalista”. Ao invés disso, eles responderam: “E daí? Tudo o que você está dizendo é que o Darwinismo é ciência.”
Em geral, os secularistas afirmam que a ciência empírica é a única forma de se conhecer efetivamente a realidade, quaisquer outras coisas, e inclui-se aqui a revelação divina, são imediatamente descartadas. Sendo assim, é importante que se refute a idéia de que a ciência empírica (experimental) é a autoridade máxima e final no que diz respeito ao conhecimento da realidade e porta-voz oficial da Verdade.
Acompanhe a seguir um trecho de um debate entre o apologista Cristão William Lane Craig Vs. o ateu Peter Atkins [18]:
- Atkins: Não há necessidade de Deus. Qualquer coisa no mundo pode ser compreendida sem necessariamente se evocar um deus. Você precisa aceitar que é possível ter uma visão assim com relação ao mundo.
- Craig: Certamente isso é possível. Mas…
- Atkins (interrompendo): Você nega que a ciência possa ser a responsável por todas as coisas?
- Craig: Sim, eu realmente nego que a ciência possa ser responsável por todas as coisas.
- Atkins: Então, por quais coisas ela não pode ser responsável?
- Craig: Creio que existe um grande número de coisas que não podem ser cientificamente provadas, mas que é racional aceitar:
- Matemática e lógica (a ciência não pode prová-las porque a ciência as toma como pressupostos);
- Verdades metafísicas (como, por exemplo, a existência de outras mentes além da minha própria);
- Julgamentos éticos (você não pode provar pela ciência que os nazistas eram maus porque a moralidade não está sujeita ao método científico);
- Julgamentos estéticos (o belo, assim como o bom, não pode ser cientificamente provado); e ironicamente,
- a própria ciência em si (a crença de que somente o método científico descobre a verdade não pode ser provada pelo próprio método científico [Pois essa crença é baseada em uma filosofia, e não no método]).
Raciocinemos um pouco mais sobre este ponto: Caso algum pesquisador queira descobrir, por exemplo, se a luz é um fator indispensável para que uma planta realize o processo de fotossíntese, creio que o leitor concorda que será necessário elaborar um experimento que siga uma série de padrões já bem estabelecidos pela metodologia científica, sem problemas aqui. Entretanto, ao chegar em casa e abraçar a esposa e os filhos, será que esse mesmo pesquisador precisa elaborar algum experimento a fim de comprovar empiricamente que ama sua família ou ele já sabe disso, mesmo sem nunca ter se submetido ao processo experimental? Ora, fica claro que a ciência empírica não é a única forma de se conhecer a realidade. Além do mais, uma visão de mundo baseada no naturalismo filosófico afirma coisas que certamente não pode comprovar: Que nunca houve um milagre ao longo de toda a história da humanidade, e não somente isso, que não existe uma realidade sobrenatural. Ou seja, afirmam que algo fora do alcance do método científico não existe, ao mesmo tempo em que o próprio método científico é limitado e, em nome da ciência, não se pode afirmar nada fora de seus limites. Paradoxal não?
De qualquer forma, ainda pode-se alegar que a “ciência deve ser separada da religião”, pois cada uma deve lidar com domínios distintos e não interferentes (ou que não se sobrepõem). Essa idéia foi criada pelo famoso paleontologista da Universidade de Harvard, Stephen Jay Gould, que criou uma espécie de fórmula pacificadora. De acordo com ele [19]:
Não deveria haver conflito [entre ciência e religião], pois cada sujeito tem um magistério ou domínio legítimo de autoridade de ensino – e estes magistérios não deveriam se sobrepor (princípio que eu gostaria de chamar MNI, “magistérios não interferentes” [NOMA, Non Overlapping Magisteria]).
A rede da ciência cobre o Universo empírico: do que ele é feito (fato) e porque ele funciona desta forma (teoria). A rede da religião se estende sobre questões de moralidade e valores. Estes dois magistérios não se sobrepõem nem abrangem todas as questões (considere, para começar, o magistério da arte e o significado da beleza). Citando os grandes clichês, nós dizemos a idade das rochas, e a religião possui a Rocha Eterna [Jesus Cristo]; estudamos como os céus operam, e eles determinam como ir para o Céu.
A primeira vista até parece ser uma posição bem razoável, mas vamos analisar alguns pontos principais a seguir [20]: É verdade que alguns domínios da ciência são metafisicamente neutros, e que certos assuntos realmente não se sobrepõem, por exemplo, estudar acerca da doutrina da trindade é algo puramente dentro do domínio teológico, ao passo que a análise nutricional de certo animal é um tema científico metafisicamente neutro. Entretanto, o problema é que a religião Cristã tem muito a dizer sobre muitos fatos, ela diz que Deus criou os céus e a terra, ela afirma que em determinado momento, historicamente verificável, um homem fazia milagres e posteriormente ressuscitou dos mortos… Ora, de acordo com a idéia dos MNI de Gould, esses fatos não são de domínio da religião, mas sim da ciência. Mas como a ciência é baseada no naturalismo e não pode admitir a ocorrência de milagres, vejamos, primeiramente de acordo com o próprio Gould [21]:
O primeiro mandamento para todas as versões de MNI talvez possa ser resumindo com esta declaração: “Não misturarás os magistérios, dizendo que Deus ordena diretamente eventos importantes na história da natureza por meio de interferência especial, conhecida somente mediante revelação e não acessível à ciência”.
(Por exemplo, ele diz que a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé é só uma estória de valor moral [22].)
Phillip Johnson conclui sobre a fórmula dos MNI e sobre Gould [23]:
Gould até permite por condescendência que os religiosos expressem suas opiniões subjetivas sobre a moralidade, desde que não interfiram com a autoridade que os cientistas têm de determinar os fatos – um dos quais é o de que Deus é só um mito confortador.
Johnson comenta que se o MNI é uma fórmula pacificadora, deve ter tomados seus princípios do apartheid! É óbvio que não é possível conciliar o Cristianismo com o naturalismo, justamente por não se tratar de um conflito entre a ciência e a religião, mas sim entre duas cosmovisões, ou até mesmo, se preferir, duas religiões. Ambas procuram responder as mesmas questões: de onde viemos e para onde vamos.
E a evolução?
Definitivamente, o campo em que se travam as maiores batalhas entre o Cristianismo e o naturalismo filosófico é o campo das origens. Em primeiro lugar, é importante que saibamos definir “evolução”, e não somente isso, devemos saber distinguir os significados distintos em que se utiliza esta palavra.
Evolução biológica é simplesmente mudança. É um conceito dentro do âmbito da genética de populações: As freqüências genotípicas das populações sofrem modificações ao longo das gerações, de forma que graças a este processo, pode haver a formação de novas espécies na medida em que as variedades mais aptas a viver em certo ambiente são selecionadas (as variedades que apresentam vantagens seletivas). Isto é algo que efetivamente se observa, é a chamada parte fato da evolução, e não tem nada a ver com crença ou comprometimento a priori com qualquer tipo de pressuposição subjetiva.
Lembrando: especiação não é um processo antibíblico como alguns pensam. O que está traduzido como “espécie” na sua Bíblia, em hebraico é miyn, traduzida como tipo – kind, nas Bíblias de língua inglesa. [24].
Em contrapartida, chamaremos Evolucionismo (ou Darwinismo, ou neo-Darwinismo), uma espécie de doutrina metafísica que é, em essência, um dos conceitos fundamentais do ateísmo tradicional: A crença em que o Universo é auto-existente, ou seja, sempre existiu, e que toda a vida surgiu e evolui através de processos, não-inteligentes, acaso e leis naturais. A vida surgiu por sorte e não por desígnio e planejamento.
Muito comumente, ambos os termos são utilizados como sinônimos. Aqui, quando nos referimos à evolução ou à teoria da evolução, estaremos nos referindo ao evolucionismo. Porém, os próprios secularistas confundem os dois termos de forma propositada, e o intuito disso é extrapolar os fatos observados, para se justificar o que não é observado! A citação a seguir, de Jonathan Sarfati, explica muito bem essa tática [25]:
O que é evolução? É de importância vital que palavras como “evolução” sejam utilizadas de forma precisa e consistente. A teoria da “evolução” que os evolucionistas estão realmente promovendo, e que os criacionistas se opõem, é a idéia de que partículas se transformaram em pessoas ao longo do tempo, sem qualquer necessidade de um Designer Inteligente. O evolucionista [Gerald A.] Kerkut definiu de forma precisa a sua Teoria Geral da Evolução (TGE), como: “teoria em que todas as formas de vida do mundo surgiram de uma única fonte, que por sua vez, veio de uma forma inorgânica.” Ele continua: “A evidência que apóia isso não é forte o bastante para que a consideremos qualquer coisa a mais do que uma hipótese a ser trabalhada.” [G.A. Kerkut, Implications of Evolution (Oxford, UK: Pergamon, 1960), p. 157.]
Entretanto, muitos propagandistas da evolução são culpados da prática enganadora da tergiversação, ou seja, mudar o sentido de uma única palavra (evolução) no meio de um argumento. Uma tática comum, “trocar a isca” [bait-and-switch], consiste simplesmente em produzir exemplos de mudança ao longo do tempo, chamar isso de “evolução”, e então afirmar que isso implica que a TGE está, portanto, provada ou é essencial, e a criação refutada. A série de TV PBS Evolution, e o artigo 15 Answers to Creationist Nonsense, da revista Scientific American são cheios de exemplos dessa falácia.
Em resumo, mostram-se exemplos de mudanças em seres vivos (fato observado), e esses processos são apresentados para o público como se fossem fatos que comprovam o Evolucionismo. Vejamos uma definição de evolução [26]:
Em termos modernos, podemos definir evolução como uma mudança na composição genética da população ao longo do tempo. Eventualmente, uma população pode acumular mudanças o bastante para constituir uma nova espécie – uma nova forma de vida. Assim, também podemos usar o termo evolução em uma grande escala, para denotar a aparição gradual de toda a diversidade biológica, dos primeiros micróbios à enorme variedade de organismos vivos hoje em dia.
O trecho sublinhado mostra muito bem a extrapolação.
Conclui-se que o evolucionismo é basicamente o ramo científico do naturalismo. Ou pelo menos pretende ser, pois de acordo com os próprios padrões dos modernistas ateus, para que algo seja considerado verdadeiramente científico, é necessário que preencha certos requisitos. No caso da teoria geral da evolução (ou qualquer outra teoria), é importante que exista a possibilidade de que ela possa ser falseada ou refutada. Utilizando um exemplo bem simples, a teoria da gravidade de Newton afirma que os corpos se atraem, mais simples ainda, corpos como os nossos, localizados aqui na superfície do planeta são atraídos para o centro da terra. Essa teoria pode ser facilmente refutada, caso se observe que alguém inicialmente na superfície da terra, ao invés de ser atraído para o centro dela, passe a ser repelido! O exemplo é bem dramático, mas serve para definir o que é falseabilidade.
De forma geral, a alternativa para o evolucionismo seria alguma forma de Criacionismo. O establishment secular adotou o evolucionismo como paradigma vigente em praticamente todos os campos da ciência, e rejeitam categoricamente a possibilidade de considerar o Criacionismo como hipótese ou teoria científica, pois afirmam que ele não pode ser falseado. Realmente, eu concordo que o Criacionismo como visão de mundo, em princípio não pode ser falseado, apesar de que algumas previsões que o tomam por base possam ser. Entretanto, a pergunta que devemos fazer é: O evolucionismo pode ser considerado como uma teoria científica capaz de ser testada e falseada?
Nas palavras do notório filósofo da ciência, Karl Popper (que era um evolucionista) [27]:
… Eu cheguei à conclusão de que o darwinismo não é uma teoria científica testável, mas sim um programa de pesquisa metafísico – um sistema possível para teorias científicas testáveis.
Um comentário do Dr. Michael Behe, Professor de bioquímica e autor do famoso livro A Caixa Preta de Darwin, sobre a falseabilidade da teoria da evolução também é muito esclarecedor [28]:
A Academia Nacional de Ciências [Americana] afirmou que o design inteligente não é falseável, e eu acho que isso é justamente o oposto da verdade. O design inteligente é bastante sujeito à falsificação. Eu alego, por exemplo, que o flagelo bacteriano [estrutura bacteriana utilizada para a locomoção] não pode ser produzido pela seleção natural; ele precisa ter sido propositadamente projetado. Bem, tudo o que um cientista tem de fazer para provar que eu estou errado é pegar uma bactéria sem flagelo, ou eliminar os genes que codificam o flagelo de uma bactéria, ir para o seu laboratório, cultivar o micróbio por um longo período, e ver se ele produz alguma coisa que se assemelhe a um flagelo. Se isso tiver acontecido, o design inteligente, da forma como eu o entendo, terá sido nocauteado. Eu certamente não espero que isso aconteça, mas [o design inteligente] é facilmente falseável por uma série de experimentos como esse.
Agora nos voltemos para o outro lado e perguntemos: Como podemos falsear a afirmação de que foi a seleção natural que produziu o flagelo bacteriano? Se esse mesmo cientista fosse para o laboratório e eliminasse os genes do flagelo, cultivasse a bactéria por um longo período, e nada acontecesse, bem, ele diria que talvez não tivesse começado com a bactéria certa, talvez não tenha esperado tempo suficiente, talvez precisasse de uma população maior, e então seria muito mais difícil falsear a hipótese Darwiniana.
Eu acho que o oposto é que é verdade. Eu acho que o design inteligente é facilmente testável e falseável, embora não tenha sido falseado, e o Darwinismo é muito resistente a ser falseado. Eles podem sempre alegar que alguma coisa não estava bem.
O evolucionismo não pode ser falseável, mas como os secularistas descartam qualquer coisa que se oponha ao naturalismo, os editores de jornais e periódicos científicos profissionais agem no sentido de impedir que os artigos científicos partindo dos pressupostos contrários ao naturalismo sejam publicados. Pura intolerância religiosa disfarçada. Pode se enunciar esta regra da seguinte forma: Os evolucionistas só aceitam como científicas as teorias e artigos publicados nos jornais baseados no naturalismo filosófico, e estes jornais, como regra, impedem que se publique qualquer coisa pró-criacionismo ou pró-design inteligente neles [29].
Um exemplo recente e marcante dessa inquisição secular foi o caso envolvendo Richard Sternberg. Sternberg era o editor de um periódico secular, o Proceedings of the Biological Society of Washington, que perdeu seu cargo exatamente por permitir que um artigo pró-design de autoria de Stephen Meyer, teórico do Design Inteligente, fosse publicado no jornal em Outubro de 2004. Apesar de ser um evolucionista, Sternberg, além de dispensado, foi tachado de “Criacionista enrustido” [29-30]! Outro caso ainda mais recente envolveu o astrofísico Guillermo Gonzalez, professor assistente na Universidade do Estado de Iowa, autor de um livro pró-design chamado The Privileged Planet. Mesmo preenchendo todos os requisitos para adquirir a estabilidade no cargo de professor titular em sua Universidade, o fato de ser pró-design foi o bastante para que a patrulha ideológica da inquisição secular lhe negasse o cargo [31].
O evolucionismo se afirma como ciência, mas exclui de forma tirânica qualquer tentativa de criticá-lo ou falseá-lo.
Utilizando esses conhecimentos
As universidades são os centros de onde surgem as doutrinas seculares e onde se formam os doutrinadores secularistas. É certo que durante boa parte de suas vidas escolares, os Cristãos são freqüentemente desafiados pela cultura da “tolerância”, que tolera tudo menos o Cristianismo. Todavia, ao ingressar em um curso universitário, provavelmente o Cristão terá sua visão de mundo grandemente desafiada, e é realmente difícil suportar o ataque vindo diretamente dos professores, e de outros colegas, que certamente são pessoas inteligentes e estudiosas. Por isso é essencial que se saiba identificar de imediato os artifícios retóricos dos adversários, e em que nível se dá a discussão, ou seja, que se trata de uma disputa entre o Cristianismo e o modernismo. Tudo isso para evitar, digamos, jogar nas regras do adversário: Provar a veracidade do Cristianismo, utilizando como base uma filosofia que o descarta a priori.
Porém, isso não é o bastante. Também é necessário que o Cristão entenda as razões pelas quais crê, para que seja capaz de seguir a orientação do Apóstolo Pedro:
1 Pedro 3:15-16 – Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm. Porém façam isso com educação e respeito. Tenham a consciência limpa. Assim, quando vocês forem insultados, os que falarem mal da boa conduta de vocês como seguidores de Cristo ficarão envergonhados. (NTLH).
Em uma palestra intitulada One Nation Under Darwin, Phillip Johnson comenta sobre a importância da História da Cr


